Terça-feira, Junho 07, 2011

Estavas tão bem caladinha, Ana ...


(publicado noutro blogue do autor)


Ana Gomes coloca hoje Paulo Portas numa situação que não corresponde totalmente ao que porventura ele desejaria. No mesmo plano de Dominique Strauss-Kahn (DSK) do FMI, actualmente a aguardar julgamento nos EEUU.
Creio que apenas a comparação comportamental e situação internacional extrapola o razoável. Paulo Portas até gostaria de ter um protagonismo (essencialmente pela positiva), igual ao de DSK, mas ainda bem que não tem, senão Passos Coelho seria seu súbdito e não o que na realidade sucede. No entanto, todos sabemos que PP tem bastantes telhados de vidro dentro da nossa política nacional. Não basta falar dos submarinos, caso ainda em Tribunal, nem da contribuição do seu preço para a excessiva dívida portuguesa. Hoje mesmo se fala das “provas recebidas há algumas semanas das autoridades alemãs, que indiciam o pagamento de ‘luvas’ a militares e políticos portugueses, que em 2004 (no Governo PSD-CDS, de Durão Barroso e Paulo Portas) decidiram adjudicar a compra de dois submarinos ao consórcio GSC”.
É facto que se trata de um “caso de polícia”, mas o homem poderá ter agido de boa fé, sem intuitos comprometedores, mas apenas para sobrevalorizar o seu protagonismo político. Desconheço se ganhou riqueza pessoal com tal negócio.
Aliás nota-se que Portas apresenta excessivo brilho nos olhos e um fácies eufórico e delirante quando lhe concedem o poder para as mãos. Há quem chame prestígio a tal poder que se recebe, mas para mim o prestígio reside na honestidade e correcção do cumprimento da actividade política que nos é colocada nas mãos.
Todos se lembram ainda da suspeita em relação a facturas falsas na Cooperativa Dinensino no processo da Universidade Moderna. Ficou tudo esclarecido? Talvez sim…talvez não.
Brincando com letras, creio, apesar de tudo que PP não irá estragar a salada ao PPC, pois este último C faz a diferença, referindo que está por Cima de PP.
Achei estranho que Cavaco, após afastamento de Sócrates do elenco do PS, não tenha proposto ao PPC uma coligação mais forte com o PS sem Sócrates. Afinal os socialistas já não tinham o suposto “veneno” e tinham conhecimento de muitos dossiers do Governo. Sempre não teriam que recomeçar em vários sectores, mas dar continuidade e aperfeiçoar determinados itens. Claro que iriam ter a guerra de Paulo Portas que até “já sabia” que seria o único a ter assento no Governo com a vitória do PSD (e quiçá se fosse o PS a força mais votada).
Obviamente Passos Coelho (tal como Cavaco) não pretenderia ter como colaboradores aqueles que ele e seus seguidores sempre consideraram os maiores causadores do “buraco negro” nacional.
Nada a censurar, mas terão mesmo razão? O buraco não começou a ser cavado mesmo por Cavaco? Tanto dinheirinho mal gasto no seu reinado e seguintes! Tanta criação de mordomias políticas! Tanta traição a um pobre povo que sempre esperou vir a ter melhor vida no futuro e apenas ganhou uma mão cheia de nada e outra de dívidas que não contraiu.
Vamos lá ver que tipo de governação vai fazer a refeita sociedade PSD/CDS-PP, e se vai reduzir o enorme peso da máquina governativa e dos gestores “políticos”, bem como a luta anti-corrupção. Se o fizerem passarão a merecer continuidade no poder e a gratidão do povo.
Pois é Ana, estavas tão bem caladinha e com certeza eu também… mas parece que gostamos de provocar (debates).

Sexta-feira, Junho 03, 2011

O homem e...o homem novo



(publicado noutros blogues do autor)


Somos um país “sui generis”. Está na nossa genética peninsular e disso não nos livramos. Além de minúsculos, somos megalómanos, mas também vingativos e, por vezes, intolerantes.
Nestes últimos seis anos o País foi dirigido por um homem que alimentou ódios e mal-estar nos seus opositores, mesmo que partidários da “rosa”. Desde o início do seu mandato serviu de alvo a abater. Ninguém parecia querer mal ao partido que dirigia, pois as baterias apontaram sempre, nestes seis anos, apenas na direcção desse homem.
Importunaram-se com a forma como obteve o seu curso superior, com a sua amizade e relacionamento com os implicados no negócio Freeport, com os seus projectos de casas nas beiras e com as suas amizades com determinadas pessoas ligadas a duvidosos negócios de sucata.
O homem, com muita paciência e alguma crispação (quem não se sente não é filho de boa gente), lá foi aguentando todas as insinuações e afrontas. Determinados grupos dos “media”, a soldo de grupos indignados, davam ênfase a muitas destas suspeitas, tentando julgar o homem em praça pública, como se jornalista ressentido fosse equivalente a juiz inquisitório.
Havia necessidade de abater o homem, nem que fosse numa salada de invenções caluniosas.
O País, dizem e não está longe da verdade, afundou-se economicamente mais nestes seis anos que em quase todos os anteriores governos. Mas a verdade é que também os seus acusadores esquecem que, no reinado deste homem, o país criou maior bem-estar social, conhecimento e poder tecnológico que em todos os anteriores. O ordenado mínimo cresceu e teve promessa de atingir os 500 euros (miserável ordenado mínimo se comparado com outros países da EU).
Também os seus delatores se esqueceram que, a partir de 2008, a crise económica mundial teve efeitos cumulativos e potenciadores em todas as crises dos países com economias mais frágeis, como Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, etc. Da mesma forma a agiotagem das agências de “rating” iniciou a caça ao tesouro europeu. Por acaso esse homem, tão espicaçado pelos opositores, seria o dirigente da Grécia, Espanha, Irlanda e outros países aflitos? E os problemas não eram comuns?
Já viram que os países, em disputa pelos grandes grupos económicos e agências de “rating”, são aqueles que melhores destinos de férias possuem? Dizem-se recantos extremamente apetecíveis pelos senhores do capital, que pretendem escolher e ficar com os mais belos e recatados, roubando-os às populações desses países. No fundo eles querem ser donos, a título grátis (juros incomportáveis cobrados) desses belos recantos que privatizarão e transformarão em condomínios privados de super-luxo. Só não vê quem for cego.
Cá dentro, os opositores daquele homem alinham na chantagem e forçam a entrada do FMI. Em vez da independência duma Pátria com cerca de 900 anos, preferem a subserviência à agiotagem internacional.
Agora, com as consequências do “forcing”, já temos intrusos na nossa governação nacional. Não faz mal, dirão muitos, pois já cá tínhamos gestores de grandes empresas que eram estrangeiros, também poderemos ter um Governo estrangeiro.
É isto mesmo, amigos, um Governo estrangeiro. Tudo o que sair destas dispendiosas e desnecessárias eleições, não irá passar dum “verbo de encher”. Os nossos governantes a eleger serão elementos de “um Governo fantasma”, pois apenas terão um peso minúsculo na eficácia governamental. Nem sequer terão um quarto do poder, tendo que cumprir as directrizes do FMI. Ninguém venha com histórias! Podem lá colocar o Coelho da Madeira que fará o mesmo que o outro Coelho (O PPC). Não passarão de um bando de carneiros obedecendo ao seu pastor. Vamos ver para crer.
No entanto, aquele homem foi o alvo a abater, não o seu partido (embora este o fosse por arrasto) e era apontado como o único culpado do “afundanço” nacional. Errado e desculpas de maus pagadores. Tudo vem já detrás, anos antes, em que os partidos e coligações que lá passaram, gastaram a seu bel-prazer e tudo se foi acumulando. Nos governos cavaquistas e seguintes, todos gastaram e desperdiçaram as enormes tranches, a fundo perdido, vindas da EU. Foi um fartar de maus gastos, roubos descarados, criação de clientelismos vergonhosos. Os políticos e amigos, na sua maioria, enriqueceram a olhos vistos. Exageradas mordomias eram uso corrente na classe política e seus boys. Milhares de empresas criadas e falidas, pouco tempo depois… era dinheiro a fundo perdido, não importava. Necessário era gastá-lo, de preferência mal, mas com proveito para os boys.
Quando aquele homem começou a governar a entrada desses dinheiros, a fundo perdido, diminuíram significativamente. Foi o mal, pois ele julgou que poderia manter os consumos, com menos entradas a tapar buracos! Assim o buraco teve um agravamento abissal. Ainda cortou as famigeradas “subvenções vitalícias” dos ex-políticos, mas já tarde, pois ainda os actuais as irão receber. Seria bom que as retirassem a todos os que as recebem, com efeitos retroactivos, pois não correspondem a qualquer merecimento, essencialmente se tivermos em conta que temos péssimos políticos.
Não se vigiou, nem pôs travão à corrupção e até se criou a lei dos 60% - 40% , uma autêntica lei de Ali Babá e dos 40 ladrões, aprovada em AR. Simplesmente horroroso!

Agora chegou a hora de se escolher um novo Governo fantasma (como se sabe). Todos se digladiam e os abutres e chacais doutros governos anteriores já rodeiam o “homem novo” que se entusiasma em discursos inflamados, com alguns tiros nos pés. Fará alianças com o partido do outro homem, mas nunca com o dito. Verdadeiro acto democrático!
Entretanto as sondagens dão-lhe novo ânimo e o “homem novo” pede a maioria absoluta para ser governado pelo FMI. Um verdadeiro feito! Reinar para não ter reino.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2011

Os políticos e os ventos do sul e oriente



Todos parecem andar felizes no Governo com a pseudo-recuperação das contas públicas, mas, na verdade, todo o mundo sabe que essa recuperação dos índices de Janeiro se devem aos dinheiros que o Estado angariou, roubando aos ordenados dos funcionários públicos (não todos obviamente), e recebeu dos aumentos do IVA e das portagens (com novas vias pagas, para lá das já existentes), além doutros desvios técnico-financeiros bem engendrados. Foi nesta sanha de ladroagem, legalizada com medidas à feição da mentalidade e inépcia destes políticos, que o saldo da dívida ficou um pouco adocicado, graças ao gerador de miséria criado na Assembleia da República, pelo partido do poder e pelo outro que, a breve trecho, lá quer ficar e reinar. Partidocracia de alterne que nos vem afundando desde os primeiros anos da democracia, deste pequeno, mas megalómano país, em decadência progressiva.
Podemos clamar bem alto e em uníssono que os nossos políticos e governantes, afectos aos partidos alternantes (que teimam eternizar-se…), são uma belíssima porcaria, uma nulidade, uma espécie de símios, aptos para governação de macacos e submissos, que fazem e desfazem leis como quem chupa rebuçados, procurando apenas manter os seus estômagos aconchegados e as suas contas bancárias recheadas e, se possível, longe das mãos dos macacos e submissos, não vá surgir alguma revolta tipo egípcia ou de algum Spartacus. Lamento, sinceramente, que não a haja e com finalidade correctiva! Sem os mesmos e sem os pretendentes ao mesmo!
Enquanto um funcionário público que ganha satisfatoriamente, incluído numa classe média (de baixa a alta), vai perdendo, mensalmente, de três a dez por cento da sua remuneração, a partir dos 1500 euros, assistimos impávidos à intocabilidade das contas dos ex-funcionários, também públicos e de classes médias, que vivem com iguais remunerações. Mas isso tem alguma lógica?!… Claro que não. Primeiro, porque muitos desses funcionários estão em escalões etários que, à luz das leis actuais, deveriam, ainda, estar no activo, já nem sequer falando dos tipos que fizeram da política uma profissão, em vez de terem dignificado o “acto cívico” da intervenção política. É que estes, com o factor multiplicativo do famigerado “tempo de serviço”, conseguiram, com dez anos de “ocupação política”, auferir um tempo de serviço duas vezes maior, ou seja, vinte anos. Depois, adicionados aos poucos anos da sua verdadeira (e única) profissão, acabaram por somar tempo bastante para serem APOSENTADOS da função pública, mesmo que na sua verdadeira profissão não tivessem sido funcionários públicos. Mas o pior é que a tudo isto (verdadeira engenharia de chico-espertice política) acresceram uma nova reforma chamada de “subvenção vitalícia”. Ah!, finórios.
E agora? Não querem mexer nas suas reformas (acrescidas da subvenção vitalícia política), pelo que, estando a maioria deles com remunerações entre os 2000 e os 5000 euros, decidiram que os aposentados acima dos 1500 euros não deveriam ser vítimas da “taxa de gatunagem” de 3% a 10%. Vê-se mesmo que a lei foi feita a pensar no seu futuro. Questiona-se: se um reformado não necessita gastar dinheiro nas viagens nem na alimentação relacionadas com o "seu trabalho", porque não descontam também a mesma taxa? Além de mais, a maioria já nem tem filhos pequenos, nem deverá ter grandes encargos financeiros (embora cada um os tenha à medida da sua bolsa), o que será mais um motivo para ajudarem na recuperação do “buraco” criado por eles próprios e pelos seus amigos que continuam no poder.
Mais, ainda, porque razão os aposentados dourados, com pensões acima de 5000 euros, na mesma linha de pensamento lógico, só descontam, para oclusão do “buraco”, uns míseros 10% do que passa acima dos 5000 euros? Ou seja, um ex-gestor e ex-magistrado (tipos com as melhores reformas) descontam apenas 100 euros por cada 1000 euros acima dos 5000. E além disso, como sabemos, poderão ser gestores doutras empresas, sendo reformados! Isso é que é roubar, ou antes, perceber de GESTÃO. Os que mendigam trabalho e remunerações justas à sua volta, que se lixem…aprendam a ser GESTORES. Sim GESTORES, uma espécie de neologismo político, com poucas dezenas de anos, que significa “EX-POLÌTICO, EX GOVERNANTE, EX-EMPRESÁRIO, mais concretamente, BOY POLÍTICO dos partidos que sabemos.”

Acho que deveríamos propor um REFERENDO sobre a RETIRADA AOS POLÍTICOS “aposentados” e aos que vão estar, com a mesma benesse (a que acham ter direito?…), da ignominiosa “SUBVENÇÃO VITALÌCIA” que não merecem, nem deverão ter direito.
Mais, proponho que nenhum político seja reformado sem ter atingido o limite da idade da reforma (lei nacional) e que seja reformado pela sua verdadeira profissão que não a de político, funcionário público. EXERCÍCIO POLÍTICO NÃO É PROFISSÃO devendo, isso sim, ser um verdadeiro acto de amor, dedicação e cidadania ao serviço do país
Também reformados não deveriam ocupar funções de gestão em empresas com capital público. Da mesma forma NINGUÉM deveria usufruir de acumulação de pensões.

Todos temos estado atentos e sentimos que os ventos sopram incómodos do norte de África e do Oriente. Às vezes a ventania sofre desvios inesperados e desaba em autênticos temporais que os homens não controlam. Formam-se turbilhões e autênticas catástrofes. Todos sabemos isso. As ameaças nunca avisam quando se tornam verdadeiros tufões incontroláveis. Mas o vento continua a soprar, agitado e sem GPS que o oriente…aguardemos a sapiência e a justiça do TEMPO. Os dinossauros já passaram à história dos tempos, mas foi o TEMPO que os fez desaparecer. Acautelem-se os novos dinossauros, mesmo os que pensam como símios pseudo-inteligentes, com bandos de macacos e submissos à sua volta.

Terça-feira, Janeiro 11, 2011

Políticos…desgoverno…crise…sacrifícios

(texto também publicado noutros meus blogues)


Há coisas que nunca compreenderei, mesmo que estude e analise toda a bibliografia do mundo e todos os tratados de ética e boas práticas políticas.
Onde vão os nossos medíocres políticos buscar as razões lógicas para tanta asneira, tanto contra-senso e tantas injustiças cometidas? Que raio de lógica assiste à elaboração das “pseudo-leis” de conduta moral e cívica dos mesmos políticos e legisladores nacionais? Acho que apenas a lei dos próprios interesses pessoais e da classe social a que pertencem.
O país está como se vê: uma bagunçada económica e um antro de injustiças sociais, sequelas de más políticas durante trinta e cinco anos de incompetência primária desses políticos, em conivência com mercados de agiotagem, e corrupção de partidos e grupos económicos, mafiosa e descaradamente organizados. Somos roubados e explorados ao abrigo de leis ambíguas, cirurgicamente aprovadas e de utilidade selectiva. Fabricam-se grupelhos de amigos muito ricos, ao abrigo das tais ignominiosas leis, politicamente aprovadas, com prejuízo para a maioria da população que vê toda a riqueza nacional deslizar para o mesmo lado, de forma tão descarada e em nome das “regras do jogo”. Limpidez, nenhuma, apenas a limpeza do dinheiro que desaparece dos nossos olhos e dos nossos bolsos!
Ficamos todos estonteados pela “magia” do acto político que empobrece o povo, mas enriquece toda a bicharia política e seus correligionários. Qualquer ex- político, como é evidente, e poucos serão excepção, vive muito acima do valor das suas remunerações legais e objectivas, à custa de mordomias ou resultado das mesmas. Bancos, grandes empresas, fundações e outros organismos altamente lucrativos são dirigidos e usurpados por vários ex-políticos. Têm remunerações e reformas intocáveis por qualquer crise, além de indemnizações à barda. Claro que não há erário público que resista.
Quanto a injustiças sociais, sucede o mesmo. O Estado Social é paulatinamente destruído e, em questões de Saúde, já não há sequer um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde. Quase tudo foi entregue a grupos privados que vão sugando descaradamente os dinheiros públicos do orçamento do Ministério da Saúde. Basta ver os Hospitais EPE…só prejuízos, mas mantêm administradores em excesso e todos com boas remunerações e mordomias que nem lembram ao diabo. Já fomos o 12º melhor SNS do mundo, mas logo que entraram os “pseudo-gestores” e se criaram hospitais-empresas, foi um autêntico afundanço económico, sem ganho de qualidade e sem resultados visíveis. Até os médicos, hoje, se sentem muito mal dentro desse sistema, parecendo mais produtores de parafusos e pregos, a quem se exige determinada produção de consultas (mesmo prejudicando-se a observação dos doentes) e se obriga a um certo “carneirismo” já fora dos tempos actuais. Já viram o que seria uma equipa cirúrgica interromper uma cirurgia porque o seu horário terminara? Já pensaram na qualidade duma consulta, quando o médico tem que observar trinta doentes em duas ou menos horas, para aumentar a rentabilidade e a produtividade hospitalar? Pois é, mas isto é o que se exige aos clínicos. O doente é sempre a vítima, mas a sua posição de inferioridade, perante a situação e o sistema, não lhe permite estrebuchar, pois sujeitar-se-á a sofrer retaliações futuras.
Ainda na saúde, já viram os cortes (e já os havia) no transporte de doentes incapacitados e de baixos recursos económicos? Não acham um desaforo, autêntica vergonha, recusar ajuda nos transportes dos doentes, com tão poucos recursos (dói vê-los e alguns até faltam às consultas e tratamentos…não têm dinheiro para a deslocação e os táxis são muito dispendiosos) e ao mesmo tempo ver os principais administradores dos hospitais usufruir, à borla, de bons automóveis de serviço (para todo o serviço, entenda-se…). O mesmo sucede noutras organizações recentemente criadas, como a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em que há também automóveis de serviço à borla para vários grupos dirigentes. Uma vergonha, uma injustiça.
Reparemos, também, na Educação. As escolas eram geridas anteriormente por um Conselho Directivo, mas recentemente, mais um atropelo aos gastos foi criado com os agrupamentos escolares: um Director de Agrupamento com belíssimo acréscimo remuneratório que rondava os 750 euros; como não bastasse, mais uns quatro ou cinco adjuntos (para bater palmas?) que também recebiam cerca de 400 euros de acréscimo. Multiplicado por centenas e centenas de Agrupamentos, mais um desperdício de dinheiros públicos.
Claro que nesta crise já se decidiu uma redução quer do incentivo remuneratório quer do número de adjuntos do Director, mas, os que estão, ficarão e em nada se mexerá até novas eleições (os mandatos são de quatro anos, como só decorreu um, teremos “chuchadeira” mais três anos lectivos. Uma vergonha! É só desperdício e criação de “boys”.
Da mesma forma, com a criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde, a despesa com Directores também sofreu acréscimo notório, mas não interessa, o povo pagará que se lixa!
É já muito antigo, mas também ignominioso: o subsídio de alojamento para juízes que trabalham fora da sua área residencial. Sem alterações da crise era de 770 euros, e poderia ser duplo para um casal de juízes. Ah, consta-se que este subsídio era vitalício, ou seja, mesmo após aposentação e já no seu domicílio, continuariam a receber essa quantia. Não interessa o povo pagará. De salientar que professores, médicos e outros funcionários públicos deslocados, salvo casos pontuais, nunca tiveram tal mordomia, e não lhes reconheço inferioridade na valia profissional e académica em relação a juízes e magistrados. O poder judicial, apesar do lamentável estado da Justiça, é enorme!
Porque não retiraram as subvenções políticas (quantia adicionada à da aposentação de todo o bicho político) agora com a crise? Esse dinheiro é um roubo aos cidadãos nacionais que trabalham honestamente e foi criado com os dinheiros vindos da UE no mandato de Cavaco com Mário Soares a PR. Uma outra vergonha! Há que retirar essa quantia que perfaz milhões de despesa do erário público e que nenhum político merece, pelo muito que já ganhou ilicitamente. E já agora, porque razão não vão cortar nas reformas de tantos funcionários pagos com dinheiros da “sustentabilidade” estatal, que têm remunerações melhores que os que trabalham e até vão agora piorar a situação? Há milhares de aposentados com reformas chorudas, e os seus colegas no activo, com idades iguais e até mais elevadas, estão a ser vítimas de roubo descarado. Um reformado já não paga deslocações para o trabalho, nem come longe de casa, nem tem tantos descontos como os activos. Então porque não ajudam a pagar a crise de que são tão “culpados” como os que trabalham. Será isto a justiça social nas democracias socialistas? Não entendo!
Não, não nos acusem de inveja. Já nos habituámos a ver tanta corrupção e ganhos ilícitos que estamos vacinados, no entanto não compreendemos os cortes nos ordenados de quem trabalha e em obrigações sociais do Estado para com os pobres e as classes mais desfavorecidas. Qualquer político que venha falar de pobreza extrema merecia que lhe arrancássemos a língua, pois é um autêntico atentado a quem sofreu as consequências das suas más e incompetentes governações. Estes desavergonhados continuam a não abdicar das suas mordomias e não olham para países mais ricos em que cada político utiliza apenas aquilo que lhe sai do ordenado normal. Portugal é governado por megalómanos que julgam que as riquezas deste país são apenas pertença sua. Espero que isto não dure muito, e, apesar de ser contra a violência, não me espantarei se em breve algumas “vendettas” começarem a surgir por aí. Vai então falar-se de anarquia, mas na realidade um país que não tem governantes que cumpram o acto de governação honesta e justa o que é? Uma anarquia pura! Zero de governo, zero de democracia, zero de justiça social.
Do Eng.º Sócrates, dito socialista, sinceramente esperava um maior sentido de Estado e um maior sentimento de equidade e justiça social. Estragou tudo com demasiadas mordomias e criação de maior despesismo em favor dos seus “boys”. Notoriamente inventou uma nova forma de governar, governando-se e dando muitas benesses a quem não as deveria ter. Criou demasiados novos lugares de chefias remuneradas, que antes nunca o foram. Foi mesmo só aumentar a despesa e o défice do Estado. Esperava dele precisamente o contrário.
De Passos Coelho não espero nada de novo, achando que vai repetir tudo quanto já foi erro, pois a filosofia política do PSD que gere é por demais conhecida e já tem provas dadas por outros líderes a quem não deverá desobedecer na lógica partidária. Aliás o seu discurso propalado em longas parangonas jornalísticas, mostram o seu famélico instinto e avidez pelo poder. Todavia, a sua preparação política ainda está a alguns anos luz doutros políticos de monta, incluindo Sócrates, apesar de todos serem, na sua essência, uns bons exemplares do princípio de Peters, com lastimável incompetência para tarefas de cidadania e serviços de gestão pública.
Sinceramente, em questão de partidos não vislumbro nenhum que possa SALVAR PORTUGAL dum desastre cada vez mais evidente. Teríamos que, massivamente, recorrer aos independentes e livres de compromissos sujeitos à disciplina partidária. Alguém que por puro acto de amor à Pátria e cidadania se limitasse a gerir honestamente os bens nacionais, sem intenções de se governar e aos seus amigos. Já sei que será uma utopia, um sonho, mas que será possível não duvido, contudo obrigaria a renegar muita gente, muita promiscuidade e pressão nacional e internacional.

Domingo, Outubro 17, 2010

despesismo de alguns…sacrifício de todos

Os últimos acontecimentos políticos mostram-nos um panorama dantesco a curto e a longo prazo, com autêntica avalanche de opiniões emitidas quer por pressupostos “experts” quer por leigos das matérias em análise crítica. No entanto, atendendo às matérias em análise, mais concretamente as medidas necessárias para redução do défice económico nacional, com redução das despesas nacionais, vemos que praticamente todos apontam o dedo ao excessivo despesismo do Estado, reconhecendo que este remonta a cerca de duas dezenas de anos atrás. Quem não se lembra das notícias que diziam, ainda Cavaco Silva era o PM e Soares o PR, que entravam no nosso país, cerca de 1.200 milhões de contos (na data não eram euros) por dia, vindos, a fundo perdido, da UE. Não eram trocos, caros amigos, mas uma autêntica fortuna diária, que os nossos maus políticos de então e os que lhes sucederam, espatifaram de forma ignominiosa e num autêntico latrocínio regulamentado por leis que criaram à sua justa medida. Ladrões, é o termo correcto a aplicar a todos os governos destas duas décadas, que, como sabemos, foram partidários dos alternantes PSD (com ou sem CDS) e PS.
Nos primeiros anos, como a entrada de dinheiros era abundantíssima, foi um fartar de vilania com criação de BPN’s, empresas pessoais e muitos outros organismos estatais. Quase todos os políticos começaram a enriquecer de forma inexplicável, e a usufruir de mordomias nunca imaginadas, extensíveis a familiares e amigos. Criaram-se as famigeradas subvenções políticas que se juntavam às reformas dos políticos e as engordavam um pouco mais. Os poucos anos de prática política quase duplicavam os anos de serviço destes funcionários públicos feitos à pressão, mas estes sim, os funcionários públicos que hoje são ricos e ganham bons ordenados, mas melhores reformas.
Todavia sabemos que ninguém lhes vai retirar essa benesse adicional, imerecida, a que deram nome de “subvenção política”. Pois acreditem que há milhares de ex-políticos (deputados, autarcas, vereadores, ministros, secretários, etc…) que usufruem desse injusto e imoral acréscimo, numa reforma que, na sua essência, nem deveria ser de funcionário público, pois muitos só o foram enquanto efémeros políticos que colocaram os seus interesses pessoais e familiares muito acima do interesse nacional.
Os anos foram decorrendo e com os cortes cada vez maiores no influxo de dinheiros vindos da UE, as despesas mantiveram-se a bom ritmo, por vezes com maior intensidade. Mudavam-se os protagonistas políticos, mas as mordomias continuavam. Os ex-políticos eram promovidos a gestores de vários níveis em empresas estatais, EPE’s, PPP’s, etc. Bons lugares, melhor remunerados, mas ocupados por “boys” incompetentes, perdulários e oportunistas.
Na sua essência continuavam a ser funcionários públicos (mas estes, sim, bastante ricos) pois os dinheiros estatais é que lhes pagavam e pagam os ordenados e as mordomias bem conhecidas de todos os portugueses. Se reformados, com douradas reformas, também estas continuaram e continuam a sair dos cofres do Estado. Todos estes gestores contribuíram e contribuem, com uma multiplicidade de despesas, para a criação do nosso enorme défice nacional. Se continuarem com essas mordomias e ordenados, além de enterrarem as empresas que gerem, vão afundar ainda mais o País. Primeiro porque são, na maioria das empresas que dirigem, uns autênticos incompetentes, valendo-se da eficácia possível dos seus directores adjuntos e outros profissionais das referidas empresas. A comprová-lo estão os resultados observados e as múltiplas críticas de trabalhadores dessas empresas (funcionários públicos, na sua maioria de baixas remunerações e já sujeitos a vários congelamentos e cortes de promoção nas suas carreiras) .
Nos últimos tempos, descobriram-se múltiplos buracos nas contas dessas e outras empresas que evidenciaram a má gestão das mesmas. No entanto os gestores ganham bem e até dividem prémios anuais imerecidos. Os trabalhadores, esses vêem-se com iguais remunerações e novos congelamentos das carreiras, como se realmente fossem os culpados do descalabro da empresa. Mas, é a norma desde há milénios e o mexilhão é que paga sempre as favas.
Hoje vemos em vários programas das televisões e acérrimos artigos jornalísticos, autênticas mezinhas para resolução do défice, fornecidas por ex-políticos, ainda bem remunerados pela sua anterior ineficácia governamental, mas hoje detentores de soluções que na sua experiência governamental não colocaram em prática. Vale a pena perguntar-lhes porque razão obtiveram soluções tão tardias para a resolução de problemas que eles próprios alimentaram anos atrás. Não diriam que foi por interesse nacional, mas que talvez nessa altura ainda precisavam de submissão à disciplina partidária para melhor remuneração futura e aquisição de maior prestígio pessoal, ou até que globalmente amadureceram! Sim, cada um desculpa-se como achar conveniente, pois cada tempo tem suas conveniências, essencialmente para os oportunistas.
Em resumo, o País está mal, diremos péssimo, mas à custa dos oportunistas e delapidadores do erário público. Quem foram os culpados? Bom, acho que ninguém levantaria um braço, sequer um dedo, num acto de pura contricção e auto-culpabilidade, sob risco de enorme vaiadela e eventual apedrejamento em praça pública. Mais fácil será culpabilizar, indirectamente, todos os funcionários públicos, colocando no mesmo saco os que não têm “pedigree” político com os que o têm. Mas há que fazer a diferença: uns e outros perderão nas remunerações base, mas os de melhor “pedigree” não poderão perder mordomias que os outros nunca tiveram, nunca terão, mas continuarão a pagar como se tivessem.
O que para os “rafeiros” será perda significativa, para os outros serão uns “trocos”. Mas todos continuarão a lutar pela sobrevivência num autêntico “mundo cão”.
Neste plano, cada vez mais inclinado rumo ao abismo da recessão, creio que têm que ser os autóctones e nunca os FMI’s a colocar ordem num País que é de todos e onde todos têm que ceder algo do que possuem, mas de forma justa, equitativa e proporcional, pois alguns só poderão doar a força do seu trabalho, porque outras riquezas não arrecadaram.

(Publicado em simultâneo noutro blogue do autor)

Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Sócrates e os poderes

(imagem da net)

Depois de algumas hesitações e pruridos neuronais, lembrei-me de comentar os últimos acontecimentos que já preencheram ouvidos de milhões e páginas descomedidas.

Tenho verificado que há neste momento um autêntico acossamento ao Primeiro-Ministro, quer por parte da Oposição, quer de alguns empresários e jornalistas. Nada que antes não se tenha já verificado, mas nuns moldes algo mais moderados.

No que concerne à Oposição, nota-se que a sua maioria global, num autêntico farrapo policromático, mas indiviso, tenta alcandorar-se ao vértice da pirâmide governativa, procurando gerir o que cabe a um Governo eleito por sufrágio e veredicto nacional. Rasa a náusea, tanto despudor e busca de protagonismo, que até os ódios de esquerda se unem e fortalecem as angústias e falhanços duma direita em estertor agónico. Os interesses do conjunto anti-socrático, visam simplesmente esmagar o homem que, apesar de algo ditador e arrogante, não se deixa intimidar e lá vai esgrimindo com as suas opiniões e decisões. Claro que perde algumas contendas nesta luta desigual, mas num tom mais ou menos ameaçador, vai contendo os arremessos daquela miscelânea de adversários.

Quando ouço Portas no hemiciclo, chego a pensar que o verdadeiro Primeiro-Ministro será ele, tal a postura, cinismo e também arrogância com que pretende impor-se ao Governo eleito.

Um pouco mais à esquerda, já nos habituámos às ideias e discursos com teias de aranha que mais parecem discos de vinil arranhados pela força do uso.

Uma coisa se nota, para a Oposição contam muito mais os seus interesses e orgulho, que o bem estar dum Povo eternamente sacrificado por políticos de dúbia e muito fraca qualidade. Mete dó vê-los papaguear autênticos psitacismos sem substracto, mas convictos que são os melhores políticos deste País em decadência. Continuo a defender que urge convidar formadores estrangeiros, dos países mais florescentes, para ministrar ensinamentos de boa arte de governar à grande maioria dos dirigentes partidários e políticos que por aí pululam, elegendo-se uns aos outros por questões de amizade, compadrio e interesses económicos.

Sabemos que os interesses económicos são o motor de toda a governação. Os poderes político e económico vivem numa simbiose que quase sempre, face à debilidade dos intervenientes, se transforma num parasitismo avassalador e desconcertante. Dirigente político que mexa nos interesses dos empresários, para os desfavorecer um pouco que seja, acaba por ser ameaçado, ultrajado e até destruido. Contudo, o medo gera entendimento entre as partes, pelo que quem sofre é sempre o Povo, esse tambor das birras políticas e empresariais. Tudo quanto der lucro deverá ser gerido por privados, preferencialmente grandes empresários, mas esse lucro só deverá ser partilhado por aqueles e pelos homens do poder político. Depois...é o que se vê, um mundo capitalista em auto-destruição. Mas, quem tem o dinheiro sempre se governa, pelo que deverá, mais uma vez ser o Povo a pagar as crises de desgoverno global.

Tem-se assistido, também, nos últimos dias, à hipervalorização de acontecimentos que, pressupostamente, envolveram o Governo, a PT, a Media Capital e a TVI- O caso parece-me estranho se tivermos em conta que já, no Governo anterior, houve desmentidos e várias declarações dos intervenientes. Contudo prevalecem ainda dúvidas sob escutas que já nos parecem ser encomendadas com fins de incriminar alguém.

Notava-se, havia muito tempo, que na TVI a jornalista Moura Guedes, esposa do director da mesma TVI, se dedicava a espicaçar o Primeiro-Ministro e o Governo, com autênticas notícias manipuladas a seu gosto e feitio, quer para criar audiências, quer para irritar os visados. Além das notícias enviesadas, procurava, de imediato, fazer ali um julgamento popularucho sem contraditório, de forma a manipular os telespectadores. Mais uma vez os "media" tentavam ser, eles próprios, o verdadeiro e maior poder do País ao sobreporem-se ao Governo eleito democraticamente. A ambição mantém-se agora, e já vemos o referido casal a exigir a destituição do Primeiro-Ministro, parecendo que em Portugal não existem Tribunais, nem locais ou pessoas próprias para o fazer. Será que se pode conceder aos jornalistas tamanho poder de governação, deixando as instituições à margem da lei, ou vai-se permitir que alguns jornalistas trabalhem como autênticos fora-de lei, a soldo, sabe-se lá de que empresários ou interesses?



Felizmente que ainda existem muitos jornalistas isentos e sem pretensões e atitudes tendenciosas.

Domingo, Setembro 27, 2009

Talvez uma segunda oportunidade... até Cavaco a teve!

(Post publicado em simultâneo noutros blogues do autor)

Não queria deixar de rabiscar a minha opinião sobre tudo o que nos vai fazer desaguar esta noite num pós eleitoral de alegria ou tristeza
Sejam quais forem os resultados, tal como a maioria das pessoas, acredito que ninguém será maioritário. E por esse facto já poderemos ficar descansados, pois as maiorias costumam absolutizar o poder e tornar a democracia incaracterística e algo prepotente. Depois é vê-los, os senhores das cúpulas, a brandir a bandeira da arrogância e da indiferença. Já vimos e provámos esse petisco.
Todavia, mesmo sem maioria, teremos que definir hipóteses e seleccionar esquemas de vida.
Dos habituais contendores há sempre a dupla que discute o lugar cimeiro e forma governo: ou PS ou PSD, que, coligados ou não, entre si ou com outro partido muleta, deverão formar e presidir um novo Governo. Creio que os portugueses, por atavismo ou não, continuam a ser muito conservadores nas escolhas, quase indiferentes e passivos no seu quotidiano político. Comodismo? Receio da mudança? Masoquismo? Seja lá o que for, teremos que aceitar.
Num passado não muito longínquo já tivemos PSD com e sem alianças, e em tempos de muito dinheiro da UE a entrar no País a fundo perdido. Aplicou-se bastante, mas também enriqueceram muitos políticos desse sistema, de forma fraudulenta e deixando o povo na mesma miséria. Criaram-se bancos e estruturas financeiras oportunistas, para que os novos-ricos, quase sempre ligados ao sistema político vigente, guardassem os produtos desviados fraudulentamente e quiçá as parcelas legalmente ganhas. E que se viu?
Aparecem as vergonhas dum BPN quase totalmente dominado por políticos do PSD e amigos próximos, que servia de couto para tipos sem vergonha que se serviram dos dinheiros de todos os portugueses e o aplicaram apenas em benefício próprio e dos seus. Chamar a isto políticos sérios é o mesmo que dizer que Hitler foi um governante sério e justo, salvo algumas diferenças pontuais. O pior é que governantes actuais e de suposta confiança, concediam benesses nacionais a alguns desses “ladrões do povo”. Claro que também tiveram exuberantíssimos lucros e proveitos com as fraudes cometidas, mas parecem estar alheios ao facto, como se a seriedade e honestidade fossem um saco roto. Não deverão justificações ao humilde povo que roubaram? E o castigo da Justiça, onde está? Intocáveis? Não pode ser!
É certo que muitas outras manigâncias se cometeram na alta finança portuguesa, mas curiosamente (coincidência, acaso?) só com este último Governo de Sócrates é que começaram a desvendar-se essas fraudes e abusos dos “novos-ricos” cheios de falso poder. Louvor seja dado, então a este Governo, pelo menos neste campo, em que os pseudo-poderosos começaram a ter que prestar contas de fraudulentos negócios e enriquecimentos. Governos anteriores (com telhados de vidro) nem sequer ousaram investigar… deixaram-nos continuar no “negócio”.
No tempo dos governos de Cavaco, sendo Primeiro-Ministro Mário Soares, com tanto dinheiro a entrar no País, a fundo perdido, criaram uma lei que iria beneficiar e apenas enriquecer TODOS os políticos que estivessem no activo: criaram as subvenções políticas, uma remuneração adicional à reforma, algo substancial, e que era atribuída ao fim de poucos anos de exercício político efectivo. Sabemos que quase todos os políticos ainda no activo (pois são sempre os mesmos a ocupar cargos!) e outros já aposentados (mas com tachos milionários de pseudo-gestão) são beneficiários efectivos dessa subvenção política adicional. Se ainda não a recebem, vão recebê-la, pois foi-lhes atribuída por lei, anteriormente. Só os novos, mesmo novos, que nunca foram reconduzidos nos seus cargos, é que já não vão ter direito a essa subvenção. Porquê? Porque o Governo de Sócrates, e muito bem (mais uma vez este Governo!) se dignou colocar um fim a essa vergonhosa benesse dos políticos. Já não foi sem tempo, no entanto deveria retirá-la a quem dela usufrui, pois hoje há muitos trabalhadores que já vão perder benesses normais das suas futuras reformas, mercê de nova legislação que mexeu nas “regras do jogo”. A perder, percam todos e haja moralidade!
Acusaram este Governo de muitas irregularidades e gritam-nas aos quatro ventos, mas parece que apesar de algumas dessas irregularidades, ainda conseguiu ser mais justo que governos anteriores, doa a quem doer.
Realmente também ofereceu “tachos” e um deles é o de Jorge Coelho, na Mota-Engil, que tem direitos até longas datas e “ganha” muitas empreitadas. Mas, se bem se lembram, esta benesse concedida veio tirar idêntico, ou até mais grave, “tacho” que fora concedido pelo PSD a Ferreira do Amaral, com a Luso-Ponte. E Ferreira do Amaral, já não tinha cometido erros enormes na EXPO-98, além doutras derrapagens vergonhosas em seu proveito? Não sou eu que o digo, os jornais escalpelizaram os problemas. Pois bem, embora mal, aqui, “amor com amor se paga”. No entanto deveremos continuar alerta e vigilantes, denunciando estas irregularidades e benesses.
Neste Governo houve um facto que muito me marcou, pela arrogância dos governantes, mal informados e num autêntico despique político com sindicatos de esquerda (além doutros) – a reforma do Ensino, a guerra com os professores.
Claro que aqui o Governo exagerou e procurou impor-se a uma classe que não tinha qualquer interesse numa guerra Governo/Fenprof. Também é certo que os professores, apesar de ser uma classe “a toque de campainha” (quase a única, na Função Pública) merecia que lhes corrigissem determinados vícios ancestrais, que não foram eles que criaram, mas os sistemas políticos anteriores. Refiro-me, particularmente a carga horária de luxo, essencialmente em finais de carreira, em que a componente lectiva era muitas vezes de 14 horas semanais! A componente não-lectiva não era nada de pesado e, por vezes, quase inexistente. Também a progressão na carreira era de um facilitismo notório, sem prestação de grandes provas, embora fossem avaliados (contrariamente ao que o Governo deixou transparecer), frequentando acções de formação, mas muitas delas de valor duvidoso e dificuldade quase nula.
Contudo, este Governo, como já muito propalado, criou um ECD (Estatuto de Carreira Docente), demasiado confuso, complexo e que gerou algumas injustiças inter-pares. A avaliação do desempenho tornou-se um cavalo de Tróia, uma guerra de complicados papéis. A divisão dos professores em Professor e Professor Titular, criou injustiças com criação apressada de Titulares sem regras justas e lógicas, sobejamente conhecidas. Mas, o pior de tudo, ainda foi a nova forma de Gestão Escolar, em que se deu azo a muitos oportunismos de índole política local, com escolha de Directores, maioritariamente, em período de interrupção lectiva (Páscoa). Estes Directores de Agrupamentos escolares, passaram a ter um poder absolutista, que urge modificar, e foram eleitos por um Conselho de Escola em que a maioria dos eleitores não são professores, ou seja, por exemplo, em vinte elementos apenas sete serão professores. Ora estes são, com os seus colegas de Agrupamento, as verdadeiras vítimas dos atropelos cometidos pelo excessivo poder dos Directores, que reinam a seu bel-prazer, sem, muitas vezes, ouvir opiniões dos colegas. Além disso têm um bom suplemento remuneratório para o desempenho da sua actividade e rodeiam-se de adjuntos da sua confiança que nem sempre serão os mais capazes, já que receiam o incómodo e a sombra de alguém mais bem preparado, fomentando o já conhecido Princípio de Peters, tanto em voga na política, desde a central à autárquica, além doutras. Como exemplo diga-se que para cargos de Coordenação Pedagógica são exigidos professores Titulares, mas para a Gestão Escolar e adjuntos do Director, não são necessários os Titulares! Belas hierarquias!
Claro que não vou, aqui, repetir muito do que já escrevi noutras alturas, mas queria deixar um apontamento e alerta para muitos dos professores que andaram agora em plena campanha eleitoral a reabrir as feridas que levaram às grandes greves, e justas, da classe. Alguns estão a querer passar por serem “socialistas” ou que votaram “Sócrates” nas anteriores Legislativas, mas creio que a maioria deles não votou “Socialista”. Sempre foram, ou mais à esquerda e “agentes sindicais” disfarçados ou são “PSD’s” camuflados. Creio que não enganam as pessoas, mas para esses deixo-lhes um repto e solicito-lhes que me expliquem o seguinte: acham que o PSD não queria que fosse aprovado este ECD? Então porque faltaram aqueles cerca de 30 deputados desse partido, no dia da votação deste ECD, que poderiam ter evitado, como sabem, a sua aprovação? É fácil, Manuela Ferreira Leite queria mais tarde, se ganhar estas Legislativas (o que não acredito), não ter a classe dos docentes contra ela, pelo que favoreceu estas faltas. Posteriormente seria só dar uns retoques nesse mesmo ECD, e até passaria pela melhor do mundo!
Logo a seguir veio também, muito pressuroso, o Presidente da República, aprovar e promulgar esse ECD. Claro que primeiro falou com MFL e o partido, que é o seu, por muita isenção que procure evidenciar. Veja-se agora o caso “inventado” pelo seu Gabinete sobre as “pseudo-escutas”. Porque não vetou então o documento e o promulgou? Era mais plausível que o fizesse face ao hipotético descontentamento dos seus correligionários, mas não convinha… era mais lógico vetar outros documentos que discordassem da sua fé e filosofia de vida, como o das uniões de facto (aqui a MFL impôs-se-lhe, com a disciplina partidária e o retrogradismo de ambos!). Conclusão, ao PR, tal como ao seu partido, não convinha anular a promulgação do ECD. É por demais evidente.

Dada a já longa exposição, não vou estender-me mais, deixando novo comentário para depois. No entanto, acho que na sua globalidade o Governo de Sócrates foi o melhor de todos os anteriores. Reformista, dinâmico, eficiente e, apesar da crise capitalista mundial (inegável e destruidora de todas as economias mundiais), conseguiu manter firme a nossa Economia, já de si muito frágil. Creio, pois, que merece uma segunda oportunidade de governação, pois até Cavaco a teve naquela sua longa governação, num período em que mais dinheiro a fundo perdido entrou no nosso País e desapareceu, muito dele, para enriquecer os seus amigos e correligionários. Foi assim que nasceu o BPN, quase aposto. Foi assim que nasceram as subvenções políticas a que Sócrates colocou ponto final.
Logo se verá quem ganhou e, seja qual for o resultado, a vida continuará. Que os vencedores formem um Governo que leve o País a bom cais e nos tire desta malfadada sina de sermos eternamente pobres e injustiçados.