Sexta-feira, Julho 01, 2011

VIA VERDE

Para já, do que ouvi, só dois ministros têm via verde: Paula Teixeira da Cruz e Nuno Crato. Em comum têm a frontalidade, a independência de espírito, o rigor e o bom senso. A mim não me importa que sejam laranjas, tangerinas, mandarinas ou outro citrino qualquer. Espero é que tenham força suficiente para cumprir os respectivos programas nas áreas da Justiça e da Educação e que não percam a sua identidade no meio da massa de "yes men". E se por qualquer razão, das que todos conhecemos e ninguém diz, as corporações e os sindicatos do costume lhes quiserem travar o passo, podem desde já contar com o meu apoio e estímulo, que sei que conta muito pouco, para fazerem as reformas que todos exigem nessas áreas.

A LER



Incontornável e verdadeiro.

Terça-feira, Junho 21, 2011

CLASSE

A eleição de Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República e a forma limpa e enxuta como foi eleita reforçam a ideia do erro grave que constituiu a anterior indicação de Fernando Nobre por parte do PSD. Fez um excelente discurso, à altura do momento e com o indispensável cunho filosófico. Uma escolha que indicia um ambiente mais desempoeirado, uma saudável mudança de estilo no Parlamento e perspectivas de um trabalho profícuo.

Quinta-feira, Junho 16, 2011

FINALMENTE, UM POUCO DE LÚCIDA SENSATEZ

1 - "A saída voluntária de Sócrates foi um ato de bom senso e abriu a porta a dois candidatos a líder que têm a vantagem de ser pessoas inteligentes, experientes e honestas". Sublinho, em especial, a utilização por Mário Soares do substantivo. Para bom entendedor estará tudo dito, por isso eu apenas pergunto se era necessário termos chegado até aqui da forma por que chegámos?


2 - A situação foi manifestamente grave, visto que a democracia e o estado de direito são acima de tudo o cumprimento das regras (coisa que pelos lados do CEJ parece haver alguma dificuldade em entender sem que, todavia, se saiba se o expediente agora utilizado não teria já sido antes usado noutras ocasiões pelos mesmos figurões do "dez"). Assim, convirá referir que qualquer outra atitude, contrária ao que Francisco Assis já disse e António José Seguro reafirmou, seria mais um acto imbecil e inútil. Eu sei que nos últimos anos faltou muita lucidez, bom senso, inteligência e seriedade. E também sei que sobrou esperteza. Muita, como continua a ver-se. Mas esses votos não interessam neste momento para nada e agora há que seguir em frente. A não ser que se queira dar mais corda a alguns corvídeos que têm primado pela miopia e pela estupidez. Há, também e muito naturalmente, que não deixar de tomar as iniciativas, legislativas e políticas, que impeçam a repetição da "tourada" com os votos e os partidos do arco da governação deverão ser os primeiros interessados nisso. Mesmo que isso tenha custos para o Presidente da República. Cada coisa tem o seu tempo e a sua oportunidade.

Quarta-feira, Junho 15, 2011

Diário irregular

15 de Junho



Aunque sepa los caminos
yo nunca llegaré a Córdoba
” – Federico García Lorca, Canción del Jinete

Si pudiera yo vivir
De nuevo esta vida
Sin sufrir por amarte
Preferiria morir
” – Yasmin Levy

É curiosa a forma como evoluem ao longo dos anos os nossos interesses de viagem. Aquilo que nos impeliu um dia a partir raramente se repete. Ainda quando regressamos ao mesmo lugar onde antes tivemos a sorte de um dia, por umas horas, por um momento, ser felizes.

Percorro a Calle Judíos, entre as paredes brancas que reflectem o azul intenso do céu que as protege, e na esquina com Averroes, pouco antes da sinagoga, dou com a Casa de Sefarad. Nesta altura do ano não há muita gente e é possível percorrer tranquila e pachorrentamente os becos da Judiaria.

Escuto ao fundo um trecho que me é vagamente familiar. A sonoridade de alguns instrumentos transporta-nos para um mundo de onde por vezes temos a sensação de nunca termos saído. O som das flautas, da guitarra mourisca e do alaúde confunde-se com uma referência que leio a Carolina de Michäelis a propósito de uma canção que faz parte da herança musical sefardita e que terá por ela sido referida pela primeira vez ao analisar a sua popularidade na época de Gil Vicente. A forma como durante tantos séculos as culturas cristã, árabe e judaica se cruzaram, conviveram e mesclaram na Península é uma fonte inesgotável de descobertas. E de prazer. Um autor, Salvador-Danieli, em 1863, verificou a inexistência de diferenças “significativas” entre as melodias de Afonso X e as mais antigas composições musicais da tradição andaluza, referindo ser essa uma consequência da “surpreendente analogia” entre as escalas musicais árabes e andaluzas e as do canto gregoriano. Que seria de nós sem a herança do Al-Andalus?

Em Portugal foi 10 de Junho, tempo de praia, de "pontes", de condecorações e recriminações várias. Apercebo-me de que há quem queira ajustar contas com o passado recente, com o que foi julgado em 5 de Junho. Talvez o melhor mesmo é começar por julgar o Otelo, que afinal nunca quis meter os fascistas no Campo Pequeno. E depois também o general que apadrinhou o PRD, e o Guterres que se foi embora e permitiu que o Barroso viesse para depois entregar o desgoverno ao Santana Lopes que permitiu a José Sócrates chegar ao poder. Se formos por esse caminho, com sorte, acabaremos a julgar o D. Sebastião. Se os condecoram a título póstumo, sem que o morto seja ouvido sobre a distinção, talvez também devam poder julgá-los nos mesmos termos.

O “El Dia de Córdoba” é um jornal de fácil leitura, simples e honesto, sem grandes pretensões para além da querer manter informados, e formados, os seus leitores. Nele tem uma coluna um senhor chamado Juan Cano Bueso. É o presidente do Conselho Consultivo da Andaluzia, catedrático de direito constitucional, advogado e político. Não posso deixar de pensar nele depois de saber da “chapelada” ocorrida com os votos das nossas legislativas no Brasil. Ainda há dias, Juan Cano Bueso escreveu um interessantíssimo artigo sobre os perigos da ciberdemocracia, texto que descubro agora estar também acessível na Internet (se fosse no Público não seria possível ter-lhe acesso). As dúvidas sobre a ciberdemocracia continuam a ser muitas. E, como se vê pelo que ele escreve, actuais. Facilitar a participação não pode tornar-se na ausência de participação. Para mim, que gosto de cinema e me preocupo com os valores da democracia e da participação, a ciberdemocracia estará para a democracia como o filme que se vê em casa, no sofá, está para uma boa sala de cinema. A dimensão, o encontro, o ritual, podem ser modernizados, “ciberaprofundados”, mas têm de continuar a fazer parte da essência das regras. Há uns anos não pensava assim, mas perante a contínua erosão da participação considero que também aí não se pode facilitar demasiado. A preguiça não pode passar a fazer parte dos hábitos da democracia. Não deverá ser premiada. Como escreve Cano Bueso, não se pode correr o risco da ciberdemocracia se tornar na tumba da democracia representativa. Já bastam os políticos e os comentadores que diariamente a enterram.

Saber crescer política e democraticamente é um exercício como caminhar pelas ruelas de Córdoba. Tão depressa nos perdemos como logo a seguir nos reencontramos. E retomamos o caminho que se faz caminhando. Todos os dias. Respirar tanto céu enquanto te sinto caminhar a meu lado é uma felicidade. Ou tão-só uma forma de liberdade. Um acto de amor.

Quarta-feira, Junho 08, 2011

DE POUSIO

É como este blogue tem estado. Quem tem ficado a ganhar é o Delito de Opinião. Para a semana este laboratório voltará a funcionar.

Terça-feira, Maio 31, 2011

A LER

Para quem não percebe nada de sondagens, o Pedro Magalhães, com o alto patrocínio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, publicou este pequeno mas útil e bastante completo livro que contém o bê-á- sobre as ditas. Há em qualquer banca de jornais e vale bem os € 3 euros e pouco que paguei por ele.

Sexta-feira, Maio 20, 2011

FIM-DE-SEMANA "FERRARISTA"

O programa completo está aqui, não faltem à chamada.

MAIS UMA IDEIA PARA O PROGRAMA DE GOVERNO (REFORMULADO) DO DR. PASSOS COELHO

O Dr. Miguel Relvas, homem de confiança do Dr. Passos Coelho, candidato a um lugar num futuro Governo e actual secretário-geral do PSD, que como todos os portugueses sabem vai concorrer às eleições legislativas de 5 de Junho, foi ontem ouvido em tribunal no âmbito do chamado caso Portucale. Nada de especial, portanto. Coisas de agricultores e de hortas.


Mas das declarações por ele produzidas em juízo e reproduzidas na imprensa, declarações que, presumo, terão sido prestadas sob juramento, o Dr. Miguel Relvas, para justificar a sua intervenção na tal história dos sobreiros, produziu, entre outras, a seguinte afirmação: “Saí do Governo para fazer a ligação política com o CDS. A minha intervenção foi visível e passou por tentar acelerar e criar condições para que alguns processos fossem resolvidos”. E ainda acrescentou, numa frase notável, que a sua intervenção era necessária porque nessa altura “estava tudo desmembrado e era tudo muito complicado”. Ao que parece, um dos juízes que integra o colectivo ficou admirado com as respostas dadas e o depoente acabou por concordar que talvez não tivesse sido a melhor a sua actuação (ou a resposta, digo eu).


Em resultado disto, o Público hoje titula, numa pequena notícia das suas páginas interiores, que “Relvas saiu do Governo para agilizar processos”.


Desconheço qual seja a memória dos senhores juízes relativamente ao que se passou em 2004/2005, tantos e tão complicados são os processos que lhes saem em sorte, mas seria bom comparar as respostas ontem dadas por Miguel Relvas para justificar a sua acção com o que ele próprio, enquanto secretário-geral do PSD, afirmou em 2004 sobre o momento que então se vivia. Com a devida vénia, passo a citar: “Num momento em que se cumprem 100 dias de Governo, e com a proposta de Orçamento de Estado (OE) que apresentámos na Assembleia da República, podemos assumir, de forma clara e inequívoca, que ultrapassamos, com êxito, o período de maior austeridade”. Na mesma altura afirmou que “no próximo ano o crescimento vai ser 2,4 por cento, permitindo baixar, com efeitos imediatos, a taxa do IRS para 2005, aumentar as pensões entre 2,5 e 9 por cento e, simultaneamente, fazer crescer os vencimentos dos funcionários públicos, ao ritmo do inflação”. Como se não bastasse, para garantir aos portugueses que tudo estava a correr sobre rodas, ainda acrescentou que “nesta grande maratona que é governar um país, os portugueses podem estar descansados porque o nosso Primeiro-Ministro é um campeão da maratona e o PSD espera estar acompanhado por maratonistas e não por campeões de 100 metros”. O campeão da maratona era o pobre do Dr. Santana Lopes, entenda-se.


Quer isto dizer que ou o Dr. Miguel Relvas tem a memória muito curta e necessita urgentemente de tratamento adequado ou então, hipótese académica em que eu não quero acreditar, salvo o devido respeito, não falou verdade, coisa que, como se vê, até aos melhores e mais qualificados pode acontecer.


Vejamos: se ele saiu do Governo para “agilizar” processos e a sua intervenção se deu numa altura em que, nas suas palavras, “estava tudo desmembrado e era tudo muito complicado”, então por que razão na altura andava ele a dizer aos portugueses, quando já era secretário-geral do PSD, ao fim de 100 dias de Governo PSD/PP, que iamos ter um crescimento de 2,4%, prometendo aumentos de vencimentos dos funcionários públicos ao ritmo da inflação e anunciando descidas do IRS para 2005? E, com tudo “desmembrado”, como poderia ele referir-se ao Dr. Pedro Santana Lopes, que já então não podia com uma gata pelo rabo, como sendo “um campeão da maratona” e que os portugueses podiam estar descansados? Eu só encontro uma de duas respostas possíveis: ou aquilo estava tudo efectivamente “desmembrado”, como ele ontem afirmou em tribunal, ou então andou a enganar os portugueses criando, enquanto secretário-geral do PSD, que ao tempo já era, cenários sem qualquer correspondência com a realidade. Seja num caso ou no outro isso devia ser convenientemente apurado.


Como se sabe, esse Governo foi o resultado de uma coligação com o CDS/PP, também já ao tempo dirigido por Paulo Portas, sendo que tal executivo, embora tenha conseguido celebrar 100 dias (o Povo Livre, que nestas coisas é uma fonte fidedigna, não me deixa mentir nem quanto a esse facto nem quanto às declarações do Dr. Miguel Relvas), não conseguiu sequer chegar aos 365 dias, o que já não teria sido mau pois equivaleria a ¼ de uma legislatura. Peanuts, ou outra coisa, dirá o Prof. Catroga.


Sabendo-se o que depois o Dr. Jorge Sampaio fez (ainda hoje não lhe perdoei a desfeita) e o estado em que o Dr. Bagão Félix deixou as finanças públicas (não confundir com as púbicas que são mais do pelouro do Prof. Catroga), se o Dr. Passos Coelho não toma rapidamente medidas ainda nos arriscamos a ter de novo o Dr. Miguel Relvas a incorrer numa situação idêntica à que aconteceu em 2004/2005.


Temos de evitar isso custe o que custar. Como português, eu ficaria muito incomodado se daqui a alguns anos tivesse outra vez o Dr. Miguel Relvas a depor, sabe-se lá se na mesma posição de testemunha ou se já numa outra condição mais incómoda, por causa dos processos que ele como secretário-geral do PSD andou a ver se ajudava a andarem mais depressa. E desta vez já não como secretário-geral de um infeliz "campeão da maratona" (o que ele se havia de lembrar), mas antes como “agilizador” do programa eleitoral do Dr. Passos Coelho.


É claro que aquilo que o Dr. Miguel Relvas fez e que ontem, candidamente, como é seu timbre, confessou aos senhores juízes que estão a julgar o caso Portucale não foram "favores". Nem se tratou de uma situação de tráfico de influência (esta será para a doutrina uma situação de contornos mais socializantes, o que iliba desde logo o Dr. Relvas da mais leve suspeita). Foi, isso sim, como refere o Público, uma simples intervenção para “agilizar processos”.


Os dicionários não referem a existência do termo “agilizador”, apesar de alguns já mencionarem a existência do verbo transitivo “agilizar”, que significa tornar mais rápido, mais expedito. Se o PSD ganhar as próximas eleições estou certo que o termo, desde que o Dr. Miguel Relvas continue a ser secretário-geral do PSD, evidentemente, ganhará uma nova dimensão, e “agilizador” será mais uma entrada de todos os dicionários. Eventualmente, quem sabe, até como sinónimo de “Miguel Relvas”.


É claro que os senhores juízes também não se lembraram de perguntar ao depoente Miguel Relvas em que ponto dos estatutos do PSD, nos actuais ou nos que ao tempo estavam em vigor, salvo erro no artigo 25º, é que se enquadrava essa actividade “agilizadora” que ele tanto prezava (preza?), já que, como se sabe, a Lei Orgânica do XVI Governo Constitucional, verdade seja dita, ainda não previa a figura do ministro ou secretário de Estado “agilizador” de processos. Contudo, nada impede que a figura ganhe consagração legal num próximo governo PSD/CDS. E com direito a reforma, uma vez que eu admito que o Dr. Moedas (é o que está na linha de sucessão) condescenda nesse ponto.


Tenho pena de não ter sabido em 2004/2005 dessa especial aptidão (e descaramento, que também é preciso) do Dr. Miguel Relvas para "agilizar" processos. Se o soubesse ter-me-ia na altura aconselhado com ele, ou metido uma "cunha" à Dr.ª Paula Teixeira da Cruz, sobre a melhor forma de "agilizar" alguns processos de clientes meus que estavam, e estão (estes tansos dos socialistas não agilizam as coisas como deviam), pendurados em autarquias dirigidas pelo PSD aqui no Algarve. Talvez se tivesse evitado que seguissem o caminho dos tribunais ou, quem sabe, ele me tivesse conseguido umas reuniões com alguns presidentes de Câmara algarvios, por exemplo, ou, pelo menos, ter-me-ia feito o obséquio de insistir com os fulanos para que me respondessem às cartas, aos faxes e aos telefonemas sem que eu e os meus clientes ficássemos eternamente a aguardar resposta. Eu não tenho culpa destas coisas só me acontecerem a mim e aos meus clientes e não me conformo com o facto de saber que se fosse uma dessas sociedades de Lisboa recheadas de estrelas do PSD e que prestam serviços no Algarve às autarquias do seu partido - mesmo às falidas, como é o caso de Faro, cujo presidente vai agora passear-se para a Argentina para “captar investimentos” para o concelho (há uns meses também foi ao Brasil mas ainda não dei pelos investimentos, só pelos processos disciplinares) -, e garanto que não aconteceria o mesmo. E não estou a pensar em ninguém em particular que elas ainda assim são bastantes.


Enfim, eu não estava atento, não fui a tempo. Problema meu. Lixei-me. Para a próxima será melhor.


De qualquer forma, estou convicto de que se os portugueses dessem uma nova oportunidade (muitas não porque isso já cheiraria a fraude socratista) ao Dr. Miguel Relvas, ele ainda prestará uma série de bons serviços a todos aqueles que têm dificuldade em ver os seus processos avançar. Seja junto do Governo da República, nas autarquias do PSD ou na Região Autónoma da Madeira, onde parece que o Dr. Alberto João Jardim só dá ouvidos ao Dr. Garcia Pereira.


Em todo o caso, penso eu, seria conveniente que o Dr. Miguel Relvas abrisse um gabinete na sede do PSD, ou até mesmo em Massamá, para que pudesse receber condignamente todos os que estão “à rasca” com a falta de “agilização” de alguns processos que nem com a porra do Simplex avançam. Pessoas pobres que estão ansiosas por poderem recorrer aos bons ofícios do Dr. Miguel Relvas, como até o Dr. Fernando Nobre lhe poderá confirmar. Alguns desses processos - dizem-me ao ouvido por causa dos tipos do SEF - são de africanos à espera da nacionalidade e que nunca mais vêem a hora do despacho aparecer.


O Dr. Passos Coelho pode ainda não se ter lembrado disto, mas é uma sugestão que aqui lhe deixo para o debate de logo à noite. É a sua oportunidade de dar mais visibilidade, melhor diria transparência, a uma actividade muito apreciada pelos portugueses.


Além do mais, o Dr. Passos Coelho poderia ganhar mais uns votos dando ao Dr. Miguel Relvas, seu amigo e leal servidor que ontem terá ficado um pouco abatido com o que o juiz lhe disse, o crédito que merece pelos serviços que lhe presta e ao PSD e uma nova oportunidade para brilhar, assim gerando uma nova entrada nos dicionários com a chancela do seu partido. E, mais importante, uma forma mais rápida e expedita de cilindrar José Sócrates, “agilizando” a sua saída.


Não cobro nada pela ideia. E embora eu saiba que o Dr. Passos Coelho não é um ingrato, escusam de depois mandar ex-ministros do PSD agradecerem as ideias que eu vos dou ou pedirem-lhes que me transmitam que fico dispensado de as colocar aqui no Delito de Opinião. Eu sei que não somos todos iguais e quue não tenho os dotes do Dr. Miguel Relvas. Mas sucede que eu gosto de fazer as coisas ainda com mais visibilidade do que ele. Ao que acresce ter uma dívida de gratidão para com os meus parceiros do blogue, pois que é com a sua tolerância e compreensão que eu ainda vou arranjando paciência para ir "agilizando" estas notas.


P.S. para o Dr. Pacheco Pereira: Não me chamo Abrantes, o meu arquivo é de memória.

A LER

A SOLUÇÃO PARA A CRISE GREGA

Quinta-feira, Maio 12, 2011

DIÁRIO IRREGULAR



Voltou hoje às páginas do Delito de Opinião. Para quem tiver paciência.

Sábado, Maio 07, 2011

TO ALL MY FRIENDS



Quinta-feira, Abril 21, 2011

DIÁRIO IRREGULAR

De quando em vez vão saindo no Delito de Opinião alguns textos dispersos e mais algumas páginas. Como hoje aconteceu, com a política a dominar.


RECOMENDA-SE

Não tanto pelos textos, que têm vindo a perder qualidade, mas pelas fotografias da Victoria's Secret e pela reportagem de Francisco Serrano, no Cairo. De qualquer modo, não seria mau que Domingos F. Amaral começasse a pensar em melhorar o painel de "opinadores". Isto é, se quiser fazer uma revista honesta que se deixe ler e ver. Papel já há muito. E mau.

Sexta-feira, Abril 15, 2011

A LER

ESTREIA HOJE EM ITÁLIA




"Habemus Papam" é o novo filme de Nanni Moretti que estreia hoje nas salas italianas. Com Michel Piccoli, que regressa aos 85 anos no principal papel, é uma viagem pelo Vaticano, pelas suas hierarquias e corredores. É a história de um Papa que se vê confrontado com uma crise existencial depois de eleito para o trono de S. Pedro. Marco Politi, um especialista em questões do Vaticano do jornal "Il fatto" considerou-o um filme genial e aconselhou Bento XVI a vê-lo.

Quinta-feira, Abril 14, 2011

SERVIÇO PÚBLICO




Os comentários estão aqui.

Segunda-feira, Abril 11, 2011

DIÁRIO IRREGULAR

10 de Abril de 2011 A sobrecarga do sistema político e dos seus actores por uma penosa administração das trivialidades põe de manifesto a carência dessa capacidade de estabelecer prioridades e discutir a partir de perspectivas amplas sobre o que há a esperar da política. Pois toda a gente sabe que essa sobrecarga culposa não é mais que uma estratégia de fuga à complexidade.” – Daniel Innerarity, A Transformação da Política

Volto ao meu espaço. Um espaço de interioridade partilhado publicamente. A voragem dos dias e da febre mediática não se compadece com o recolhimento da reflexão, com a secura da introspecção. Ademais necessária se queremos mantermo-nos sãos.

Setenta e duas horas depois dos primeiros discursos cumpre perguntar para que serve um congresso? O corrupio de “personalidades”, de “camaradas”, de “militantes” que se deslocou a Matosinhos converge num único ponto: a culpa da crise vem de fora e agravou-se com a atitude da oposição irresponsável que temos.

Um partido feito de meias-verdades, de chavões, de unanimismos e de aplausos nunca será capaz de olhar para si, de se confrontar com a realidade e de modernizar. A um dinossáurio de proveta idade sucedem dinossáurios jovens e prematuramente ancilosados.

Lutar dentro dos partidos é hoje uma quimera. Tudo aquilo é deprimente. Começa no facto de se votarem moções de orientação política desfasadas no tempo, ultrapassadas pelos acontecimentos, quando o que seria aconselhável, depois do que sucedeu, seria suspender o conclave por quinze dias, iniciar um novo período de apresentação de propostas e de formalização de candidaturas. Mas nada disso interessa. Tudo o que seja discutir ideias para o futuro, estratégias de renovação e alargamento da participação é incómodo. O tecido social do partido é cada vez mais formado por caciques locais, delegados de informação médica que viraram autarcas, empresários da construção civil, analfabetos, guindados a administradores hospitalares e dirigentes locais pelos quais passa toda a estratégia, devidamente secundados pelas clientelas habituais. Ana Gomes vai continuar a pregar aos peixinhos. E Almeida Santos continuará a ser o farol do socratismo. Não tem, pois, com que se indignar quando vê os delegados ao congresso saudarem os convidados que ele apresenta com uma vaia. Esta gente que vaia os convidados foi eleita para lá estar. E antes foi formatada por aqueles que de congresso para congresso consideram que ele, Almeida Santos, é a pessoa mais indicada para dirigir os trabalhos. E que não acha mal que não se respeitem horários, que os dirigentes vão jantar e já não apareçam para a continuação dos trabalhos, que o secretário-geral vote depois da hora normal de fecho das urnas e que se remetam as vozes mais críticas para o momento em que a sala está vazia. Nada disso fará confusão aos delegados. A alguns, é claro, aos que enviam cartas para as embaixadas a oferecer os seus préstimos quando a hora aperta, e “conhecimentos”. Não, não me refiro aos académicos, que esses não os têm, mas sim aos outros, aos que movem montanhas em Lisboa e garantem sucatas e sinecuras no país esquecido das SCUT.

No estado em que os partidos estão só há uma certeza: atrás de um Sócrates virá outro, atrás de um coelho virá uma lebre. Norberto Bobbio sabia do que falava: “O custo a pagar pelo empenhamento de poucos é muitas vezes a indiferença de muitos. Ao activismo dos líderes históricos ou não históricos pode corresponder o conformismo das massas”. E o mesmo Bobbio citando Rousseau: “Assim que o serviço público deixa de ser a principal ocupação dos cidadãos e estes começam a preferir servir com a sua bolsa em vez de com a sua pessoa, o Estado encontra-se já próximo da ruína”.

Enfim, há quem pense que isto vai dar a volta, que temos oposição. Não temos. O PSD actual, o do senhor Passos Coelho, não passa da representação teatral de uma realidade vivida. Chain Perelman falou disso na sua dissociação das noções, na contraposição entre a realidade e a aparência. Querem melhor exemplo do que a escolha de Fernando Nobre para cabeça de lista por Lisboa? Não sei se Passos Coelho se aconselhou com Dias Ferreira, o ex-candidato a presidente do Sporting, mas quer-me parecer que Nobre vai ser o Paulo Futre de Passos Coelho. E se não houver um departamento para o chinês há-de haver um para o rei da poncha. Pela freguesia que Jardim teve no congresso do PSD/Madeira, é natural que dentro de dois meses não haja copos que cheguem para todos. Por agora o tom é “criminoso”. Imaginem como será no final de Maio, quando o calor apertar e se chegar à conclusão de que a poncha já não dará para todos. Nem os euros.

Sexta-feira, Abril 08, 2011

A LER

Porque hoje é sexta-feira.

AS FOTOS ATRASADAS DO WRC PORTUGAL 2011

A Citröen continua a não deixar os seus créditos em mãos alheias. Sempre simpático, sempre disponível, como só os grandes campeões sabem. Profissionalismo foi coisa que na Stobart não faltou. Melhores dias virão.
Sempre a andar, que o finlandês não gosta de perder tempo

Um último retoque e de volta à estrada.
Os ucranianos também não faltaram e pela maneira como andam estão a adaptar-se bem.
As jovens promessas da Academia do WRC vieram abrilhantar a festa.
Nuestros hermanos sempre presentes.

AS FOTOS ATRASADAS DO WRC PORTUGAL 2011

Do Brasil com muita garra. Uma pintura fora do comum para os homens da Sköda que vieram do Báltico.
Os russos começam a ser presença habitual no WRC.
Boa presença do campeão açoreano.
Kuipers, um holandês que também sabe andar depressa.

AS FOTOS ATRASADAS DO WRC PORTUGAL 2011 (2)

A Skoda está de regresso aos bons velhos tempos.

Bruno Magalhães voando a caminho do lugar de melhor português. Peter Solberg com a eficácia com que há muito nos habituou. Um campeão nunca esquece.
O intratável "iceman" Raikkönen num estilo bem diferente daquele que o popularizou na Ferrari.
Um árabe voador para quem é mais fácil andar de Ford do que de camelo.

AS FOTOS ATRASADAS DO WRC PORTUGAL 2011

O Armindo Araújo na primeira passagem por Loulé-2 Em grande estilo o homem da Sobbart O Ford na altura em que ainda andava na luta
O campeoníssimo Löeb
Latvala a andar nos limites, mas perdendo tempo

Quinta-feira, Abril 07, 2011

AS MINUDÊNCIAS DA CRISE



Quarta-feira, Abril 06, 2011

BON ANNIVERSAIRE



Sexta-feira, Março 25, 2011

A LER

Sem mais palavras. É ler.

Terça-feira, Março 22, 2011

ARTUR AGOSTINHO

(foto do Record)
Vai deixar saudades. Pela educação, pela simpatia e, sobretudo, pelo seu desportivismo à prova de bala. O Sporting perdeu um adepto, o País um senhor. Como benfiquista que o ouviu gritar muitos golos do Eusébio, deixo-lhe aqui a minha modesta homenagem, na esperança de que o seu exemplo perdure.

Domingo, Março 20, 2011

ÚLTIMO DIA DO INVERNO

A fotografia não é de hoje, mas em Faro, hoje, foi assim.

Sábado, Março 19, 2011

DIÁRIO IRREGULAR

19 de Março

Dia do Pai. Quantos pais terão pai? E quantos terão filhos? E quantos não terão? A nossa sociedade tem dias para todos; menos para os que não conseguiram ser pais. E também para os que quiseram ser filhos e nunca conseguiram sê-lo por não encontrarem pai ou não lhes terem dado oportunidade para isso.

Pego na Ípsilon de ontem. Na capa vem uma mulher alourada de fato de treino vermelho e sapatilhas claras. Olho com mais atenção e vejo que é Catherine Deneuve, protagonista do mais recente filme de François Ozon (“Potiche”). Sempre tive horror à “cultura” do fato de treino. Porque há roupa para todas as ocasiões. Ninguém vai fazer jogging de fraque. Aquelas primeiras imagens da democratização do fato de treino, no pós-25 de Abril, marcaram-me para sempre. Eram famílias inteiras, ao sábado e ao domingo, passeando pela cidade, nos mercados, nas cervejarias, nos cinemas e nos cafés, mais tarde nos centros comerciais. Elas com ar desmazelado; eles barrigudos, de bigode, com o maço de SG, o isqueiro e os Ray Ban da Praça de Espanha. Alguns de sapatos. À frente deles os petizes de bola na mão. Todos de fato de treino. Famílias inteiras. Ao ver agora a diva na capa da Ípsilon, de fato treino, vieram-me à memória essas recordações. Só Deus sabe o quanto amei a Deneuve na minha adolescência. Também amei a Bisset, a Tuner, a Antonelli, a Kaprisky, a Fonda, a Muti, e mais umas quantas que até tenho vergonha de confessar. Mas estas eram mais do tipo “flirt”. Nunca foi como a Deneuve. Não há perdão. A Ípsilon devia ser multada. Uma simples imagem da Deneuve de fato de treino e está tudo estragado. Não se pode transformar impunemente uma deusa numa sopeira de fato de treino. Assim se destrói o sonho de uma vida.

Congresso do CDS, em Viseu. As eleições estão à porta. A ruptura com o PSD é, por agora, total. Nuno Melo fez um excelente discurso, mas no melhor pano cai a nódoa. Diz ele que “o País precisa do PS na oposição”. Foi pena Luís Nobre Guedes ter discursado depois dele. É que ele podia ter recordado a Nuno Melo que da última vez que o PS esteve na oposição o CDS e os seus compinchas do PSD deram cabo de dois Governos em três anos, menos do que o tempo de uma só legislatura, e que seis anos depois continua às voltas com os submarinos, com os sobreiros, com umas histórias por causa do seu próprio financiamento e com as chatices de Abel Pinheiro por causa de uns telefonemas. E ainda por cima, dada a rapidez com que o CDS saiu do Governo, ainda teve de aturar com um líder do PS escolhido à pressa para poder ir a votos, sendo certo que por causa disso temos hoje José Sócrates como primeiro-ministro. No lugar de Nuno Melo eu teria sido mais discreto, mais contido, e jamais me atreveria a pedir com aquela veemência o PS na oposição. E muito menos, como fizeram depois outros congressistas, a falar no estado da justiça, em clientelismo e nas nomeações para a CGD. À boa maneira estalinista, o CDS já apagou dos seus registos a “amiga” Celeste Cardona.

No final da manifestação da CGTP, a RTPN entrevista Jerónimo de Sousa. Começa-se a cantar o hino nacional. A entrevista continua. Ao lado dele um rapaz com o boné do Benfica na cabeça. Continuam a cantar o hino. A entrevista prossegue. Os chapéus não saem das cabeças. Há quem acompanhe o hino com punhos fechados. A entrevista avança. Acabam de cantar o hino. Batem palmas. A entrevista também chega ao fim. Antigamente os homens destapavam a cabeça quando se cantava o hino nacional. Lá fora, nos outros países por onde tenho passado, ainda é assim. Na Tunísia até me obrigaram a sair de dentro da piscina quando o hino começou a tocar no seu dia nacional. Em Portugal, o secretário-geral do PCP permite-se continuar uma entrevista no momento em que à sua volta se canta o hino nacional. Se fosse na ex-URSS ou em Cuba tinha ido dentro.

Leio no Expresso, numa interessante rubrica coordenada por Freitas do Amaral chamada “Países como Nós”, que o crescimento real do nosso PIB entre 2000 e 2009 foi de 5,3% e que o da República Checa foi de 33,6%. A CGTP, Mário Nogueira e Carvalho da Silva deviam ser capazes de explicar a diferença. Ganhando os checos muito menos do que nós a diferença na produtividade não deverá estar nos euros.

Um discursa como se tivesse chegado ontem ao poder. Pode falar verdade que ninguém acredita nele. O outro discursa como se nunca tivesse saído do poder. Pode não dizer uma verdade que todos o que escutam acreditam nele. Talvez por essa razão é que o primeiro tenta conter o descalabro e o segundo se prepara, de novo, para crescer eleitoralmente.

Não sei quem é que disse à Mãe que o António (não disse o nome próprio quando se referiu a ele; aliás nunca diz) “é capaz de vir a liderar o PS”. Nos seus oitenta e dois anos deve ter sido a primeira vez que a vi entusiasmada, apesar de disfarçar, com o que se passava num partido à esquerda do CDS/PP. Há pessoas para quem, depois do Santo António, por uma razão ou por outra, quando pensam no país só acreditam em milagres feitos pela família. Nunca hei-de perceber isto. Mas ela, como boa cristã e centrista, não se comove com as minhas perplexidades e já deve estar a pedir por ele. O Portas que não saiba. Deus podia perdoar-lhe, mas ao fim destes anos todos não acredito que o Portas lhe perdoasse. Há coisas que não se dizem. E muito menos se pensam. Quanto mais pedi-las ao Altíssimo.

[também no Delito de Opinião]

Sexta-feira, Março 18, 2011

PARIS ENCORE TROP COURT

(imagem DR)

A notícia e o desconsolo do L'Équipe

A LER

É bom recordar que a democracia assenta num conjunto de regras de natureza formal e que os fins continuam a não justificar os meios.

Sexta-feira, Março 11, 2011

TOMATADA DE OCASIÃO

De quando em vez tenho momentos assim. Os puristas que me perdoem. Não é por mal.

EXÍMIO DEMAGOGO

Ainda bem que não fui só eu quem o ouviu discursar.

Quinta-feira, Março 10, 2011

TRANSPARÊNCIAS

O processo foi tão transparente que agora deu nisto. Quando a transparência é só para os amigos o resultado só podia ser esse. Mas quanto a isso o PSD/Algarve não pia. A subserviência que têm aos "poderosos" e "importantes" remete-os ao silêncio.

Quarta-feira, Março 09, 2011

PALAVRAS TARDIAS TAMBÉM SÃO PALAVRAS TRISTES. E HIPÓCRITAS.

Jaime Gama ainda tentou atalhar ao que se seguiu, mas já não foi a tempo. Quis lembrar que o Presidente da República não é o Governo, nem o líder da oposição, e aconselhou uma "magistratura arbitral" e uma "cooperação tranquila". Era tarde. O discurso já estava escrito.

Num remake do seu discurso de vitória em 23 de Janeiro, Cavaco Silva mostrou que além de ser hoje um homem amargo e amargurado, numa perspectiva simpática, é um presidente sem memória. Palavras tardias são palavras fora do tempo, desenquadradas. Palavras sem memória. É mau que assim seja.

Lamento, mas depois de tudo o que se passou no último ano e meio do seu mandato, e da campanha que fez, era previsível que as coisas se passassem desta forma.

Apelar a medidas conjunturais de combate ao desemprego não custa se não se disser quais. Apelar aos jovens e a um sobressalto cívico depois de ter enxameado o país de universidades de vão de escada quando foi primeiro-ministro, instituindo a cultura do salve-se quem puder e se puder tente salvar-se à sombra de um partido com um diploma obtido sabe-se lá como, não é bonito. Falar em reformas depois de ter estado mais de uma década no poder como primeiro-ministro e após cinco anos em Belém, falhando as reformas de que o país nessa altura, como hoje, carecia, deixando-o envolto em sombras, escândalos e entregue aos BMW do bloco central dos interesses que geraram os BPN e BPP da nossa desgraça recente, para vir agora fazer um discurso como o que produziu, deixa antever o pior. Ignorar o que aconteceu em Wall Street, na Irlanda ou na Grécia, revela a existência de uma agenda própria. E falar em transparência do Estado e das instituições é de quem já se esqueceu do caso das escutas, da protecção aos amigos e da falta de esclarecimentos sobre os negócios em que andou metido com Oliveira e Costa e o clã da Coelha. Pagar impostos todos pagamos, mas nem todos o conseguem fazer pelas razões que ele o fez, mesmo que o quisessem.

A um longo silêncio seguiu-se uma ainda mais longa recriminação e a desculpabilização de toda a sua geração. Tanto tempo em silêncio para isto.

Na sua ancestral sabedoria Lao Tse dizia "sincere words are not elegant; elegant words are not sincere".

O discurso de posse do Presidente da República podia ter sido uma coisa ou outra. Mas não foi. O Presidente da República conseguiu ficar a meio caminho entre a verdade e a sinceridade, sendo sempre profundamente deselegante. Era a última coisa que os portugueses necessitava para enfrentar os tempos difíceis que atravessamos. Um Presidente desmemoriado e azedo a trocar os papéis só pode deixar os portugueses mais inquietos. E tristes.  

Segunda-feira, Março 07, 2011

É HOJE

Ainda não começou e os efeitos já se fazem sentir.

Sábado, Março 05, 2011

ESTÁ A CHEGAR

Sexta-feira, Março 04, 2011

CARNAVAL EM CASA

Uma obra-prima de Antonello Grimaldi e Nanni Moretti vai estar amanhã à noite, depois das 0.30 h, em exibição na RTP2. É a oportunidade de rever um grande filme e duas fabulosas actrizes: Isabella Ferrari e Valeria Golino.


DIÁRIO IRREGULAR

4 de Março de 2011

Dentro de uma semana, e Vasco Pulido Valente recorda-o na sua crónica do Público, vai ter lugar uma manifestação, um desfile, talvez um happening, de uma autodenominada “geração à rasca”. Eu já me tinha apercebido de que vinha aí coisa grossa. No outro dia ouvi uns moços a apregoarem o evento no “Prós e Prós” de Fátima Campos Ferreira. Fiquei elucidado sobre a natureza do movimento e as motivações deles. Aquilo de que eles hoje se queixam já eu me queixava há 25 anos quando acabei o curso. À rasca viveram sempre todos os que não se tendo filiado em partidos, integrado nas organizações maçónicas ou religiosas ou não beneficiando de cunhas e compadrios vários, uns herdados da outra senhora, outros adquiridos com os vícios trazidos pela revolução de Abril ou transmitidos pelos papás que se safaram no pós-25 de Abril, acabaram por se fazer à vida. Alguns foram mesmo condenados à liberdade e ainda hoje vivem à rasca. Uns dias melhor, outros pior.

A nossa democracia trouxe liberdade, mais mobilidade social, permitiu uma melhor repartição da cultura e do conhecimento, nem sempre devidamente aproveitada pelos seus destinatários, mas continuou a menosprezar os que sempre viveram à rasca. E o problema não foi de parvoeira. Foi de seriedade.

A menina dos “Deolinda” sabe que é parva mas não apresenta alternativas. Limita-se a cantar, bate palmas, e agora, também, quer desfilar na Avenida. É compreensível. Esta manhã já vi desfilar os filhos das meninas e dos meninos dos “Deolinda”, os filhos da “geração à rasca”, todos de bibe e serpentinas. E os seus professores e educadores. A partir de amanhã e até terça-feira vamos ver desfilar os seus pais e avós por esse País de foliões de mau gosto em que nos tornámos. Uns de bigode farfalhudo, mamas postiças e saltos altos. Outros de fio dental e silicone. Depois virá o desfile da "geração à rasca", que será como que uma espécie de baile da Pinhata. O tempo é de Carnaval. A “geração à rasca” e a canção dos “Deolinda” coincidem no tempo.

Ontem, em Faro, ao final da tarde, houve um debate sobre corrupção promovido pelo Correio da Manhã. Os debates prosseguirão pelo País. A corrupção também.

Algumas vozes mais sensatas já perceberam que eleições neste momento não servirão para nada. O problema, como já muitos estudaram, não está na maior ou menor oportunidade da sua realização. Está no sistema político e no sistema eleitoral. Rui Rio marcou pontos apesar de ter confundido o regime com o sistema, mas todos perceberam o que quis dizer. O PS precisava de ter alguém que pudesse responder-lhe com a mesma desenvoltura. Se necessário, um dia, entender-se com ele e que entendesse a sua linguagem. Desenvoltura até há quem a tenha. Credibilidade é que é mais difícil. E ainda assim restará sempre o problema de com o PSD nem o Sporting ser capaz de se entender.

De Cavaco Silva é que não se vê a sombra. Desapareceu atrás da sua marquise numa manhã de nevoeiro. Dizem-me que está a preparar o discurso da tomada de posse. Faz muito bem. Até agora limitou-se, qual Benfica, a dar algum avanço aos mercados que nos andam a lixar. A partir de dia 9 acaba-se a brincadeira. Oxalá não apareça mascarado. E que saiba aproveitar essa oportunidade para referir os reflexos positivos que a sua reeleição já trouxe ao País. Há coisas que podem passar despercebidas. E devem ser lembradas amiúde. Os portugueses precisam de estímulos.

Je ne compte pas mes emprunts, je les pèse”, escreveu nos seus Ensaios. E que bem que ele escreveu. Se os nossos políticos lessem Montaigne nunca teríamos chegado ao estado a que chegámos. Montaigne não sabia de nós. Teve sorte. Não conheceu Cavaco Silva, José Sócrates ou Passos Coelho. Ainda bem que assim foi. Foi poupado. Se os tivesse conhecido ou sabido da nossa existência teria desistido de pensar e de escrever. Seria gestor. Ou inspector do fisco.

[também no Delito de Opinião]

Quarta-feira, Março 02, 2011

E ESTA ÉPOCA JÁ VÃO TRÊS

(DN)

É claro que contam. E destas coisas ele percebe a potes.

Terça-feira, Março 01, 2011

4C

Um número e uma letra que fazem sonhar os amantes: 4C. Mais aqui.

Sexta-feira, Fevereiro 25, 2011

E A TAP A VÊ-LOS PASSAR

Será que os aviões deles andam a água?