9.8.06

O Fim em 3 actos - III

Uma nova aventura, um novo blogue.
Seguindo a tendência: mais intimista. Nunca conformista.
São 3, e as mais valiosas. As liberdades de António Quadros.
Tudo, sobre tudo.
Como diz um grande amigo: Adeus!

O Fim em 3 actos - II

Um ano depois este blogue chega ao fim.
Um agradecimento especial aos leitores, especialmente aos interessados.
Um agradecimento especial ao António Duarte e ao João Barbosa pelos contributos. Sempre pertinentes e interessantes.
Um agradecimento especial aos que nos linkaram.
Os comentários ficam disponíveis para memória póstuma.

10.4.06

O Fim em 3 actos - I

São estes momentos que fulminam uma trajectória.
São estas falhas, irreversíveis, que determinam a inevitável derrocada.
Acidental - dizem uns -, eu chamar-lhe-ia bondade. Bondade de nos ter mostrado que há vida para além do status quo, do star system ou da nomenklatura.
Acidentais ou não, foram fundamentais e ficam na história - assim como a coluna.
No seu tempo e local congregaram o melhor que nos últimos dois anos se escreveu. E continuarão!
Parabéns e... vou ali à livraria comprar a sequela.
Post Scriptum: só uma bomba poderia terminar com a blogosfera!

11.3.06

Blogues

A isto é que eu chamo falta de agenda mediática. Que é como quem diz, falta de assunto.

A verdade é que desde que Cavaco oficializou a sua presidência, 3 blogues fecharam! Mas, atenção. Não estamos a falar de uns blogues quaisquer. Falamos de blogues muito interessantes no conteúdo, na actualização e na actualidade.

A minha homenagem aos autores e a esperança de os voltar a ler brevemente.

Terminaram, assim:
Sem horror ao vazio
DESPEDIDA
Goodbye my love, goodbye

9.3.06

Piadas Institucionais

American said: "We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash.

Portuguese said: "We have Jose Socrates, no Wonder, no Hope, and no Cash."

6.3.06

Dois pesos, duas medidas

Gostava, sim, que se discutisse na blogosfera o homicídio do sem-abrigo no Porto, que até agora não vi muito comentado (será porque a vítima era um travesti toxicodependente e sem-abrigo?).

Caro José Barros (agora sim...), escreveu a frase certa para eu postar sobre este assunto: a única coisa que me ficou na cabeça de todo este cenário de horror foi, exactamente, a forma como a comunicação social tratou o sujeito (que ironiza, com pontaria certeira), tudo o resto é caso de polícia.

Aqui há uns tempos uma criança desapareceu, depois de ter sido vista pela última vez nas compras para casa. Segundo se apurou, foi raptada por familiares, agredida e morta. A Joana, lembram-se?!

Até as crianças, ou adolescentes, do processo Casa Pia têm um nome - ainda que fictício.

Porque raio, o ser que foi espancado até à morte e atirado para um poço de elevador, não é tratado pelo nome? Será porque era travesti (profissão?), toxicodependente (doença crónica?) e sem-abrigo (endereço temporário?). E se fosse preto? Será que o adjectivo era acrescentado ao rol?

Porque será que nos crimes mais hediondos até hoje praticados, as vítimas e os agressores têm nomes e idades, e, neste caso, não? Será que a nossa comunicação social, tão socialmente relativista, defensora das minorias e dos pobrezinhos, está a ter tiques paternalistas?
Ou, talvez, seja necessário proteger a identidade de um ser que não tem ninguém que reinvidique a sua morte, a não ser as associações de defesa dos impropérios de que foi objecto?
Ou será que, por não ter profissão, viver uma doença e não ter abrigo, não tem direito a nome? Ou será uma estratégia de media, para apelar à lagrimita fácil?

Falta o essencial

A TAXA de desemprego chegou aos 8% no final do último trimestre de 2005. A verdade é ainda mais dura, já que, nas estatísticas oficiais, não contam 164 mil portugueses que, estando desempregados, vivem de biscates e não procuram emprego. Ao contarmos com eles, a taxa de desemprego real da economia atinge uns sintomáticos 10,9%.

A incapacidade da economia em gerar investimento e emprego e o crescente aumento da carga fiscal sobre os contribuintes e o esperado impacto, no primeiro trimestre de 2006, do aumento das taxas de juro sobre as famílias e sobre o financiamento empresarial, fará aumentar estes números.

Também a Segurança Social, sai fortemente prejudicada, já que entre Janeiro e Novembro de 2005, o fundo de desemprego pagou cerca 1.643 milhões de euros, representando um aumento de 7,89 % em relação a igual período de 2004. No mesmo período, o pagamento de 260 milhões de euros a título de Rendimento Social de Inserção corresponde a um aumento de quase 19% face a igual período de 2004.
Este quadro negro, que a Comissão Europeia avaliou recentemente, resulta essencialmente de um recurso quase exclusivo às receitas que de facto aumentaram, mas também, e no que toca ao equilíbrio das contas públicas, à escassa redução de despesa pública. Também os juros terão o seu impacto na dívida pública. É verdade que há esforços a pagar, mas o problema é que os portugueses têm sido sucessivamente obrigados a apertar um cinto de umas calças que hoje não conseguem comprar.
No que diz respeito ao desemprego combatido pelo investimento público, as apostas do Governo são a OTA e o TGV. Apostas erradas do ponto de vista estratégico, económico e também social. Teremos que importar mão-de-obra que, uma vez concluída a obra, não saberemos o que fazer dela. Não estaremos inclusive a gastar recursos públicos no financiamento de cursos superiores que o mercado não absorve, pagando duplamente o custo desta ineficiência?
Urge, encontrar-se uma solução, que leve empresas a admitir desempregados de longa duração, com mais de 45 anos e recém-licenciados, sem despedir os empregados que possui. As empresas passariam a ter créditos fiscais ao contratarem directamente ao fundo de desemprego nestes segmentos de desempregados, e obrigadas a investir metade do crédito fiscal em inovação e tecnologia.
Da mesma forma os desempregados devem ser estimulados a procurar emprego voluntariamente e a aceitar propostas que não se enquadrem na sua área de especialização. Com a introdução de descontos para sistemas paralelos de contribuições, os mesmos desempregados poderiam receber percentagens do subsídio de desemprego que faltaria pagar, desde que o emprego seja superior a 12 meses.
Na mesma linha, o Estado inicia o plafonamento do pagamento do fundo de desemprego, com a introdução da figura de imposto negativo de forma proporcional aos rendimentos auferidos.
O governo prometeu criar mais 150 mil empregos na economia. Para cumprir a sua promessa-objectivo terá que agora criar mais 207 mil empregos. Numa só palavra, este governo pode ter tudo, mas falta-lhe o essencial, uma estratégia estruturante.
António José Duarte
(artigo publicado no Expresso n.º 1740)

Boas Férias, Sr. Presidente



No conteúdo, não deixa saudade. Na forma, foi a personificação de um povo: pachola; pachorrento; nem carne, nem peixe... um género de morrinha, "uma dolência morna, que não aquece nem arrefece, mas é tépida, como na praia da Cruz Quebrada e dá para molhar os pés. É uma morna dolente que se ouve mais do que se dança, mais morosa do que amorosa ou um fado com o seu quê de alegre, daqueles que irritam toda a gente." - nas palavras de MEC na 'Única'.

3.3.06

As nozes a quem tem dentes

Já "bati" muitas vezes em Joana Amaral Dias pelas suas posições políticas. Ela, na verdade, sempre me ignorou...
Mas, agora, cabe-me a vénia: o Tiago chamou-me a atenção para este excelente artigo da Joana. Matéria sobre a qual mantemos uma concórdia absoluta.
Bem me parecia que haviamos de ter algo em comum...

"Um por dia, não sabe o bem que lhe fazia" (14 e 15)


2.3.06

Estado da Nação

Excelente análise social do Pedro Lobo.

Hoje de manhã a Tv tratou de me moldar o humor da pior forma. Liguei-a. O canal quatro transmitia o programa do costume, que só pela sua existência me dá náuseas e me deixa deprimido. Qualquer coisa como: “as manhãs da 4” ou “as manhãs na tv” ou “o constructo decadente da sociedade suburbana dos nossos dias”. O cariz do programa é dar voz a malta que quer aparecer na tv. Não me perco em dissertações sobre o significado, o conteúdo, ou a forma do programa, porque, aí sim, ia direito à pia para lá deixar o pequeno-almoço que ainda não tomei.O que me fez dirigir aqui a estas horas da manhã foi uma notícia anunciada no sumário feito pelos dois apresentadores na abertura do programa. Parece que houve uma menina que tentou o suicídio por não ter sido aceite nos “morangos com açúcar”. E isto, mais que as caricaturas do fim do mundo e os desenhos de Shiva ou do Buda ou lá o que é, fez-me ter vontade, em bom português, de dar um soquete tv adentro e de seguida arremessa-la janela fora, e de seguida vestir-me e ir à estação de tv e pegar nos apresentadores pelos colarinhos (os dois, note-se) e fazê-los prometer que não passavam a notícia. A fantasia foi mais ou menos esta: Eu crescia até ao tamanho de um Golias, para lhes meter um medo dos diabos, e ia à estação de tv. Em pleno directo, quando estivessem os dois a enganar a populaça em volta de uma qualquer roda da fortuna, torcia-lhe os braços e os dedinhos até estarem os dois de joelhos com a ponta desses mesmos dedinhos prestes a partir numa dor terrivelmente angustiante. Depois de satisfazer os meus caprichos chauvinistas, de obrigar os dois a dizer que o veneradíssimo rei do mundo era eu, até à eternidade, obrigava-os a admitir a sua imbecilidade em directo. Que são uns mercenários, uns fantoches e um par de sanguessugas facínoras que se alimentam da desgraça dos outros.Mas, ao que interessa. A menina tentou-se suicidar por não entrar nos “Morangos com açúcar”, tristíssimo. Este sim, um grave indicador do estado de miséria e degradação da nossa sociedade e do seu nível cultural. A análise das causas sociais que levam a este tipo de atitude já é tão trivial que por vezes nos leva ao cansaço. A medida em que esta vítima se alimenta do esterco que lhe é servido, sobre a forma de telemóveis com poderes fabulosos e consolas de jogos compradas em centros comerciais cheios de nada, vai ser a falsa advertência que lhe ocupará os pensamentos nostálgicos às quatro da tarde enquanto passa a ferro para o seu futuro marido barrigudo no 11º F do número 32/A-C de uma rua qualquer, num subúrbio qualquer, em que os jovens continuam a adorar telemóveis e a fazer reverência a este tipo de programa de tv.Ela vai estar a passar a ferro, enquanto acredita que a filha atingirá o sucesso e a aceitação social, porque nessa manhã foi ao casting das “framboesas com açúcar”. Enquanto muda a água ao ferro de engomar e dá um toque nos rolos do cabelo, olha para a fotografia que está ali mesmo ao lado, dos seus tempos de promessa que nunca chegou a ser por ter o peito desmesuradamente grande, ou por ter os dentes tortos, ou por não ter peito, ou por não saber falar, ou por qualquer coisa que não encaixava nas exigências da época. “Mas com a Soraia Vanessa vai ser diferente”, pensa ela optimista,”ela tem o perfil que eu não tinha na altura e vai ser seleccionada”.
E a Soraia Vanessa chega a casa desiludida. Vai directamente para o quarto sem dizer palavra, sente-se humilhada e sem a mínima perspectiva do que é o futuro, odeia a mãe que lhe alimentou falsas esperanças. Chega à conclusão que não é bonita, nem sabe falar, nem tem o peito grande nem pequeno, nem nada, nadinha. Enrola-se nos lençóis e planeia a melhor forma de chamar a atenção, qualquer coisa dramática que, digna de um emocionante episódio dos "Morangos", faça com que o mediatismo chegue até si e lhe alimente de novo a esperança de ser a menina dos morangos que nunca será e que nem a mãe foi.Depois, o mais ridículo, a mãe, ao saber que a filha se tentou suicidar, protesta. Vai ao programa da manhã dessa mesma estação de televisão e explora o reverso da medalha. A minha filha ia morrendo por vossa causa, biltres sem carácter, vampiros.Claro que o apresentador e a sua equipa não perdem pela demora, a receita é simples, dá-se-lhes tempo de antena, passa-se a notícia como se a humilhação anterior não fosse suficiente. E pronto. Lá vão as duas explicar como tudo se passou, passa-se-lhes a mão pelo pêlo e saem felizes. “Nunca tive dúvidas que íamos conseguir”, pensa a mãe orgulhosa da filha, enquanto chama o táxi de volta a casa.Soraia Vanessa tentou-se matar. O que ela não sabe é que já está morta, a matança foi nesse mesmo dia. A preparação e a engorda foram a sua atitude de fraqueza, reagindo à negação, negou-se a si própria, e vai continuar a fazê-lo quanto mais castings houver. Mas, para estes, já vai morta.
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