junho 30, 2011

Zest of Achievement

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“It doesn’t say much. Only ‘Howard Roark, Architect’. But it is like those mottoes men carved over the entrance of a castle and died for. It’s a challenge in the face of something so vast and so dark, that all the pain on earth – and do you know how much suffering there is on earth? – all the pain comes from that thing you are going to face. I don’t know why it should be unleashed against you. I know only that it will be. And I know that if you carry these words through to the end, it will be a victory, Howard, not just for you, but for something that should win, that moves the world – and never wins acknowledgment. It will vindicate so many who have fallen before you, who have suffered as you will suffer. May God bless you – or whoever it is that is alone to see the best, the highest possible to humans hearts. You’re on your way to heel, Howard.”

The Fountainhead, p. 129.

Este livro é aconselhável aos que não se querem deixar corromper. Aos que não facilitam. Aos que são chatos, teimosos, persistentes, têm e seguem o sonho de serem livres. Livres, naquele nível íntimo que é o da consciência. Livres do peso limitador dos outros. Os que precisam sentir o abismo que é trabalhar, construindo algo do nada para se sentirem vivos. Parte integrante deste mundo. Parte integrante da criatividade humana deste mundo. Aos que acreditam nas suas capacidades e não as desvirtuam para serem reconhecidos. Aos que não aguardam qualquer agradecimento. Acreditam na criatividade do homem quando não controlada por quem a receia ver fluir. Nada esperam dos demais e têm fé em si mesmos.

Para os que não se revêem neste espírito, os que não acreditando nos seus méritos, os trocam pelo reconhecimento alheio e nunca questionam o que lhes dizem ser a verdade; aqueles que receiam a originalidade dos outros e, fixando-se obsessivamente neles, não descansam enquanto não a destruírem, esta obra é um ultraje e uma ofensa à sua dignidade.

A sua leitura devia ser obrigatória para uns e para outros. Os primeiros para perderem a vergonha de continuar; os segundos para saírem da frente.

Publicado por André Abrantes Amaral em 03:16 PM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 27, 2011

A Adolescência Eterna

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Winslow Homer, Girl on a Garden Seat, 1878.

Há anos que ouvimos falar do crescente número de mulheres nas universidades que concluem com sucesso os respectivos cursos. São elas quem tiram as melhores notas e mostram vontade de chegar mais longe, ainda arranjando tempo e força para ter filhos, educá-los e sacrificar com isso o seu trabalho. Este artigo já há várias semanas publicado no WSJ, alerta para a discrepância cada vez mais visível entre homens e mulheres. Se tivermos atenção ao que se passa à nossa volta, veremos rapazes, homens, que parecem não querer assumir compromissos, mas viver para sempre os seus vinte anos. Miúdos eternos com as suas namoradas, algumas vezes mulheres demasiado prontas, e à espera. Conversas permanentes sobre jogos, filmes que víamos quando tínhamos 10 anos e pior que tudo isso, uma recusa inata em se conhecerem e melhorarem. Pré-adultos, homens que se portam como miúdos, deixando sozinhas mulheres que se iludem, fazendo tudo por eles.

Muitos trabalham, mas fazem-no de uma forma individualista e não gregária. O artigo refere a extrema diversidade de profissões existente actualmente, permitindo sonhar com uma carreira que conduza a existência humana à sua plenitude. A realização no trabalho já não é trazer dinheiro para casa para alimentar a família e dar-lhe conforto, bem estar e protecção. Nem sequer é lutar pelo prazer de se fazer o que se gosta, independentemente do que os outros pensem. É uma realização pessoal baseada no reconhecimento dos demais que não permite outra solução que não seja o sucesso, sendo este a ostentação máxima, sem risco, nem mácula. Prestígio sem sofrimento, nem desilusão.

A ideia do pai forte e presente, apesar de tantas vezes fora a trabalhar, perdeu-se. Bem vistas as coisas, da imagem do deus da mitologia nórdica, pronto a sofrer, a perder e a morrer com dignidade, à do jovem de agora, que quer viver satisfeito e eternamente realizado, vai uma grande distância marcada por mudanças profundas. Foi Scott Peck quem iniciou o seu livro “The Road Less Traveled” com a afirmação Life is difficult. A vida é difícil. This is the great truth, one of the greatest truths—it is a great truth because once we see this truth, we transcend it. Quem quer transcender esta verdade quando a ilusão sabe tão bem? Quem está disposto a passar pelas provações e chegar ao lado de lá, quando o divertimento está à mão de semear? Quem quer fazer o dito caminho menos percorrido?

Outro aspecto importante do artigo refere a incapacidade dos rapazes de hoje cumprirem o seu papel de homens. De protectores, corajosos, estóicos e até fiéis, valores hoje tido por ridículos. Ultrapassados. Não deixa de ser interessante como isto se relaciona com o que foi dito sobre a geração parva (ou à rasca) que se rodeia daqueles que nela se revêem, para que nunca a contrariem. Queixa-se, mas pouco mais faz que isso, numa atitude lamentosa na qual parece apreciar o que lhe basta. Os seus membros estão numa fase da vida que não querem ver acabada e, não podendo adiar o inadiável que é a velhice e a morte, fazem-no, ao menos, afastando a responsabilidade que é o assumir que tudo tem um fim.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:38 AM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 24, 2011

junho 22, 2011

Passeios de Verão (2)

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Winslow Homer, On The Fence, 1878.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:55 AM | suas observações (1) | TrackBack (0)

junho 21, 2011

Noites de Verão

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Winslow Homer, Summer Night.

Noites de Verão. É o que aí vem.

Publicado por André Abrantes Amaral em 12:12 PM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 20, 2011

Descubra as Diferenças

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(Antonieta Lopes da Costa, Manuel Falcão, André Abrantes Amaral, Nuno Amaral Jerónimo, Alexandre Homem Cristo e Paulo Pinto Mascarenhas).

Foi para o ar, este fim de semana, o último ‘Descubra as Diferenças’ da Rádio Europa. Desde que me iniciei como moderador do programa, foram dois anos e meio, mais de 120 emissões, de análise semanal do dia-a-dia político do nosso país, no decorrer de um período, no mínimo entusiasmante, mas que ninguém nega de extrema dificuldade.

O ‘Descubra as Diferenças’ nunca escondeu a sua linha editorial: dar espaço à direita, conservadora e de preferência liberal, que pensa e escreve por aí. Dar voz a uma minoria quando a grande maioria é de esquerda e, mais ainda, socialista. É impossível ser-se neutral ou imparcial quando o país caminha para o desastre. Apenas os falsos o tentam ser, apenas os vazios, os que não existem, o são. Nunca acreditei no jornalismo que visa não ter opinião. Escrever, falar, implica opinar. Ora, quem o faz, deve fazê-lo de forma clara e esclarecedora. Nunca apreciei jornais, revistas que procuram todo o público, rendendo-se a ele, descaracterizando-se ao ponto de nada mais serem que uma mera amálgama de palavras. Qualquer debate político pressupõe uma tomada de posição, um esclarecimento prévio. Não há mal nenhum em dizer o que se pensa, se enganar e mudar de ideias. Não há mal nenhum em procurar ser-se minimamente verdadeiro, minimamente franco, minimamente leal, directo, na busca constante de um conhecimento que se quer objectivo. Apenas assim nos centramos nas políticas e esquecemos as tricas pessoais. Ganhamos nós que encetamos esse caminho e ganham todos os que nos ouvem e lêem.

Não posso deixar de agradecer à Antonieta Lopes da Costa que me recebeu, confiando cegamente em alguém que à data não tinha qualquer experiência neste ramo; ao Paulo Pinto Mascarenhas, anterior moderador do programa, que me pediu que o substituísse, quando motivos profissionais não o permitiam continuar, e a todos os convidados que aceitaram gravar e discutir o que lhes ia na alma, sem medo de exporem as suas ideias a um país que, ainda que muito lentamente, está a começar a concordar connosco.

Continue a ler "Descubra as Diferenças"
Publicado por André Abrantes Amaral em 02:57 PM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 17, 2011

Passeios de Verão

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Winslow Homer's Houghton Farm paintings.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:42 AM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 16, 2011

Quem são os Reis que comem faisão?

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Há dias, quando entrevistado por Mário Crespo para a SIC Notícias, sob o pretexto do lançamento do seu livro ‘Do eu Solitário para o nós solidário’, Frei Fernando Ventura disse, a propósito dos subsídios de reintegração que estavam a ser pedidos por deputados da última legislatura, que “quando o povo passa fome, o rei não come faisão”. Como é possível que no meio de tanto desemprego, deputados (que o são porque têm uma boa rede de contactos profissionais) peçam um subsídio de reintegração?

Sucede que o ‘rei‘ já não é apenas o deputado, o ministro ou o administrador de uma empresa pública. O rei de hoje não é um homem específico, mas uma forma de vida. É toda a estrutura estatal. O poder instituído que se imiscui no que não deve e, por isso, gasta dinheiro que não é dele. O ‘rei’ que come faisão é o socialismo que taxa impostos altos para pagar serviços desnecessários. É a aristocracia que vive à volta deste sistema. Como é possível que a empresa que gere o Metro de Lisboa apresente prejuízos de 151 milhões de euros e continue a ter um plano de investimentos, como se nada se passasse? Como é que se convive com tantos desempregados, que são fruto de uma economia estagnada à custa de impostos e regulamentações que servem apenas para sustentar uma máquina que destrói qualquer perspectiva de vida de quem vive neste país? Como se aceita que tantos milhares de pessoas fujam para o estrangeiro, porque a nossa economia fixou reduzida a uma fonte de receitas públicas?

O socialismo tornou-se imoral. Não está correcto sacrificar a vida de milhões de pessoas, em prol dos planos, interesses e desígnios de alguns. Não se pode conviver salutarmente e por muito tempo, numa sociedade em que uns estão sem trabalho e outros têm emprego para a vida e protestam contra cortes no seu vencimento. Como se nada se passasse lá fora. Nada se passasse fora das suas vidas. Como se convive numa sociedade em que muitas empresas vivem com a corda na garganta, enquanto tantas empresas públicas, com prejuízos altíssimos, não prestam contas por má gestão? Não é a igualdade um dos pressupostos do Estado de Direito?

Cada empresa pública que se vender, cada instituto público que se fechar são menos impostos a pagar por todos nós. É escolher. A grande batalha política dos próximos 3 anos vai ser esta. É escolher como vamos querer viver nos anos que estão à nossa frente. Escolher qual deve ser o nosso modo de vida nas próximas décadas e quais os valores que queremos transmitir aos nossos filhos. Uma sociedade justa, não é aquela em que o Estado distribui, mas onde cada um de nós tem percepção das dificuldades dos outros. Como já tive oportunidade de referir, também no seguimento de outra edição do Jornal da Noite de Mário Crespo, quando os portugueses deixarem de ser colectivamente egoístas e passarem a ser individualmente generosos. O fim da crise está aqui, e em reconhecermos que muitos no Estado se comportaram como reis a comer faisão.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:56 AM | suas observações (1) | TrackBack (0)

junho 14, 2011

Génios Esquecidos

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Gabriel Metsu, A Woman Reading a Letter, 1665.

A ler este artigo sobre Gabriel Metsu, um pintor holandês que valia milhões há 300 anos e agora está esquecido.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:51 AM | suas observações (1) | TrackBack (0)

junho 09, 2011

As vantagens da globalização em 4 minutos

Publicado por André Abrantes Amaral em 04:42 PM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 08, 2011

Solidez

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Thomas Gainsborough, Mrs. Richard Brinsley Sheridan - 1785.

Veja-se como tudo se move, até as árvores. Tudo parece que se esvai com um sopro, menos o rosto que se mantém sólido e fixo em nós.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:36 AM | suas observações (0) | TrackBack (0)

junho 06, 2011

D-Day

Publicado por André Abrantes Amaral em 03:52 PM | suas observações (0) | TrackBack (0)

Uma breve leitura dos resultados de ontem

Conforme tive oportunidade de escrever, não há tempo a perder. Mas existem dois pontos muitos sintomáticos nas eleições de ontem que requerem se demore algum tempo com eles. Em primeiro lugar, o posicionamento do CDS como partido do centro, à esquerda do PSD, algo que conseguiu pela primeira vez. A par com o voto útil, esta foi uma das causas que explicam a votação do CDS abaixo do esperado. Julgo que há uma viragem do eleitorado à direita, que não se reduz mais à transferência de votos entre partidos programaticamente ‘iguais’. Hoje existe um número razoável de cidadãos mais aberto a reformas que impliquem uma redução do peso do estado, mais autonomia e direito de escolha para si e para as suas famílias. Veja-se bem como o CDS teve o seu melhor resultado em Lisboa, onde Fernando Nobre era cabeça de lista, penalizando o único piscar de olho que Passos Coelho fez à esquerda. Em segundo lugar, temos a pesada derrota do BE, em sentido contrário ao bom resultado do PCP. O Bloco paga caro a sua aliança com o PS nas presidenciais, e a sua moção de censura em Março último. Paga caro pela sua estratégia política dúbia e interesseira que apenas conseguiu atrair um eleitorado pronto a traí-lo na primeira oportunidade. O BE perdeu e Louça não se demite. O BE não aprendeu nada e, fruto da profunda mudança social que vai ocorrer nos próximos três anos, vai desaparecer da cena político-partidária.

Publicado por André Abrantes Amaral em 12:10 PM | suas observações (1) | TrackBack (0)

Ainda não acabou

Ontem conseguiu-se o mais fácil: afastar o governo que era um empecilho para resolução dos problemas do país. A partir de agora, é obrigatório ser diferente. Não há margem para dúvidas, estados de alma, contemplações, até porque existe um programa com objectivos e prazos muitos específicos. Não há tempo a perder. E não podemos falhar como falhámos em 2002. Não podemos estar daqui a 10 anos a discutir o défice, o desemprego e a inexistência de crescimento económico. Se está em causa o que vai ser a vida de milhões de pessoas, encontra-se em jogo a capacidade, o brio e o valor de todos os que se vão envolver na função governativa. Se não for agora, não será tão cedo.

Publicado por André Abrantes Amaral em 11:14 AM | suas observações (1) | TrackBack (0)

maio 20, 2011

O fatalismo não existe

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Em 1939, Ronald Syme publicou o livro “The Roman Revolution”. Para Syme, o fim da República Romana foi o desfecho de um longo processo de decadência política. As qualidades dos políticos, os vícios próprios de um sistema de mãos dadas com o populismo e ainda o crescimento desmesurado do império, não podiam ter outro resultado que não fosse a Ditadura que aguardava apenas pelo aparecimento de um homem como Augusto. Syme desenvolveu esta tese na década de 30, quando as democracias estavam desacreditadas e muitos preferiam a ordem à liberdade. Esta tinha corrompido o homem e o homem corrompido precisava de disciplina.

Mais tarde, já na década de 70, Erich S. Gruen expôs no seu livro “The Last Generation of the Roman Republic”, outra tese que acabou por ser uma resposta à de Syme. Naqueles anos de turbulência marcados pelos conflitos ideológicos, combate político, choques geracionais de natureza moral e a guerra do Vietname, em que (quase) tudo era questionável, Gruen acreditava que o que sucedeu em Roma, dois mil anos antes, podia ter sido diferente. Tanto o populismo, como os ataques truculentos entre políticos, as suspeições e as mentiras, a falta de confiança que minava a população, a soma de todos estes fenómenos, não conduziam, inevitavelmente, ao fim da democracia. Eles eram, antes de tudo o mais, a sua essência. E sem esses pequenos defeitos, falhas e pecados, a democracia não se regenera. Colocar em causa as instituições não significa querer o seu fim, mas a sua reforma. A ditadura não era inevitável e talvez bastasse que um pequeno acontecimento se desenrolasse de modo diferente da forma como se deu, e a República teria sobrevivido.

Na segunda década do século XXI assistimos a uma convulsão mundial e não sabemos como ficaremos quando terminar. Se mais, se menos livres. Se com mais ou menos Estado. Mais ou menos tolerantes. Uma coisa é certa: a resposta está no modo como encaramos os desafios e no valor que damos à liberdade e não tanto no que verdadeiramente acontece. Não existem fatalidades. Por algum motivo, ainda hoje ninguém nos diz, com toda a clareza, se a República em Roma tinha condições para continuar.

Publicado por André Abrantes Amaral em 03:46 PM | suas observações (1) | TrackBack (0)