Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Intervalo...

Por razões políticas, pessoais, quimicas, fisicas, económicas, exógenas, intrinsecas, ideológicas, pragmáticas, biológicas, geográficas, intestinas, cardiacas, sentimentais, emocionais, entre mais algumas que não recordo neste momento...
Enfim, porque não terei acesso frequente à rede nos próximos tempos, este Blog vai Ladrar menos.
Que os raivosos que por aí andam, continuem a Morder e a enviar textos para o mail do costume:
A redacção
Ladrar é Morder!

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

A segunda volta no Brasil - Nem Lula Nem Alckmin




O segundo turno anuncia uma enorme polarização eleitoral no país. Lula e Alckmin vão para uma disputa acirradíssima.
Uma eleição que estava praticamente ganha por Lula no primeiro turno transformou-se em uma disputa apertada por dois erros grosseiros do presidente e do PT. A montagem do dossiê contra José Serra e a ausência no debate na Globo causaram um terremoto na campanha.
Neste momento, mesmo os trabalhadores mais conscientes ficam na dúvida se não deveríamos apoiar Lula contra Alckmin. “Apesar de tudo, Lula era operário, e Alckmin representa a burguesia”. Ou ainda: “Lula é ruim, mas é de esquerda, enquanto Alckmin é de direita”.
Respeitamos muito a opinião e o sentimento desses trabalhadores, mas queremos explicar por que opinamos que a classe trabalhadora não deve apoiar nem Alckmin, nem Lula, e por que defendemos o voto nulo no segundo turno.
Alckmin é o candidato da direita tradicional, corrupta e antioperária...Temos em comum com muitos trabalhadores a rejeição aos banqueiros, à direita, a Alckmin e ao PSDB-PFL.
Alckmin é um candidato burguês, apoiado por uma parte dos banqueiros e da direita tradicional. Quem se lembra do que foi o governo Fernando Henrique não pode deixar de repudiar sua nova versão com Alckmin.
O tucano tem a cara de pau de se dizer “contra a corrupção” e pelo “desenvolvimento econômico”, mas é a continuidade do governo FHC, o responsável por um dos maiores (talvez o maior) escândalos de corrupção de todos os tempos. Só com as privatizações da Vale do Rio Doce e da Telebrás, o país foi roubado em cerca de 220 bilhões de reais, metade da atual dívida externa.
Esse dinheiro foi enriquecer as multinacionais e os políticos do PSDB e do PFL.O “desenvolvimento” defendido por Alckmin é o modelo neoliberal do FMI, imposto pelos governos Collor e FHC e também, infelizmente, por Lula.
Um projeto que destrói a soberania do país, privatiza estatais, a educação e a saúde, dá bilhões a banqueiros e grandes empresários e retira direitos e renda dos trabalhadores. ...mas Lula não representa os interesses dos trabalhadores.
A polarização entre Lula e Alckmin não é entre os trabalhadores, de um lado, e o capital, do outro.
O governo de Lula, infelizmente, não governou para os trabalhadores e a maioria do povo, mas sim para banqueiros e grandes empresas. As migalhas distribuídas no Bolsa Família têm a mesma explicação e o mesmo objetivo dos programas “sociais” dos governos de direita em todo o mundo: garantir uma base eleitoral e a aceitação do modelo neoliberal.
Querem que o povo se iluda com pouquíssima coisa e aceite um plano econômico a serviço de banqueiros, empresários e latifundiários.
Não é por acaso que os banqueiros e a burguesia estão divididos neste segundo turno. Nas eleições de 2004, os banqueiros e grandes empresários financiaram tanto PT como PSDB, e agora estão apostando em Lula e Alckmin.
Até Olavo Setúbal, o dono do Itaú, reconheceu que ``tanto faz`` quem ganhe.Bush, o maior representante do imperialismo, segue apoiando Lula. No próprio governo, existem grandes representantes da burguesia e da direita, como José Alencar (dono da maior empresa têxtil do país) e Henrique Meirelles (BankBoston).
Alckmin é de direita e Lula não é de “esquerda”
No passado, Lula foi de esquerda, mas hoje faz um governo de direita. Como podemos definir um governo que seguiu o mesmo plano neoliberal de FHC? É de esquerda? Como definir um governo que manda tropas para o Haiti, a serviço de Bush? De esquerda? Como definir quem tem aliados como José Sarney, Maluf e Jader Barbalho?
E a corrupção espantosa do governo Lula, não é a mesma da direita? A realidade é que tanto Lula como Alckmin são representantes da grande burguesia e da direita neste país. Apesar de Lula ter uma origem operária e de esquerda, defende os mesmos planos de Alckmin. O voto em Lula agora é um voto em quem vai atacar duramente os trabalhadores com as reformas trabalhista e da Previdência.
Lula e Alckmin vão atacar os trabalhadores. Precisamos organizar a luta!
A Câmara dos Deputados já aprovou, por proposta de Lula, o decreto do Supersimples, que retira dos trabalhadores das microempresas o direito ao 13º salário e a férias. Os donos dessas empresas podem, alegando dificuldades financeiras, retirar estes direitos históricos dos trabalhadores.
Tanto Lula como Alckmin já se comprometeram a ampliar esta reforma a todos os trabalhadores. O argumento é o mesmo usado por governos de direita em todo o mundo: “retirar estes direitos estimula os investimentos”. Uma mentira, confirmada em todos os países em que a reforma trabalhista ocorreu.
Os donos das empresas embolsam um lucro maior, e não existe “desenvolvimento” a mais. A outra reforma, já definida tanto por Lula como por Alckmin, é da Previdência.
O objetivo é elevar a idade mínima da aposentadoria para 65 anos. Há uma enorme disputa eleitoral entre Lula e Alckmin. Mas não existe nenhuma diferença em seus projetos contra os trabalhadores, porque ambos defendem as mesmas propostas exigidas pelas grandes empresas.
Se Lula representasse os trabalhadores e Alckmin a burguesia, teriam diferenças em seus programas. Mas não têm.O voto nulo é a alternativa realAfirmamos que votar em Alckmin é aceitar a volta da direita tradicional, que está tentando se aproveitar da falta de memória do povo em relação ao governo FHC. Afirmamos que o voto em Lula é um cheque em branco para quem já demonstrou servir aos interesses dos banqueiros e está preparando um grande ataque contra os trabalhadores, caso reeleito.
O voto nulo não indica somente a falta de alternativas eleitorais para os trabalhadores neste segundo turno. Uma grande soma de votos nulos enfraqueceria as duas candidaturas e o futuro governo eleito. Estivemos juntos com o PSOL e o PCB na Frente de Esquerda no primeiro turno das eleições, com a candidatura de Heloísa Helena.
Chamamos esses partidos, assim como os militantes independentes, a afirmarem conosco a defesa do voto nulo no segundo turno.

O Enxofre

Os invisíveis


Nepal

por Francisco M. Rodrigues

A nossa esquerda sente-se manifestamente embaraçada para falar da crise no Nepal. A razão: a guerrilha. O Avante, ao noticiar os últimos acontecimentos, diz discretamente que "povo, oposição e guerrilha lutam…"
Do lado do Bloco de Esquerda, o Combate e a Comuna ignoram simplesmente o assunto. E o Ruptura da FER, que se pretende mais radical, atribui numa pequena nota o levantamento popular apenas às actividades da oposição parlamentar, como se a guerrilha não existisse.
Ora, tudo o que tem acontecido nas últimas semanas resultou de largos anos de luta de guerrilha, conduzida pelo Partido Comunista (Maoísta). Foi ela que levantou os camponeses contra a opressão e deu uma força avassaladora às reivindicações de República, Assembleia Constituinte e Reforma Agrária – reivindicações até há pouco tempo consideradas "lunáticas" pela oposição legalista (em que se inclui um falso PC), essa mesma oposição que agora procura apropriar-se dos frutos da luta de massas.
Interessados em conseguir acesso ao aparelho de Estado, deixaram que o exército massacrasse durante anos os camponeses em armas. Só entraram no carro da luta radical quando a guerrilha chegou às portas da capital e o poder real começou a desmoronar-se.
Muito revelador, este pudor da nossa esquerda em reconhecer que a luta armada popular tem sido o motor da libertação do povo nepalês.

O BE segundo a PO


Bloco de Esquerda
MODERNOS, PÓS-MODERNOS E CAVERNÍCOLAS

em Politica Operária
http://www.politicaoperaria.net/textos/artigo105_2.html

Está em curso no Bloco uma reflexão sobre o rumo estratégico do partido. Enquanto não se chega a conclusões, temos que nos contentar com o que vai saindo a público. Segundo Gil Garcia (Ruptura, Abril), o debate na Mesa Nacional foi manchado por "inúmeras provocações, calúnias e acusações" dirigidas aos que discordaram da proposta oficial. Por contestarem o objectivo de chegar ao governo por via eleitoral e não revolucionária foram acusados de querer "regressar à caverna".

Mas o debate foi muito além da oposição entre "cavernícolas" e "modernos", porque os próprios "modernos" estiveram por sua vez debaixo do fogo da facção "pós-moderna". É assim que João Teixeira Lopes, a pessoa do Bloco menos suspeita de "conservadorismo", desabafa no Combate: "Alguns camaradas gostariam de nomear esta esquerda de pós-moderna (...). Seria um convite para um salto mortal, no qual não entro: o de nos considerarmos pós-comunistas ou mesmo pós-socialistas, à semelhança do que acontece com a Refundação Comunista em Itália".Em defesa da posição oposta, ao que se depreende, dois outros militantes, Hugo Dias e J. Luciano Vieira, explicam, no mesmo número do Combate, porque não lhes serve o conceito de "esquerda moderna": "A noção de modernidade encontra-se intrinsecamente associada ao contexto do século XX, à ideia de um bem absoluto, de um programa político máximo, de uma ordem social que poderia (assim se acreditava) ser caracterizada a régua e esquadro".

Ora, o Bloco, defendem, tem que se inserir na "lógica da movimentação", ou seja, da "prevalência do processo sobre a estrutura, da dinâmica e da interacção sobre programas e dogmas preestabelecidos, da mutação sobre o definitivo..." Liberdade total, reclama a novíssima geração bloquista, para quem a própria opção reformista tradicional já se torna um espartilho intolerável. E explicam porquê: o desafio do Bloco não é a "clássica questão da tomada do poder" mas tornar-se maioria social, ou seja, "criar em Portugal um movimento político capaz de ser catalisador da efervescência social e tornar-se um fórum capaz de agregar de forma aberta a maioria dos activistas do pais"; "um projecto que, mais do que exercer o poder tal como ele é concebido, visa operar uma transformação radical nas relações desiguais de poder existentes". Os seus activistas deverão "disputar o território do aparelho de Estado, da mesma forma que disputam o espaço das vivências sociais de base".

Com esta linguagem "inovadora", convenientemente impenetrável, salpicada de engodos para atordoar os papalvos ("efervescência social", "fóruns", "maioria social"), os pós-modernos varrem tudo o que possa ainda sugerir ligação à luta de classes. Querem as mãos livres para "disputar o território do aparelho de Estado". Num primeiro comentário, cabe-nos saudar a clarificação em curso no Bloco. E anotar que só nos surpreende que alguém se surpreenda com os últimos desenvolvimentos.

As queixas da FER são injustificadas. Como assinalámos desde o início, o surgimento desta nova força pela associação puramente comercial de três organizações em processo de decomposição ideológica só podia potenciar o que de mais retrógrado existia em cada uma delas. O Bloco apenas consagrou e deu autoridade à tendência, que vinha crescendo imparavelmente nos partidos seus constituintes, para abandonar a postura revolucionária, geralmente considerada como "não operativa" nas circunstâncias actuais. O seu programa implícito foi, desde o início, ganhar peso eleitoral para poder disputar a participação no poder.

Só por lirismo imperdoável poderia alguém esperar que o contrato de 1999 desse lugar a uma inflexão de esquerda a meio do percurso. Os bloquistas libertaram-se do sinal de alarme que há 30 anos era o sustentáculo da extrema-esquerda: cuidado com os que nos convidam a trocar os referenciais de classe por noções democráticas gerais, porque esses querem levar-nos às boas para o campo do inimigo. As experiências dos Verdes, do PT brasileiro, da Refundação Comunista italiana, etc., não os abalam, pelo contrário, enchem-nos de confiança. O que interessa é avançar "audaciosamente" à "conquista da maioria social".

Ora, precisamente, este objectivo da "conquista da maioria social", em período de contra-revolução, contém todo um programa de cooptação pelo sistema. As "audácias" do Bloco trazem à memória a velhíssima aventura das moscas que se lançam denodadas à conquista do papel mata-moscas.

National Impeachment Movement

National Impeachment Movement

National Impeachment Movement Ignored by Corporate Media
By Peter Phillips
If a national movement calling for the impeachment of the President is rapidly emerging and the corporate media are not covering it, is there really a national movement for the impeachment of the President?
Impeachment advocates are widely mobilizing in the U.S. Over 1,000 letters to the editors of major newspapers have been printed in the past six months asking for impeachment. Pittsburgh Post-Gazette letter writer George Matus says, “I am still enraged over unasked questions about exit polls, touch-screen voting, Iraq, the cost of the new Medicare…who formulated our energy policy, Jack Abramoff, the Downing Street Memos, and impeachment.”
David Anderson in McMinnville, Oregon pens to the Oregonian, “Where are the members of our congressional delegation now in demanding the current president’s actions be investigated to see if impeachment or censure are appropriate actions?” William Dwyer’s letter in the Charleston Gazette says, “Congress will never have the courage to start the impeachment process without a groundswell of outrage from the people.”
City councils, boards of supervisors, and local and state level Democrat central committees have voted for impeachment. Arcata, California voted for impeachment on January 6. The City and County of San Francisco, voted Yes on February 28. The Sonoma County Democrat Central Committee (CA) voted for Impeachment on March 16.
The townships of Newfane, Brookfield, Dummerston, Marlboro and Putney in Vermont all voted for impeachment the first week of March. The New Mexico State Democrat party convention rallied on March 18 for the ”impeachment of George Bush and his lawful removal from office.”
The national Green Party called for impeachment on January 3. Op-ed writers at the St. Petersburg Times, Newsday, Yale Daily News, Barrons, Detroit Free Press, and the Boston Globe have called for impeachment. The San Francisco Bay Guardian (1/25/06) The Nation (1/30/06) and Harpers (3/06) published cover articles calling for impeachment. As of March 16, thirty-two US House of Representatives have signed on as co-sponsors to House Resolution 635, which would create a Select Committee to look into the grounds for recommending President Bush’s impeachment.Polls show that nearly a majority of Americans favor impeachment.
In October of 2005, Public Affairs Research found that 50% of Americans said that President Bush should be impeached if he lied about the war in Iraq. A Zogby International poll from early November 2005 found that 53% of Americans say, "If President Bush did not tell the truth about his reasons for going to war with Iraq, Congress should consider holding him accountable through impeachment."
A March 16, 2006 poll by American Research Group showed that 42% of Americans favored impeaching Bush.Despite all this advocacy and sentiment for impeachment, corporate media have yet to cover this emerging mass movement. The Bangor Daily News simply reported on March 17 that former US Attorney General Ramsey Clark has set up the website Votetoimpeach.org and that other groups are using the internet to push impeachment.
The Wall Street Journal, on March 16, editorialized about how it is just “the loony left” seeking impeachment, but perhaps some Democrats in Congress will join in feeding on the “bile of the censure/impeachment brigades.” The corporate media are ignoring the broadening call for impeachment — wishing perhaps it will just go away. Television news and talk shows have mentioned impeachment over 100 times in the past 30 days, mostly however in the context of Senator Russ Feingold’s censure bill and the lack of broad Democrat support for censure or impeachment.
Nothing on television news gives the impression that millions of Americans are calling for the impeachment of Bush and his cohorts. The Bush Administration lied about Iraq, illegally spied on US citizens, and continues war crimes in the Middle East. Despite corporate media’s inability to hear the demands for impeachment, the groundswell of outrage continues to expand.
Peter Phillips is a Professor of Sociology at Sonoma State University and Director of Project Censored a media research organization. Impeach the President: The Case Against Bush and Cheney by Dennis Loo and Peter Phillips is scheduled for release this summer by Seven Stories Press.



Mais verdades para ir matando o embuste!

Mc "paciência": o Jogo!


http://www.mcvideogame.com/index.html

Não deixa de ser melhor do que jogar a paciência...



descoberto por Pedro Vicente

Filho(a) de peixe mesmo que não saiba... nada!



Sabe-se hoje, dia 27 no Público que a jovem distinta advogada Vera Sampaio (terminou o curso com média de 10 valores) com uma carreira de "dezenas de anos e larga experiência" foi contratada como assessora pelo membro do Governo Senhor Doutor Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira, distinto Ministro da Presidência....

Como a tarefa não é muito cansativa foi autorizada a continuar a dar aulas numa qualquer universidade privada onde ganha uns tostões para compor o salário e poder aspirar a ter uma vidinha um pouco mais desafogada.

O facto de ser filha do Senhor Ex-Presidente da República das Bananas que também dá pelo nome de Portugal, não teve nada a ver com este reconhecimento das suas capacidades, juro pela saúde do Engenheiro Sócrates. Há famílias a quem a mão do Senhor toca com a sua graça. Ámen.

Neste caso soube-se há tempos que o filhote depois de se ter formado foi logo para consultor da Portugal Telecom, onde certamente porá toda a sua experiência ao serviço de todos nós. Agora, como já ontem se disse, calhou a sorte à maninha e lá vai ela toda lampeira em part-time para o desgoverno, onde certamente porá toda a sua experiência ao serviço de todos nós.

E o papá para não fugir à regra, depois de escavacar uns bons centos de milhares de euros, na remodelação do um palacete ali para a Ajuda, onde instalará um gabinete, para onde será transportado pelo nosso carro, com o nosso motorista e onde certamente porá toda a sua experiência ao serviço de todos nós.

Falta arranjar um tacho para a matriarca que de momento tem que se contentar com as da cozinha.Isto tudo passa-se num sítio mal frequentado onde um milhão e duzentas mil pessoas vivem com uma reforma abaixo dos 375 Euros por mês. Parece mentira, não parece?

(ESTE É APENAS UM CASO, ENTRE MUITOS, QUE TÊM SIDO REVELADOS E DIVULGADOS ATRAVÉS DA INTERNET... PORQUE AS TELEVISÕES DESTE PAÍS ESTÃO BEM CONTROLADAS POR UMA FORÇA OCULTA(???)... DIZEM TODAS O MESMO...SEMPRE MAIS DO MESMO... E O MESMO DEMAIS...E NO FIM SABEMOS O MESMO DE NADA...E ISTO TEM ACONTECIDO EM TODOS OS GOVERNOS...L.S.)
Contributo de Raquel Varela e José Lança

Domingo, Outubro 08, 2006

Personagens da pobre política tuga II

outros papas:

o papa Alegre
o papa Jerónimo
e o papa Rat(o)zinger

o obsceno Jerónimo
a múmia Soares
o jurásico Soares

o Louçã do Soares e do futuro o (zé) de ninguém

o kalifa do Louçã e da Joana Amaral Dias

a estátua do Sócrates Em http://jumento.blogdrive.com

Personagens da pobre política tuga

Sócrates Cagão
Sócrates Gates Sócrates e Cavaco
o casal maravilha
O pequeno Mendes Pinto
Sócrates Hanks
Cavaco e Sócrates Nureyev
Cavaco Nureyev

Sócrates Nureyev
O casal maravilha volta a atacar

Uma mijadela no imperialismo!

Manifesto anti-praxe


Porque vemos na praxe uma prática que atenta contra os mais elementares direitos humanos, nomeadamente a liberdade, a igualdade, a integridade física e psicológica e a livre expressão da individualidade, ao mesmo tempo que exalta os valores mais reaccionários da nossa sociedade.
Porque não vemos qualquer motivo para a existência de hierarquias entre estudantes, tendo em conta que todos devem ser tratados por igual nas relações interpessoais.
Porque acreditamos que a tradição nunca poderá ser um entrave à mudança, muito menos, poderá alguma vez legitimar um comportamento inaceitável emqualquer sociedade.
Porque não aceitamos o poder auto-instituído e nada democrático dos organismos da praxe, que se constituem em estruturas paralelas com regras próprias.
Defendemos que a recepção aos novos alunos, sempre que se justifique a sua existência, se deve basear em relações de igualdade.
Nesta iniciativa, os estudantes olhar-se-ão nos olhos e tratar-se-ão por "tu", construindo um conjunto de redes de solidariedade e de camaradagem não exclusivas.
Todos se divertirão por igual, deixando a diversão de uns de ser a humilhação de outros.
Desta forma, incentivar-se-á o verdadeiro altruísmo que consiste em ajudar osoutros sem exigir qualquer contrapartida. Defendemos igualmente que a faculdade deve ser uma instituição aberta ao mundo que a rodeia, transformando-o e sendo por ele transformada.
Uma instituição quedeve proporcionar a livre intervenção e fomentar a criatividade, não impondo códigos de conduta nem promovendo a segregação. Mas este ideal nunca será concretizável enquanto o espírito da praxe reinar na faculdade. Exigimos ainda que as instituições de Ensino Superior tomem sobre si a responsabilidade de prestar todas as informações e aconselhamento necessáriosaos estudantes, quebrando assim com o princípio paternalista do "apadrinhamento" que compromete e fragiliza a autonomia dos recém-chegados.
Exercemos desta forma o nosso direito à indignação. Como parte da sociedade civil pensamos que o que se passa no interior das faculdades diz respeito a todos. Logo, jamais poderemos fechar os olhos à triste realidade das "tradições académicas". E juntamos a nossa voz à voz de todos os que lutam diariamente contra o cinzentismo da praxe e se batem por uma faculdade crítica, aberta e democrática!


Elaborado pelos Antipodas, MATA, República das Marias
Subscrito pela República Prá-kys-tão, e algumas dezenas de intelectuais e músicos portugueses como Sérgio Godinho, Prado Coelho, Luís Afonso, e mais uns quantos que a memória não recorda...

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Brecht

Bertolt Brecht…
…Quando a arte transforma!


“Nos tempos sombrios também se cantará?
Também se cantará sobre os tempos sombrios.”


Se Shakespeare brindou, com o seu drama, a chegada da cruzada das luzes burguesas e a partida dos crápulas do obscurantismo, do credo, do feudo, e das ideias, Brecht apagou a fogosidade da revolução dos “melhores”, para brindar o povo com a luta contra o fado operário, contra o drama dos “piores”, cantando a libertação dos oprimidos.
Mais filho do seu tempo, do que filho da sua classe, Bertol(d)t Brecht abandona simbolicamente uma das letras do seu nome, como quem abandona a teia social que o viu nascer, recusando o aliciamento para uma vida mais facilitada...
Em prosa ou em verso, Bertolt Brecht acreditava que, com o teatro e a musica como ferramentas, combateria a alienação, pilar fundamental do regime capitalista. Se foi no papel que ficou o legado do seu génio, foi e ainda vai sendo, em palco, que mais a sua obra transformou e transforma.
Revolucionário na vida e na obra, pois é acima de tudo através da obra que pretende ajudar na revolução, BB cedo constatou que não só estava falida a estética e a moral burguesa, (moderada ou radical, consoante se demonstrava democrática ou fascista), como cedo também se apercebeu das limitações do realismo soviético. Brecht, revela, na forma como gradualmente vai rejeitando a estética do realismo soviético, a sua extrema clareza não só quanto à forma mas também ao conteúdo que a Revolução começara a ter com a chegada dos oportunistas.
No seu pouco mais de meio século, Brecht lutou acima de tudo contra o Nazismo que lavrava um dos maiores pesadelos da Historia do continente Europeu, contra a estética burguesa que aprisionava toda a arte em sumptuosos e inacessíveis museus e pela libertação da classe operária que definhava como havia definhado a escravatura no tempo de Shakespeare.
Atacando no coração dos tiranos da sabedoria, Brecht cunha cada fragmento do seu trabalho, do seu subtexto, para alertar os operários, primeiro da urgência da Revolução, depois da chegada dos oportunistas. Preferindo combater o nazismo exilado nos Estados Unidos da América, do que combater Estaline na União Soviética, BB torna-se referência da vanguarda intelectual dos “aliados”, sem por isso passar a produzir (como tantos o fizeram) para o ego do seu mundo, mas para continuar a transformar, o próprio ego do Mundo.
Mergulhar no universo de Brecht é perceber que tudo o que ele pensava da sociedade era aplicável ao processo criativo. O processo criativo era o momento ideal, segundo Brecht, para violar o dogmatismo dos criadores e a sua pretensa genialidade, era visto como o palco privilegiado para ensaiar as suas concepções sobre o colectivismo, o ataque à hierarquia e a desmaterialização do privilégio de classe, na produção artística.

Quando Brecht se cruza com Weil…
Bertolt Brecht dizia “… O objectivo do teatro deveria ser alterar a sociedade. Os locais de diversão devem tornar-se órgãos de comunicação de massas…”
Kurt Weil dizia “… Quero chegar às pessoas reais, a um público mais representativo. Se a música estiver confinada à sala de espectáculos, a sua existência não se justifica…”
E quando em 1927 estas duas mentes se encontraram, a poesia de um e a música do outro, os momentos de criação a dois que se seguiram foram de perfeito enlace, e levaram a algo profundamente novo.
Deste duo resulta uma nova concepção de ópera. Weil e Brecht utilizaram uma linguagem musical e poética acessível à maioria das pessoas, utilizando a sua arte para denunciar as desigualdades da sociedade em que viviam, encorajando as suas audiências a pensar, a inquietarem-se, a questionarem. Era convicção de ambos que o seu papel como artistas era o de exercer uma função transformadora e actuar revolucionariamente sobre a sociedade. Ou seja, não queriam apenas explicar o mundo, mas também transformá-lo.
Das obras de Brecht e Weil destacaram-se “A Ópera do Três Vinténs”, “Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny” e “Os Sete Pecados Mortais”. Destas obras aquela que mais impacto e sucesso causou foi a “Ópera dos Três Vinténs”.
A “Ópera dos Três Vinténs” estreou em Berlim em 1928. Esta ópera, baseada na “Ópera do Mendigo” de John Gay, foi originalmente produzida em 1728. O texto aborda questões sociais, e o estilo musical é aquele dos cabarets de Berlim.
Nesta ópera, o mundo é amoral e profundamente capitalista, sendo que os negócios transcendem o próprio amor – facto que constitui um verdadeiro ataque à sociedade capitalista, no qual as emoções se submetem ao poder económico. Por outro lado, os personagens considerados criminosos acabam por ser recompensados, constituindo este facto uma ilustração daquilo que se passa numa sociedade capitalista.
A repressão da sociedade capitalista é retratada de tal modo, que até os mendigos só podem existir dentro desse sistema, ou seja, que ser mendigo se tornou uma profissão.
“…A comida vem em primeiro lugar. Só depois vem a moral…” – é uma das frases que serve de base à maioria da acção nesta ópera, e que funciona como uma provocação para o espectador, pois colocando a comida antes da moral, apela-se para que se considere as actuais circunstâncias de vida de cada uma das personagens (ladrões, prostitutas, pedintes), em vez de julgá-los no abstracto.
As canções/árias que surgem ao longo desta ópera representam um novo estilo, são operáticas na sua apresentação, mas o seu estilo de cabaret inverte a percepção comum de ópera. Estas canções/árias muitas vezes servem para interromper a acção, e fazer com que o público se desligue dos personagens – funcionando como testemunhos sociais. O objectivo era o de levar os espectadores a pensar sobre a peça, e a sentir que a mudança da sociedade em que viviam era urgente.
Quando Brecht escreveu o texto para esta ópera, o seu interesse pela teoria marxista era recente, e talvez por isso os elementos políticos e sociais da peça não são tão claros como noutros trabalhos que desenvolveu posteriormente. No entanto trata-se de uma obra brilhante, que foi central no sucesso dos trabalhos de Brecht e de Weil.
A colaboração entre estes dois homens termina com a subida de Hitler ao poder, e com o inevitável exílio de ambos… os trabalhos que realizaram em tempo de convulsões sociais, tão provocadores e agitadores política e filosoficamente, deixaram bem claro ao regime de Hitler que a presença de ambos era perigosa…

Entrevista imaginária a Bertolt Brecht nos tempos modernos…
(A partir de textos poéticos)

Como retratas o tempo em que vivemos?

“… Vivemos em tempos sombrios… Uma fronte sem rugas denota insensibilidade. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.””Os tempos modernos não começam de uma vez por todas…, o meu avô já vivia numa época velha, o meu neto talvez ainda viva na antiga. A carne nova come-se com velhos garfos. Épocas novas não a fizeram os automóveis, nem os tanques, nem os aviões sobre os telhados, nem os bombardeiros. As novas antenas continuam a difundir as velhas asneiras. A sabedoria continuou a passar de boca em boca.”

E quem é o responsável pelas sombras dos tempos (pós)-modernos?

“O que tem fome e te rouba o último pedaço de pão chama-lo teu inimigo, mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome.”

Num contexto em que a grande maioria dos direitos está em causa, o que pensas da privatização do ensino, da saúde, da segurança social...?

“Privatizaram a tua vida, o teu trabalho, a tua hora de amar e o teu direito de pensar. É da empresa privada o teu passo em frente, teu pão e teu salário. E agora não contentes querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.”

O que dirias aos jovens de hoje que não se interessam por política?

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, da renda, dos sapatos e dos remédios dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, o pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo…”

Ainda achas que é possível mudar o mundo?

“Não aceites o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.”

Os resistentes de todo o mundo começam a dar uma resposta, muitas vezes radicalizada, contra as infra-estruturas do poder. O que achas das formas de luta que têm vindo a ser adoptadas por grupos como os sem terra no Brasil, dos estudantes mexicanos que ocuparam a sua universidade quase meio ano ou mesmo do movimento anti-globalização que não para de perseguir cada reunião das grandes instituições do poder politico como o G8, a NATO, a ONU ou a UE?

“Sobre a Violência…, a corrente impetuosa é chamada de violenta, mas o leito do rio que a contém, ninguém chama de violento. A tempestade que faz dobrar as bétulas, é tida como violenta, e a tempestade que as faz dobrar os dorsos dos operários na rua?”
Por: Ana Filipa e Renato Prá-ky

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Ai como está o mundo bem acompanhado...



Coreia reforça o seu poder dissuasor
por KCNA

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDPC esclarece a posição do país acerca da nova medida para reforçar a dissuasão à guerra.


PYONGYANG, 03/Outubro (KCNA) -- O Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Democrática e Popular da Coreia emitiu em 3 de Outubro a seguinte declaração esclarecendo solenemente a posição da RDPC acerca da nova medida a ser tomada para reforçar a dissuasão à guerra para a sua auto-defesa.

Os EUA aumentam diariamente a ameaça de uma guerra nuclear e as suas sanções e pressões viciosas provocaram uma situação grave na Península Coreana pela qual os supremos interesses e a segurança do nosso Estado são seriamente desrespeitados e a nação coreana é posta na encruzilhada da vida e da morte.

Os EUA tornaram-se mais frenéticos nos seus exercícios militares e na concentração de armas na península e nas suas vizinhanças para o objectivo de lançar a Segunda Guerra da Coreia uma vez que fez de facto uma "declaração de guerra" contra a RDPC através da banditesca adopção de uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Ao mesmo tempo, estão a fazer esforços desesperados para internacionalizar as sanções e o bloqueio contra a RDPC não poupando meios e métodos covardes ainda não experimentados numa louca tentativa para isolar e asfixiá-la economicamente e derrubar o sistema socialista escolhido pelo seu próprio povo.

A actual administração Bush chegou ao extremo de fazer o ultimato de que puniria a RDPC se esta se recusasse a capitular aos EUA dentro do calendário estabelecido por este. Sob a actual situação em que os EUA movimentam-se para isolar e sufocar a RDPC esta chegou à pior fase, indo para além de todos os extremos. A RDPC não pode mais permanecer como espectadora dos desenvolvimentos.

A RDPC já declarou que tomaria todas as contra-medidas necessárias para defender a soberania do país e a dignidade da nação frente às viciosas acções hostis da administração Bush.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDPC é autorizado a declarar solenemente o que se segue em conexão com as novas medidas a serem tomadas para reforçar a dissuasão à guerra para a auto-defesa:

Primeiramente, o campo da investigação científica da RDPC irá no futuro efectuar um teste nuclear sob condições em que a segurança será firmemente garantida.

A RDPC foi obrigada a abandonar o TNP quando a actual administração dos EUA sucateou (scrapped) a Estrutura Acordada RDPC-EUA (DPRK-US Agreed Framework) e ameaçou seriamente a soberania da RDPC e o seu direito à existência.

A RDPC anunciou oficialmente que fabricou armas nucleares actualizadas depois de passar através de processos transparentes legítimos para enfrentar a ameaça agravada dos EUA de uma guerra nuclear e de sanções e pressões.

A posse já declarada de armas nucleares pressupõe o teste nuclear.

A ameaça extrema dos EUA de uma guerra nuclear e de sanções e pressões obriga da RDPC a efectuar um teste nuclear, um processo essencial para reforçar a dissuasão nuclear, como uma medida correspondente para a defesa.

Como segundo ponto, a RDPC nunca utilizará armas nucleares em primeiro lugar e proíbe estritamente qualquer ameaça de armas nucleares e transferência nuclear.

Um povo sem um dissuasor confiável da guerra está obrigado a esperar uma morte trágica e a soberania do seu país está destinada a ser desenfreadamente (wantonly) desrespeitada. Isto é uma amarga lição ensinada pelos banhos de sangues resultantes da lei da selva em diferentes partes do mundo.

As armas nucleares da RDPC servirão como um confiável dissuasor da guerra a fim de proteger os supremos interesses do Estado e da segurança da nação coreana em relação à ameaça americana de agressão e para prevenir uma nova guerra e salvaguardar firmemente a paz e a estabilidade sobre a península coreana sob quaisquer circunstâncias.

A RDPC sempre implementará sinceramente seu compromisso internacional no campo da não proliferação nuclear como um estado com armas nucleares responsável.

Em terceiro lugar, a RDPC fará tudo o que puder para realizar a desnuclearização da península e dar impulso ao desarmamento nuclear à escala mundial e finalmente à eliminação de armas nucleares.

Como a RDPC tem sido exposta à ameaça nuclear e à chantagem americana ao longo de mais de meio século, ela propôs a desnuclearização da península antes de quaisquer outros [lugares] e tem feito o máximo esforço para este fim.

Os EUA, contudo, abusaram da ideia de desnuclearização lançada pela RDPC para isolar e sufocar a ideologia e o sistema escolhido pelo seu povo, enquanto sistematicamente permaneciam indiferentes a toda a sua magnanimidade e sinceridade.

O objectivo final da RDPC é não uma "desnuclearização" a ser seguida pelo seu desarmamento unilateral mas sim um destinado a ajustar as relações hostis entre a RDPC e os EUA, e a remoção da própria fonte de todas as ameaças nucleares da Península Coreana e da sua vizinhança.

Não há alteração na posição de princípio da RDPC de concretizar a desnuclearização da península através do diálogo e da negociação.

A RDPC fará esforços positivos para desnuclearizar a península do seu próprio modo e sem falha apesar de todos os desafios e dificuldades.


A versão em inglês encontra-se em http://www.korea-np.co.jp/pk/
Contributo de José Lança

Meen Erhabe?

Abu-Ghraib - Para que não nos falte a memória! Parte II


Assim é a guerra ao terrorismo.
Superioridade ocidental?
Democracia?
Muitas perguntas, poucas respostas...
Made in USA












Abu-Ghraib - Para que não nos falte a memória! Parte I












Luís Afonso - Uma homenagem ao melhor cartoonista português






Propaganda e propaganda!


Porque tem coisas que ninguém pode falar...
e opiniões impossiveis de escrever.

É bonito ser-se anti-fascista ou anti-comunista,

pode-se clamar contra o capitalismo ou o socialismo,

mas já não é fácil ser anti-americano (e não estou a falar do povo que tem Steinbeck ou Reed, e que tem manifestações gigantescas de imigrantes ou hispano-afro-americanos),

nem anti-democrata-burguês como lembrou bem um militante da PO (política operária) numa das tertúlias do partido,

muito menos anti-sionista. Estes são logo carimbados de Nazis.

a questão é que os sionistas são uma coisa, os israelitas são outra.

O Grande-Israel é um projecto imperialista, que pretende levar Israel até ao Cairo.

Israel é um Estado racista, uma vez que há quotas para Arabes e Católicos.

Em Israel há pacifistas, marxistas, gays e feministas.

Há até quem de Israel seja, e esteja contra o "seu" próprio Estado.

Mas sionista é outra coisa. Outra coisa perto dos fascistas!

Sem medos eu cá sou anti-sionista.

Desde muito novo, no tempo das leituras pré-adolescentes, do Diario de Ane Frank. Nesse diario, descobri que a Internacional Sionista, sediada em Washington à data da 2ª Grande Guerra, nunca respondeu aos apelos da resistência nem aos apelos dos comités de defesa dos judeus.

Assim se vê o que pesa mais, se a solidariedade de classe se a solidariedade de credo.

Terça-feira, Outubro 03, 2006

A crise da verdade e da memória no oligopólio mundial



Por Renato Prá-ky
(a propósito da discussão lançada por José Mário Branco)

Introdução \ Objectivos


“Marenches não deveria estar muito preocupado: se as democracias são moles não hão-de faltar espíritos fortes para lhes restituírem o músculo”



O espírito deste pequeno trabalho é a abordagem central de duas das grandes questões que hoje se levantam, mais do que nunca, desde a fundação de uma nova fase da modernidade, fundada a partir na nova ordem mundial na Sociedade das Nações e aprofundada com a queda do Muro de Berlim, há já mais de 15 anos atrás. Com o triunfo do liberalismo económico e da economia de mercado, com a revolução informática, e com o advento, tantas vezes antagónico, da globalização, as tecnologias da informação e da comunicação estão como nunca antes no epicentro da geopolítica mundial. Seguro que, tal como E. Obsbauwm, a última era foi a era dos extremos, em que seguramente grandes projectos de dominação foram felizmente vencidos, a minha inquietação recai sobre a época extrema que se começa a esboçar neste fim/começo em que habitamos.
A economia total, como lhe costumo chamar, bem como a sociedade que esta produz, transforma a comunicação entre os indivíduos num complexo código comunicacional. O ser humano apresenta-se ao seu igual como a melhor das cobaias para ensaiar a cyborgização dos tempos ultra-modernos. Vale tudo, são as únicas palavras que deveriam estar escritas em tudo o que são tratados ou leis, declarações de princípios de qualquer das organizações de gestão internacional (da OMC ao G8, da ONU à União Europeia), como artigo único.
“Vale tudo” é a palavra de ordem da filosofia política e a cartilha económica da Nova Ordem Mundial.
Os meios de comunicação social encontram-se no coração desta que se tornou a estratégia do homem “novo” da última vaga revolucionária mundial, e que pôs fim aos extremos a que Obsbauwm se referia.
Os média, tal como a riqueza mundial, e possivelmente de forma ainda mais estratificada, encontram-se perigosamente concentrados num grupo extremamente reduzido de pessoas. Como se não bastasse a concentração cruzada, que as novas tecnologias vieram impor, dominam também o mercado de um conjunto vastíssimo de mercadorias, serviços, e mesmo direitos (com a nova fase do liberalismo). O Jornal, a Rádio, a TV e a Net que consumimos, pertencem aos mesmos que nos fornecem os alimentos, os automóveis, as casas, os telemóveis, o acesso ao cabo ou à produção e distribuição cinematográfica. Além do domínio em “linha” passam também a dominar o “mercado em rede”. Os poucos senhores da comunicação, passam a ser os mesmos que têm interesses no material ou no petróleo da guerra, nas alfândegas e no controlo das migrações mundiais, no negócio da ajuda humanitária, no ouro, no marfim, na cocaína, enfim, passam também a ser aqueles que nos governam, e a esse poder acumulam e concentram o papel de vanguarda na finança mundial.
Não fosse o bastante, têm ainda na mão o que ficar de História para contar e se aprender nos amanhãs do silêncio ou da mentira. Têm assim as palavras e os suportes que nos hão-de contar a História.
A verdade e a memória sofrem neste contexto uma metamorfose notável que a sociedade parece dar mostras de não saber estar preparada para lidar. Com a velocidade alucinante com que tudo avança, o tempo útil e necessário para a racionalização e reenquadramento, bem como na definição de limites e regras aos tempos do “vale tudo”, são a razão profunda da incapacidade de superação esquemática deste trabalho.
Fica contudo a singela garantia que será, da minha parte, uma investigação interminável na tentativa que farei para ser um (J)jornalista, para quem a verdade e a memória são objecto central da sua ciência, na difícil trincheira da resistência global.

Da plutocracia industrial à plutocracia virtual.

Propriedade, concentração concêntrica e multimédia, domínio da rede, as TIC.

“Mesmo aqueles que duvidaram do carácter revolucionário de ondas anteriores de mudança técnica não mostram grande dificuldade em aceitar que se vive presentemente uma enorme revolução tecnológica, baseada no computador electrónico, no software na micro-electrónica, na Internet e nos telemóveis.”

“Um em cada Francês lê uma publicação de Hersant…; Três editores controlam sozinhos dois terços dos títulos diários e dominicais na Grã-Bretanha…; na Austrália Rupert Murdoch é dono de dois terços da tiragem global da Imprensa…; na RFA três grupos dominam a imprensa não diária, Bauer, Burda e Gruner und Jahr (a última filial do maior grupo multimédia da Europa, o Bertelsmann) e um único, Axel Springer, a imprensa quotidiana…”

Inquietante a análise de M. Palmer, no início dos anos 80, data em que a evidência anunciada por F. Louçã e C. Freeman era ainda motivo da maior controvérsia. A concentração do capital financeiro passou à sua fase mais alucinante de crescimento e concentração, de todos os ciclos, da já longa história das Revoluções Industriais.
O carvão e a máquina a vapor de outrora, bem como os avanços que permitiram cada novo arranque de cada fase da Revolução Industrial, apesar de terem equivalência do ponto de vista do papel que operam ao nível das possibilidades tecnológicas de cada episódio industrial, em nada se comparam do ponto de vista da sua transversalidade.
No novo ciclo do capitalismo global, as Tecnologias de Informação e da Comunicação, não têm exclusivamente um papel inaugural, como aconteceu com grande parte das tecnologias do século XIX e XX, essas tecnologias desempenham um papel condutor e omnipresente, não só ao nível do mercado, mas ao nível profundo da existência humana.
Digamos que, e para terminar o paralelo, os comboios e as fábricas do século XIX, apesar do seu carácter revolucionário, passaram ao lado da grande esmagadora maioria da população e das sociedades mundiais. Quantos anos levaram até que saísse das fronteiras da Europa central? Apesar de determinante para a ciência e a economia, e com elas para os seus agentes, quantas vidas terão de facto mudado num tão curto espaço de tempo?
Nos últimos 25 anos, o desenvolvimento tecnológico em geral e as Tecnologias da Informação e da Comunicação em particular, imprimiram tal velocidade e ritmo à transformação de todo o ambiente social que não se conhecem pensadores e intelectuais sérios que se atrevam a fazer prognósticos rígidos.
Paralelamente a esse mesmo desenvolvimento, material e capital, as sociedades mundiais mergulham no pântano em termos de igualdade social, acesso aos mais básicos direitos fundamentais, guerra generalizada, barbárie ambiental, sobre especulação e sobre exploração do trabalho, fome, epidemias, enfim, todo um cenário de degradação humanitária, que deixa sem palavra os que do estudo da história preservem igual seriedade na análise.
Isto para dizer, com a insuspeita fonte da Forbes, que um terço dos 25 bilionários mais ricos do planeta têm como área de investimento financeiro os Meios de Comunicação Social, seja ao nível do software seja ao nível da produção de conteúdos. A totalidade destes senhores do capital mundial tem negócios cruzados pelas mais diversas áreas do mercado, do retalho ao petróleo, do software à Indústria de Armamento, da microelectrónica à indústria da floresta, muitos deles com relações promíscuas com o poder central.
Um exemplo extremo e caricatural desse fenómeno será o senhor S. Berlusconi, vigésimo quinto bilionário do mundo, que a partir do negócio imobiliário, detém hoje, directa e indirectamente (directa por via da propriedade ou indirecta por via na nomeação politica da RAI por ser chefe de governo) o monopólio quase absoluto dos meios de comunicação social italianos.
Esta estratégia de crescimento, que teve como factor catalizador a chamada nova economia, que foi capaz, do ponto de vista do volume de negócios de pôr a economia real a um canto. Ignacio Ramonet, dizia num dos seus editoriais do Le Monde Diplomatic, que à escala de um copo de água apenas uma colher de café representa a economia real, sendo que tudo o resto são títulos financeiros.
Depois do boom dos anos 80 e principalmente 90, densificado pela crise financeira do mercado asiático bem como pelo agravar da geopolítica mundial a partir do 11 de Setembro, parece que o entusiasmo inaugural, quase messiânico, deu lugar ao pessimismo. O discurso da crise, apesar de contrariado pelo balancete económico das grandes empresas mundiais, bem como pelo índice de consumo de produtos de luxo, generaliza-se. Acentuam-se os conflitos sociais e a vanguarda do capital financeiro dá sinais de retracção táctica. A estratégia da concentração, apesar de não deixar de ser um indício bem claro do darwinismo sócio-económico onde vivemos, transparece também como um sinal de defesa do capital global, onde a estratégia mono(oligo)polista parece proteger todos os grandes, ao invés, de vitalizar o mercado da concorrência, beneficiadora dos demais ao seu acesso.
Independentemente da multiplicidade de análises que possam ser feitas, os números falam por si.
Mais atacante ou mais defensiva, a concentração apresenta-se como uma estratégia com ganhos para ambos as partes, sendo que além dos que através das fusões passam a jogar na mesma equipa e muitas vezes num terreno que fica sem adversários, onde invariavelmente quem irá pagar a factura serão os consumidores. Do transporte marítimo do Canal da Mancha, ao vinho, dos cereais à produção de conteúdos, aos mais diversos órgãos de comunicação social, a concentração é sempre feita com o acordo das duas partes, com óbvios ganhos para ambos os negociadores. Aqui representadas como partes aqueles envolvidos directamente no negócio.
O número de fusões, bem como a sua dimensão, supera os índices do tolerável pelos próprios gestores e pensadores do liberalismo económico. Um estudo da OCDE, já de 1992, conclui que “a competição monopolista e a interacção estratégica entre as empresas e os governos, mais do que a mão invisível das forças do mercado, são os factores que hoje em dia condicionam a competitividade e a divisão internacional do trabalho.” Alan Greenspan, homem forte da reserva federal americana, dizia-se preocupado com o comportamento desenfreado dos mercados financeiros. Quarenta por cento do comércio mundial pura e simplesmente não é comércio, consiste em operações fictícias realizadas dentro dos próprios grupos económicos, onde o dinheiro circula e cresce, indefinidamente. Virtual é a operação, selvagem, a deslocação obrigatória ou o desemprego de milhões de pessoas no mundo.
Os GATT´s são também, do ponto de vista dos acordos financeiros, um expoente máximo dos estranhos acordos de preçários com entidades que deveriam ter interesses antagónicos, como são os governos e as empresas. São o acordo que permite a fome das quotas de mercado.
Como disse Viviane Forrester no seu ensaio O Horror Económico, “O lucro, claro, lucrará.”
O cruzamento entre capital e poder é de tal ordem angustiante que depois de vermos durante toda a Guerra Fria duas locomotivas sem freio, a disputar o mundo palmo a palmo para ver qual dos dois o maior Imperialismo, a liquidarem-se mutuamente com as suas próprias armas, onde tantas vezes inimigos da trincheira foram amigos de negócios, a concentração concêntrica e multimédia ameaça atingir níveis ainda mais repugnantes de actuação. Como exemplo ficam também as relações financeiras de Washington com a família Laden (antes e depois do 11 de Setembro), o envolvimento editorial cada vez mais feroz com a cultura e a ideologia ocidental, bem como, e pasme-se, a recente suspeita lançada sobre a família de Yasser Arafat por causa de interesses directos na construção do muro que o executivo de Ariel Sharon mandou construir à volta do enclave de Israel e do “arquipélago apartheidarizado” da Palestina.
Mais uma vez, e dramaticamente, “o lucro, claro, lucrará”.


Da propriedade ao poder, o monopólio da verdade.


Um novo imperialismo, da concentração económica à concentração de poderes.

“A imprensa é livre. Só por virtude desta liberdade comercial desaparecem jornais que tiveram o seu tempo de glória…, reforça-se a lei da natureza…, em França e fora dela quantas metrópoles regionais dispõem de apenas um jornal? (…) Deste modo a sociedade dá um passo decisivo para esse falso consenso baseado não sobre o debate aprofundado, mas numa confusa referência comum a vagas opções mergulhadas no nevoeiro de argumentos esbatidos. A liberdade do espírito é subjugada à vontade do comércio, ao triunfo do dinheiro. Primeira vítima: a liberdade do leitor-cidadão.”

A General Electric compra a companhia RCA (Radio Corporation of America) e a network NBC, uma das três grandes redes de radiotelevisão dos Estados Unidos. A RCA/records foi revendida por 300 milhões de dólares, ao grupo multimédia alemão Bertelsmann. Bertelsmann, que ao comprar também a Doubleday, subiu ao primeiro lugar mundial dos grupos de comunicação.
A compra da cadeia de radiotelevisão ABC, pelo gigante trust de comunicações multimédia Capital Cities.
A compra da UIP, pelo magnata mexicano Mário Vasquez Rana. O Império da News Corporation que sozinho detém dois terços da tiragem mundial.
A Deutsche Telecom, a Telecom Itália (principal grupo de rádio italiano), a Telefónica/Prisa (principal grupo de comunicação espanhol), a France Telecom, a Bouygues, a Lyonnaise des Eaux, a Vivendi, que domina também o Canal Plus e a Havas, a Matra-Hachete.
A AT&T (que domina a rádio a nível planetário), a dupla MCI.BT (segunda rede telefónica americana e ex-British Telecom), a Sprint, Cable & Wireless, a Bell Atlantic, a Nysex, a NTT, a Dysney, a Viacom, a AOL-Time-Warner, a IBM, a Microsoft, a Sony, a Westinghouse (que comprou a CBS), a Intel.
Estes são alguns exemplos dos inúmeros intérpretes da concentração económica que encheram as primeiras páginas do jornalismo económico na última década. A soma do Capital Financeiro de cada um destes grupos supera o PIB de qualquer país de média dimensão, como Portugal. À escala de países como o nosso, a PT, a Impresa de Balsemão, e a Sonae.Com de Belmiro de Azevedo, pequenos grandes aprendizes do capitalismo selvagem, vão dando os primeiros passos no mercado internacional.
Todo este poderio, que em número de títulos atinge níveis impensáveis até há poucas décadas atrás e que, em 30 anos, produziu mais informação do que nos 5000 anos precedentes, onde 20 milhões de palavras são difundidas nos mais diversos suportes, deita por terra o ideal humanista do conhecimento total.

Contraditoriamente, acoplado aos números absolutos em termos de edições, à variedade informativa, ao boom comunicacional da Internet e dos telemóveis, está a indecifrável realidade da uniformização do conhecimento.
Roda-se o globo em vinte e quatro horas, as mais variadas praças do mundo, seja qual for o grupo económico dominante, sabemos que a catástrofe do dia é a mesma, como as mesmas são as manchetes internacionais, como clones são os conteúdos informativos, como parecida é a utilização da net e dos telemóveis. Chora-se e ri-se pelo mesmo e ao mesmo tempo em todo o mundo.
A pluralidade pregada na fundação da democracia moderna, a visão romântica difundida pelo liberalismo dos meios de comunicação e informação como pilares estruturantes da cidadania, são promessas que já não se esperam, ao esbarrar na realidade comunicacional contemporânea.
As consequências da concentração do poder económico, a sua promiscuidade com o poder político, a sua invisibilidade judicial, o seu carácter transnacional, transforma estes impérios de hoje, nos impérios mais poderosos que a História conheceu, bem como levanta um infindável conjunto de questões, que este trabalho não se propõe a aprofundar.

No duplo movimento que os Média conhecem hoje, concentração e integração em grupos multimédia, bem como da homogeneização dos seus produtos e da consequente implosão da pluralidade, chegou a pensar-se que a lógica económica e a lógica democrática se enfrentariam no espaço da comunicação.
Ao contrário das previsões de Palmer, a realidade foi no sentido do entendimento dos dois poderes, sendo que o espaço mediático, tem servido acima de tudo para transformar o público num elemento subserviente a ambos, ou seja, ao poder económico transformando o público em consumidor da rede de produtos do grupo proprietário ou dos grupos investidores, ao poder “democrático” para vender o pensamento único, o terror, o medo e a tão pacífica e sustentada inércia social. É a maior fusão dos “mercados”, a “holding” mais assustadora, um grupo transnacional para governar o mundo. A primeira greve em meio século de existência (e lembremo-nos das greves do último meio século), levada a cabo pelos jornalistas do magazine francês L’Express, contra a prepotência do grupo económico que do qual é propriedade, e tem como cabeça o industrial aeronáutico Serge Dassault. Como se daria bem De Gaulle com esta democracia…, esse que apesar da orientação contra a aventura Argelina do L’Express, não teve direito sequer a uma greve.
Venha de lá outro Maio, parece ser o sinal emitido pela redacção em causa…



As consequências para a verdade.


O consenso forjado, a censura e os novos policias do pensamento.
“Os livros escolares pagam Iva, quando as publicações sentimentais dele são isentas”

G. Orwell e A. Huxley estariam longe de imaginar a que ponto chegou a capacidade censória da sociedade. Mais ainda se pensarmos que essa mesma censura implementa-se tão mais profundamente quanto democrático se apresenta o seu Estado, e liberal o seu governo. Ao nível especialmente da produção de necessidades de consumo, bem como da construção do “indivíduo legume”, resultado da maquiavélica fusão entre o poder económico o poder político e o poder judicial, a censura adquire, além da já bem conhecida imposição extrínseca, antes uma condição intrínseca.
Contrariamente às máquinas censórias do século XIX e XX, que se impunham acima de tudo através do bastão e da tortura, a censura contemporânea passa também a emergir de dentro dos próprios indivíduos. A maioria absoluta da população mundial é excluída dos processos comunicativos. Mas os que se dirigem a esses processos como profissionais são igualmente excluídos, se não fizerem o pacto de sangue com o consenso forjado, ou com a pluralidade razoável.

Para qualquer estudante de Jornalismo, esta realidade é uma evidência. Os processos comunicativos estão restritos a uma elite de bons alunos do status quo, que cristalizam opiniões e amplificam os estereótipos, cruzam de forma irrecuperável o entretenimento e a informação, que sacralizam o espectáculo e dependem da ideologia e do dinheiro da publicidade, transferem para a esfera pública no mesmo plano, o que interessa e o que não interessa, imprimem a mesma emoção ao relato desportivo, à morte do Papa e à guerra do Iraque, escravizam-se sob a pressão do directo destruindo o conceito de jornalista “olhos do mundo” (analítico) para construir o conceito do jornalista “espelho” (descritivo), absorvem como dogma a razão profunda da propaganda proto-democrata a partir da máscara do paradigma da neutralidade.
Coloca-se o lucro acima da verdade. Só conta o impacto visual e moral da informação. Contam as sensações que a notícia provoca no público, apenas necessitando de ligeira verosimilhança. Vence o sensacionalismo, perde o rigor e a objectividade. Leva-se à prática o lema: “não deixes que uma má verdade estrague uma boa mentira” ou o lema: “O bom jornalista não tem compromisso com a verdade mas sim com a notícia; e se a noticia é boa não interessa que seja verdadeira”. A taylorização do jornalismo, que deita por terra a visão do jornalista investigador (que se celebrizou em variadíssimos filmes e personagem históricas como J. Reed ou G. Orwell), e concretiza a visão do jornalista “pé de microfone”, “adaptador de telex” e “máquina de telefonemas”, a diluição do papel e do trabalho jornalístico a um mero elemento de auxiliar técnico das tecnologias operantes, escravo dos interesses do proprietário ou das fontes.
“Os terroristas e os aliados”, “Os gangs varreram a praia de Carcavelos”, “imigrante de leste rouba loja de telemóveis”, “mais um ataque fundamentalista palestiniano e mais uma retaliação israelita”, constituem manchetes tornadas verdades, que, além de se manifestarem ao nível das crenças e da fantasia, têm repercussões profundas do ponto de vista sócio político.
O paradigma da neutralidade, que transforma a prática de jornalista em espelho, mais não é do que a forma de o tornar um reflexo do visível, sendo que não deve haver realidade informativa cuja aparência se realize do ponto de vista da verdade. Ora, quem domina a aparência define a verdade que o jornalista há-de contar. As razões profundas, as implicações, a historia das coisas, já não importam para compreender a informação.
Após a cimeira de Camp David, E. Mubarak, B. Clinton e Y. Arafat correram o mundo numa imagem plena de paz e harmonia diplomática…. Meses depois, rebentou a segunda Intifada Palestiniana. Não foi a imagem que mentiu. Foi o facto de ser só imagem, ou descrições dela.
É assim com quase todas as notícias. O derrube da estátua de Saddam Hussein, bem no centro de Bagdad, marcava o fim oficial da guerra. Desde então, já morreram duas vezes mais soldados anglo-americanos. Tinha acabado ou começado a guerra? Mais uma vez, não foi a imagem que mentiu, antes e apenas a sua aparência iconográfica. E o relatório americano sobre armas de destruição massiva? Quantos o divulgaram com um alarmismo sem contraditório? E o caso Lewinsky que, para sair do topo de vendas teve que pôr a Jugoslávia a sangrar? E o 11 de Março e as manchetes que culpabilizaram “sem provas” a ETA pelo mundo fora?
Quantos títulos nos mentem? A mando de quem? Com que interesses?
Dos exemplos que não ficam conhecidos, sobre mentiras tornadas verdades, ainda mais perigosas se tornam as suas consequências. Assim, e em Jornalismo, as piores mentiras são os silêncios.

Podemos individualmente sair desta redoma, é por ventura até tarefa fácil e estimulante para estudantes, professores ou investigadores. Mas e o resto do mundo? O que vai ele fazer amanhã se a grande parte do seu conhecimento não for verdadeiro?

A impossibilidade redactorial do Jornalismo.
Que alternativas?


“ As novas antenas continuam a difundir as velhas asneiras, a sabedoria essa, continua a passar de Boca em boca”

Sendo que não será interpretado à letra que este excerto da poesia de Brecht tem validade, é certo que dele ainda transpira um fundo de razão. Se não bastará a boca para difundir “sabedoria”, é certo que das velhas antenas não só teremos asneiras como mentiras.
A impossibilidade quase total do jornalismo redactorial, acima de tudo para aqueles que acabem de chegar às redacções, é confrangedor para os que nasceram a ouvir falar em sociedades democráticas e de informação. Já durante os séculos XIX e XX, o jornalismo redactorial esteve sempre bem amestrado pela verdade forjada do sistema dominante.
Reed, para escrever os 10 Dias Que Abalaram o Mundo teve de ter a sorte de ter nascido numa família aristocrática dos EUA, para que a sua viagem fosse financiada e a história registrada. Não tivesse aquele momento a importância que teve, Reed seria hoje um ilustre desconhecido. Se Reed não estivesse lá estado, toda a informação daqueles dias tinha sido controlada ora pelos Bolcheviques ora pela inteligência Ocidental.

Quantas redacções estão hoje dispostas a financiar o jornalismo de investigação? Qual o grupo económico que envie jornalistas além fronteiras e não o faça pela procura da história e dos seus factos, mas antes para alimentar a máquina de propaganda. Porque é que temos de saber todos os últimos suspiros do Papa, cada excentricidade dos VIP´s no Verão tolo, cada caloria dos futebolistas, cada declaração pública de cada governante, mesmo que seja para não dizer nada? Porque é que cada ciclo do ano tem já uma agenda própria de temas? Onde fica o papel da realidade na definição da agenda.
O colapso económico da Argentina, o aclamado bom aluno das teses neo-liberais, e a realidade de Guantanamo? Onde nos podemos informar sobre o colapso governamental da Bolívia, ou sobre os novos movimentos contra a globalização capitalista? Quantos minutos tiveram as vítimas do 11 de Setembro e quantos tiveram todas as outras, do Vietename à Nicarágua pelo exército americano?

O mundo da comunicação alternativa tem dado passos importantes, especialmente desde a generalização da Internet. Organizações de informação alternativas como o Indymedia, ou a partir dos sites das mais variadas organizações não–governamentais e das organizações populares de Base, ensaiam possibilidades informativas além das difundidas pelo poder central.
A importância destas experiências não esconde no entanto as suas limitações.
Na Televisão, na Rádio e nos Jornais de grande tiragem, dado o investimento inaugural que é necessário, bem como pela despesa corrente, não existem organizações nem mecenas capazes de fazer face a tal investimento. A Internet apresenta-se como o interface de todos os suportes para todos os produtores de informação alternativa.
Em Junho de 2001, aquando do G8 em Génova, este movimento de informação alternativo ensaiou o seu primeiro teste de cobertura praticamente em directo. O poder, na sua forma armada, agiu sem hesitações. Além da carga sobre os manifestantes, que no marco da análise política pode até ser discutida, o centro de informação independente, que ficara alojado numa escola com autorização do governo da cidade, foi literalmente destruído e brutalmente agredido quem nele trabalhava e o tentava proteger. Apesar de uma boa parte do material ter sido quase de imediato posto no mundo, via net, os originais de todos os materiais desapareceram.
Foi provavelmente uma das provas mais vivas de censura armada em solo ocidental no passado recente. No país de quem? Berlusconi, claro. Sob a égide dos 8 mais poderosos do planeta. Com os Carabinieri dirigidos por uma força de comando da NATO… mais palavras para quê?


Sobre a memória ou a ausência dela.
Das tensões pós-modernas ao ataque à dialéctica.


"À força de observar, esquece-se que também está a ser observado”

No que respeita à memória, não só pelas consequências que advêm do escamoteamento da verdade com óbvias manipulações ao nível do que fica registado, o problema de fundo reside nos formatos em que é armazenada. O papel, o som, o diapositivo, a película deram lugar aos registos electrónicos.
A informação disponível a prazo sobre a cultura estará em grande medida disposta virtualmente, vulnerável a essa mesma condição. Partindo de um exemplo doméstico, na República em que habito, nos últimos três anos, foram guardados todos os seus registos em formato digital. Fotografias dos Centenários, documentos do Conselho de Repúblicas, escritos vários, recolhas e investigações na Internet, todos os registos perdidos com a danificação do disco rígido do computador da Associação. Três anos de memória perdidos. Se isto é assim ao nível da comunicação interpessoal e vida associativa, onde está em risco um património cultural incalculável, imagine-se em termos de conteúdos globais.

O Jornal, a prazo, ameaça perder o suporte em papel a grande maioria das rádios profissionais já estão completamente digitalizadas, o mesmo sucedendo com as televisões, que com a implosão do serviço público poucas são as que devem guardar as suas emissões e as que são guardadas estão sujeitas à violência da propriedade e à vulnerabilidade dos suportes. Vivemos numa época em que a comunicação se torna progressivamente em patente, com todas as consequências que daqui advêm. Da carta ao e-mail, da fotografia ao pixel, do segredo à SMS, do olhar à MMS…
A linguagem, ainda que codificada em 0 e 1, será, ao que parece, uma das ferramentas que menos se transformará, ou onde essa transformação levará mais tempo. Ainda assim, não se relativizem os seus efeitos. Em particular no Jornalismo, com dogmas como a neutralidade, tendo como tirano os intelectuais do pós-modernismo, que liquidam a dialéctica recusando toda a experiência semântica carregada de sentido, o cenário é difícil para os que não desistirem de comunicar. Não bastasse já a ideia sinistra de afirmar o fim de uma época no seu apogeu, a tentativa de nos conduzirem ao grau “zero da língua” constitui uma ameaça onde uma vez mais quem sai ferido de morte é a memória.

Onde nos encontraremos no futuro? Encontraremos os vindouros a estudar o seu passado numa espécie de portal http://www.ser_humano.com/? Estaremos perante uma estratégia de branqueamento arquitectada? Ou é apenas mais uma consequência colateral do maravilhoso mundo novo das TIC?
A resposta, ou o procurar de mais questões, deve, na minha opinião, ser um dos trilhos da investigação que urge fazer.
A sociedade da informação é mais uma mentira da qual não haverá memória?
Cabe-nos a todos restituir de músculo a resistência a tal fatalidade.


DECORNOY Jacques, “Para nos vermos livres da verdade” in: RAMONET, Ignacio, (org.), A Comunicação Social Vítima dos Negociantes, Editorial Caminho, Lisboa, 1992.
LOUÇÃ, Francisco, FREEMAN, Chris, Ciclos e Crises no Capitalismo Global, Afrontamento, 2001.
PALMER, Michael, A Ofensiva dos Grandes Grupos, in: RAMONET, Ignacio, (org.), A Comunicação Social Vítima dos Negociantes, Editorial Caminho, Lisboa, 1992.
http://www.forbes.com/. Revista especializada da alta finança, anexos
www.poferries.com; http://www.norfolkline.com/; www.seafrance.com.
Mondovino; Documentário de Jonathan Nossiter, sobre os efeitos da globalização na produção mundial de vinho.
http://www.monsanto.com/
JULIEN, Claude, “Liberdade” in: RAMONET, Ignacio, (org.), A Comunicação Social Vítima dos Negociantes, Editorial Caminho, Lisboa, 1992.
Acordo Geral de tarifas e comercio, em vigor desde 48, mas aprofundado em 94 com a criação da OMC, na que veio a ficar conhecida pelo Uruguai round.
FORRESTER, Viviane, O Horror Económico, Terramar, 1997.
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MESQUITA, Mário, “Greve dos Jornalistas contra as ideias sãs”, in; Público, 12 de Junho de 2005.
SANTINI, André, in: RAMONET, Ignacio, (org.), A Comunicação Social Vítima dos Negociantes, Editorial Caminho, Lisboa, 1992.
RAWLS, J, Teoria da Justiça.
DEBORD, Guy, Sociedade do Espectáculo.
Revolta ou insurreição contra a ocupação Israelita
Anexo sobre pedido de desculpas do El País.
BRECHT, Bertolt, Antologia Poética, Campo das Letras.
www.Indymedia.org.
BARTHES, Roland, Grau Zero da Escrita, Edições 70, Lisboa.
BARTHES, Roland, Grau Zero da Escrita, Edições 70, Lisboa.



Manifestação pró-globalização


Para quem pensa que eles não se reúnem...

Neoconservadores de México, Canadá y EEUU

La reunión secreta de los globalizadores por Gaston Pardo*

Los neoconservadores estadounidenses tienen hoy en día firmes aliados en el mundo. La prueba es la reunión secreta de los globalizadores mexicanos, canadienses juntos a ellos en el lujoso hotel de Banff Springs. La estrategia es consolidar su dominación en las elites del continente norteamericano y más tarde en Latinoamérica. Esta penetración se realiza gracias a una entidad norteamericana de asistencia con fachada pública llamada NED, pero que no es otra cosa que una dependencia de la CIA. El caso mexicano presentado a continuación es un buen ejemplo del control que pueden ejercer.
30 de septiembre de 2006DesdeCiudad de México (México)

Hotel de Banff Springs, provincia de Alberta, Canadá, lugar donde se llevó a cabo la reunión secreta de los globalizadores y su locura de querer controlar el mundo.
Entre la fecha de su fundación, septiembre de 1939 y el año 1976 la ideología del partido político mexicano PAN [Partido de Acción Nacional, de tendencia conservadora y católica] -de donde han emergido los dos últimos presidentes aztecas, Vicente Fox y el fraudulento Calderón, estaba inspirada en los pensadores políticos de la derecha española, concretamente en Donoso Cortés [1], José Antonio Primo de Rivera [2] Juan Vázquez de Mella [3], Ramiro de Maeztu [4], José Vasconcelos [5], Manuel Gómez Morín [6] y otros. A partir de 1976 comenzó un viraje hacia el pensamiento norteamericano neoceonservador, hacia la escuela económica neoliberal de los llamados Chicago Boys representada por el economista estadounidense Milton Friedman y las tesis escalofriantes de Luis Pazos [7] y la Asociación Mont Pélerin.

La reunión secreta que sostuvieron en Canadá hace unos días los globalizadores mexicanos en el marco del Foro de América del Norte revela que se tratará de imponer el modelo «democrático» estilo NED. Esto pone a México al borde de la confrontación social por las grandes desigualdades socio-económicas que genera dicho sistema político.

Algunos antecedentes del gran viraje panista
Entre 1970 y 1985 los comités estatales del PAN en lugar de recibir apoyo del comité nacional [mexicano] empezaron a ser autosuficientes. Se había comenzado a aceptar el dinero gubernamental para propaganda. Este apoyo se transformó en un derecho reconocido por las disposiciones legales en materia electoral, y de esa manera el PAN comenzó a recibir estímulos gubernamentales.
Pero los apoyos se multiplicaron en cuantía. En el libro La mancha azul, informa su autor Eugenio Ortiz-Gallegos que el diario El Universal, de México, entrevistó hace 16 años a Jeanine Perfit, secretaria de Keith E. Schuette, presidente del National Republican Institute for International Affairs (NRIIA), quien le dijo: Hemos patrocinado la reunión para celebrar su 50 aniversario que realizó el PAN en la ciudad de México en julio último (1989). A ella asistieron dirigentes de muchos países, todos con los gastos pagados por nosotros. Gastamos por lo menos 50 mil dólares".

En la misma ocasión la ex embajadora de EEUU en la ONU, Jeanne Kirkpatrick, miembro del consejo consultivo del NRIIA declaró que la ayuda financiera al PAN no se fundaba en afinidades ideológicas...El PAN sí recibe ayuda económica nuestra pero eso no puede interpretarse como intervencionismo".

En 1990 Lawrence R. Birns, director del Consejo sobre Asuntos Hemisféricos, con sede en la ciudad de Washington, refirió cuatro años el Partido Republicano hizo llegar al PAN 500 mil dólares. Estas aportaciones no se hacen directamente de las oficinas del Partido Republicano, sino a través de mecanismos que tienen por objetivo el de «promover la democracia más allá de nuestras fronteras», sobre todo la Fundación Nacional por la Democracia (NED). Este organismo distribuye los fondos de apoyo al extranjero entre organismos como el Center for International and Private Enterprise, la US Chamber of Commerce, el Free Trade Union Institute, el National Democratic Institute of International Affairs (NDIIA), institución del Partido demócrata y el NRIIA republicano.

La labor globalizadora del Consejo Mexicano de Asuntos Internacionales que preside Andrés Rozental Gutman [8], quien es el aspirante con mayor número de puntos y credenciales para ocupar la secretaría de Relaciones Exteriores del gabinete de Felipe Calderón se explica como la enredadera lógica de la NED con el PAN. La NED que financia al PAN recibe a la vez sus fondos destinados al patrocinio de la democracia por los canales de la CIA, de acuerdo con un artículo firmado por Thierry Meyssan, aparecido en el número 1 de la revista Voltaire.

Oficialmente creada el 6 de noviembre de 1982, la NED está regulada por un estatuto que la define como asociación con objetivo no lucrativo. Sin embargo, su financiamiento es votado por el Congreso y figura en el capítulo presupuestal del Departamento de Estado destinado a la Agencia por el Desarrollo Internacional (USAID). Para mantener la imagen de organización privada, la NED recibe además otras aportaciones de tres asociaciones indirectamente financiadas con recursos federales: la Smith Richardson Foundation, la John M. Olin Foundation y la Lynde and Harry Bradley Foundation.
La NED no es más que la continuación de las acciones secretas de la CIA por otros medios. Gran Bretaña y Canadá lo mismo que otros países anglosajones están asociados a sus objetivos en acatamiento al acuerdo que vincula a los servicios secretos militares de esos estados. Por ello, si el PAN está financiado por la NED, como lo demuestra Ortiz-Gallegos, se transforma por ese solo hecho en vehículo transmisor de los intereses de la inteligencia militar de los países anglosajones mencionados en el artículo de Meyssan. Países que se entreveran con el globalismo promovido por el Consejo Mexicano de Asuntos Internacionales que encabeza Andrés Rozental.

Algunos de los selectos participantes a la reunión secreta de los globalizadores. De izquierda a derecha: Arturo Sarukhan asesor personal del fraudulento presidente mexicano Felipe Calderón y antiguo cónsul mexicano en New York, el secretario de Defensa de Estados Unidos, Donald Rumsfeld y el general Rick Hillier, comandante de las fuerzas armadas canadienses.
La aspiración común de los asistentes a la reunión en la provincia de Alberta, Canadá, a la que asistieron globalizadores de los tres países del continente norteamericano [México, EEUU y Canadá] es la de crear una zona «segura» de abasto de petróleo para la economía de Washington. Juan Antonio Muriño, uno de los hombres que merecen la mayor confianza de Felipe Calderón y cuya familia se ha enriquecido con negocios a la sombra de Petróleos Mexicanos, fue uno de los invitados por parte de México al Foro de América del Norte. El encuentro se llevó a cabo en el lujoso y exclusivo hotel Banff Springs, en el parque nacional Banff, en la provincia de Alberta, Canadá.
La reunión secreta de Alberta

Entre el 12 y el 14 de septiembre último, con la asistencia, además, de dos asesores de Felipe Calderón: Arturo Sarukhan y Ernesto Cordero, encargados de preparar su política exterior y los asuntos económicos de su gobierno, el encuentro se desarrolló estando copresidido por Pedro Aspe Armella, quien fue secretario de Hacienda en el gobierno globalizador de Carlos Salinas (1988-1994); George Schultz, ex secretario de Estado estadounidense y Meter Loughheed, ex jefe del gobierno de Alberta.
Estos tres mencionados en último término son los directores del Foro de
América del Norte, que de acuerdo con las informaciones proporcionadas por los analistas canadienses, no cuenta con sede oficial. El público canadiense ha dado a conocer su inconformidad con el carácter secreto de la reunión que, en consecuencia, negó sus objetivos a los medios informativos.

De acuerdo con documentos que escaparon al control de los organizadores, y que fueron recibidos por el diario mexicano La Jornada, «en la lista de asistentes estuvieron prominentes figuras como el secretario de Defensa de Estados Unidos, Donald Rumsfeld; el secretario mexicano de Seguridad Pública, Eduardo Medina Mora, y el general Rick Hillier, comandante de las fuerzas armadas canadienses». De tal manera, es notorio el vínculo de la estrategia de seguridad impuesta por Estados Unidos a sus dos vecinos norteamericanos con el afán estratégico de controlar los energéticos.
Gaston PardoPeriodista mexicano. Es coresponsal de la Red Voltaire en México.Los artículos de esta autora o autor Enviar un mensaje

Acaba de salir publicado en México el libro Prian, un partido bicéfalo, obra de nuestra colaboradora y amiga Manou Dornbierer, en el que describe el proceso de descomposición moral del PAN y del PRI y cómo el presidente Carlos Salinas de Gortari hizo con ambos una aplanadora arrolladora, capaz de demoler el nacionalismo mexicano y sus estructuras jurídicas.

[1] Juan Donoso Cortés (Valle de la Serena, Badajoz, 6 de mayo de 1809- † París, Francia, 3 de mayo de 1853) fue un filósofo, político y diplomático español. Estudió Derecho en las universidades de Salamanca y Sevilla. En 1832 se instaló en Madrid, donde publicó Memoria sobre la monarquía, de línea liberal-conservadora, y donde dio comienzo su actividad como periodista político, influido por el liberalismo de Royer-Collard. En 1833 ingresó en la secretaría de Estado e inició su carrera política, que le llevó a ser secretario del gabinete y de la presidencia del consejo en 1836, con el gobierno de Mendizábal.

En 1837 fue elegido diputado por Cádiz y en 1840 marchó a Francia, poco antes de que fuese depuesta la regente María Cristina. Donoso se convirtió en hombre de confianza y agente de María Cristina y no volvió a instalarse en España hasta la caída de Espartero, en 1843, como diputado por Badajoz. Apoyó a los isabelinos en la Guerra Carlista y participó en la reforma constitucional de Narváez en 1845. Contactó en Francia con movimientos católicos reaccionarios y eso determinó su evolución hacia una actitud conservadora. Escribió Ensayo sobre el catolicismo, el liberalismo y el socialismo en 1851. Fue nombrado Marques de Valdegamas y embajador en París, donde murió.

[2] José Antonio Primo de Rivera y Sáenz de Heredia (Madrid, 24 de abril de 1903 - Alicante, 20 de noviembre de 1936). Político español, fundador junto con Julio Ruíz de Alda de Falange Española
[3] Juan Vázquez de Mella Fanjul (1861, Cangas de Onís, Asturias - 1928, Madrid), político tradicionalista, escritor y filósofo católico español.
[4] Ramiro de Maeztu Whitney, (Vitoria, Álava, 4 de mayo de 1875 - Aravaca, Madrid, 29 de octubre de 1936), escritor español.
[5] José Vasconcelos Calderón (Oaxaca, 1882 - Ciudad de México, 1959) Político, pensador y escritor mexicano.
[6] Manuel Gómez Morín (Batopilas, Chihuahua, México, el 27 de febrero de 1897 – ciudad de México, 19 de abril de 1972) fue un político mexicano que fundó el Partido Acción Nacional.
[7] Luis Alberto Pazos de la Torre (Veracruz, Veracruz de Ignacio de la Llave, 25 de agosto de 1947). Es un economista y político mexicano, miembro del Partido Acción Nacional es Director del Banco Nacional de Obras y Servicios Públicos (BANOBRAS).
[8] Andrés Rozental Gutman es medio hermano de Jorge Castañeda Gutman, político mexicano que ocupó el cargo de Secretario de Relaciones Exteriores de 2000 a 2003 durante el gobierno de Vicente Fox. A Jorge Castañeda Gutman se le ha acusado de ser un agente de la CIA, el periodista Raymundo Riva Palacio documentó que durante su juventud Castañeda actuó como agente de los norteamericanos, lo que no ha sido desmentido por el ex canciller ni por el gobierno estadounidense.

Fonte: Voltairenet.org
Contributo de Délio Prá-ky

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Arte mural e liberdade de expressão

http://http://www.fotolog.com/el_rafi

Policias impediram a pintura de um mural a 25 de Abril de 2006 O Conselho de Repúblicas e o Mário Silva lá continuaram!




Uma recolha, vários pintores...

Um fotolog para a memória.

Um abraço aos solidários e outro aos que estiveram presentes.


Por Outro Abril!

"Contra a Repressão, Liberdade de Expressão!"


Arte e Poder

Por Afonso Prá-ky

Podendo a arte ser passível de uma análise puramente estética ou até formal, também é sempre passível de uma análise política – usando este termo no seu mais lato sentido. Há, no entanto, arte que exige ser analisada no seu sentido político, esta arte distingue-se por se definir politicamente logo na hora da sua criação, ou seja é a arte a cujos autores, por intenção consciente, prendem um significado político, é a arte chamada de intervenção ou empenhada. A nível mais particular será possível analisar a relação da arte com o poder e o dinheiro – que não sendo o mesmo se confundem. Antes de mais esta análise impõe-se porque a arte exige meios materiais que, por mais parcos que sejam, terão um valor monetário, e também porque, sendo a arte uma forma de comunicação, e não me cabe aqui dissertar sobre se toda a arte o é, esta será uma forma de poder que se relaciona com outras a elas exteriores.
Torna-se interessante observar como a própria arte joga por vezes com os conceitos de dinheiro e poder, mesmo quando não se assume como politicamente empenhada – e são exemplos disto tanto os retratos que Warhol fez de Mao ou Kennedy como as tiras do Tio Patinhas. Mas encontramos obras politicamente empenhada que se assumem como elementos de poder ou contra-poder exemplos disso serão os romances de George Orwell ou os murais de Diego Rivera. A arte mural, em particular, tem uma grande tradição de intervenção política – e não será que por acaso que neste campo se distingue entre as artes plásticas. Esta forma de arte, devido às características que a definem, tem evidentes potencialidades de intervenção política e também não será por acaso que Kim Jong Il expõe a sua propaganda em murais ou que Rivera pintasse as suas obras de carácter político em murais e as outras em tela.
Antes de mais a pintura mural tem evidentes possibilidades de comunicação aberta com a comunidade e de intervenção a nível arquitectónico. E a relação entre pintura mural e arquitectura é do maior interesse, porque se a primeira é uma assumida forma de intervenção política na comunidade a segunda será a mais subtil forma de coerção política das comunidades, tendo resultados poderosíssimos na vida colectiva, tanto mais por o seu poder não ser evidente. Além disso a pintura mural tem um poder de intervenção que ultrapassa o próprio conteúdo plástico, formal ou escrito que manifesta, isto porque, como já foi dito, intervém directamente no espaço físico comunitário, trazendo potenciais conteúdos políticos para a vivência quotidiana e assumindo-se a pintura como acção política em si, o que lhe transmite um carácter performativo. Pode-se dizer que a pintura de um mural é uma performance artística de intervenção na comunidade que, ao contrário de outros actos performativos, não tem sentido na efemeridade, porque exige a permanência dos conteúdos manifestados. Existem casos em que a consciência desta faceta da pintura é assumida, particularmente quando se pinta em espaços sujeitos a censura, aí pintar é em si um acto político, seja qual for o conteúdo pintado – isso passa-se no caso analisado adiante. Para terminar, e antes de introduzir a análise de um caso particular, é de interesse relacionar o que temos vindo a tratar como pintura mural com o grafiti. Analisando sem preconceitos redutores ambas as formas de expressão verificamos que em muito se confundem, porque não podem ser distinguidas por conteúdos, nem por meios técnicos de produção, nem por aspectos formais ou plásticos, as diferenças prendem-se unicamente com as relações institucionais que estabelecem: o mural é integrado num contexto institucional (Diego Rivera pintava para o partido comunista mexicano, por exemplo) e o grafiti é livre de qualquer vínculo institucional, pelo menos no que toca a instituições convencionais. Isto torna o grafiti muito mais interessante na sua relação com o poder, pois estabelece com este uma relação de tensão permanente que o caracteriza. Assim sendo o grafiti é, possivelmente, a arte plástica de maior interesse político, por permitir ao indivíduo intervenção no texto urbano que o envolve contornando ou sobrepondo-se aos poderes autoritários que impõem a arquitectura, a publicidade ou a propaganda. O acesso a uma boa caneta ou a uma lata de tinta são as únicas coisas que impedem o indivíduo de transformar a cidade num espaço cuja a única comparação será a Internet, ambos espaços de expressão livre, que embora dominados, regulados ou censurados por entidades autoritárias, permitem ao indivíduo a expressão livre e imediata – o grafiti faz das paredes blogues de betão e nesse sentido é radicalmente democrático ou até anarquista.
*

Grande parte da Universidade de Coimbra é construída numa arquitectura fascista, recentemente decorada de rectângulos brancos, que parecendo talvez uma decoração geométrica abstraccionista, não são mais que o nevoeiro da censura, tão bem adequado às paredes que embeleza.
Todos os dias milhares de jovens estudam sob uma das mais físicas manifestações da ideologia salazarista – a arquitectura da Universidade. No entanto um grupo desses estudantes decidiu organizar, como comemorações do 25 de Abril, três dias de actividades culturais assumidamente políticas e reivindicativas, que incluíam debates, concertos, teatro ou distribuição de refeições gratuitas. Estes eventos, organizados pelo Conselho das Repúblicas e intitulados como “Rés Públicas Por Outro Abril”, visavam não só comemorar a revolução como protestar contra medidas políticas que afectam a comunidade estudantil e coimbrã, como os possíveis cortes nos subsídios sociais, a lei do arrendamento, o tratado de Bolonha ou a referida censura branca que se propaga da reitoria a toda a alta. Uma das últimas actividades programadas terá sido a realização de um debate aberto sobre pintura mural e liberdade de expressão que finalizaria com a pintura de uma parede do Departamento de Física. Essa pintura fora programada antecipadamente e visava inscrever nas paredes de uma instituição um protesto contra esta, mas também marcar as actividades denominadas “Rés Públicas Por Outro Abril” que finalizavam nesse dia e ainda desafiar a reitoria que havia recentemente massificado o seu processo de homogeneização branca das paredes universitárias. Na pintura desse mural participariam todos os estudantes presentes que o quisessem –isto na parte do mural constituída pela frase “Rés Públicas Por Outro Abril” que era executada em stancil – e outros três artistas, dois deles estudantes envolvidos no movimento de arte urbana, e um último o conceituado pintor Mário Silva.
Após o debate deu-se, como previsto, a pintura, de forma progressivamente atribulada. Primeiramente os estudantes deparam-se com um pintor contratado pela reitoria, que se preparava para pintar de novo aquela parede de branco, que após uns minutos de conversa e um telefonema se afastou. De seguida sucederam-se conflitos internos de análise interessante: houve um estudante que, algo descontextualizado, começou a pintar, com materiais próprios, uma pintura não programada, juntamente com o mural que se preparava. Então houve uma discussão e esse estudante foi impedido de pintar ali, tendo sido posteriormente coberto de branco os traços iniciais que este chegou a fazer. Aqui assiste-se a como os próprios estudantes actuam como instituição – e recorde-se que esta era no fundo uma actividade de pendor institucional, pois programada pelo Concelho das Repúblicas – e usam uma autoridade coerciva para impedir um colega de pintar aquela parede, naquele momento. Independentemente dos juízos morais a tirar desta atitude, podemos aqui constatar que esta pintura não pode ser definida como vandalismo, pois obedece a um programa definido com objectivos artísticos e políticos democraticamente preparados, que se realizam de forma organizada e eficaz. O afastamento do colega acima referido coincide com a chegada da polícia.
Um carro patrulha estaciona então junto aos alunos - e convém dizer que a reitoria, posteriormente, afirmou aos meios de comunicação social não ter chamado as “autoridades” – e dois ou três agentes dirigem-se àqueles que pintam. Os agentes esperariam que os alunos dispersassem, como fazem normalmente todos aqueles apanhados em flagrante a pintar paredes, por temerem as forças policiais e por lhes reconhecerem autoridade. Mas quem pintava ignorou os agentes que agiram de forma atabalhoada, revelando a falta de preparação e de inteligência a que já nos habituaram, pedindo identificações que não conseguiram, enquanto eram calados pelos instrumentos musicais e cânticos dos estudantes.
Tendo sido negada a autoridade e o poder convencionais da polícia convencional foi por esta requerida outra autoridade e poder que podem ser combatidos mas não negados: a violência. Logo chegou uma carrinha do corpo de intervenção da PSP que à força de empurrões e spray pimenta afastou os estudantes do mural, enquanto apreendia o material dos artistas. Os alunos uniram-se em grupo e, guiados por aqueles que, tendo tido a experiência recente de cargas policiais na universidade, conseguiram evitar a dispersão e a carga policial, permanecendo em frente aos agentes gritando palavras de ordem como “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!” ou “Contra a repressão, liberdade de expressão!”. Os estudantes permaneceram sempre pacíficos, sem provocações de maior aos agentes da autoridade, e contactaram tanto com um advogado como com os meios de comunicação social de forma a evitar mais violência por parte da polícia, o que de resto pareceu iminente até à chegada das televisões.
Após uma espera pacífica ante da polícia, que permanecia em frente ao mural, parecendo querer protegê-lo dos seus autores ou até da censura da reitoria, os estudantes decidiram em plenário abandonar o local para prosseguir com as actividades programadas. O mural pintado permanece ainda nas paredes do edifício, destacando-se graças ao branco absurdo que a reitoria impôs às paredes universitárias.
*

Destes acontecimentos em particular e do objecto plástico resultante é inevitável uma conclusão: aqui não se assistiu ao processo habitual de pintura grafiti, aqui a tentação do uso da palavra vandalismo, também reveladora de um conservadorismo atroz noutras situações, revela, mais que nunca demagogia e ignorância. Aqui assistimos a um grupo de estudantes conscientes política e culturalmente de toda uma conjuntura que envolve o seu espaço de estudo, a Universidade de Coimbra, que decidem agir sobre ele, organizados democraticamente como instituição – e pela sua história o Conselho das Repúblicas é uma instituição destaque como vanguarda em Coimbra. E a distinção entre este mural e os outros grafitis reside no facto de este escapar à censura da reitoria. As próprias autoridades detentoras do poder no microcosmo estudantil coimbrão, como a reitoria ou a PSP (e é bizarro verificar a necessidade que a primeira parece ter da segunda) fazem assim desta pintura um caso de excepção. Verificando-se uma ausência total de diálogo entre os intervenientes, resta especular sobre um possível critério existente na censura do reitor que poupou esta obra. E antes de mais convém destacar que parte do mural em questão foi pintada e assinada por Mário Silva, artista reconhecido pela Sociedade Portuguesa de Autores o que impede que a sua obra seja apagada e que revela como os intervenientes nesta pintura se apoiam assim num poder institucional que se sobrepõe à censura que os oprime. Demonstra-se assim que esta pintura resulta de um acto colectivo de tensão entre vários poderes institucionalizados, e não um acto individual virado de costas para o poder convencional, que seria igualmente legítimo.
Quanto a um possível critério revelado pela a ausência de tinta branca sobre os referidos murais adivinhamos desde já o medo de um processo apoiado pela Sociedade Portuguesa de Autores contra a reitoria da Universidade de Coimbra. Devemos também levantar a hipótese de uma concessão pontual da reitoria aos estudantes, por esta ter noção de que uma censura de uma pintura de destaque, inclusive televisivo, poderia fomentar a luta dos estudantes contra a própria reitoria. Mais remotamente podemos acreditar que a reitoria reconhece ao Concelho das Repúblicas como instituição e aos intervenientes como artistas, um crédito que não reconhece ao habitual grafiter que pinta as paredes da Universidade para logo ver a sua obra coberta de branco convidativo. Seja qualquer destes o critério que salva o mural aqui tratado da lambidela alva do reitor Seabra Santos, verifica-se que esta pintura revela que, num momento de alguma tensão entre estudantes e reitoria, se dá um reequilibrar dos poderes para o lado daqueles que são a maioria e a razão de ser da Universidade: os estudantes.

Coimbra exala estupidez


por Afonso Prá-ky

Coimbra exala estupidez. Uma estupidez negra e deformante chamada praxe, deveras perigosa. E uma estupidez autocne, fútil, que se importa mais com a brancura das batas exibidas pelos alunos de medicina e farmácia do que pelas manchas de sangue nas batas dos médicos, dos médicos que, chegados a casa, cultivam essa estupidez bafienta de mofo. E uma estupidez intelectual, que procura o monopólio pedante do conhecimento, acabando por separar o mesmo da inteligência, formando elites quadradas de professores que se esquecem que o são. Essas estupidezes várias são só uma, são a estupidez necessária numa cidade universitária, onde haveria condições para se propagar uma inteligência perigosa, alegre de vida. Mas a inteligência resiste, não apenas a inteligência pragmática e quotidiana de quem procura sobreviver à vida, gastando-a nessa luta, mas também a incisiva e estratosférica inteligência dos estudantes – que fundindo-se casualmente com a primeira se completa numa criatividade prometedora.
Numa cidade em que a estupidez, leia-se praxe, é arma duma batalha declarada contra a inteligência toda a inteligência é resistência – e toda a resistência inteligência. E descubro esta inteligência não apenas nela própria, mas principalmente na descoberta dos espaços onde ela vive – espaços que em Coimbra morrem menos que em outros sítios, nascendo até, por vezes. Há uma inteligência subjacente em Coimbra, a que apenas uma estupidez cobarde como a praxe pode responder, e responde efectivamente. A praxe, como o militarismo ou as claques de futebol e até determinados géneros de militância política, não passa de uma reacção à inteligência. Um mecanismo inconsciente do social, defesa do status quo – leia-se a estupidez totalitária de quem manda mandado. Daí fenómenos como os acima referidos atacarem faixas etárias potencialmente perigosas por natureza. Daí fenómenos como a praxe terem abandonado Coimbra para se disseminarem pelo país, acompanhando a abertura de Universidades por todo o território, permitindo entorpecer potenciais focos de inteligência, quem sabe focos até descontentes, até resistentes, quem sabe.
Assim a praxe não passa de um mecanismo que resolve um dilema criado pelas universidades. Sendo este o dilema: a sociedade precisa de uma elite inteligente, precisa assim das universidades, mas é necessário também um controle sobre essa elite, sobre essa inteligência perigosa, que confunde as competências necessárias com o conhecimento desnecessário (leiamos o tratado de Bolonha), então aí surge a praxe – uma repressão tanto mais eficaz pois é reproduzida por aqueles que ataca. Daí a praxe se ligar historicamente à Polícia académica, aos bufos da PIDE, à direita e ao fascismo. Daí Coimbra, berço nacional do conflito entre inteligência e estupidez, ser uma cidade onde tudo pode acontecer, mas onde, em geral, nada acontece, como diz um amigo meu – ele próprio exemplo de uma inteligência abundante feita humilde sensatez.

"Somos quatro gatos"

Eles não estão assim tão protegidos!!

Em pleno congresso de deputados do Estado espanhol, eis que tudo é possivel!!

Só vendo!

A desobediência em acção!

O silêncio ensurdecedor dos jornalistas portugueses




por: José Mário Branco

Entre a falta de coragem e o acomodamento, em tempo de "informação espectáculo", os jornalistas portugueses – aqueles que poderiam ainda merecer esse nome – dão-nos o espectáculo patético da sua agonia.
Há quem sustente que já não há jornalismo, como o teórico situacionista francês Guy Debord. Já em 1988, no seu livro "Comentários à Sociedade do Espectáculo", ele escalpelizara o processo de transformação da função informativa e formativa dos médias. Esse processo teria acabado por edificar um sistema, altamente profissionalizado, tecnológico e capitalizado, que embebeu totalmente o nosso quotidiano naquilo que designa por "espectáculo mediático integrado" – uma forma de fabricar, para desvitalizar as nossas mentes, uma ficção que tem por função ser a nossa realidade, permanente, hegemónica e global. E já nessa altura Debord realçava que o mais importante e grave não se situava na evolução tecnológica dos médias, mas sim no facto de que esse sistema proto-totalitário do "espectacular integrado" já produzira toda uma geração submetida às suas leis. Esta visão, que chegou ao meu conhecimento através dum excelente trabalho do jornalista Rui Pereira (que se espera ver um dia publicado), parte, portanto, do princípio de que já não há jornalismo nem jornalistas, tal como os entendíamos e muita gente ainda entende. Mais: como escreve Rui Pereira, "as potencialidades [da televisão] no domínio da domesticação social superaram sempre e em muito os seus putativos usos de difusora de conhecimentos problematizadores ou de instigadora de possíveis gestos de dissidência cultural e de transgressão intelectual".

Um certo jornalismo humanista

Parece-me, todavia, legítimo perguntarmos o que é feito dos jornalistas e do jornalismo que outrora representaram algo de emancipador nas nossas vidas. No tempo do exílio, antes de 1974, ciclicamente discutíamos a questão da "objectividade" e da "isenção" do "bom" jornalismo, em geral em torno dos exemplos que nos estavam mais próximos: o Le Monde, a BBC e o New York Times. Os que tínhamos convicções comunistas ou marxistas, sustentávamos – creio que com razão – que não existe objectividade nem isenção que escape ao filtro dos interesses de classe. Mas aceitávamos o papel positivo de um certo jornalismo "de qualidade", o qual, duma forma geral, em nome de princípios como a democracia e os direitos humanos, se esforçava por dar à opinião pública um retrato honesto e quanto possível verdadeiro da realidade dos factos. Uma deontologia específica, cujo símbolo vivo, em França, era Hubert Beuve-Méry, fundador do Le Monde, então uma "sociedade de jornalistas" autónoma do grande capital, aliás pouco dependente, nessa época, da própria publicidade. Sem esquecermos que há nisto alguma relatividade, não devemos subestimar, sob pena de ingratidão e de inverdade, o papel desse jornalismo em grandes causas da esquerda do séc.XX, como o antifascismo, o anticolonialismo, os direitos cívicos dos negros estadunidenses, a luta contra a guerra do Vietname, etc.. O "bom" jornalismo, dizia-se, era um "quarto poder", autónomo, que exercia um papel crítico e de controlo dos outros poderes: o político, o económico e o judicial-repressivo.
O mundo mediático mudou, o seu papel na sociedade também
Ao longo do tempo transcorrido, e mais intensa ou rapidamente nuns países do que noutros, vários factores foram transformando profundamente o mundo mediático e a sua específica função no quotidiano das pessoas. À medida que, pelo mundo fora, se foram operando as grandes concentrações do capital, a grande burguesia mundial percebeu o seu interesse em dominar o mundo mediático; a concorrência e o peso da publicidade na gestão dos médias tornaram inevitável que eles fossem, progressivamente, parar às mãos dos conglomerados capitalistas transnacionais. Por outro lado, os governos, dependentes do poder económico mas também dependentes da manutenção de uma imagem pública favorável, passaram a encarar as televisões e rádios públicas e a imprensa estatal ou para-estatal como instrumentos essenciais de governação. Por fim, numa fase posterior, já como consequência da avalanche neoliberal pós-choque petrolífero de 73, os próprios médias públicos foram sendo progressivamente privatizados, sendo hoje residuais e dependentes dos privados – se repararmos, esta foi uma das primeiras aplicações do conceito de "serviço público" a morrer, não passando este, hoje, de conversa fiada ocasional de quadros políticos ou mediáticos. Facto é que, com a privatização e a concentração, e a desenfreada concorrência entre eles, os médias deixaram de ter, mesmo que esporádica ou temporariamente, quaisquer condições de autonomia informativa. Dum ponto de vista marxista, o papel dos médias na imposição da ideologia dominante e nas tácticas políticas da burguesia tornou-se mais explícito e mais intenso.

Jornalistas embedded (ou "na cama com")

O mundo pós-queda do muro de Berlim, este mundo mais declaradamente obsceno, genocida e mafioso, o mundo da ditadura do conglomerado finança-bomba-droga, o mundo da liberdade das raposas nos galinheiros, conseguiu impor o seu discurso único com a indispensável ajuda dos jornalistas, devidamente enquadrados no mundo empresarial mediático. O que nos deve preocupar não são os que gostam disso, os que lucram com isso, os que têm o preço na montra – esses são, nos dias de hoje, o que eram Moreira das Neves, Pedro Moutinho, José Augusto ou Manuel Múrias antes de 1974. São claramente megafones da ditadura, que nem pestanejam perante os terríveis crimes dos impérios, para quem mais ou menos 100.000 mortos, mais ou menos um milhão de desempregados, mais ou menos umas megatoneladas de urânio e uns milhões de cancros não aquecem nem arrefecem. São corruptos e capazes de tudo: de mentir, de caucionar os piores crimes, de censurar as informações, de caluniar e de provocar, sob a capa rota da "independência", da "isenção", e de palavras vagas ou secretas como "a nossa fonte", "o alegado criminoso", "segundo os comentadores", etc. – nas mãos deles, puras muletas para fins de impunidade judicial. Mas, talvez mais grave que o papel desses "jornalistas", é o dos que se vendem muito mais discretamente, os que não estão na montra, mas cujo silêncio é precioso para que o sistema funcione bem . Digo que "se vendem" porque, nas profissões, como esta, que deveriam implicar um particular compromisso ético ou deontológico com a sociedade – como é, por exemplo, o caso dos médicos, dos artistas e escritores, dos professores e de certos cientistas –, a cumplicidade por inacção ou por omissão é quase tão grave como a dos cúmplices directos. Esta questão colocou-se-nos claramente, aos músicos resistentes ao fascismo, logo a seguir à breve "primavera marcelista" de 70-71, quando o governo passou a impor a censura prévia aos discos de canções (que até então só eram censurados após a edição, tal como os livros e outras publicações não periódicas). Que fazer?, discutíamos. O meu segundo álbum de canções, de parceria com o escritor Álvaro Guerra, Crónica, de 1972, nunca foi publicado porque eu não admiti os cortes que a censura lhe fez. E, como sabíamos "como se faz um disco", decidimos passar a fazer (também) discos clandestinos ou marginais. Foi o caso da Ronda do Soldadinho, de que conseguimos meter 2 ou 3 mil exemplares em Portugal, que se venderam a 20 escudos por baixo das mesas de café. Assim se tentou, mal que bem, assegurar a função social das canções em disco.

Por um jornalismo de resistência

Quando se acredita em algo, quando se é honesto e se têm valores, há sempre três níveis de resistência em condições adversas: a legalidade, a alegalidade (a que podemos chamar marginalidade), e, se necessário, a ilegalidade (ou clandestinidade). Ora – através da internet e não só – se fizermos algum esforço para, fora da comunicação social dominante, que é omissa e mentirosa, ir obtendo alguma informação credível sobre o que se passa no mundo, temos a possibilidade de aceder ao inestimável contributo de alguns jornalistas – todos estrangeiros – que ainda são jornalistas porque pagam o preço do despedimento, da marginalidade, da perseguição e por vezes da vida. Jornalistas íntegros e corajosos que preferem passar fome e arriscar a vida (embora também tenham estômago e filhos lá em casa) a serem roldanas, mesmo que silenciosas, da tenebrosa máquina de propaganda do Império. John Pilger, Danny Schechter, Kurt Nimmo, Robert Fisk, Dahr Jamail, Thierry Meyssan, Michel Colon, o colectivo Indymedia e tantos outros, para não se venderem, para não serem terroristas mediáticos, têm criado jornais, revistas, sites alternativos, redes subterrâneas de informação. Lutam para continuarem a ser jornalistas. E pagam o preço que têm de pagar. Dão provas de que prefeririram andar a lavar escadas ou a apanhar o lixo, a terem de exercer a sua profissão à custa do silèncio, da subserviência ou da comodidade. O papel dos média é, hoje, tão importante como arma da ditadura capitalista, que a profissão de jornalista não se compadece com meios-termos. Diana Andringa queixa-se de que, agora, há "jornalistas a dias", que os seus empregos são precários. Discordo: ou se é jornalista, ou se é outra coisa qualquer (mesmo que se passe por jornalista). É confrangedor verificar que, no programa Clube de Jornalistas (RTP2), Ribeiro Cardoso, Estrela Serrano ou o próprio Professor Fernando Correia são incapazes, como os seus colegas, de expor, profunda e radicalmente, a responsabilidade dos jornalistas no mundo mediático de hoje. Não assumem que, de facto, já não é possível fazer verdadeiro jornalismo nos grandes médias. Porque o que nos ensinaram é que ser jornalista é ter por profissão apurar a verdade dos factos e comunicá-la aos seus concidadãos, pelos meios necessários para o efeito. Paul Nizan (1905-1940), jornalista comunista, disse que os jornalistas devem ser os "historiadores do imediato", com o mesmo espírito de rigor na busca e na revelação da verdade dos factos que os grandes historiadores. Aqui, portanto, não se pode distinguir entre o jornalista e o cidadão. Há, ou deveria haver, na própria designação de "jornalista", uma espécie de contrato moral entre o profissional da comunicação, que é um cidadão, e os cidadãos que são os seus leitores. Temos todo o direito de os interpelar e de lhes perguntar o que andam a fazer com esse contrato.
Onde estão os jornalistas portugueses? O que andam a fazer?
Ora, no tempo da resistência antifascista e anticolonial, habituámo-nos a admirar um punhado de jornalistas (dos jornais e da rádio) que estavam sempre na brecha dos acontecimentos, tentando furar a censura, inventando maneiras, truques, linguagens e outros expedientes para nos transmitir a mensagem: foi o tempo de Adelino Gomes, Mário Mesquita, Joaquim Furtado, Luis Filipe Costa, José Nuno Martins, Rui Pedro, João Paulo Guerra e tantos outros. Mas, exceptuando raríssimos episódios, como a brilhante desmontagem-desmentido do "arrastão de Carcavelos" feita, via internet, por Diana Andringa e alguns colegas seus, o silêncio actual desses jornalistas portugueses é ensurdecedor. E não basta dizer que "estão na prateleira". Nem basta pretenderem que estão a lutar "lá dentro" – a lutar por quê, perguntar-se-á, se não passa nada cá para fora? E também não basta que me digam que os jornalistas não são heróis, que têm de viver e que não podem fazer grande coisa porque o movimento social que os pudesse transportar não existe. Quando não há movimento social, resta-nos (se tivermos princípios) a resistência, se necessário a rebelião. Mas entre os jornalistas há corporativismo a mais, e autoquestionamento a menos. Há falta de compromisso com o público e com a verdade. Falta de coragem e de ousadia. Não vemos surgir iniciativas jornalísticas marginais e críticas. Não se ouvem os gritos – de um jornalista que seja! – a denunciar o mundo orwelliano em que trabalha. Querem convencer-se de que os empregos dos jornalistas são empregos como os outros. Mas não são. Eles sabem escrever e comunicar, conhecem as técnicas e os canais da profissão – nós, não. Pior: eles sabem que, lá fora, há jornalistas a resistir. E isso é, para os jornalistas, uma responsabilidade terrível: não podem dizer que não sabiam, não podem dizer que não sabem como fazer, nem podem dizer que não podem fazer nada. Se são consciências acordadas, são consciências sem descanso. Se estão a dormir, nós estamos fartos de esperar que acordem.

Artigo do último número, 105, da revista "Política Operária"

Salva-Vidas de chumbo


Contributo de Raquel Varela e Valério Arcary

Eduardo Galeano, montevideo.
Pelo que diz a voz de comando, nossos países devem acreditar na liberdade do comércio (embora ela não exista), honrar os compromissos (embora eles sejam desonrosos), atrair investimentos (embora eles sejam indignos) e ingressar no cenário internacional (embora pela porta dos fundos).
Ingressar no cenário internacional: o cenário internacional é o mercado. O mercado mundial, onde compram-se países. Nada de novo. A América Latina nasceu para obedecê-lo, quando o mercado mundial nem era chamado assim, e de um jeito ou de outro continuamos atados ao dever de obediência.
Esta triste rotina dos séculos começou com o ouro e a prata, e continuou com o açúcar, o tabaco, o guano, o salitre, o cobre, o estanho, a borracha, o cacau, a banana, o café, o petróleo... O que esses esplendores nos deixaram? Nos deixaram sem herança nem bonança. Jardins transformados em desertos, campos abandonados, montanhas esburacadas, águas apodrecidas, longas caravanas de infelizes condenados à morte antecipada, palácios vazios onde perambulam fantasmas...
Agora, chegou a vez da soja transgênica e da celulose. E outra vez repete-se a história das glórias fugazes, que ao som de seus clarins nos anunciam longas tristezas.
***
Será que o passado ficou mudo?
Nós nos negamos a escutar as vozes que nos alertam: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o seqüestro dos bens naturais que Deus, ou o Diabo, nos deu, e assim trabalhamos pela nossa própria perdição e contribuímos para o extermínio da pouca natureza que nos resta neste mundo.
Argentina, Brasil e outros países latino-americanos estão vivendo a febre da soja transgênica. Preços tentadores, rendimentos multiplicados. A Argentina é, e já faz tempo, o segundo maior produtor mundial de transgênicos, depois dos Estados Unidos. No Brasil, o governo de Lula executou uma dessas piruetas que pouco favor fazem à democracia, e disse sim à soja transgênica, embora seu partido tenha dito não durante toda a campanha eleitoral.
Isso é pão hoje e fome amanhã, como denunciam alguns sindicatos rurais e organizações ecologistas. Mas já sabemos que os peões ignorantes se negam a entender as vantagens do pasto de plástico e da vaca a motor, e que os ecologistas são uns estraga-prazeres que não dizem coisa-com-coisa.
***
Os advogados dos transgênicos afirmam que não está provado que prejudiquem a saúde humana. Em todo caso, também não está provado que não a prejudiquem. E já que são assim tão inofensivos, por que os fabricantes de soja transgênica se negam a esclarecer, nas embalagens, que vendem o que vendem? A etiqueta de soja transgênica não seria sua melhor publicidade?
Acontece que existem evidências de que estas invenções do Doutor Frankenstein fazem mal à saúde do solo e reduzem a soberania nacional. Exportamos soja ou exportamos solo? Estamos ou não estamos presos nas gaiolas da Monsanto e de outras grandes empresas de cujas sementes, herbicidas e pesticidas passamos a depender?
Terras que produziam de tudo para o mercado local agora se consagram a um único produto para a demanda estrangeira. Nós nos desenvolvemos para fora e nos esquecemos de dentro. O mono-cultivo é uma prisão, sempre foi, e agora, com os transgênicos, é muito mais. A diversidade, por sua vez, liberta. A independência se reduz ao hino e à bandeira, se a soberania alimentar não é assentada. A autodeterminação começa pela boca. Só a diversidade produtiva pode nos defender das súbitas despencadas de preços que são costume, mortífero costume, do mercado mundial.
As imensas extensões destinadas à soja transgênica estão arrasando os bosques nativos e expulsando os camponeses pobres. Poucos braços ocupam essas explorações altamente mecanizadas, que ao mesmo tempo exterminam as plantações pequenas e as hortas familiares com os venenos que fumigam. Multiplica-se o êxodo rural às grandes cidades, onde se supõe que os expulsos vão consumir, se tiverem sorte, o que antes produziam. É a agrária reforma: a reforma agrária pelo avesso.
***
A celulose também está na moda, em vários países.
Agora, o Uruguai está querendo se transformar num centro mundial de produção de celulose para abastecer de matéria prima barata as longínquas fábricas de papel.
Trata-se de monocultivos para a exportação, na mais pura tradição colonial: imensas plantações artificiais que dizem ser bosques e se convertem em celulose num processo industrial que arroja detritos químicos nos rios e torna o ar irrespirável.
No Uruguai, começaram por duas fábricas enormes, uma das quais já está a meio construir. Depois surgiu outro projeto, e já se fala de outro, e outro mais, enquanto mais e mais hectares estão sendo destinados à fabricação de eucaliptos em série. As grandes empresas internacionais nos descobriram no mapa do mundo, e caíram de súbito amor por este Uruguai onde não há tecnologia capaz de controlá-las, o estado outorga subsídios e evita impostos, os salários são raquíticos e as árvores brotam num piscar de olhos.
Tudo indica que nosso país, pequenino, não irá agüentar o asfixiante abraço desses grandalhões. Como costuma acontecer, as bênçãos da natureza se transformam em maldições da história. Nossos eucaliptos crescem dez vezes mais depressa que os da Finlândia, e isso se traduz assim: as plantações industriais serão dez vezes mais devastadoras. No ritmo de produção previsto, boa parte do território nacional está sendo espremida até a última gota de água. Os gigantes sedentos vão secar nosso solo e nosso subsolo.
Trágico paradoxo: este país foi o único lugar do mundo em que a propriedade da água foi submetida a plebiscito popular. Por esmagadora maioria, os uruguaios decidiram, em 2004, que a água seria propriedade pública. Não haverá maneira de evitar o seqüestro dessa vontade popular?
***
A celulose, é preciso reconhecer, transformou-se em algo assim como uma causa patriótica, e a defesa da natureza não desperta entusiasmo. Pior: em nosso país, algumas palavras que não eram palavrões, como ecologista e ambientalista, estão se transformando em insultos que crucificam os inimigos do progresso e os sabotadores do trabalho.
Celebra-se a desgraça como se fosse boa notícia. Mais vale morrer de contaminação do que morrer de fome: muitos desempregados acreditam que não existe outro remédio além de escolher entre duas calamidades, e os mercadores de ilusões desembarcam oferecendo milhares e milhares de empregos. Acontece que uma coisa é a publicidade, e outra é a realidade. O MST, movimento dos camponeses sem terra, divulgou dados eloqüentes, e que não valem apenas para o Brasil: a celulose gera um emprego a cada 185 hectares, e a agricultura familiar cria cinco empregos a cada dez hectares.
As empresas prometem o melhor. Trabalho a rodo, investimentos milionários, controles rígidos, ar puro, água limpa, terra intacta. E eu me pergunto: já que é assim, por que não instalam essas maravilhas em Punta del Este, para melhorar a qualidade de vida e estimular o turismo em nosso balneário principal?

PRAXE: O "caloiro" e o Monstro!

Eles são parecidos
Eles não crescem



Eles deixam tudo
Elas também
Se não deixam ficam de castigo

Embora tudo possa parecer coisa de burros
Todos estão prontos para levar a sua dosse de porrada

A Praxe está caduca.A Praxe está caduca e diga-se, não é de agora.
Há três grandes argumentos que quem defende a Praxe recorrentemente refere. São eles: a tradição, a integração e a igualdade. Vamos lá então percorrer e aprofundar a distância entre a letra e a pratica destes três conceitos.
Sobre o paradigma tradicionalista, que radica na História todo o seu argumentário, diga-se apenas duas coisas. A primeira é que a praxe é tradicionalista no pior dos sentidos, ou seja, a cada tempo dos vários tempos que teve na História dos últimos 150 anos, a praxe esteve sempre contra as mudanças estruturais dos sistemas políticos e sociais. Com a Monarquia contra a República, contra a Revolução e pelo Estado Novo. Nas duas principais Revoluções do último século da nossa História a praxe foi suspensa, não só como forma de luta, mas acima de tudo por ela ser absolutamente contraditória com o ideal da Liberdade.
Outro lado pernicioso quanto ao carácter das tradições académicas é o facto de elas perpetuarem e ampliarem sempre as características mais conservadoras da sociedade. Se a sociedade é machista, homofóbica, classista, punitiva, e hierárquica, sob a batuta da estranha selecção darwinista, a praxe ainda o é de forma mais brutal. As mulheres não podem ser dux(as) nem cantar o fado, o conselho é de veteran(os), os gays são figuras de gozo e de chacota (como de resto todos os que primam pela diferença), o caloiro é bicho e animal, figura infra-humana para o gáudio dos “doutores” com mais umas quantas matriculas e o código da praxe viola, sem sufrágio nem revoluções, direitos, liberdades e garantias consagradas na lei geral.
Por fim, no que diz respeito à História, lembremos o que fez voltar a “Policia Académica” nos anos 80. Diziam os profetas da restauração: ”A democracia está conquistada, tudo está garantido, está na hora de festejar. Esqueceram-se (ou não) que a democracia era ainda uma criança prematura, que o país se afogava, como ainda se afoga hoje, no mais castrante liberal-fascismo, e que quanto a lutas por travar, só alienado ou comprometido é que não se encontram horizontes.
Quanto ao paradigma da integração deixem-me que cite um livro curioso. Intitula-se “Coimbra Boémia”, livro este que como tantos outros livro de memorias da cidade velha, podemos constatar a violência dos relatos de antigamente, sem cosméticas nem falsas retórica. Diz o livro qualquer coisa deste género… o caloiro é para saciar os desejos dos doutores, é para entreter. Integrar, é uma palavra que vem na praxe sempre com um duplo sentido, e são os relatos que o confirmam. Ainda quanto ao livro, dos anos 40, percebe-se bem o terror das repúblicas praxistas, as perseguições, as milícias, a arrogância ante os trabalhadores (vulgos futricas) bem como a simpatia do fascismo pelas trupes e vice-versa. O argumento da integração, usado muitas vezes pelos românticos da praxe, não é mais do que isso mesmo, uma visão romântica na plena etimologia da palavra. Mandar, rapar, bater, humilhar, perseguir a diferença, nada tem de romântico e muito menos integra, especialmente quem mais necessita. Permite isso sim, que a violência fique disponível nas mãos de tantos que para ai andam tão pouco sensatos, e que usam da praxe como uma auto-estrada ruma à cura das mais recônditas frustrações. Bateram-me…, pois baterei; raparam-me…, pois raparei, e assim sucessivamente, olho por olho dente por dente, até à derrota final, no ano da cartola e do juízo.
Por último o paradigma da igualdade. “Com o traje todos somos iguais” advogam os pseudo igualitaristas. Pobres e ricos serão iguais aos olhos da Universidade. A última das mentiras. No dia em que o traje, seja ele qual for, tornar iguais as pessoas, o mundo vai ter só uma cor. Como se o poder económico não estivesse antes na carteira e nas suas potencialidades. Entre os estudantes, por mais que todos andassem trajados, distinguir-se-ia o carro, a casa, o trabalho que teriam que ter (ou não), os litros de álcool no sangue por semana (e o tipo de álcool que lá circula), os outros consumos e vícios que poderiam ter ou não, as férias em família, na Indochina, ou o trabalho precário na costa balnear. Quanto à principal diferenciação que o traje impõe, é entre a cidade e os estudantes. Entre quem estuda e lhes dá o pão, os cafés, as refeições, lhes limpa a casa, as ruas ou a própria escola, lhes constrói os estádios, as Universidade e os Hospitais, em quem no fundo lhes garante a vida, e eles sem reconhecimento e com vaidade exacerbada, não retribuem.
Uma Universidade sem praxe seria com certeza uma academia melhor. Mais livre, mais humana, mais igualitária, fraterna e integradora. Uma academia sem praxe traria por fim mais tempo para as lutas, que se não tiverem sucesso, porão os filhos de quem trabalha, no olho da rua da Universidade.


A praxe, mata.

Quando não mata, magoa.

Quando não magoa, oprime.

Se não te oprime, força!

Estás bom para ela...