Segunda-feira, Julho 18, 2005

Janela aberta



(O meu ego vai de férias.)

Lisboa

Os vermes, os gatos, os carros, os prédios, a espera, os pátios, os jogos, as lutas, os brutos, as pátrias, as sombras, os vultos, os estranhos, os mártires, os dias, as horas, as praças, os copos, os olhos, a íris, os beijos, a casa, a noite e os cacos, poemas e factos, os fados sem tema, o tempo quebrado, a dor e o dilema: no fundo do mar, no fundo do mar. Lisboa, Lisboa, Lisboa: Lisboa no fundo do mar. Um dia, quem sabe, se homens, se aves, alguém virá para te encontrar de ruas abertas, desertas, cobertas por sombras azuis e corais, num silêncio terno, eterno, imenso, de fachadas desiguais, de náufragos dias, saudades de pedra. Quem te vir assim, esquecida no mar, irá procurar-te a vida. E se então sonhar um tempo de amor, talvez pense em nós: querida.

Inventário Marítimo, do disco Exílio, Quinteto Tati

[prenda de aniversário do meu amigo Daniel]

Nuvem

Fuchsia

Sábado, Julho 16, 2005

Sombra

Há muito tempo que não faço um piquenique.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

Study from an Italian

Se Vincent Gallo não é a reincarnação de Iago, vou ali e já volto.

Sounds like loads of fun

Os Quase Famosos preparam uma festa para logo à noite, num local de nome duvidoso. A presença de Vital Moreira e Pacheco Pereira não está confirmada, mas o dj'ing promete. Ide, ide e cuidado com as operações stop.

A administrativa pragmática

- Bom dia. Queria inscrever-me num mestrado.
- Porque é que não faz logo um doutoramento?

Aposta simples

Hoje joguei pela primeira vez no €uromilhões. Não tenho nada a perder, a não ser os dois euros que tive de pagar.

Se ganhar, dou-te um milhão. Ainda fico com oitenta.

Get through it

O Ballet Gulbenkian acabou. O que surpreendeu foi sobretudo a forma desastrosa como o Conselho de Administração da FCG anunciou a decisão, aparentemente irreversível. Também estou triste, mas a vida continua: em Setembro e Outubro, Pina Bausch em dose dupla no São Luiz. Os bilhetes já se encontram à venda.

Madre Sara

Nunca lhes compro pensos rápidos nem lenços de papel. Mas se pedirem com jeitinho, ofereço gelados.

Obrigada, senhora!

A má da fila

(Quem está a seguir?)

Velhote: Só quero dois pãezinhos...
Sara: Eu estava à sua frente.
Velhote: Então vá lá, que eu tenho o dia todo.
Sara: Eu não.

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Camisola amarela

quem só leia jornais estrangeiros. Eu só leio o Público.

So what?

Voz da razão

- Sinto algum incómodo.
- Se tivesses de lavar escadas, não pensavas nessas coisas.

Desclassificado

Fuma.

Dialógico

- Dá-me a password para apagar o blog.
- Outra vez essa conversa?!

Comutter routes

Chamem-me lírica

Cine-mundo

O cinema projecta o mundo, isto é, não projecta apenas perante mim uma imagem do mundo, mas mais subtilmente e de maneira mais decisiva - ousemos a palavra, mais ontológica que psicológica ou sociológica - projecta-me no mundo da sua projecção.

Jean-Luc Nancy em Cinéfile et cinémonde, citado por Augusto M. Seabra, hoje no Público.

Terça-feira, Julho 12, 2005

Ligo, não ligo...


Cate Blanchett, em Coffee and Cigarettes

Ministério da Cultura

Parabéns ao Miguel Tomar Nogueira, mas não é pelo 2º aniversário de blog. É por ter sido um dos doze candidatos seleccionados* para fazer o curso de Cinema do Programa Gulbenkian de Criatividade e Criação Artística, em Lisboa, nas instalações do Centro de Arte Moderna. Conheço algumas pessoas que muito gostariam de estar no lugar dele e de ter em breve a possibilidade de experimentar, durante um período intensivo de formação, as técnicas para trabalhar com o meio audio-visual. O Miguel vai ser simultaneamente guionista de um filme, director de fotografia noutro, operador de câmara, assistente de câmara, iluminador... E, eventualmente, irá realizar o seu próprio filme. Terá de trabalhar em equipa, desafio não despiciendo. Em suma, tudo o que é indispensável para quem queira fazer filmes (ou Televisão), supervisionado por professores da London Film School. As fees desta escola também não devem ser nada despiciendas (palavra viciante), por isso é de aproveitar, até porque viver em Londres, outra experiência potencialmente extraordinária, não é para todas as bolsas.

(Bom trabalho, Miguel. Terei certamente oportunidade de ver o resultado final quando terminares. Até lá.)

*No site, a fotografia dos leõezinhos - que parece retirada do canal Odisseia, um canal do cabo que por acaso até gosto muito de ver - é que se dispensava. A não ser que os coordenadores do programa sejam ambos do Sporting...

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Contemporâneo

Domingo, Julho 10, 2005

Play(er)

Tens o dvd, falta-te o plasma.

With a view

Mais um andar e era perfeito.

Classificado

Alto, bonito, inteligente, culto, com sentido de humor e telemóvel de assinatura. Não fuma.

(sem título)



Cosme tem um Ford Escort amarelo e aos domingos leva as tias a passear.

Sábado, Julho 09, 2005

Areias movediças

(trim, trim)
- Em que praia é que estás?
- Não sei.
(piu, piu)

Sexta-feira, Julho 08, 2005

Mind the gap

O terrorismo ultrapassa-me.

Quinta-feira, Julho 07, 2005

Vários aniversários e um funeral

Parabéns ao João (bl-g- -x-st), ao Ivan (A Praia), ao João (hARDbLOG), aos Quase Famosos, aos Galarzas... E o Barnabé que descanse em paz.

Quarta-feira, Julho 06, 2005

Técnico auxiliar

Vim só picar o ponto.

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Horário (in) útil

Actualizações às segundas, quartas e sextas.

Não largo

Paranoid Android é, como toda a gente sabe, uma música dos Radiohead, outra banda "muito cá de casa". A versão de Brad Mehldau que esteve aqui a tocar nos últimos dias é de um disco gravado ao vivo, que eu não sei qual é, e não de Largo, que é de onde a conheço. Para compensar, agora deixo na jukebox Dusty McNugget - terceira faixa do disco produzido por Jon Brion que, entre outras bandas sonoras que tem feito para filmes de Paul Thomas Anderson e não só, compôs também os temas de Punch Drunk Love.

Adenda / Agenda: Não faz mal estar a leste, porque o Segismundo informa que o tal disco gravado ao vivo que desconheço é Live in Tokyo e que haverá concerto em Lisboa do Brad Mehldau Trio no dia 22 de Outubro, Centro Cultural de Belém. Lá nos encontraremos.

Foreignness

Sem legendas

Eis um bom resumo do último episódio de Six Feet Under no acknowledge (or whatever) yourself.

Sem mapa

- Estamos perdidos?
- Não. As saídas é que estão mal indicadas.

Sexta-feira, Julho 01, 2005

Sem reserva

Se perguntarem por mim, fui até ao Hotel Sossego procurar a Macha.

Quarta-feira, Junho 29, 2005

Discos pedidos

- E para a menina, o que é que vai ser?
- Uma música electro-melancólica, se faz favor.

Kraftlab

E... insiste. Tendo em conta a dificuldade que existe em encontrar o que se quer, alojado algures na internet e passível de ser ouvido no blog, considero este mp3, Neon Lights (tema também incluído em The Man Machine), um achado. Outra das minhas músicas preferidas do disco, Spacelab, infelizmente não está disponível, senão seria a próxima a ir para a «grafonola». Para já, depois de The Model, ficam a tocar mais 8'14 de Kraftwerk, a 128 K bits/segundos - quem quiser ouve; quem não quiser, a mais não é obrigado.

Arigato gozaimasu

Vertiginosas vistas urbanas d'A Praia.

Arquitontos

Quando a janela se fechava, todo o bairro estremecia.

Materialismo

«O materialismo é mau. Primeiro porque reconduz a corpos. E, por mais mau que se seja, postas as pessoas em corpo acontece um entorpecimento das disposições. Tende-se à mansidão, à simpatia. (...) É a puta da vida.»

[Segismundo, do Albergue dos Danados]

... e nem sabes a sorte que tens em seres rapaz, Segis. Enfim, há coisas piores.

Segunda-feira, Junho 27, 2005

Toque personalizado

Só atendia números desconhecidos.

Metamorfoses

Qualquer dia proponho que seja criado o «Clube dos Blogues Que Mudam de Nome». O presidente podia ser o João, que tem um blogue que muda frequentemente de nome, e eu podia ser a vice-presidente. Os requisitos para serem admitidos outros membros seriam:

1) Ter um blog.
2) Ter um blog que já tenha mudado pelo menos uma vez de nome.
3) Pagar uma mensalidade choruda* ao presidente e à vice-presidente, por transferência bancária.

*É justo, pá. Esta coisa de dirigir clubes dá trabalho...

letra minúscula

O José Mário Silva fez aquilo que já devia ter feito há muito tempo: um blogue minimal. Lírico e/ou irónico, é mesmo assim que eu gosto.

Sexta-feira, Junho 24, 2005

ohhhhhhh

may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she....

(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)

e. e. cummings

Campanha pelo SIM

Educação Sentimental é como se chama o melhor «blog feminino» - seja lá o que isso for - que se pode ler por aí. Façam favor de ir votar.

Quarta-feira, Junho 22, 2005

Tenho bons discos na minha colecção



Ele não gostaria que lho dissessem, mas James Murphy é o protótipo do músico dos nossos tempos; alguém que reflecte na sua música todos os pequenos conflitos contemporâneos. (...)

O ano passado dizia-nos que a cultura hip-hop se tornara tão dominante nos EUA que não deixava espaço para que outros acontecimentos tivessem visibilidade. Será essa a explicação [de serem mais conhecidos na Europa]?
Adoro hip-hop, mas é verdade que está a acontecer-lhe aquilo que há uns anos aconteceu ao rock: tornou-se hegemónico, de forma repetitiva. Não é saudável, porque estão a cometer-se os mesmo erros de outros géneros que se tornaram imensamente populares. É triste porque vejo muita gente a prescindir da sua individualidade apenas para tentar ser popular.
Mas não creio que a explicação seja essa. Os EUA são um país enorme, o facto de sermos conhecidos em algumas cidades não quer dizer que o sejamos noutras. É difícil entrar no circuito das rádios e também não me parece que tenhamos uma imprensa tão boa aqui como na Europa. Aí não há tantos preconceitos na forma como se vive a "cultura DJ" e o universo do rock. Não têm que ser entidades separadas e na Europa aceita-se esse facto sem problemas. Aqui é mais difícil, são mundos separados. Somos um projecto ambíguo, que se move nesses dois universos, e isso provoca enorme confusão aqui.

Grande parte das suas influências são europeias. Nas letras há uma série de referências que, para serem partilhadas, têm que ser apreendidas por quem ouve. Terá também a ver com isso?
É provável. Nunca tinha pensado no assunto dessa forma. Os meus Beatles são os The Fall e isso já diz muito sobre mim. O meu Mick Jagger é Mark Smith, que qualquer dia se der pela minha existência vai mandar-me dar uma volta...[risos]. Não creio que nos EUA existam muitas pessoas assim. Aqui glorifica-se aqueles que continuam o legado do velho rock'n'roll. São aqueles que perpetuam a história, tal como ela nos é contada idilicamente na escola ou na TV, são os heróis. São esses que estão na mó de cima. Não faço parte dessa tradição. Sou um pouco niilista, tendo a colocar as coisas em causa, inclusive em relação a mim próprio. Mas já não coloco as coisas em causa da mesma forma quando tinha 19 anos - apenas por instinto de preservação ou para pertencer a um grupo. Agora que já passei por algumas coisas, estou mais interessado em encontrar a minha individualidade.

(...)

Afirmou uma vez que há uma diferença entre o gosto real das pessoas e aquilo que elas dizem ser os seus gostos. Todos temos preferências que preferimos não desvendar. Quais são as suas?
Não vou dizer...[risos]. Tenho maus discos na minha colecção, de certeza. Mas não posso dizer que tenha vergonha dos meus gostos. É engraçado, quando produzo outros grupos, tento sempre perceber quais poderão ser as nossas afinidades. Muitas vezes essas afinidades não se medem por aquilo que eles e eu gostamos, mas por aquilo que temos vergonha em confessar que gostamos. A amizade entre as pessoas, ao contrário do que se diz, não começa pela comparação das qualidades, mas pelas fraquezas. Quando encontramos alguém capaz de partilhar as mesmas fragilidades, sentimos que afinal não somos assim tão maus como julgávamos ser.

Há dois anos, quando toda a gente falava das produções DFA, chegaram a ser convidados para trabalhar com Britney Spears. O que partilharam nesse caso?
Nada. Foi por isso que não funcionou. Estivemos uma tarde com ela, mas não houve comunicação. Tratou-nos muito bem, mas foi como se estivéssemos a falar cada um para seu lado. Foi um erro que não voltaremos a repetir. Se algum dia trabalharmos com estrelas pop será à nossa maneira, o que implica sentarmo-nos e perceber o que estamos ali a fazer. E esse é um processo que leva tempo. De contrário, não vale a pena.

(...)

Fez parte de grupos punk que nunca tiveram projecção, depois tornou-se produtor e engenheiro de som. Agora faz digressões, é respeitado e à sua frente há uma possibilidade de carreira. Está a cumprir um sonho?
Sim, mas não fico doido quando penso nisso. Não posso dizer que não aprecio o que faço, mas não é fácil. Gosto de criar discos e dos concertos, mas tenho uma vida difícil. Tenho 35 anos, sou casado, dirijo uma companhia, produzo discos e há imensas coisas que me apetece fazer. Mas a minha vida é isto: andar a correr de um lado para o outro, sempre a correr. (...) É duro estar longe de casa e de projectos que quero concretizar, compor música, produzi-la, criá-la, actuar como DJ, ler, ir ao cinema... Prefiro isso a ser uma "figura pública", seja lá o que isso for. Não me sinto confortável. Arrepender-me-ia toda a vida se não estivesse a fazer isto, mas não consigo, de forma clara, dizer que estou a amar. É um conflito sem fim.

[Entrevista de Vítor Belanciano para o Y, 17 de Junho de 2005.]

Hoje é a 2ª e última chamada para o concerto de James Murphy e Lcd Soundsystem no Lux, às 23h30. Para dançar até cair.

daft punk is playing at their house

Terça-feira, Junho 21, 2005

Visão estratégica

Estimados bandidos,

(...) É certo que a notícia correu mundo, e é inegável que isso, juntamente com os êxitos de José Mourinho, contribui para prestigiar o nome de Portugal lá fora. Mas mobilizar 500 marmelos para assaltar uma praia é simplesmente estúpido. Com meio milhar de meliantes bem organizados, vocês podiam ter assaltado a Caixa Geral de Depósitos e trazido o cofre-forte ao colo. Duzentos e cinquenta de cada lado e levavam aquilo em peso para casa.
A assaltar uma praia, parece-me óbvio que deveriam ter escolhido praias de gente rica, como a dos Tomates, a do Ancão ou as de Vilamoura. Num dia bom, talvez conseguissem palmar o helicóptero do Manuel Damásio.
Já a praia de Carcavelos, meus amigos, o que é que tem para roubar? Por mais que me esforce, não consigo deixar de imaginar a vossa reunião após o arrastão como uma cena patética do tipo:
Bandido: Muito bem, vamos lá dividir o produto do roubo desta tarde. Este bronzeador solar de protecção 30 fica para mim.
Mãozinhas, ficas com este par de raquetes. Aqui o tupperware de pataniscas de bacalhau é para o Zé Naifas. E os outro 497 dividem este tacho de arroz de tomate embrulhado em papel de jornal.

Ridículo, não vos parece? (...) Se me permitem a observação, estou convencido de que vocês, bandidos nacionais, são como os empresários portugueses - e digo isto sem pretender ofender-vos de modo algum. Têm iniciativa, sim senhor, mas falta-vos visão estratégica e, sobretudo, formação. (...)

Pensem lá bem nisso e continuação de bom trabalho.

Um abraço para todos do Ricardo.

P.S. Não sei qual de vocês ficou, aqui há tempos, com o meu auto-rádio. Se ainda não foi vendido, uma dica: lá dentro ia um CD do Sérgio Godinho, o
Rivolitz. Tenham isso em atenção na altura de fazer o preço, porque é um belo álbum ao vivo.

Ricardo Araújo Pereira, «Boca do Inferno», VISÂO, 16 de Junho de 2005.

Six Feet Under subtitles


[Temporariamente, fica a tocar uma música que faz parte de uma outra banda sonora, do filme High Fidelity, já que não encontro o tema "Squares", dos The Beta Band, que faz parte da banda sonora desta série de televisão e que é o meu preferido.]

E assim foi: a Britney Spears, quer dizer, a Celeste lá "papou" o Keith... Tanto melhor para ele, que se viu livre da pop star mimada, que o despediu na manhã seguinte. O episódio de ontem foi muito bom, como todos os outros. Sobre isso, não vale a pena dizer mais nada. Deixo os comentários para os especialistas.

A única coisa que poderei acrescentar decorre da minha (curta, mas intensa) experiência de legendagem. Já fiz esse trabalho para cinema, e não para televisão, mas a única diferença substancial que me parece existir entre os dois suportes é que, salvo os blockbusters, as legendas que aparecem na "caixinha mágica" são lidas por um número muito mais elevado de espectadores. O que torna mais grave qualquer deslize do tradutor. Eu detectei dois, que me pareceram especialmente graves, desde que comecei a acompanhar esta nova série de Six Feet Under.

A primeira imprecisão foi no episódio traumático, chamemos-lhe assim, em que David foi torturado até à exaustão - e daí os actuais ataques de pânico e acessos de loucura - por um rapazinho com cara de inocente, mas tarado e armado, a quem deu uma maldita boleia na auto-estrada. Enquanto isso acontecia, na casa funerária dos Fisher, Rico, homem casado e com filhos, até então marido e pai exemplar, fica bastante atrapalhado quando Nate o surpreende a conversar com a stripper, que entretanto passou de "coitadinha" a grandessíssima cabra, ingrata e desfazedora de lares alheios. Nate, dizia eu, apesar da estranheza da situação, finge ignorar o que se passa e segue o seu propósito: «I'm going to play Doom.» Ora, isto foi traduzido como: «Vou ouvir Doom». Como é evidente, a tradução correcta seria: «Vou jogar Doom», o que é completamente diferente. Doom não é uma banda nem uma música, mas sim um jogo de computador, cujo nome se pode traduzir por "Perdição" e que por sua vez pode ser uma bela metáfora daquilo que está prestes a acontecer com Rico.

O outro erro que detectei foi no episódio de ontem. (Estupidamente, perdi o da semana passada.) Ocorre precisamente quando Celeste, em desafio programado, prepara o terreno para seduzir Keith, que é homossexual. Keith diz-lhe que o namorado dele, David, não se encontra bem porque foi raptado. Ela diz-lhe que tem medo que lhe aconteça algo de semelhante, com um "caçador de autógrafos". Não me lembro exactamente da maneira como Keith lhe responde, mas era algo do género: «You sing. I'll worry about that.» Ora, da legenda constava: «Tu cantas, preocupo-me com isso.» Errado, porque assim foi introduzida uma intenção que Keith não tinha, ou que pelo menos não transparecia de forma evidente. O trabalho dela é cantar e dar o espectáculo, o dele, que é segurança pessoal e bastante profissional, é protegê-la. Aquela frase, na minha opinião, surge apenas para ela se sentir segura. Penso que a tradução correcta - ou uma das - seria: «Tu cantas. Eu preocupo-me com o resto.»

São deslizes de legendagem que acontecem facilmente, sem que os tradutores se apercebam. Falo por experiência própria. A mim, por exemplo, aconteceu-me, quando trabalhava num filme argentino, traduzir: «Sole... Te quiero», como «Sole... Quero-te». Era um adolescente que dizia isto à namorada - que se chamava Soledad e por quem se tinha apaixonado há pouco tempo -, depois de um arrufo, enquanto carinhosamente se abraçava às pernas dela. Acho que fiz bem em alterar a legenda na última revisão que fiz dos diálogos, antes do filme ser exibido em sala. Ficou: «Sole... Gosto de ti.»

Adenda: Está bem, Luís. Se não gosta que me refira a si, à minha maneira, porque aprecio algo que tem vindo a fazer habitualmente, então tal não voltará a acontecer. Seja como for, continuarei a ler os seus "comentários especializados" com agrado.

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Bairrismo

O meu Príncipe é Real.

Home movie

É hoje, Batukada, é hoje! Li no jornal que no episódio desta noite «Celeste, apesar de saber que Keith é homossexual, consegue seduzi-lo.» Às 22h30 na RTP2. Ai, que nervos... Bromalex? 1,5 mg no mínimo.

Sábado, Junho 18, 2005

A dona-de-casa pragmática

Era tão preguiçosa, tão preguiçosa, que deixou de fumar para não ter de limpar os cinzeiros.

Da série "Frases que impõem respeito"

You've got no idea.

Provocatiōne

(Em latim soa sempre melhor.)

Sexta-feira, Junho 17, 2005

Agent provocateur


So they say.

Para mim, é suficiente

Ar puro na jukebox do Contra a Corrente: o MacGuffin insiste em dar-nos boa música. Abençoado seja.

Desmascarrilho

«(...) Quando o candidato se apresenta em cartazes com sorriso Pepsodent e logótipo Skip, quando do vídeo de lançamento consta a cena da mediática esposa e do infante - "Nós gostaríamos que o presidente da câmara fosse o papá, não é, Dinis?" -, isso não é um acidente de percurso, é, sim, a marca de uma contradição insustentável entre a legitimação intelectual à candidatura, a um candidato a quem se apelava no seu duplo estatuto de político e intelectual, e o grau zero da política e do pensamento que ora transparece da sua inscrição pública. (...)»

Augusto M. Seabra, O "carrilhismo", um naufrágio intelectual (I), PÚBLICO, 16.06.05 [Infelizmente, o artigo completo não está disponível on-line.]

Estou a ver um cenário muito negro, ou muito em branco, para as próximas eleições autárquicas em Lisboa. Ai estou, estou.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

Da série "Frases que não surtem efeito"

Não te metas nisso.

Anjo mau


Yeah, I hope there is a God, so I can grab him by the fucking throat.

A frase será do próprio Chet. Fui buscá-la ao livrinho que acompanha a foreign sound, o disco de Caetano Veloso que também inclui uma versão magnífica, in memoriam, de come as you are, dos Nirvana. (E com esta, é a terceira vez que "publico" a mesmíssima fotografia de Chet Baker - se contarmos com o meu ex-blog. Está nos arquivos.)

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