Quinta-feira, Setembro 10, 2009

A seguir, vem o quê?


Estes bem intencionados doutores levam a sua profissão tão a sério, que prestam os serviços de aconselhamento médico sem que tal lhes fosse contratado, e ainda passam receita para uma população inteira (incluindo quem não lhes pediu a opinião, por mais correcta que esta seja). Parece-me um abuso, mas eu sou um ignorante retrógrado que não acredita, de todo, que o estado é a cura para os males do mundo.
Falta, agora, censurar a publicidade aos produtos alimentares que potenciam a aparição de doenças como a obesidade ou as cardíacas. Fast-food gordurenta ou refrigerantes açucarados são acusados pelos especialistas de participarem no desenvolvimento de doenças daqueles tipos. Já imaginaram quantos engordaram por comer um hamburguer do MacDonalds por cada golo do Nuno Gomes? (Pronto, do Nuno Gomes... concedo que não são muitos hamburgueres.) E quantos não consumiram nocivas quantidades de açúcar, cafeína, e outros ingredientes por causa dos sempre memoráveis anúncios da Coca-Cola?

(continuarei a queixinha)

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Censura. Não há outra forma de o classificar

O livro do ex-inspector Gonçalo Amaral foi censurado. Por melhores que sejam as intenções que levam a esta decisão, não deixa de se tratar de censura. Por mais que se discorde ou abomine o que está lá escrito, por mais incompetente que se julgue o ex-inspector, nada justifica que ele não possa divulgar as suas ideias e teorias, fazendo o lucro que quem compra lhe confere.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Asfixia Madeirense

Todos quantos dizem que há asfixia democrática na Região Autónoma da Madeira não acreditam no voto dos madeirenses.
Quem diz tal coisa não deve ter reparado que foi no meu distrito natal que dois autarcas (do PSD, não se enganem) foram julgados e condenados, com rapidez, por corrupção, sem interferência de nenhum poder sombrio, oculto ou declarado. Se quem fala de asfixia me souber dar algum exemplo de ausência de influência do poder político no poder judicial, não só agradeço como ficarei mais descansado.

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Prefiro...

Prefiro correr o risco de dar com os cornos no volante do meu carro por incúria minha, a permitir que um qualquer burocrata decida castigar-me por pôr a minha cornadura em risco.
Prefiro correr o risco de morrer numa sarjeta por falta de ajuda a permitir que o burocrata me force um seguro de saúde que não negociei (nem aceitei), e que me sai mais caro, ao fim do dia, que um seguro de saúde privado, para o qual fiquei sem dinheiro devido à extorsão anterior.
Prefiro ser assaltado todos os dias a ser vigiado em todos os buracos e ruelas em que me passeio por câmaras que me podem filmar, até, o alívio já tardio da bexiga contra uma qualquer pública parede mais recatada.
Prefiro correr o risco de ser levado por uma qualquer onda menos socialmente consciente a ter os burocratas à perna se for dar o mergulhinho da praxe, apesar da bandeira vermelha.
...

Quinta-feira, Julho 16, 2009

O dedo na ferida

Que Alberto João Jardim gosta de chocar, já não surpreende ninguém. Que a imprensa nacional só dá ênfase ao que ele diz quando choca, também ninguém não é surpresa para ninguém. Sendo assim, alguém duvida que a melhor maneira de AJJ se fazer ouvir é mandar estas atoardas que muita onda e indignação levantam, mas que têm sempre uma ferroada séria? Claro que aqueles que não olham para além do acessório (e que têm todo o direito a fazê-lo), ou que o fazem, mas a quem a mensagem real incomoda, fixam-se no barulho.
O barulho, está mais que visto, é a proposta de proibição dos partidos de extrema esquerda por serem, também, proibidos partidos de ideologia fascista. Ora, na notícia da RTP, percebe, quem estiver atento e o quiser, que a crítica é a proibição à formação de partidos fascistas. Claro que AJJ também malha nos partidos de extrema esquerda, mas penso que o pode fazer num país livre... ou não?
Neste país em que a geração dos meus pais se advoga como dona da liberdade, podendo fazer com ela o que lhes apetece, todos se indignam com a parvoíce acessória de AJJ, mas ninguém se indigna com a injustiça que quem defende a ideologia fascista sofre com esta Constituição.
Mesmo que não concorde com a ideologia (o pesado controlo da economia Italiana por parte de Mussolini enoja-me), não estaria a agir de acordo com a minha consciência se não defendesse o direito dessa ideologia a ter voz política e até a ir a votos.

Também me diverte, porque não quero chorar, ouvir Francisco Anacleto Louçã dizer que devemos a liberdade à extrema esquerda portuguesa. Esquece-se do Gonçalvismo, decerto, e da tentativa de tomada do poder (porque as eleições eram desnecessárias, pelos vistos) por parte do PCP no pós 25 de Abril.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Ética e valores morais II

"What, then, are the right goals for a man to pursue? What are the values his survival requires? That is the question to be answered by the science of ethics. And this, ladies and gentlemen, is why man needs a code of ethics." Ayn Rand, in The Virtue of Selfishness

Até aqui, Rand sugere que a verdadeira diferenciação entre o bem e o mal é se é bom ou mau para a sobrevivência do indivíduo. O código de ética a que ela se refere é egoísta, no sentido de colocar apenas a pergunta: em que medida é que esta opção me beneficia. O suicídio, por exemplo, só é compreensível se for mais favorável a quem escolhe terminar a sua existência. O sacrifício da minha vida em benefício da de outros não faz sentido do ponto de vista natural. David Hume escreveu, referindo-se também à escolha individual de cada um, "I believe that no man ever threw away life while it was worth keeping".
Mas Rand explica muito melhor do que eu:

"Now you can assess the meaning of the doctrines which tell you that ethics is the province of the irrational, that reason cannot guide man's life, that his goals and values should be chosen by vote or by whim - that ethics has nothing to do with reality, with existence, with one's practical actions and concerns - or that the goal of ethics is beyond the grave, that the dead need ethics, not the living.
Ethics is not a mystic fantasy - nor a social convention - nor a dispensable, subjective luxury, to be switched or discarded in any emergency. Ethics is an objective, metaphysical necessity of man's survival - not by the grace of the supernatural nor of your neighbors nor of your whims, but by the grace of reality and the nature of life." Ayn Rand, in the Virtue of Selfishness

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Ética e valores morais

"The first question is not: What particular code of values should man accept? The first question is: Does man need values at all? - and why?"
Ayn Rand


"Many of them [the philosophers] attempted to break the traditional monopoly of mysticism in the field of ethics and, allegedly, to define a rational, scientific, nonreligious morality. But their attempts consisted of trying to justify them on social grounds merely substituting society for God"
Ayn Rand


Adenda: Ambas as citações são do livro The Virtue of Selfishness.