Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

Voos, tripulantes de cabine e realidade de vida!


No passado dia 31 de Maio celebrou-se o dia mundial do tripulante de cabine. Muitas recordações surgiram: de amizade, de vida, de trabalho, de encontros, de vistas e pensamentos nas alturas.

No dia seguinte li a notícia que a TAP tira um tripulante de cabine dos voos e que o Sindicato convoca uma greve. Li também uma série de comentários sobre a vida dos tripulantes. Aqui mergulhado nos estudos teológicos, acabei por sair de umas alturas e entrar noutras.

Fui tripulante de cabine durante pouco mais de três anos na PGA. Depois desse tempo mudei de Companhia. Outros “voos”, sem esquecer os aviões. Confirmado na vocação e perceber que ser jesuíta faz parte do meu caminho, uma das coisas que mais tenho saudades é de voar. Por isso, ler notícias relacionadas com aviões chama-me muito a atenção.

Ser tripulante significa, em primeiro lugar, zelar pela segurança dos passageiros. É verdade que a segunda função, a de prestar serviço, sendo imagem da empresa durante o voo, é a mais destacada, pois, felizmente, na grande parte dos voos não há necessidade de pôr em prática a primeira função. Uma vez tive de dizer isto a um passageiro quando, com toda a arrogância, me diz: “Olha, serve-me. Paguei para isso!”, e assim explicar que o serviço fora da realidade segurança, na nossa profissão, vem em segundo lugar.

Muita pessoas, e, infelizmente por vezes dentro da própria companhia aérea, têm a ideia que um tripulante passeia no e de avião. Talvez alguns voos de longo curso, que implicam uma estadia aqui ou ali, podem permitir um passeio nalguma terra mais exótica, mas GRANDE parte, para não dizer 90%, ou mais, dos voos não são assim. Sobretudo os de médio curso, pela Europa, por exemplo, onde se fazem entre 2 a 3 e por vezes 4 aterragens (no meu tempo cheguei a fazer voos de 5, tais como, Porto - Madrid - Porto - Zurique - Porto - Lisboa). E muitas vezes com os voos cheios e com turbulência (mesmo “fraquinha”). E sim, havia o sorriso, o glamour (sim, há, e ainda bem), o gosto pela profissão e o respeito pelos passageiros, que não têm culpa das decisões da empresa, que muitas vezes não tem noção da realidade do verdadeiro trabalho a bordo. Precisamente por haver este gosto, surgiam os agradecimentos (houve um voo que fui convidado para três casamentos... Haja festa!), e os bons momentos que, mesmo com trabalho alucinante, acabei por passar.

Acredito que a TAP poupará economicamente, mas pergunto: poupará a vida das pessoas? Nem vou à questão da segurança, mas da vida de quem está a trabalhar. A propósito de críticas: muitas vezes imaginei a possibilidade de cada pessoa sentir na pele o que é a realidade concreta das situações, na sua vida. Quem critica os tripulantes, por exemplo, ter a possibilidade fazer pelo menos 15 dias de voos, não sentado como passageiro, mas a trabalhar. Quem pede para apertar o cinto economicamente, viver sem os ordenados de gestor (que são, curiosamente, constantemente aumentados). E mais exemplos poderíamos dar... Creio que mudaria bastante a perspectiva das coisas e levaria a que se criticasse menos, sobretudo quando não se sabe o que se diz.

Hoje vivemos no mundo em que a economia parece que tem a primeira palavra, à frente da Vida das pessoas. Poupar, cortar, mas só alguns e nalgumas coisas. Nós, humanos, não somos máquinas. Tem de haver respeito, escuta e conhecimento para se poder alterar a ordem das coisas. Se tiver de ser e for algo que todos contribuam altera-se. Agora se é apenas uma parte a fazer sacrifícios, não me parece que tenha de haver mudanças. Por isso, há que partir para o diálogo e encontrar o caminho mais justo, sem imposição, mas com a certeza de que, como humanos que somos, pode-se encontrar o equilíbrio em todas as partes.

Sou utópico? Sim, sou... Ingénuo? Talvez.
Os anos que andei a voar, junto com os que passo a estudar, permitem-me chegar a uma sana utopia, com leve ingenuidade, mantendo o sonho de que podemos chegar a um mundo mais justo e melhor. Afinal, a esperança permite a vida!


Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Portugueses e Finlandeses (ou outros)!



Anda a circular um vídeo sobre “o que os finlandeses precisam saber sobre Portugal”.

Vejo o vídeo e, confesso, não fico lá muito animado, sobretudo por vir de uma entidade pública, tendo sido apresentado num Congresso.

Primeiro: não me parece que estejamos em alturas de puxar a um patriotismo exacerbado, sobretudo quando vem de um orgulho ferido, por não nos querem ajudar. Como se fosse a obrigação de primeira ordem. Será assim? Hoje em dia parece que “temos direito a tudo e mais alguma coisa”, mas reconhecer os erros da falta de cumprimento dos deveres não se fala. Preocupa-me que tenhamos de chegar a ponto de ter de pedir ajuda externa e ficarmos ofendidos por estarmos sujeitos (bem, agora foi aceite) a que digam não. Há quanto tempo andamos a receber ajuda externa? Sobretudo para desenvolvimento da agricultura, da formação humana, das redes comerciais, etc., etc. E, olhando para os resultados, que foi feito realmente com a totalidade de dinheiro recebido até hoje? Sem dúvida que houve aplicação, no entanto, chegaríamos a este ponto se tudo fosse aplicado como deveria ser?

Façamos o exercício: A empresta dinheiro a B, dizendo que é para fazer algo concreto. Entretanto, o tempo passa e, além de A pedir mais dinheiro a B, o que tem a fazer é feito a um ritmo muito lento, desordenado. Até usa algum desse dinheiro para outra coisa que não o primeiro projecto. E continua a pedir mais dinheiro a B... sem que haja frutos do projecto inicial. Até quando? Talvez B consiga ter outra percepção e dirá, um dia, que acabou o empréstimo e pede o que lhe deve. E, como a quantidade é muita, já não será só o próprio A a pagar, também os filhos e talvez os netos.

Segundo: Não sei já foi visto por muitos, mas já temos um vídeo de resposta dos finlandeses. E, claro está, “quem ri por último...”. Eles estão bem, não têm problemas de resgate e, se têm alguns conhecimentos de História Universal, acabaram por rir de algumas coisas ditas no “nosso” vídeo.

E leva-me ao terceiro ponto: Os dados apresentados pelo vídeo revelam alguma, para não dizer muita, imaturidade em aceitar a realidade como ela está. E vê-se pela forma como os dados são apresentados: sem uma reflexão prévia, pois analisando algumas afirmações acabamos por perceber que deveríamos ter vergonha em mencionar algumas coisas. É verdade que temos de nos orgulhar pelas descobertas, mas... ter orgulho por termos o menor número de patentes? Pela população portuguesa, sobretudo com excelentes qualificações, sair cada vez mais de Portugal? É certo que Cristóvão Colombo anunciou primeiro a Portugal que tinha descoberto a América, mas... teve de ir a Espanha, pois Portugal não financiou o projecto. Alguém me explica qual o orgulho de “não termos ganho nenhum concurso da Eurovisão”?

Bem, não vou analisar cada ponto.
Mais uma vez concluo que estamos numa altura em que as coisas são vistas e as decisões são tomadas sem grande reflexão. Foram já cometidos muitos erros de governação, infelizmente não admitidos, o que torna tudo ainda mais chocante. Então, não contribuamos para a vergonha nacional, escrevendo e enviando vídeos assim, seja a quem for.

Está na altura de exigir aos nossos governantes de fomentarem uma boa formação na educação, de investirem na investigação (na diferentes áreas científicas e artísticas), na Cultura (que é um dos factores de humanização) e de, uma vez por todas, deixarem de gozar com a cara dos Portugueses.

Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

[Rt 1 - 4]


["Seara # 1" de Nanã Sousa Dias, in olhares.com]


Voos subtis
sobre textos antigos,
sagrados.

O moldar da pele
diante da nova realidade
(re)feita em ensinamentos.

A recolha de espigas
anunciadoras de novo mundo,
na seara que ondeia
ao sabor do vento

que sopra por onde quer.


Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

a plenitude da leveza do ser


["A insustentável leveza..." de A Fino G, in olhares.com]


“O que nos afecta na nossa carne pode, pois, afectar-nos mais profundamente do que aquilo que captamos só pela reflexão. Posso reflectir sobre a morte, mas a proximidade física de um moribundo penetra-me até ao indizível. Posso meditar sobre o belo, mas a presença sensível da mulher bela trespassa a treva do meu espírito” Fabrice Hadjajd

Vivência.
O que é isto de viver? Pode ser visto de muitas perspectivas: mais científica, mais filosófica, mais teológica, mais poética, mais racional. Dar certezas quase absolutas sobre a Vida, como se num simples tratado tudo ficasse esclarecido.

Há dias fui dar um largo passeio. Precisava de andar, sentir a brisa, ir, simplesmente ir. O “ser em caminho” com que me caracterizo impulsiona-me a pôr, precisamente, em caminho. Sobretudo depois de tempos tão intensos, como foi o dos exames. Não quero falar dos exames. Quero falar um pouco do que é isto de viver, em caminho.

Fabrice Hadjadj sintetiza muito bem o que é vivenciar uma realidade que vai para além do racional. Deixar que a realidade me entre pela pele dentro vai fazer com que o meu olhar sobre as coisas mude. Há o perigo de deixar que as belas e poéticas palavras possam ficar simplesmente a flutuar pela mente ou coração. Creio que a beleza da Vida acontece quando deixo que o impacto da realidade entre em mim. E é de tal maneira transbordante que há uma diferença no meu modo de estar na vida.

Enquanto passeava pelas avenidas desta cidade, grande por sinal, olhava as árvores despidas de folhas. Numa ou noutra encontrava ninhos, casas antigas portanto, inabitados. Mas rematados para receber os mesmos ou novos inquilinos. Os mesmos que fazem voos imensos e, seguindo cursos naturais, não deixam de voar. Pensei nos sonhos, os voos que não quero deixar adormecer em mim. Como que em expansão de olhares... Horizontes que a alma deixa abrir. A alma? Creio que Deus!

Em quem fui e vou pensando. Tornar-me dele, mas sem uma estruturação de finitude ou de limite. Não! Quero o oceano de sonhos, não para os dar, mas sim libertar para todos a capacidade de sonhar. A meio do percurso sorria, noutra vez emocionei-me a pensar em tanto. No que me mexe, no que e em quem me faz ser. Ás vezes gostaria de objectivar mais o que vai cá dentro, é tanto e, sim, confuso. Os sentidos estão abertos... a informação gera-se e acontece vida!

Vida, daquela prometida pela Esperança! Será verde? Sim, pois os pequenos rebentos que anunciam novos tempos são assim, verdejantes, com despontar de novas cores, mas verdejantes! É Vida! V-I-D-A! A mesma que desejo e quero anunciar, em poesia, em palavras, em quedas, em erros, em batalhas, em conversas, em divertimentos alegres, em que nesse momento todo o universo se concentra na Palavra, no Sorriso, na Lágrima, partilhados.

Abraçar, em passos de caminhos, o ritmo do tempo. E consolidar a certeza de fé de que Deus é muito mais do que se possa pensar, dizer, explicar d'Ele. É Vida. Por isso é palpitar em ansiedade de Amor, de encontros com pessoas (des)conhecidas, que marcam pelo seu modo de ser, porque simplesmente são. Não em conceitos ou convenções. São com um nome, uma história. São, mesmo que eu não goste delas, que me façam repugna ou confusão. São! A força do ser só pode ser maior que a força do sentimento.

E essa força do ser que habita em mim, em nós seres humanos, que sonham ou não, que vivem ou se prometem viver, dá-me impulso de caminhar.

Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

[Lc 10, 41-42]

[Foto: "Onde o tempo se demora" de José Luís Garcês, in olhares.com]



Profundidade

[procurada nos afazeres
quotidianos,
sem sentido aparente.

É sempre do mesmo,
como rotina (des)esperada
em cada toque de despertador.

Sentirei o palpitar cardíaco?

É sempre do mesmo

com as variações
da profundidade do sentir]

da Vida

Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

[1 Cor 1, 20]


["O lento despertar da loucura e da salvação I" de João Veríssimo in olhares.com]



Paradoxo.
A curiosidade presente
na rua que cruzo entre o
Saber do não saber.

Dúvida(s).
A inquietação da subida
do monte, deixando a areia
dos pés formar a palavra
viva.

Silêncio.
Afinal os dias
são maiores,
nas ondas brota jogo novo,
houve descoberta.

Fundamento.
Diante da frase solta
aos ventos:
deu-se a revelação.

Domingo, 23 de Janeiro de 2011

Small Pleasures


Depois de o ver, fica a sensação do silêncio agradecido pelo que tenho e sou... Simplesmente, nos pequenos prazeres da Vida!
Há que saborear e perceber que a Vida é mais... muito mais!

Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Estado, Liberdade e contratos de associação escolar...

"A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida".
Cervantes, in Dom Quixote

Fala-se de evolução, crescimento social, como desejos de um país ao nível da Europa, que se quer livre e promotor da liberdade. Muitas vezes pergunto-me: o que é a liberdade?

Liberdade é “fazer-se o que se quer”? Não me parece, pois inevitavelmente vamos colidir com outras “liberdades”. Então, será “aquilo que acaba quando começa a de outra pessoa”? Também considero uma resposta não muito completa... Pois, ficamos como que em “guetos” relacionais, onde se vive liberdades em zonas de fronteira.

Talvez seja dito de forma poética, mas ainda assim pode ser que a liberdade aconteça quando, em diálogo e reflexão, duas pessoas mesmo podendo estar em caminhos distantes fazem-no lado a lado. Promovendo, assim, não só o crescimento pessoal, mas de todos os que as rodeiam.

Com a situação das Escolas com contrato de associação reparo num Estado que caminha sozinho, segundo os seus interesses, tomando decisões que anulam a Liberdade da pessoa (em vários níveis). E, ironicamente, em nome da Liberdade e da Justiça. Ficarão livres de encargos os Educadores (docentes e não-docentes) despedidos? Será justo ter de ir obrigatoriamente para esta ou aquela Escola, quando há a possibilidade de escolha por uma que oferece condições pedagógicas que, de facto, apontam para a liberdade de pensamento, de religião, de educação, cultura e, inclusive, liberdade de ideologia?

É verdade que muitas das Escolas com contrato de associação são de cariz religioso (e muito provavelmente é isso que incomoda o nosso Estado “livre e libertador”). No entanto, como parece ser do desconhecimento de muitas pessoas, em nenhuma há obrigatoriedade de crença nesta ou naquela Religião. Ao contrário do que o Estado (repito: dito promotor da Liberdade) parece fazer, que é impor uma ideologia, um modo viver a realidade segundo a sua visão, segundo o seu caminho.

Dando alguns exemplos: começa-se por se reduzir os tempos lectivos de Filosofia, surge uma imposição de formação ao nível da Educação para a Sexualidade sem grande coordenação, descredibiliza-se os professores, em nome da crise reformula-se radicalmente os contratos celebrados no pós 25 de Abril (data curiosa para a Liberdade em Portugal) com Escolas que permitem um outro tipo de ensino, para além do puramente estatal, a alunos de todas as classes sociais e, para culminar, segundo o senhor secretário de Estado, em nome da Ministra da Educação: “ou assinas, ou não tens dinheiro, logo fechas mais depressa as portas”.

Estranho século XXI este. Tão evoluído ao nível tecnológico, mas em termos de humanidade...
...pois, viva a Liberdade!


Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Comentário sobre História da Igreja Antiga

["História" de Nelson Afonso, in olhares.com]


[Escrevi este comentário final após ter resumido toda a matéria dada ao longo deste semestre]

Começo por apresentar o meu primeiro pensamento mais geral: depois do que estudei, trata-se de História Antiga ou de realidade contemporânea? Talvez pela minha sensibilidade em relação à pluralidade cultural em que vivemos (por mais que se diga que estamos em tempos de globalização), também por se falar tanto da crise económica, entre outras, que atravessamos em geral pela Europa e de forma particular em Portugal, junto ainda o impacto (nalgumas situações mais negativo que positivo) causado pelos últimos escritos e feitos da Igreja Católica, acabo por fazer uma leitura ligando pontos de contacto entre o que se passou há cerca de 17oo anos com a actualidade.

Parece que não aprendemos com a História. Será que é por estar cada vez mais esquecida? Sem dúvida que não se pode apagar a memória colectiva de uma sociedade e de um povo, pois em relação cíclica, acabamos por voltar a tocar em pontos essenciais da nossa estruturação enquanto humanos.

Particularizando no aspecto da vertente de “Igreja”, esta disciplina ajudou-me a conectar com os inícios do que, de algum modo, me leva também a ser. Afinal, ser humano também tem em si a dimensão histórica e social. Conhecer a História da Igreja leva-me ao encontro com aquilo que sou como crente e membro desta Igreja, que não é uma teoria, uma ideia, mas uma realidade de desenvolvimento a partir de vidas e decisões de pessoas concretas ao longo dos tempos.

Na verdade muita da falta de fé vem do não saber o “como, porquê e quando” do surgimento das coisas. Também a fé não acontece por uma linearidade limpa de acontecimentos, como se fosse um caminho recto, sem qualquer obstáculo. O estudo e aprofundamento dos dados sobre as convulsões sociais entre os grupos religiosos, a relação com as outras religiões ou entidades religiosas e com os povos com tradições pagãs, as perseguições, os martírios, as necessidades de organização (da liturgia, da vida quotidiana, da estrutura eclesial) daqueles primeiros séculos, levam a que se tome consciência dos passos dados e do quanto, no meio de tantas dificuldades, muitos mantiveram e aprofundaram a sua crença.

Fico com a impressão de que há muito a voltar a estes tempos, não para repetir, pois além de impossível não teria sentido, mas numa aprendizagem do que foi o sentimento de perseguição pela fé e da vontade de anúncio de alguém que mudava a vida das pessoas. Nos nossos dias voltamos a essa ameaça, como se pode comprovar nos ataques a muitas Igrejas, por isso podemos investigar a reacção dos antigos e, sobretudo, qual a sua acção em meios de perseguição. No que se refere à actual chamada “perseguição à Igreja” (mais ocidental) nas questões de doutrina, também temos de aprender com os cristãos desses tempos do passado, pois além de não passarem por vitimizações, acabaram, por um lado, a confiar, por outro, a aprender a dialogar.

Muito do nosso pensamento acabou por vir de uma realidade cultural que o cristianismo “converteu”, adaptou, à sua. Se hoje se fala tanto em pluralismo religioso, de relativismo, de confusão de ideologias, também naquele tempo houve muito dessas questões, com linhas mais conservadores e outras mais dialogantes. E não caindo na ingenuidade de se pensar que aconteceu uma resolução plena, poderíamos aprender sobre quais as ferramentas que foram úteis e quais as que seriam de evitar.

Vergílio Ferreira afirmou que "o que mais importa não é o novo que se vê mas o que se vê de novo no que já tínhamos visto”. Assim, a História, compreendida e vivida em diálogo com outras ciências humanas e científicas, pode ajudar em muito na compreensão da Igreja tornando-a ainda mais humana e mais divina.



Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Crises


Aqui nos meus estudos de História da Igreja Antiga leio sobre o Império Romano. O século III, pode-se dizer, foi de crise. Os imperadores, seguindo as políticas uns dos outros, numa das muitas medidas aumentavam a administração pública, num sistema de protecção dos nobres, burocratizando o sistema (para mais controlar, evidentemente). Como não tinham dinheiro para pagar tudo isto aumentaram os impostos em número e valor monetário (independentemente das condições de vida das pessoas), levando a uma dualização da sociedade em muito ricos e muito pobres (para não dizer miseráveis). Já se sabe o que aconteceu a este Império...

Onde é que eu ESTOU a ver isto, novamente, 1700 anos depois?

Que políticos actuais tão pouco originais, tenho a dizer. E ainda dizem que a Igreja não se actualiza...

Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

[Jo 20, 14]

["Enlevo..." de António Gil in olhares.com]


Para MTH


Um engano
e
Passei os olhos por ti,
em tempos,
em conversas,
em dúvidas,
em construção de pontes
(aladas)
de Corpo encarnado.

Que cresce,
desenvolve os sentidos
numa ligação para além
do tempo e do espaço

falando de divindade

na humanidade,
com toque de Sofia,
partilhada
(mesmo em silêncio)
da História,
dos Contos,
do mistério em oculto.

(E aqui, agora)
para ti
chamo
invoco
canto
a Luz,
(vinda em voos)
com (a)braços
protectores,
cheios de Vida

que pintam a realidade de brilho,
anulam a opressão,
fazem sorrir

renovando a inspiração,
a mesma que te faz Ser(vir)
com o dom de palavras.


Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Mc 6, 46

["Quando o sol se põe..." Teresa Lamas Serra in olhares.com]


Sento-me à janela da alma.
Como que em penumbra,
vislumbro
inspirações cor de mel.

Aparece

o rosto bem definido.
Faz-me recordar aquele mergulho,
onde me entreguei ao (des)conhecido.

Aparece

(de novo)
e mostra-me outras faces.
Cheias de vida e histórias,
encantadas, de fugir, de ser.

Amanhece

abraço-te e sigo
(há caminho a ser desenhado)
ao encontro do que vi(rá).




Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Jo 1, 39.



Olhar,
De cor esperançada do desejo
De te conhecer

Em suaves melodias,
sentindo o incenso novo

suavemente unificador
do etéreo, do concreto.

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

Pensamentos soltos... enquanto acompanho o resgate dos mineiros no Chile

Alex Vega exibe orgulhosamente uma t-shirt com a bandeira do ChileFoto: Hugo Infante/Reuters

in Público.pt


Ao som da subida da Fénix, no resgate dos mineiros no Chile, o meu pensamento não tem parado. Os sentimentos também não...

Neste momento em que “homens nascem da terra”, como me comentou um Amigo e Companheiro do Chile, fico emocionado a olhar para as imagens do “(re)nascimento”. De facto, há a saída do ventre; encontro; choro e grito de libertação; manifestações de fé perante o “milagre” que não pode deixar o mundo indiferente. E agora como olhamos para nós, humanos? Penso nisto...

Primeiro, o silêncio. Aquele contemplativo dos acontecimentos, que deveria calar as comparações politicas, sociais, promotoras de mediatismos. Não interessa o Guiness, não interessa se Portugal, ou seja que parte do mundo for, está também “metido num buraco”. Interessa deixar calar as “vozes” que impedem o agradecer. Tudo mudaria, ainda mais, se fosse o meu pai, ou um tio, ou um primo, ou um avô que lá estivesse. E aqui, não importa a nacionalidade, raça, cor...

...pois, perante acontecimentos de grandes mudanças na vida (seja o ficar preso numa mina, seja uma doença, seja um outro tipo de acidente) há “algo” inexplicável que acontece. Dentro e fora de quem vive. Poder-se-ia dizer conversão.

Estes homens, aos olhos do mundo, tornam-se imagem de trabalho conjunto, em equipa, em partilha, conversas trocadas, como que respiração pelo “cordão-umbilical-Relação-Humana”. A Relação que permite aguentar o desabafo, a dor, a angustia, a inveja, a revolta, a esperança e a alegria... a compreensão pela falha, o respeito pela fraqueza. São heróis, sim. No entanto, para usar as palavras de Mário Sepúlveda, o segundo mineiro a sair, não os tratemos como artistas ou jornalistas, mas como pessoas que são.

As mudanças bruscas implicam muito na vida. Tal como o nascimento de uma criança há toda uma adaptação a acontecer. Gradual, onde se tem de dar espaço não só a cada um deles, como a toda a família. Este não foi, nem é, um concurso, onde cada um livremente decidiu expor-se ao mundo. É a história de cada uma destas 33 pessoas, com nome, sentimentos, vontades, fragilidades... com fé!

A partir de agora é o espaço e tempo também para maturar sobre a vida. Aquela que ganha um novo horizonte, depois do “(re)nascimento”.

“¡Gracias, Señor!”

Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Somente para ti