Mostrar mensagens com a etiqueta UE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta UE. Mostrar todas as mensagens

Quinta-feira, Setembro 15, 2011

caderninho - hoje como há 300 anos

«Como é que se pode esperar que a humanidade oiça os conselhos quando não é capaz de escutar os avisos?» Jonathan Swift
Pensamentos (tradução de Paula Seixas)

Estou a pensar na UE, por exemplo.

Domingo, Agosto 14, 2011

Quando estou em férias, ocorre sempre qualquer coisa fora do habitual, não sei porque diabo. Ora morre uma princesa em fuga, ora se dá um golpe de estado em Moscovo ou as tropas australianas desembarcam em Timor-Leste, entre muitos outros episódios levados da breca. Desta vez foram os motins de Londres e adjacências, que no fundo são metástases desta doença prolongada que atingiu em cheio um paciente chamado União Europeia, e que dá pelo nome de «mercados». 
Eu quero crer que o doente tem ainda capacidade de resposta para debelar esse cancro que dá pelo nome de «mercados». Mas é evidente que com actores políticos de escol, como os que temos tido, que entre o medo de ferir a susceptibilidade do cancro e o afã em ganhar o respeito e a confiança desse mesmo cancro, algo vai acabar mal. Talvez o doente; de certeza os «mercados». 

Quinta-feira, Julho 07, 2011

a propósito das barbas de Pérez Rubalcaba

Alfredo Pérez Rubalcaba, futuro líder da oposição espanhola, disse que a Espanha não é Portugal, nem é a Grécia. E tem o ainda ministro inteira razão. Se as coisas continuarem a rodar desta maneira, a Espanha vem a seguir. E vindo a segui, a Espanha, país artificial, extingue-se. A Catalunha será a primeira região a tornar-se independente -- independência que eles almejam tanto quanto os bascos, que farão o mesmo um dia depois, talvez acompanhados por Navarra, prevendo-se que boa parte da comunidade valenciana com as Baleares se possam congregar com os catalães. Dois dias mais tarde, estando o estado espanhol, como hoje o conhecemos, ferido de morte, não se prevê que a Galiza fique quieta.
Rubalcaba é uma boa amostra da mediocridade dos líderes políticos europeus: está a pôr as barbas de molho, sem querer ver que o fogo da casa do vizinho já passou para a sua.

Domingo, Maio 01, 2011

revisitação - Hieronymus Bosch


Galeria: «A Nave dos Loucos», Hieronymus Bosch, uma alegoria demasiado fácil para o estado actual da União Europeia (cada um a olhar para o seu umbigo, sem, aparentemente, medir as consequências); no entanto, o fantasma da desintegração paira.
Está em Paris, no Museu do Louvre

Segunda-feira, Abril 18, 2011

A UE gostaria de nos ver pelas costas, mas para desgraça dos finlandeses e outros alemães, a Europa sem nós não existe. Por muitas malfeitorias que nos façam, vão ter que nos gramar e pagar jantaradas a Passos Coelho e ao Alberto João. Eles, coitados, que se fartam de bulir naqueles climas de merda, pensam que estes dotes de saber receber, servir à mesa em inguelês fluente e comer-lhes as mulheres caiu do céu. Não!, são gerações e gerações de malandrice, de mandriice, de manha. Como dizia o Unamuno, eles que trabalhem, que nós, ibéricos, temos mais com que nos ocupar.

Quarta-feira, Março 23, 2011

A crise política I

1. A crise política transcende a nossa pequena circunstância.
2. Depois de Portugal, a Espanha.
3. Vamos fritar enquanto um dos grandes países da UE, na mira dos mercados, não leve a que se arrume a casa.

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Sim à Turquia

Hoje, no Público, José Pacheco Pereira pronuncia-se a favor da adesão da Turquia à União Europeia, com um argumento geo-político essencial: «A Turquia não é um pequeno país, é uma potência regional, com uma área de influência que se estende das repúblicas asiáticas à China. E, para além disso, entra para a UE um dos poucos exércitos credíveis existentes na Europa. [...] Para a estabilidade da Europa, precisamos da Turquia e da Turquia do nosso lado.»
A herança cultural turca é enorme, nomedamente nos Balcãs; os turcos (etnia proveniente das estepes asiáticas, como os húngaros e os finlandeses) são Europa e estão na Europa há séculos, fazendo tanto sentido a sua adesão como a dos romenos e búlgaros, agora à soleira da porta.
É duma Turquia laica que falo, duma Turquia integralmente respeitadora da liberdade dos seus cidadãos, incluindo da dos curdos, uma Turquia que respeita a integridade de Chipre, uma Turquia que reconheça o seu passado para o bem e para o mal, como o tem de fazer relativamente à Questão Arménia. É uma Turquia de cidadãos europeus, em Istambul, em Ancara, em Esmirna, cuja modernidade não perde em confronto com a de muitas regiões da União Europeia. É evidente que há problemas, há atavismos seculares, há primitivismo, como existe entre nós meia dúzia de quilómetros andados para lá de Lisboa ou do Porto.
Finalmente, durante séculos, o Império Otomano serviu de refúgio aos perseguidos religiosos, designadamente aos judeus, aos judeus portugueses, convém lembrar. Por isso, nestes tempos difíceis de fanatismo religioso, de terrorismo em nome da religião, há que estender a mão a um país de grande dimensão e dignidade que anseia (tal como nós ansiámos) por estar na Europa democrática, livre e laica a que pertence por direito.

Domingo, Julho 16, 2006


No restaurante onde almoço regularmente tive um dia destes a vizinhança de quatro académicos turcos, em Portugal ao abrigo de um programa comunitário. Estão a gostar imenso do país, mas lamentam a profusão de pratos com carne de porco que lhes são oferecidos nas ementas das casas de pasto. Um deles, que vivera nos Estados Unidos, disse-me, com certa solenidade: «We don't eat pork.» Intimamente senti o incómodo de estar diante de gente aberta na aparência, europeus como o quis Ataturk, e -- sempre para mim --, lamentei estes simpáticos scholars, já atingidos pela peste do fundamentalismo religioso e inibidos pelo seu preceituário negro. Porque, das duas, uma: ou eles são realmente observantes e repelem as bifanas (o que, para um laico como eu-- de formação católica, embora --, faz tanto sentido como privar-me de comer um bife à Trindade por ser sexta-feira); ou, também não muito tranquilizador, assumem com esta atitude, uma «etnicidade» vincada, atitude que, a generalizar-se, dificultará a sua entrada na UE, entre outras consequências pouco simpáticas.
E pensar que, há vinte e tal anos, por esta altura do ano, confraternizava descontraidamente num café de Paris com um grupo de argelinos, refrescando a noite de verão a sumos e... cerveja!