Criativemo-nos
A quantidade de coisas que ficaram por escrever desde sempre; desde que o mundo começou e as coisas que foram escritas e depois guardadas, destruídas ou esquecidas; vamos contribuir para que o rácio de coisas assim diminua.
31/07/11
GPS
...vai daí, a 'criatividade' pretende continuar-se AQUI
to keep on doing just so!
(isto porque recebi pedidos de esclarecimento quanto às andanças, mesmo havendo link ali em baixo, ó despistados...)
30/07/11
Mudei
... e voltei a mudar, e recuei, hesitei, avancei e tornei a fechar.
Os solavancos da vida têm destas coisas.
Calei, mas também falei sob um alias. Coisa que me desagradou tanto, que não pude continuar.
Concordo com o que me 'sopraram': via-se logo que era eu.
Sou péssima em mascaradas, coisa negativa neste mundo de bailes a preceito.
Mas, entre quedar-me na cadeira encostada ao reposteiro e seguir na festa, decidi (vamos ver por quanto tempo, que isto de ser geminiana é tremendo) encerrar esta dança, que a música já cansava, mas continuar o bailarico onde tinha brevemente experimentado ser eu-outra.
Espaço aberto a todos os passantes, mesmo os que deviam tropeçar nos pés e estatelar-se ao comprido (bem-feita!); sucede que, por mais que me acometam as fúrias (legítimas), a verdade é que não existe maior responsável pelas contrariedades sofridas do que o próprio, vai daí..., tendo a humildade de assumir as falhas, os deslizes e as incoerências pessoais, a vida continua. E os blogues também.
... e "não há estrelas no céu, a dourar o meu caminho"...
18/07/11
17/07/11
"mais sapatos, valha-me Deus?!"
Leio «A Morte» e estremeço com a similitude do que se aproxima em vivências diárias. Releio parágrafos inteiros e murmuro concordâncias e compreensões. Pacifico-me no português escorreito, na imagética simples, na verdade sem vaidade que ali existe; na importância crescente das questões vitais.
Abraço o livro e a ideia de Deus, para sossegar.
Procuro, enquanto é tempo, recolher resquícios da memória alheia, para rechear a minha. Escrevo-as. Ou espero escrevê-las, enquanto fujo para o sono, embora dos sonhos sobre o cansaço matinal e um vago enjoo pela viagem.
Faço as pazes com os fantasmas.
Mas ninguém parece compreender-me.
Depois, a tarde caída leva-me à procura das palavras dos homens.
Sobressalto-me ao colidir com a neura:
Sobressalto-me ao colidir com a neura:
"Você não pode imaginar como Deus me chateia. Eu não creio nele. Creio realmente numa organização natural que pode tomar o nome de Deus. Esse argumento de que não é possível existir nada sem um poder gerador que seria Deus não resolve, porque então quem criou Deus? Deus gerou o mundo? E quem gerou Deus?
[...]
Não é Deus que é misterioso; é a vida que é misteriosa. Por que nós nascemos? Por que alguém nasceu e gerou outros tantos? Esse mistério não está explicado, e eu me curvo diante dele. Agora, não aceito uma explicação metafísica.
A única coisa de que estou convencido é de que nós morremos de verdade, nós morremos mortos. Nós não revivemos, porque não nenhum exemplo na natureza disso. Essa história de transformação está bem, mas a essência humana desaparece. Se ela se converte em cinza, em adubo, em qualquer coisa, não é mais a essência humana. Vamos convir que o homem não é assim tão importante.
E aí vem o problema da morte. A aceitação da morte é o máximo que o ser pode conseguir para efeito de se ajustar com a vida, de se entender com a natureza. Se todas as coisas são mortais, o homem não pode pretender à imortalidade. Ela me parece uma grande pretensão de sua parte. Com a ideia da imortalidade, ele se consola da sua mortalidade, mas ele não tem nenhuma prova de que exista essa imortalidade."
Transcrição de trechos de Carlos Drummond de Andrade.
Maria Julieta entrevista Carlos.
Entrevista a Maria Julieta Drummond de Andrade. CD.
Rio de Janeiro: Luz da Cidade, 2002.
Por estas e outras é que não me coíbo de continuar a comprar os sapatos de que gosto.
O mais possível, dentro das impossibilidades.
... e Deus criou o Cronista.
Neste Verão outonalmente primaveril às vezes sucede enroscar-me num sofá e pensar no estado do país.
É por certo da pontinha de febre, dos espirros sucessivos com base alérgica (às manhãs, às alterações súbitas de temperatura e à cretinice institucionalizada), e quedo-me por tempos considerados infindos por quem partilha o casulo e tem outras prioridades maníaco-compulsivas, como seja limpar o pó, aspirar, sacudir e arejar tudo o que esteja à vista; adiante, que estas coisas deprimem-me.
Entre escritos ligeiros no Facebook, coisinhas de somenos pelos blogues e as crónicas dos meus incensados habituais, destaca-se, como quase sempre (o homem não é infalível, graças a Deus), o Alberto Gonçalves.
Comecei a lê-lo há anos, por sugestão do João Pereira Coutinho (outro filiado do empíreo), seu amigo pessoal de há muito (ou, nas risonhas palavras do Alberto: "a coisa mais parecida com um irmão").
Às vezes é apenas bem escrito (muito bem escrito, aliás), a maior parte delas, é simplesmente formidável.
Eu bem tento não ser parcial. Juro. Mas entre a sua bonomia, o seu espírito divertido, o inexcedível amor aos animais (que o fez adoptar uma meia dúzia de cães e cadelas encontrados na rua), a forma sublime como redige até as maiores banalidades (como uma inesquecível descrição de umas singelas gambas al ajillo) e o carinho com que sempre aturou as minhas extravagâncias, tornaram-o especialíssimo.
Nem existem adjectivos que traduzam quanto.
Sinatra, 1965.
Eu balbuciava e tudo ia tão mal como sempre.
Décadas depois experimentei a tese e não apreciei, mesmo existindo decência e outros valores da classe.
Os que deixam de ser amores desmesurados, permanecem muitas vezes amores conciliados.
Nem sei se é bom ou útil.
É assim.
16/07/11
cuidado: curvas!
" (...) os estilistas 'deserotizaram' a mulher. Aboliram as carnes marmóreas, ilegalizaram as ancas e os seios-que-desafiam-Newton. Caramba, ilegalizaram a mulher, sobretudo a mulher latina. (...)"
exercícios ou a teoria da prática
ligas estremunhado depois da hora do almoço, reclamando do tempo e da saúde, rindo dos sonhos e inquirindo sobre o programa do dia; alertas para os textos dela, sobretudo este (presumo), espantado com o facto de as mulheres serem assim.
pedes que não leia, sugerindo que o faça, nesse teu habitual registo do era-não-era que tanto me irritava até me seduzir.
as mulheres são isso e mais. às vezes muito menos. outras, nada. somos humanas com tendência divina, que isso de reproduzir a espécie tem qualquer coisa mágica. acho.
resmungas sobre a perspectiva do (resto do) dia assoberbado com deveres e tarefas domésticas que sobram implacáveis. sei do que falas, enquanto pondero sobre ter coisas para fazer e ignorá-las.
um sábado preguiçoso como tantos outros - como quase todos os outros -, é das malandragens mais saborosas que existem.
voltamos ao tema dos amigos que nos deixam perplexos com atitudes que confundem e perturbam. discorremos sobre a essência das questões economicistas - ir aos saldos ou não, eis a questão -. criticas o meu excesso aquisitivo durante a época de promoções, esquecendo que só compro o que me fascina e, sobretudo, "fica em conta".
admoestas-me docemente pela ânsia carnal, entre o desejo do sim e a impossibilidade física.
somos dados a divagações e, constata-se, infinitos perdões.
somos dados a divagações e, constata-se, infinitos perdões.
enervas-me e fazes-me rir.
entre abraçar-te e beliscar-te vai um nada.
anda daí!
Sambuca con Mosca
INGREDIENTS
2 oz sambuca
3 coffee beans
INSTRUCTIONS
Pour sambuca into brandy snifter. Float in three coffee beans.
2 oz sambuca
3 coffee beans
INSTRUCTIONS
Pour sambuca into brandy snifter. Float in three coffee beans.
avinagrada
foto de Bruce Gilden
Extraordinário! É extraordinário como se branqueia tudo e sem recorrer à já estafada lixívia.É passar um tempinho de nada, escassos dias, umas noites em branco e dois ou três acontecimentos banais, que os prevaricadores se sentem lavadinhos e prontos para outra. Safadeza.
Claro que tudo depende dos escrúpulos que se não possuem. Da total ausência de carácter. Da profundidade da velhacaria incrustada na alma. Do estado decrépito desta. E do cansaço das hostes que preferem acreditar no branco-mais-branco-não-há do que questionar séria e despreconceituadamente pressupostos e bandeiras ao vento.
Miséria. Nojo. Desnorte e fim.
Há gente neste mundo que efectivamente coteja o meu lado pio.
Isto a propósito de certa beltrana, mas aplica-se à escória toda que pulula por aí.
Tenho dito.
Say what?!
Chief,
you know I know you actually work on the sly for the President, so I have to tell you should warn him about this:
"Dear American citizens,
It has come to my attention that your President has tried to reassure you regarding the impending debt limit problem, by claiming that your current difficulties are not as serious as those of Greece or Portugal. That may be the case, although the veracity of the statement may depend on the definition of “serious”.
However, it may interest you to know that when the crisis blew up in Greece and people in Portugal started to worry it could spread here, our (then) prime minister, Mr Sócrates, said rather self-righteously that, and I quote, «Portugal is not Greece!»
I believe therefore that you should beware of the also self-righteous «We’re not Greece. We’re not Portugal.» which President Obama has recently uttered. It’s not a good sign, I tell you…"
The thing is, Chief, he's right! It all starts this self-assured way and then everything ends up down the drain! You take care....
All my best to the mrs. ;)
M.
15/07/11
14/07/11
13/07/11
Ljubomir Stanisic
Adoro um príncipe com sotaque.
Apaixonei-me.
Em cinco minutos televisionados.
Nem preciso de provar nada.
Apaixonei-me.
Em cinco minutos televisionados.
Nem preciso de provar nada.
Quando o horizonte derrama ocres, endereço ao céu espirais douradas.
Deo gratias, sou devota da eloquência oculta no humor subtil e na poesia que se demora nos bicos das aves.
Mas esses são seres alados que se escapam sempre, seguindo para longe e não para o alto.
E as minhas palavras caem como chuva imperfeita.
Não há correio para o céu.
12/07/11
"Ela disse-me assim..."
Fui crescendo com melodias destas, com estes ritmos, com o Swing a rolar docemente para a Bossa.
Às vezes o meu pai ria e levava a minha mãe a rodopiar.
Mas a maior parte das audições eram envoltas em silente fumo, compassadas por gelo a tinlintar.
A minha mãe algures, a trautear o eco de um fado antigo, enquanto eu patinava vertiginosamente pelos corredores.
Às vezes o meu pai ria e levava a minha mãe a rodopiar.
Mas a maior parte das audições eram envoltas em silente fumo, compassadas por gelo a tinlintar.
A minha mãe algures, a trautear o eco de um fado antigo, enquanto eu patinava vertiginosamente pelos corredores.
11/07/11
é urgente
“É provável que eu morra nos próximos dez, quinze anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado. Gostaria que o debate sobre as questões aqui abordadas, o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia, decorresse num clima sereno. Mas teremos de aceitar a discussão com todos os opositores, mesmo com aqueles que, por serem fanáticos, mais repulsa nos causam. Que ninguém se iluda: a análise destes problemas é urgente.”
Maria Filomena Mónica.
Já tenho, ainda não li, já sei que vou gostar.
E concordar.
ler
"No espaço de 1 semana li dois livros maravilhosos: Pan e Victoria (este li-o entre sábado e domingo), de Knut Hamsun (1859 - 1952, norueguês, prémio nobel da literatura em 1920).
Os livros são avassaladores e provocaram-me um turbilhão de ideias e sentimentos. Fiquei emocionalmente arrasado. Sabe aqueles filmes que por vezes nos fazem verter algumas lágrimas?...
Fiquei horas a reler algumas partes de cada um dos livros…e a interpretá-las.
Knut Hamsun conhecia a parte mais íntima da alma das mulheres e sabia descrevê-las como poucos vi fazê-lo (só talvez em André Gide, que foi influenciado por Hamsun).
É um dos escritores que mais me marcaram e marcam. Knut Hamsun influenciou Henry Miller, André Gide, Thomas Mann, Franz Kafka, Máximo Gorky, Stefan Zweig, Hermann Hesse e Ernest Hemingway. Knut Hamsun é o pai da literatura moderna.
Estes dois livros (Pan e Victoria) fazem-me recordar outros dois de André Gide: La Porte Étroite e La Symphonie Pastorale. Hamsun é superior.
Faça um favor a si mesma: leia-o, começando pela ordem dos livros publicados em Portugal: Fome, Pan e Victoria (foi o que eu fiz).
Pena é a simpatia que ele teve pelo nazismo. E mesmo assim escreveu como ninguém o tinha conseguido até então e mesmo depois. Durante muitos anos esteve proscrito na Noruega.
E mais ainda: com a leitura destes livros recordei-me do inesquecível "Breve Encontro" de David Lean (e ainda de "A Filha de Ryan"). E também do concerto para piano e orquestra nº 2, de Rachmaninov (é a banda sonora de "Breve Encontro" e aparece cada vez mais alto quando a actriz Celia Johnson está a pensar, em casa, junto do marido, no doloroso "não" que deu a Trevor Howard). Ouço muitas vezes os 4 concertos para piano e orquestra de Sergei Rachmaninov. Inesquecível é a vida."
J.T.
10/07/11
da vera oração
Um dia comecei a ponderar sobre as palavras das orações 'Ave Maria' e 'Pai Nosso' quando as proferia, porque dizê-las como um mantra não parecia configurar nem o pretendido, nem o devido.
Há quem se recolha para se dirigir aos céus, eu sinto-me bem em qualquer lugar a evocar Deus.
Mas, seja onde for, de há uns tempos para cá tomei a liberdade de alterar uma das frases do 'Pai Nosso', já que o original que herdámos me soou a excessivamente optimista (para não afirmar 'falso') quanto ao perdão que concedemos ao próximo - essa tarefa emocional e psicologicamente hercúlea, que só alguns, imbuídos de dons especiais, alcançam de facto:
«Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós tentamos perdoar a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Amém.»
Assim, sim.
09/07/11
doces memórias
imagem daqui
Um acaso propiciou que tivesse trabalhado com três ex-funcionários da Regina que, sempre saudosos, acabaram por contar muitas histórias. Desde a excelente origem do cacau, que justificava a delícia dos produtos à nossa disposição nesses tempos já tão idos, até à razão essencial da falência da empresa.
Hoje a marca resiste. Mas não é a mesma coisa.
08/07/11
07/07/11
das misérias ou uma alegoria marinha
De todas as ignomínias que comummente se toleram, a que mais que fere é a injustiça.
Saber que uma asserção é falsíssima, que os gritos na praça são de chinelo e não poder descer do salto, é uma agonia.
A mentira a coberto da fama, aplaudida com vénia e desfrutada com júbilo, estrangula-me.
Fico cega.
De dor.
Depois, o que mais me nauseia é comprazer-me com a desgraça alheia.
Sou tão absurdamente humana que claudico.
Nunca alardeei: quem mas faz, paga-mas! - mas descubro uma emoção vil, incontrolável e menor, ao saber que a justiça pode ser realmente poética...
Mesmo esfrangalhada, tenho dó de ambas.
Ela finge que ri.
Eu disfarço o choro.
06/07/11
05/07/11
Não é a primeira vez que deixo passar o feriado americano por excelência 'em branco'. Ou o dia de Acção de Graças, outra data icónica. Já mencionei o Halloween, mas por mor da patética cópia que por aqui tendem a implementar.
Começo a acreditar que aquilo que para mim mais significa em termos 'mitológicos' passou a um estado de suspensão, como se existisse num mundo paralelo no meu (in)consciente.
Agora que lido com os mistérios do cérebro de perto, tudo o que com ele (e os sentimentos) se relaciona fica sob uma auto-análise quase microscópica, logo que reparo no assunto.
Com licença, vou ali preparar umas lamínulas de cultura e logo volto.
04/07/11
morte. pim!
apesar de tudo, é melhor assim. evitar um arrastar lamentoso, repetir conceitos, bocejar, perceber o distanciamento dos passantes, acenar em vão. esperar.
mais de uma dúzia de bravos com uma coragem do caraças, é o que é! sim, que isto do beau monde blogosférico pode inebriar, sobretudo a quem merece aplausos constantes, como era o caso daqueles mortos todos, com especialíssimo destaque para a deusa Eugénia, que acha o cão perfeito. e tem razão.
o resto são ilusões.
palavrinha caríssima.
03/07/11
Tau!
"Uma questão actual
Todos os portugueses sabem que, excepto pelas costas, não se diz mal dos amigos e conhecidos. Felizmente, devo ter uma costela estrangeira e não me sinto obrigado à regra. Quando o novo secretário de Estado da Cultura, pessoa inteligente e óptima companhia, se estreia na função a prometer que o Acordo Ortográfico será "implementado" em 2012 nos "documentos oficiais e nas escolas" dado ser "um caminho sem retorno", eu gostaria de lembrar ao Francisco José Viegas que caminhos sem retorno também eram, ou são, o TGV, o aeroporto de Alcochete, a bancarrota, a gripe suína e o declínio do Belenenses. O trabalho de um governante consiste, suponho, em tentar contrariar as desgraças ditas inevitáveis. Aceitá-las de braços caídos tende um bocadinho para o fácil e talvez não justifique o salário.
Ainda por cima, às vezes sai mais caro, em esforço e em dinheiro, aceitar as desgraças ditas inevitáveis do que impedi-las. Na questão do AO, por exemplo, parece-me menos complicado deixar as coisas como estão do que proceder à inutilização de toneladas de papel e à revisão de gigabytes de informação "virtual" em nome de um compromisso pateta e de enigmática serventia. Vasco Graça Moura, aqui no DN, já aludiu ao prejuízo material que o AO implica, ao tornar obsoletos manuais escolares, dicionários e livros em geral. Se o objectivo do Governo eleito fosse torrar fortunas em disparates, a "implementação" do AO viria a calhar. Sucede que o momento é, ou assim nos garantem, de austeridade, por isso dói ver aumentos de impostos contrabalançados por desperdícios quantitativamente pequenos e simbolicamente desmesurados. Pior que tudo, além de tonto nos princípios e dispendioso nos meios, o AO é horroroso nos fins."
Alberto Gonçalves
aqui
meninas e moças
Não que siga estes romances, mas a fartura imagética que nos invade o olhar, dos quiosques às mesas das salas de espera, das bancadas dos spas aos desperdícios amontoados para recolha tardia, torna inevitável 'saber-se' alguma coisa a propósito. A espuma dos factos, claro, porque a realidade sabe-a quem a vive, o resto é especulativo e sintoma de imaginação mais ou menos fértil.
Baseamos as crenças e os supores no que nós mesmos já experimentámos, em enredos cinematográficos e na leitura juvenil de romances delicodoces, que preenchiam tardes longas de preguiça acalentada.
Diga-se o que se disser em tempos de friezas e racionalismos, sempre houve o sonho do príncipe maravilhoso, do seu estado de absoluto comprometimento e total entrega, da sua paixão (in)controlada, do frisson de se ser 'a escolhida', 'a única', 'a especial'. E dele ser o melhor dos seres do seu género, cheio de virtudes e isento de falhas, à excepção de um certo domínio autoritário, que secretamente se deseja e admira. Básico. Tanto, que escondemos estes 'desejos' e debatemo-nos entre o sentido da igualdade e a libertação justa de preconceitos caducos e uma certa nostalgia de sermos 'levadas', algo entre o conduzido e o decidido sem muita escolha. Coisa para divã de analista, por certo, mas sei que não sou a única a sentir e pensar assim. No fundo, um 'companheiro' é a continuidade da paternalidade, assim como nós somos, não poucas vezes, o esteio maternal que a eles tanto falta.
Todas as histórias a dois são romances a mais. Existem os passados, as sombras, os fantasmas, os rastos em forma de irregulares cicatrizes.
Sobrepõe-se a mágoa da dúvida, a inefável tristeza de haver mácula em tão acalentado sonho, a inescapável realidade das conversas sinceras que exumam mais do que deveriam.
Quantas vezes sabermos é nefasto para vivermos...
02/07/11
casamento (ir)real
a farsa continua.
mas é de historietas assim, com patine muito dourada como a talha das igrejas, que se alimentam risos e piedosas menções.
o rapaz tem filhos ditos bastardos e uma família exótica e ela um ar de infelicidade que nenhum sorriso dissimula.
nem era necessária a fuga de informação sobre a intenção de fuga; fora um nadinha mais próximo e a rapariga lançava-se à água e escafedia-se a nado.
enfim, lá serão infelizes para sempre...
01/07/11
troca de ideias no Facebook
" (...) Eu não minto, mas nem sempre cumpro o que prometo
por vezes temos intenção de fazer algo e não fazemos
não é mentir, porque não existe mentira sobre o futuro
apenas sobre o passado (...)"
...não existe mentira sobre o futuro, apenas sobre o passado...
Que ideia curiosa...
por vezes temos intenção de fazer algo e não fazemos
não é mentir, porque não existe mentira sobre o futuro
apenas sobre o passado (...)"
...não existe mentira sobre o futuro, apenas sobre o passado...
Que ideia curiosa...
orgulho nacional (II)
a poesia em porcelana de uso diário.
além desta, mais sofisticada, também Florbela Espanca adorna louça de utilização corrente, recordando entre um gole de café e uma garfada doce, a beleza das palavras que embrulham sentimentos.
30/06/11
clube "privado"
A coisa é um nadinha ridícula, mas tornou-se necessária.
Alguns sabem que se sucederam episódios rocambolescos com origem em sentimentos menos nobres de gente desqualificada; os restantes, acreditem que ficam bem no desconhecimento.
Cansei-me de invasões negativas, logo numa época em que tanto necessitamos é de positivismo.
E como isto não é exactamente o espaço de uma pessoa vaidosa (só um niquinho), aqui cabem os amigos e os que sempre tiveram um lugar especialíssimo no meu coração.
Escrever, mesmo que tolices inconsequentes e vagas, é apenas um desabafo que faz falta. Como o fazem os comentários que entendem acrescentar.
É comunicar entre diferentes geografias e perspectivas de vida.
É existir.
Numa fase da vida em que acompanho quem vai deixando de ter a noção exacta das realidades, o vigor do agora-já tornou-se essencial para me agarrar ao chão que necessito.
Muito obrigada por estarem por aí.
Abreijos!
estou além
nem cerebral, nem cínica e muito menos afortunada, mas as palavras sempre doutas, espessas de ponderação e lirismo doído do Pedro, levam-me a confessar que 'o amor' são coisas demais para se resumir um suspiro.
é tudo tão complexo ao nível interior e dependente de tantos factores exógenos, que as definições são meros exercícios tácticos; e o que hoje é, amanhã hesita ou renega.
e em tempos de canícula, Loureiro muito gelado e chinese sweet and sour chips, tudo se torna infinitamente nebuloso...
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