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Sexta-feira, Setembro 09, 2011

a glimpse of happiness

alterno raul brandão e ruy belo
transporte no tempo com el-rei junot
a melhor poesia em grande prosa 
grande poesia que toda a prosa deveria ter

morte e mais morte entre 
tanta vertigem de fim é
possível um frémito de 
felicidade em tanta morte 

só no meio da melhor prosa
e de tão grande poesia

Terça-feira, Março 29, 2011

facebook

Para que conste, estou no Facebook. Não porque tivesse muita vontade, mas por razões de índole profissional. Não percebo nada daquilo, a bem dizer, senão que é um fórum de tagarelice. Mas há coisas giras: reencontros com familiares e amigos de outros tempos, ou insurgências no mundo árabe.  Enfim, sendo um blogger, faço daquilo uma extensão deste e doutros blogues que vou mantendo. E exercito-me na legendagem de algumas imagens ou músicas que aqui postei. Não me parece que dê para muito mais. Mas que sei eu?...

Domingo, Fevereiro 06, 2011

prezo-me de alguma sagacidade, espero

Escreveu La Bruyère*: «Um espírito medíocre julga que sabe escrever divinamente; um espírito sagaz julga que só escreve razoàvelmente.» -- ou do espírito crítico (algo que, como o bom senso, foi pessimamente distribuído por deus nosso senhor pelas suas criaturas).

*Os Caracteres, tradução, selecção e prefácio de João de Barros, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1941, p. 73.

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Relatório

Houve tempo em que julguei não ter tempo para ler.
E a minha máxima ambição foi então a de dispor de tempo para ler.
Uma página por dia.
Uma página de boa prosa.
Uma pauta de sinfonia aquiliniana, um fresco dum vasto painel de Paço d'Arcos (Joaquim).
Ler, ler, ler -- era só o que eu queria.
Na paragem da Carris, podia ser.
Foi nessa altura que ganhei o hábito de fugir ao almoço.
Para ler, ler, ler.
Voltado para a parede, para não aturar chatos e ler a sós com o meu livro.
Depois, deixei de saber falar.
Cada encontro um contratempo, uma irritação, um aborrecimento.
Ler, ler, leer!
Mas pouco para dizer, e nada para escrever.

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Ocorrência

Perdi o lápis no mar do Guincho.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

doìdamente

A gravidade daquele acento põe-me como doido.

Sábado, Agosto 19, 2006

Assalto à mão armada

Nunca pensei acabar assim. Dirigindo-me na Mala Posta até Coimbra, neste ano do reinado de D. Maria, nossa Senhora, que Deus guarde, fomos assaltados, perto do Luso, por um grupo de bandoleiros, armados de fuzis de pederneira e gritando vivas a D. Miguel. Depois de nos haverem extorquido todos os bens, forçaram-nos a assistir ao estupro das mulheres que connosco seguiam viagem. Confundindo-me com um célebre publicista que em Lisboa escreve nas folhas em defesa da restauração da Carta, deixaram-me vivo, porém enterrado até ao pescoço, com a minha pena, papel e tinteiro ao lado, para -- disseram-me entre risos alvares -- escrever com a boca louvores «ao malhado do D. Pedro» (Sua Sereníssima Majestade Imperial) e missivas de socorro aos meus amigos do Ministério.
De «Três Estórias com Data» (1994)

Quinta-feira, Abril 13, 2006

,

As vírgulas, como as adoro!

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

As bibliotecas públicas não aguentam os nossos livros.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Obrigado e grato

Nada tenho contra os críticos. A meia dúzia que escreveu sobre os meus livros, elogiou-os.

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Sábado, Janeiro 14, 2006

A palavra inesperada

do estômago sobe-me a palavra inesperada
entre a língua destravada e o palato força-me
a boca desabusada desesperada
rasteira-me a mão e cai
sobre o papel
estatelada
13-VI-2003/
/19-XII-2005

Domingo, Janeiro 01, 2006

Miudezas

Foi-me, por vezes, mais gratificante publicar um magro estudo sobre qualquer escritor obscuro, que um trabalho de maior fôlego consagrado a um consagrado. Houve uma compensação interior de estar a fazer alguma justiça a quem penara tanto como muitos autores canónicos para construir uma obra. E a esperança íntima de no futuro alguém espreitar, de tudo não ter sido em vão.

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

[Tentame]

As palavras são como as mulheres: há que saber pegar nelas da melhor maneira. O que nem sempre sucede.

Sábado, Dezembro 10, 2005

Imitamo-nos uns aos outros. Alguns têm o talento de tornar a cópia pessoal, quase tudo parecendo arrancado das entranhas. Há quem assuma a paráfrase reverencialmente, com bibliografia vasta e notas de rodapé; e também há os que produzem meras contrafacções. Aos mais afortunados reconhece-se-lhes um veio intertextual.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Resignação

Estudos, ensaios de leitura crítica, antologias e recolhas epistolográficas -- tudo isso damos à estampa. Falta-nos, porém, o talento do criador.

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Veleidades

Estudar um autor consagrado. Publicar um estudo penetrante, iluminador dos aspectos mais recônditos da sua vida e obra. Trazer a público os resultados do nosso trabalho, cientes de que se trata de material indispensável a. Sermos, ou termos sido durante anos, quase solitários a fazê-lo. Inversamente, com autor pasto para académicos & outros curiosos, ousarmos de tal maneira a inovação, a fuga ao lugar-comum, que a nossa investigação se torne obrigatória em qualquer bibliografia acerca de -- como que impressa a bold.
Ser como o criador de gado que marca o novilho a ferro com o seu monograma.

Terça-feira, Outubro 18, 2005

Adubo

O talento dos autores a que nos dedicamos é uma espécie de adubo que nos faz medrar. A nossa pequena notoriedade ganha-se à sua custa.

Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Adágio

Um drama pessoal está sempre por detrás do mais aceitável que já escrevemos.

Sexta-feira, Março 25, 2005

Escritório

e pareceu-me que não devia deixar para trás os sons e as imagens que me vão acompanhando
registá-los é pagar o tributo que a mim próprio devo pelas escolhas que fiz
oh, nada de excessivamente intenso, e muito menos de exclusivo, vereis,
mas a minha vida seria outra se nunca ouvisse o tempo infindo que vai do ataque orquestral à entrada do piano no primeiro concerto de Brahms, Barbiroli e Barenboim, no caso,
ou o coral sintetizado de Tony Banks em Selling England by the Pound,
e toda diferente, não fora a leitura dos dois volumes da edição Castilho da Correspondência do Eça, entre o Estoril e o Cais do Sodré, ainda sem metro, e do Tintim (com m) no País do Ouro Negro, em velha tiragem da Flamboyant
este o registo, entre um soneto de Antero e um solo de Jimmy Page
o mais será escrever na areia

Ricardo António Alves