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Segunda-feira, Agosto 15, 2011

adenda

Como é óbvio, sou céptico em relação a uma sociedade em que possa estar afastada uma prática concorrencial que estimule as pessoas a melhorar a vida. Sempre que isso foi tentado, não correu bem. Mas é evidente que se o capitalismo não for domesticado, muita miséria e destruição causará, a começar por ele próprio, até renascer das cinzas, porque inerente à condição humana.

Domingo, Junho 12, 2011

tree of life

«A Árvore da Vida», de Terrence Malick: o Homem como enigma; o Cinema como grande arte.

Quarta-feira, Abril 27, 2011

JornaL - grandes cabrões

A direcção da France Telecom declarou-se transtornada depois de mais um suicídio de um dos seus quadros, cinquenta e tal anos, quatro filhos. Parece que o haviam deslocalizado várias vezes de local de trabalho, obrigando-o a vender a casa. A transtornada direcção, várias vezes solicitada a. nunca respondeu ao funcionário. Mais sociedade, oh sim.

Sábado, Março 19, 2011

a "agressão" ao povo líbio e o vómito

Só peca por tardia a acção da comunidade internacional contra o inenarrável Kadafi. Apesar de ser um tirano sanguinário, uma espécie de Nero da Tripolitânia que ameaça despudoradamente o povo, vejo a gente de sempre com a lengalenga do costume: «agressão» ao povo líbio, mais a pata que os pôs. 
Não têm vergonha nenhuma, estas luminárias. Para eles, umas "verdades duras como punhos" (para usar do neo-realismo militante que tanto apreciam): Revolta de Kronstadt, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, NKVD, Stálin, KGB, Berlim 1953Budapeste 1956, Muro de Berlim, Primavera de Praga, Gulag...  

 Primeiro, falem disto, deste sol que os alumiou durante décadas, e condenem.  Caso contrário, poupem-nos ao vómito do vosso cinismo.
a máscara exemplar de um tirano

Sábado, Março 05, 2011

caderninho - da calúnia

Escreve Emílio Costa*: «A quem nunca foi caluniado nem difamado, falta um elemento de muito valor para conhecer o mundo.»
Dizem que só se calunia e difama quem tem algum valor. Porque pode fazer sombra, porque a insegurança de quem calunia acusa a real ou suposta importância daquele que se torna alvo, etc., etc.
Eu, que sei já ter sido caluniado pelas costas, raramente peço explicações àqueles que não têm coragem de afirmar de caras o que insidiam às esconsas. Por algumas razões: em primeiro lugar porque não tenho grandes medos, nem de hipotéticos telhados de vidro -- lido bem com as minhas fraquezas. Não ter medo(s) é óptimo para ultrapassar as rasteirazinhas que nos vão fazendo. Depois, julgo ter um sentido crítico que relativiza o que não é importante e, principalmente, quem não é importante. Gasta-se boa parte do tempo a tropeçar em gente que não interessa, isto é: gente desinteressante. Por último, tenho cara de poucos amigos, quando quero. Há quem pense duas vezes antes de me aborrecer. Claro que preferiria que esse expediente estivesse ausente das relações humanas, menos por mim do que por aqueles que se degradam em praticá-lo.

* Filosofia Caseira, Lisboa, Seara nova, 1947, p. 157.

Domingo, Fevereiro 06, 2011

prezo-me de alguma sagacidade, espero

Escreveu La Bruyère*: «Um espírito medíocre julga que sabe escrever divinamente; um espírito sagaz julga que só escreve razoàvelmente.» -- ou do espírito crítico (algo que, como o bom senso, foi pessimamente distribuído por deus nosso senhor pelas suas criaturas).

*Os Caracteres, tradução, selecção e prefácio de João de Barros, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1941, p. 73.

Sábado, Fevereiro 05, 2011

não-viver

viver na renúncia e no medo é não-viver

Segunda-feira, Janeiro 31, 2011

regresso ao passado

Disse o narrador dum esplêndido Cyro dos Anjos*: «Os amigos são tão raros que precisamos conservá-los a todo o custo. E quando não possamos ser amigos cem por cento, sejamos cinqüenta ou vinte. Quando encontro, em alguém, cinco por cento de afinidade, contento-me com esses cinco por cento.» Cyro andava pelos trinta anos quando isto escreveu, trinta anos já maduros, pois não há nada mais intolerante do que um jovem adulto, cheio de força e espaço próprio a conquistar. Quando a maturidade chega, tudo se estreita e relativiza: passamos a valorizar as afinidades, como se à procura duma adolescência perdida, idade de descoberta e comunhão.
*O Amanuense Belmiro, Lisboa, Livros Cotovia, 2005, p. 101.

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

lembrete

escrever aqui porque votarei «não» no próximo referendo

Segunda-feira, Julho 10, 2006

A premissa essencial

Um interessante artigo de Antônio Paim, publicado no Público de hoje, reflectindo sobre os efeitos perversos do multiculturalismo, nomeadamente o da guetização das comunidades islâmicas nas sociedades ocidentais, veio recordar-me que a tolerância religiosa sendo uma conquista civilizacional conceptualmente adquirida, não deve ser considerada «um valor supremo».
Isto parece-me evidente, pois quando uma prática religiosa atenta contra a dignidade individual ou colectiva deverá ser combatida sem tréguas.
Neste particular, a famigerada burka (sem esquecer o tchador, apesar de tudo menos ignominioso), que cada vez mais se vê por aí, é ultrajante. Andar por algumas capitais europeias, torna-se um exercício penoso, porque sabemos que aquelas mulheres estão fortemente condicionadas -- apesar da tagarelice desavergonhada dos círculos islamitas.
Não há culturas de primeira nem de segunda, sabêmo-lo há muito -- mas há mais tempo que sabemos não haver géneros superiores. Por isso, afigura-se-me que uma das principais acções da cidadania europeia deve ser a de erradicar esta opressão bárbara cometida diante dos nossos olhos e com a nossa passividade. Não posso sentir-me livre se os meus concidadãos -- ou aqueles que não o sendo vivem à minha volta -- o não forem também. É uma premissa essencial. Daí que a erradicação deste ranço religioso -- que, aliás, começa a contagiar o discurso público de algum catolicismo -- seja um desígnio (um combate, apetece escrever) vital para a preservação de coisas tão importantes, como a própria paz social, sob pena de ficarmos, a prazo, reféns do extremismo -- religioso, mas também étnico; islâmico, mas também fascistóide --, com o cortejo da sua consabida bestialidade.

Terça-feira, Junho 20, 2006

Ressentidos

com o mundo, com a vida, com eles próprios -- são assim os extremistas, a coberto da máscara de fortaleza com que querem enganar(-se).

Terça-feira, Maio 30, 2006

e de repente percebeu que tudo aquilo por que lutara havia deixado de ser importante para as pessoas perguntava-se até se alguma vez o fora chegava a ter a impressão de que se sorriam dele surdiu-lhe uma angústia enorme o peito doía-lhe e comprimia-se vivera em vão e isso estava para além do que podia suportar

Terça-feira, Abril 25, 2006

Rosto humano

Posted by Picasa

Salgueiro Maia
um homem grande
num país minúsculo

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Em nome da decência

No próximo dia 19 de Abril, quarta-feira, assinalam-se os 500 anos de um massacre de quatro mil judeus portugueses em Lisboa. Associo-me ao apelo da Rua da Judiaria: nesse dia, quem puder vá ao Rossio e acenda uma vela em memória de todos e cada um desses supliciados. Eu preguiçoso me confesso, não sei se lá estarei, mas farei por isso, em nome da decência e da memória. Um país sem memória não é um país decente.

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

Escrever na areia - O país real

A propósito do desgraçado toxicodependente que ontem foi linchado no Porto, o Público de hoje titula a sua edição com a pergunta «Como foi possível?»
Interpreto o trágico episódio como uma persistência do Portugal profundo, do país brutal, oco e grunho, que não tolera a diferença. Em face de alguém que foge à norma, como era o caso da pessoa assassinada -- um travesti, ao que parece -- há no lumpen (em que se incluem os destroços familiares), não apenas compreensão e solidariedade, como uma caução socialmente legitimadora que permite e aplaude a agressão ao marginal, ao freak, ao cromo.
Mas não podemos, creio, resumir este tipo de comportamentos como exclusivamente orientados para os homossexuais. Há sempre o bêbado, o deficiente mental, o louco, o mendigo, alguém susceptível de ser alvo da fúria animal.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Escrever na areia - A má consciência e o aldrabão

A propósito da condenação do pseudo-historiador inglês por um tribunal austríaco.
Dum lado, a má consciência da Áustria pelo seu passado nazi e, provavelmente, as autoridades a quererem mostrar serviço. Do outro, um mistificador que, como escreveu Vasco Pulido Valente n'O Espectro (http://o-espectro.blogspot.com/), deliberadamente manipulou e/ou omitiu as fontes documentais que consultou. Não estamos, por isso, diante da expressão de uma opinião, mas da deturpação de uma realidade histórica -- deturpação essa que tem feito o seu caminho, como se verifica por algum lixo que anda também pelos blogues.
O que de mais repelente tem para mim a aldrabice do negacionismo é que mexe com a dor de muita gente ainda viva que passou por aquele inferno ou o drama também sofrido pelos seus descendentes, igualmente vítimas. (Estou a lembrar-me dessa BD exemplar que é Maus, de Art Spiegelman).
Deve a vigarice ser punida? Deve. Poderá ser contraproducente? Talvez. A pena de prisão é excessiva? Não sei. É, porém, uma saborosa ironia sabê-lo encarcerado na Áustria. Melhor, só uma extradição para Israel...

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

Escrever na areia - Comparar o incomparável

Anne Frank teria hoje 73 anos. Ela foi bem real, há amigos e conhecidos que ainda a recordam. O mesmo se passa com a memória de uma parte dos seis milhões de homens, mulheres, crianças, velhos. O seu assassínio a sangue frio -- tal como a execução em matadouro de ciganos, deficientes, homossexuais -- muitas vezes perpetrado com a frieza funcionária que apenas cumpre ordens, ficará como uma das evidências pouco abonatórias da nossa miserável condição humana.
Não quero com isto significar que o Holocausto não possa ser objecto de uma abordagem humorística e satírica. Um notável cartoon de António, há bastantes anos, sugeria que a vítima se tinha tornado em algoz, os judeus israelitas apareciam como carrascos dos palestinianos. É um grande cartoon, concordemos ou não.
Mas...
Nem pensar em comparar o incomparável. É obsceno e revelador da porcaria mental do fanatismo. As pessoas de carne e osso que foram trucidadas pelos nazis têm peso, existiram, somos contemporâneos da sua presença. Abstracções como pastores de camelos, ou filhos de carpinteiros, tocados pelo divino, ficções por mais respeitáveis que sejam as pessoas que nelas crêem, estão por mim relegados para o estatuto do irracional, da milagreirice, das aparições; são para ser discutidas nas igrejas, nas mesquitas, nas sinagogas e não na rua, onde o ar circula. Não me sinto, portanto, obrigado a ser equilibrado e isento no juízo de ambas as manifestações humorísticas. Não seria honesto, não seria decente.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Consciência

Os mais vis criminosos são os que não têm consciência do seu crime.

Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Predador

Hoje escavaquei uma gamba, no prato. Arranquei-lhe as patas, esfolei-a, parti-a aos bocados. Tal como um qualquer predador do NG, o barulho era muito semelhante ao que costuma ser captado pelos micros. Pelo menos, foi-o para mim. Senti-me uma espécie de suricate a comer percevejos de casca dura. Crunch. Com a diferença de o alimento já haver sido previamente morto e cozinhado para mim.

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

escreves escreves escreves

escreves escreves escreves escreves
nada do que dizes rompe a superfície do papel
escreves escreves escreves escreves
entre o panache e a autocomiseração
o artifício e a louvaminha
o lacrimejar e a traição
escreves escreves escreves escreves
e tudo quanto escreves escreves escreves
escreves tem o selo de validade para hoje
promoção de último modelo
gravata de saldo
embuste de tablóide
passatempo de televisão

assim não foi assim é
assim será

30-X-2003