o polimento estorcega-me os calos

Ode To A Screw

Terça-feira, Julho 01, 2008

Milos Forman, 1971.

...

Domingo, Novembro 06, 2005

«Esquecido Ulmeno da mágoa que o atormentava, e Jasmínio com gosto perdido o estado alegre que possuía, estiveram escutando as lástimas de Pradélio com sentimento igual à causa que ele tinha de as publicar.»

in "Lustânia Transformada" de Fernão Álvares do Oriente.


A emissão segue dentro de momentos num outro blogue perto de si. Ou neste blogue se me apetecer.

(69) - We have no art! Send some in!

Sábado, Novembro 05, 2005




«[...]

As tripas atirem pro Diabo,

Que o espírito será de Deus.

Adeus. »


("Poemas da Amiga", Mário de Andrade)

O próximo será o derradeiro.

(68) Abusivo


adj. praticado por abuso; impróprio.
(Do lat. tard. abusïvu-, «usado com abuso»)

(67) - O Malcata

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

O Malcata existiu mesmo. Era um pedinte da minha terra.
Não sei é se a minha terra existiu mesmo.

(66) - Betty Bop

"Boop-a-doo"

(65) - "Lusitânia Transformada"

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Fernão Álvares do Oriente acompanhou a barra lateral deste blogue, ou lá o que isto foi.
Se o sr. Fernão escrevesse hoje, o livro chamar-se-ia "Lusitânia Transtornada". O livro transtorna. A Lusitânia transforma. Este blogue definha. A Lusitânia também. Algo de final se adivinha.


Mas, ao contrário do país, quando este blogue der o flatus mestre será em grande. Ou então não.

(64) - Maus augúrios


O nome é Anátema Device.
O livro é fraco. O blogue é pior do que o livro. O nome é melhor do que o blogue.
Tenho um prognóstico tirado pelos áugures do voo e canto das aves. É meu e é mau.

(63) - Os baixos e altos da vida

Terça-feira, Novembro 01, 2005


top up e pin-down

(62) - "She said he was big and hairy!"


BEAST THAT KILLED WOMEN / MONSTER AT CAMP SUNSHINE
Horror-Film-Nudist-Camp-Drive-In Double Feature!

Poor Delores Carlos

(61) - Os altos e baixos da vida.



pinup

top down

(60) Ceroulas

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Um homem em ceroulas é um triste.
Ceroulas não pagam dívidas.
Dizer "ceroilas" tem mais pinta do que dizer ceroulas. Tal como dizer "ceboilas" é mais rural do que dizer cebolas.
Triste, triste são as "ceroilas" às pintas.
As pintas também não pagam dívidas.
Portanto, mais valia que o outro tivesse dito que o país está de "ceroilas", em vez de ter falado em tangas.
Tangas às pintas é peça de vestuário daquele, daquela, disto.
A perífrase de ceroula é: cuecas de pernas compridas.
Para que conste, o Malcata usava ceroulas.

(59) O Tempo dos néscios

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

O Presente.

(58) O tédio do Tempo

É um caraças de um chato.

(57) O Tempo do tédio

É um chato do caraças.

(56) A precipitação do Tempo

Está de chuva.

(55) O contar do Tempo

Contar o quê? O tempo já não conta para nada.

(54) O passar do Tempo

Já nem conto o tempo que estou à espera que o tempo passe. E o gajo nunca mais passa. Filho da mãe que passa a vida atrasado.

(53) O tempo.

Raios te partam, pois és uma seca.

(52) Redacção sobre as maçãs do rosto

As maçãs do rosto ficam na parte de cima da maçã de Adão, no caso dos homens, e bastante acima dos melões, no caso das mulheres. As maçãs do rosto por vezes estão pálidas, por vezes estão rubras, enrubescem. As maçãs do rosto nunca caem de maduras. Nas maçãs do rosto podem dar-se dentadinhas. As maçãs do rosto antecipam as bochechas.
O corpo humano é feito de fruta.
As maçãs do rosto pertencem a uma macieira chamada rosto. Estou farto de dizer ao Manel que ou me devolve o skate ou parto-lhe a macieira toda.

(51) Telegrama de Quixote a Sancho, Governador da Ilha Barataria.

Domingo, Outubro 16, 2005

Recebi novas acerca de ti. Stop. Dizem-me que governas como se fosses homem de decretos e que decretas como se fosse um bicho. Stop. Os lacedemónios carregam-me nas varizes. Stop. O Zé diz que não gostou das sevandijas que foram por ti enviadas. Stop. O Rei Rodrigo foi metido numa tumba com lagartos, sapos e cobras. Gritou, passado três dias, que os bichos o comiam por onde mais pecara. Stop. A Maria diz que passa por aí lá por altura dos reis. Stop. Peço-te que me envies o pincel da barba. Stop.

(50) Isto sim, isto é um post estúpido.

«Cresce e aparece.» Diz um cabelo para um pelo.

(49) De staite ofe de naichon:

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Depois de longa e apurada reflexão, concluo que este é um blogue fimícola (palavra que no meu dicionário está duas entradas acima de finado, entre as duas registam-se fimose e fina).

(48) - Prenhe de tesouros imensos.

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

A metáfora cantava-se "trailarilolela trailarilolo". Esganiçava-se a alma e o cartapácio nunca morara por aquelas bandas. “Inda a vida te lixará, fi'duma égua manca!” gritava o Zé Borrega, enquanto enganchava o pé no logro que preparava para apanhar coelhos. “Inda a vida te lixará!” repetia já com a saliva a criar cantos ao redondel dos beiços.
Aquele que ouvia tal fado a ser cuspido com ódio e som de pigarro de velho foi lixado pela vida: até ao fim dos seus dias lobregou o mundo como sendo uma serrana aldeia apocalíptica. Tranformou-se num escritor neo-realista.

Eu sempre soubera que a montanha estava prenhe de tesouros imensos.

(47) - No dia da revolução:

Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Um grupo de condutores de táxi empunhará um cartaz. Irão em marcha lenta desde o nó da Buraca até ao Restauradores. Nesse cartaz, as palavras de ordem serão:
Nem mais um fogareiro a andar de carro-de-praça preto e verde.

Nesse mesmo dia, as trabalhadoras do outlet do Carregado gritarão palavras de ordem como:
Um toilet para o outlet.

No dia da revolução, todos estarão felizes com a reivindicação.

No dia da revolução, os cidadãos andarão em estado de nudez e embriaguês a colar cartazes pelas ruas com dizeres como :
The pope smoke dope;
Madalena Iglésias para presidente do Sporting!;
Havemos de festejar-nos!;
Gaita! Sempre tem feito um calor.

No dia da revolução nenhum elevador descerá sem que, pelo menos dois, subam.

Os padeiros gritarão:
Basta de momentos, basta de alma, basta de fonógrafos em noite de datas com capicua, amassemos o ar!

No dia da revolução, não haverá devolução.

No dia da revolução, o Sol nascerá para todos, tal como a Demi Moore.

(46) - O Abusivo abusou

Domingo, Outubro 02, 2005

O Abusivo abusou da confiança e decidiu continuar esta divagação do HM do Alter Nação. E, vai daí, saiu, de repente e sem aviso, a seguinte palermice:


...quando lá chegou ficou maravilhado com a visão. Não era todos os dias que se via um elefante fazer filhós de Natal na companhia de um sargento miliciano acabado de chegar do convento onde, pontualmente, fazia uns serviços à abadessa. Serviços de carpintaria. O miúdo ouvia ao longe o som da banda e nos seus olhos continuava a vadiar a imensidão do futuro. Tudo era possível, bastava encontrar o atalho para lá chegar. Acendeu mais um dos tais e vagueou “direitando e esquerdeando” pela rua. Decidiu fazer tangentes à vida, na esperança de que a secante chegasse sempre um pouco mais tarde. É no que dá ser puto, ouvir bandas pelo Rossio, fumar coisas estranhas e ler uma autora portuguesa que se aprendia no ensino recorrente. O futuro está mesmo ali à frente… o ti Jaime ainda conseguirá plantar amendoins e a D. Estrudeca conseguirá cumprir o sonho de abrir uma loja de venda de flores. Ou isso ou um talho. O puto continuará a ouvir bandas, mesmo quando já não houver coretos na sua vida.

(45) - O bacalhau solitário.


"Wanted, inteiro, aos quartos ou às rodelas"
Escreveu o bacalhau que, desesperadamente, procurava um ovo cozido que o acompanhasse na travessa para ir à mesa. Farto de esperar, o bacalhau, também ele cozido, decidiu avançar sozinho. Sozinho é como quem diz, ia na companhia do pimento verde, pois o pimento vermelho ausentara-se para parte incerta desde que vira o que acontecera à cebola. Assim, lá avançou o bacalhau sem o ovo.
No final, ninguém se lembrava do ovo, e o bacalhau foi ovacionado.

(44) - It’s a bird! It’s a plane! It’s Superman!

Padre Tolentino Mendonça, Domingo, hoje, na TVI:
- “Lembro-me de alguém me ter posto um objecto na mão e de eu ter dito É um barco, é um berço, é uma Nossa Senhora”.

(43) - Diálogo

- Estás a ver a missa?
- Não, estou à espera de que comece o futebol.
- Então, porque é que estás a ver a missa?
- Porque ainda não começou o futebol.

(42) - A ilusão da felicidade.

Domingo, Setembro 25, 2005

Baptizaram-no com o nome de Miquelino Pirralho. E, mesmo assim, têm esperanças de que a vida lhe sorria.

(41) - "Não venhas tarde"

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A grafonola apresenta Carlos Ramos que, com voz de azeite e dengosa, canta o clássico “Não venhas tarde”. Tema composto por Aníbal Nazaré e com letra de João Nobre. A letra relata o que a mulher lhe terá pedido, da janela. É lindo, é romântico e tem palavras como "carinho", "alarde" e "baixinho".

E ele diz palavras belas como: “tu sabes bem que eu vou para outra mulher, que ela me prende também, que só faço o que ela quer.” Ups! Parece que, afinal, isto promete.
Então, o moço diz que sabe que a senhora sua esposa está sentida, que lhe chama cobarde, mas que lhe sabe dizer, sorrindo (atenção ao pormenor), “meu amor, não venhas tarde.” E di-lo “Sem azedume.” Ah Faneca!

A esposa, enganada, arde na “fogueira do ciúme”, mas ele vem sempre mais tarde, porque não sabe fugir da amante. Sem alegria (atenção ao pormenor), ele confessa ter medo de que a legítima lhe diga, um dia, “meu amor não venhas cedo”. Remata com a pérola “tenho medo de que chegue o dia” em que ela lhe diga, “meu amor, não venhas cedo”.
El gran finale: “Por ironia, pois nunca sei onde vais, que eu chegue cedo algum dia e seja tarde demais.” Esta antítese final é de fino recorte literário.

Encornanço puro e duro, e com consentimento mútuo. Sim senhor, those were the days. Quem diria? Uma musiquita tão singela e com tanto que se lhe diga.

E já agora, que tal a forma como o cantor canta a palavra “quer”?

(40) - História verídica.

Terça-feira, Setembro 20, 2005

- Meu caro, tem ali a sua secretária. O seu emprego é estar sentado numa secretária e olhar.
- Nem pense! Isso é um ultraje! Prefiro sentar-me numa sanita. Ali é que eu não me sento.


Moral da história: há gente que exige “estar na merda”. Façamos-lhe a vontade.

(39) - As memórias desportivas.

Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Nos idos cinquenta do Século passado… jogavam à bola, lá pelas aldeolas perdidas das berças, jogadores com nomes como Borregueta, Bota Fina, Tanganho e Zé Russo.

Nos idos noventa do Século passado… ouvi um relato em que um tal Gaivotas falhou um penalty defendido por um tal Calhau.

No meio de tudo isto… existia a Estaquinha. A mulher que, sozinha, arrumava, nas bancadas, com a claque adversária. Para tal, bastava-lhe um vocabulário de fazer corar as pedras da calçada e uma sombrinha que acabava, invariavelmente, partida.

Desporto, porrada e boa disposição.

(38) - fox-trot [fókstrót]

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

A profilaxia foi atacada de filoxera filoxantina enquanto andava num taxi tóxico. Precisamos de filoxericida para que não haja uma tendência crescente para filoxerar as fílulas.

Fónix!

Profilaxia mental:
o m. q. higiene mental.
Higiene mental:
ramo da higiene destinado a manter a saúde mental e a assegurar a profilaxia das neuroses e das psicoses, combatendo os factores nocivos (excessos de trabalho, choques emocionais, intoxicações, alcoolismo, etc.) e promovendo o rastreio precoce das predisposições (H. Piéron, psicólogo francês, 1881-1964).

(37) - A missão.

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

O padre Casimiro da Imaculada Conceição fez todos os seus filhos na posição de missionário.
Fez os filhos por missão e não por prazer.

(36) - Allez vite au Portugal pour touer la merda des saudades. Atão não querendendes lá ver.

Segunda-feira, Agosto 01, 2005


Vames ós gros magazins acheter des choses pá janta.
Atencion Michele! Miguélé, ouvre les olhos ou malhas c'os cornos!
São pneumatiques Miclina cruz na minha viature.
Lá é que se ganhe, mê também se gaste bócú ossí.
Faz atencion.
Lá é que é.
Voici les franques, pardon les eurios.
A minha tante é tonta.

Ó mon Diú, la piquena tá taaaammm grande, bócú.
Ou lá lá
Ó didôn.
Pó ano há mai. Au revoir.


Emigrantes, ouvi, ouvi a cantiga do Graciano Saga e aprendei com o drama que "conteceu" porque o emigrante vinha cansado, fatigado, de tanto rolar.(chuiff, chuiff) Liiiiindo! É Agosto, porra!

(35) - Calhaus

João da Cunha era tão calhau que, em vez de árvore genealógica, tinha uma árvore geológica.

Não tinha telhados de vidro, mas também não consta que tivesse andado a atirar com os seus familiares.

(34) - Testemunho.

Domingo, Julho 17, 2005

Juiz:
Diga lá shôdona Olinda o que é que a senhora viu lá da janela de sua casa.

Testemunha:
Aqueje bateu àqueje com uma sachaàqueje. Eu estava em casa a comer um bocadito de pão e não vi nada.

(33) - A vida também se desdiz.

"A vida também se diz" disse, durante anos, um gajo na Rádio Renascença. O que ele dizia era mais exactamente "A vida também che dije", com aquele sotaque de pároco da Beira Alta. "A vida também se diz", e em seguida dizia-se a vida.
E lá estavam todos felizes a dizer a vida. E lá estavam alguns infelizes a ouvir a vida a ser dita.
Maria Augusta ouvia sempre esse programa. Depois, lá ia dizer a uns a vida dos outros. Era assim a desdita vida desta Maria que aspirava a ser augusta na beatice de ouvir e dizer a vida.

(32) - Credo! Papagaios?!

Terça-feira, Julho 12, 2005

Anita, naquele dia, levantou-se e viveu atormentada com um problema zoológico.
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Doíam-lhe os bicos de papagaio.

(31) - Cruzes!? Credo!

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Anita, naquele dia, levantou-se e viveu atormentada com um problema teológico.



Doíam-lhe as cruzes.

(30) - Educação

Segundo o Zé Bonito, a sua cria, António Rafael, estava sempre disposta a "encanar a perna à rã". Para que tal se não verificasse, era necessário que a sua cria "tivesse as tarraxas bem apertadinhas".
Quando António Rafael era confrontado com estas noções de autoridade paterna, as suas palavras, invariavelmente, eram: "Vou às sortes e safo-me disto".
E assim se criava o catraio.

(29) - "Toquem bem, mas parem muito"

Domingo, Julho 03, 2005


Estes são os musicantes responsáveis pela bela música que está na grafenola alí em baixo. O “Conjunto Oliveira Muge” interpreta o tema “Longe de ti”. Peço-vos um grande aplauso para os artistas. Obrigado.

(28) - Charada malcatiana.

Sexta-feira, Julho 01, 2005

O Malcata casou quatro vezes. O Malcata enviuvou cinco mulheres. Todas por diferentes motivos. De todos os crimes, o Malcata foi condenado apenas por dois.

(27) - O post mais estúpido que algum dia foi escrito, mas que ainda tenho esperanças de ultrapassar.

O Sopas, em vias de se tornar polícia, tinha sérias dificuldades de concentração. Toda a vida ouvira dizer isso, mas para ele sempre foi difícil conceber a ideia de concentrar o seu corpo de 75 Kg de massa muscular, trabalhada até à exaustão no ginásio que o Ronhas tinha construído na garagem, numa pequena lata de quinhentos gramas…


(26) - Razões que o amor desconhece

Manuel Agrião — assim o chamam sem que ninguém saiba o porquê, visto que o seu nome de baptismo é Rui e o seu apelido Gonçalves — teve que interromper o namoro da sua vida com Alcina Alface — assim se chamou por ironias do Destino e teimosias do desatino paterno. Dizia eu que Manuel e Alcina tiveram que interromper o namoro… por razões óbvias.

(25) - Contus interruptus

Naquele dia, Crisálida chegou à escola secundária com um coração pintado na face. Fora Toninho Estorninho quem lho pintara num momento de eterna jura amorosa.
Passados oito anos, já Crisálida não o é, e o Estorninho voou para França em busca de outras borboletas. Há quem diga que foi para fugir ao pai de Crisálida que, entretanto,... (para grande pena minha, não compreendo o resto da frase que escrevi, há mais de um mês, no Moleskine).

(24) - Correio sentimental

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Certo dia, nos idos anos 60, Guilhermino Lindeza, que era solteiro e trabalhador, colocou um anúncio na secção do “Correio Sentimental” de uma conhecida revista feminina. No referido anúncio, Guilhermino Lindeza, que além de solteiro e trabalhador era também honesto e bom rapaz, pedia um donzela casadoira para falas «sérias», pois as suas intenções eram sérias, vinha de famílias honradas, muito humildes, mas que nada deviam a ninguém. Para mostrar a sua honestidade, Guilhermino Lindeza acabou a missiva dizendo que passava os dias a «deitar o podão à racha».



Resta dizer que o sério, honesto e trabalhador Guilhermino era lenhador.

(23) - A ventoinha de pé.



Lurdes comprou, de pé, uma ventoinha de pé. De pé ficou a ventoinha no seu quarto, no Verão, a “ventar”. “Ventava” para a esquerda, “ventava” para a “direita”, sempre de pé, sempre a “ventar”. Era uma ventoinha situacionista, talvez por isso fosse uma ventoinha que se aguentava sempre de pé, mas sem coluna vertebral.
Enquanto Lurdes dormia deitada, a ventoinha de pé “ventava” de pé. Sempre sem levantar um pé-de-vento, sempre sem se queixar.
Assim que Lurdes abandonava a casa, a ventoinha deitava-se, descansava. Olhava para o tecto e sonhava com o dia em que ela, a ventoinha, teria uma ventoinha de tecto para a “ventar”.

(22) - A garfada

Sexta-feira, Junho 17, 2005

- Cala-te! - disse ela chateada, enquanto espetava mais uma garfada no tomate.



No tomate da salada, entenda-se.

(21) - Boas famílias têm bons costumes.

Gertrudes Sabino fora amante de Manuel Mendonça. Só João Sabino e Dolores Mendonça souberam do caso. A esmerada educação daquelas duas famílias “bem” obrigava a que a história do idílio ficasse em família.

(20) - Temperos.

Domingo, Junho 05, 2005

Por meados de Maio, ocorreu um estranho fenómeno na família de Malaquias. Ao fazer o jantar, a mãe, que já vinha “tocada” da tasca do Betesgas, trocou o azeite com o Sonasol. O tempero deu logo um sabor diferente ao grão que é fruto da planta da família das Gramíneas, mas ninguém ligou. Ainda foram parar ao hospital, mas o médico disse que já não valia a pena. Segundo o senhor doutor médico, ninguém aguentaria duas lavagens ao estômago na mesma noite.

(19) - A flóber.

Gonçalo sempre fora uma nulidade nas disciplinas de línguas. Digamos que, para ele, tudo era chinês. A mãe do petiz chegara ao ponto de dizer às vizinhas e aos professores do petiz Gonçalo que ele “dava um tiro nos livros”. O professor de literatura francesa desconfiou do exagero. Não devia, pois não teria cometido o erro de ter dito, numa aula, que era necessário ser “certeiro com a obra de Flaubert”, para Gonçalo não havia qualquer distinção entre Flaubert e flóber... e assim se chumba (literalmente) a literatura francesa.

(18) - Pedido de desculpas.

Quero pedir desculpa aos 6 ou 7 leitores mensais deste blogue. A chantagem é feia e o post abaixo envergonha-me. Mas um homem não é perfeito e eu queria forçosamente colocar aquela imagem neste blogue...
Quero agradecer às almas caridosas que tiveram a caridade de lá deixar os comentários.
Como compensação, este post não admite comentários.

(17) - Schiu

Terça-feira, Maio 31, 2005

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Estou em meditação e, em breve, aparecerão novas histórias.

Para tal, é necessário que este post tenha, pelo menos, 5 comentários.

(16) - Aspirina e Gasolina

Quarta-feira, Maio 11, 2005

Augusta trabalhava numa farmácia. Como tal, fora alcunhada de "Aspirina". Augusta, a "miss Aspirina", era uma mulher solteira, muito liberal e bastante barulhenta. Este último aspecto da sua personalidade tinha o condão de irritar bastante o "ti Adelino”, um simpático e pacato velhote que vivia na casa contígua à casa de Augusta. O "ti Adelino" era um velhinho simpático e querido por toda a população daquela pequena vila. Enquanto novo já era simpático e querido, nessa altura só lhe faltava envelhecer para ser um velhinho simpático.
Naquela noite, já o "ti Adelino” tinha envelhecido, como tal, já é legítimo ao narrador desta narrativa denominá-lo de “velhinho simpático”. Assim – escrevia eu – naquela noite em particular, o "ti Adelino (o tal velhinho simpático, lembram-se?) já farto de ouvir a barulheira feita pela "miss Aspirina", e depois de inúmeros avisos, saiu de casa com a caçadeira devidamente encartuchada e engatilhada, bateu, educadamente, à porta da vizinha e, com um sorriso simpático e afável, enfiou-lhe com dois tiros (“balázios” no dizer do povo rude) de caçadeira bem no meio da testa.
A partir daquele dia, na minha terra, a Aspirina ficou com o mesmo estatuto da Gasolina. Deste modo, começámos a ter, também, aspirina sem chumbo e aspirina com chumbo.

(15) - O "Espalha Brasas".

Terça-feira, Maio 10, 2005

Rodrigo Fumeiro, o “Espalha Brasas”, tinha umas calças, tal como tinha a boca. Rodrigo Fumeiro, de cognome o “Espalha Brasas”, era um desbocado com umas calças à boca-de-sino. Ao andar cantava as horas e chegou, certo dia solarengo, a substituir os sinos da Igreja. Sinos que o padre Bento, conhecido também pelo “Agarra”, mandara polir para melhorar “os tons graves”. Como Ricardo Fumeiro, que atendia pelo nome de guerra “Espalha Brasas”, tinha uma boca como as calças à boca-de-sino, também era útil para substituir a sirena dos bombeiros. Um dia apareceu morto, diz-se que foi assassinado por ser muito barulhento. Mas também há quem diga que se finou sem largar um pio.

(14) - A cadeia alimentar.

Sexta-feira, Abril 29, 2005

Sinto a barriga a dar horas. Disse Joana depois de te engolido o cuco do relógio.
Eu também já sinto um ratinho. Disse Joaquina depois de ter dado conta do gato que dera conta do rato.

(13) - A história da História.

Quarta-feira, Abril 20, 2005

Hoje deu-me para escrever sobre uma história que não aconteceu.
Toda a malta manda bocas à escolha do Rat para Papa. Segudo me disseram, lá pela Trindade, quando o Pai e o Filho souberam da escolha feita pelo terceiro sócio, quase cortaram relações com ele. Calma, eu estou a falar da Cervejaria Trindade e não da Santíssima. Pelo que me dizem, o tal da família Espírito Santo, o tal terceiro sócio da Trindade, defendeu-se dizendo que podia ser pior e mostrou esta foto como exemplo.

(12) - Olha "questa"?!

Segunda-feira, Abril 18, 2005

Fui apanhado numa corrente sobre desgostos literários e pronto deu esta coisa.


Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
O livro “Autos de Natal” de João César das Neves, pelo menos não se perdia nada de útil quando começasse a arder. Até seria irónico, César das Neves a arder na fogueira.
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Uma vez, uma personagem do Dostoievski apanhou-me em trajos menores, não sei se isso conta, era um cão, chamado Azorka, que saltou, a quatro patas, de dentro do “Humilhados e Ofendidos”. Apanhado fiquei pela Joaninha Vilar de “Os Maias”, parece-me jeitozinha qb.
Qual foi o último livro que compraste?”
"A Arte de Bem Cavalgar em Toda a Cela” de Dom Duarte, mas já vi que o título nada tem a ver com o que esperava encontrar.
Qual o último livro que leste?
Foi o livro de leituras da primeira classe.
Que livros estás a ler?
Não é bem um livro. É o Borda D’Água, se bem que o Seringador já me está a tentar.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Um manual de construções de barcos, um manual de construções de pontes, e, para dar um ar intelectual, três livros da colecção “Uma Aventura”.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Ao Pereira do Abrupto;
Ao Tó-Zé do Tó-Zé Seguro;
Ao MEC do Pastilhas.

Porque sempre quero ver se eles existem.

(11) - Coisas do Altíssimo.

Domingo, Abril 17, 2005

- Merda! Gritou Joselino quando enfiou uma martelada nos dedos. Estava na Semana Santa a pregar o vizinho, o Rui das piscinas, à cruz. O Rui fora sorteado para ser o Cristo na cruz. Inicialmente não gostara da ideia, mas tendo-lhe a Idalina dito que iria ser um sucesso, apenas de tanga, a mostrar o corpinho, o Rui lá acedeu. Antecipava ter as "Marias" a seus pés. Quem andava um pouco enciumado era o Joselino. Naquela tarde, quase noite, decidiu que se haveria de vingar do Rui. Mas Deus não esteve pelos ajustes.Gosta de ter o exclusivo na crucificação do Seu filho.
Joselino aprendeu, nessa noite, uma grande lição. Mas no dia seguinte, quando Rui se dirigia para casa, Joselino enfiou-lhe com uma chave de parafusos na região temporal da cabeça.
Naquele momento, já não havia problema, Rui já não era O filho de Deus. Pelo menos foi isto que o Joselino disse ao Sr. Doutor Juiz.

(10) - A viagem na “carreira”

Quinta-feira, Abril 14, 2005

Maria da Graça, de sua graça, (que graça mais parva), acreditava que, para não enjoar enquanto fazia a viagem na “carreira”, bastava descalçar-se. A mezinha, que lhe fora dada pela tia-avó Rozarinho, durante um jantar em casa do Chico Cabresto, espantosamente resultava com Maria da Graça. O problema é que não havia mezinha que resultasse com as passageiras que ocupavam os lugares a jusante e montante da dita.
Era incrível aquela “Carreira”que ia de Escarrapicha a Póvoa Palhaça. Ia tudo corrido a Vomidrines e sacos plásticos da “Grula”. O saco sempre era mais eficaz a apanhar os líquidos e sólidos da regurgitação colectiva do que a pequena embalagem do “vomidrine”.
Aquela Maria da Graça era, de facto, uma graça. Foi pena ter-se uma vez metido com o “Malcata” quando este já vinha com os azeites. Mas isso é uma outra história.

(9) - O penico.

Quarta-feira, Abril 06, 2005

Um penico nas mãos de um velho rezingão pode ser uma arma mortal. Que o diga a Joaquina que, numa noite de azar, se aventurou pelo quarto de José, pé ante pé, sem acender a luz...

(8) - Simplesmente Maria.

Maria vivia, Maria pensava que vivia, Maria nunca pensava no seu viver. Por isso, não devo escrever que Maria pensava que vivia, pois Maria pensava, mas não pensava no facto de, efectivamente, estar viva. Assim, Maria vivia e pensava, mas não pensava que estava viva, pensava apenas. Se Maria algum dia pensasse que vivia, isto é, se Maria algum dia pensasse na vida, saberia que aquilo não era viver e deixaria de viver. E também de pensar.
Deste modo, para Maria, a máxima seria "não penso, logo existo". Mas isto sou eu a pensar.

(7) - O Malcata

Segunda-feira, Março 21, 2005

O "Malcata" tinha cães e não tinha casa, era amigo do "Festa Foguetes" que tinha casa e não tinha cães. Depois havia também o "Medalhas". Cada um deles tinha uma loucura única. Os loucos da minha terra tinham muito mais pinta do que os loucos das outras terras. Um dia destes vou escrever sobre eles.

(6) - O cão.

Terça-feira, Março 08, 2005

Um homem comprou um cão, olhou para o cão e decidiu que aquele cão haveria de falar. Começou o trabalho, mas o bicho… nada. Insistiu, trabalhou-o. Os amigos do homem tentaram, em vão, dizer-lhe que um cão não é um papagaio. Mas o homem insistia, já se rebolava à frente do cão. Chegava a especar o cão em frente do televisor a visionar horas e horas do “Preço certo em euros”. Não resultou. Tentou, então, a “Rua Sésamo”, mas nada. Em desespero, obrigou o canídeo a observar a “Universidade Aberta”. Aquele cão haveria de falar. Os amigos já desesperavam com o homem. Passaram-se dois anos e o cão continuava a não falar. Os amigos, fartos de explicar ao homem que aquele cão não era um papagaio, afastaram-se.
Certo dia, já em desespero, o homem desistiu, abriu a janela e estava decidido a deixar que o cão fosse livre, agarrou-o com ambas as mãos, levou-o até à janela aberta e soltou-o… deixou que o cão voasse para longe. Enquanto o cão se afastava num planar suave, o homem ainda o ouviu dizer: “Otário!”.

(5) - De facto, foi um estranho dia.

Josué saiu de casa naquele dia, como todos os dias, optimista. Saiu pelas 07:42h da manhã. O ar tinha um odor saboroso, mas, de repente, teve a intuição que aquele não seria um dia tão bom como isso. De facto, não foi.
Pelas 11:21h da manhã, enquanto Josué lia n’ “A Bola” a crónica da partida de futebol do seu clube, o Amora, sentiu-se mal, começou a sentir-se enjoado e descobriu que estava gravemente grávido. Como era um rapaz solteiro a quem na igreja da paróquia ninguém conhecia vícios, Josué atirou-se para baixo de um eléctrico que ia passando nas imediações.
O facto de estar grávido só foi descoberto na autópsia, quando o jovem infante, o nado-morto, disse, à atónita parteira, que desejava um descafeinado "Delta" e que o seu pai tencionava nomeá-lo de Mafalda. De facto, uma desgraça nunca vem só.

(4) - Camionista.

José Augusto era um conceituado camionista que só dava boleia a putas que estivessem lavadinhas. Assim, transportava sempre com ele, no camião, dentro do tablier, umas luvas plásticas gamadas num posto de gasolinada GALP. Ninguém entendia o motivo, mas isso também não o impedia de ser feliz.

(3) - Trackbacks - traque baques?

Quarta-feira, Março 02, 2005

O que é um traquebaque? Será um traque atrás? Será que há traques à frente? Alguém me diz, por favor, o que é um traquebaque? Traquebaque é quase tão absurdo como linke. Como é que se faz um linke neste servidor (nome malandro) do "belógue" (nome lúbrico)? AJUDEM-ME!!!DOROTHY IS THE NAME!!! Follow the estrada de ladrilhos amarelos... Pronto! Traquebequei.

(2) - O Rigor dos palhaços

Os palhaços, em bom rigor, não fazem nada a não ser umas palhaçadas palhaceiras. Palhaçadas destas fazem posts e defazem pinos.Já agora que fique bem claro que nas ruas há pinopos e pilaretes (que é o nome que se dá aos pinopos). Tal como o mundo dos palhaços que fazem palhaçadas de trás para a frente e de frente para trás e vice versa e versa vice. Palhaços.

(1) - Isto é Absurdo

Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.

O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a...

Álvaro de Campos excerto de Opiário.