
1959
Às vezes, a meio da tarde, morro assim,
de borco, num vómito de mim.
Onde sou em ti? E onde é que em ti estou?
Mais um par de pernas, longas, abertas ou
fechadas, seios, mãos, olhos, boca, tudo
carne. E nada da novo experimentado,
além do tiro na tarde.
E morro assim, às vezes, também de manhã,
de borco, sempre num vómito de mim,
repetida, como todos os gestos gastos que gastas
já gastos noutros desgastes.
E também de noite já morri assim.
Fátima Pinto Ferreira
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