Terça-feira, Março 14, 2006
Quarta-feira, Março 08, 2006
Terça-feira, Março 07, 2006

Billie Holiday
Não foram muitas as canções escritas pela mão
de Billie Holiday (God bless the child, Strange fruit, Billie's blues, Don't explain, Everything happens for the best, Fine and mellow, My man, Lady sings the blues, Long gone blues, Our love is different, Please don’t do it in here,
Somebody's on my mind, Tell me more and more). Mais do que uma compositora, Lady Day era uma "recompositora" e tornou-se célebre um duelo com Sarah Vaughan em "I cried for you", improvisando oito refrões diferentes. Havia canções que eram carne da sua carne, como relatou na sua autobiografia, e "(I love you) Porgy" ou "The man I love" sabiam-lhe a pato com laranja, o seu prato favorito.
A sua voz lentíssima, cujo espectro era devolvido ao silêncio, era mais do que reflexiva ou sensual, estava para além da perturbação.
Ironicamente, a descoberta do seu talento também se fez por ter fome. Tinha 15 anos, a mãe recebera uma nota de despejo por não ter pago a renda de casa e Billie saiu à rua para procurar emprego, já em desespero. Calcorreou o Harlem de lés-a-lés até que se esgueirou para o Log Cabin, onde pediu emprego como bailarina. Sabia apenas dois passos e o dono mandou-a desandar. O pianista do bar perguntou-lhe se sabia cantar. Ela respondeu: "Claro que sei cantar, mas o que é que isso adianta?", mas pediu-lhe para tocar "Trav'lin". "Fez-se silêncio de repente, podia ouvir-se cair um alfinete. Quando cheguei ao fim estavam todos a chorar para dentro das cervejas e apanhei do chão 38 dólares". Apesar de em outra versão ter contado que recebeu 18 dólares em gorjetas, manteve sempre a história de que a primeira coisa que fez com o dinheiro foi comprar uma galinha e feijão guisado.
Mesmo quando falava do seu canto contradizia-se, tanto afirmava que a voz não era um saxofone e que "depende inteiramente do corpo que Deus nos deu", como afirmava ''tocar" a voz como um instrumento de sopro: "Tento improvisar como o Lester Young e o Louie Armstrong". Acima de tudo, detestava cantar correctamente: "0 que sai tem a ver com o que sinto. Tenho de adaptar o tema à minha maneira".
A sua "maneira" de cantar, mesmo quando já podia ter Cadillacs e visons, não a fazia esquecer a fome que tinha passado e o amor que sempre sentiu ter-lhe sido recusado e por isso havia canções que nem cantava.
Sonhava ter uma casa de campo, onde pudesse tratar de cães rafeiros e das crianças que mais ninguém queria, "para cuidar delas, dar-lhes de comer, obrigar os sacanitas a ir à escola; dar-lhes na cabeça quando se portassem mal, mas amá-las quer fossem boas ou más". Morreu com quarenta e quatro anos, de ataque cardíaco, depois de ter sido internada com uma cirrose. Estava detida no hospital, porque a polícia alegara ter encontrado heroína no seu quarto. De resto, estava presa desde menina, quando adormeceu ao lado da bisavó, que lhe contava uma história dos tempos em que era escrava. Quando acordou, a velhota tinha morrido mas deixara o braço por cima do seu pescoço e Billie não conseguiu libertar-se. "To dream my dream could be my mistake, but I’d rather be wrong, and sleep right along than wake".
Texto de Rui Catalão 15 Agosto 1999
Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006
Domingo, Fevereiro 26, 2006

Poema 4
José Craveirinha – (Lourenço Marques, 1922 – Joanesburgo, 2003)
MULATA MARGARIDA
Eu tenho uma lírica poesia
nos cinquenta escudos do meu ordenado
que me dão quinze minutos de sinceridade
na cama da mulata que abortou
e pagou à parteira
Com o relógio suíço do marinheiro inglês.
Mulata Margarida
da carreira do machimbombo treze
de cabelo desfrisado com ferro e brilhantina
fio de ouro com medalha de um misericordioso
Deus Nosso Senhor do patrão
e tu Joaquim chofer do táxi castanho
sabem que eu sou bom freguês
três dias apenas depois do fim do mês
e corpo moreno de mulata Margarida
é vestido de nailon que senhor da cantina pagou
é quinhenta de chá
arroz e molho de amendoim
de Zeca Macubana que herdou olhos azuis
das românticas noites
de jazz
nos bares da Rua Araújo
enquanto a cinta elástica suspende
o ovário descaído.
E eu sei poesia
quando levo comigo a pureza
da mulata Margarida
Na sua décima quinta blenorragia.
(Maio de 1959)
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
The album cover art is a painting by Neil Fujita

JAZZ - VINTAGE 7
Dave Brubeck Quartet-Time Out (Columbia) CD CK-40585
Time Out é considerado uma revolução na história do jazz. Foi a primeira obra do estilo a quebrar a rigidez dos compassos 4/4......é uma boa porta de entrada para quem quer aprender a gostar de jazz.
The Dave Brubeck Quartet:
Dave Brubeck (piano)-Paul Desmond (alto sax)-Joe Morello (drums)-Eugene Wright (bass)
Tema 3 - take five

JAZZ - VINTAGE 7
Dave Brubeck Quartet-Time Out (Columbia) CD CK-40585
Time Out é considerado uma revolução na história do jazz. Foi a primeira obra do estilo a quebrar a rigidez dos compassos 4/4......é uma boa porta de entrada para quem quer aprender a gostar de jazz.
The Dave Brubeck Quartet:
Dave Brubeck (piano)-Paul Desmond (alto sax)-Joe Morello (drums)-Eugene Wright (bass)
Tema 3 - take five
Sábado, Fevereiro 11, 2006
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
Photo by Herman Leonard
(Stan Getz with Tommy Potter and Al Haig, Birdland NYC 1949)

Poema 3
Miguel Barbosa (Lisboa, 1925)
JAM SESSION
notas
------arredondadas
------pelo suor das vozes
------e do improviso
------subiam pelas paredes
------em soluços de saxofone
------como bolas de sabão
que tu tentavas agarrar
enquanto eu ia buscar
o meu ritmo no sincopado
dos teus olhos
------logo um piano
------semeava sílabas
------que o contrabaixo prolongava
------complementarizando as frases
------quando a porta se abria
e num gemido agudo
------de trompete
------se fazia também jazz
------na comunhão
dos mesmos sentimentos
com que nós dois dávamos
as mãos
(Stan Getz with Tommy Potter and Al Haig, Birdland NYC 1949)

Poema 3
Miguel Barbosa (Lisboa, 1925)
JAM SESSION
notas
------arredondadas
------pelo suor das vozes
------e do improviso
------subiam pelas paredes
------em soluços de saxofone
------como bolas de sabão
que tu tentavas agarrar
enquanto eu ia buscar
o meu ritmo no sincopado
dos teus olhos
------logo um piano
------semeava sílabas
------que o contrabaixo prolongava
------complementarizando as frases
------quando a porta se abria
e num gemido agudo
------de trompete
------se fazia também jazz
------na comunhão
dos mesmos sentimentos
com que nós dois dávamos
as mãos
Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Painting by Paul N Grech (Louis Armstrong)

Painting by Paul N Grech (Lester Young)

Painting by Paul N Grech (Cuba)

Painting by Paul N Grech (The Green Room)
Paul N Grech
Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

Bill Evans, 1957

John Coltrane,1957

Miles Davis and Paul Chambers, 1957

Sonny Rollins, 1962

Charles Mingus, 1974----------------------Chet Baker, 1980
Photos by Sy Johnson
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Sábado, Janeiro 28, 2006

COVER ART 5
Hank Mobley - Soul Station (Blue Note) CD 95343
Cover photograph by Francis Wolff, Cover design by Reid Miles
Sexta-feira, Janeiro 27, 2006
Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
Sábado, Janeiro 21, 2006
Ouro negro de Moacir Santos

Moacir Santos
“Só mesmo o Destino, com os vários nomes que tem, para transformar um negrinho do interior de Pernambuco, nascido menos de quatro décadas após a abolição da escravatura e órfão aos 3 anos de idade, em um dos músicos brasileiros mais reconhecidos, nacional e internacionalmente, em todos os tempos. Pois este é o resumo da história do maestro Moacir Santos, que, aos 14 anos, nem sabia ao certo sua idade nem a grafia de seu nome. E que, impulsionado por uma força”
Primeiro tema do CD 1 - Coisa nº5-Nanã

Moacir Santos
“Só mesmo o Destino, com os vários nomes que tem, para transformar um negrinho do interior de Pernambuco, nascido menos de quatro décadas após a abolição da escravatura e órfão aos 3 anos de idade, em um dos músicos brasileiros mais reconhecidos, nacional e internacionalmente, em todos os tempos. Pois este é o resumo da história do maestro Moacir Santos, que, aos 14 anos, nem sabia ao certo sua idade nem a grafia de seu nome. E que, impulsionado por uma força”
Primeiro tema do CD 1 - Coisa nº5-Nanã
Quarta-feira, Janeiro 18, 2006
Segunda-feira, Janeiro 16, 2006





JAZZ - VINTAGE 6 (X5)
Shelly Manne & His Men At The Black Hawk (contemporary) vol.1,2,3,4,5
Gravado no Club Black Hawk de San francisco em três noites (22,23,24) de setembro 1959
Shelly Manne (drums), Joe Gordon (trumpet), Richie Kamuca (tenor sax), Victor Felman (piano), Monty Budwig (bass).
Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
Photo by Tony Reans (jazz singer)

Poema 2
Mário Dionísio (Lisboa, 1916-1993)
Toda a tarde jazz------E que me rala imaginar
que o estou ouvindo sem pensar em nada?
Bom é isto de ouvir e deixa andar
Mas entre o que me agrada e não agrada
tanto outras pontes possíveis estão espreitando
dedos de som que não quero e arquitecto
infeliz por mal ver o que estou arquitectando
Uma trompete de chofre tresmalhada
em convulsas volutas pelo ar
é que descobre e fica desfiando
telepaticamente o meu projecto
-------------------------------------
Ela canta agarrada como que sensualmente ao microfone
uma espécie de manifesto
“Deve haver aí milhões de pessoas”
Canta e espalha um sol negro de dentes muito brancos
mexendo as ancas e o cone
que as coxas vão abrindo e fechando em solavancos
de protesto
Do umbigo à garganta a câmara desliza lentamente
colada à voz ora estridente
ora velada electrizando a bateria e o piano até ao espasmo dum amor
espiritual em prece
de requebro e furor
Cantas e esplêndida adormeces
aquilo mesmo que apregoas

Poema 2
Mário Dionísio (Lisboa, 1916-1993)
Toda a tarde jazz------E que me rala imaginar
que o estou ouvindo sem pensar em nada?
Bom é isto de ouvir e deixa andar
Mas entre o que me agrada e não agrada
tanto outras pontes possíveis estão espreitando
dedos de som que não quero e arquitecto
infeliz por mal ver o que estou arquitectando
Uma trompete de chofre tresmalhada
em convulsas volutas pelo ar
é que descobre e fica desfiando
telepaticamente o meu projecto
-------------------------------------
Ela canta agarrada como que sensualmente ao microfone
uma espécie de manifesto
“Deve haver aí milhões de pessoas”
Canta e espalha um sol negro de dentes muito brancos
mexendo as ancas e o cone
que as coxas vão abrindo e fechando em solavancos
de protesto
Do umbigo à garganta a câmara desliza lentamente
colada à voz ora estridente
ora velada electrizando a bateria e o piano até ao espasmo dum amor
espiritual em prece
de requebro e furor
Cantas e esplêndida adormeces
aquilo mesmo que apregoas
Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

Maria João
A ouvir - "Duendes" do cd "Fábula" - 1996.
Uma pérola do jazz, em Português
Maria João (voz), Mário Laginha (piano), Manu Katché (bateria)

















