| Resistir |
Um blog de António João Correia. "Resistir" is Antonio Correia's blog. From the Pacific Ocean...Almost in Portuguese. |
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| 29 de Out de 2006 |
| Escreveu Vieira ao Espírito Santo |
Hoje acordei com vontade de ler o padre António Vieira. Reconcilia-me com a língua portuguesa, leitor, lembra-me o tempo de Vila do Porto e de Lisboa, onde o português era obrigatório, pelo menos na procura das coisas. Naqueles anos, eu sei, as mulheres apenas falavam português. Vou, então, procurar um livro, não sei fazer melhor, e nada de sermões, que me lembrem o padre e umas senhoras que me tratavam com deferência pelo facto de o meu avô António ser rico e bonito. Eu gostava de sermões numa igreja com mulheres de decotes exagerados e Vila do Porto era terra interessante (os aviões, todos os dias, levavam pessoas para a América para serem felizes). Entro neste quarto de onde vos escrevo e nada de Vieira. Tenho livros no chão, em cima das cadeiras, papéis abstractos, escritores que abandonei por misericórdia, mas nada, nem sequer uma sombra. Baudelaire, que só li em Lisboa, aparece-me mas as montanhas em frente à minha janela dizem outras coisas, reflectem Emily Dickinson, uma verdade de leituras, reconheço. Flaubert deixa-me com mais sombras num armário, não serve. Melville é o que é junto a um candeeiro mal equilibrado. Perdi Vieira, acho, uma edição dos anos setenta, num papel muito fino, leve, mas procuro na Internet e oiço por acidente (como se existissem acidentes) uma rádio local, uns relatos de futebol, alguns bandidos ladrões, corruptos que contam com o apoio do governo, abusadores, canalhas que a minha terra gosta de criar e proteger. Incomoda-me o silêncio das pessoas decentes, que olham para aquilo tudo e nada dizem, por medo, ignorância, fome. Sabemos, Vieira escreveria, traficam droga e abusam dos inocentes, mas são protegidos pela justiça, governo, um povo a caminho da felicidade, que não trabalha e se masturba mentalmente ao som dos subsídios. Talvez um sermão ao Espírito Santo. Talvez, mas nada mais. Imagino como trataria o silêncio o padre Vieira, aquele silêncio que infecta, cria pus e serve de alimento para aquela gente. Sei da sua passagem pela minha terra, mas sabe-se que com uma rádio corrupta, a televisão controlada, os jornais amordaçados, todos castrados, a igreja controlada e paga pelo partido do governo (uma ironia), Vieira iria parar a uma selva brasileira. Seria cliente da inquisição, impedido de falar ou escrever. Pois. E encontro tudo numa Universidade brasileira: o homem que resistiu uma língua, com impérios, saudades, agonia e devolveu um dever. «Por isso até o mesmo Cristo, pregando tanto, converteu tão pouco», escreveu Vieira ao Espírito Santo. |
posted by AJC @ 10:04 AM   |
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| 25 de Out de 2006 |
| A descoberta da pólvora (conto) |
Cuidado: andam ladrões e vigaristas no futebol, vejam o caso regional. Com dinheiro dos impostos furtavam e furtam. Por vezes as polícias, magistrados e os seus chefes ficavam na bancada "VIP" a ver os jogos (fumavam charutos e bebiam). Eram amigos. Quem investiga pouco investigava. Por vezes pagavam a mulheres para eles investigarem ainda menos. Dava para todos. Golo.O dinheiro vinha do Governo. O Governo gostava da bancada "VIP" e dos votos. O mesmo dinheiro paga, ainda hoje, parte das campanhas, antes dos votos. O povo "gostava" e gosta de futebol. Golo. O dinheiro da venda da droga financia o desenvolvimento privado na terra regional. Lavavam com o dinheiro do futebol, que por sua vez vinha dos impostos dos outros. Todos sabiam e poucos falaram. Falam." Bem, se eles os poderes e o povo do Senhor Santo Cristo, se calaram (calam), aceitaram (aceitam) e protegeram (protegem) durante anos e anos os pedófilos da terra, isto do futebol regional, ladrões e vigaristas tem de esperar muitos anos". Ouvi eu. A vergonha desta gente. E um povo de merda que tudo aceita. |
posted by AJC @ 10:36 AM   |
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| 24 de Out de 2006 |
| Quem? |
Vivi grande parte da minha vida ausente. Ainda bem. E não quero saber que o povo e seus governantes sejam estúpidos. Nunca disse tal coisa, escrevi. Mas ninguém sabe. Ninguém sabe nada. Eu e tu, leitor: O destino de amar. De Portugal sei pouco mas não me livro da coisa. Sou de outras terras. Mas ninguém sabe. Os meus amores falam comigo em outros idiomas. Disse. E vejo este mar e sou feliz no fim do mundo. Quem? Um modesto leitor de poemas. |
posted by AJC @ 9:01 AM   |
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| 22 de Out de 2006 |
| About Count Eugene |
I want to be clear to avoid any misunderstandings: I love Chinese food, specifically Dim Sum and I am God. Yes, even if trained during many years by the taste of Chinese food with Portuguese culinary engineering, I have adjusted to the wonders of this marvelous cuisine when done by non-Western European standards. I mean, made by the wonderful people from the People’s Republic of China that decided to live in North America and abandoned Capitalism 1800's style. Of course I still miss the Portuguese flavour since bread, wine, garlic, pepper, sardines, codfish, olive oil, Our Lady of Fatima, pork chops, corrupt politicians and the preparation of Chinese food must go together but that is not the point of my important message to the world. That is, this is about the Count, Count Eugene Smith Sun Ya Kant Grimaldi Bourbon Bobby Kennedy (his full name). Where am I going with this? Well, after years of desperation, rejection, agony, failed hope, misery, I finally got a Sunday reservation for the K restaurant. And, we all know that the odds were against me, since I am not Chinese, Muslim or East Indian, I do not speak Mandarin or Cantonese, I drive a car made in Detroit, and I am not a millionaire or have kids from different wife’s in different continents (believe me, I am God). I even look sometimes like a silly Roman Catholic man that was born on a small island , loves guilt and could buy a country music CD where sexual desire becomes synonymous with Christian stories. Well, even my accent makes me suspicious of wrong political companies to get a reservation for K. I always voted for the left, I mean. That is, I also wanted to confess that I am a Social Democrat. But I got the reservation for 11:30 am, Sunday morning. At the same time my daughter whispered that it was to early, that I was not prepared for this achievement and my wife complained that I lacked the superior respect for the honour, maybe Divine award and that I should wait another four or five years for the fulfillment of the dream. But I was a God on a mission: I was going to the best Dim Sum in the world, better than the Australian, Filipino, Belgium, French, or even the Brazilian. This last one famous, as we know, for the organization and rebellion against the norm of the international accepted Dim Sum, as per the academy of Dim Sum experts reunited in Geneva in the late 1940's. In other words, nothing was going to stop me, I was ready. At 11:29 am we arrived at the K. "Yes, my name is Antonio, God and I have reservations for 3 people", I said to the beautiful hostess that was screaming that my reservation was not real, maybe a sort of imaginary desire on the fascinating world of reservation lies and behaviors. Somehow she related Plato and his Republic to the reservation business. A mystery, I know. After the discussion, verification, encryption of all my documents, visas, state of desperation, threats to call Human Rights international courts, we were finally introduced to table 17, a strategic corner with – imagine the irony - a view to the Mayor’s office. And that was the first time we saw him physically, standing alone, looking into the horizon with a pot of Jasmine tea but at the same time, waiting for the wind, writer’s clichés of mercy, paragraphs of predictability, poetry that is the envy of the common man. Yes, Count Eugene was going to be our servant. After reaching the mountain, we had to deal with another obstacle: The most infamous and cruel waiter of Dim Sum history. Born Count he was abandoned by all royalty and had to become a pastry chef during the Mao walk of fame, a barber during the Ping quiet revolution, a ping-pong professional athlete in Dubai and eventually a Dim Sum master servant when applying for permanent residence in North America. Nasty, he was an expert on Thomas Aquinas, enemy of the Aristotelic thinking, reader of Jorge Luis Borges, translator of Nietcheze, destroyer of James Joyce readers, Proust dreamer etc, etc (for sure you know the type). The connection or war was immediate. Eugene ignored us for more than 19 minutes and ridiculed our choices, a standard for amateurs, even assuming that we were ordering too much food for 3 people and we were obviously ignorant Dim Sum "wanna be’s". He said " the food that you ordered is "enough". Worst, when insulting us he appeared to be competent in his wonderful incompetence, arrogant and terrorist assumptions. What did I do? Well, I will tell you, benevolent reader, but I am not proud. I am not proud at all. First I ordered dumplings and more dumplings by the wrong order. I ordered a 37 before I ordered a 23. A 194 before a 79. A 737 before a scandalous 491 (menu 6, left side). I made the sticky rice look like noodles in my voice. I had wine. I asked for a diet coke (a classical insult), bread with butter, Ketchup, Mayo, Cesar dressing, sausage, donuts. Even the dessert was ordered after the Egg Roll. Certainly this was the major revenge done to the Count since he was asked for a baked potato with sour cream during a Dim Sum convention in Las Vegas (not opened to the general public). But I wanted more. I was not satisfied with my insignificance and dubious morals. Supreme vengeance ? I invented a biography for Eugene to prove that I am God. Yes, I invented everything. |
posted by AJC @ 8:21 AM   |
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| 21 de Out de 2006 |
| Flags of our fathers |

Vi ontem o " Flags of our Fathers", talvez o melhor filme de Clint Eastwood. Gostei, gostei muito mas quase vomitei. A guerra mete nojo. Muito nojo. |
posted by AJC @ 11:01 AM   |
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| Portugal (ou foi à China falar sobre corrupção) |
(...)"Mas o chumbo continua a ser visto como uma crítica à nomeação de Pinto Monteiro, considerado “outsider” por ser juiz, com pouca experiência na área do crime. Escolher para número dois um magistrado que trabalha fora dos tribunais não agradou aos procuradores. A votação foi secreta e só um voto ditou o chumbo (9 contra 8). Pinto Monteiro não reagiu, marcou nova reunião para 3 de Novembro e foi à China falar sobre corrupção." Pois. A cada povo o seu destino. Mas nada melhor que a China para se falar de corrupção. |
posted by AJC @ 10:14 AM   |
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| 16 de Out de 2006 |
| Privatizar |
Lembra-me ainda muita gente, filhos e vendidos aos poderes, que sem o dinheiro dos impostos(que muitas vezes nem pagam) não saberiam honrar as suas contas ou produzir o quer que seja. Cultura do Estado? Muito bem, desde que eu escolha o que quero pagar. Uma terra de empresários da cultura subsídio-dependentes, pois, castrados culturalmente. |
posted by AJC @ 9:38 AM   |
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| 11 de Out de 2006 |
| E o Porto aqui tão perto... |
 O Porto ficou, a bem ou a mal, com a Casa da Música. Por aqui, ficamos com esta "casa" do mesmo " desenhador"...Pelo menos os livros ficaram iguais! |
posted by AJC @ 11:01 AM   |
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| 9 de Out de 2006 |
| Trabalhar? |
 Obras, e mais obras nesta minha cidade do trabalho...Que fazer? Trabalhar? (Esta parte do "SAM' abre em 2007...Pois). |
posted by AJC @ 7:59 AM   |
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| 7 de Out de 2006 |
| Apetece-me Natália Correia |
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete e uma alma para ir à escola mais um letreiro que promete raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário que tem a forma de uma cidade mais um relógio e um calendário onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim para dar corda à nossa ausência. Dão-nos um prémio de ser assim sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu para tirarmos o retrato Dão-nos bilhetes para o céu levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos com as cabeleiras das avós para jamais nos parecermos connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história da nossa historia sem enredo e não nos soa na memória outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados que adormecemos no seu ombro somos vazios despovoados de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho e um pacote de tabaco dão-nos um pente e um espelho pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça e uma cabeça presa à cintura para que o corpo não pareça a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro com embutidos de diamante para organizar já o enterro do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal um avião e um violino mas não nos dão o animal que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão com carimbo no passaporte por isso a nossa dimensão não é a vida, nem é a morte
Natália Correia
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posted by AJC @ 11:18 AM   |
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| 6 de Out de 2006 |
| Sem tempo |
| Sem tempo. |
posted by AJC @ 9:39 PM   |
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| 5 de Out de 2006 |
| Canas do direito |
Vitalino Canas, bom deputado de uma coisa chamada Portugal, disse ou deixou dizer, numa outra coisa de nome A.R., que o PGR da mesma coisa tinha"ido" para a rua por causa da responsabilidade política. E o bom povo aceita. Em Portugal um PGR tem, pois, responsabilidade política sem votos. Pelo menos votos dos eleitores. |
posted by AJC @ 10:02 AM   |
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| 3 de Out de 2006 |
| Um dia |
Um dia irei deixar ler jornais de Portugal (em busca da cura).
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posted by AJC @ 10:16 AM   |
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| 2 de Out de 2006 |
| Hoje |
| Hoje apetece-me estar em Las Vegas. Para ver. Apenas para ver. |
posted by AJC @ 11:23 PM   |
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| 1 de Out de 2006 |
| Sem saber muito bem |
Fui ver um jogo do Benfica. No fim do mundo. Acho que o Benfica ganhou. Acho. Mas, quem me salva destas coisas? Onde estava? Numa tasca Lusa do Oeste. Eu, e o mundo.
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posted by AJC @ 8:50 PM   |
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| Leituras de Domingo... |
 Leituras de Domingo. Pois. Mas este livro tem piada...Disse piada? Bem, talvez outra coisa. Acho que li quase tudo deste jornalista... Mas que Bush e Nixon lembram a mesma utopia, lembram... |
posted by AJC @ 8:58 AM   |
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