Sébastien Tellier | L'Amour et La Violence

Porque aqui neste cantinho não se anda ao sabor das novidades mas, antes, ao sabor do que me vai apetecendo, desejo hoje, ardentemente, lembrar que esta canção foi uma das melhores coisas que aconteceram no ano passado. No ano passado e sempre depois disso, porque ainda esta semana voltei ao disco do Sébastien Tellier e constatei (renovei a constatação) que esta derradeira faixa é um epílogo poderoso para um disco embriagante.
Não sei se o vídeo que deixo aqui é oficial - parece-me que não - mas de qualquer modo as imagens importam pouco. A música é que é para ouvir vezes e vezes sem conta.

Dis-moi ce que tu penses / j'aime aussi / l'amour et la violence:

À espera dos Junior Boys



Há pormenores no novo álbum dos Junior Boys que me fazem pensar no disco de Kelley Polar do ano passado. E isso é claramente positivo, porque 'I Need You To Hold On While The Sky Is Falling' foi uma das coisas realmente boas que surgiram em 2008. Se me fizessem um Pepsi Challenge com as novas canções dos Junior Boys e excluíssem as vocalizações, eu era bem capaz de hesitar numa ou outra. A culpa é, certamente, do Morgan Geist e do próprio Kelley Polar, que deram uma ajudita aos rapazes.
De resto, estava ainda agora a ouvir Hazel, o primeiro single de Begone Dull Care, e a aperceber-me de que este vai ser, se não o é já, o meu novo vício (dá para ouvir no myspace deles). Enquanto o álbum não aparece por aí à venda - e já falta pouco - vai-se enganando o tempo com umas audições dos ficheiros de mp3 e com a leitura de uma ou outra entrevista. Como esta, por exemplo, publicada ontem no site da Fact Magazine, onde Jeremy Greenspan faz uma breve referência ao Midas dos tempos modernos e ainda diz que 'I Need You To Hold On...' foi o seu disco preferido no ano passado. Ha! Como eu gosto de ter razão.

Porque hoje até começa a Primavera...

... é uma boa altura para lembrar aqui a melhor canção de sempre:



É esta. A melhor canção de sempre. E que ninguém alguma vez ouse contradizer-me.

Daddy Cool

Quando eu era miúda, comecei a gostar de ouvir música nas longas viagens de carro que fazia com o meu pai. No tempo em que, por exemplo, ir ao Porto demorava sempre mais de uma hora e meia (hoje é um quarto de hora, em dias de trânsito fluido), ouvíamos rádio e cassetes, e à conta disso ainda hoje conheço de cor álbuns inteiros de bandas que nem me atrevo a nomear. Vá lá, pronto, os Dire Straits eram os melhores dos menos maus (e Alan Parsons Project, alguém ainda se lembrará disto?). Fazíamos essas viagens muitas vezes, e acompanhar o meu pai era um programa infinitamente melhor do que ficar em casa a ver desenhos animados depois de um dia na escola. E foi por aí, em meados dos anos 80, que começámos a apanhar em algumas rádios – só muito de vez em quando – umas músicas bem diferentes das que costumávamos ouvir. Eu não sabia ao certo o que é que me fascinava naquele som – se era o ritmo, se eram as vozes ou a vibração que saturava as colunas e o interior do carro quando ouvíamos aquilo. Não me recordo em concreto de quais foram as primeiras canções que ouvi, mas lembro-me perfeitamente das vezes em que o meu pai aumentava o volume e dizia: "Ouve esta batida." ou "Epá… isto tem uma batida!". E eu ouvia aquilo com devotada atenção.
Naquela idade em que a miudagem anda à procura de referências, eu costumava gostar das coisas que entusiasmavam o meu pai. Quando o vi louco de alegria, no fim de um jogo de futebol importante em Maio de 87, também quis ser portista. E, por vê-lo a curtir "a batida", comecei a gostar de rap e hip hop. Do pouco que naqueles anos ia chegando até mim, tudo me servia. O critério de exigência era praticamente nulo; marchava tudo. Os Run DMC, o LL Cool J, o Dr. Dre, os Arrested Development, o Big Daddy Kane, os Public Enemy, os veteraníssimos Sugarhill Gang e Grandmaster Flash, o Jazzy Jeff, os Naughty By Nature, os De La Soul e – haha! – até mesmo o MC Hammer.
É verdade que hoje o meu pai é capaz de se entusiasmar mais com o disco novo dos U2, mas este vício começou, de certa maneira, com ele. E por isso, uma vez que hoje até é o dia dele(s), fica aqui uma musiquita, entre muitas outras possíveis, que o papá aprova. Por causa da batida, hum?

Omar-S | "I don't need other people's music"



"I don't need other people's music; I got over 100 songs released. I can make fucking six fucking Fabric records right now. I can probably make fucking ten CDs just of unreleased shit."

Há quem diga que Omar-S é um arrogante, full of himself (gosto mesmo desta expressão), mas no fundo ele é só um tipo de Detroit que sabe o que vale – e vale muito. Para lá do emprego chato na fábrica da Ford, faz música como Psychotic Photosynthesis, uma das coisas mais entusiasmantes que nasceram para os meus ouvidos no ano passado.

Agora, Omar-S prepara-se para fazer duas coisas. Em Março, vai aparecer aí a edição 45 da compilação Fabric, da autoria dele, e, como se percebeu logo ali em cima, não haver mais nada para além de temas do próprio. Já não é o primeiro a fazê-lo, e a ideia de um alinhamento egocêntrico até teve um antecessor muito respeitável, mas isso tão-pouco lhe interessa. A esse propósito, vale a pena ler este excerto delicioso da entrevista de Omar-S no Resident Advisor: "Did you read the shit people are saying already about the Fabric Mix? A few assholes are talking about 'Oh, Omar-S. He did the same thing as Ricardo Vi-vi--....' whatever the fuck he's called. I don't even know who Ricardo Willalobo is. I ain't start hearing his name till like a year ago. Who the fuck is that? So how would I know what he did for Fabric? I don't even know how to say his last name, why would I bite off of him?". Mal se consegue esperar por este disco.

E, para além disso, quer-me parecer que também em Março, no dia 20, o enorme Omar-S vai passar pelo Lux, em Lisboa. É um filho-da-mãe de um acontecimento, na minha muito particular escala de valores, mas não se tem ouvido falar no assunto. É como ele diz. People just want to talk shit. Por isso, less talking, more listening: quem puder espreitá-lo no Lux que não pense duas vezes.

Hoje apetece-me isto | Blitzen Trapper

Uma banda que convoca as nossas melhores referências musicais dos sessentas barra setentas, para servi-las todas num disco só, descaradamente, no final dos anos zero. Isto ainda faz algum sentido? Por acaso até faz.



E, assim de repente, estes sujeitos estão mesmo a pedir lugar numa banda sonora do Wes Anderson. Que também já fazia outro filme.


(*passaram aqui cinco minutos, só para que conste*)


Entretanto, lembrei-me de googlar Blitzen Trapper + Wes Anderson, não fosse o diabo tecê-las e eu estar aqui a sugerir uma coisa que já tivesse acontecido. Mas não. Aparentemente, os Blitzen Trapper nunca fizeram nada para o senhor realizador. Ainda assim, isso não impediu o Google de me devolver 2570 resultados (!!), incluindo isto: "Music Monday returns with this joint by what one member of the Juice collective describes as the Wes Anderson movie House Band", e isto: "It's a truly amazing song, and should Wes Anderson need more material for his next film soundtrack, this should do nicely". Ora pôrra. E eu a pensar que tinha tido uma grande ideia. Pronto, 'tá bem, levem lá a bicicleta e tomem mais esta:

Desejos para 2009



e, se não for pedir muito,



Numa qualquer sala de espectáculos aqui do nosso rectângulo, se faz favor.