As últimas horas foram esclarecedoras do problema que a União Europeia tem. Nicolas Sarkozy, ontem em Toulon, e Angela Merkel, hoje em Berlim.
A UE precisa de ser reformada (Sarkozy) e o falhanço é político (Merkel). Nada mais correcto. Ambos foram precisos e objectivos. E estão certos!
Porém, o passo seguinte (ou seja, o anterior a estas declarações), e não dispensa a condição/estatuto de cada um, isto é, Chefe de Estado de França e Presidente do Governo da Alemanha, é que estes dois principais actores da cena europeia em vez de se limitarem a identificar os problemas deviam apresentar a solução, algo que ainda não fizeram, apesar de anunciarem novo encontro de trabalho, segunda-feira, em Paris.
Ora, o que os europeus mais poderiam esperar, deste cavalheiro e desta donzela, a começar nos franceses e nos alemães, seria um discurso como o do discurso do Papa eleito, do filme de Nanni Moretti que está em exibição nas salas de cinema europeu: rezem por nós, mas nós não temos capacidade para assumir esta responsabilidade.
Se a UE precisa de ser reformada e houve falha do universo político, de facto, não foi quem conduziu a UE a esta condição, Sarkozy e Merkel, que estão em condições de a sacar da actual situação.
Se Sarkozy e Merkel entendessem o que dizem em público e tivessem noção do seu actual cargo, teriam de limitar-se a apresentar a sua incapacidade de lidar com a situação, que ajudaram, e muito, a criar.
Como disse muito bem, o líder da bancada do SPD no Bundestag, a Angela Merkel não explicou aos alemães que crise é esta, que de facto é uma grande ameaça ao povo germânico, em termos económicos, laborais e sociais.





