2006-06-26

José Miguel Ribeiro homenageado no Porto

Cito o Público de hoje, dado o manifesto interesse didáctico do texto de Sérgio C. Andrade:
"José Miguel Ribeiro
O realizador que quer libertar-se d'A Suspeita
O autor do filme mais premiado da história do cinema animado em Portugal está a ser homenageado no Porto. Uma exposição, mostras de filmes e um workshop compõem o programa". Pode continuar a ler aqui.

Novo livro de José Afonso Furtado

Pelo seu manifesto interesse didáctico, transcrevo o texto de Isabel Coutinho, extraído da edição do suplemento Mil Folhas de 24 de Junho, parte integrante do jornal Público:
"Pôr ordem na desordem da leitura
É do senso comum que, "para determinados tipos de tarefas de leitura, as tecnologias electrónicas não oferecem uma alternativa ao papel que seja pelo menos tão boa como o papel". E para se chegar a essa conclusão não é preciso ter passado pela experiência de ter lido muitos livros em formato digital ou em outros, que não o impresso. Mas reflectir a partir daí e ir mais longe já é mais difícil. Para nos guiar nessa reflexão nada melhor do que ler o livro "O Papel e o Pixel - Do Impresso ao Digital: Continuidades e Transformações", de José Afonso Furtado (director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e professor no curso de Edição na Universidade Católica).". Pode continuar a ler aqui.

2006-06-14

Ainda o PNL

Embora tardiamente, aqui fica o lembrete: o último número do JL inclui uma entrevista a Isabel Alçada e a Teresa Calçada, além de uma outra a Inês Sim-Sim. Disponível online está apenas uma pequena entrevista a José Saramago sobre o assunto.
No Diário de Notícias de hoje, Vasco Graça Moura dedica mais uma crónica ao assunto. Pode lê-la também aqui.

2006-06-06

Ainda sobre o Plano Nacional de Leitura

Pelo seu manifesto interesse didáctico cito Helena Carvalhão Buescu, numa "Carta ao Director" editada no Público de hoje: "Ainda o Plano de Leitura - I
Publicou Vasco Pulido Valente (V. P. V.) no PÚBLICO de sábado passado uma crónica em que produz algumas afirmações curiosas em torno da leitura e da sua eficácia, bem como dos "clássicos" que (pouco) teríamos. Enquanto pessoa ligada, por gosto, entusiasmo e profissão, a estas questões, quero aqui deixar algumas reflexões, que eventualmente possam levar a esboçar um quadro menos a preto e branco (podemos fazer um quadro a preto e branco, mas depois de trabalharmos a cor).
1. Diz V. P. V.: "Ler o quê? Os "clássicos", dizem. Mas que espécie de "clássicos"? [...] Infelizmente não há "clássicos" que se possam ler." Não é verdade, V. P. V. Há-os, e bem para lá da lista dos nove nomes inquestionáveis que alinha (Gil Vicente, Camões, Vieira, Garrett, Camilo, Eça, Oliveira Martins, Cesário, Pessoa), e do outro que parcialmente lhes agrega para logo o afastar (Júlio Dinis). Bem sei que afasta a poesia (mas não Camões, Cesário e Pessoa?) por a considerar "um caso complicado". Complicado é, a meu ver, este afastamento, além de simbólica e sociologicamente curioso. Sem querer entrar em demasia no século XX (ainda no outro dia ouvi alguém defender, com a habitual arrogância, que a noção de "clássico" acaba no século XIX, e essa pessoa justamente não estuda nem muito lê a literatura do século XX, menos ainda a do XXI...), que faz V. P. V. de nomes como Camilo Pessanha, Teixeira-Gomes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Alexandre O"Neill, Carlos de Oliveira, Luiza Neto Jorge (e não venho aos vivos, que os há!)? Então para trás: que tal Fernão Lopes, a espantosa lírica medieval, Bernardim Ribeiro e Sá de Miranda (com poemas, os tais complicados, que valem por toda uma literatura!), Francisco Manuel de Melo, muita da poesia maneirista e barroca (que fomos aprendendo a amar apesar de dantes no-la ensinarem como "descartável" pela sua ligeireza), a poesia burguesa do século XVIII, sem a qual Cesário e Pessoa são bem amputadamente incompreensíveis, o desconhecido conto romântico, Alexandre Herculano, até mesmo, sim, Júlio Dinis? É bom evitar reduzir os clássicos (que não escrevo entre aspas, note-se) a um cânone pessoal, embora seja legítimo que cada um de nós encontre, neles, um conjunto de afinidades electivas que são, justamente, aquelas que levam à leitura. Mas sem conhecimento não pode haver compreensão, nem mesmo daqueles pontos negros de incompreensão de que o mundo e a literatura são feitos.
2. Diz V. P. V.: "Pegue, por exemplo, um dos promotores do "plano" em, por exemplo, Viagens na Minha Terra ou A Relíquia e explique o que lá está (um centésimo basta). Gostava de assistir." Também isto não é verdade, V. P. V. O que sim é verdade é que nem todas as pessoas poderão pegar nessas (e outras) obras com o mesmo grau de alegria e exigência de pensamento que outras. Também o reconheço. Mas nem todos os médicos têm a mesma "iluminação" de diagnóstico, pois não? E isso não nos leva a considerar que é o diagnóstico ele mesmo que se torna impossível e até indesejável... Conheço momentos de pura emoção de descoberta com as obras que V. P. V. refere e, felizmente, muitas outras que não refere. Poderia ainda responder a V. P. V.: "Pegue ele, por exemplo, em obras como Guernica, de Picasso, ou Las Meninas, de Velásquez" (um pouco ao acaso, entre tantas outras). Conseguirão muitos "explicar" (não gosto da palavra, mas ela é a de V. P. V.) "um centésimo do que lá está"? E uma resposta negativa invalidará que elas sejam e devam continuar a ser-nos apresentadas como outros tantos clássicos? Não julgo que seja nisso que V. P. V. acredita, aquilo que quer, ou até mesmo faz. Não é certamente aquilo em que eu acredito, o que quero e o que faço.
3. Para que conste: faço parte da Comissão de Honra do famigerado Plano Nacional de Leitura, e absolutamente ninguém me encomendou (nem eu o aceitaria) nenhuma das observações que, a título estritamente pessoal, acima entendi fazer.
Helena Carvalhão Buescu
Faculdade de Letras de Lisboa"

2006-06-05

O PNL na Feira do Livro de Lisboa

Cito o Diário de Notícias de hoje, mais concretamente uma notícia escrita pela mão de Rita Lucas: "Três dias após ser apresentado oficialmente por três ministros, o Plano Nacional de Leitura (PNL) foi apresentar-se ontem à Feira do Livro de Lisboa através das duas comissárias Isabel Alçada e Teresa Calçada. e a convite da câmara.
Da plateia, maioritariamente composta por professores, o que mais se ouviu foi questionar a competência ou falta dela para executar um plano considerado ambicioso, mas em alguns pontos com "pouco de inovador". Uma professora de Leiria, após ter escutado o anúncio de que a Dom Quixote oferecera 20 mil livros para distribuir pelas escolas ao abrigo do PNL, tinha questões concretas. Os critérios de selecção das listas de obras irão ser divulgados? As ofertas dos editores só serão feitas após a divulgação das listas? Irá ou não haver pressões (editoriais/económicas) para escolher determinados livros em detrimento de outros? Para um questionário longo, uma resposta breve. Sim, os critérios serão explicitados e a lista de livros é muito ampla e será permanentemente actualizada. "Sou contra cânones", afirmou Isabel Alçada que, no fim, lançou um desafio à professora: "Contamos consigo!" Como "mediadora de leitura", entenda-se, palavra-chave no vocabulário deste PNL, que apela à participação da sociedade. O objectivo, disse Teresa Calçada, é "congregar esforços".
Quanto ao cepticismo manifestado por outra assistente, Isabel Alçada respondeu com um exemplo. "Disseram o mesmo quando foi lançada a rede de bibliotecas escolares e o resultado está à vista."
O arranque é agora, com três ministérios (Educação, Cultura e Presidência do Conselho de Ministros) a disponibilizar dois milhões de euros para a compra de livros. A avaliação será daqui a cinco anos. "Pouco tempo", declarou Isabel Alçada, "quando o objectivo é aumentar os índices de leitura do país".
Isto, numa altura em que, acrescentou, "ainda não dispomos de instrumentos, ao contrário de muitos países, para medir a 'lisibilidade' de um livro"."

Opiniões sobre o PNL

Pelo seu manifesto interesse didáctico, cito Eduardo Prado Coelho, na crónica "Você quer um plano?", inserida na edição de hoje do Público: "Não se trata de dizer às pessoas o que devem ler, nem de nenhum voluntarismo. É preciso muita imaginação na promoção da leitura. Mas garanto-lhes que vale a pena.
A minha ingenuidade é ilimitada. Eu pensei que um Plano Nacional de Leitura era um projecto que suscitaria um aplauso unânime. Existe há muito nos outros países e corresponde no nosso caso a uma necessidade premente. Mas logo um conjunto de vozes se alevantou com as objecções que qualquer coisa, seja ela qual for, suscita neste país: que é inútil, que é para uns tantos ganharem uns dinheiros, que é uma intervenção na vida social que deve ser livre como um passarinho, que cada um deve ler o que lhe apetece, e assim por diante, na extensa imaginação que o disparate sempre tem. Que é um Plano Nacional de Leitura? É algo extremamente vivo e sensível à evolução da realidade, que tende a coordenar e dar uma linha de rumo ao que já existe em termos de iniciativas do Estado (que, por vezes, se sobrepõem) e a suscitar novas iniciativas nesse mesmo plano, e que tende a apoiar as muitas iniciativas que existem a nível privado. Para dar alguns exemplos, podemos lembrar que é possível racionalizar o que se passa nas bibliotecas públicas, poupando esforços e dinheiro do Orçamento do Estado, fazendo circular exposições, ou criando ciclos comuns de conferências e debates, ou desenvolvendo essa excelente ideia que foi o lançamento das comunidades de leitores. Mas é possível apoiar as novas livrarias, sobretudo dando condições para que surjam em cidades que ainda não têm uma presença de qualidade neste domínio. E é possível estabelecer desenvolver a formação profissional dos livreiros, para que estes não pensem que O Príncipe de Maquiavel é o título de um romance e saibam que a Fenomenologia de Fernando Echevarría não se arruma na secção de filosofia, mas na de poesia.
E é possível tentar fazer chegar livros portugueses junto das novas gerações das comunidades portuguesas no estrangeiro. E articular o trabalho a realizar no Brasil com aquele, notável, que é feito pelos professores brasileiros de literatura portuguesa.
Tanta coisa a fazer, e meia-dúzia de espíritos conversadores a rosnarem contra a iniciativa! Não se trata de dizer às pessoas o que devem ler (leiam o que quiserem), nem de nenhum voluntarismo (ao contrário do que me dizem que Saramago terá afirmado, mas eu não acredito). É preciso muita imaginação na promoção da leitura. Mas garanto-lhes que vale a pena. E se hoje se lê mais, o que é um facto, há duas observações que é preciso avançar: será que os esforços que já têm sido feitos não têm grande influência nisto? E ainda: têm a noção do que lê normalmente um jovem estudante universitário?".

2006-06-04

Ainda sobre Gémeo Luís e "O Quê Que Quem, Notas de Rodapé e de Corrimão"

Transcrevo do suplemento "Mil Folhas", do jornal Público, pela sua manifesta relevância didáctica, o texto "Um livro para conversar e desconversar", assinado pela jornalista Rita Pimenta: "Não é um conto, não é uma colectânea de histórias e muito menos um romance. O mais parecido com "O Quê Que Quem, Notas de Rodapé e de Corrimão" é um dicionário, apesar de não o ser. Curtas definições poéticas de graus de parentesco abrem cada página, a começar nos "primos" e a acabar na "mãe". Os primeiros "são quem vem de longe com novidades"; a segunda "é quem anda sempre a semear flores por onde passa". Seguem-se então, invariavelmente, duas definições, cada uma decorrente da que lhe antecede. Como quem pensa alto e em conjunto. Livremente.
Os textos de Eugénio Roda (pseudónimo do pintor Emílio Remelhe) e as ilustrações de Gémeo Luís (pseudónimo de Luís Mendonça) resultaram num livro literariamente muito interessante, mas também num objecto original e de grande qualidade gráfica. Por isso, venceu o Prémio Nacional de Ilustração relativo a 2005, atribuído pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pela Associação Portuguesa para a Promoção da Literatura Infantil e Juvenil.
Na página dos "primos", aparece depois: "Novidade é, por exemplo, ter nascido mais um primo." A seguir: "Nascer é o que nos acontece antes de nos acontecer alguma coisa." Quando se fala da mãe, surgem estas duas inspiradas frases: "Semear é dar o que queremos receber"; "Querer é obrigar os desejos a fazer ginástica" (pág. 20). Uma obra cheia de tópicos que convidam a família a conversar e a desconversar.
"O dicionário é o livro dos livros", disse Eugénio Roda ao Mil Folhas, "embora este aqui não resolva problemas, antes os crie." Autor e ilustrador são, além de amigos, cúmplices numa prática de "pensar os livros ao contrário", não ficando reféns do destinatário - criança ou adulto. "Partimos da ilustração e criamos novos contextos para o jogo da linguagem. É sobretudo nesse jogo que trabalhamos", explica. E agrada-lhes que os livros sejam pontos de partida para outras leituras e novas histórias.
As ilustrações de Gémeo Luís, professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e na Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos, são recortadas em papel "kraft" e imprimem forte movimento à imagem, como se os desenhos dançassem ou tivessem sido lançados ao vento. O fascínio por esta técnica foi reforçado durante a sua permanência em Macau, quando ali esteve três anos para implantar o curso de Design, a convite da Faculdade de Belas-Artes.

Uma editora "inconsciente"
Os textos de Eugénio Roda (também professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto), livres e abertos, são perfeitos para a forma como Gémeo Luís encara a arte de ilustrar: "A ilustração não deve ser só aquilo que vem no texto, tem de criar novos diálogos com a narrativa." O ilustrador já assinou trabalhos para autores como Alice Vieira, João Pedro Mésseder, António Mota, Francisco Mangas ou Paula Pinto da Silva.
Além de ilustrador e "designer", Gémeo Luís gere a Edições Eterogémeas - "uma editora apaixonada e "inconsciente" em termos de mercado editorial" -, cuja principal colecção é a Curto-Circuito. Nesta, cada livro conta sempre com três autores (texto, imagem, introdução) e nos 18 títulos já editados houve a participação de Siza Vieira, António Modesto, Leonor Riscado, Rui Veloso, Alberto Pimenta, Cristina Valadas, João Caetano, Rui Mendonça, Valdemar Santos e outros.
Entre as várias definições poéticas de família em "O Quê Que Quem", há as de "neto", "padrinho", "avós", "irmãos", "pai", "sobrinhos" e "tia". Cada leitor encaixará em pelo menos uma delas. Por aqui elegeu-se como significados mais deliciosos os descritos na página 12: "Irmãos são quem dá passos de pés juntos"; "Passo: meio de transporte de quem anda a pé"; "Meio de transporte: o colo da mãe é o mais seguro, as cavalitas do pai são o mais apreciado." É difícil discordar."

Também o blog Cabaret Voltaire se refere a Gémeo Luís, oferecendo um link para um artigo sobre a sua obra que vale a pena ler.

2006-06-02

Plano Nacional de Leitura

Foi ontem apresentado o Plano Nacional de Leitura. O Relatório Síntese do Plano está disponível na página da Rede de Bibliotecas Escolares.
Pelo seu manisfesto interesse didáctico, pode ler o destaque que o jornal Público deu ao assunto na edição de hoje neste endereço. A reportagem do Diário de Notícias está disponível aqui.

Curiosidades...

Segundo o Diário Digital, "Vítor Baía lança quinta-feira [ontem], Dia Mundial da Criança, no Porto, o livro infantil «Contos Redondos», que inclui textos do guarda-redes portista e de dez amigos, entre os quais Deco, Quaresma, Cristiano Ronaldo, Nani e Moreira.
João Moutinho Manuel Fernandes, Ricardo Costa, Hugo Almeida e Bosingwa participam ainda no livro, que é apresentado no Shopping Cidade do Porto com a presença de Baía.
Quarenta por cento das receitas da venda do livro, que é uma iniciativa da Fundação Vítor Baía, revertem para o Espaço T e Liga Portuguesa Contra o Cancro, tendo a editora (Gailivro) e o ilustrador da obra abdicado dos seus lucros.
«O resultado não é uma obra-prima, mas os objectivos que nos propomos atingir - ajudar os mais novos - justificam algumas lacunasÓ», escreve Vítor Baía na contracapa do livro.
O lançamento do livro marca também o arranque de um atelier de pintura que funcionará diariamente até 23 de Junho sob o lema «Pinta uma Bola para a Vida» no Shoppping Cidade do Porto." [As hiperligações foram acrescentadas.]

O Bichinho do Conto: "Festa da Imaginação"