Mostrar mensagens com a etiqueta pandemia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pandemia. Mostrar todas as mensagens

Domingo, 6 de Junho de 2010

Gripe A: OMS sob suspeita de favorecimento de interesses particulares (grandes laboratórios...)

«OMS acusada de alarmismo e exagero na gestão da gripe A», por Alexandra Campos

Domingo, 26 de Julho de 2009

A gripe irónica


Manuela Ferreira Leite diz que não vai a Chão da Lagoa porque apanhou uma gripe. A gripe é acaso, estratégia ou conspiração? Esta fotografia em que parece que está quase a espirrar não vale como prova, pois foi tirada antes da notícia contaminar a comunicação social. A avaliar pelas reacções à notícia, aqui, muita gente acha a gripe demasiado conveniente. Assim Manuela Ferreira Leite evita comprometer-se com os disparates de Alberto João Jardim. Assim evita comentá-los ou demarcar-se deles. Assim evita a incomodidade de fazer política.
Espanta a secura da notícia sobre a principal líder da oposição e candidata a primeira-ministra. Até sobre o ainda vago acidente de Sarkozy temos mais informação. E não paira sobre ele a hipótese de ter sido contagiado pela epidemia do ano. Trata-se ou não da gripe A? Está a ser acompanhada por um médico do Serviço Nacional de Saúde ou privado?

Aqui como no resto a política de verdade é política de omissão. O silêncio é laranja e abre caminho a interpretações que vão desde a estratégia política à teoria da conspiração. Será que Manuela Ferreira Leite leu este poste do Daniel Melo, resolveu imunizar-se contra a gripe e depois avança para uma guerra biológica? Não o creio. Esta gripe deve ser apenas outra ironia.




Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Apelo a reunião de par especial

Acabei de ouvir a dr.ª Manuela Ferreira Leite, putativa premiê lusa, a dizer na tv que não emprestava a bola aos outros meninos porque não, etc. e tal. Mas o que me chamou a atenção foi a sua voz engripada.
Fez-se luz! Queres ver que está com a tal gripe A? Oh, deuses  da fortuna!

Será possível que ela se encontre, já, já, com o actual premiê? Sim? Seria ouro sobre azul, passar sem os ouvir durante umas semanas...

Vá lá!!

Só um encontrozinho breve de trabalho...

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Annus horribilis

Após a crise financeira veio a crise económico-social.

Depois foram os terramotos em Itália.

Agora é uma pandemia eminente de gripe suína...

Qui mais nos irá acontecerr?

Sábado, 17 de Novembro de 2007

A gripe pneumónica: porquê o silêncio?

Retomando a pneumónica de 1918/19, o silêncio que sobre ela se abateu em todo o mundo (tanto por parte dos seus contemporâneos como por estudiosos) foi uma perplexidade recorrente no colóquio específico ontem findo.
José Sobral preconizou que as suas vítimas teriam sido remetidas para o espaço da memória familiar, enquanto as vítimas da I Grande Mundial teriam sido lembradas pelos Estados (dias comemorativos, monumentos, placas, etc.), por se tratar do reconhecimento pela participação num esforço colectivo de índole nacional. David Killingray aludiu a outros silenciados pela academia até há pouco tempo: os pobres, as mulheres, os negros, etc.. Estas são linhas explicativas pertinentes.
Quanto ao caso português, na minha comunicação procurei alertar para o contexto político, social, cultural e científico, em particular para a conturbada conjuntura político-social então vivida. Aquelas limitaram grandemente a reflexão e combate à epidemia. A situação económico-social dos desfavorecidos era então grave: elevada subnutrição e más condições de vida facilitaram muito a difusão do vírus e o seu efeito mortal. É verdade que este tipo de doença teria um alcance interclassista, mas as assimétricas condições de vida ter-lhe-ão conferido um efeito classista. Não há muitos dados sobre isto, mas da minha pesquisa em dezenas de livros de memórias e de estudo, e na Internet, apenas consegui detectar algumas vítimas das classes médias e alta. Esta situação terá sido extensiva a outros contextos em que a maioria da população vivia em piores condições de vida: p. e., Espanha, América Latina, África do Sul, Índia e China.
Na altura, o deficiente sistema de saúde pública pouco pôde fazer. Eram poucos os hospitais, médicos e enfermeiros, não havia vacina (ainda não há...); a maioria das pessoas faleceram em suas casas, incluindo pessoas como o pintor Amadeu de Sousa Cardoso (que ainda mudou de casa, mas sem sorte). Era uma morte privada, distante dos outros e evitada por estes. A situação agravou-se com o não fecho atempado de fronteiras (a doença veio para Portugal via Espanha) e a desmobilização de milhares de soldados para as suas terras (ao arrepio das directivas da Direcção Geral de Saúde), espalhando a doença por todo o país. O governo sidonista aumentou os preços dos produtos agrícolas, agravando o acesso a bens de 1.ª necessidade. A partir daqui pouco se pôde fazer, a não ser informar sobre medidas preventivas, que nem chegavam a todo o lado, e algum auxílio social (reforço oficial da «sopa dos pobres», apoio da sociedade civil). A impotência foi, por isso, a nota dominante.
Por outro lado, a doença foi limitada no tempo e com breves picos fulminantes, tendo em Portugal atingido picos em Outubro/ Novembro e, com menor impacto, em Janeiro e Abril/ Maio. Ora, esta efemeridade dificultou a sua assimilação.
A própria imprensa foi condicionada pela censura política (instaurada pelo Presidente da República Sidónio Pais em Abril de 1918) e pela actividade do reputado epidemologista Ricardo Jorge que, em regulares notas informativas emanadas da Direcção Geral de Saúde, relativizava a situação ("surto conhecido e transitório"; ainda assim foram 14 meses e c.100 mil mortes). Ademais, a imprensa de referência era então dominada pela agenda político-partidária do establishment e pouco sensível à agenda social. A doença afectou sobretudo a população entre os 15 e os 40 anos: o sistema político e intelectual gerontocrático não foi afectado.
A impotência (dos médicos, políticos e da população), a relativa efemeridade da doença, a gerontocracia, a conjugação com a epidemia do tifo, a grande conflitualidade política e social (com repressão da oposição republicana anti-sidonista e do sindicalismo, as greves e o assassinato de Sidónio), o recolhimento junto da Igreja, a resignação e o avanço de ideias messiânicas (que Sidónio encarnou), a selecção histórica feita posteriormente pela ditadura (valorizando Sidónio e um certo país político, mas olvidando o país social e o resto), foram terreno fértil para o esquecimento, primeiro, e o silenciamento, depois. Eis um quadro que aqui deixo para reflexão. Pode não explicar tudo, mas ajuda a compreender o contexto.
Nb: imagem de mendigo pedindo esmola na beira da estrada (s.d., fotógrafo não identificado, AFML).

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

As outras globalizações: a gripe pneumónica de 1918/19

Em 1918 eclodiu uma devastadora gripe pneumónica, que rapidamente se tornou planetária. Esta pandemia foi das piores da História da humanidade: em 14 meses tirou a vida a c. de 40 milhões de pessoas, mais do dobro dos vitimados da I Guerra Mundial e c. de 1/3 da mortandade causada pela peste em 6 séculos. O médico Ricardo Jorge chamou-lhe então o "maior flagelo epidémico dos tempos modernos". Em Portugal levou entre 70 a 100 mil vidas.
No entanto, esta gripe permaneceu grandemente esquecida, tanto pelos seus contemporâneos como pelos estudiosos.
Agora esse olvido está sendo resgatado, e para isso irá contribuir o Colóquio Internacional «Olhares sobre a Pneumónica», uma iniciativa conjunta ICS e ISCTE que decorre amanhã e depois na sala polivalente do ICS-UL. Vão lá estar historiadores, antropólogos, sociólogos, médicos, etc.. Toda a informação sobre o evento está disponível aqui. Eu também falarei, amanhã de manhã. Aproveitem!
Nb: na imagem, brigada da Cruz Vermelha Portuguesa no terreno, [1918] (Arq.º Histórico da CVP).