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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

Vejam lá se em monchiqueiro nã fica melhor: E tudo o vento levou > Tá aí uma bezaranha que leva tudo à frente; Titanic > Tianica

Feito por alunos da turma B do curso EFA da Escola E.B. 2, 3 de Monchique. Parabéns à malta!

Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Entre as cidades e a serra: um seminário que conclui um projecto

O seminário - cujo nome completo ajuda a perceber do que se vai falar (Entre as Cidades e a Serra: Mobilidade, Capital Social e Associativismo no Interior Algarvio) - é organizado pelo CIES-IUL e decorre durante a tarde de 14/XII (14h-18h, sala C103, Ed. II, ISCTE-IUL).

Este seminário conclui um projecto de investigação dirigido pelo Renato Carmo e em que também colaborei, calcorreando montes e barrocais, entrevistando associativistas e analisando centenas de folhas de transcrições, entre outras coisas.

Os resultados serão apresentados por nós e por Manuela Mendes e Sofia Santos, e depois comentados por António Firmino da Costa e João Ferrão.

Mais informações no site do projecto, Fórum Local- Associativismo e desenvolvimento local.

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Histórias tristes de desperdício de recursos

Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

Um passo inteligente: a regionalização cultural

A sul, o apoio do Ministério da Cultura à rede museológica pára por alturas de Évora. Por isso, e porque um conjunto alargado de actores institucionais do Algarve descobriu que a difusão cultural tem potencial económico e identitário, 13 municípios algarvios resolveram juntar esforços e vontades. Neste sentido, criaram uma rede museológica regional (em X/2007) e lançaram agora a primeira mega-produção, «Algarve - do Reino à Região: mil anos de história e cultura algarvia», que se desdobra por 13 mostras simultâneas distribuídas pelos museus envolvidos. Um dos principais promotores é o director do Museu de Portimão, José Gameiro, museu este que ganhou o prémio de melhor museu europeu 2010, tal como referi aqui.
Estranhamente ou não, o programa oficial Allgarve não apoia esta mostra nem a Rede de Museus do Algarve, sob o pretexto de que apenas apoia a arte contemporânea... Ainda há algumas arestas a limar, mas é bem melhor assim do que nos ficarmos pelo lamento quanto à indiferença atávica do Terreiro do Paço...

Domingo, 29 de Novembro de 2009

O padre 'construtor social'

Para não dizerem que só falamos mal da Igreja católica, aqui fica a nossa modesta mas sincera homenagem a um exemplo de filantropismo católico que merecia ser mais comum:
Merecia ser mais comum, sim, merecíamos nós, precisamos nós. Devíamos nós.
*
Nb: imagem retirada daqui.

Domingo, 2 de Agosto de 2009

Vinhos do Algarve: chegou a hora!

Muitos vaticinaram o fim desta região vitivinícola, até porque a situação estava bem decadente, à semelhança, aliás, do que ocorreu com o Bucelas.
Porém, graças à persistência e engenho de vários empreendedores e especialistas, foi possível relançar uma região inteira.
Nesta lista inclui-se o cantor Cliff Richards, com os seus vinhos Vida Nova e Onda Nova. Mas há mais para escolha e prova: Paxá, Cabrita, Barranco Longo, João Clara, Alvor, Tapada da Torre, Fuzeta e Quinta do Francês.
A Região de Turismo tem vindo a promover este sector, produzindo o Guia de Vinhos do Algarve, lançado no passado mês de Junho. Além de notas de prova, contém uma ficha técnica para cada um dos 75 vinhos seleccionados (temperatura ideal de consumo, castas usadas, etc.), lista dos 16 produtores regionais e intróito histórico com início na presença árabe, tudo envolto num design arrojado.
Uma parte destes vinhos tem vindo a ser premiado em eventos internacionais desde 2007, pelo menos (vd. exemplo recente aqui).
A lista de vinhos que vos deixo supra é uma mini-selecção do crítico Rui Falcão, recentemente divulgada (excepto os 2 últimos), e veio mesmo a calhar (vd. «Ousar experimentar», Público, 25/VII/2009, p. 32-Fugas).
No adegga, um site social temático, pode aceder-se a notas de prova dalguns destes vinhos.
Então boa sorte e boas provas!!

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

A não perder, para quem gosta de vinhos e do Algarve sem duplo éle


Bem sei que envolve uma figura um quanto foleira no estilo, o dinossáurico Cliff Richards. Ainda assim, é uma questão de bom gosto e bom senso: o Algarve para além do Allgarve.
Afinal, afinal, sempre há bons vinhos na província mais ao sul. Demorou mas foi. Este fim-de-semana, na sua rubrica do costume, «vinhos ao domingo». Imperdível.

Até lá!!

Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Aguardente de medronho, esse néctar dos deuses

Foi há pouco tempo que comecei a apreciar esta preciosidade, quando, em férias pela costa vicentina, a boa aguardente da casa que concluía a refeição em restaurantes da zona era quase sempre de medronho.
Este néctar tem origem num arbusto ou pequena árvore mediterrânica, o medronheiro ou ervedeiro (Arbutus unedo). Esta é uma árvore que sempre foi aproveitada para outras finalidades: para curtir peles (com os taninos das suas folhas e casca); para lenha; para curar diarreias, desinterias e infecções urinárias (medicina popular); para fazer mel, etc. (vd. aqui).
A aguardente de medronho era já comum no Portugal medievo, mas é provável que recue à presença árabe na Ibéria.
Esta aguardente é feita do seguinte modo:
"O ciclo inicia-se com a apanha do fruto, entre os meses de Setembro e Dezembro, realizada pelo produtor e família, ao que se segue um período de fermentação e a posterior destilação em local próprio. Por fim, a aguardente pode ser logo vendida ou submeter-se a envelhecimento. A fruta é fermentada em tanques de madeira ou barro. A fermentação é natural e dura entre trinta a sessenta dias [há quem diga que o limiar deve ser 15 dias, mas depende da temperatura exterior]. Os tanques devem ser cobertos com frutos esmagados para evitar o contacto com o ar. Depois de fermentado o produto deve ser guardado durante sessenta dias e bem protegido do ar. Uma boa aguardente de medronho é transparente, com o cheiro e o gosto da fruta".
É produzida sobretudo no Algarve, mas também existe no Baixo Alentejo e na Beira Baixa.
No Algarve deve ter 50º de teor alcoólico, em geral deve ter entre 40-50º (vd. aqui).
Foi um produto com relevância económica para as populações da serra algarvia e vizinhas do Baixo Alentejo, mas entrou em crise a partir dos anos 70, com a desertificação e o reforço da legislação específica. Para tentar cercear a crise, surgiu em 1985 a Assoc. dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio (APAGARBE), reunindo c. de 150 dos 500 produtores locais e que pugna pela valorização e reconhecimento oficiais deste produto (enquanto Denominação de Origem Protegida ou Indicação Geográfica Protegida). No âmbito dum projecto de inventariação das principais áreas de intervenção para a revitalização das produções artesanais do interior algarvio (projecto ARRISCA na Serra do Caldeirão, integrado no LEADER I), foi feita uma «investigação-acção sobre a aguardente de medronho» (1993-2000), estudo conjunto da Univ. do Algarve, Dir.º Regional de Agricultura e Associação In Loco. Seguindo estas pisadas surgiu recentemente o oportuno livro Aguardentes de frutos e licores do Algarve, de Ludovina Rodrigues Galego e Valentim Ribeiro de Almeida (Lx, Colibri, 2007), donde retirei informação para este parágrafo.
Outros espaços que permitem revitalizar este produto são as feiras, encontros e acções de sensibilização.
O 4.º Festival de Gastronomia Serrana de Tavira incluiu na sua ementa este néctar, pela mão de restaurantes serranos (vd. lista aqui). Ou seja, esta aguardente remata bem repastos com pratos como estes: galo guisado, ensopado de veado, lombinhos de porco com passas e mel, cozido à moda serrana e lebre com feijão branco. Mas não só! Até há quem diga que vai bem com bolos e doces de amêndoa e mel, típicos do Algarve.
Também Almodôvar acolheu há 2 semanas a 1.ª Feira do Cogumelo e do Medronho (24-25/XI), dois dos principais produtos da zona.
Por fim, vende-se em várias feiras, como a de Artesanato de Loulé e a Medieval de Silves.
No Verão de 2006 realizaram-se as Jornadas do Mel, Medronho e Medronheira, em Pampilhosa da Serra.
Segundo o jornal Barlavento, a Associação In Loco organizou recentemente uma apanha de medronho em São Bartolomeu de Messines (a 17/XI), "com vista a recriar a tradição que marca as serras do Algarve" e contribuir "para a preservação do património natural e sócio-cultural regional".
Do que retenho, as minhas preferências vão para as seguintes aguardentes:
>A farrobinha (produtor: Carlos Faísca; Querença- Loulé);
>Aguardente de Medronho Velha (produtor: Obras do Caratão; Serra da Estrela);
>Manuel de Sousa Martins (S. Bartolomeu de Messines, que produz tb. um excelente licor de poejo);
>Medronho (produtor: Lidório da C. Jesus, de Tavira; melhora com o tempo, o que é bom sinal!);
>Mourinha (produtor: Herdeiros de José Manuel Mealha Guerreiro; Barranco do Velho, Salir, Loulé, tel.28-9846183).
Foi ainda muito apreciada a Aguardente de Medronho de José Rodrigues Cavaco (Vale de Ôdres, Cahopo, Tavira, o,5l, 45º), com foto aqui.
*
Marcas do Algarve que ainda não tive o prazer de provar:
>Castelo de Silves (0,7l: €30; produtor: Baga-Mel; Monchique);
>Guia (€16,8);
>Pizões (0,75l: €30; esgotado na origem [Indústrias Cristina - Portimão], destilação especial para reserva desde 1902; Monchique);
>Sanches & C.ª Lda. (c/caramelo e 2 marcas distintas, uma com rótulo amarelo, a outra preto);
>São Barnabé (0,7l: €18
ou €24; produtor: Leonardo Cabrita; Caldeirão);
>Valverde e Lino (de José Manuel Valverde, de quem dizem que fazia o melhor néctar).
Ainda de Monchique vd. inf. para Cimalhas, Taipas e Monte da Lameira aqui.
Marcas da Beira, da parte de cima (Serra da Estrela):
>Aguardente de Medronho Velha (0,5l: €17,62; produtor: Obras do Caratão);
>Aguardente de Medronho - Obras do Caratão (0,7l: €15,38; produtor: Obras do Caratão).
Marcas da Beira, da parte de baixo (Oleiros):
>Silvapa (0,5l: €15; produzida em Madeirã, concelho de Oleiros).
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A ASAE só fiscaliza a aguardente comercializada, poupando a para consumo próprio, o que é uma boa notícia. O licenciamento das destilarias passou para as câmaras municipais desde 2002 (CM; vd. decreto-lei 238/2000). Vários restaurantes alentejanos estão a deixar de servir aguardente de medronho (da casa) por receio da ASAE :(  Mas se fosse servida como oferta aos bons clientes, já deveria ser permitido, não é?
*
PS: era bom que os produtores fizessem mais uso da Internet para divulgar os seus produtos em sites e/ou blogues seus (e/ou de associações como a APAGARBE), até para facilitar a respectiva comercialização e encomenda por interessados. É que as mercearias finas e outros intermediários inflaccionam muito os preços deste tipo de produtos. Foi muito difícil encontrar informação útil na Internet, e a que existe é maioritariamente inserida por intermediários, além de pobre.

Domingo, 21 de Outubro de 2007

Vinho com pêro em terras algarvias


Volto à rua principal, pelo caminho para o lado de onde vim. Ao passar pela Praça da República, os rapazinhos que jogavam o berlinde continuam ainda o mesmo jogo. O velho tal e qual: cabeça caída, olhos no chão. Quanto aos homens da porta do café na mesma: dois de cotovelos contra a capota do automóvel, os outros dois sentados nas cadeiras, de espaldares para a frente, e ambos de pernas abertas como quem vai a cavalo. Quando passo, a cena repete-se: todos me olham de través. E o Bar da Tia Anica continua fechado!
Passo o Cinema Topázio, entro numa taberna. Reparo, então, que se trata de uma loja onde se vende de tudo. Mas a área principal, ocupada por mesas e bancos, é a da taberna.
Numa das mesas, copos sobre o tampo redondo de folha, dois homens acompanham o vinho com pedaços de pêras, que cortam e descascam à navalha. Desconfiados, param a manobra e olham-me. Dou a saudação, a que nenhum responde. Continuo até ao balcão e aguardo que alguém me atenda. Demorado, um dos homens levanta-se. Alto e delgado, chapéu preto de pala para os olhos, avia-me um copo de vinho.
- São servidos? - convido.
Agradecem. Teimo, ganho e falamos disto e daquilo. Ambos ainda reticentes, lá me vão respondendo.
- Quando falta a estrangeirada, que é que se espera? - diz-me o sujeito que me veio servir e parece ser o dono da loja. - O ano passado? O ano passado também foi fraco.
- Pouco dinheiro - intervenho eu para animar um pouco mais a conversa.
- Muito pouco - acrescenta o outro, também de chapéu preto puxado para os olhos. - Se a época de banhos é boa, alugam-se muitas casas, os que lá moram vão dormir onde calha, mas lá lhes fica o dinheiro para irem tapando os buracos o resto do ano. Que isto do peixe anda muito aviltado. A maior parte do tempo não há. Se há, que é que ganha um pescador?
Mando vir outra rodada. Que não, que era a vez deles. Pago eu, pagas tu, opondo-lhes razões fortes: estou de passagem, nunca mais poderei retribuir o obséquio.
- Tenho de ser eu a convidá-los.
- Só se me aceitar um pêro! - opõe como condição o taberneiro.
Aceito. Vai a um cesto buscar um pêro. Dá-mo:
- Traz navalha?
- Esqueci-me ao mudar de fato - respondo eu, para manter-me ao nível da situação.
- Corte com a minha. Não é nada má. Tem-me servido.
- É sempre bom uma navalha - acrescenta o outro.
Pelo tom, as frases dos dois homens parecem-me cheias de insinuações. O pedaço de silêncio demora-se. Pensariam que era fiscal dos géneros, polícia e assim por diante?
Apesar das circunstâncias ou talvez por isso mesmo, dou por mim a beber de gosto. O vinho é aberto e claro, leve. Acabo por concordar que é agradável misturar vinho com o pêro. Deixa na boca um odor saboroso, acre. Sorrio para os dois homens, louvando a receita.

*Imagem: Praça da República, Fuzeta.

Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Allgarve, Poortugal

Leio no site da TSF que a nova campanha do governo para promover o Algarve como destino turístico está a provocar a indignação de autarcas, políticos e hoteleiros algarvios.

Eu não sabia, mas na nova campanha o Algarve aparece assim:

Perante isto, o blogger emigrado, descendente de algarvia, com uma infância e adolescência bafejada da luz do Sotavento e da Ria Formosa, tem duas hipóteses:

a) ou escreve pontos de exclamação até lá abaixo, ao fim da página (técnica pouco eficaz porque ninguém lê um blogue até ao fim da página e porque só o partir do écrã do computador poderia traduzir fielmente a indignação sentida ao ler a notícia)

b) ou goza com o assunto e junta-se à nobre tradição clássica dos cínicos (vamos por esta segunda hipótese, porque o computador saiu caro).

VALHA-ME SÃO DIÓGENES!!!!

O QUE DIZ EM DEFESA DA CAMPANHA O SECRETÁRIO DE ESTADO DO TURISMO, BERNARDO TRINDADE, TAMBÉM É GIRO: "UM DOS PONTOS A MELHORAR É A INEXISTÊNCIA DE UMA ANIMAÇÃO COM GLAMOUR NO ALGARVE".

(Ponham maminhas, senhores governantes, maminhas verdadeiras à mostra à passagem em Alljezur. Ponham maminhas em Allcantarilha, em Allbufeira, em São Brás de Allportel. Ponham maminhas nas estações de serviço e nos apeadeiros, do Allentejo ao Allgarve. E ponham rabos de rapazes jeitosos, também, que o glamour hoje é para todos.)

O pior desta história é que os autharcs, hotellers e politicallers allgarvios, estando desta vez carregados de razão, são cúmplices. Cúmplices por estarem ligados, há anos e anos, a uma gestão da região unicamente como objecto turístico. E, como objecto turístico, um puro objecto mercantil. A prova é que hoje a sua defesa do "bom nome" do Algarve, por mais honrosa que possa parecer, é só a defesa do bom nome de uma marca. Como diz o presidente da Associação dos Hoteleiros Algarvios, Elidérico Viegas, «Isto é no mínimo ofensivo, não só para os algarvios mas também para as mais elementares regras do marketing político. O Algarve é das marcas mais consolidadas a nível internacional, e isto revela uma incompetência técnica quase a 100 por cento».

Digam-me que não tenho razão, por favor.

Mas o Algarve é uma região reduzida a uma marca. No fundo, é como a Coca-Cola passar a chamar-se "Corca-Cola" e ficarmos escandalizados por isso. O Ministério da Economia (e da Inovação, pour cause) limita-se a seguir os ventos publicitários.

Valha-me, valha-me Santa Bárbara de Nexe.