Em casa de ferreiros...

“Em casa de ferreiros espeto de pau” é o último dos ditados que deveria aplicar-se aos profissionais do conselho em comunicação. De cada vez que alguém neste sector privilegia as reacções a quente ao raciocínio, ou opta pelo ataque cego em lugar de agir com sangue frio, esquece várias das regras de ouro que devem ser sempre transmitidas aos nossos clientes.
Isto é ainda mais válido e relevante no ambiente dos social media, “lugar” ubíquo e onde permanecem para sempre os conteúdos e as palavras, acessíveis por todos à distância de uma simples pesquisa. As más palavras viram-se mais tarde ou mais cedo contra quem as escreve num outro contexto e tempo. É uma banalidade dizê-lo mas que pelos vistos, de quando em vez tem de ser repetida.  
Vem isto a propósito de ter sido surpreendido, ao regressar do fim-de-semana numa belíssima serra onde a internet não chegava (sim, ainda há disso) por uma série de textos escritos pelo João Duarte no blogue da sua agência a Young Network e atacando virulentamente o Rui Calafate da Special One.
Não vou esconder que a relação de amizade e profissional que tenho com o Rui faz com que entenda ainda menos como é possível atacar, desta forma, uma pessoa cujo profissionalismo conheço e que tem a trabalhar consigo consultores muito acima da média do mercado, como é o caso do Alexandre Guerra e da Inês Saraiva.
Mas posso assegurar que já noutra ocasião - e por razões diversas envolvendo outros protagonistas - esta mensagem a propósito do “em casa de ferreiro…” esteve para ser publicada. Considero irresponsável a forma como João Duarte procedeu, trazendo as suas questões pessoais e diferentes com outro profissional para a praça pública desta maneira. É certo que aquele blogue é a sua casa, mas também é indispensável perceber que cada um de nós tem o dever de dar um exemplo de sobriedade e profissionalismo nas suas intervenções públicas para os clientes, os restantes consultores e obviamente os média. 
Fico triste com estas atitudes. E quando elas sucedem num contexto em que os profissionais do sector se esforçam por dialogar e encontrar um caminho comum para o dignificar da sua actividade, ainda mais.
Espero que a turbulência acalme e que a paz impere. O sector da comunicação não é um ringue de boxe e, muito menos, de vale tudo.

João Villalobos

 

Mobile World Congress - Dia -1 - Hackaton: Platform Wars #MWC1pt

Decorreu ontem, na Universidade de La Salle, um Hackaton. Para quem não está familiriazado com o lingo, um hackaton é, nada mais nada menos, do que um conjunto de programadores que se junta para desenvolver um programa ou aplicação durante um dia. Ao final, as respectivas aplicações são revistas e votadas. Organizado pela FastDove e pelo GTUG, este Hackaton além de querer promover a saudável concorrência entre programadores de várias plataformas móveis, tinha também por objectivo a captação de talento para algumas empresas que querem investir em aplicações para smartphones. 

Os programadores para o sistema Android estavam em maioria mas foi uma aplicação para iPhone que ganhou este Hackaton: iChurri é uma aplicação que permite visualizar num mapa o número de mulheres solteiras, a sua idade e o seu rendimento para um possível encontro. A autor da aplicação ganhou um tablet Android. Ficam aqui algumas fotos do evento. 

 

As marcas, o Twitter, a interacção e o @MrSteed

Deixei um comentário ontem à tarde  a este post do António Quintas que se deve ter perdido. 

Fica, por isso aqui, o mesmo*. 

Não concordo de todo com o que o António diz. Não concordo porque os exemplos dados apontam para o que são más práticas. Senão vejamos:

a) Alguém escreve: "hoje comi umas torradinhas com Planta que me souberam pela vida" e logo aparece o tipo que diz "obrigado por preferir Planta, sabe que agora também pode escolher Planta com sabor a galinha?"

Porque razão havia alguém, no seu perfeito juízo, ir importunar alguém que está a falar, gratuitamente, da nossa marca? Ficar quieto no exemplo dado seria o melhor a fazer. 

b) Um desabafo do género "irra, o autocarro nunca mais chega" e logo surge alguém com 20 tweets sobre os benefícios dos transportes públicos.

Dar informação totalmente irrelevante para a situação em causa é outro erro. No entanto duvido que alguém se sentisse mal, ou incomodado, se a pessoa a queixar-se do atraso do transporte público recebesse um tweet a dizer-lhe que o seu autocarro iria chegar dentro de X minutos. 

 

* Mesmo = uma versão do pensamento inicial do qual, infelizmente, não fiz copy paste. #MyBad

#MWC11 SoMeOps no Mobile World Congress 2011

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Arranca já no Domingo, dia 13, o Mobile World Congress. Apesar de a data de abertura oficial ser dia 14, será já no Domingo que vão acontecer alguns eventos, destinados apenas à imprensa, que vão marcar o tom para os dias seguintes em Barcelona: o "Showstoppers", a conferência de imprensa da Samsung e da Nokia - esta última ainda com mais interesse depois do leak do comunicado interno do seu CEO Ellop -, e o Mobile Sunday, um evento onde os todos os membros executivos do famoso Mobile Monday estarão presentes.

O SoMeOps vai estar em Barcelona desde dia 12 a dia 17 de Fevereiro, creditado como imprensa, e vai ter acesso quer aos eventos paralelos quer aos eventos oficiais, onde se destacam as keynotes do ex-CEO da Google, Eric Schmidt e de Dick Costolo, CEO do Twitter, o  App Planet e a WipJam

 No Twitter podem seguir os tweets enviados para a  #MWC11 (via  @fjfonseca) e #MWC11pt (via @SoMeOps e com conteúdos em Português) e haverá posts diários aqui no blog bem como alguns artigos/entrevistas que serão colocados no site "Movimento Milénio" (o editor terá que escolher quais). 

Se após visitarem o site do Mobile World Congress tiverem alguma pergunta ou pedido, que seja possível acomodar na agenda, não hesitem em deixar nos comentários. 

 

 

Uma análise pessoal das #Presidenciais

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Agora que as eleições já não são um tema diário e que, pessoalmente, tive algum tempo para olhar para trás já posso escrever este post.

Desde Setembro de 2010 até Janeiro de 2011 estive directamente envolvido na campanha digital de Cavaco Silva a convite directo de Rui Lourenço, CEO da MetaVerse.

Nos primeiros meses, antes do anúncio oficial da candidatura, fui preparando um conjunto de documentos que delineavam aquilo que pensei ser a melhor estratégia nas redes sociais em que o candidato ia estar activo e que foram passadas para análise e aprovação (ou não) pela direcção de campanha.

Quando arrancou a pré-campanha e a campanha tive por tarefas a gestão da conta do Twitter, Foursquare e Soundcloud bem como monitorização e intervenção nas diversas redes sociais onde a candidatura estava activa.

Podia ter corrido melhor? Sem dúvida.

Muito ficou por fazer, especialmente no que diz respeito à intervenção, e muitas ideias não passaram disso mesmo. Também a adaptação de uma comunicação formal para uma linguagem mais adaptada às diversas redes não foi possível de realizar.

No entanto existem alguns aspectos que sugeri e que foram implementados:

1. A adopção pela candidatura de uma licença Creative Commons para todos os conteúdos disponibilizados nas diversas redes e que de imediato tiveram eco internacional como, por exemplo, a mensagem enviada pelo CEO da Creative Commons Joi Ito, com cujo staff mantive contacto para perceber qual seria a melhor licença a adoptar e a melhor forma de comunicar a importância e significado desta decisão. Espero que este tenha sido um passo importante para que as licenças Creative Commons sejam as licenças por defeito nos conteúdos produzidos pela Administração pública. 

 2. A aposta numa plataforma como o SoundCloud para disponibilizar e partilhar conteúdos áudio, fazendo com que a candidatura de Cavaco Silva fosse a primeira, a nível mundial, a usar aquela plataforma para uma campanha política, com resultados bastante positivos.

3. A aposta no FourSquare – que foi replicada pelas outras candidaturas – mas que, reconheço, poderia ter sido melhor aproveitada (Swarm Badges por exemplo). Desta iniciativa ficam os contactos directos com a Foursquare para tentar perceber a sensibilidade da empresa de geo-localização americana em relação a campanhas políticas e o seu, curioso, modus operandi

4. O facto de ter sido a única conta de todas as candidaturas a interagir com os seus seguidores no Twitter, se bem com as limitações que foram impostas e que foram visíveis para todos. 

 

Resta-me agradecer o convite que me foi dirigido pois foi uma experiência bastante interessante a todos os níveis e agradecer, agora publicamente, a todos aqueles que de forma privada ou pública reconheceram o trabalho feito por aquela equipa de três pessoas. Em meu nome, muito obrigado.

Notas adicionais: Quando o convite me foi dirigido de imediato propus escrever um disclaimer no “31 da Sarrafada” para esclarecer porque motivos não iria escrever sobre as Presidenciais. Fui informado que tal disclaimer não seria necessário. Ainda hoje acredito que o disclaimer deveria ter sido feito.