Apelo ao voluntariado: Trabalhos de Outono

Tal como prometido, aqui vão mais alguns detalhes das Jornadas de Outono e mais além no Cabeço Santo, para voluntários. Se quiser também pode participar na divulgação destas jornadas, descarregando este cartaz em formato jpg e este texto em formato pdf e enviando aos seus amigos.

Trabalhos realizados desde o início de 2009

Comecemos com  um resumo dos principais trabalhos já realizados durante o presente ano:

  • Plantação de mais de 3000 árvores e arbustos nas áreas cuja intervenção se iniciou em 2008 (realizada sobretudo por equipas profissionais, mas também por voluntários)
  • Trabalhos de corte da vegetação exótica e invasora em quase 30 ha de terreno e pincelagem com herbicida das superfícies de corte ou pulverização da rebentação (realizados por várias equipas de profissionais).
  • Contactos e  negociações com mais de duas dezenas de pequenos proprietários florestais, a fim de permitir a intervenção ao longo da margem esquerda do Ribeiro de Belazaima.
  • Criação e manutenção em viveiro de cerca de 1000 carvalhos e castanheiros, bem como algumas centenas de medronheiros, murtas e lentiscos.

Trabalhos de Outono – Jornadas de Voluntariado

Embora a maior parte dos trabalhos até agora realizados o tenham sido com recurso a mão de obra profissional, há um conjunto de intervenções mão de obra intensivas mas de fácil realização que poderiam ser levadas a cabo por voluntários. No Outono que se avizinha, esses trabalhos são os seguintes:

  1. Corte com tesourões de plantas de Acacia longifolia;
  2. Recolha de frutos ou sementes de espécies nativas;
  3. Extracção das sementes dos frutos recolhidos;
  4. Sementeira directa no terreno de sementes de carvalho roble, aderno, lentisco e murta.

Algumas sementes poderão, se necessárias, ser enviadas para os viveiros onde são produzidas as plantas para o projecto “Criar Bosques”, da Quercus, de onde o PCS também recebe plantas.

 Trabalhos de longo prazo – até ao final de 2010

Até ao final de 2010, ou mais tarde, se necessário, há trabalhos tecnicamente mais exigentes, não dependentes da Estação, que poderão ser realizados por grupos de voluntários, como escuteiros ou outros grupos com alguma experiência em tais trabalhos. Entre estes destacam-se:

  1. Construção de passadiços, escadas e pontes, com vista à execução/demarcação, prevista para 2010, de um percurso pedestre circular no Cabeço Santo.
  2. Recuperação de pequenas construções de maneira a permitir a sua utilização em acções de educação ambiental ou outros fins associados aos objectivos do projecto.

 Destinatários

Todos os cidadãos ou grupos de cidadãos que queiram contribuir de forma voluntária para este projecto. De forma especial, pela sua proximidade à área de intervenção do projecto, são convidados os cidadãos da Freguesia de Belazaima e do Concelho de Águeda.

Calendarização das Jornadas de Trabalho Voluntário de Outono

  • Setembro: 26
  • Outubro: 3, 10, 17, 24 e 31
  • Novembro: 7 e 14

Realizar-se-ão jornadas sempre que haja pelo menos 3 voluntários inscritos até à Quinta feira à noite anterior ao Sábado previsto.

Apoio aos Voluntários:

  • Alimentação oferecida pela organização podendo, quando as condições o permitirem, incluir um cozinhado solar.
  • Possibilidade de transporte a partir de Aveiro e de Águeda.
  • Entrega de certificados de participação a todos os participantes.
  • Oferta de um pequeno arbusto nativo (medronheiro ou murta) aos participantes que, dispondo de espaço, o queiram levar para  plantar.
  • Oferta de um calendário para 2010, alusivo ao projecto, a todos quantos participarem pelo menos duas vezes nos Trabalhos de Outono.

  Formas alternativas de colaboração

Através de donativos para a aquisição de terrenos nas margens do Ribeiro de Belazaima (orçamento previsto de pelo menos 25000 Euros para 2009/10), despesa não coberta pelos apoios institucionais:

  • Por cheque enviado para o Núcleo de Aveiro da Quercus, conta “Cabeço Santo” na CGD, com o número 0239 018448 830
  • Por transferência bancária para o NIB 0035 0239 0001 8448 8309 4 (enviando comprovativo por correio postal ou e-mail para cabsanto@gmail.com, com identificação do número de contribuinte).

Sobre este assunto ver também a página  http://ecosanto.wordpress.com/apoios-ao-projecto/.

Os donativos privados (particulares ou empresariais) permitem a atribuição de benefícios fiscais, em sede de IRS ou de IRC.

Mais informação:

Para além da divulgada nestas páginas, pelo nº de telemóvel do Núcleo de Aveiro da Quercus, 966 551 372, ou por escrito por e-mail para cabsanto@gmail.com.

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Regresso ao trabalho

Embora este título faça crer que durante o mês de Agosto não se fez nada no Cabeço Santo, não foi assim. Até meados de Agosto continuaram os trabalhos de corte da vegetação invasora e as pulverizações da rebentação. Continuaram as negociações com proprietários de terrenos nas margens do Ribeiro de Belazaima. Aliás, com toda a evolução que o projecto teve nos últimos dois anos, a carta disponível na página “Carta da área de intervenção” encontrava-se já muito desactualizada pelo que agora já foi actualizada de acordo com os últimos desenvolvimentos.

Estando concluídos por este ano os trabalhos de corte de eucaliptos e acácias, pelo menos aqueles que implicam pulverização, já que os que se realizam com pincelamento da superfície de corte poderão continuar, pode-se já fazer um balanço: a intervenção terá atingido 25 a 30 hectares, tendo-se quase completado na propriedade da Silvicaima (ao nível da intervenção básica) mas tendo ficado por intervir áreas da margem esquerda do Ribeiro de Belazaima que estavam em programa. Para algumas delas ainda não foi possível chegar a acordo com os proprietários, mas não foi só por isso que não se realizou a intervenção: é que, mesmo com 4 equipas profissionais no terreno não foi possível fazer mais, sendo certo também que se dispendeu já praticamente todo o orçamento previsto para estes trabalhos no presente ano.

Corte de plantas de háquea-picante com tesourões

Corte de plantas de háquea-picante com tesourões

Trabalhos de pulverização realizados por elementos da AFBV

Trabalhos de pulverização realizados por elementos da AFBV

Aspecto actualizado da área entre os vales 4a e 4b

Aspecto actualizado da área entre os vales 4a e 4b

Panorama do Ribeiro de Belazaima após a intervenção inicial

Panorama do Ribeiro de Belazaima após a intervenção inicial

Agora, com a chegada do Outono, novos trabalhos se perspectivam, alguns dos quais poderão ser realizados por voluntários, como foi já escrito num artigo anterior. Um em particular poderá suscitar mais interesse: este ano há uma produção de bolota de carvalho-roble acima da média, de facto, uma produção como só se verifica de 10 em 10 anos, mais ou menos. É o tipo de ano em que a regeneração natural se verifica com mais intensidade, pois a grande abundância permite que um número expressivo de plantas ultrapassem os “perigos” que num ano normal dizimam a quase totalidade: predadores de bolotas, herbívoros que comem as jovens plantas, etc. Deste modo, surgiu a ideia de realizar este ano uma massiva sementeira de bolotas de carvalho-roble, o que permitirá, espera-se, diminuir a necessidade de realizar plantações, muito mais dispendiosas e em geral difíceis de realizar por voluntários. A sementeira realizar-se-á da forma o mais discreta possível, simulando a sementeira natural realizada pelos gaios, de forma a minimizar as perdas para os predadores, que são muitos e as adoram. Mas outras espécies poderão também ser semeadas, como veremos.

As actividades voluntárias iniciar-se-ão apenas em 26 de Setembro (e não em 12 como foi anunciado no artigo anterior), mas sobre elas haverá mais detalhes já nos próximos dias.

Entretanto as árvores plantadas no ano passado crescem a bom ritmo. Depois de um Verão suave, deparam-se agora, no final da estação, com uma temporada invulgarmente quente e seca, coisa que aliás experimentaram também logo que “chegaram” ao terrreno no final do Inverno. São as agruras do clima, às quais terão de se habituar, quiçá cada vez mais, se “quiserem” sobreviver.

Medronheiro plantado em 2008 numa zona pobre

Medronheiro plantado em 2008 numa zona pobre

Carvalho-roble plantado este ano

Carvalho-roble plantado este ano

Paulo Domingues

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Apelo ao voluntariado

O Projecto Cabeço Santo atinge, por esta altura um dos seus objectivos principais para este ano: o corte da vegetação exótica e invasora em áreas ainda não intervencionadas. Estas áreas eram um troço do vale 3, de maneira a integrar praticamente toda a extensão deste vale nos propósitos do projecto, uma área em torno do vale 7, uma faixa ao longo do Ribeiro de Belazaima e ainda outras áreas menores. No total, a área de intervenção terá excedido os 30 ha. Juntando as áreas de intervenção do ano passado e deste ano atingiram-se os 2km de extensão na margem direita do Ribeiro, e cerca de 750 m na outra margem. O objectivo de curto prazo é intervir ao longo de 2km também da margem esquerda, mas talvez apenas para o ano se venha a conseguir. Desta forma se pretende inverter a situação deplorável em que se encontrava o ribeiro e os seus afluentes, devido à ocupação por espécies de características invasoras, o que, no entanto, ainda requererá muito trabalho e acompanhamento.

Trabalho realizado apenas na margem direita

Trabalho realizado apenas na margem direita

Entre os vales 3 e 4: uma paisagem em recuperação

Entre os vales 3 e 4: uma paisagem em recuperação

Já de seguida vão iniciar-se as operações de pulverização com herbicida das áreas cortadas este ano. Operação difícil e não isenta de consequências negativas mas sem a qual os trabalhos anteriores seriam completamente inúteis. Esta acção deverá eliminar a maior parte das plantas e manchas de espécies indesejáveis, mas nunca o faz completamente. Por isso é necessário um trabalho de acompanhamento que se prolongará certamente por vários anos.

Alguns dos trabalhos de acompanhamento requerem uma mão de obra considerável, como por exemplo nas áreas invadidas por Acacia longifolia não sujeitas a pulverização nem gradagem. Os trabalhos de corte iniciais foram, na sua maior parte, ralizados com motoserras, por uma questão de minimização da mão-de-obra requerida. Mas deste modo não é possível cortar os caules muito por baixo, aumentando a probabilidade de rebentação da toiça. Deste modo encontram-se áreas já cortadas com rebentação abundante. O ideal é agora cortar essas plantas com tesourões, mas colocar equipas pagas a fazê-lo fica muito dispendioso.

Área já intervencionada mas ainda com A. longifolia

Área já intervencionada mas ainda com A. longifolia

Como a anterior

Como a anterior

Como as anteriores

Como as anteriores

Melhor do que as anteriores!

Melhor do que as anteriores!

Muito ajudaria se o voluntariado desse aqui o seu contributo, já que se trata de trabalhos que quase todos podem fazer. Por isso aqui fica desde já o repto, cuja semente foi “lançada à terra” na última jornada de trabalho voluntário no Cabeço Santo: realizar uma ou mais jornadas de trabalho voluntário entre Setembro e Outubro com o objectivo principal de cortar plantas de Acacia longifolia. Sempre que for apropriado realizar-se-á também a recolha de frutos para extracção de sementes, sendo que parte delas será enviada para os viveiros do Projecto Criar Bosques da Quercus, de onde aliás o PCS já recebeu e continuará a receber plantas.

Para facilitar a selecção dos dias para essas jornadas, pede-se desde já a quem queira participar que envie uma mensagem para cabsanto@gmail.com indicando o dia ou dias em que estaria disponível, entre 12 de Setembro e 24 de Outubro, mas excluindo o último Sábado de Setembro. Nos dias em que houver pelo menos três voluntários realiza-se uma jornada. A alimentação será, como tem acontecido, oferecida pela organização e tentarão facilitar-se meios de transporte desde Aveiro e Águeda.

É bem sabido (basta ler as páginas deste blogue) que o número de voluntários que aqui quiseram dar a sua contribuição nunca foi elevado (com excepção dos primeiros Campos de Trabalho Voluntário, em 2006). Talvez o estado da área de intervenção seja pouco atractivo, mas para que um dia se torne mais é agora que é preciso agir. Talvez esta paisagem não rivalize com as dos cartazes turisticos nem atraia muitos visitantes, mas não é esse o argumento principal da motivação para os trabalhos em curso. Talvez haja locais que tenham prioridade para aplicação de um esforço deste tipo, mas foi aqui que um conjunto de sinergias e de vontades teve a oportunidade de se reunir. E talvez não haja um único lugar na Terra, por pequeno, isolado, degradado e cercado que seja, onde não valha a pena um ser humano dedicar o seu esforço e a sua compaixão. Mas, basta de palavras, porque se algo não toca os corações por si próprio não é por certo uma colecção de argumentos que o irá fazer. Ou será? Ou faltarão ainda argumentos e “técnicas de comunicação” que permitam chegar pelo menos às almas mais prontas para o “passo seguinte”. Pois se há então quem as conhece ou está vocacionado para elas é seriamente convidado a vir dar uma contribuição a este projecto, pois não é essa, por certo, a especialidade de quem tem tido a missão de o gerir.

Medronheiro plantado em 2007

Medronheiro plantado em 2007

Paulo Domingues

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Jornada de 18 de Julho e outras notícias

No dia 18 de Julho cinco voluntários vieram até Belazaima participar na jornada de trabalho voluntário anunciada. À sua chegada tiveram, talvez, uma surpresa: é que ao contrário do que tinha sido anunciado, os trabalhos propostos não eram “leves”, mas, vá lá, “meio pesados”! Tratava-se de intervir numa área do vale 3 onde, em Janeiro/Fevereiro, uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga tinha realizado um trabalho de corte de eucaliptos e Acacia longifolia. Esta era a área há mais tempo invadida com esta acácia e que apresentava, antes de 2005, manchas muito densas de grandes arbustos dessa espécie, lá se encontrando ainda de pé os restos queimados de muitos deles. Ao longo do vale havia eucaliptos. No entanto, esta zona tem também bastante vegetação nativa, encontrando-se muitos medronheiros, lentiscos e algumas murtas e adernos completamente misturados com aquela vegetação exótica, isto para além da vegetação sub-arbustiva, dominada pelo sanganho-mouro. Por isso, e como será necessário realizar aqui pulverizações da vegetação exótica, era muito importante criar perímetros de protecção em torno de cada arbusto nativo, a fim de os poupar o mais possível aos efeitos da pulverização. E foi esse o trabalho dos voluntários durante a manhã de Sábado: cortar a rebentação da vegetação exótica em torno dos arbustos nativos. Os rebentos de eucalipto com machados, as acácias com tesourões. E a equipa foi subindo a encosta até bem de pois das 13 horas, quando rumou à Casa de Santa Margarida para o almoço. A temperatura já estava bem elevada, pelo que uma boa mesa à sombra era muito bem vinda.

Depois do almoço demos uma volta pela vizinhança da casa, observando as árvores aqui plantadas este ano. Os javalis parecem insistir em voltar até aqui, porque já havia mais uma dúzia de tubos de protecção dos carvalhos derrubados, tendo algumas das árvores sido arrancadas. Tudo indica tratar-se de tentativas de encontrar bolotas, ainda que infrutíferas. Mas, aparte alguns eucaliptos e acácias que por aqui existem dispersos, a paisagem apresentava um colorido bem bonito, com as urzes da espécie Erica cinerea agora em flor. Quanto às árvores plantadas, vimos que havia algumas com mais dificuldades, mas a maioria apresentava-se com bom vigor.

Dado que agora, ao princípio da tarde, o calor apertava, foi a oportunidade para mostrar aos voluntários um pouco do trabalho que está a ser realizado ao longo do Ribeiro de Belazaima por equipas de profissionais. Cá em baixo, com menos 250 metros de altitude e maior abrigo do vento, o calor apertava ainda mais, pelo que soube muito bem passar uns minutos bem alongados mesmo nas margens do Ribeiro, observando as libelinhas, e sob a sombra de duas grandes mimosas que sobreviveram quase intactas ao incêndio de 2005!

Depois, dado o calor e o cansaço já acumulado durante a manhã… finalmente algo mais leve e agradável: decidimos deixar o Cabeço Santo e vir até ao carvalhal da Ponte Nova, junto a Belazaima, usufruir do espaço, identificar as árvores, e trabalhar… à sombra. Primeiro foi tempo de encontrar algumas árvores plantadas já este ano entre a densa cobertura  de fetos, que aqui crescem até uma altura superior a 2 metros, acabando por cair sobre as jovens árvores. Depois cortaram-se algumas mimosas que são restos de uma densa formação que aqui existia há uns 6 ou 7 anos atrás. Aqui o tempo passou depressa, e, por razões que nada tiveram a ver com esta jornada, o lanche acabou por acontecer já depois das 18:30h no parque do Moinho de Vento, ao som das muitas aves que por aqui chilreavam.

Um obrigado aos participantes nesta jornada e boas férias!

Entretanto, a equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga terminou os trabalhos de corte da vegetação exótica na margem direita do Ribeiro que lhes estavam atribuídos. Isto significa que, nessa margem, a intervenção do projecto atingiu já os 1,8 km de extensão do ribeiro, esperando-se que atinja os 2 km ainda antes do final de Julho. Na margem esquerda, os trabalhos não estão tão avançados, ainda só se tendo realizado trabalho ao longo de cerca de 150 metros, mas espera-se atingir pelo menos 800 ainda este Verão.

As árvores propagadas este ano encontram-se já num abrigo sombreado, onde permanecerão até à época de plantação.

Entretanto, prosseguem os contactos para aquisição de parcelas privadas nas margens do ribeiro. Prevê-se para este ano a aquisição de cerca de 3 ha. Até ao momento apenas um dos cerca de 20 proprietários contactados (de cerca de 35 parcelas identificadas!) não esteve disponível para ceder as suas parcelas ao projecto. Houve proprietários que foram particularmente compreensivos, outros nem tanto. Um deles merece aqui desde já um agradecimento público, pelo facto de ter cedido gratuitamente as suas três parcelas com a área total de cerca de 1000 m2: o António José Morgado, da Póvoa do Vale do Trigo. Portanto, um dos objectivos deste projecto, que parecia impossível a alguns (por depender da boa vontade de um número considerável de pessoas), está em vias de ser largamente atingido.

Uma apresentação, desta vez do power point (6,5 MB),  ilustra os trabalhos descritos.

Até breve.

Paulo Domingues

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Jornada de trabalho voluntário

No próximo Sábado, dia 18 de Julho, realizaremos uma jornada de trabalho no Cabeço Santo, durante a qual teremos também a oportunidade de observar no terreno os últimos trabalhos realizados por várias equipas de profissionais e ficar com uma ideia mais clara dos desafios que aí se colocam. Os trabalhos a realizar serão leves, como cuidar das árvores plantadas este ano e cortar plantas de espécies invasoras com tesourões. O programa será contudo adaptado às condições meteorológicas que se apresentarem, pois que o objectivo desta jornada não é tanto a realização de trabalho mas, através de algum dele, dar uma ideia aos participantes do que é necessário fazer aqui para atingir os objectivos do projecto: recuperar áreas biologicamente degradadas para formações nativas próximas das que espontaneamente existiriam aqui.

O projecto oferece a alimentação para os inscritos até Quinta-feira à noite: almoço e lanche em forma de piquenique. Haverá um ponto de encontro junto à estação de caminhos de ferro em Aveiro às 8:30h, na sede da Quercus às 8:45h e no parque de merendas do Moinho de Vento às 9:30h. Devem trazer calçado e indumentária adequadas.

Entretanto, no terreno, as equipas continuam o seu trabalho. A equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga deixou já as últimas (antigas) terras agrícolas de Belazaima-a-Velha e progride agora na margem direita do Ribeiro em direcção ao vale 5. A área é agora por vezes muito escarpada, colocando grandes desafios. Alguns locais são mesmo inacessíveis a homens a pé com motosserra na mão pelo que as acácias aí existentes terão de ser eliminadas por outros meios.

Outra equipa continua a trabalhar numa área de alguns hectares junto ao vale 7, a área que fica junto à Casa de Santa Margarida. Uma terceira equipa iniciou esta semana os trabalhos de limpeza do vale 3, logo à entrada da propriedade gerida pela Silvicaima. Finalmente uma quarta equipa trabalhou já numa área junto ao vale 6 e trata agora uma área com eucaliptos e acácias mais dispersos entre os vales 4a e 4b. Nesta área está a utilizar-se a técnica de pincelamento da superfície de corte.

A lenha que é possível retirar sem custos significativos começará também agora a sê-lo, já que a sua presença causa um grande estorvo aos trabalhos subsequêntes.

Para variar, uma apresentação ilustra a evolução dos trabalhos (formato pdf, 9MB): trabalhos em curso . Ou então nesta apresentação: http://www.slide.com/r/TCBWv3akxD_2_jxZ-8XuPu22RO83IQMd

Paulo Domingues

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Os trabalhos continuam

No Cabeço Santo, os trabalhos aproximam-se do seu pico de intensidade. Junto ao Ribeiro de Belazaima, uma equipa de sapadores florestais da Associação Florestal do Baixo Vouga continua a evoluir para jusante, estando agora prestes a atingir as últimas antigas parcelas de terra agrícola pertencentes à aldeia abandonada de Belazaima-a-Velha.  É nestas que a situação se tem apresentado mais complicada devido ao emaranhado de lenha de mimosa queimada, silvado e rebentação jovem de mimosas e eucaliptos. As “armas” utilizadas para vencer estes obstáculos são as motosserras mas, nestas condições, o progresso é lento, mesmo para uma equipa de profissionais com quatro homens [1-3]. Curiosamente, mesmo assim, por vezes encontra-se um rebento de carvalho com 2 metros de altura no meio dessa confusão. É tal a quantidade de lenha que fica no solo após o avanço dos homens que, mesmo assim, é difícil caminhar nesse espaço, pois o caminhante se vê “engolido” por uma massa de lenha que frequentemente lhe ultrapassa os joelhos. Acresce que os acessos não são fáceis para retirar toda essa lenha daí. E ainda, existem no local uma a duas dúzias de eucaliptos adultos que terão de ser cortados e retirados [4]. As margens do Ribeiro terão aqui que ser recuperadas praticamente do zero pois que quase só existe nesta zona vegetação invasora [5].

É interessante, aliás, verificar como as mimosas se desenvolvem com carácter invasor em ambientes tão distintos como as férteis e húmidas margens de um ribeiro e as rochas mais expostas, secas e isentas de solo. Esta imagem [6] mostra uma autenticamente em cima de uma rocha compacta, e mesmo assim, frutificando!

Entretanto as pulverizações com herbicida tiveram já de ser iniciadas, em áreas cortadas no ano passado mas que não chegaram a ser então pulverizadas, e, mais pontualmente, em áreas já no ano passado pulverizadas mas que este ano têm de receber um trabalho de acompanhamento, pois que é impossível eliminar todos os focos de vegetação invasora de uma só vez. Estas segundas foram aliás áreas entretanto já plantadas e portanto agora o trabalho tem de ser feito com cuidados acrescidos para não atingir essas novas plantas [7]. Nestas é agora ocorrência frequente o craveiro-do-monte (Simethis planifolia) [8].

Ao longo do vale 6, a montante da “famosa” cascata, foram mesmo plantadas árvores sem ter havido qualquer pulverização. Em parte porque o corte foi realizado no ano passado já relativamente tarde, e em parte porque havia a intenção de não pulverizar na vizinhança do vale, procurando eliminar a vegetação por corte repetido. Mas o panorama é tal que uma abordagem dessa natureza não seria realmente viável, pelo menos sem custos muito elevados [9-10]. Por outro lado, este ano o projecto utiliza um herbicida não tóxico para animais, mesmo insectos e organismos aquáticos, o que nos permite utilizar o produto com mais confiança, mesmo na vizinhança de cursos de água.

Sabemos muito bem, e algumas pessoas o lembram de tempos a tempos, que a solução “herbicida” é uma espécie de “bomba” cuja utilização seria preferivel evitar. E sem dúvida que sim. Mesmo que o herbicida utilizado seja inócuo para a fauna, sempre há plantas nativas que são atingidas. Mas a verdade é que, nas condições presentes, e após consulta das entidades mais competentes na matéria em Portugal (como o grupo das Invasoras da Universidade de Coimbra) nenhuma solução alternativa viável foi encontrada.

Portanto, tiveram mesmo que se realizar pulverizações ao longo do vale 6. Como já lá estavam carvalhos plantados, e aliás bem bonitos, tiveram de ser individualmente cobertos com sacos plásticos para não serem atingidos [11-12]. Felizmente nesse dia o céu estava enevoado, o que perimitiu às árvores não “sufocarem” muito durante a cerca de meia hora em que ficaram cobertas. A montante da cascata tem-se esta vista do vale 6 [13], com o caminho principal abaixo, depois uma zona cortada no ano passado e já pulverizada este ano, outra já pulverizada no ano passado e plantada já este, depois a área ribeirinha cuja aquisição a Quercus realizará, pois que já se encontra fora da propriedade da Silvicaima, e ao fundo uma enorme área mobilizada este ano para plantação com eucaliptos, já no Cabeço do Meio.

Entretanto, as árvores e arbustos plantados no ano passado crescem a bom ritmo enquanto a água no solo é ainda abundante. Claro, alguns insectos aproveitam-se da frescura da folhagem, uns “bons”, outros não tanto [14-15]. Na zona superior do vale 4b, onde ainda no ano passado os eucaliptos formavam um tapete contínuo e exclusivo de qualquer outra espécie, este ano cresce uma cobertura de erva-loira-de-flor-pequena e bole-bole-maior entre os carvalhos plantados [16].

Chegamos agora à altura do ano em que a gramínea Agrostis forma as suas espectaculares manchas, mesmo nos caminhos e suas bordaduras [17-18].

Na estufa, carvalhos e castanheiros desenvolvem-se rapidamente em tabuleiros de alvéolos [19]. Em breve, será tempo de virem para o exterior, para um terreiro sombreado, onde ficarão até à próxima época de plantação. Também os medronheiros semeados em tabuleiros de sementeira têm agora de ser repicados para contentores individuais.

No dia 18 de Julho poderemos, caso haja voluntários interessados e disponíveis, fazer um encontro de trabalho voluntário, onde faremos coisas leves como percorrer as áreas plantadas este ano e dar às árvores alguns cuidados, como limpar vegetação que com elas esteja a concorrer demasiado.

A visita prevista para 23 de Maio e duas vezes adiada não se chegou, afinal, a realizar. A maior parte dos cerca de meia dúzia de interessdos iniciais também não estava disponível no dia 13 de Junho. Paciência. As “portas”, felizmente, estão sempre abertas.

Paulo Domingues

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O início de Junho

Neste princípio de Junho há já duas equipas no terreno em trabalhos de remoção mecânica de vegetação exótica e invasora: uma progredindo para jusante do vale 6 ao longo da margem direita do Ribeiro de Belazaima, outra progredindo para montante ao longo do vale 7. As duas realizam difícil trabalho, desfazendo lentamente um emaranhado de rebentação recente e madeira queimada que, uma vez no solo, continua a tornar o acesso difícil às áreas trabalhadas. O ideal seria que boa parte dessa vegetação fosse removida, mas o seu pequeno valor e as dificuldades de acesso dificultam essa saída [1-2].

Entretanto chegou o pico de floração do castanheiro [3]. Há apenas um ou dois castanheiros conhecidos no Cabeço Santo, sobreviventes ao cataclismo de 2005. Mas no nosso viveiro local, onde crescem já mais de mil árvores para plantar no próximo ano, estão algumas dezenas deles [4].

Voltemos ao Cabeço Santo. A visita guiada programada para o dia de ontem, 6 de Junho, não se realizou porque a maior parte dos interessados não estava disponível. Ficou, em última chamada, para 13 de Junho. Mas a verdade é que, se se tivesse realizado, acabaria molhada. Eu sou bem testemunha disso, pois, querendo manter a “promessa” de ir ao Cabeço Santo e aproveitando a expectativa de melhoria das condições atmosféricas para a tarde, pus-me a caminho. Já no Feridouro, fui convidado a ver um espaço onde nidificava uma coruja. Aparentemente, havia dois filhotes mas um tinha desaparecido e a dona da casa estava agora a alimentar o outro, pois que lhe parecia que a mãe não o estava a fazer. Oxalá seja bem sucedida. Penso que se trata de uma coruja-do-mato, talvez a única das nossas rapaces nocturnas que ainda é de quando em quando referenciada localmente [5].

De volta ao percurso fiquei logo retido por um longo aguaceiro e acabei por aceitar o empréstimo de um guarda-chuva para poder prosseguir viagem. Assim, segui pelo caminho ribeirinho até à mata da Silvicaima, onde a área já intervencionada pelo projecto se inicia com uma estreita e inclinada faixa de terreno que confina, junto ao Ribeiro  com uma ainda mais estreita mas agora plana antiga leira agrícola que a Quercus tem em fase de aquisição. A leira cultivava-se mas o acesso fazia-se por estreito e inclinado carreteiro. Outros tempos…! Mais a montante ainda se encontra outra leira, ainda mais estreita, que culmina num arruinado moinho de água. Mas foi exactamente nestas leiras que resistiram alguns carvalhos de porte elevado. Depois de tantas adversidades que passaram, terão agora o seu espaço assegurado. Mas esta área difícil ainda dará muito trabalho de acompanhamento. Em particular, muitas mimosas não puderam ser atingidas com herbicida, sendo abundantes os rebentos. Terão que se ir cortando mas o mais difícil é chegar aos locais onde se encontram.

Mais um forte aguaceiro e as botas começaram a meter água…

Mas logo ali à frente, onde a faixa se alarga, verifiquei que os carvalhos, os sobreiros e os medronheiros plantados este ano estão deleitados com o tempo. Para já, as baixas são muito pouco expressivas, mas claro, o principal desafio – o Verão – ainda está para vir [6-7].

Depois de uma olhadela à área onde se têm realizado trabalhos nas últimas semanas e reparado que os carvalhos que se encontravam perdidos no meio das exóticas já quase dominam a paisagem com o seu verde [8], continuei pelo caminho mais próximo do Ribeiro. Depois de passado o vale 6 uma densa ”frente” de ocupação do vale aparece de repente [9]. É uma das áreas ainda por trabalhar, que se estende até ao vale 7, o limite, por agora, da área de intervenção do projecto.

Continuando pelo caminho, agora apenas nele próprio se vislumbra algo de interessante, o que parece um paradoxo. Uma flor que julgo ser uma Prunella spp. (mas corrija-me quem souber) [10] e outra planta, ainda sem flor, mas que já vejo neste caminho há muitos anos (pode ser que já esteja em flor no dia 13).

Finalmente atinjo o vale 7, na confluência com o caminho para Belazaima-a-Velha, onde a segunda equipa começou esta semana os seus trabalhos [11]. Depois, com mais um forte aguaceiro a desajudar, tomo o caminho mais próximo para a casa de Santa Margarida, onde espero encontrar um sítio seco para lanchar. Passam por mim com uma incrível ruideira uns estranhos a esta paisagem que, sobre quatro rodas, avançam com igual rapidez pelos eucaliptos como pelas acácias como pelas áreas de paisagem mais ou menos recuperada. Por detrás dos seus fatos lunares, não se devem molhar, e também não sei que encantos os conseguem atravessar. As aves certamente fogem a “sete asas” à sua aproximação e eu só não o fiz porque não tenho asas,… nem rodas. É difícil evitar um sentimento de que alguma coisa esteja a ser agredido. A vantagem que têm é que desaparecem depressa, só deixando os rastos, embora fiquem os muitos plásticos que usam para demarcar os seus percursos, os seus e os de outros grupos que por estas paragens deixam plásticos por todo o lado [12]. Ainda um dia havemos de organizar uma jornada de trabalho para recolher esses plásticos, e talvez deixá-los à porta de quem os lá colocou.

Ao chegar à casa, a chuva parou. Mas aproveito para retemperar forças entre paredes. E depois para dar uma olhadela a algumas das muitas árvores que à volta da casa foram plantadas este ano. E imagino como será este local daqui por 50 anos…

Depois continuo a subida até à cabeceira do monte, onde uma faixa de matagal se desenvolve ao longo do monte. Uma torre de medida da velocidade do vento lembra uma nova invasão prometida para esta paisagem: torres eólicas a perder de vista. Certamente que não prometo vestir uma armadura e empunhar uma espada contra esses novos moinhos de vento pintados de um verde cada vez mais descorado, à medida que o seu número e a sua dimensão se tornam cada vez mais, não no símbolo da harmonia entre o homem e a natureza, mas no da desarmonia e do excesso. Mas certamente que gostaria que pelo menos não ocupassem a área do marco geodésico. Um cartaxo cantou em exclusivo para mim demoradamente, embora empoleirado a uma distância segura. Será da mesma opinião quanto às eólicas? Em todo caso, quem quer saber da opinião de um cartaxo? E de invasores já esta paisagem está bem guarnecida. Por aqui as háqueas vão sorrateiramente crescendo entre o matagal até que possa chegar algum “combatente” pela vida silvestre até estas paragens (esta área está fora da área de intervenção do projecto, embora a Silvicaima tenha intenções de desenvolver aqui algum esforço).

Um pouco mais à frente, na zona do marco geodésico, havia uma área de alguns hectares densamente invadida com Acacia longifolia e com poucas plantas de interesse pelo meio. Depois de ouvidos os consultores do Projecto Cabeço Santo e os técnicos da Silvicaima, optou-se por passar aqui uma grade de discos de 4 toneladas e enterrar directamente toda essa massa de vegetação. De outro modo seria muito dispendioso resolver o problema, para além de que, como muitas das plantas já estavam a amadurecer sementes este ano, se não fosse feito rapidamente não se evitava uma nova dispersão de sementes. O trabalho foi realizado já há cerca de um mês. Ainda foi possível realizar um corte manual em torno de alguns carvalhos, salgueiros e poucos medronheiros que aqui havia, e assim poupá-los a uma destruição certa. Seguramente que agora é necessário realizar um trabalho cuidadoso de seguimento, antes de se proceder à implantação de espécies nativas. Mas para já, parece ter sido uma operação bem sucedida [13]. E daqui mesmo, do ponto mais elevado do monte, fica uma perspectiva de Belazaima, momentaneamente iluminada por um raio de sol de um fim de tarde que agora, finalmente, me permitia arrumar o guarda-chuva [14].

Só agora estava a chegar à mais extensa e mais bem conservada área de vegetação nativa do monte, onde se inclui a propriedade adquirida pela Quercus em 2006. Mas, como o tempo se esgotava, tive que descer o monte quase a direito em direcção ao Feridouro. O hipericão estava em flor [15], o Agrostis começava a adquirir a sua maravilhosa tonalidade de início do Verão [16], e as plantas carnudas das rochas procuravam aproveitar toda esta abundância de água para os tempos de escassez [17]. Ainda tentei encontrar uma erva-língua (Serapias lingua), que ainda não tinha observado este ano, mas sem sucesso. Ao fundo da propriedade da Quercus, uma última perspectiva desta bela paisagem [18] e a promessa de uma boa colheita de medronhos para o próximo Outono [19]. Depois, a descida ao longo do vale 2 até ao Feridouro, ponto de partida e de chegada.

Termino apenas lembrando que quem quiser vir ao Cabeço Santo no dia 13 ainda pode fazê-lo, inscrevendo-se. Esta visita é também, ou sobretudo, mais uma ocasião para colher impressões e ideias que possam ser úteis no desenrolar do projecto.

Paulo Domingues

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Visita ao Cabeço Santo

Dado que a visita guiada ao Cabeço Santo prevista para 23 de Maio não se chegou a realizar, devido à previsão de más condições meteorológicas (que  depois, afinal, escassamente se confirmaram), ficou desde logo adiada para o próximo dia 6 de Junho, desta vez, faça chuva ou faça sol…

Tal como previsto para o dia anterior, a visita incluirá um percurso por um carvalhal em recuperação que não faz parte do projecto, mas que é igualmente atravessado pelo Ribeiro de Belazaima. A visita à área de intervenção do projecto terá o seu início e o seu fim na Capela do Feridouro e incluirá troços que previsivelmente farão parte do percurso pedestre a demarcar no próximo ano, no âmbito do financiamento de que o projecto usufrui do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants).

As inscrições para esta visita devem realizar-se preferencialmente até Quinta à noite (sobretudo se necessitar de transporte a partir de Aveiro) para cabsanto@gmail.com ou pelo TM 966 551 372. Os pontos de encontro são: na Estação de CF de Aveiro às 8:30h, junto à Sede da Quercus no Bairro de Santiago às 8:45h e na Junta de Frguesia de Belazaima do Chão às 9:30h. Os participantes devem levar alimentos e água, e calçar adequadamente. O percurso no Cabeço Santo desenvolve-se entre as cotas de 150 e 400 metros de altitude, e tem uma extensão de 5 a 6 km. O final da visita prevê-se para cerca das 18 horas em Belazaima.

Duas flores de batón-azul unidas por fios de teia

Duas flores de batón-azul unidas por fios de teia

Um carvalho plantado este ano

Um carvalho plantado este ano

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Paulo Domingues

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Notícias

Esta semana (em que se lembrou a importância da biodiversidade) foi muito importante para o Projecto Cabeço Santo. Os trabalhos de corte da vegetação exótica e invasora, iniciados já no dia 13 de Maio por uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga, atingiram as margens do Ribeiro de Belazaima num terreno a adquirir pela Quercus (portanto já fora da propriedade administrada pela Silvicaima) [1]. Um pouco a jusante da confluência do vale 6 com o ribeiro, pela primeira vez se realizaram trabalhos na margem esquerda do ribeiro [2], também numa parcela a adquirir, permitindo, ainda pela primeira vez, a realização de trabalho em ambas as margens do ribeiro ao longo de uns 150 metros do seu percurso.

Esta é uma zona muito afectada pela presença da mimosa (Acacia dealbata), que depois do fogo se difundiu, atingindo densidades tais de implantação, que por vezes é completamente impossível atravessar as manchas. O trabalho de corte foi dificultado, em alguns locais, pelo carácter do terreno, declivoso e pedregoso [3, 12]. Era tão densa a formação de mimosas junto ao ribeiro que, após o corte, este ficou completamente ocultado por um manto de vegetação [3,14]. Depois de realizado este trabalho o aspecto da paisagem é, de certo modo, desolador, e seguramente que ainda o será mais quando for necessário pulverizar com herbicida os rebentos de eucaliptos e acácias que daqui por algumas semanas surgirão, mas estes são passos necessários para a recuperação deste precioso habitat, pelo que há que ter paciência e continuar.

Para moderar um pouco este panorama, esta área tem já uma presença abundante de carvalhos, árvores que já existiam no meio dos eucaliptos antes do fogo de 2005, e que agora surgem sob a forma de rebentos [5]. Na margem direita, as duas parcelas onde se iniciaram os trabalhos já tinham sido, pelo menos em parte, terras cultivadas, pelos habitantes da vizinha povoação de Belazaima-a-Velha, agora em ruinas. Ainda há pouco mais de 30 anos aqui se cultivava milho e batatas, e outras culturas para a subsistência deste povoado. Existiam aqui leiras minúsculas – algumas com apenas algumas dezenas de metros quadrados – mas bem cuidadas, como lembrou um antigo morador. Depois da revolução de 1974 ainda chegou a ser instalada até Belazaima-a-Velha (e aos Cepos, 1 km mais a montante) uma linha de média-tensão, e os pequenos povoados chegaram a ver as luzes da eléctrica modernidade. Mas foi sol de pouca dura. Poucos anos bastaram para os dois povoados serem definitivamente abandonados.

Na margem esquerda do Ribeiro a parcela intervencionada estende-se até ao antigo caminho de ligação entre as duas Belazaimas, caminho – de terra batida, claro – ainda há 35 anos quotidianamente percorrido  – a pé, claro – pelas crianças dos dois lugares para se deslocarem à escola a Belazaima do Chão. “Apenas” 6 km para cada lado, 12 km diários, com chuva ou com sol. Hoje, os próprios filhos dessas então crianças julgariam isso impensável. Mas as ruinas do povoado, o caminho, e as antigas leiras de cultivo lá estão, a testemunharem a realidade desse passado, que parece mais distante do que realmente é. A acentuar essa impressão a rápida degradação desta paisagem depois do abandono, a eucaliptação das antigas terras de cultivo e a incrível invasão com mimosas de todo o vale. Situação fortemente agravada depois do incêndio de 2005. 30 anos depois do abandono os vestígios de ocupação humana mais parecem restos da pré-história. Mas lá se encontram, escondidos entre as mimosas, os moinhos de água, as levadas de rega, os muros de contenção levantados ao longo dos séculos, e as leiras de cultivo. Na povoação, as casas ainda têm muitos muros de pedra em pé, mas afundam-se rapidamente no silvado e outra vegetação [7-8].

Mas voltemos ao objectivo do projecto Cabeço Santo: recuperar as áreas alvo para a vegetação espontânea própria dos respectivos habitats. Em torno do ribeiro e dos seus principais vales, desde que houvesse solo, sem dúvida que, aparte a vegetação de carácter ripícola, o carvalhal caducifólio seria a formação dominante. Por isso, como já foi referido, se encontre alguma regeneração natural de carvalho-roble, não obstante a forte concorrência das mimosas e dos eucaliptos. É provável que essa regeneração natural tenha sido propiciada pela existência de apenas dois carvalhos de maior porte na zona. Um, existente numa pequena faixa ribeirinha propriedade da Junta de Freguesia, superou bem o incêndio de 2005 [9]. O outro, um pouco mais a jusante, também sobreviveu ao fogo mas quase ia sucumbindo à falta de cuidado dos humanos, que lhe deixaram cair para cima vários eucaliptos, deixando-o em muito mau estado. Ainda lá está, mas agora precisará de alguns anos para recuperar a sua antiga beleza. Neste troço do Ribeiro praticamente nenhum outro carvalho sobreviveu da terra para cima, encontrando-se agora apenas rebentos. Na área agora trabalhada também se podem ver alguns salgueiros constituindo a galeria ripícola, mas são uma ocorrência verdadeiramente pontual em vários kilómetros do percurso do ribeiro [14, em segundo plano]. De resto dominam as mimosas, em formação muito densa, às vezes misturadas com eucaliptos, e, nas antigas leiras, com o silvado. De um modo geral, o estado das margens do ribeiro é de uma deprimente degradação [10-11]. No fundo, não é de supreender que um projecto que “abrace” esta desditosa situação tenha dificuldade em atrair voluntários, e mesmo visitantes. No futuro, se o projecto for bem sucedido nos seus propósitos, talvez os atraia, e muitos deles terão dificuldade em acreditar que o estado do ribeiro já foi este.

Para terminar ainda duas perspectivas: uma da zona entre os vales 4a e 4b, pintada de um amarelo que agora domina muitas áreas de matagal: o amarelo do tojo Genista triacanthos [15]. Depois, o contraste com uma área em reconversão, o antigo eucaliptal e o eucaliptal de plantação recente [16]. Finalmente uma flor invulgar de dedaleira, mas, ao contrário da generalidade das dedaleiras, de côr branca [17]! Foi encontrada no vale 4.

A visita prevista para hoje, 23 de Maio, não se realizou devido às previsões de más condições atmosféricas. Ficou adiada para 6 de Junho. Por isso quem quiser vir ainda se pode inscrever.

Paulo Domingues

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Notícias e actividades

Uma das actividades previstas no plano de trabalhos do projecto financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu é a demarcação de um percurso pedestre no Cabeço Santo, trabalho a realizar em 2010. Com o objectivo de colher contributos para a definição desse percurso mas também como oportunidade para uma visita de Primavera ao Cabeço Santo, propõe-se, no dia 23 de Maio (Sábado), uma jornada de visita. Esta jornada ocupará todo o dia e iniciar-se-á com um pequeno percurso por um carvalhal junto a Belazaima que tem vindo a ser recuperado ao longo de quase 20 anos. Será uma visita onde se observarão formações em diferentes fases de evolução da vegetação espontânea e as acções desenvolvidas em cada uma delas. Depois partiremos para o Cabeço Santo, realizando um percurso ao longo das áreas onde se desenvolve o projecto. Será também uma visita bastante didáctica, pois na maior parte do percurso não se observarão panoramas extraordinários (bem pelo contrário) mas sim o resultado dos trabalhos realizados no âmbito do projecto desde 2006, e de forma mais intensa desde 2008 de maneira a que, dentro de 10 ou 20 anos, se possa ter desta área uma perspectiva radicalmente diferente, naturalmente, para melhor. O ponto de encontro é pelas 9:30h na Junta de Freguesia de Belazaima. Os interessados deverão inscrever-se, enviando uma mensagem para cabsanto@gmail.com. A alimentação é ao cuidado dos participantes. Mais informação aqui.

Entretanto façamos uma pequena visita virtual para saber o que se tem passado nas últimas semanas. Junto à Casa de Santa Margarida foi identificado um incidente: algumas dezenas de tubos tinham sido derrubados e algumas árvores arrancadas. Tudo indica ter-se tratado de uma intervenção de javalis. Alguns tubos tinham marcas de dentes e algumas árvores tinham indícios de escavação junto ao pé, na provável expectativa de aí se encontrarem bolotas. Mas claro, não se encontravam, pois as árvores plantadas já tinham um ano. Surge aqui uma especulação interessante: este tinha sido o local onde no ano passado foi devastada uma sementeira de bolotas. Será que os javalis ainda “sabiam” este ano que dentro de cada tubo podiam esperar encontrar uma bolota e derrubaram alguns tubos à sua procura? Mas depois, ao verificar que não havia bolotas, fizeram “o favor” de não derrubar mais tubos (eram largas centenas de árvores plantadas naquele local). Embora noutro local, observei mesmo um tubo que tinha sido “abocanhado” mas que permanecia intacto no seu lugar. O que significará isso?

Tubo arrancado mas planta no lugar

Tubo arrancado mas planta no lugar

Tubo tratado à dentada (?!)

Tubo tratado à dentada (?!)

Tubo abocanhado mas não derrubado; planta intacta

Tubo abocanhado mas não derrubado; planta intacta

Estamos na Primavera, época das flores. Neste momento o sabugueiro encontra-se no seu pico de floração (esta foto foi tirada em Belazaima).
Sabugueiro em flor

Sabugueiro em flor

Voltando ao Cabeço Santo, avancemos ao longo do Ribeiro, passando no sítio chamado de “Pé Torto” devido à curva que o Ribeiro aqui desenha. O estado deste troço é ainda muito mau, só se tendo aqui realizado trabalho desde 2008, e apenas na margem direita. No entanto é um local previlegiado, devido à confluência dos vales 3, 4 e 5. Já foram aqui plantadas árvores este ano embora ainda haja muito trabalho a fazer para a erradicação da vegetação exótica. Junto ao Ribeiro há uma pequena faixa de carvalhal que sobreviveu ao fogo e embora as árvores tenham ficado muito danificadas, dão agora mostras de uma boa recuperação.

Junto ao Ribeiro de Belazaima, alguns carvalhos

Junto ao Ribeiro de Belazaima, alguns carvalhos

Área de intervenção na zona do Pé Torto

Área de intervenção na zona do Pé Torto

Um dos resultados da experiência da plantação de árvores realizada este ano foi a de que se trata de uma operação com custos elevados, dado que as covas têm de ser abertas à mão em locais previamente não mobilizados, com tocos de eucalipto, frequentemente rochosos e com grandes acumulações de lenha. No entanto, uma operação mecanizada com uma máquina apropriada também não ficaria mais barata. Por isso, é de grande importância a experimentação de formas viáveis de sementeira directa. Já verificámos que a forma experimentada no ano passado (no Inverno e com tubos de protecção, que afinal actuam como “bandeiras” de sinalização da existência de bolotas) não é viável. Este ano, em áreas também plantadas, realizou-se uma experiência de sementeira tardia de bolotas de carvalho roble em fase inicial de germinação, sem fertilização, sem tubos e apenas com uma mobilização do solo muito ligeira realizada com uma forquilha de dentes direitos. Esta sementeira realizou-se em Abril e princípios de Maio com bolotas de conservação. Como existe a expectativa de que as plantinhas se desenvolvam agora rapidamente, há menos tempo (do que na sementeira natural) para as bolotas serem encontradas e predadas, esperando-se que resulte uma forma de sementeira directa mais viável do que as já testadas. Logo veremos os resultados. Foram assim semeadas largas centenas de boltas com um esforço humano modesto na área junto ao Pé Torto e outras adjacentes.

Vale 5, plantado e semeado

Vale 5, plantado e semeado

Entretanto as árvores plantadas começam agora a gerar rebentação jovem. Até ao momento praticamente não se verificaram baixas entre as quercíneas não obstante o arranque atribulado.

Carvalho com rebentação jovem

Carvalho com rebentação jovem

Subindo ao monte destacam-se agora as manchas de sanganhou-mouro em flor. Também a urze Erica umbelata se encontra no seu pico de floração. Antes do fogo esta urze formava grandes manchas contínuas, o que dava à paisagem uma bonita tonalidade avermelhada, embora passageira. Agora nem tanto, as manchas são mais dispersas e localizadas. 

Recanto dominado por sanganho-mouro

Recanto dominado por sanganho-mouro

Paisagem rochosa mas florida

Paisagem rochosa mas florida

Visita de uma abelha

Visita de uma abelha

Erica umbelata entre árvores plantadas; em 2º plano, giesta

Erica umbelata entre árvores plantadas; em 2º plano, giesta

 Até breve!

Paulo Domingues

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