Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

Por detrás do vidro


Há no retrato a penumbra
a sombra de uma presença
miragem sem tempo
espelho sem retorno nem alegoria

um rosto esculpindo uma memória antiga.

HFM - Lisboa, 12 de Janeiro de 2012



Quinta-feira, Janeiro 12, 2012

Escrever. Escrever como se o mundo não existisse e o tempo fosse volátil. Escrever como se as palavras se libertassem num estuário onde se pudessem expandir. Sem bifurcações. Sem sentidos proíbidos. Sem notas dissonantes. Numa harmonia que o próprio caos criaria.

Assim apócrifas, as palavras seriam o verdadeiro contraponto do sentir.

HFM - 2011

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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2011

Mensagem de permanência


Apenas uma mensagem com medo que o blogue desapareça no espaço logal. E que hoje dia de sol no outono lisboeta venho refrescar com a mesma vontade do parágrafo anterior.

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Mudando de casa





Não, felizmente não foi por causa da crise, mas as obras a fazer tornavam-se mais simples criando outro blogue o
LINHA DE CABOTAGEM III




espero-vos lá, é só clicar aqui.

Aos que comigo costumam partilhar este espaço queria deixar um grande obrigada e espero que o novo espaço nos continue a permitir este intercâmbio de empatias.

A todos um até já ali ao lado... ao ladinho...



...

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Sábado, Novembro 01, 2008

Do diário


Há momentos em que dentro de mim não sou eu. Outra. Alguém que me fita sem me conhecer. Uma vindoura que não conviveu comigo. Que não foi. Oiço-a e as palavras não são minhas, muito menos os tiques. Quem colocou dentro de mim esta? Porquê assim? No vazio dos dias que se seguem a uma insónia é sempre outra que me atormenta como se a porta tivesse ficado aberta e eu tivesse partido para ir dormir.

Podes-te calar, ao menos? Deixa que os solavancos da vida me adormeçam sem que este eco pertinente ferre os dentes nas minhas dúvidas. Deixa que o dia suceda ao dia sem me instalares a dúvida das horas que restam. Deixa que, por entre a chuva, eu sinta o sol. Deixa que a simplicidade dos néscios invada os gritos da ansiedade. Deixa. Deixa, ao menos, que eu e tu convivamos como se fôssemos uma. Deixa que o sal traga o sabor dos dias de sol e de preguiça. Deixa, deixa que eu te esfole para que de ti só reste a pele acobertando os meus minutos. Deixa, já que eu não consigo deixar que tu existas.


HFM - Lisboa, 31 de Outubro de 2008



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Quinta-feira, Outubro 30, 2008






escorre pelo braço o som das horas tardias. memórias sazonais inquietando os dias. veredas sem saídas onde pernoitam os apelos. por entre os arbustos uma brisa adensa as inquietudes do mar. harpejos de espuma nas vibrações da cidade.

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Terça-feira, Outubro 28, 2008

Grito


quando os caminhos se fecham
estende-se o deserto
e nas máscaras o pó desenha
sedimentos


gritos ecoando na crosta das horas!


HFM - Lisboa, 27 de Outubro de 2008



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Segunda-feira, Outubro 27, 2008


Os afagos eram de areia
movediços
correndo para o mar
adensando-se em dunas
desequilibradas
poeiras soltas de anseios
colhendo o pôr do sol
na finura de cada poalha


ternuras cimentando búzios!



HFM - Lisboa, 3 de Outubro de 2008



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Sexta-feira, Outubro 24, 2008

Do diário





O Tempo e esta fuga desenfreada que faz com que coisas, ainda tão presentes, tenham anos anquilosando os dias. Como podem ter passado, sobre alguns acontecimentos, tantos anos? O que leva a que os dias se sucedam numa acelerada progressão geométrica que perturba as 24 horas de que cada um é composto?

Ele havia o tempo arrastado das tardes de Inverno que passavam lentas entre bebidas quentes, as braseiras e o tempo dos lanches, essa pausa hoje engolida pelas horas encolhidas.

Ele havia o tempo das férias, das tardes quentes da cidade em que os livros, devorados, nos traziam o sabor de uma viagem ou, ainda, os filmes tão ansiadamente esperados transpondo-nos para outras realidades, outras vivências, outros sonhos. Havia ainda as longas tardes quentes passadas no campo, junto à nora, depois das sestas, perto do jardim forrado a laranjeiras. Havia ainda o mês de Agosto e Setembro - 61 longos dias, de mar, de conversas, de afectos, de amores, de longas noites trepidantes, de longas pausas onde se descobriam pessoas, assuntos, olhares.

Hoje a corrida é uma soma em constantes multiplicações. Um conjunto de instantes que "n" incógnitas perseguem e que, a todas, queremos acorrer, como se tivéssemos perdido a sabedoria das escolhas, das hierarquias, até das loucuras quando, a escolha, voluntariamente, era a errada.

O que nos aconteceu? Perdemos o tino? Não seremos capazes de enfrentar as modas, os tiques, os contágios?

Tempo para o Tempo é, ainda, para mim, uma grande máxima de vida mesmo que, conscientemente, saiba que no percurso vou perder muitas descobertas; contraponho, vou saborear, como uma iguaria ou um vinho raro, o prazer da escolha e os "apports" que ela me tiver oferecido.

No Tempo, como nas aguarelas, less is more.


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Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Sem título


A serenidade encontro-a
num azul mar ou
num siena de um outono do Norte


silêncios que nenhuma complementaridade
perturba.


HFM - Lisboa, 9 de Outubro de 2008



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