Meia Livraria
Inicialmente pensei em deixar aqui a famosa frase do Almada Negreiros. Só o elementar respeito pela sua memória me impediu de o amesquinhar, ligando-o a este blogue.
Quarta-feira, Maio 18, 2011
O Nasser foi Campeão: Parte II, E o Fraco Prémio de Consolação
Quarta-feira, Agosto 04, 2010
O Nasser foi Campeão: Parte I, Onde se Conta o Porquê da Viagem
Quinta-feira, Setembro 24, 2009
KK
Sábado, Setembro 12, 2009
Herdeiros
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Calculadora
Sábado, Julho 18, 2009
A Gripe A de Apollo 11
Quarta-feira, Julho 08, 2009
Walter Tarira
Terça-feira, Junho 16, 2009
Pinturas em Portões
Terça-feira, Janeiro 27, 2009
Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
Toledo e o Herói Fernando
Polícia manda parar? Anti-terrorismo? Velocidade? Picanço? Área de serviço: encontro com os tipos do picanço? Fuga? Chegada a Toledo?
Sábado, Novembro 22, 2008
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Jazz e Tinta
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
Crises
Domingo, Outubro 12, 2008
Já Podem!
Sexta-feira, Outubro 10, 2008
Flores
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
Dúvida Pueril
Sexta-feira, Setembro 05, 2008
O Perigo!
Sábado, Agosto 30, 2008
Carros e Carrinhos
Quinta-feira, Agosto 28, 2008
Cozinheirices
Quinta-feira, Agosto 21, 2008
Pega de Caras
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
A Escolha do Seleccionador
Domingo, Agosto 17, 2008
Olímpicos Recordes
Quinta-feira, Agosto 14, 2008
A Refém de Bancos e o Saquito do Dinheiro
Sexta-feira, Abril 25, 2008
Dia da Liberdade
Quinta-feira, Abril 17, 2008
Carta
"Exmo. Sr. Duque de Cadaval:
Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por TU,- Caguei para mim que nada valho.
Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por TU,- Caguei para o cargo.
Mas, se nem uma nem outra coisa consentem semelhante linguagem, peço a V.Excia. que·me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se- devo ou não Cagar para V.Excia."
Santarém, 22 de Outubro de 1795
Segunda-feira, Abril 07, 2008
Ratos Sedentos
Sexta-feira, Março 21, 2008
Semáforo
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Gostos
Segunda-feira, Janeiro 21, 2008
Bobby Fischer
Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
Olhos
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Atleta Improvável
Quarta-feira, Dezembro 26, 2007
Gestores e Gestoras
Terça-feira, Dezembro 25, 2007
Domingo, Dezembro 16, 2007
O Corão de Tavares
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
Segunda-feira, Outubro 15, 2007
Clash e Civilization
Sid Meier: Também daria um óptimo presidente do PSD
Domingo, Outubro 14, 2007
Formações
Sábado, Outubro 06, 2007
O Pesadelo Interminável
Sexta-feira, Outubro 05, 2007
Viva a República!
Domingo, Setembro 30, 2007
Santidades
Quarta-feira, Setembro 12, 2007
Bin Laden Falhou
Que disse Osama? Nada! Bin Laden nada disse que prestasse. Umas loas a um barbudo qualquer e pronto. Uma conversa sobre olhos e dentes... Apre! O homem é irritante!
Terça-feira, Setembro 11, 2007
Boa Escolha!
Sexta-feira, Setembro 07, 2007
Financiamentos
Quinta-feira, Setembro 06, 2007
Vigairada
Domingo, Agosto 12, 2007
A Tiro!
Quarta-feira, Agosto 08, 2007
"Hasta Quando?"
Há pouco, no carro, acompanhado por uma qualquer emissora de rádio, ouvia Lionel Ritchie. Mudei prontamente o posto para chegar a Tina Turner. Outro rápido toque no botão e eis o cruel Bryan Adams! Desliguei o rádio e abri os vidros para que o vento da velocidade me lavasse os pobres ouvidos. Enquanto o fazia, lembrava-me dos anos 80 e da lixarada que por aqueles tempos se ouvia: Bryan Adams, Lionel Ritchie e Tina Turner. Até quando os vamos ouvir? Já lá vão quase 30 anos e continua o pobre cidadão a levar com o "Private Dancer" e o "Run to You" e o "Hello!". Irra!
Sábado, Julho 28, 2007
Sábado, Julho 14, 2007
O Resto (Quase) do Debate dos Doze
Terça-feira, Julho 10, 2007
O Debate dos Doze
Sexta-feira, Julho 06, 2007
Bufalhada
Há trinta anos que se não via semelhante ataque vindo do baixo-húmus! Terão os incêndios florestais dos passados anos escorraçado do podre mas quentinho e acolhedor antro da bufalhada os seus mais audazes espécimes? Ou será que todos os 3 000 000 exemplares da espécie "bufus lusitanus chibalhursus", julgada extinta em 74, aí estão, de olhinhos mínusculos e vermelhos, dentinhos amarelos e afiados, cheios de peste e de merda, à coca... à espera de Baltazar que os faça, como fez o outro, uma espécie de exército das trevas constituído por sub-humanos cuja única recompensa é a de poder atacar a luz e o bem (que nada quiseram com eles) e fazer vingar um mundo de medo e mediocridade em que eles se sintam como escaravelho no esterco?
Terça-feira, Julho 03, 2007
Quinta-feira, Junho 28, 2007
Primavera Eterna
Terça-feira, Maio 22, 2007
Mãos e Pés
Segunda-feira, Maio 07, 2007
Domingo, Maio 06, 2007
Mistério
Terça-feira, Maio 01, 2007
Os Reizinhos
Quinta-feira, Abril 26, 2007
Liberdade
Terça-feira, Abril 24, 2007
O Grande Líder Pinto da Costa
Se aos 25 anos que leva Pinto da Costa de presidência do FCP somarmos os 20 que já detinha como dirigente no clube, obtemos o bonito resultado de 45 anos de poder! Poucos homens se comparam ao entronizado Pinto da Costa. Apenas o Grande Português Salazar (1932-1968), o espanhol Franco (1939-1975), o mongol Choibalsan (1921-1952), Mobutu Sese Seko (1965-1997) e o inefável etíope Hailé Selassié "Ras Tafari" (1930-1936 e 1941-1974) se podem medir com Jorge Nuno. Mas para que se faça inteira justiça, nenhum desses nomes iguala em luminosidade o Líder do Norte. Com efeito, em minha opinião, só Kim Il-Sung (1948-1994) conseguiu atingir o nível de unanimidade e prestígio que o Poeta do Futebol e Grande Açambarcador de Títulos Pinto da Costa indiscutivelmente possui.
São notáveis as semelhanças entre Kim Il-Sung e Jorge Nuno Pinto da Costa.
Por tudo isso, deixa o Meia Livraria aqui uma sentida homenagem ao Presidente Iluminado do Futebol Clube do Porto e um alerta: Jorge Nuno! Cuidado com Fidel Castro e Omar Bongo do Gabão. Ainda estão no activo e têm algum avanço. Que Deus lhe dê muita saúde para esta corrida e... continuação!
Domingo, Abril 22, 2007
O Vidal e o Gonçalves
Nada de muito espantoso, pensará o leitor que, das duas uma, ou não conhece o Gonçalves, ou não conhece o Vidal. Aliás, estes dois senhores têm algo em comum: O Vidal não conhece o Gonçalves e o Gonçalves não conhece o Vidal.
Com efeito, um homem que lê o Equador de um fôlego... um homem cujas ideias se encostam à extrema direita salazarenta... nada tem que ver com Gore Vidal. Talvez tenha encontrado a frase num daqueles livros de citações e, como estava em inglês, pô-la no seu blogue. Deve ser isso. Não obstante... pobre Vidal!
Sábado, Abril 21, 2007
Reuniões
Segunda-feira, Abril 16, 2007
Público e Reforços
Domingo, Abril 15, 2007
Uma Questão de Tomates
Kasparov já na ramona. Imagem do site kasparov.ru. Sábado, Abril 14, 2007
Que Raio de Pergunta e que Boa Resposta!
Sexta-feira, Abril 13, 2007
Pedro Mexia
Ao nível das letras do David Fonseca, não? Mais valia, como disse Reininho, rimar Wyona com...
Quarta-feira, Abril 11, 2007
Importâncias
Terça-feira, Abril 10, 2007
O Curso de Sócrates
Deixem-se de pantominas e olhem lá para as maternidades e centros de saude que "eles" andam a encerrar! E para o custo dos remédios: as reformas do magro idoso vão inteirinhas para o bolso do anafado farmacêutico!

(E o resto é paisagem!)
Se querem ser engenheiros, estudem!
Domingo, Abril 08, 2007
Fórmula 1
O Alonso ganhou. O cenário da actual Fórmula 1 torna-se calamitoso para o nosso país. Expulso do circo o Tiago Monteiro, reformado o alemão Schumacher, resta como referência o bi-campeão Fernando Alonso... É certo que o rapaz é Asturiano, de Oviedo, mas ainda assim, espanhol. Não que este blogue tenha o que quer que seja contra Espanha ou espanhóis, mas porque, num país que tem Baltazar como homem mais notável, há que buscar afirmação no lugar do costume: no vizinho. O lugar comum é inevitável e, com o crescente abrutalhamento das nossas gentes, há que dizê-lo: ser português é não ser espanhol.
Esclarecido este ponto, a Fórmula 1, que encantou gerações de portugueses, deixa agora de ter qualquer espécie de interesse para a pátria do Senhor Professor António O. Baltazar. A minha geração dividia-se em senistas e prostistas, havia até manselistas e bergueristas, rendeu-se ao lenitivo consolo da força campeoníssima e irrefutável do alemão Schumacher. Riu-se ainda a minha geração com as divertidas incursões de Lamy e Matos Chaves pelo circo, sofreu com Monteiro e com a sua bonita pêra e inseparável boné e tudo para quê? Para olhar para um tipo chamado Alonso a ganhar aquilo ano após ano?
Ocorre-me agora a tremenda injustiça que caíu sobre os homens que deixaram que o GP de Portugal fugisse. Eles sabíam o que vinha a seguir. Portugal é, afinal de contas, pátria de visionários! Ou não fosse a pátria de Baltazar, dos irmãos Cavaco e do Guarda Abel!
Sábado, Abril 07, 2007
Curiosa e Brava Luta
Terça-feira, Abril 03, 2007
Paulo Bento
Caso o Sporting vença o campeonato penso que o lema do clube deverá ser adaptado para "Esforço, Dedicação, Devoção, Tranquilidade e Glória!"
Segunda-feira, Março 26, 2007
O Baltazar
Sexta-feira, Março 23, 2007
Ajuda
Quarta-feira, Março 21, 2007
O Boné
O que pensará essa malta? Será que gostam daquele ar de cabecinha redonda, do bico de pato, do aspecto com que o cabelinho gorduroso fica quando finalmente tiram o boné: colado ao crâneo!? Será por julgarem fino que entram, e ficam, em locais fechados com o estúpido boné enfiado? Inexplicável! Talvez lhes dê gozo... mas, sinceramente, preferia que tirassem os sapatos... ou que enfiassem o dedo no nariz.
Ainda mais cretino que o uso massivo do boné num país de eterna Primavera (que aproveito para saudar) é o que neles habitualmente se inscreve: SIC, Planta, Morangos com Açúcar, Floribela, Correio da Manhã... Anda um tipo pela rua com um boné a dizer SIC?? Floribela?
O cenário é digno do imaginário Disney... milhões de patos donais e de patetas!
Sexta-feira, Março 02, 2007
OPA Blindada, Berlindada, Belindada?
Imagino os meus concidadãos, vendo a televisão, preocupados com a OPA. Imagino-os, junto à máquina do café, falando de berlindagens e desbelindagens. "O gajo compra a PT se a OPRA estiver desberlindada!", parece-me ouvir o Correia dizer. O Lopes, que compra o "Jornal de Negócios " desde os tempos em que o "Diário Económico" era à borla, chilreia do alto do seu muito saber: "Não é a OPA que é desbelindada: são os ex-tatutos! É claro que o Belmiro não pode comprar uma firma com ex-tatutos belindados. Vê-se logo que não lês o JN. Só lês a Bola!"
A menina Arlete, que ouvira a conversa aos bocados, ainda comentou: "Eu adoro a OPRA, ela já passou por muita coisa na vida e é uma mulher que eu admiro!"
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Zangas
Ou não?
Hoje temos uma nova vaga de zangas, divertidas, mais rápidas mas com o mesmo efeito aglutinador do "eu" português: falo do neurónio avariado de Pacheco e da doença mental de Mourinho. Falo também do ar zangado de Jesualdo e das duras reacções de Paulo Bento aos comentários de Peseiro. Falo da troca de ironias (ainda a temos!) entre Veiga e Pinto da Costa! Falo do livro de Carolina Salgado e das suas amizades com benfiquistas!
Não estamos agora muito melhor?
Domingo, Fevereiro 04, 2007
Extremos
Gosto de extremos... de quase todos eles. Menos dois: O Não e o Simão.
Domingo, Janeiro 21, 2007
Que Tal?
Para o quarto aniversário, fica prometido, coloco uns bonecos bem bonitos algures por aqui!
Terça-feira, Dezembro 26, 2006
Cintos nos Comboios e o Teatrinho do Féria
Aguardo com paciência o tempo, que não tardará, em que os passageiros do cacilheiro tenham de envergar coloridos coletes salva-vidas e galocha pelo joelho! O singelo peão terá de usar, sempre que saia de casa, o colete reflector e não apenas nas santas peregrinações a Fátima! Peregrinações que, por referendo, se tornarão compulsivas: assim o determinará a Santa Inquisição. Aos prevaricadores, ateus, biscaínhos e outros judeus, restar-lhes-á a correcção dos seus ínvios caminhos ou a purificadora e incandescente pira no Terreiro do Paço. Onde se juntarão às mulheres que façam o IVG! Findo o aroma a sardinha assada na falecida Feira Popular, venha o cheirinho a entrecosto na Baixa de Lisboa!
Em breve será La Féria o ministro da cultura e do entretenimento. Ou Berardo. Em breve se decretará ser cultura apenas o que é economicamente viável! Se Brecht tem cinquenta espectadores, se Féria enche casa atrás de casa, que conclusão se pode tirar? Evidentemente, Brecht vale menos que Féria! Ouçam o Rio do Porto e aprendam! Vejam o Féria no seu Politeama, confortavelmente sentados nas suaves cadeiras, com cinto de segurança, livres de fumo, seguros, quentinhos, com coletes reflectores, botas de segurança e bóias salva-vidas. Não vá o Tejo subir e inundar-lhes o teatrinho.
Domingo, Dezembro 17, 2006
Sábado, Dezembro 02, 2006
A Lei e Marques Mendes
Nada disto seria digno de nota... mas Marques Mendes avançou: é pena que a lei (que é tão boa) não seja cumprida! Esta é a opinião do líder do PSD! Destas inteligentes palavras conclui-se que Marques Mendes tenha pena de não ver as criminosas e ímpias mulheres que cometem o hediondo crime de interromper a sua gravidez atrás das grades! Tem pena que os médicos, enfermeiras e restantes cumplices não vejam agora o Sol aos quadradinhos! Tem talvez ainda mais pena de que brigadas pró-vida do puritano e muito nosso Portugal não invadam as sinistras clínicas de Badajoz e Madrid empunhando paus e atirando pedras! Tem muita pena, o nosso Marques Mendes.
Eu tenho muita pena também. Do nosso Marques Mendes. E, mais ainda, do nosso puritano Portugal. Que Deus nos ajude e guarde!
Segunda-feira, Outubro 30, 2006
A Bota Eterna
Hoje, se a conseguir ver, procurarei o elástico. Disso e doutras maravilhosas coisas vos darei conta em breve, caros leitores.
Terça-feira, Outubro 24, 2006
Sabedoria Desportiva
Eis uma pérola da imensa sabedoria deste vosso criado, que, sem qualquer modéstia, incita o leitor a visitar o Alverca-X (blog dedicado ao Xadrez).
Quarta-feira, Outubro 18, 2006
O Desafio da Bota
Terça-feira, Agosto 29, 2006
Quem Quer Ser Invisível?
No título faço uma pergunta a que tu, leitor, poderás tentar responder. Possivelmente viste os filmes ou, na melhor das hipóteses, leste os livros e convenceste-te que seria sobejamente proveitoso deitares as mãos ao anel número um, o da invisibilidade. Falo, claro está, do imaginário Tolkien.
Então, para quê ser invisível? Mesmo as mais evidentes vantagens têm, pelo menos, gosto duvidoso! Poderás levar a cabo pequenos furtos, é certo, com magros riscos corridos. É uma vantagem para alguns, mas não é chávena de chá ao gosto de todos (não te esqueças do estilo asssumido em epígrafe: é suposto usar algumas expressões anglo-saxónicas... por escrúpulo traduzo-as). Talvez um apalpão furtivo a uma nádega distraída, ou a um seio atrevidote, alvitrarás tu, lascivo leitor! Umas viagens à borla no intercidades será sugestão alternativa, menos carnal... Talvez alguém se lembrasse de entrar no cinema ou no teatro de graça... mas, sinceramente, poucas vantagens, para além das já citadas, me ocorrem.
Quanto a desvantagens, há-as a esmo e não são de desprezar: se um tipo se distrai, facilmente é colhido por um camião com as naturalmente nefastas consequências... imagina tu, leitor, que se solta a mão do resto do corpo do portador do anel no processo de esmagamento! Que dirão os transeuntes? Que dirão os bombeiros, de saco plástico em punho, em busca da mão do cadáver? Era maneta, concluirão ao cabo de algumas horas! E o que sucederá à mão que, ainda de anel no dedo, se manterá invisível? Apodrecerá, será comida por um cão que porventura a levará para casa mesmo nas barbas do dono... Os cães vão lá pelo cheiro e raramente são vistos a ler Tolkien!
Há ainda um aspecto social importante. Gastam as pessoas o seu salário em vistosas roupas, em adornos e atavios brilhantes com o fito único de a si chamar as atenções... e tudo para quê? Com o anel, tanto faz trazer fato de treino preto, verde e lilás (indumento vistoso e distinto) como um par de calças de boa fazenda e um pull-over aos losangos bem quentinho!
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
Invisibilidades
Por apenas 60,00 € podes aquirir o anel da invisibilidade! O estojo é grátis!Introdução à "Blogue Intimista":
Há dezasseis ou dezassete anos atrás, quando li o "Hobbit" de Tolkien, estava eu de férias na praia com os meus pais, achei que o anel que o hobbit roubara ao bicharoco dava realmente muito jeito. Depois de ler esse livro fiquei, claro, viciado e não descansei enquanto não pus as mãos na triologia "Senhor dos Anéis" que li, acto contínuo, avidamente. Ao devorar essa grande aventura, algo de intrigante me assolou como se de um vento de Mordor se tratasse (lembro-me também de ouvir à data os infames "Running Wild", banda de heavy metal alemã, e a sua potente malha "Mordor"): para que raio se afadigou toda aquela gente em busca de um miserável anel cujo único poder era o de fazer invisível aos olhos dos mortais comuns o seu portador? Nem sequer o escondia do Senhor do Mal! Só dos anões, gnomos, homens e restante bicharada!
Já na altura me encontrava munido de sagaz espírito crítico, passando a minha habitual imodéstia, e achei tudo aquilo demasiado postiço. O aparato literário, muito visual, a criação de ambientes fabulosos e fortemente apelativos mais que compensava, não obstante, a notável fraqueza do argumento e a tibieza da mensagem. Em suma, Tolkien deu demasiada importância à invisibilidade, desequilibrando assim uma obra majestosa e de enorme beleza narrativa. Um portento da imaginação humana, não obstante, e o suporte para um imaginário imperecível de árvores que andam e elfos que são muito poderosos e belos quando lhes apetece.
Consultei para a primeira parte deste "Invisibilidades" a TPTS, a "Sociedade Tolkieniana das Filipinas" por a julgar fonte digna e à altura deste Meia Livraria.
(Em breve: "Quem quer ser invisível?")
Terça-feira, Agosto 22, 2006
Organização da Biblioteca e Cartas de Editoras
Também nessa coluna aparecerão as editoras que me enviaram e-mails com os seus catálogos! Como deves ter reparado, leitor, o endereço electrónico deste espaço é meialivraria@portugalmail.com e, por artes que desconheço, o mesmo foi descoberto pela sagaz gente que faz os livros. Sagaz e sagrada. Se eu pudesse, caríssimos editores, comprava todos os vossos livros. Uns guardava, outros não, claro. Talvez queimasse alguns, como nos bons velhos tempos!
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
Exercício Radiofónico
Experimenta, leitor, o seguinte exercício: ao viajares no teu carro, em qualquer ponto do nosso país, tenta descobrir uma estação de rádio em que, no preciso momento em que empreendes este interessante exercício, se ouça a colombiana Shakira. Descobrirás, espantado, que em qualquer que seja a hora, o dia da semana ou a região do país que atravesses, não terás de testar mais que meia dúzia de postos! Tê-la-ás trinando "my hips don't lie!" e também tu, culto leitor, trautearás a doce melodia e gingarás as ancas, escudado na casca metálica que te oculta. Fica ainda sabendo, leitor, que, caso o desejes, podes viajar de Vila Real de Santo António a Caminha sempre acompanhado pela bomba colombiana! Non stop! Basta rodar o botão!
Domingo, Agosto 20, 2006
Técnicas de Atracção
Vou saber junto da equipa dos "Enresinados" se a técnica tem dado frutos! Vejam a lista dos seus "posts em destaque"! Brilhante! Nem as contas do défice lá faltam!
Quarta-feira, Agosto 16, 2006
Batota
A batota chegou ao nobre Jogo! Numa importante prova realizada nos Estados Unidos, houve quem ouvisse bem e usasse um auricular e, num quente dia de verão, vestisse uma pesada camisola. O árbitro, sagaz, pediu ao indivíduo que se deixasse revistar e ele... não deixou! Investigadas as suas partidas, descobriu-se que executou, numa delas, 25 lances que seriam exactamente os que um forte programa de computador jogaria se estivesse no seu lugar. Pelos vistos, estava!
Domingo, Julho 30, 2006
Caricaturas

Sábado, Julho 08, 2006
Até os Incêndios
Foi com pena que assisti a mais uma derrota, desta vez frente à dupla Alemanha e Japão, reedição de vetustas alianças (já não bastava a outra, menos habitaul: Uruguai e França!) e a mais uma injustiça: vi a cerimónia da entrega das medalhas até ao fim e esperava ver no corredor humano de festejos a face risonha de Petit, com medalha ao peito, e a pequenita mas simpática figura do árbitro japonês... mas nada! Só alemães! Que injustiça, meus senhores!
Domingo, Junho 18, 2006
Mundial de Futebol e Audiências
Infelizmente, não disponho de fotos do Cristiano Ronaldo em poses atrevidas, nem do Figo, nem sequer do guarda-redes Ricardo. Sei que esse tipo de imagem teria agora um sucesso brutal na tremenda guerra de audiências, quer televisivas, quer blogosféricas. Aliás, o casal Cristiano Ronaldo e Merche Romero ocupou no coração dos portugueses o lugar de Lili Caneças e José Castelo Branco, dupla de sonhos, vinda de um mundo de coisas bonitas, de um mundo cheio de "glamour" e de bom gosto! Quem não vibrou com a plástica da Lili? Quem não se riu a bom rir da última tropelia do Zé? Mas agora há que dar o lugar às jóias que Cristiano comprou à Merche e aos fabulosos truques que o mágico da Madeira faz nos relvados alemães!
Que bonitos truques, aliás, são os de Ronaldo! Apesar de totalmente inconsequentes, de nada valerem para o resultado da equipa, apesar de ser um jogador a menos, é ele o eleito dos corações da petizada consumidora de Morangos com Açúcar e das senhoras de todas as idades e feitios, encantadas com a carinha laroca e físico atlético do moço! Ainda por cima, é politicamente correcto afirmarem-se dele fãs, mesmo em frente ao marido ou namorado que, cúmplice, não se importava que a patroa o traísse, desde que fosse com a boa rapaziada da Selecção!
No fundo, Ronaldo resume num homem só os dois maiores ícones dos últimos cem anos em Portugal, superando-os: tem a carinha laroca de um Tóni Carreira e o físico de um Tarzan Taborda! Grande Cristiano! Ditosa a pátria que tais filhos tem!
Para finalizar, uma palavrinha de apreço para o Scolari, o homem mais importante de Portugal. Foi graças a ele que Roberto Leal ressuscitou, forte e sadio, imaculado, e, com ele, a esperança renovada numa nação de gloriosos homens que, lá fora, enchem de honra o nosso país! E, acima de tudo, lhe dão, a ele, a Portugal, bom nome! Obrigado Scolari por ter desenterrado Leal! Não esqueceu esse homem o belo serviço que Roberto fez à sua pátria lusitana popularizando no Brasil cantigas tão nossas como "Uma casa portuguesa" e deixando no país irmão uma tão boa impressão de todos nós!
Quinta-feira, Junho 15, 2006
Coletes e Logística Avançada
Os meus parcos conhecimentos de estatística permitiram-me, não obstante, calcular em cerca de meio milhão o número de almas encaixadas em coletes nesta estranha migração sazonal. O meu irrequieto e logístico espírito, sempre ávido pelo entender das coisas, apoquentava-me perguntando insistentemente: e onde fica esta gente aos serões? Caminharão sem parar, ad nausea, haverá oferta hoteleira que baste a este simpático exército à chinesa?
Encontrei a apaziguadora resposta nas minhas forçadas migrações, automobilizadas devo acrescentar, naquele canal cinzento escuro flanqueado pelas linhas verdes de que venho falando: a estrada nacional 1 entre Coimbra e Águeda. Cônscio da parca oferta hoteleira da região vi a luz em forma de carrinhas de 9 lugares, identificadas com papéis impressos ou escritos à mão com redonda caligrafia, onde se pode ler "Apoio a Peregrinos" e coisas quejandas. Pois é! Carregadinhas de sandes e sumos, essas sagradas carrinhas fazem da perigrinação uma espécie de lanche volante, aliviando o peregrino da pesada mochila com casqueiros e chouriçada! Nem o clássico e latiníssimo garrafão de vinho falta nesses abençoados veículos, porque esse tanto caminhar puxa pela pinga: verde tinto porque é Verão ou quase. E NSF não quererá as suas gentes sedentas e sem alegria!
Adivinho agora o resto da operação: munidos de um pau de giz ou de uma lata de tinta de marcação rodoviária, os motoristas em sagrada missão recolhem os seus 8 peregrinos (há que rentabilizar a viatura), escrupulosamente marcando no pavimento o exacto local em que as gentes em moderno auto-de-fé pararam de dar ao pedal, para usar uma engraçada expressão que também adivinho ser usada. Acto contínuo, lá rumarão os 9 em direcção à sua terra natal para regressar, no dia seguinte, ao ponto onde deixaram a santíssima caminhada.
Trata-se de um interessantíssimo exercício de investigação operacional determinar os consumos de gasóleo, os quilómetros percorridos pelas carrinhas, os pneus deixados nas massas betuminosas, os metros cúbicos de CO2 e quejandos gases maléficos largados para a pobre atmosfera! O autor terá, e disso suspeitava já o leitor, a veleidade de alvitrar uns números, em jeito de bitaite.
Assumindo uma distância entre as localidades de origem e o destino de 100 km e que os caminhantes percorram 20 km diários... e que andem no processo um número de carrinhas que se estima em 1/8 do número de peregrinos. Assuma-se que temos 200 000 almas em colete e teremos 25 000 carrinhas (ou viagens de carrinha, o que para o efeito tanto faz). No primeiro dia percorrerão 1 000 000 km (40 km cada), no segundo dia 2 000 000 km, no terceiro, 4 000 000 km e assim sucessivamente até ao quinto dia. Ter-se-á um total de 1 + 2 + 4 + 8 + 16 = 31 000 000 km percorridos. Vá lá que cada carrinha gaste 12 l aos 100 km... e temos 3 720 000 l de gasóleo queimado!
Quase tanto como o volume de cera derretida nos rituais!
Domingo, Maio 28, 2006
Fotos de Canalizadores!
Com isto conto assegurar a chegada às 100 000 visitas neste mês que agora finda!
27 May, Sat, 15:38:28 Google: abanito maria
27 May, Sat, 16:38:36 Google: Curiosidades sobre o Togo
27 May, Sat, 19:20:09 Google: imagens de Togo
27 May, Sat, 20:01:33 Google: cofragem deslizante
27 May, Sat, 20:28:43 Google: historia do galho de barcelos
27 May, Sat, 20:30:28 MSN Search: morra o bispo e morra o papa
27 May, Sat, 20:37:19 Google: curiosidades do togo
27 May, Sat, 20:42:03 Google: Curiosidades de togo
27 May, Sat, 20:43:17 Google Images: sporting clube portugal
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27 May, Sat, 23:06:24 Google: Um monstro como topalov
27 May, Sat, 23:37:03 Google: Curiosidades de Togo
28 May, Sun, 00:21:20 Google: Curiosidades de togo
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28 May, Sun, 10:50:57 Google: IMAGENS OU FOTOS DE CANALIZADORES
Terça-feira, Maio 23, 2006
Bagdad
Já viste isto, Josué? O mundo está perdido! É verdade, Alzira! Estes árabes são maus como tudo, concordou Josué. Ai se esta gente cá chega! Não hão-de chegar! (Josué disse "hadem", mas destruiria o inegável interesse literário do Meia Livraria)
A notícia passou e, com ela, a preocupação naquelas almas. Olha lá, Alzira, já falaste com a tua prima? Já: ela vai a pé desde Sebornelho até Leiria e daí de joelhos até Fátima. Deus queira que lhe saia o euromilhões, concluiu Alzira.
Terça-feira, Maio 16, 2006
MORRA O BISPO E MORRA O PAPA
MORRA O BISPO E MORRA O PAPA
(De "Visão Perpétua")
Morra o bispo e morra o papa.
maila sua clerezia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram frades, morram freiras.
maila sua virgaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra o rei e morra o conde.
maila toda fidalgula.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram meirinho e carrasco.
maila má judicaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra quem compra e quem vende,
maila toda a usuraria.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram pais e morram filhos.
maila toda filharia.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morram marido e mulher.
maila casamentaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra amigo, morra amante.
mailo amor que se perdia.
Ai rosas de sangue e leite,
que só a terra bebia!
Morra tudo, minha gente.
vivam povo e rebeldia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
(1964)
Sexta-feira, Maio 05, 2006
Bela Safra!
03 May, Wed, 20:23:07 Google: livraria em catu
03 May, Wed, 21:55:45 Google: Platano
03 May, Wed, 22:21:41 Google: "Por Terras de Sabugal"
03 May, Wed, 22:43:30 Google: togo e curiosidades
04 May, Thu, 00:10:25 Google: internel condominio
04 May, Thu, 00:58:03 Google: pedro boucherie mendes
04 May, Thu, 10:30:34 Google: Camus e o sentido da existência - filosofia 11º
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04 May, Thu, 21:19:05 Google: Meia
04 May, Thu, 22:44:43 Google: curiosidades sobre Togo
Esperando, ter, de alguma forma, ajudado, obrigado pela vossa visita e inabalável confiança na humilde mas firme sabedoria do Meia Livraria!
Domingo, Abril 30, 2006
Frases
Quarta-feira, Abril 26, 2006
Latinos
Um português, no entanto, sempre tem mais esmero que os espanhóis, que são ainda mais grosseiros que nós, e muito mais graça que os italianos, que não têm qualquer espécie de sentido de humor.
Afinal, ser português não é assim tão mau. Ainda que me lembre sempre de Almada Negreiros: "Eu nunca escolhi ser português..."
Terça-feira, Abril 25, 2006
Dia da Liberdade

Hoje é o dia da Liberdade!
Tal como registado por:
1.Perdido;
2.Abrigo de Pastora;
3.Abaixo de Cão;
4.Chez Maria;
5.Almocreve das Petas;
6.Banzai;
7.A Coluna Vertebral;
8.Fuga para a Vitória...
e tantos, tantos outros blogues que me vejo forçado a desistir da hercúlea tarefa de a todos listar aqui.
Pelo menos na blogosfera, o "25 de Abril Sempre!" ainda faz sentido.
Segunda-feira, Abril 24, 2006
A Escola e o Malhadinhas

Introdução ao Estudo de O Malhadinhas — 10º/11º Anos
De Fernando Ferreira e Júlio Macedo: Leiam "mas é" estes senhores...
Tenho então uma farta comitiva de estudantes em busca de recensões ao "Malhadinhas", cifrando eles, porventura, nas cibernéticas inquirições a esperança de fazer a cadeira sem ler o livro. Alerto-os, no entanto, para a insuficiência desses esforços, recomendando a leitura da obra de Aquilino Ribeiro ou, esteja a vossa alma defesa a tal empresa, a continuação da demanda: O texto que aqui se encontra é inacadémico em sumo grado e não será seguramente ao gosto da vossa stôra. De qualquer forma, apareçam sempre!
Sábado, Abril 15, 2006
Sismo
Sexta-feira, Abril 14, 2006
A Páscoa
Sendo certo que esse tema é pedra basilar deste espaço, há muito que por cá não aparecia. O leitor perguntar-se-ia, intrigado: Será que o Cláudio ficou sem carta? Descanse o leitor, sempre ávido de histórias da A1, que ainda tenho a carta de condução, pesem embora duas contra-ordenações graves por excesso de velocidade, que exibo com orgulho parolo a quem quer que comigo fale de multas e polícias e brigadas e coisas quejandas.
Ombreando com o futebol, o tema "Estrada" é o tipo de conversa que desbloqueia os habitualmente entupidos canais de comunicação verbal entre os homens. "Então o nosso Sporting?" pergunta um. "Uma desgraça!" responde outro. "Não falemos disso então... Olha, sabes que há bocado, ali no nó da A13, estava um gajo encostado à berma! Os tipos da brigada vinham num BMW azul escuro carrinha!". E a conversa segue, trocando-se avistamentos de Audis pretos e radares ocultos em arbustos e rotundas sempre com a guarda à coca de balão em punho. "Quando um gajo bebe uns copos, o melhor é ir pelos cabos de Ávila..."
Não me esqueci do que ia a dizer sobre a mítica A1! Cá vai:
Ontem ao final do dia, ao rumar a Sul vindo de Coimbra, vi a Páscoa. Uma imensa lingua amarela, com centenas de quilómetros de comprimento. Dos pontos altos, vi-a claramente, longa e serpenteante, iluminando a noite que é sempre escura na A1! A língua movia-se silenciosamente levando os que fazem a vida ateia por terras de Lisboa e arrabaldes para a terra que se diz santa e onde a cruz aguarda, nas mãos do padre ou seminarista, pelos lábios, pintados uns, à sombra de bigodes outros, das nossas gentes. E essa língua longa, que se esconde por trás dos lábios que beijam a cruz, é, meus amigos, a Páscoa. É a morte de Cristo que veio para nos salvar.
Terça-feira, Abril 11, 2006
A Peste (Parte I)
PARTE I
Nas primeiras linhas do texto, o autor, escrevendo no tempo presente, introduz a cidade onde se passa o caso que se conta, Orão na Argélia, e explica ao leitor como vai ser contada a história, apresentando a principal personagem, o médico Rieux. Originalmente, apelida-o de narrador e de historiador, acrescentando que, tal como os outros historiadores, este tem as suas fontes que necessariamente o suportarão na tarefa.
Já aos olhos deste narrador, surge o primeiro acontecimento insólito, a morte dos ratos, pressagiando o que aí viria e que o título da obra denuncia: A Peste. É, aliás, assim que termina a primeira parte da obra, com a declaração oficial do estado de peste em Orão. Isso após o surgimento dos primeiros casos em seres humanos e da rápida progressão dessas ocorrências. Na acção toma intensa e relevante parte o narrador Rieux que nos dá a sua visão e alguns juízos de valor, aqui se distanciando do papel “típico” de historiador, assumindo, ao fazê-lo, uma postura de Oliveira Martins que, suspeito, seria totalmente desconhecido para Camus.
Na primeira leitura que fiz do livro, em 1995, não tinha lido ainda “O Estrangeiro” (que li, salvo erro, imediatamente a seguir) e deixei escapar a primeira intertextualidade que detectei nesta segunda, a saber, a referência (na página 68 da minha edição “Livros do Brasil”) a um caso que fazia “barulho” em Argel: O assassinato de um árabe cometido por um jovem empregado de comércio. Sabe quem leu O Estrangeiro que essa é a face visível da obra, pelo menos de Orão. Esse assunto foi comentado por uma empregada da tabacaria, quando por lá passou Grand, um tipo estereotipado, ao jeito das personagens de Kafka: o conhecido amanuense ou mangas-de-alpaca. Com esse Grand, fez Camus trocadilhos à pata galharda, infelizmente perdidos na tradução portuguesa mas adivinháveis no original.
É Kafka quem aparece na segunda intertextualidade que encontrei: Cottard, um tipo suspicaz a quem Grand tirou da forca, lia num restaurante fino da cidade “O Processo”, facilmente identificável pelo enredo resumido com que Cottard explicou a obra a Rieux. Também essa intertextualidade me passou despercebida na leitura de 1995. Assim é a juventude!

Triunfo da Morte (1562), de Peter Bruegel.
Segunda-feira, Abril 10, 2006
Dúvidas e Certezas
Quase todos vós, os que visitam o Meia Livraria, me conhecem pessoalmente e fazem-no (conhecer-me) melhor que eu próprio. Lá saberão porque cá estão. Curiosidade, estima, amor, amizade, o que quer que seja, trá-los cá. Esta é a segunda certeza. Gosto de os ter cá, claro, mas isso é apenas um facto. Como e porquê prosseguir? Pouparia tempo aos que me querem se não mantivesse o Meia Livraria? Terceira dúvida.
Mantendo a atitude dos últimos dois anos perderei a presença dos intelectuais, grupo a que não pertenço; dos sábios do futebol, onde, também me não incluo; dos que fazem da blogosfera um espaço de troca de banalidades de café, onde, já adivinharam, também não me incluo; daqueles que se interessam pelo que ganham os juízes e deputados, eu, confesso, não quero saber; daqueles que têm vidas tão interessantes que se sentem na obrigação de as partilhar com o mundo, não é também o meu caso; dos que escrevem poesia como Pessanha e não querem esperar pela editora, de Pessanha nada tenho... Qual é o meu lugar? Para que raio escrevo eu? Quarta dúvida.
Faz-me, no entanto, falta este espaço. Mesmo escrevendo "post" atrás de "post" sem qualquer comentário... Está lá, à minha espera, fiel e calmo. É uma rede que o meu peso não rompe. Terceira e última certeza. 4-3. Perderam as certezas.
Domingo, Abril 09, 2006
Alguém Sabe?
Sábado, Abril 08, 2006
Ainda Aquilino: Andam Faunos Pelos Bosques

Fauno, aguarela de João Bugalho.
Em "Andam Faunos pelos Bosques" deu-nos Aquilino uma obra erudita, polvilhada com sabedoria clássica, com reflexões ancestrais, nunca concluídas, sempre por resolver. Fala-nos do belo e do divino e, veladamente, de eugenia até. Mas também nos fala da relação entre o homem e o desconhecido, campo verde onde pastam as ovelhas da fé e onde, ao contrário do habitual, pastam também pastores.
Retrata magistralmente um conjunto de sacerdotes da douta igreja, sacudindo-os e analisando-lhes as vidas e a fé. São eles, os padres, que carregam o peso da narrativa. É através deles que Aquilino nos conta a história, passada nas serras da Beira e parcialmente na cidade de Viseu, de um conjunto de estranhas ocorrências.
Micas Olaia, chorosa camponesa, chegou à aldeia relatando o que lhe acontecera: fora desmoçada por alguém, ou algo, que irresistivelmente dela fez mulher. Não lhe batera, não a confinara, não a forçara. Antes a subjugara de forma inexplicável, nada conseguindo o vigilante Eu da pobre menina contra o outro Eu, aquele que, sempre escondido, determina acções e vidas. O caso seria banal não fora a profusão de quejandos episódios nas redondezas, em tempos próximos. A coisa evoluía e a misteriosa criatura deixou o seu rasto imoral pelas pedregosas veigas da serra.
A todos foi tocando o conjunto insólito de eventos. Organizaram-se montarias, acções concertadas entre os valentes aldeões e os sacerdotes, muito se rezou e muita batida pelos ermos se fez. Para nada encontrar ou evitar. Os acontecimentos repetiam-se escolhendo sempre as mais belas moças para vítimas. Todas sucumbiram entre a sensual, irresistível e telúrica força. Às feias, às desengraçadas, a essas só Deus queria.
Numa das montarias organizadas para dar caça à criatura, se apresenta Jirigodes, homem na meia e experiente idade, retornado em glória das Africas que, senhor de grandes qualidades másculas, se encarregou de liderar a operação. Jirigodes estava enamorado por uma belíssima catraia, cheia de sensuais visões da fé, que se decidiu entregar em sacrifício às garras da criatura, após insistente chamamento divino, em sonhos, de que deu conta ao pároco local. Assim o fez uma noite, num dos fortíssimos momentos desta obra, saindo de sua casa em sagrada e sensual missão. Regressada do sacrifício veio mudada: Chegara à Terra o Inefável, que viria plantar a sua semente pura nos ventres das mais belas mulheres. A humanidade apodrecida e desviada, decadente, cheia de aleijões e mostrengos, seria varrida pela onda que se iniciara agora, enchendo-a de beleza.
O tal Jirigodes, homem de grande orgulho e vaidade, não se deixa convencer e vai para a serra, esperar o causador de tamanha afronta. Leva Barnabé, o maluquinho, que se torna na segunda estrela de um dos mais brilhantes firmamentos da nossa literatura: A espera de Jirigodes. Sabe o leitor o desfecho do episódio pelas conversas dos padres que se reunirão, na última parte do livro, em Viseu. Aparece então a teoria clássica que ressuscita a imagem do fauno. Aparece depois a católica teoria demoníaca. O duelo entre as duas "escolas", defendidas cada qual por um punhado de padres, acaba saldado por uma intervenção de um outro padre num discurso absolutamente formidável que constitui uma das mais claras e racionais definições de fé.
É neste último ponto que a obra descola do simples romance para alturas estratosféricas, de ar rarefeito e propícias a toda a sorte de vertigens: a falta de oxigénio e a distância ao solo esmagarão o mais sólido dos leitores.






