Domingo, Janeiro 22, 2012

 

Um cinismo insuportável!

A ideia do “fim das ideologias”, separou a política da vida e isso (consubancia as políticas deste Governo) é tão cruel e artificial como insuportavelmente cínico. E, quando os que assim pensam, querem por razões tácticas, artificialmente, ligar a vida à política acabam por reforçar esse cinismo e artificialidade.

Foi o que fez Cavaco Silva: querendo dizer que é um cidadão igual aos que sofrem no dia-a-dia o peso insuportável da crise, recorreu à populista e demagógica afirmação de” não saber se o que ganha dará para as despesas”. Este recurso ao populismo demagógico, só serviu para confirmar a sua insensibilidade, artificialidade, cinismo hipócrita e falta de sentido de Estado.

Escondeu que optou pelo salário que melhor lhe convinha (renunciou ao vencimento de 6mil euros como P.R. para ficar com cerca de 10mil que lhe vem das pensões) e escondeu que tem transportes de borla, casa luz e roupa lavada de borla, médico de borla, segurança de borla, viagens e alimentação de borla, secretárias e conselheiros de borla, etc., etc.

Não dignificando tudo isso, Cavaco Silva fez do cargo de Presidente da República uma máscara do que deve ser e colocou-se ao nível dos borlistas, o que é degradante!

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

 

A propósito dos "Pedreiros Livres"

Regressando ao tema da maçonaria, escrevi para o Semanário Grande Porto o seguinte texto, que hoje foi publicado:
"Está na ribalta a questão dos pedreiros livres. O pensamento iluminista fez da razão a única fonte de certeza e acusou de obscurantismo todas as crenças que não eram elaboradas pela razão. Mas como é impossível, por édito ou mandato policial, impedir que, interiormente, o crente se “religue” ao que o transcende, o espírito religioso vestiu-se de uma racionalidade para poder escapar às perseguições fratricidas das sangrentas guerras religiosas, que dilaceraram a Europa desde o séc.XVI.

No séc. XVII, um incêndio, de grandes proporções, destruiu Londres. Atribuiu-se a esse incidente trágico intuitos criminosos que visavam, com a destruição das catedrais, apagar os símbolos das religiões em conflito.

A construção de locais de culto esteve sempre associada a narrações misteriosas. Aliás, os primeiros cristãos reuniam-se em segredo para louvar a Deus nos capítulos, lojas ou células e tinham fórmulas de se reconhecerem através de figuras, como, por exemplo, o peixe (Ichthys), e símbolos.

Para fugir à conotação religiosa, muitos pedreiros guardaram em segredo os símbolos e ritos que acompanhavam as técnicas de construção de catedrais. O compasso e o esquadro, por exemplo, eram ícones de uma simbologia que atribuía à geometria um papel sagrado e integravam-se numa narrativa que orientava a construção das catedrais, sempre viradas para onde o Sol nascia, numa missão antropocósmica.

Esses pedreiros, que se consideravam livres (independentes das contendas religiosas) estavam organizados em obediências de fraternidade. Foram chamados para reconstruir as catedrais e encararam essa tarefa com o espírito de contribuírem para harmonizar a respectiva construção com a narrativa do grande arquitecto das almas, o arquitecto de um mundo mais fraterno, mais livre, mais igual e mais de acordo com a beleza e ordem cósmica.

Nessa narrativa, contavam os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade que levaram à Revolução Francesa. Por alguma razão, os maçons do grande Oriente Lusitano, a mais antiga obediência maçónica, estiveram sempre na primeira linha das lutas liberais, contra as ditaduras e a opressão.

Com a grande depressão do capitalismo, nos anos trinta, esta maçonaria foi alvo de terríveis perseguições. Hitler, Franco, Mussolini e Salazar olharam para a maçonaria e para o comunismo como inimigos a banir.

Em 19 de Janeiro de 1935, na recém-inaugurada Assembleia Nacional, o deputado José Cabral, visando o extermínio da maçonaria, apresentou um projecto de lei que proibia as associações secretas, sob pena de aplicação de uma sanção que ia da prisão ao degredo.

Fernando Pessoa, que se diz ter sido “rosacruz” (uma associação do estilo maçónico) escreveu um texto brilhante de defesa do segredo maçónico. Denunciou o paradoxo do projecto de José Cabral ao pretender condenar associações secretas, esquecendo que o conselho de ministros também poderia ser condenado, uma vez que muito do que lá se discute fica debaixo de segredo.


Os propósitos da maçonaria, a sua história e a luta que os maçons travaram, em épocas de intolerância, miséria, obscurantismo e opressão, estão, hoje, referenciados em muitas publicações. E pode-se reconhecer a dimensão iniciática dos pedreiros livres na beleza sublime do património arquitectónico, musical e pictórico que recebemos dos nossos antepassados.

Naturalmente, as preocupações maçónicas que marcaram a arte e a luta contra a opressão e a miséria, são incomensuravelmente diferentes das que têm os actuais candongueiros de interesses que se alojaram em células maçónicas.

E é esta diferença que marca muitos equívocos e, tal como referiu Fernando Pessoa, o antimaçonismo não se deve apenas às nódoas da infiltração oportunista que a(s) descredibiliza, mas também do facto de se falar da maçonaria(s) sem nada se conhecer a seu respeito.

Obs:


Hoje, chamaram-me a atenção para o seguinte: em Portugal, começa a fazer sentido as organizações secretas. Na verdade, se as maçonarias querem perder a conotação com as máfias que ultimamente lhes está associada, pois podem, agora, recuperar o espírito nobre que as enalteceu e justificou o segredo operativo: coloquem-se do lado dos que sofrem o rolo compressor deste governo que nos retira direitos e oprime até ao limite da barbárie. E discutam, em segredo (não pode ser de outra forma. Em tempos de miséria e medos de perder o pouco que se tem não são possíveis as grandes manifestações de luta), nas suas lojas, a forma de dar volta a esta situação, porque a liberdade fundamental, a que nos cria condições para sermos senhores do nosso próprio destino, está em causa.

É só acabar com o clube de “chicos-espertos” e fazer da Maçonaria o que foi sua vocação. Será que haverá gente para isso?!...

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

 

Significativamente estranho!

O líder da UGT diz que “foi incentivado por dirigentes da CGTP a assinar o compromisso com o governo”.

Por que será que ao Eng. João Proença não bastam as suas convicções na decisão de aprovar o acordo de concertação social?

Invocar o “incentivo” só pode ser compreendido como um alívio de consciência. E se foi para criar problemas à CGTP, teve um efeito de boomerang: virou-se contra a UGT, pois é estranho que alguém considere que para os outros é um erro, o que para si considerou um bem.

A UGT coloca às suas costas a CGTP e com isso só dá razão aos argumentos da CGTP de que o acordo é péssimo e um regresso civilizacional.

Processar a UGT pode ter algum sentido para a CGTP, mas não me parece necessário: a UGT já se condenou a si própria. Só falta aos trabalhadores filiados nesta organização sindical saber tirar as devidas conclusões.

 

quando se torna em retórica parlamentar é um nojo...

Ouvi um deputado do PSD falar em “ditadura dos direitos adquiridos”. O rapaz não sabe o que foi a generosa luta travada pelos dos nossos melhores antepassados pela dignificação do valor da dignidade humana. E não os respeita, nem respeita a história das prisões que sofreram, das torturas até à morte a que foram submetidos. E não só eles mas a também a sua própria família.

Esse deputado é a imagem do que são certos deputados, cuja mediocridade vai ao ponto de ignorarem o que é uma ditadura, o que é a dignidade humana e para terem uns segundos de “glória” não se coíbem de emporcalharem os que, pelas suas lutas, possibilitaram a democracia, um Estado de Direito e ele próprio ser deputado. A ignorância é atrevida e quando se torna em retórica parlamentar é um nojo.

Não há nada que mais prostitua um cargo do que o não saber respeitá-lo. Há quem lhes chame deputedos. Talvez, por isso, ninguém se pode espantar de notícias como esta: “só 56% dos portugueses defende democracia
http://economico.sapo.pt/noticias/satisfacao-com-democracia-atingiu-minimo-de-sempre_136270.html

Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

 

Álvaro acredita ser um génio e já é uma interpretação autorizada pelo Governo

O Álvaro, mais propriamente o Ministro da Economia, não é um génio qualquer. Eu sabia isso, mas faltava-me a prova de ciência feita. Encontrei-a, hoje, ao ler um texto do meu amigo António Cândido de Oliveira, no “Público”.

Tudo tem a ver com a sua paixão: a preocupação com a produtividade, competitiva e criatividade. E nesta paixão o Álvaro, como gosta de ser chamado, é um pastor que leva a boa nova para a resolução de todas as crises.

Com esse intuito, escreveu um daqueles livros que revela a sua estatura intelectual, de economista e estrangeirado que ficará para a história.

A obra tem o título: “O medo do insucesso nacional”. Foi publicada em 2009 e terá contribuído, de forma decisiva, para que o sagaz Passos Coelho, naturalmente com a anuência do seu intelectual orgânco Miguel Relvas,  tenha escolhido o autor para gerir os destinos da nossa economia e fazer subir o PIB.

Como se verificará pelo argumentário da obra, uma trilogia (competitividade, criatividade e produtividade) brilha nos neurónios do Álvaro.

O mecenato do tempo, antecipadamente, já lhe deu razão: muito embora o volume do verbo da escrita seja sumptuoso, trezentas páginas, atribuiu-lhe o preço competitivo de três euros nas livrarias e 50 cêntimos em alfarrabistas. Já hoje o procurei, mas não encontrei este best-seller. Também não percorri todos os alfarrabistas, mas receio que se tenha esgotado ou, então, por alguma orientação invejosa, colocado fora das prateleiras das livrarias.

Vale a pena ler!

Depois de elogiar vivamente uma empresa nacional que introduziu, de forma inovadora, o artefacto, do papel higiénico preto (p.132), não esqueça preto,esclarece, logo de seguida, uma questão fundamental para a competitividade nacional, muito mais importante que a dos pastéis de nata.

Merece muita atenção o que vou transcrever. É da sua lábia:

“Durante séculos, a majestosa cidade de Braga especializou-se na produção de um produto: padres. Basta percorrer as monumentais ruas da cidade para perceber a importância que a religião e a Igreja Católica têm para a região. São edifícios e mais edifícios (muitos deles de grande dimensão) dedicados à produção e formação de sacerdotes. Hoje em dia, a indústria de produção de sacerdotes bracarense está em declínio (…) Por quê?!...”

E a penetrante resposta, de quem consegue fazer luz sobre os mais ignotos e escuros problemas que nem o eureka de Arquimedes se poderá assemelhar, responde:

“A grande causa do declínio da Igreja Católica em Portugal é simplesmente a falta de competitividade. A indústria de produção de padres perdeu competitividade, pois os custos de produção de novos sacerdotes são demasiado altos e o preço do sacerdócio é extremamente elevado.”

Senhor Cardial Patriarca, Senhor Arcebispo de Braga, Senhores Cónegos, Senhores Abades e restantes membros da Igreja: toca a produzir, competir e inovar, como o pastor Álvaro dix.

Foi preciso aparecer Passos Coelho, para que aparecesse um ministro da economia à altura deste governo PSD/CDS.

Talvez, por isso, Álvaro acredite ser um génio e já é uma interpretação autorizada pelo Governo.

 

Um (des)acordo em defesa do PSD

Ouvir o Ministro da Economia a falar sobre o acordo de concertação social é sentir os nervos a esfrangalhar. Álvaro dos Santos Pereira ou o Álvaro não responde ao que lhe é perguntado: martela o que quer transmitir com chavões e interpreta o memorando da troika como um Aiatola interpreta o Alcorão.

Não entendi nada das vantagens que a UGT apregoou do acordo. Talvez a UGT o tenha compreendido pela pressão que o PSD exerceu dentro desta confederação sindical.

Parece um franchising de pastéis de nata para os mercados em vez de um acordo. Vai atirar para a valeta da vida os que precisam de trabalhar para viver. E não vai resolver os problemas da economia nem vai contribuir para uma paz social.

Se neste acordo em defesa do PSD, a UGT parece ter abandonado os trabalhadores, é normal que os trabalhadores abandonem a UGT.

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=39072

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

 

O conceito de "empresa-cidadã" desapareceu.

Foi alcançado um acordo. Naturalmente, quem só dispõe do trabalho para viver vai ficar mais prejudicado e diminuído nos seus direitos. A dimensão de interesse público da exploração empresarial perdeu-se.

O lucro, com este governo PSD/CDS, passou a justificar-se por si mesmo, ganhando apenas um significado puramente financeiro, como pensava Milton Friedman (“a única responsabilidade da empresa é utilizar os seus recursos para maximizar lucros”. Foi considerado o pai do neo-liberalismo e nos anos 70 esteve no Chile, tornando-se amigo de Pinochet que adoptou muitas das suas ideias neo-liberais sobre economia).

Falar em “empresa-cidadã” perdeu sentido, como perdeu sentido pensar-se que o objectivo dos negócios é servir clientes com sentido de missão, onde todos os esforços se orientam pela ideia de “bem-servir”.

Regressamos aos finais do séc. XVIII. Pode ser que, tal como nessa altura, apareça quem se insurja contra a “miséria imerecida” de que falou Leão XIII na encíclica “ Rerum Novarum.

Não achei bem que a CGTP tivesse abandonado a reunião de Concertação Social. A luta nunca deve ficar a meio, nos terrenos que nos são propostos.
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=38977

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

 

A propósito dos "pedreiros livres"

Está na ribalta a questão dos pedreiros livres. O pensamento iluminista fez da razão a única fonte de certeza e acusou de obscurantismo todas as crenças que não eram elaboradas pela razão. Mas como é impossível, por édito ou mandato policial, impedir que, interiormente, o crente se “religue” ao que o transcende, o espírito religioso vestiu-se de uma racionalidade para poder escapar às acusações fundamentalistas que geravam guerras e perseguições.

No séc. XVII um incêndio, de grandes proporções, destruiu Londres. Atribuiu-se a esse incidente trágico intuitos criminosos que visavam, com a destruição das catedrais, apagar os símbolos das religiões em conflito.

Dizem que, para fugir à conotação religiosa, muitos pedreiros guardaram em segredo os símbolos e ritos que acompanhavam as técnicas de construção de catedrais. O compasso e o esquadro eram, por exemplo, ícones de uma simbologia que atribuía à geometria um papel sagrado e estavam integrados numa narrativa que orientava a construção das catedrais.

Esses pedreiros, que se consideravam livres (independentes das contendas religiosas), foram chamados para reconstruir as catedrais e encararam essa tarefa como uma missão: harmonizar a construção das catedrais com a narrativa do grande arquitecto das almas, o arquitecto de um mundo mais fraterno, mais livre e mais igual.

Vale a pena contemplar com esta referência algumas das grandes catedrais portuguesas.

A beleza esculpida por pedreiros livres, ajudam-nos a compreender uma narrativa que fez a sua história com grandeza e generosidade e é incomensuravelmente diferente dos actuais candongueiros de interesses que se alojaram em células maçónicas.
http://www.rotadascatedrais.com/pt/visitas-virtuais

Sábado, Janeiro 14, 2012

 

"A construção da máfia portuguesa (1)"

Num texto que Pacheco Pereira publica, hoje, no Público (A construção da Máfia portuguesa -1) escreve: “O modelo partidocrático actual (…) produz duas coisas interligadas:

1.- a mediocratização do pessoal político (de facto, a nova classe política é gerada pelos media — gente muitas vezes vista, torna-se “BEM-VISTA”) ;

2.- os bloqueios a determinado tipo de reformas, todas as que tenham como efeito impedir o funcionamento dos mecanismos de clientelas e de gestão de pequenos poderes (e digo eu, como, por exemplo, os que rodearam a loja Mozart e a indicação de boys) sobre os quais se alicerça o poder partidário.(…)

E termina: “não tenho dúvidas que se está a reforçar uma tendência da partidocracia para passar para o privado, um privado muito especial, porque se conserva bem dentro da decisão política”.

Na verdade, é neste quadro que a máfia portuguesa se constrói.
Vale a pena ler este texto que continuará para a semana, e, brevemente, aqui: http://abrupto.blogspot.com/

 

O que será que nos espera?!...

Não se compreende que um Governo seja eleito para ser bom aluno de um grupo que lhe empresta dinheiro. Mas foi isso que traçou a orientação política deste Governo e não o programa que sujeitou aos eleitores. Esta submissão indecorosa tem já consequências inequívocas:

1º - Como alguns previam, os insuportáveis impostos, os elevadíssimos juros dos empréstimos e a ausência de reformas estruturais ( e não à la carte, como tem acontecido!) só poderiam levar a um abaixamento do rating e Portugal, para efeitos de empréstimos, é já considerado lixo;

2º- Nos seis países que sofrem medidas de austeridade (Portugal, Grécia, Irlanda, Estónia, Itália e Espanha), segundo estudos já publicados, o governo do PSD/CDS foi o que procedeu a uma maior disparidade na distribuição dos sacrifícios: os mais pobres perderam 6,1% dos seus rendimentos e os mais ricos apenas 3,9. Além disso, o índice de pobreza em Portugal já ultrapassa 40%.

Sei que há sempre uma retórica para tudo iludir, mas, segundo o Banco de Portugal, a baixa do rendimento da população, entre 2010 e 2013, será mais de10%.

Parte muito significativa dos nossos concidadãos vive, hoje, numa situação de indigência ou perto disso, enquanto os que pertencem à “área de negócios politizados” (como designa Pacheco Pereira) vão aumentando os seus proventos, com salários e lucros escandalosos.

E, agora, com a redução do rating de Portugal a lixo, o que esperarão os mais pobres, os doentes, os desempregados, os reformados e o resto de uma classe média que sobrevive neste aperto de cinto para pagar uma crise de que não têm culpa?

Será que continuamos a ouvir obscenamente proclamar uma “ética da austeridade social”?

Estamos habituados ao cinismo e à falta de vergonha, mas os limites já foram ultrapassados.

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

 

Apetecia-me soltar um grito de Ipiranga!

Apetecia-me perguntar à Srª Ferreira Leite se só quem tem dinheiro tem direito a viver; apetecia-me comparar a situação dos mais pobres (os desempregados, os que não têm dinheiro para medicamentos, passam fome e não conseguem pagar a renda da casa), com o obsceno e estrondoso ordenado de Catroga e dos seus companheiros do PSD ao serviço do capitalismo de estado chinês; apetecia-me lembrar o que disse Catroga sobre a moralidade da gestão socrático; apetecia-me referir os boys que o PSD e CDS vão descarregando da sua nomenclatura para a mesa do orçamento que impiedosamente sai dos impostos que escravizam o contribuinte; apetecia-me exercer o direito à indignação, mas já não tenho forças.

Hoje, só me vem à alma um desabafo: gostava de o soltar num grito de Ipiranga, mas a palavra que me aperta a garganta é tão feia que prefiro segurá-la só para mim, num sentimento de vencido e amargurado.

Se partilha do meu sentimento, faça com que ele se multiplique até ter a força do eco que Ipiranga lhe deu e que eu, vencido e amargurado, já não consigo.

Domingo, Janeiro 08, 2012

 

Um livro que está a interessar-me.

Já li duas centenas de páginas. Quero conhecer melhor a história da China. Como se sabe, os povos fazem, no desenrolar do tempo, o seu currículo. E conhecendo o currículo de um povo, sabemos do que ele é capaz.

“1421, o ano em que a China descobriu o mundo” é o título do livro de Gavin Menzies. Nesse ano, os monstruosos barcos de Zhu Di, com 36 pés de altura (dimensão superior à da caravela Niño, em que mais tarde Colombo deu a volta ao mundo), equipados com armas de fogo, canhões de bronze, etc., já asseguravam o domínio sobre a Europa, Ásia e África. E não precisavam de agências de rating.

O imperador chinês, o grande líder, desconhecia o materialismo histórico, não se achava representante de operários, agricultores, soldados e marinheiros, mas os chineses já acreditavam que recebia um mandato do Céu. Por isso, aos mandarins e reis que visitavam o Grande líder era imposto o know-tow: curvarem-se numa vénia, encostando a testa ao chão.

O domínio sobre praticamente todos os povos do mundo, nesse ano, 1421, é de repente cortado: todos os navios, todos os governadores, foram, por édito robusto (como agora se diz), obrigados a abandonar os negócios e a regressarem. A China fechou-se sobre si própria, sem que, até hoje, se saiba porquê!

A leitura está a interessar-me: já vejo Catroga, Mexia, Ilídio Pinho, Braga de Macedo, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira e Fernando Masaeva, com galos na testa por tanta persistência nos know-tow ao grupo chinês Three Gorges.

E, inspirando-me na sabedoria milenar dos chineses, vou criando a expectativa de que a história se repita e, daqui por algum tempo, veja o Grande Dragão, com olhos de tigre, corpo de serpente e chifres de veado, a pôr termo às agências de rating e, num colossal barco, levar para a China as lojas que proliferam por todo o lado, o grupo Tree Gorges, e, com toda esta gente, os mandarins (já com a testa achatada) que o PSD colocou a serviço dos chineses e, se possível, o próprio governo com muitos galos na cabeça pelos buracos que foi cavando coma sua sujeição ao know-tow.

Sexta-feira, Janeiro 06, 2012

 

Um abraço de saudade

Nasceu no Porto. Estudou na faculdade de engenharia, mas acabou por se decidir pela música. Esteve ligado a grandes nomes da música popular, tais como Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Carlos Paredes, Rui Veloso, Rita Guerra, Carlos Mendes, Herman José, Lúcia Moniz, Xutos e Pontapés, etc...

Com Carlos Moniz e o meu conterrâneo, amigo e compadre Alfredo Vieira de Sousa fundou o Grupo Outubro.

Fez música para cinema e teatro, nomeadamente para uma peça de Berthold Brecht.

Mário Soares atribuiu-lhe o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, Cavaco Silva a comenda da Ordem da Liberdade e a Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas agraciou-o com a Medalha de Mérito Cultural.

Pessoalmente não o conhecia, mas admirava-o como música, pessoa de bem e empenhado em causas.

Pedro Osório deixou-nos aos 72 anos. Aonde estiver, um abraço de saudade.
http://www.youtube.com/watch?v=FyRUwKUigMo

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

 
Não há tempo de antena que chegue para tantos comentadores, técnicos de marketing e fiscalistas lavarem a imagem do Pingo Doce e do seu patriota e moralista líder, Soares dos Santos. Até o democrata cristão João de Almeida já disse que não disse o que disse, quando apelou ao boicote aos produtos do Pingo Doce. Mas uma questão resiste ao argumentário: se Portugal não serve para sede do Pingo Doce, por que raio de água há-de o Pingo Doce servir para Portugal?
Bom, este raciocínio só faria sentido, se Portugal fosse dos portugueses! Justifica-se, assim, o silêncio do Primeiro-ministro.
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/empresas/jeronimo-martins-soares-dos-santos-pingo-doce-capitais-empresas-agencia-financeira/1314758-1728.html

Terça-feira, Janeiro 03, 2012

 

Um fiscalização pelo blá..., blá...

O PS, em coerência com a sua prática, joga pelo “Seguro” (o seu grande líder): por um lado, dúvida da constitucionalidade do corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas; por outro, não quer saber do Tribunal Constitucional para uma fiscalização sucessiva do orçamento.

Mas, marca a sua diferença em relação ao PSD e CDS: garante que vai dar prioridade a uma fiscalização política permanente do orçamento. Isto é, aposta num blá…, blá…, blá…, que, sujeito a votação, não serve para nada.

Quem o garante é o camarada Junqueiro.
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=37742

Domingo, Janeiro 01, 2012

 

Crise ou trespasse?

Jürgen Habermas recentemente, numa conferência, alertou para o risco da democracia estar em perigo na Europa. Tudo, porque a U. E. deixou de ser uma aliança dinâmica na solidariedade, no desenvolvimento económico e na defesa dos valores humanos e direitos sociais, dos quais, desde 1945, se regozijava.

Por falta de líderes, foi arrastada pela lógica neoliberal da globalização do mercado, uma espécie de darwinismo social que tanto agradou, paradoxalmente (ou talvez não!), ao capitalismo de estado chinês.

A China está a adquirir empresas europeias privadas pelo melhor preço e só coloca, na direcção da gestão das suas organizações económicas, chineses. Imitam, em grande escala, o que fazem os chineses nas pequenas lojas de comércio (onde até dormem).

As consequências estão à vista: nenhuma empresa poderá concorrer com as empresas chineses, se não descer a fasquia dos direitos sociais para o nível da economia chinesa.

Se quer compreender para que servem, na Europa, as crises das dívidas soberanas, reveja, então, o modo de funcionamento do capitalismo de estado chinês e pense no que diria o PSD e o CDS sobre a venda da EDP, se ela fosse concretizada pelo PS (o que, aliás, não era de espantar!): 

http://www.youtube.com/watch?v=KqTAU996Vm0&feature=related

Sábado, Dezembro 31, 2011

 

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
http://www.youtube.com/watch?v=LJfsf5a8Fbo&feature=related 
Carlos Drummond de Andrade

 

Um retrato lucido!

Vasco Pulido Valente, no seu melhor estilo, escreve, hoje, no “Público” um texto a não perder. Num daqueles momentos em que a lucidez é fulgurante teve pontaria certeira para definir Cavaco Silva, Sócrates, Pedro Passos Coelho, José Seguro e a Troika.

Sobre Cavaco não tem rodeios: “foi um discípulo menor de Marcelo Caetano, com uma vaguíssima inclinação para a social-democracia. Num aperto, não se pode contar com ele”. Melhor retrato não se consegue!

Mostra em Passos Coelho a sua mais evidente contradição: “alguma retórica “liberalizadora”, ainda por cima obscura e ambígua (…).”

Quanto a Seguro é premonitório: “Veio do nada, não fez nada, vai voltar para o nada”.

Sobre a Troika não podia ter melhor pontaria: “uns funcionários, que não conhecem Portugal e não falam português. Mas que por inspiração doutrinária já traziam a receita para nos reformar (…) Se as coisas se estragarem, paciência. Eles não se importam. Há no mundo outras freguesias para irem pregar. Esta é a “Europa”, onde nos meteram.”

Terça-feira, Dezembro 27, 2011

 

Em que País vivemos, em que mundo estamos?

Lê-se os Jornais e, como me aconteceu hoje, talvez por ser época natalícia, ficamos com imensa perplexidade que nos leva a interrogarmo-nos: em que País vivemos, em que mundo estamos?


Lê-se no “Público”, logo na primeira página: o Ministério da Justiça vendeu o estabelecimento Prisional de Lisboa em 2006 a uma empresa pública,” Parpública”. Isto é, criou-se uma empresa pública para vender o que é bem público. Não é espantoso!...

A notícia acrescenta: não foi construído o estabelecimento que substituísse o vendido e o Estado (figura que já não sei o que representa!) passou a pagar uma renda à empresa pública do bem público no valor de 220 mil euros. Em Novembro, a dívida totalizava 9,8 milhões de euros. Pergunta-se: que tipo de negócio foi este, em que o comprador recebe mais do que o valor da compra? Alguém foi preso? O jornal nada diz.

Na pág. 21 do mesmo Jornal, fica-se a saber que, em Braga, o “dono de uma pastelaria foi detido 16 vezes pela GNR em 3 meses”. Vai-se saber porquê e a notícia esclarece: o pasteleiro tem no mesmo prédio, como vizinho, um magistrado que não gosta do barulho. E para além de interpor uma providência cautelar que encurtou, em tempos de crise, ao pasteleiro o tempo do seu ganha pão, a GNR, por coincidência, não lhe “larga a porta, a controlar a hora de abertura e do fecho”. E se trabalha para além da hora dois minutos, é logo conduzido ao posto com ordem de detenção.

Lida a notícia, nova dúvida se nos coloca: será que a Justiça tornou-se célere ou é perigoso ter como vizinho um magistrado?!...

Seria bom saber-se o que sobre isto pensam os órgãos da magistratura responsáveis pela conduta desinteressada dos magistrados e o próprio sindicato?

Em resumo: Portugal está na Europa, mas podia, muito bem, estar perto da China. Talvez isso explique o conceito de solidariedade europeia na privatização da EDP, passando-a para o sector público da China (potência concorrente com a que estamos "unidos") e o artigo, no mesmo jornal, de Paulo Rangel, com o significativo título:”Contra os canhões, migrar, migrar”

Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

 

Votos para um bom Natal

 Escrevi para o Semanário Grande porto este texto:

Natal é, sobretudo, a festa dos afectos, do encontro com a saudade da família, dos amigos e até dos locais por onde crescemos, amamos e nos tornamos homens.

O dia terá sido fixado pelo Papa Júlio I, no séc. III, coincidindo com a festa pagã do solstício de Inverno que celebrava o deus Mitra. Acreditava-se que esta divindade se tinha aliado ao Sol para obter o calor e a luz que faziam com que as raízes das plantas rompessem a terra e florissem.

É um pouco o que o nascimento do Menino Jesus significa. Está na Bíblia que um anjo anunciou a Maria que daria à luz Jesus, o filho de Deus, que viria à Terra para salvar os homens. Por alguma razão, o conceito terra está conotado com mãe. É que, tal como a terra, a Mãe de Jesus terá de promover boas condições para que o seu Menino cresça e possa ser, como refere a Bíblia, exemplo, caminho e vida de um mundo mais justo e mais humano. E este horizonte de sentido é vivido em cada Natal como um mistério insondável. Leonardo Coimbra na sua obra “Jesus” diz: «Ele sabe esperar, fazer-se oculto, pequeno, humilde, companheiro e amigo, para dar às almas o exemplo da sua vida, o calor das suas certezas, o infinito afago do seu coração transbordante».

O Natal associa-se, assim, à ideia de luz que dá esperança ao futuro, de mãe que protege os seus filhos, de calor humano que alimenta a reunião com a família, a terra e os amigos e de magnanimidade que nos torna solidários, humildes, generosos, autênticos e justos.

Vivemos uma época contrária ao espírito do Natal e essa é a nossa maior crise. O nosso País caiu num protectorado que nos obriga a uma austeridade de indigência. Os responsáveis pela crise que sofremos, passeiam-se impunes. Os que nada fizeram para ter de sofrer a crise que sofrem, sentem a ameaça do desemprego que alastra e vão sendo privados dos direitos sociais elementares que marcam o avanço de uma civilização.

Sentimo-nos prisioneiros de um poder incapaz de abrir horizontes de Futuro, de um mundo que valoriza mais o dinheiro que o ser humano, mais o chico-espertismo que a honradez. Surgem, por todos os lados, bolsas de miséria, o egoísmo vai cavando a indiferença pelo bem-comum e a hipocrisia, a arrogância e a venalidade moldam o homem de sucesso.

Precisamos que o Natal humanize as nossas vidas e promova a força que nos falta para, colectivamente, construirmos um futuro de esperança que tire duma “miséria imerecida” os que mais sofrem com a crise que vivemos.

São estes os nossos votos para um bom Natal.

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

 

Um discurso que vale a pena ler.

Anda por aí muita gente a pensar que a globalização é o fim da história. Supõem-se muito sabedores, decretando o fim do trabalho na mesma empresa, o fim das profissões, a deslocação global, etc.

Mas a globalização não é um fenómeno circunscrito ao nosso tempo.

Sempre que um povo ou uma nação ou uma crença conseguiu uma situação privilegiada aspirou dominar globalmente. Assim aconteceu com os impérios gregos e romanos, coma as cruzadas, com os descobrimentos, com o nazismo, etc.

A U.E. surgiu, precisamente, pela necessidade de equilíbrios que desaconselhassem tais ambições na Europa e na relação da Europa com outros povos, nomeadamente os E.U. Naturalmente, hoje a globalização, com as novas tecnologias da informação, tornou-se quase instantânea e essa é a grande diferença das mundializações de outras épocas.

Penso que vale a pena ler aqui http://www.slideshare.net/nas72/discurso-de-helmut-schmidt-no-congresso-do-spd o discurso de Helmut Schidt.

Sublinhava apenas seis ideias que julgo importantes para se compreender o que deveria ser o papel da U.E.:
1ª.- “propagação dos direitos das pessoas e da sua dignidade”(pg 5);
2ª.- o “princípio da subsidiariedade: aquilo que um estado não pode ou não consegue resolver, tem de ser assumido pela U.E”(pg. 8);
3ª.-“O C.E, a Com… e toda a burocracia de Bruxelas marginalizaram em conjunto o princípio democrático”(pg.9);
4ª.- “O globalizado lobby dos banqueiros empregou todos os meios para impedir toda a regulação”(p.g.10);
5ª.- “Sem crescimento, sem novos postos de trabalho, nenhum Estado pode sanear o seu orçamento” (ibidem),
6ª- “Quem acredita que a Europa pode, através de poupanças orçamentais, recompor-se faça o favor de estudar o resultado fatal da política de deflação de Heiinrich Bruning em 1930/32” (pg 11).

Naturalmente, há uma enorme diferença entre a estatura intelectual e dimensão política de Helmut Schmidt e os aprendizes de feiticeiros troikianos que andam por aí.

E isso é a nossa desgraça!

Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

 

O novo Hino Nacional

Sabe-se, agora, a razão dos ministros se fecharem durante 11 horas numa reunião, em mangas de camisa: adoptaram um novo hino nacional.

Passos Coelho, em coerência com o seu lema “falar verdade”, defende que a música de Alfredo Keil e a letra de Henrique Lopes não se harmonizam com as exigências da Troika.

E nas suas obrigações para com o País, delegaram no conjunto Maria Albertina um novo hino. Será desde já cantado no início das aulas e no fim das mesmas de todos as escolas públicas. E alargar-se-á, em breve, para que seja sustentável, a todas as cerimónias nacionais, civis e militares, como está no memorando.

Miguel Relvas sente-se orgulhoso, Paulo Rangel já criou a agência que patrioticamente o irá impulsionar e Carlos Amorim considera, desde já, que a letra faz todo o sentido.


Habituem-se!
http://www.youtube.com/watch?v=YF4OP0M3e_s&feature=related

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

 

Há gente no Governo e no seu cinturão protector que ensandeceu.

Miguel Relvas sente-se orgulhoso dos portugueses não encontrarem resposta para os seus problemas e, por via disso, terem de emigrar.

O Deputado Carlos Amorim garante que faz todo o sentido o Primeiro Ministro aconselhar os professores a emigrar.

Nós pensávamos que elegíamos um governo para que os cidadãos não procurassem na emigração a resposta para os seus problemas.

É que a emigração foi sempre o espelho da miséria, da pobreza e da incapacidade de encontrar resposta para as preocupações sentidas na própria Terra, na Terra onde se nasce, se tem a família e se criaram as raízes. Se este Governo pensa que o nosso destino é emigrar, não respeita as raízes da história de cada um de nós, demitiu-se de ser governo e, então, por que não dá já o exemplo?

É que, pela ordem das prioridades, nós já cá estávamos antes de o Governo existir e Carlos Amorim ser o cinturão protector das boutades do Primeiro-Ministro.

A lógia deste Governo parece ser: sempre que um membro do Governo diz um disparate, todos os outros membros têm de o repetir.

Ora digam-me, se isto não são “Ideias de crianças”!

http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/miguel-relvas-afirma-orgulho-nos_1929.html

Domingo, Dezembro 18, 2011

 

Invasão de Goa, Damão e Diu

Foi em 18/19 de 1961. Lembro-me bem! Seguia-se passo a passo, pela rádio, a invasão. A desinformação que havia não nos deixava perceber a abissal diferença de poder militar entre a Índia e os militares (sobretudo marinheiros) portugueses!!!... Salazar tinha determinado: resistir até morrer, mas só fazia sentido a rendição. Conheci amigos que estiveram presos num campo de concentração indiano. E, quando regressaram, foram humilhados durante muito tempo. A ditadura colocava o Império acima dos cidadãos.

Foi o princípio da queda do Império: um período negro e desumano!
http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=54MwHlRisMg

Sábado, Dezembro 17, 2011

 
Uma boa ideia! Não há democracia, quando os cidadãos não tomam conta do que aos cidadãos diz respeito. Muitos e muitos cidadãos querem saber por que chegamos a esta situação de crise, quem foram os culpados e que responsabilidades o Governo lhes pediu. É uma prepotência horrível, só compreendida em ditadura, que sejam os que não são responsáveis pela dívida pública, a serem eles a pagá-la não só com impostos intoleráveis, mas também com o desemprego e a perda direitos sociais que eram a marca da nossa civilização.

Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

 

Encontro de Natal

Amanhã participo num Almoço de Natal de antigos residentes do ex-lar da JUC, no Porto. É sempre uma ocasião para reviver um mundo, onde as amizades se cimentavam com a partilha de sonhos que se construíam por altas horas da noite.

Sonhávamos o impossível! Brilhava no nosso pensamento um mundo onde não morávamos e isso nos tornava felizes. Queríamos um mundo mais justo e só desejávamos ser dignos dessa ambição.

Amanhã plana entre nós a memória desses tempos e nessa memória se faz a história do lar.

Uma das personagens que passou pelo Lar foi o Prof. Levy Guerra. Embora não fôssemos seus contemporâneos e tivéssemos ideologias diferentes, admirávamos a sua envergadura intelectual e moral, bem como a coerência do seu percurso.

Deixo aqui a sua recente entrevista à RDP como homenagem a um passado a quem devo muito.
http://mp3.rtp.pt/mp3/wavrss/at2/1658467_102052-1111251059.mp3

 

E se "não pagar" significar um direito à resistência a uma exploração inaceitável?

Luís Montenegro, líder de pouca imaginação do PSD, continua a explorar a questão “não pagar a dívida”

Duvido que retirará muito proveito desse truque. Toda a gente sabe que os empréstimos provêm de bancos que recebem depósitos com juros de1,5% para, depois, emprestarem esse dinheiro com lucros astronómicos. E como já disse Freitas de Amaral pode-se suspeitar duma conivência dos líderes europeus com os mercados e os bancos que financiam os débitos soberanos, o que é uma exploração inaceitável.

Sendo assim, o direito á resistência pode significar “não pagamos”!
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=36427 

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

 

"Justiceiros" no poder

Todos devemos ter muito respeito pelo drama vivido por muita gente que teve de abandonar as ex-colónias, mas o espírito ressabiado de colonialistas deve ser repudiado. O lema "temos de empobrecer" é bem significativo: significa vais ter o castigo que tivemos. Só isso pode explicar ter a pobreza como meta de governação.

Peos curriculos,tudo indica que estamos a ser governados por quem veio ressabiado das ex-colónias, tem ainda no seu inconsciente um desejo de vingança em relação à esquerda que se aliou à descolonização, procurou um estatuto social nesses supermercados do ensino superior privado, é preconceituoso em relação ao serviço público, viu nas sociedades secretas uma escudo de protecção e entrou para a política com o espírito de olhar pela “vidinha”.


Sendo uns desenraizados, não espanta a forma como se sujeitam aos imperativos da Troika e o desprezo que nutrem pelos movimentos sociais, nomeadamente sindicatos. Mas a culpa não é só deles, mas de quem os escolheu.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2011

 

É muito chato ser pobre!

Já estamos mais pobres que os gregos e caminhamos por “passos” apressado para ficarmos ao nível da Nigéria, mas é muito chato ser pobre neste País! Tem contra si os próprios pobres.

Ouvi um debate sobre o subsídio de desemprego e reparei que até os que são tramados por este Governo conseguem milhentas razões para dizer que o Governo anda a dar subsídios a quem não quer trabalhar.

E, obcecados com as migalhas que escorrem do orçamento do Estado para os mais pobres, generalizam casos esporádicos, fazem confusão entre o subsídio social de desemprego e subsídio de desemprego, esquecem os balúrdios do BPN, das parcerias público-privadas, das administrações das empresas municipais falidas, do que leva a corrupção e têm longe da vista (ou talvez vejam como referência de vida) os duartes limas e quejandos que proliferam neste País.

Fico a pensar: será que este País poderia ter outra gente a governá-lo que não fosse Sócrates ou Passos Coelho?!...

Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

 

Faz toda a diferença

Desde sempre ( e basta ler a História Do Declínio e Queda do Império Romano - Edward Gibbon) que se percebe que governar não é fazer contabilidade financeira e construir cenários de ilusões, mas saber interpretara a vontade dos povos. Esta “arte” é diferente da arte de manipular vontades, arregimentar cidadãos, elaborar jogos de sedução; tudo o que se aprende nos partidos. Falta-nos, por isso, governantes que representem a vontade colectiva. Naturalmente, esta vontade pode ser mais esclarecida ou menos, conforme o grau de transparência da informação prestada aos cidadãos.

Vem tudo isto a propósito da posição na cimeira dos países da U.E. Não podemos avaliar a opção de David Cameron sem ter em conta o princípio que cimenta a coesão dos povos e evita o declínio dos Estados.

Temos governantes que não entendem isso: falta-lhes aprender com os erros do passado e perceber que todos os imperativos troquianos ou de cimeiras entre nações não são para receber ordens nem ditam dogmas inquestionáveis.

Davi Cameron é um académico. E isso faz toda a diferença! Por cá temos políticos de meia-tigela, formados em hipermercados de diplomas, ditos de esquerda ou de direita, mas que se comportam como “novos-ricos” que desprezam os interesses nacionais e a vontade dos cidadãos.
http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2011/12/12/maioria-dos-britanicos-aprova-veto-a-revisao-de-tratado-europeu

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