Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Autarquia sem Precários :: C.M.Sintra instrutores de natação e hidroginástica a falsos recibos verdes “despedidos”

A campanha Autarquia Sem Precários tem feito um percurso importante no mapa da precariedade por este país fora. Não esquecemos que logo no primeiro dia desta iniciativa nos chegou um importante testemunho relatando a existência de falsos recibos verdes, há vários anos, nas Piscinas Municipais de Ouressa, no concelho de Sintra. Estas piscinas são, recorde-se, geridas pela empresa municipal “EDUCA".

E mesmo que quiséssemos, não poderíamos esquecer. Infelizmente, segundo parece, esta história está a desenrolar-se segundo um triste enredo que, lamentavelmente, se vem tornando demasiado frequente neste país e também nas autarquias: recebemos agora novas informações que nos garantem que estes trabalhadores, depois de sujeitos durante tantos anos à injustiça da ilegalidade dos recibos verdes, estão a ser “despedidos”.

Este desfecho, a confirmar-se, é da maior gravidade. Perante a ilegalidade, uma empresa municipal, com as especiais responsabilidades a que não pode fugir, sob autoridade da Câmara Municipal de Sintra – e, em particular, do seu Presidente Fernando Seara –, renova um comportamento que se serve da ilegalidade para impor piores condições aos seus trabalhadores e, com toda a facilidade, lhes retirar um posto de trabalho a que deveriam ter direito.

Ficamos também a saber que, perante este cenário, a revolta é grande entre alunos, a quem foi garantido que estes profissionais continuariam a desempenhar as suas funções, que são reconhecidas por toda a gente que frequenta aquele equipamento. Sim, terá sido o próprio Presidente da “EDUCA”, António Canelas, que garantiu a estes profissionais, pressionado pelos alunos e depois de muita insistência dos próprios trabalhadores, em reunião durante o período de férias, que em Setembro estes trabalhadores regressariam às suas funções.

Recordamos que o Presidente da “EDUCA”, aquando da divulgação do primeiro testemunho, viu-se obrigado a prestar as seguintes declarações ao Rádio clube de Sintra: “não temos ninguém a falsos recibos verdes… o que acontece é que temos alguns prestadores de serviços, (…) cinco… ou seis… ou sete, (…) a quem convidamos para dar algumas aulas nas nossas instalações (…) abaixo daquilo que será um horário completo (…)”. Perante a evidência desta confusão entre trabalho a tempo parcial e prestação de serviços – com claro prejuízo para os direitos dos trabalhadores –, podemos, infelizmente, esperar tudo.


Já enviámos nova carta ao Sr. Presidente Fernando Seara, que é quem tem a responsabilidade de esclarecer esta situação, antes de qualquer outro. Lamentamos todos os silêncios deste responsável até ao momento, apesar da gravidade da situação aconselhar a uma clarificação. Não respondeu ao nosso apelo inicial, não esclareceu a primeira suspeita e continuou mudo quando os Precários Inflexíveis foram a Sintra exigir uma resposta. Esperamos agora que Fernando Seara não deixe por esclarecer o que de facto se está a passar nas Piscinas de Ouressa.

Se, depois de todas as insistências, continuarmos sem obter as respostas que toda a gente tem que conhecer, não teremos, perante a gravidade da situação, alternativa a classificar Sintra como “Autarquia Com Precários”.

Continuamos, nesta e em todas as autarquias do país a procurar histórias que retiram da obscuridade a precariedade e os compromissos políticos inadiáveis para terminar com esta triste realidade. Hoje, cerca de dois meses depois de termos arrancado com esta iniciativa, sabemos que está a valer a pena fazê-la e que estamos a contribuir para enfrentar a precariedade nas autarquias portuguesas.

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

"Claro voto à esquerda exige políticas e governação à esquerda"


Depois dos resultados eleitorais a CGTP pronunciou-se exigindo ao novo governo PS uma política à esquerda e apontando prioridades. Porque "de forma clara, os portugueses votaram maioritariamente à esquerda e esse voto tem de ser respeitado".

Por aqui, achamos que a perda da maioria absoluta do PS e o crescimento dos votos à esquerda são sinais de que estamos fartos e fartas das políticas de direita que têm promovido a precariedade no trabalho e na vida. Foram muitos os trabalhadores e trabalhadoras que nestas eleições decidiram "castigar" este governo. Certamente que muitos precários e precárias que são grande parte da força de trabalho deste país não se esqueceram do quão castigadas têm sido as suas vidas por um governo que anda de mãos dadas com a exploração.


A CGTP aponta 10 prioridades para um programa de governo:

1.º Evitar despedimentos e investir na criação de empregos estáveis.
2.º Garantir o direito constitucional de contratação colectiva.
3.º Valorizar o trabalho e os direitos dos trabalhadores.
4.º Combater a precariedade.
5.º Alargar o subsídio de desemprego para que mais desempregados possam ser abrangidos pela prestação.
6.º Promover o aumento real dos salários e das pensões, assim como do Salário Mínimo Nacional, de modo a alcançar 500 euros em 2011 e 600 euros em 2013
7.º Reforçar a solidariedade, promover a coesão social e combater as desigualdades.
8.º Reforçar os serviços públicos e de protecção social.
9.º Reorientar as políticas económicas.
10.º Tornar o sistema fiscal mais equitativo e combater o endividamento do país.


Suicídios na France Télécom - Até quando?


A vaga de suicídios na France Télécom está a tomar proporções assustadoras. Subiu ontem para 24 o número de trabalhadores da telefónica francesa a pôr termo à vida. Desta vez, foi um trabalhador de 51 anos, pai de dois filhos, que se atirou de um viaduto, tendo deixado uma carta que coloca sérias questões em relação às condições de trabalho na empresa. À semelhança dos casos anteriores, também este funcionário fora recentemente deslocado.Pela primeira vez desde que se iniciou a vaga de suicídios, há 18 meses, Didier Lombard, o presidente da FT, dirigiu-se pessoalmente ao local de trabalho do funcionário, desta feita a delegação de Annecy-le-Vieux em Haute Savoie onde, segundo os trabalhadores, as condições são desumanas.

(imagem daqui)



Segundo Patrice Diochet, do sindicato CFTC, citado pelo Diário de Notícias, aquela delegação é "conhecida há muito tempo por ser insuportável, havia uma verdadeira indiferença, nenhum calor humano, não se falava senão de números, os empregados eram carne para canhão".

Há apenas duas semanas, ao ser divulgado o 22º suicídio, do qual demos conta aqui, a France Telecom havia anunciado medidas urgentes, entre as quais a suspensão até 31 de Outubro das "mobilidades de pessoas afectadas pelos projectos de reorganização" para "reexaminar as condições para implementar essa medida". Ontem, Dider Lombard, que foi vaiado à chegada a Annecy-le-Vieux, voltou a anunciar as mesmas medidas assim como "a suspensão imediata dos objectivos individuais neste local até serem melhoradas as condições materiais" (!)


O presidente da mortífera France Télecom afirmou estar "profundamente comovido" com o acontecimento que toca "toda a família Telecom", referindo que a tragédia poderia ter sido evitada pois o trabalhador tinha consulta marcada para a medecina do trabalho no próprio dia. Tendo em conta que foi preciso morrerem mais dois trabalhadores até o bem-intencionado patrão da telefónica perceber que talvez fosse melhor implementar imediatamente aquilo que anunciara para um mês depois, a ver vamos se realmente as medidas são postas em prática, e ainda se foram pensados procedimentos retroactivos, já que são inúmeros os funcionários já atingidos por estas deslocalizações. Poderá o desespero dos trabalhadores esperar ou haverá mais baixas a lamentar nesta grande "família" - uma família bem disfuncional, diga-se -, que emprega, recorde-se, 100 mil funcionários?

Notícias aqui, aqui e também na edição online do Le Monde.

Autarquia sem Precários :: Cantoneiros com contratos a prazo em Ponte de Sor

A cada dia que passa, a campanha "Autarquia sem Precários" tem recebido novas informações. Já são 26 autarquias as que deram entrada no mapa e hoje adicionamos mais uma.


O testemunho que divulgamos agora chega-nos de Ponte de Sor e diz que existem cantoneiros a trabalhar para a Câmara Municipal de Ponte de Sor com contrato a termo, questionando-se sobre se o trabalho de limpeza pode ser considerado temporário.

Os Precários Inflexíveis sublinham essa questão e dirigem-na ao Sr. Presidente da C. M. de Ponte de Sor, João José de Carvalho Taveira Pinto, pedindo também um esclarecimento relativamente a esta situação. Aguardamos a sua resposta e ficaremos atentos a informações sobre Ponte de Sor.

Vamos actualizando todas as informações em

Lançamento do livro "2 anos a FERVEr" é hoje, em Coimbra

Depois dos lançamentos no Porto e em Braga, o livro "2 anos a FERVEr: retratos da luta, balanço da precariedade" chega a Coimbra, acompanhado por um debate.

Este evento, a decorrer no dia 1 de Outubro, às 21h00, no bar do Teatro Académico Gil Vicente, insere-se na programação do I Colóquio de Estudantes de Doutoramento do Centro de Estudos Socias (CES) da Universidade de Coimbra.
O debate terá a participação de:
- Cristina Andrade: co-fundadora do FERVE
- José Soeiro: sociólogo e doutorando do CES
- Hugo Dias: sociólogo e investigador do CES

Aqui fica um texto de apresentação do livro, da autoria do FERVE:

"Há cerca de dois anos, surgiu, no Porto, o FERVE - Fartas/os d'Estes Recibos Verdes.

Tínhamos como objectivo denunciar situações de uso abusivo de recibos verdes e promover um espaço de debate acerca desta realidade laboral. Designámos este fenómeno como 'falsos recibos verdes'; um fenómeno que atinge 900 mil pessoas em Portugal, ou seja, quase 1/5 das/os trabalhadores/as em Portugal.

Ao longo destes dois anos, temos colaborado na visibilização, denúncia e dinamização de diversas lutas, cuja persistência tem trazido para a praça pública a discussão sobre esta condição laboral.
Assinalamos dois anos de existência constatando que a expressão 'falsos recibos verdes' está ganha mas a sua existência persiste.

Assinalamos dois anos num momento em que a precariedade alastra no mercado laboral português. Assinalamos dois anos quando Portugal regista a mais alta taxa de desemprego dos últimos anos.

Optámos, assim, por assinalar estes dois anos de luta com a edição de um livro onde se cruzam testemunhos de vidas precárias, reflexões de activistas contra a precariedade, intervenções de investigadores/as, jornalistas e sindicalistas.

"2 anos a FERVEr: retratos da luta, balanço da precariedade" é o título deste livro de 130 páginas, editado pela Afrontamento, que conta com dez testemunhos de trabalhadores/as a recibos verdes, ilustrados por Catarina Falcão, Chico, Gémeo Luís, Isabel Lhano, João Alves, Luís Silva, Paulo Anciães Monteiro, Rui Vitorio dos Santos.

O livro "2 anos a FERVEr: retratos da luta, balanço da precariedade", conta também com as contribuições de:
- Carvalho da Silva: Secretário Geral da CGTP-IN
- Henrique Borges: Sindicato dos Professores do Norte e membro da CGTP
- Elísio Estanque: Sociólogo - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra
- Castro Caldas: Economista - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra
- Sofia Cruz: Socióloga - Faculdade de Letras, Universidade do Porto
- Ana Maria Duarte: Socióloga - Centro de Estudos Sociais, Universidade do Minho
- São José Almeida: jornalista do Público
- Sandra Monteiro: jornalista do Monde Diplomatique
- Alexandra Figueira: jornalista
- Regina Guimarães: escritora
- valter hugo mãe: escritor
- Tiago Gillot: Precários Inflexíveis
- José Soeiro: Sociólogo e activista do MayDay
- Luísa Moreira: activista do MayDay
- Luís Silva: activista do MayDay"

Campanha "Autarquia sem Precários" em contacto com trabalhadores de Odivelas

A campanha "Autarquia sem Precários" voltou à rua para contactar com os trabalhadores. Desta vez, os Precários Inflexíveis foram às instalações da Câmara Municipal de Odivelas, na Av. Amália Rodrigues.

Aguardamos informações sobre os tipos de vínculos que a C. M. de Odivelas tem com os seus trabalhadores e estaremos atentos a novidades.

Relembramos que a campanha foi lançada no final de Julho, momento em que foi feito um apelo a todos/as os/as presidentes de câmara do país para que se pronunciassem acerca da situação da sua autarquia relativamente ao recurso a trabalho precário e a sua posição face ao aumento da precariedade nas autarquias. Um novo apelo foi feito no dia 1 de Setembro e ainda não tivemos nenhuma resposta da Sra. Presidente da C. M. de Odivelas, Susana de Fátima Carvalho Amador, bem como de muitos outros autarcas.

Dirigimo-nos também a toda a sociedade civil, apelando a que nos informem das situações de precariedade nas autarquias que conheçam, para que possamos traçar, o mais completo possível, o mapa da precariedade nas Câmaras Municipais do país.

Vamos actualizando todas as informações em
http://www.autarquiasemprecarios.info/

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Opinião :: Van Zeller e Ministro do Trabalho, Vieira da Silva, "Amigos para Siempre"

Francisco Van Zeller, patrão dos patrões, reafirmou hoje que não abre mão das meninas dos seus olhos no governo reconduzido de José Sócrates. Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e Segurança Social e Teixeira dos Santos, Ministro da Economia e das Finanças são escolhas dos patrões.

Van Zeller não esquece os amigos, e se disse antes que o Código do Trabalho aprovado pelo governo Sócrates devia ir mais longe nos despedimentos ao mesmo tempo que garantia que "Vieira da Silva fez melhor do que um Governo de direita", agora, veio relembrar José Sócrates que em equipa que ganha não se mexe. Mais, sugeriu ainda que para avançar na precarização do trabalho, basta que o PS faça um acordo com o PSD em que este apenas tem de ficar quieto e calado que o próprio PS faz o trabalho sujo, à imagem da legislatura anterior, ou em alternativa, um acordo com o CDS, o partido do Código Bagão.


Precisamente nas principais pastas relativas ao mundo do trabalho e da economia, Van Zeller está sintonizado com Sócrates, Vieira da Silva e Teixeira dos Santos, exactamente em oposição ao mundo precário. A linha está portanto definida.

Mas cada vez mais, nós cá estaremos, cada vez mais cedo, cada vez com mais energia, a energia de quem está e de quem chega, cada vez mais na linha de combate pelos direitos de quem vive do seu trabalho.

Ver aqui e aqui

rUImAIA

Autarquia sem Precários :: Precários desempenham funções permanentes na C. M. de Sátão

A campanha "Autarquia sem Precários" continua a juntar informação sobre a relação das Câmaras Municipais com a precariedade. Desta vez, o testemunho veio de Sátão, distrito de Viseu.


Segundo o testemunho, existem várias pessoas, em diversos departamentos da Câmara Municipal de Sátão, a desempenhar funções permanentes com vínculos precários - contratos a termo e avenças.

Os Precários Inflexíveis já contactaram o Sr. Presidente da C. M. de Sátão, Dr. Alexandre Mendonça Vaz, a pedir esclarecimentos sobre esta ou outras situações de precariedade na sua autarquia e a apelar a que nos dê a sua posição face ao aumento da precariedade nas câmaras municipais. Aguardamos a sua resposta e estaremos atentos a novas informações.


Vamos actualizando todas as informações em

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Autarquia sem Precários :: Falsos recibos verdes nas piscinas de Valongo

Os Precários Inflexíveis receberam mais um testemunho no âmbito da campanha "Autarquia sem Precários" que chegou de Valongo.
Mais uma vez, o testemunho refere-se a vários professores de natação que se encontram a trabalhar a falsos recibos verdes, nas piscinas da Câmara Municipal de Valongo. O testemunho fala também de pessoas que foram "dispensadas", obviamente sem direito a subsídio de desmprego.

Ficamos à espera de uma resposta do Sr. Presidente da C. M. de Valongo, Fernando Horácio Moreira Pereira de Melo, no sentido de se esclarecer a siuação e perceber a sua posição relativamente à precariedade.


Vamos actualizando todas as novidades em

Bolseiros de Investigação protestaram frente à AR

Conforme tínhamos anunciado, os bolseiros de investigação concentraram-se ontem à tarde frente à Assembleia da República para protestarem contra a situação precária em que - também eles - se encontram. Sob o lema "Investir em Ciência é investir em quem a faz", os bolseiros apelaram mais uma vez aos partidos para que discutam as condições sob as quais o trabalho e a investigação científicos são produzidos em Portugal.



"A precariedade, a ausência de acesso à segurança social, a falta de perspectivas futuras de emprego científico e a não actualização das bolsas desde 2002, 'com uma perda de poder de compra de mais de 20%'" são as principais preocupações dos bolseiros. Preocupações partilhadas pelos Precários Inflexíveis que, desde a primeira hora, se têm associado à luta dos bolseiros. Porque juntos temos todos muito mais força.


Notícias aqui e aqui.