Mostrar mensagens com a etiqueta Israel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Israel. Mostrar todas as mensagens

01 Maio 2011

Intifada, intifada, intifada!


Ainda às voltas com circunstâncias de grande imprevisibilidade futura, dou de novo a palavra a Luís Dolhnikoff:

PREPARANDO A TERCEIRA INTIFADA

Por um momento, hesitei se deveria pôr a palavra intifada em itálico no título. Depois, decidi deixá-la em redondo. Porque a palavra, de certo modo, tornou-se internacional, e se é internacional, também faz parte do português. Além disso, todos sabem do que se trata: revolta popular palestina contra Israel.

Já houve duas, sem que as lideranças palestinas soubessem capitalizar sua força para fazer avançar, não apenas o processo de paz com Israel, mas seu próprio processo político interno, de que também depende, afinal, o primeiro. Agora, uma terceira intifada está a caminho. A previsão para por aqui. Não inclui, portanto, suas consequências.

A terceira e nascente intifada palestina não pode ser prevista por qualquer incipiente movimentação popular nos territórios, como a ocupação de alguma praça, ao estilo das atuais revoltas árabes. Há um intrigante silêncio popular nos territórios palestinos. A previsão de uma terceira intifada vem, portanto, de estranhos movimentos da cúpula política palestina. Pois tais movimentos não fazem nenhum sentido sem a sombra de uma nova intifada crescendo por trás deles.

Seu fato mais importante foi o anúncio-surpresa de um acordo político entre o Hamas, que governa Gaza, e o Fatah, que governa a Cisjordânia, recém anunciado no Cairo – cidade onde foi costurado em surdina. Mas acordo sobre o quê? E por que agora?

A primeira pergunta não tem resposta, porque se trata de um acordo sobre nada, no sentido de que nenhuma posição política nova o justifica. Não houve renovação nos velhos, ineptos e corruptos quadros do Fatah, nem alteração nas posições doutrinárias do Hamas, que segue se recusando a renunciar ao terrorismo, a aceitar os acordos já assinados com Israel e a reconhecer Israel. O acordo ora anunciado se resume, assim, à libertação dos respectivas presos políticos, à formação de um governo interino unificado e ao anúncio de futuras eleições gerais. Resta saber por que agora.

Simplesmente, porque ambos sabem que mesmo a paciência da população palestina, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, tem limites. E esses limites estão dia a dia sendo estreitados pelo exemplo das revoltas árabes na vizinhança contra os governos locais.

Outra consequência das atuais revoltas árabes é, portanto, a lição de que usar o espantalho do inimigo externo já não funciona. Não porque Israel não seja um inimigo externo verdadeiro, no caso palestino. Mas porque nem todas as mazelas palestinas vêm de fora.

Em Gaza, paradoxalmente, tudo piorou desde a saída dos colonos e do exército de Israel e a vitória eleitoral do Hamas sem que ele renunciasse ao terrorismo, do que adveio a rejeição internacional à sua eleição e o cerco a que Gaza está submetida desde então. Na Cisjordânia, a corrupção e a inépcia da Autoridade Palestina, liderada pelo Fatah, somam-se à presença das colônias e dos bloqueios israelenses para tornar a vida cotidiana perfeitamente insuportável. A revolta popular palestina, portanto, virá.

Preparando-se para ela, o Hamas quer aumentar sua credibilidade. Daí aproximar-se do Fatah. O Fatah, por sua vez, quer incrementar sua popularidade. Daí aproximar-se do Hamas. Ambos reagem, assim, aos rearranjos e incógnitas no mundo árabe, em um movimento preventivo e defensivo. Se o Fatah perdeu o apoio do Egito de Mubarak, o Hamas agora prevê perder o suporte da Síria de Assad.

Mas há algo ainda “melhor” do que o abraço oportunista em si. Juntos, e apenas juntos, os dois grupos podem pretender declarar unilateralmente a criação de um Estado palestino – ou seja, sem conseguir chegar a um acordo com Israel – e ter alguma chance de um reconhecimento internacional significativo. E é isso, na verdade, o que se prepara.

Não porque as lideranças palestinas vejam qualquer realismo nisso. Mas porque o que seu realismo lhes aponta é a inevitabilidade de uma revolta palestina no curto prazo. Sua dúvida, então, é saber se ela será uma terceira intifada, ou seja, outra revolta contra Israel, ou algo novo, seguindo diretamente as atuais revoltas árabes: uma revolta popular palestina contra as ineptas, corruptas e inúteis lideranças palestinas.

Por isso o próximo movimento dos dois grupos recém “unificados” deverá ser o anúncio unilateral da “criação” de um Estado palestino. Porque isso será frustrado e frustrante. Ou será frustrado por um insuficiente apoio internacional, ou será frustrante por causa do suficiente apoio internacional, impotente, porém, para se impor no terreno. Em qualquer caso, a revolta palestina será então dirigida para e contra Israel.

Israel, por seu lado, não terá alternativa senão recusar qualquer nova negociação, pois necessariamente o “novo Estado” será anunciado tendo por fronteiras aquelas de 1967. Uma demanda histórica e ideológica palestina, mas, mais uma vez, não realista geopoliticamente, em função da impossibilidade de remoção das maiores colônias judaicas hoje na Cisjordânia, com centenas de milhares de habitantes. Quem faria tal remoção? O exército de Israel? Talvez os terroristas do Hamas? Ou será que os colonos sairão por conta própria? Mas se a proposta não é realista, não é verdadeira, ou seja: apesar dos idiotas úteis que a repetem ao redor do mundo, as lideranças palestinas sabem de sua impossibilidade, e apenas insistirão nela, então, porque não se trata do que parece.

Tanto a súbita “união” dos dois principais grupos palestinos como a provável declaração próxima da “independência” palestina não visa a resolver politicamente os problemas palestinos, mas a resolver politicamente os problemas das lideranças palestinas. Outra única previsão possível, ou provável, é então o aumento do derramamento – inútil – de sangue.

22 Abril 2011

Quarto e último post de hoje

Juliano Mer-Khamis
(Nazaré, 29 de maio de 1958 - Jenin, 4 de abril de 2011)


Luís Dolhnikoff enviou-me, anteontem, este outro óptimo texto, entretanto já publicado na revista on-line Sibila:


JUDEU, CRISTÃO, ISRAELENSE, PALESTINO – E MORTO

1.

Escrevo este artigo em homenagem a um homem incomumente corajoso, a ponto de ter pago com a própria vida por sê-lo. Apesar de avisado. Mas escrevo-o, também, em nome de certos fatos que afloram de suas últimas declarações, em um lugar e sobre um tema em que prevalecem os mitos, as mentiras, os preconceitos e as ideologias. Seu nome era Juliano Mer-Khamis, morto com vários tiros dados por covardes mascarados há uma semana em Jenin, na Cisjordânia. O tema e o lugar são, obviamente, a Cisjordânia e o conflito com Israel.

Mas o óbvio pára aí. Pois Juliano Mer-Khamis (ator, cineasta, ativista e diretor de teatro no campo de refugiados de Jenin) tinha uma particularidade biográfica que o torna um ser quase impossível, uma quimera. De fato, impossível e quimérico, o que não é uma redundância. Pois quimera, além de haver adquirido o sentido de uma impossibilidade, também significa um animal híbrido. E Juliano Mer-Khamis era judeu e cristão, israelense e palestino, filho de uma judia israelense e de um palestino cristão.

Sua morte na principal cidade da Cisjordânia, por outro lado, nada tem de surpreendente, pois houve, como dito, ameaças e avisos. Ele tampouco ignorava os motivos, explicitados em declarações recentes. Além disso, Mer-Khamis também deixa claro por quem seria morto: militantes palestinos. A questão que resta é: militantes do quê?

Sua identidade dupla lhe ajuda a entender melhor os dois lados?

Minha mãe era judia, meu pai palestino cristão. Pela tradição judaica, sou judeu. Pela tradição cristã, sou cristão. Na prática é o contrário: para os palestinos, sou judeu. Para os israelenses, sou árabe. Ao mesmo tempo, não me sinto parte de nenhum dos lados, e acho isso maravilhoso. Quem quer pertencer a essas duas nações? Prefiro ser o outro. Não estou em Jenin porque morro de amores pelos palestinos. Estou aqui para lutar contra a injustiça. Não sou bem-vindo em Jenin. As pessoas não gostam muito de mim aqui. Primeiro, porque me veem como um judeu. Mas o que mais incomoda é que eu critico a vida que eles levam.


O seu teatro não é uma forma de resistência contra a ocupação israelense?

O teatro não pode resistir a Israel. Isso é uma romantização. O teatro não tem como resistir a um Exército. O que o teatro pode fazer é resistir à opressão, à discriminação, ao racismo, à opressão sexual. Eu vim a Jenin para lutar contra a ocupação, mas logo percebi que isso é besteira. O teatro luta por valores humanos. A ironia amarga é que meu trabalho serve para libertar mulheres que são oprimidas por homens oprimidos por Israel. É por isso que muita gente aqui gostaria de se ver livre de mim.


Por quê?

A Palestina hoje não é um lugar nada amigável. É religioso, conservador, arruinado, corrupto, chauvinista e extremamente racista. Há 15 anos eu achava que havia um espírito de resistência entre os palestinos, um senso de liberdade, de justiça. Hoje isso acabou (Marcelo Ninio, "Muita gente aqui quer se livrar de mim", Folha de S. Paulo, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1904201110.htm).

Antes de responder à pergunta que importa, três observações.

1) Apesar da clareza de Mer-Khamis, o repórter, comprometendo a análise de suas próprias informações em nome de qualquer falso equilíbrio, insinua na introdução da entrevista que ele pode ter sido morto por Israel: “Sua morte foi obra de mascarados não identificados, supostamente insatisfeitos com suas críticas duras e frequentes às lideranças dos dois lados”. O que é afinal ridículo: ninguém morre por críticas aos “dois lados”. Mer-Khamis foi morto por um motivo, por um grupo, por um lado. E ele mesmo aponta os militantes palestinos.

2) Mer-Khamis foi, durante boa parte de sua vida, radicalmente pró-palestino. Mas não apenas a favor do movimento palestino e contra a ocupação de Israel dos territórios de Gaza e Cisjordânia. Provavelmente, a maior parte das pessoas sensatas, e cada vez mais boa parte das insensatas, é contra a ocupação dos territórios palestinos. Mer-Khamis, porém, fez parte de um grupo ainda minoritário, mas crescente, que além de defender a “resistência” palestina, demoniza radicalmente Israel. Considerando, entre outras coisas, que a demonização radical, nos sentidos conotativo e também denotativo, de ir à raiz, do estado de Israel de alguma forma serve àqueles, hoje liderados pelo Irã, que sonham com sua destruição, não o acompanho nesse passo. No limite, se fosse possível demonstrar que a direita israelense está certa, e que a ocupação é necessária, não para a mera segurança, mas para a sobrevivência de Israel, eu afirmaria sem pudor que a opressão de alguns é um preço defensável para a não supressão de outros. Mas, em primeiro lugar, é impossível demonstrar essa hipótese. Em segundo lugar, não acredito nela, por vários motivos, entre os quais a evidência empírica de que a ocupação cobra um preço político no longo prazo insustentável para o próprio estado de Israel. Em suma, não creio no que diz a direita israelense, que a ocupação é necessária à segurança de Israel, assim como não creio no que diz a esquerda internacional, incluindo Mer-Khamis durante muitos anos, que Israel e o movimento nacionalista judaico que lhe deu origem como ideia no final do século XIX (conhecido como sionismo) sejam demonizáveis.

3) Escrevi “resistência” palestina entre aspas porque a resistência palestina não é meramente, ou seja, integralmente, um movimento de resistência. Na verdade, ela só se tornou resistência porque fracassou em ser agressão. Fechando o círculo, isso nos leva de volta à questão: os militantes palestinos, entre os quais os que mataram Mer-Khamis, militam pelo quê?

A resposta óbvia é a causa palestina. Óbvia, porém falsa. Mer-Khamis: “Estou aqui [na Cisjordânia] para lutar contra a injustiça”. E no entanto, para ele próprio a causa palestina havia morrido: “Há 15 anos eu achava que havia um espírito de resistência entre os palestinos, um senso de liberdade, de justiça. Hoje isso acabou”. Mas por que acabou? E o mais importante: por que nunca venceu?

O motivo de o movimento palestino haver morrido é debitado na conta de Israel, e mais particularmente, da ocupação dos territórios. Mas fazê-lo apenas reitera o verdadeiro motivo de esse movimento haver fracassado. Qual é, afinal, a causa palestina?

2.

Não há uma resposta. E não porque não haja qualquer resposta, mas porque há várias. Isso significa, em primeiro lugar, que a resposta não é dada, não é óbvia. Ou seja, a causa palestina não é a criação de um Estado palestino baseado na “autodeterminação” dos povos e no direito internacional. Fosse isso, o Estado palestino teria sido criado entre 1948 e 1967.

Porque Israel invadiu a Cisjordânia e Gaza em 1967, e apenas em 1967. Logo, Israel não invadiu Gaza e a Cisjordânia antes de 1967. Ao mesmo tempo (literalmente), nesse período Israel foi fundado e efetivamente criado, a ponto de ser uma potência militar em 1967. Por que, então, nesse mesmo período não foi criado, nos territórios palestinos, o Estado palestino?

A resposta é tão simples quanto verdadeira: porque os palestinos não quiseram. E não quiseram porque seu objetivo político primeiro e principal não era criar um Estado palestino, mas destruir o estado de Israel. E apenas depois criar seu Estado, em toda a antiga Palestina Britânica.

Nada disso é uma opinião, mas são fatos. Pois os fatos existem, apesar de tudo. Por exemplo: a OLP, Organização para a Libertação da Palestina, foi criada em 1964. Porém em 1964 Gaza e Cisjordânia não estavam ocupadas por Israel. Na verdade, não havia ali nenhum cidadão ou soldado israelense. Mas se a Cisjordânia e Gaza não estavam ocupadas em 1964, ou a OLP foi criada baseada no uso de alguma bola de cristal, prevendo uma invasão israelense que só aconteceria três anos no futuro, ou não foi criada para libertar a Cisjordânia e Gaza. Obviamente, a OLP não foi criada para libertar Gaza ou a Cisjordânia. Mas foi criada, então, para libertar o quê? Israel.

Além das datas, tais fatos podem ser confirmados por sua explicitação nos estatutos originais da OLP. Cujo nome, portanto, é propaganda enganosa. Não se tratava de uma organização para “libertar” a Palestina, mas sim para destruir Israel. Em vez de OLP, ODI (Organização para a Destruição de Israel).

Em 1948, a ONU votou a divisão da ex-colônia britânica da Palestina em dois novos Estados, “um judeu e um árabe”. As lideranças da comunidade judaica da Palestina Britânica aceitaram a divisão, as lideranças árabes a recusaram. Tinham todo o direito de fazê-lo, de um ponto de vista político. Mas ao optar por esse cainho, tinham também a obrigação, igualmente política, de ao menos prevenir seu povo sobre a decisão de arriscar seu futuro geopolítico – e prepará-lo para o pior. Pois se a aceitação da partilha teria implicado na criação de um Estado palestino imediatamente, no mesmo ano de 1948, a recusa implicava em tentar impor essa decisão à comunidade judaica da Palestina Britânica – ou seja, lutar contra ela e vencê-la. Foi, de fato, o que os árabes fizeram.

Portanto, em vez de declarar a criação de seu Estado no mesmo dia da declaração da fundação de Israel, e ao lado dele, declararam guerra a Israel e tentaram invadir as partes do território destinadas pela ONU ao Estado judeu (a ação militar foi obra da Legião Árabe, que contava com o apoio de todos os países árabes, tanto em homens quanto em armas). Seria sua primeira derrota militar. A partir daí, o movimento palestino consolidou um objetivo estratégico: reverter a derrota de 1948, destruir Israel e construir a Grande Palestina.

Eis o motivo de a OLP ter sido criada em 1964. Pois além de ter sido criada nessa data, foi criada no Cairo (e não em Gaza ou na Cisjordânia, então, repita-se, não ocupadas por Israel). Porque a razão imediata de sua criação foi acoplar o movimento palestino à política do ditador egípcio, Gamal Nasser, patrocinador da criação da OLP.

Nasser estava então dedicado à montagem de um grande exército, armado e treinado pela URSS, com o objetivo específico de invadir e destruir Israel, o que o tornaria (além de um novo genocida do povo judeu) um novo Saladino (o vencedor dos cruzados), o grande herói do pan-arabismo. Os preparativos militares de Nasser seriam concluídos no início de 1967, levando-o a um movimento tão arriscado quanto estúpido, porque ameaçador mas não decisivo: ele remilitarizou o deserto do Sinai, expulsando os observadores da ONU ali postados desde 1956, e levou suas tropas até a fronteira com Israel; além disso, bloqueou o porto de Eilat, cidade no extremo sul de Israel e sua saída para o Mar Vermelho. Acontece que o bloqueio militar de um porto é um ato de guerra. A reação de Israel ficaria conhecida como a Guerra dos Seis Dias, tempo necessário para o Egito e em seguida a Jordânia e a Síria (que atacaram Israel pelo oeste e pelo norte seguindo um apelo egípcio) serem derrotados.

A derrota árabe na guerra de 1967 foi também a derrota histórica da OLP em seu nascedouro. E que derrota: pois em vez de “libertar” a “Palestina”, três anos depois de fundada, viu Gaza e a Cisjordânia serem ocupadas por Israel.

3.

No último meio século, desde o fim dos impérios europeus após a Segunda Guerra, praticamente todas as causas nacionais foram vitoriosas, das maiores às menores. A maior foi, sem dúvida, a Índia, que derrotou o colonialismo inglês sob a liderança de Gandhi, e a menor o Timor Leste, que se livrou em 2000 de um quarto de século de invasão e ocupação (brutais) pela Indonésia. No meio, fica a África do Sul do apartheid, afinal derrotado sob a liderança de Nelson Mandela. Houve ainda, entre inúmeros outros, o Vietnã, a Nicarágua de Somoza, libertada pelos sandinistas de uma ditadura criada e apoiada pelos EUA, a revolução iraniana, que se livrou do xá, e a luta dos talebans, que expulsou a URSS do Afeganistão. Não faço, aqui, julgamentos de valor, pois não sou simpático nem aos sandinistas, nem à retrovolução teocrática iraniana nem aos talebans. Apenas aponto um fenômeno histórico, de vitórias em série das forças políticas internas ou nacionais, num arco histórico de mais de meio século e num arco geográfico que abarca todo o planeta, e que recentemente incluiu o Kosovo em relação à Sérvia e o sul do Sudão em relação ao norte: ou seja, movimentos políticos nacionais que conseguiram inclusive a proeza de dividir países já estabelecidos. Em tal contexto histórico, os palestinos são uma exceção: os grandes derrotados da história mundial recente. Deve haver um bom motivo.

A explicação não é simplesmente o “poder judaico”, expresso pela força do sionismo e da comunidade judaica, afirmações que mal escondem seu antissemitismo, ou sua forma mais racional, a ocupação israelense. O Vietnã derrotou os EUA, o Afeganistão expulsou a URSS. Não é a força do inimigo que explica a derrota histórica palestina, mas a sua própria fraqueza.

Mesmo aceitando o argumento maniqueísta que reduz o sionismo a um erro ou um crime, o que ele não é (pois sionismo é fundamentalmente o nome da causa nacional judaica, nascida no fim do século XIX no contexto da emergência do nacionalismo como conceito geopolítico central da época), nada pode ser pior do que o apartheid. E ainda que se aceite que a ocupação israelense é um novo apartheid, o que ela não é (porque não há semelhanças verdadeiras em dois processos históricos e políticos totalmente distintos – a comparação é apenas um slogan bom demais para ser dispensado), o apartheid original foi derrotado. Por que, afinal, os palestinos são incapazes de vencer? E por que, diferentemente, os negros sul-africanos, como tantos outros, venceram?

Uma parte importante da resposta, ou ao menos uma parte grandemente reveladora, está nas diferentes qualidades das respectivas lideranças históricas. Nelson Mandela tornou-se Nelson Mandela não por sobreviver a 23 anos de prisão, mas porque aceitou ser libertado depois desse período para usar todo seu capital político acumulado a fim de mudar o discurso e os objetivos históricos do CNA, o Congresso Nacional Africano, principal grupo da resistência sul-africana. Não haveria revanche contra os brancos, expulsão dos brancos, expropriação de suas propriedades ou mesmo julgamento político. Mandela tornou-se Mandela ao transcender a política para se tornar estadista, decretando que a vitória dos negros não seria a derrota dos brancos, o que significaria a guerra civil e a destruição do país. Não há e nunca houve um Mandela palestino – pois seu lugar foi ocupado por um homem muito menor, um oportunista político e afinal um covarde, Yasser Arafat, que no final de 2000 declarou temer ser morto caso assinasse os acordos de Camp David, o mais perto que se chegou de uma solução definitiva para o conflito israelense-palestino. Acontece que os Acordos de Camp David significavam que os palestinos teriam de trocar o discurso pelos fatos, e os mitos pela história. Não haveria vitória da “justiça”, os “refugiados” (a maioria, na verdade, já nascida no exílio) não “retornariam” em massa para a “Palestina”, ou seja, para Israel, etc. Em suma, os brancos não seriam derrotados para os negros serem vitoriosos. Israel não seria destruído para a causa palestina ser vitoriosa. E se Israel não seria destruído, os “refugiados” não retornariam (o que significaria a destruição demográfica de Israel) etc. Fim do apartheid, sim, mas com o fim concomitante de qualquer possibilidade de revanche contra os brancos sul-africanos. Ou seja: fim também do “apartheid” reverso dos radicais do movimento negro, que pretendiam, no limite, expulsar todos os brancos sul-africanos, esses europeus colonialistas, exploradores racistas, não-nativos etc. Os negros sul-africanos, na prática, tiveram de “engolir” os brancos, ou seja, sua presença no país. O mesmo tem de acontecer no movimento palestino.

Os ingênuos, os mal-informados ou os mal-intencionados afirmam que isso já foi feito, pois a OLP, hoje Autoridade Palestina, reconhece desde 1993 (Acordos de Oslo) o direito de existência de Israel, e pleiteia a criação de um Estado palestino “nas fronteiras anteriores a 1967”. O que prova ser tal reconhecimento, em termos políticos reais (e não de discurso), fals

4.

Insistir nas fronteiras de 1967 é uma tentativa vã e ideológica, e vã porque ideológica, de tentar reverter ao menos parcialmente a derrota histórica do movimento palestino, girando para trás o relógio da história, senão para 1948, para o meio do caminho. Mas o mundo não parou desde 1967. Além disso, tentativas subsequentes de destruir Israel por meios militares, com apoio político palestino, como a invasão pelo Egito e pela Síria em 1973 (Guerra do Yom Kippur), adiaram ainda mais uma solução. Quando a OLP afinal mudou seu discurso histórico em 1993, trocando o objetivo de destruir Israel pelo da construção de um Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia, o tempo e a história cobraram seu preço. Porque foi muito tarde. E porque foi muito pouco.

Muito tarde, porque a ocupação militar israelense já havia se tornado ocupação colonial, com a construção de colônias. E muito pouco, porque o movimento palestino, presa política de seu próprio discurso histórico, ainda insistiria em outras causas perdidas – além do retorno às fronteiras de 1967, a volta dos “refugiados” de 1948.

Porém as fronteiras de 1967 não ressurgirão no mapa mundi. Porque não é real ou realista que Israel, uma democracia com um exército de caráter miliciano, em que todos os cidadãos são soldados, possa ou vá lançar seu exército numa guerra civil deliberada, que é o que aconteceria caso decidisse desalojar as centenas de milhares de colonos hoje estabelecidos na Cisjordânia. A opção realista já foi dada por Israel: trocar terras (mais exatamente, do norte de Israel, na região da Galileia, pelas áreas equivalentes da Cisjordânia que ficariam com Israel). E os milhões de “refugiados” palestinos de 1948 (a maioria, na verdade, nascida nos países de exílio) jamais “retornarão” a Israel. Mas isso contraria o discurso e a crença dos “direitos sagrados” do povo palestino.

Ainda mais importante, esse longo período histórico, a partir de 1948, criou uma ideologia palestina anti-israelense, um verdadeira visão de mundo, popular e popularizada, que não iria e não poderia desaparecer certa manhã, depois de a OLP decidir assinar em Oslo um acordo reconhecendo o direito de Israel de existir. De repente, meio século de crença e de discurso não valiam mais. Mas não é assim que as coisas funcionam. Ou melhor, essas coisas só têm chance de funcionar se avalisadas por um gigante como Mandela, cujo gigantismo político tem força para impor tal reversão de curso e de expectativas. À falta dele, o resultado necessário é a emergência de um grupo que mantenha o antigo curso e o velho discurso. Neste caso, ele se chama Hamas.

Daí a “falsidade” do reconhecimento pela OLP, ou pela AP. Pois sendo pouco e sendo tardo, na prática (que é o que importa) implicou na emergência de um grupo baseado na manutenção do recém (e mal) abandonado discurso histórico, a destruição de Israel antes da construção do Estado palestino. E porque sendo tardo e sendo pouco, na verdade não foi um reconhecimento real, integral, “mandeliano”, mas sim presa de ambiguidades – como a insistência na volta dos “refugiados” e das fronteiras de 1967.

A Palestina hoje não é um lugar nada amigável. É religioso, conservador, arruinado, corrupto, chauvinista e extremamente racista. Há 15 anos eu achava que havia um espírito de resistência entre os palestinos, um senso de liberdade, de justiça. Hoje isso acabou.

A “Palestina”, neste caso, a Cisjordânia, e nela o movimento palestino, se encontra no estado assim descrito por Juliano Mer-Khamis – assassinado em parte por seu meio judeu, e em parte por dizer tais palavras por inteiro –, não tanto ou não apenas pelos atos de Israel, mas também pelos erros palestinos. Nenhum, entre os incontáveis movimentos de libertação que venceram ao redor do mundo contra forças superiores no último meio século, pediu licença para vencer, ou para ter um adversário mais fraco. Todos venceram os adversários que se apresentaram, não porque esses adversários fossem fracos, mas porque tais movimentos souberam se tornar fortes.

Alguns militarmente, a maioria politicamente. A “causa” palestina, com suas ambiguidades históricas, jamais foi uma causa única, clara, definida, ou seja, a construção desde sempre de um Estado nacional palestino, pois nasceu, cresceu e viveu impregnada, intoxicada, marcada e cindida por outro objetivo, na verdade o primeiro, o mais antigo e o mais historicamente duradouro, o de destruir Israel. Não se trata de um bom objetivo, ao menos para pessoas de bom senso, e por isso jamais foi forte politicamente perante a opinião pública mundial, como a luta contra o apartheid sul-africano. Ao ser abandonado de forma abrupta, inconsistente e inconvincente por uma OLP política e historicamente derrotada em 1993, tal objetivo não desapareceu num passe de mágica, mas continuou presente em muitas mentes e corações palestinos – para não falar de grupos como o Hamas.

Nunca houve uma “causa” palestina, no singular, porque ela foi, a maior parte do tempo, dupla e dúplice: de um lado, a causa defensável de construir um Estado palestino; de outro, a causa indefensável de destruir Israel. Tal duplicidade e tal ambiguidade jamais foi de fato abandonada. Nem em um recorte horizontal, pois o espectro político palestino ainda conta com grupos pró-destruição de Israel, do qual o Hamas é apenas o mais poderoso e notório, nem em um recorte vertical, pois muitos, não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia, onde Mer-Khanis foi morto, “aceitam” a solução de dois Estados por falta de opção, quando na verdade prefeririam, inconfessadamente, “jogar os judeus no mar”. Um deles, apesar de sê-lo apenas pela metade, acaba de ser lançado aos tubarões.

10 Abril 2011

Por aqui se vê a gentalha que eles são!


Até os putos deles morrem de propósito, só para terem um pretexto para depois nos atacarem!

02 Março 2011

Uma tarde de sábado bem passada


Subitamente, a ONU descobre que, na Líbia, não se respeita os Direitos Humanos.
Convoca, num alvoroço acentuado pelo horror prodigamente espalhado no oficial semblante, uma Assembleia Extraordinária para demitir o país - presidido por essa mistura improvável de Michael Jackson com Augusto Pinochet conhecida por Kadhafi - do Conselho dos Direitos Humanos. Para o qual foi nomeado, como se sabe, na honrosa companhia de outros dignos colossos da especialidade, como Cuba e o Irão. Os quais, como também é sabido, se mantêm por mérito próprio nas funções que lhe foram atribuídas de zelarem pela limpeza do mundo, dada eficácia demonstrada dentro das suas próprias fronteiras. E que, como seria de esperar, se afadigam em inúmeras e veementes condenações ao arqui-inimigo da Humanidade, Israel; além de, evidentemente, haverem já condenado Israel e terem em vista, num futuro próximo, virem a condenar também Israel.
Claro que, como seria de prever, a Venezuela - à qual Hugo Chavez, a quem nem Juan Carlos fez calar, ensinou a falar - não se cala. E que Alice mergulha ainda um pouco mais profundamente no sono.

14 Outubro 2010

As teias da estratégia

No Diário Digital

Presidente do Irão visitou fronteira com Israel

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, esteve esta quinta-feira face ao seu arqui-inimigo Israel, dizendo a milhares de apoiantes do Hezbollah, numa cidade fronteiriça libanesa, que estava orgulhoso da sua luta, enquanto helicópteros israelitas voavam nas imediações.

Os EUA e Israel consideraram a visita de Ahmadinejad à fronteira israelo-libanesa uma provocação que mina a soberania libanesa.

O Irão, cujos laços com o Hezbollah têm cerca de 30 anos, financia o grupo xiita em milhões de dólares por ano e é suspeito de fornecer muito do seu arsenal do movimento radical.

O Hezbollah goza de um apoio generalizado entre os xiitas e gere virtualmente um Estado-dentro-do-Estado nas áreas xiitas do Líbano.

"Vocês provaram que a vossa resistência, a vossa paciência, a vossa firmeza, eram maiores do que todos os carros de combate e aviões do inimigo", disse Ahmadinejad num comício em Bint Jbeil, situada a cerca de quatro quilómetros da fronteira.

"O povo do Irão permanecerá ao vosso lado, bem como todo o povo da região", acrescentou.

A cidade de Bint Jbeil tem um significado especial no Líbano, tanto por ter sido uma das áreas mais atingidas na guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, como por o Irão ter financiado significativamente a sua reconstrução, como ainda por ter sido nela que o líder do Hezbollah fez um discurso de vitória, depois da retirada israelita do sul do Líbano, em 2000, ao fim de duas décadas.

No seu discurso em Bint Jbeil, o líder dos xiitas disse que Israel era "mais fraco do que uma teia de aranha" -- uma frase que ainda hoje adorna uma parede do estádio, a par de fotografias de soldados israelitas a chorar.

Bint Jbeil é considerada "a capital da resistência", porque foi um centro da acção da guerrilha do Hezbollah contra Israel durante a ocupação.

O líder iraniano também visitou a cidade de Qana, onde um ataque aéreo israelita, em 2006, matou dezenas de habitantes, depois de já em 1996 ter aí morto 100 civis libaneses.

A visita de Ahmadinejad sublinha o enfraquecimento das posições pró-ocidentais no Líbano.

De forma mais geral, sugere mesmo que a concorrência pela influência sobre o Líbano pode estar a ser ganha pelo Irão persa, e o seu aliado Síria, e perdida pelos EUA e os seus aliados árabes Egipto e Arábia Saudita.

A coligação governamental de partidos apoiados pelo Ocidente já avisou que Ahmadinejad quer transformar o Líbano numa "base iraniana no Mediterrâneo".

O porta-voz do governo israelita, Mark Regev, afirmou que "a dominação iraniana do Líbano, através do Hezbollah, destruiu qualquer hipótese de paz, transformou o Líbano num satélite iraniano e fez do Líbano um centro importante para o terror e a instabilidade regional".

05 Janeiro 2009

O "mundo" (desabafo)


"A ofensiva terrestre de Israel na Faixa de Gaza provocou, este domingo, reacções de preocupação e apelos ao cessar-fogo oriundos de todo o mundo, a par de manifestações populares em vários países", dizia a TSF e reproduzia o SAPO instantes atrás.
O "mundo" terá estado a dormir desde 19 de Dezembro até agora?! É que o Hamas começou a bombardear Israel desde essa data, recusando o prolongamento do cessar-fogo e pelo menos 70 rockets (foi o que os órgãos de comunicação disseram, na altura) foram atirados sobre israelitas (civis), antes deles perderem a paciência. Nessa altura, porém, o "mundo" nem se preocupou nem se manifestou...! Mas preocupa-se agora, raramente referindo que o Hamas, movimento golpista que oprime outros palestinianos, se escuda com estes, fundindo instalações militares e civis de tal maneira que é impossível a qualquer exército proceder a uma operação sem fazer um grande número de vítimas entre a população!
O Hamas desce abaixo do que desceram os nazis e os seus dirigentes deveriam ser julgados por crimes contra a humanidade. Está na hora do sr. Garzón provar que não é zarolho y que los tiene en su sitio. Ou sê-lo-á, de facto? A pergunta é retórica (alguém tem dúvidas)?
Para a extrema-direita e para o Islão matarruano (porque há outro Islão!), se os "judeus" não ripostam, prova-se a teoria de que são uma "raça" decadente, degenerescente, que contamina quem com eles fornique, coabite ou conviva e cujas características maiores são a cobardia e a hipocrisia; ; se ripostam, é porque não passam de um bando de malfeitores e assassinos que há que eliminar. Para a esquerda continuam a ser isso tudo, coisa que o capitalismo também é, enquanto invenção judaica. Quanto a Marx não era judeu, apenas internacionalista.
Mas que raio de "mundo" este! E não só o da TSF...

22 Outubro 2008

Recomendo a leitura...


... deste post no Fiel Inimigo, bem como os recomendados pelo RoD no comentário ao meu post anterior, em As Minhas Leituras (link já disponível aí ao lado).
(Aviso: este produto pode provocar sessões incómodas de espirros aos espíritos mais sensíveis)

17 Julho 2008

Oh! gente do c...!


Souberam do que aconteceu?! Os israelitas trocaram cinco palestinianos que cumpriam pena por terrorismo (um deles até matou uma família inteira com as suas próprias mãos, esmagando o crânio de uma criança...!) por dois soldados dos deles, que tinham sido feitos prisioneiros no Líbano e que ninguém sabia se estavam vivos ou mortos - e afinal, ao que parece, estavam mesmo mortos, que lhes foram entregues dois caixões!
Filhos da p... dos judeus! Aquilo está-lhes na massa do sangue! Têm cá um jeito para o negócio...!

16 Maio 2008

Escrito à pressa, mas com sintimento

Chirico, O Arqueólogo
Os 60 anos da refundação do Estado de Israel foram comemorados há poucos dias.
Em Israel organiza-se Love Parades (blheeerrrggh!) e são permitidos casamentos homossexuais.
Ao lado, num dos países mais permissivos do Médio Oriente, o Egipto, o guarda-redes da selecção nacional de futebol está em risco de ir a tribunal, acusado de libertinagem por fazer publicidade a uma marca de vinho na sua camisola.
A esquerda-das-orelhas-de-burro reflecte ideologicamente o que critica à direita e prefere apoiar o status quo socio-teológico mais reaccionário e isolacionista do planeta, tanto mais reaccionário quanto agressivamente rancoroso. Em nome do internacionalismo e da defesa dos povos oprimidos.
A "Europa" curva-se ao peso dos tiranetes matarruanos e esclavagistas, novos-velhos-ricos subitamente enriquecidos pelo petróleo de que ela depende. E ressuscita discretamente, em anedotas murmuradas pelos cantos da boca e dos corredores, os velhos estereotipos justificativos do injustificável, para de novo justificar a sua má-consciência. Ao mesmo tempo, deixando aos Estados-Unidos a tarefa do óbvio, apresenta-se na sua propaganda, perdão!, comunicação social como "progressista e humanista"... de esquerda - aquela que já não há (se é que alguma vez a houve). E isto para aliviar um segundo lado da sua outra má-consciência ressentida: a de o que "Herói Salvador", que libertou a sua cultura (e não foi esta, no seu melhor, determinada pela cultura judaica?!) da distorção aberrante dessa mesma cultura que foi o nazismo, tenha tido que atravessar o Atlântico.
É que a Europa nunca teve a grandeza de assumir os seus erros. A mesma Europa que, no século XVIII, acobardada perante os turcos , preferia as cedências à solidariedade, deixando Viena à mercê dos invasores.
E tanto que dependemos do heroísmo da presença de Israel no seu território histórico...!
Nota: A esquerda que para aí baboseia alguma vez terá posto os olhos no livro Israel, do (anarquista) Erico Veríssimo, que eu li ainda adolescente?

14 Outubro 2007

30 Setembro 2007

E haverá...


... muuuito mais do que isto a dizer! (via Range-o-Dente).

01 Agosto 2007

Erros

Brueghel, O Triunfo da Morte
Os americanos cometeram um erro, ajudando a armar as petromonarquias? Sem dúvida. Mas resta saber se, atendendo à postura dos europeus em todo o processo da evolução da situação no Médio Oriente e no Afeganistão desde há muitos anos, Bush teria qualquer outra solução. A culpa não morre solteira nem monógama.
E Israel, no meio disto tudo? Há já quem ande por aí a esfregar as mãos de contente. E não são apenas os magnatas do armamento.

18 Julho 2007

Até amanhã!


Seguramente descurando as suas principais actividades - desancar inocentes e pacíficos palestinianos, árabes e restantes vizinhos e dominar, mais ou menos subreptícia e perfidamente, a economia e as finanças internacionais - um grupo de técnicos israelitas passou uns dias em Trás-os-Montes, no sentido de procurar melhorar o aproveitamento local da água para fins agrícolas. Chegaram à conclusão de que os indígenas da região gastam três vezes mais do que é preciso ou, de outra maneira, que ela chega perfeitamente para se produzir o triplo do que se produz hoje, coisa que, para quem tem o hábito de transformar o deserto em áreas férteis, deve ter sido, no mínimo, doloroso.
Vi isto ontem, num telejornal qualquer, onde, entre outras coisas, se falou ainda dos gestores portugueses como estando internacionalmente classificados abaixo do medíocre, e de um senhor que, certamente para estimular a economia através do consumo interno e garantir uma boa morte aos portugueses, só vê como solução aumentar os impostos e subir o IVA (não confundir com IVG) para 25%.
Ah! E o PS continua a falar em vitória na Cãmara de Lisboa e declina qualquer responsabilidade no vergonhoso nível de abstenção. O que, diga-se de passagem, também é bem feito para os portugueses.

30 Junho 2007

Como é possível?!


Durante a tarde, numa pausa enquanto trabalhava, ao mudar de canal de televisão deparei-me com um documentário a ser transmitido pela SICNotícias, sobre o problema das incursões dos Israelitas no Líbano.
O cicerone de visita às ruinas provocadas pelos bombardeamentos, com a entoação e a postura serenas de um homem de paz a falar para um meio de comunicação internacional, a que se juntavam as expressões e os testemunhos resignados dos pacíficos habitantes do lugar, afirmava desconhecer as razões pelas quais Israel, com tantos meios tecnológicos, se encarniçava contra gente que nada tinha a ver com o problema existente entre eles e o Hezbollah.
Como é possível dar-se voz a tamanha hipocrisia?!

07 Junho 2007

Hmm...?!


Contaram-me hoje o seguinte:
Face aos maus resultados registados entre os alunos de Matemática em Israel, o governo comprou todos os manuais da disciplina editados no mundo e decidiu-se por adoptar o que é utilizado em Singapura, país que apresenta o melhor aproveitamento escolar nesta área.
Singapura, hmm...?!
Israelitas, hmm...?!