Quarta-feira, Junho 15, 2011

OKwarhol-Chuck Wein -Edie2-1965-NY222
Andy Warhol, Eddie Sedgwick e Chuck Wein: NYC, 1965


MAX'S: A TÁVOLA REDONDA DE ANDY WARHOL

Em nossa primeira visita só chegamos até a primeira sala. Sentamos
em um reservado, dividimos uma salada e comemos intragáveis
grãos-de-bico. Robert (Mapplethorpe) e Sandy pediram coca. Eu tomei
café. O lugar estava meio morto. Sandy conhecera o Max's na época em
que ali era o centro social do universo alternativo, quando Andy Warhol
passivamente reinava na távola redonda com sua carismática rainha de
arminho, Eddie Sedgwik.

As damas de companhia eram lindas, e os cavalheiros que as rodeavam
eram gente como Ondine, Donald Lyons, Rauschenberg, Dali, Billy Name,
Lichtenstein, Gerard Malanga e John Chamberlain. Entre os que ainda são
lembrados hoje em dia. Àquela mesa já se sentara toda uma realeza, como
Bob Dylan, Bob Neuwirth, Nico, Tim Buckley, Janis Joplin, Viva e o Velvet
Underground.

Era uma mesa tão obscura e glamourosa quanto se podia desejar. Mas,
correndo pela artéria principal, a coisa que no fundo acelerava seu mundo
e depois os acalmava era o speed. A metanfetamina, que ampliava a paranoia,
roubava parte do poder natural, drenava a confiança e saqueava a beleza.

Andy Warhol já não estava por lá, nem sua alta corte. Andy já não saía tanto
desde de que Valerie Solanas atirara nele, mas também era provável que já
tivesse se tornado proverbialmente entediado. Apesar de sua ausência, no
outono de 1969, ali era o lugar aonde ir.

A sala dos fundos era o porto daqueles que desejavam uma chave para o
segundo reino prateado de Andy, muitas vezes descrito como um lugar de
comércio mais do que de arte.

In Patti Smith. Só Garotos.
São Paulo: Cia das Letras, 2011 (1ª reimpressão) ズ

"A chave da vida não é a riqueza do vivido, mas a capacidade
de tirar conclusões" Grotowski,

por aly . 2:02 PM .

Terça-feira, Maio 24, 2011


From the documentary Coffee with Pina (2006) by Lee Yanor

por aly . 8:26 AM .

Quarta-feira, Maio 18, 2011

Romy_Schneider_Will_Mcbride2
Foto de Romy Schneider por Will McBride: Paris, 1964


POEMA (1)

Meus mortos não estão encarapitados
no alto das árvores
não são eles que balançam
os galhos quando eu passo nos dias de calmaria
não estão debaixo da terra nem voam pálidos
sobre minha cabeça debaixo do céu azul
Aparecem nos sonhos e desaparecem
quando são cinco ou seis da manhã
meus mortos são covardes
não têm coragem
de viver.

5 Poemas de Simone Brantes in Inimigo Rumor — Revista de Poesia:
nº 20, junho 2008 ズ


"Quem sabe a morte, no fim
das contas, seja uma coisa muito
natural, quem sabe rejeitá-la
seja algo, quem sabe, bastante
estúpido, algo assim como, quem
sabe, fechar o livro predileto
uma página antes do final."
Simone Brantes, na revista supra-citada,

por aly . 12:35 AM .

Quarta-feira, Abril 27, 2011

T. ENAMI-GUEIXA
Gueixa ㋦ Foto por T. Enami (1859-1929)


AS ANTIGAS DAMAS JAPONESAS

As antigas damas japonesas
Distraidamente
Agitavam seus leques
No solitário mundo dos biombos

A distração
Porém
É uma forma superior de ocultação
E
Na aridez
Do seu íntimo domado
O rugido da raiva
Estava contido
Artisticamente comprimido
No extravagante cinto
Que traziam
Atado nas costas

Tocavam
Dançavam
Serviam o chá de joelhos
Num secular sequestro

Mas às vezes
Num intervalo do desvelo
Da honra e do pudor
Descobriam
O esquisito sabor
Que tem o crime.

Poema de Ana Hatherly
In Sibila: Revista de Poesia e Cultura
Ano 3 :: nº 5 :: 2003


"O mundo não dá a ninguém inocência nem garantia."
Guimarães Rosa,

por aly . 5:14 PM .

Quarta-feira, Abril 06, 2011

Peter- Lorre- Yousuf-Karsh 1946
Foto de Peter Lorre por Yousuf Karsh, 1946


FUMANDO

Pergunto: porque é que os não fumadores
sobem sem escrúpulos aos compartimentos
para fumadores? Porque querem impôr-se? Porque
parecem sempre nauseados?

Cigarro, meu velho amigo.
Passei contigo mais tempo do que com qualquer outro.
Estamos-nos a destruir mutuamente, num cordial
compromisso.

Pergunto: porque não apreciam
a nossa solidão,
o nosso valor ingénuo, nosso
fogo, cinza?

Do poeta Marcin Świetlicki,

por aly . 2:00 AM .

Terça-feira, Março 29, 2011

STEINBERG_NYC_1969
Foto de Henri Dauman: Saul Steinberg, New York City, 1969

por aly . 3:07 AM .

Sexta-feira, Março 11, 2011

PARA PREGAR NA PAREDE

moderntimes3
Chaplin e Paulette Goddard em 'Tempos Modernos', 1936

"Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos
milhões de homens, celebram-nos como heróis."
Charlie Chaplin,

por aly . 7:02 AM .

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2011

Todd McCellan-Apart_WindUpClock2
Todd McCellan: Apart Wind-Up Clock, 2010


Alegoria de Renascimento: a Experiência Florentina (excerto)

Em 1475, os Medici receberam uma máquina encomendada a um artesão: um
relógio. Marsilio Ficino o interpreta duplamente, como alegoria explicativa do
próprio procedimento de interpretação alegórica, e como alegoria do universo.

O relógio é alegoria do cosmos porque em sua forma visível se intui Deus, círculo
espiritual cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não se acha em
nenhuma. Alegoria sensibilizadora, o relógio é também um exemplo de intelecção
humana da arte, segundo Ficino, nos seguintes termos: não se pode compreender
como uma obra de arte foi feita por um artista se não se possui também, em mesmo
grau, a inteligência artística. O intérprete é movido pela simpatia, que é um 'sentir
junto'

Se consegue chegar a tal compreensão graças a correspondência da inteligência,
poderá também, depois de descobrir o mecanismo da obra, reproduzi-la, desde que
tenha a matéria adequada para fazê-lo.

Todos os homens são relojoeiros, desde que compreendam o mecanismo
e tenham a matéria adequada para produzi-lo. O relógio, contudo, também
alegoriza o universo, nele espelhado.

In João Adolfo Hansen. Alegoria: Construção e Interpretação da Metáfora
São Paulo: Hedra/Unicamp, 2006 ズ


Uma adivinha portuguesa:

"Qual é a cousa, qual é ela,
Que faz coisas mui sentidas
E mesmo sem se mover
Orienta as nossas vidas?",
por aly . 9:32 PM .

Sábado, Fevereiro 12, 2011

Ernest-Affiche


"A vida não imita a arte, a vida imita os piores programas de televisão."
Woody Allen,

por aly . 2:54 AM .

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2011

ORIGINAL-FAKE2
(Logofake de autoria desconhecida)

por aly . 12:04 PM .

Domingo, Janeiro 23, 2011

PICASSO22
Pablo Picasso: Paris, Galllimard, 1945


DICCIONARIO SECRETO
Por Camilo José Cela (Vol. III)
Madrid: Alianza/Alfaguara,1974


Viga
Es metáfora formal em óptimo señalamiento
(la pija semeja una viga).
Pija.

Samaniego, El Panadizo, vs. 97-104, en
D.T.H. de T. Cuentos diversos, pp. 57-58:

Pero Juana al sentirse
apenas embestida,
le dice ¡Ay Dios! ¡Qué dedo!
¡Qué gordo! No hay cabida.
Por Dios no me lo meta,
padre, que me aniquila.
Pasito... ¡Virgem santa!
Ya lo metió... ¡Qué viga! ズ

Sobre Saminiego, aqui,

por aly . 10:49 PM .

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

ROLAND-BARTHES-CIRCA-1970
Roland Barthes, circa 1970


O estágio do espelho: "tu és isto."

Mas eu nunca me pareci com isto!

— Como é que você sabe?

Que é este "você" com o qual você
se pareceria ou não? Onde tomá-lo?
Segundo que padrão morfológico ou
expressivo? Onde está seu corpo de
verdade? Você é o único que só pode
se ver em imagem, você nunca vê seus
olhos, a não ser abobalhados pelo olhar
que eles pousam sobre o espelho ou sobre
a objetiva (interessar-me-ia somente ver
meus olhos quando eles te olham):
mesmo e sobretudo quanto a seu corpo,
você está condenado ao imaginário.

In Roland Barthes por Roland Barthes
São Paulo: Cultrix, 1977
Tradução: Leyla Perrone-Moisés ズ


“Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas;
mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me
designa a especialidade do meu desejo" Roland Barthes,

por aly . 5:00 PM .

Quinta-feira, Dezembro 30, 2010

NOUVELLE-CUISINE-GEEK-2
NOUVELLE CUISINE (GEEK)

por aly . 4:38 PM .

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

Julian-Murphy-Clothes Peg 2-1998
De Julian Murphy: Prendedor de Roupa, 1998


"Nous lézards aimons les Muses
Elles Muses aiment les Arts
Avec les Arts on s'amuse
On muse avec les lézards"
Queneau: Les Ziaux,

por aly . 8:50 PM .

Segunda-feira, Dezembro 13, 2010

Norman- Rockwell- The-Art-Critic-1955-
De Norman Rockwell: The Art Critic, 1955


"Faz-se crítica quando não se pode fazer arte, como quem se torna
delator quando não se pode ser soldado." Flaubert, Correspondance,

por aly . 12:40 AM .

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

RECO-RECO DE BAMBU_2
Reco-Reco de Bambu


Re-percussão

O reco-reco:
Um eco de erres.

aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo) ズ


OUÇA Clique imago e ouça o reco-reco


Postado originalmente aqui,

por aly . 7:55 PM .

Domingo, Novembro 14, 2010

DARDOS

DARDOS-SELO

"O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro
emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais,
etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do
pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras
e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de
promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de
demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que
agregue valor à Web."

O blog português Coisas do Arco da Velha indicou o Letteri como
merecedor do Prêmio Dardos, concedido por blogueurs portugueses
a seus pares do blogomondo. Muy grato aos editores do Coisas do
Arco da Velha e, abaixo, nomeio os meus escolhidos do lado de cá
do Atlântico: ズ↓

Um Postal para um Amigo

Aquí me quedo

Gramatologia

Que cazzo é esse?!!

O Biscoito Fino e a Massa

Riobaldo & Diadorim

Diário Gauche

Mol-tagge

Prosa Caótica

Varal de Ideias

Escrevinhador


Nota d'aly (pospost):

KULA-COLAR2

Recebi hoje, tb, o Kula Colar,
prêmio do blog moçambicano
Ma-shamba, por seu titular JPT,
a quem agradeço.


BLOG-TO-BLOG

por aly . 7:24 AM .

Sexta-feira, Novembro 12, 2010

Annette-Tyson-z1
Barbabeau's Secret por Annette Tyson & Talus Taylor, 1980


"Uma só coisa me maravilha mais do que a estupidez com que
a maioria dos homens vive a sua vida: é a inteligência que há
nessa estupidez." Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego,

por aly . 6:26 PM .

Segunda-feira, Outubro 18, 2010

JULES-CHERET-ELDORADO
Eldorado, litografia colorida por Jules Chéret, cartaz de 1894


O Cartaz

À medida que Chéret alcançou uma certa proeminência na Paris
de fim-de-século o mesmo aconteceu com a cherette como era
chamada a dançarina com ares de ninfa que dominou seus
desenhos. Flutuando de felicidade, ela aparecia na maioria das
vezes no vácuo como neste cartaz de 1894 para o Eldorado um
music-hall da moda. Ela era iluminada por baixo, como uma atriz
que se postava no brilho intenso das luzes da ribalta, mas
dispensava o palco, pairando inquieta contra o fundo. Suas
pernas não carregavam o peso do seu corpo e, ousadamente
descobertas, dançavam no ar, enquanto alguns palhaços a
contemplavam em adoração.

Ela era uma atriz, e seu charme era feito de artifício. Em sua atuação,
as maquinações do mundo do entretenimento eram combinadas às
artimanhas do artista, que a retocava e acentuava sua exposição
sexual ao mesmo tempo em que a afastava para uma zona indefinida
acima e além do seu perímetro usual.

Irriquieta e provocante, a cherette era uma figura de descarado
convite ao sexo, mas sua suspensão enfraquecia a corporalidade
da sua presença e removia a sua pantomima do desejo para o
reino da fantasia. Aparentemente, ela oferecia e transcendia seu
corpo em um único movimento.

Publicidade e Prostituição

Diversos escritores, incluindo alguns defensores do cartaz, traçaram
o mesmo paralelo. Uma jovem fez o papel de La Réclame (O Anúncio)
em uma pantomima de 1888, um tipo de hino à prostituição, do escritor
decadentista Félicien Champsaur; com termos piegas e alegóricos, ela
foi retratada conspirando na escravização gradual de uma jovem a seus
pretendentes. Para Champsaur, publicidade e prostituição eram variações
de um mesmo tema, a celebração alegre da beleza feminina para fins
comerciais.

Marcus Verhagen: O Cartaz na Paris Fim-de-século
In Leo Charney e Vanessa Schwartz (org.)
O Cinema e a Invenção da Vida Moderna
São Paulo: Cosac & Naify, 2001 ズ

"O cartaz evoluiu junto com a florescente indústria do entretenimento.
Foi somente a partir de meados da década de 1890 que artistas como
Chéret foram chamados com regularidade para desenhar anúncios para
produtos alimentícios e bens de consumo; até então, eles estavam
preocupados em primeiro lugar com a promoção das novas casas de
lazer, cafés-concerto, music-halls, circos e hipódromos, os quais
ofereciam shows originais a preços moderados para audiências cada
vez maiores da Terceira República Francesa." Marcus Verhagen,
no livro acima citado,

por aly . 11:16 PM .

Sábado, Outubro 09, 2010

Samuel Goldwin October 1947 John Florea-44
Foto de Samuel Goldwin por John Florea, outubro de 1947


O G DA MGM

Billy Wilder chamava de goldwinismo à coleção de frases
atribuídas a Samuel Goldwin que circulava em Hollywood.

Das citadas por Wilder:

"Uma noite Sam assistiu ao Hamlet interpretado por Lawrence
Olivier. Na manhã seguinte disse para mim:
'I saw Hamlet last night. It's full of quotations.' "
(Vi Hamlet ontem à noite. Está cheio de citações.)

"Nepotismo não é coisa ruim, desde que fique somente em família."

Sam: "Em que você está trabalhando agora?"
Billy: "Na minha biografia."
Sam: "E de que se trata?"

In Hellmuth Karasek: Billy Wilder — E O Resto é Loucura
São Paulo: DBA, 1998

Citações de Sam Goldwin por outras fontes:

"Fui até aonde a mão humana jamais pôs os pés."

"Li parte do roteiro até o fim."

"Eu não quero que alguém que trabalhe comigo só diga sim.
Quero alguém que fale a verdade, mesmo que isso lhe custe
o emprego."

"I'm talking about facts, not reality."
(Eu falo sobre fatos, não da realidade.)

"Nunca faça previsões, especialmente sobre o futuro."

"Quando eu quiser sua opinião, eu lhe dou a minha."

"Eu tive uma idéia genial esta manhã, mas não gostei dela."

"Um contrato verbal não vale o papel em que foi assinado." ズ

"Inclua-me fora disso." Sam Goldwin,

por aly . 6:11 PM .

Terça-feira, Setembro 28, 2010

APOCALYPSE-NOW-4
Marlon Brando, Filipinas: no set de Apocalypse Now de F. Coppola, lançado nos EUA em agosto de 1979


Apocalypse Now

No dia 1º de março de 1976, Coppola acompanhado por sua família, finalmente
embarcou para as Filipinas para o que deveria ser uma filmagem de 14 semanas.
Dean Tavoularis havia escolhido as locações em vários pontos da mata na ilha
de Luzon, e a ideia era de que eles simplesmente se deslocariam de uma locação
para outra.

Isso exigia que a produção dependesse de transporte aéreo, e presumindo que
as Filipinas tivessem um sistema eficiente e moderno de viação aérea semelhante
ao dos Estados Unidos. Mas não era o caso, e as montanhas eram perigosas para
helicópteros. Além do mais, os rios eram tão traiçoeiros que os barqueiros que
haviam transportado os location scouts usavam camisetas com números nas
costas para facilitar a identificação caso se afogassem.

Durante as pesquisas de locações, um membro da equipe disse a Coppola:

— Não venha para cá, é perigoso. Vá para a Austrália, para a Tailândia, vá para
Stockton. Você está falando em construir um set de 20 milhões de dólares.
Estamos em novembro. No dia 15 de maio o primeiro tufão vai chegar, e vai
chover sem parar até 15 de outubro. A água sobe até 15 metros. Os cenários
vão ser arrastados para o mar.

Coppola respondeu:

— E quem é você, a porra do homem da metereologia?
Ele simplesmente não queria saber.

Peter Biskind in Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock' n' Roll Salvou Hollywood:
Easy Riders, Raging Bulls
. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2009.
Tradução: Ana Maria Bahiana ズ

APOCALYPSE-NOW-POST_2
Fotograma de Apocalypse Now (clique na imagem)

"O ator Fred Forrest, que fez o papel de Chief, descreve assim a situação:

— No filme, quando Martin Sheen vai falar com aquele cara na trincheira e diz 'Quem é o
comandante aqui?' e um dos caras responde 'Não é você não?' — aquilo era a essência
de Apocalypse Now. Ninguém sabia quem estava mandando, cara!"

"As condições da equipe eram tão ruins que elenco e equipe viviam na farra, como se
cada dia fosse o último na terra. Há muito tempo a Sétima Frota da Marinha Americana
estava baseada nas Filipinas, e com isso havia uma abundância de prostitutas, drogas,
bebidas, todas incrivelmente baratas. Quando o ator Sam Bottoms chegou ao prédio
de Manila onde a produção estava instalada, notou uma casa de massagem no
primeiro andar:

— Ali você conseguia quem lhe batesse uma punheta por 5 dólares."
۝ No livro supracitado,

por aly . 8:25 PM .

Quinta-feira, Setembro 16, 2010

Silvana-Mangano-Riso-Amaro-1949-II
Silvana Mangano em Arroz Amargo, dir. Giuseppe de Sanctis, 1949


Silvana Mangano

A opinião corrente é que o Lobo da Montanha não vale grande
coisa. Mas Silvana Mangano vale. A jovem atriz italiana, com
quem o Rio não simpatizou muito, é um verdadeiro pão da terra.
Uma mulher como as pintavam esses grandes sensoriais que
foram Giorgione, na Renascença, e Renoir, no Impressionismo.

Uma mulher como como as esculpe Maillol, como as desenha
Carlos Leão, como as descreviam Flaubert e Stendhal, como
as poetizaram Camões, Whitman, Baudelaire. Seres moços e
plenos, de formas pletóricas mas leves, belos braços roliços,
rosto pesado e sensual, transpirando saúde e fecundidade.

Hoje em dia esse tipo de mulher, embora apreciada à larga
pelos homens, caiu muito no conceito das mulheres, que
preferem o tipo criado por Vertès, de onde saiu o modelo
moderno das revistas de moda — a mulher sem formas, sem
busto, pousada em hastes longas e elegantes, de rosto
magro e olhos puxados — sempre em poses sofisticadas, os
pés colocados em ângulo de balé, as mãos em posição de
dança tibetana.

Esse é o gênero de mulher apreciada pelos brotinhos de hoje
em dia. Nada de Vênus de Milo. O ideal são as terracotas de
Tânagra, as esculturas africanas, a linha Modigliani.

Silvana Mangano acha evidentemente o contrário. A bela italiana
exibe suas rotundidades com um gosto de dar gosto. Sua boca
moça e fresca abre-se no rosto maciço e irregular, num lindo
sorriso de quem sabe estar dando as cartas. Sua desenvoltura
física mostra bem que ela não dá muita bola ao tipo longilíneo.

Silvana venceu ao dançar seu famoso jitterbug em Arroz Amargo
um feito que muito deve ter surpreendido as bobby-soxers de todo
o mundo, com certeza a pensá-la incapaz, nos seus sessenta quilos
prováveis, de toda aquela graça e leveza.

(1951)

Vinicius de Moraes in O Cinema de Meus Olhos
São Paulo: Cia das Letras, 2006 (2ª edição)
Organização e notas por Carlos Augusto Calil ズ

Veja a foto acima, quase do tamanho de uno piccolino schermo de cine, aqui,

por aly . 10:09 PM .

Terça-feira, Setembro 07, 2010

GROUCHO02
Foto de Groucho Marx por Ted Allan, circa 1935


Da Insônia

Muita gente consegue ter uma ótima noite de sono contando carneiros.
Se possível, é aconselhável ter os carneiros no quarto. No entanto, se
você é alérgico à lã, você também pode cortejar o sono contando
panteras.

É claro que sempre existe o perigo de as panteras comerem você mas,
se você sofre de insônia, isto é realmente a melhor coisa que pode lhe
acontecer.

Groucho Marx in Groucho e Eu. São Paulo: Marco Zero, 1991 ズ

GROUCHO.GIF

"Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, tenho outros!"
Groucho Marx,

por aly . 11:49 PM .

Segunda-feira, Agosto 30, 2010

Cartum de Ali Jahanshahi
Cartum de Ali Jahanshahi


ACHTUNG! LEBENDE TIERE!

Era uma vez uma menina pequenina, pequenina, que
fazia das suas no zoológico. Se metia na jaula das
feras adormecidas e puxava-lhes a cauda. O brusco
despertar dos brutos era precisamente a salvação
da criatura que fugia correndo.

Porém um dia a menina foi dar com um leão doente,
desprestigiado e solitário que não se fez de rogado.
Depois de puxar sua cauda provocou-o ainda mais.
Se pôs a fazer cócegas ao dormente e revolveu uma
a uma todas as idéias de sua melena. Diante daquela
total ausência de reflexos, se proclamou em voz alta
domadora de leões. A fera virou então docemente
a cabeça e enguliu a menina num só bocado.

As autoridades do zoológico passaram por maus
bocados porque a notícia saiu em todos os jornais.
Os jornalistas gritaram aos céus e criticaram as leis
do universo, que consentem a existência de leões
famintos junto a incompatíveis meninas mal-educadas.

J. J. Arreola in Bestiario. Joaquín Mortiz: México (DF), 1976
Tradução: Alberto Ribeiro Lyra ズ

Tradução publicada originalmente em 5 de fevereiro de 2005: aqui,

por aly . 4:35 AM .

Terça-feira, Agosto 24, 2010

Photography- by Harris&Ewings-2
Photography by Harris & Ewing, circa 1919 (from the Library of Congress, USA)


CONTANDO VANTAGEM

Muitas mulheres na minha vida.
Eu é que sei quanto dói.


In Antonio Carlos de Brito (Cacaso)
Beijo na Boca. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000 ズ

"Não chore meu amor não chore
que amanhã não será outro dia."
Cacaso, no livro acima citado,

por aly . 11:36 AM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





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14 novembro 2002



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