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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Este é que devia vir para cá

E não se pode importá-lo para candidato presidencial deste lado do Atlântico? De certeza?

Para quem tem dúvidas, ficam aqui alguns balanços:

> Folha de São Paulo, «Saldo favorável», editorial de 19/XII/2010

> Globo, «O legado do fenômeno Lula», capa do mesmo dia

> Público, «Lula versus imprensa brasileira: as contas finais», de  Alexandra Lucas Coelho.

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Uma história triste e lamentável

Condenado em 2003 a 3 anos de prisão por desacato, o dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo viu a sua pena aumentada para 28 anos, morrendo entretanto por greve de fome de protesto contra as condições prisionais. Há 38 anos que não ocorria uma situação idêntica. Zapata, que era membro da organização de defesa dos direitos cívicos Directório Democrático, fora considerado um dos 65 «prisioneiros de consciência» de Cuba pela Aministia Internacional. O regime considera estes como simples «mercenários» ou «agentes» a soldo dos EUA.
Por muito que Cuba viva uma situação aviltante de embargo político-económico, nada justifica este atentado aos direitos humanos. É uma história lamentável que, ao invés do que defenderão os mais afoitos, fica mal a um país que, justamente, se diz vítima dum embargo injustificável e atentatório dos direitos humanos também ele. A uma mais larga escala, certo, mas princípios são princípios, direitos são direitos.
Por arrasto, também não ficou bem na fotografia o premiê brasileiro Lula da Silva, por omissão, embora tenha sido o único dirigente político a lamentar o caso, até recentemente.

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Ó Manolo, já tá vendo a luz?

Ou por aí continuam em fase de poupança pró-ambiental?

Por cá, a imprensa comenta sobre as inevitáveis consequências políticas negativas para o governo de Lula, caso o apagão tivesse sido evitável.

As velas e lamparinas é que também devem ter levado um apagão...

Sábado, 12 de Setembro de 2009

A resposta de Hugo Chávez a Lula

A resposta não tardou e veio na lata, tipo pá e pufe. Depois do convênio militar no valor de 50.000.000.000,00 de dólares firmado entre o Brasil e a França, Hugo Chávez não perdeu tempo e respondeu rapidamente a Lula. O presidente da Venezuela anunciou ontem à noite, em Caracas, que o seu país adquiriu da Rússia mísseis com um alcance de 300 km e carros de combate T-72 e T-90. E lo peor de tudo é que tem por aí uns babacas dizendo que todas essas negociações trata-se apenas de uma modernização das forças armadas da América do Sul. Eu, hein!? Mais informação.


Imagem: Arcadio, “La Prensa”


Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

PT e Lula têm baixa importante:a ambientalista Marina Silva (atualizado)

marinaSilva A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou hoje sua saída oficial do Partido dos Trabalhadores (PT). Pedagoga e ambientalista, ela deixa o partido depois de quase 30 anos de intensa militância. Esta foi a primeira grande baixa do governo Lula depois que se tornou refém do senador José Sarney e sua gang da "tropa de choque". Com essa decisão, Marina abre as portas para o Partido Verde (PV) que lhe ofereceu filiação para uma provável disputa à presidência da República, em 2010. Se de alguma forma a sua possível candidatura assusta o atual governo (leia-se Dilma Russeff, a toda-poderosa ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT), por outro lado ela enche de ânimo quem está mais à esquerda. E este é o meu caso, apesar de não ser eleitor aqui em Pindorama. Saravá, Marina Silva. Mais.

Gilberto Gil quer ser vice de Marina

O cantor e compositor Gilberto Gil disse que, se convidado, pode aceitar ser vice na eventual candidatura de Marina Silva à presidência da República pelo PV. “Uai! Claro que existe possibilidade de dizer sim. Existe possibilidade de dizer não, existe possibilidade de tudo. Mas só quero dizer a ela, se ela me convidar”, disse o ex-ministro da Cultura. Isso pode dar samba. Mais.


Diga-me com quem andas e direi quem és

No mesmo dia em que Marina Silva deixou o PT, os petistas seguiram a determinação do presidente Lula e ajudaram a enterrar de vez as investigações no Conselho de Ética do Senado sobre José Sarney. O presidente do Senado, que enfrenta um calhamaço de denúncias, é tido pelo governo como um forte aliado no Congresso Nacional e na construção da candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República. Mais do que nunca a velha máxima cai aqui como uma luva: diga-me com quem andas e direi quem és. Mais.

E tudo termina em pizza (ou filhos daquela)

Por outro lado, a oposição tupiniquim não deverá recorrer ao Plenário do Senado desta decisão do Conselho de Ética. Isso porque foi feito um acordo informal com os governistas, o qual permitiu também a absolvição (por unanimidade) do senador tucano Arthur Virgílio Neto, acusado de ter pagado com verba pública um curso na Espanha a um de seus assessores de gabinete. E como o previsto, tudo terminou em uma gantesca pizza.

Como anda na moda blogosférica expressões de fino trato como "filho daquele" ou " filho daquela" vai aqui um rockzinho da banda brazuca Titãs. Trata-se da música "Vossas Excelências", mas mais conhecida popularmente como "Filhos da Puta" (v. letra aqui). O que é, diga-se, uma grande sacanagem com essas profissionais liberais, que são merecedoras de todo o meu respeito.

Charge roubada daqui.


Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

A velha malandragem como ideologia (ou o toma-lá-dá-cá tupiniquim)

olhar de collorrenan-fingerJose-Sarney Na última semana os brasileiros puderam assistir cenas repugnantes da política nacional. Homens que representam todo o atraso político deste país fizeram do Senado palco de um verdadeiro circo dos horrores. Primeiro foi o ex-presidente Fernando Collor (aquele que disse um dia ter os colhões roxos - lembram-se?). Com seus olhos esbugalhados cuspindo fogo e respiração ofegante, ele vocifera palavras tresloucadas a seu adversário político, Pedro Simon ( v. vídeo).

Dias depois, foi a vez de Tasso Jereissati e Renan Calheiros , no melhor estilo trash de um “Rei do Cangaço”, trocarem “gentilezas” do tipo “cangaceiro de merda” e “dedo sujo” (v. vídeo). E todo esse palco horrendo foi armado para defender o ex-presidente da República José Sarney, Família & Amigos S/A de suas falcatruas (v. aqui).

Em outras palavras, o que se viu no Senado brasileiro foi a volta das velhas táticas coronelistas de intimidação como prática política. É a tal “tropa de choque”, uma eterna instituição tupiniquim sempre convocada para livrar de punições congressistas evolvidos em escândalos e trapaças. Pior: é com esse tipo de expediente truculento que forças políticas retrógradas, clientelistas, fisiológicas e corruptas do país têm se mantido no poder ao longo da História brasileira.

Como o brasileiro tem lá a memória bem curta, vale lembrar que até há pouco tempo os senadores Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor estavam em lados opostos e eram ferrenhos inimigos políticos. Em 1989, na sua campanha à presidência, Collor se referia ao então presidente Sarney como “ladrão e corrupto”. E esses foram os insultos mais brandos(v. vídeo).

Em 1992, veio o troco. Sarney participou intensamente do processo que acabou em impeachment de Collor. Já o senador Calheiros, depois de ser líder Collorido no Congresso, jogou o seu chefe aos leões e fez coro juntou à oposição chamando-o de corrupto. Em 2007, foi a vez de Renan renunciar à presidência do Senado, acusado, entre outras coisas, de corrupção.

Mas, enfim, se agora são fiéis aliados é porque o jogo político desses ilustres senadores é norteado apenas pelo interesse pessoal, como o toma-lá-dá-cá da “lei de Gerson”. São verdadeiros profissionais da malandragem que encontram na vida pública uma forma rápida de enriquecimento ilícito e ascensão social. A relação política para esses nobres senadores não passa pela cidadania e muito menos pela defesa do bem-estar social da população. Não. Mas sim pela obtenção de vantagens financeiras, que são estendidas a familiares e aos aliados nesse jogo sórdido e asqueroso que impera há décadas no Congresso Nacional. É a ideologia da malandragem pura e simples, sem qualquer compromisso com a ordem pública ou qualquer preceito ético. Infelizmente, esse tipo de "político" ainda é eleito e reeleito aos montes graças a currais eleitorais mantidos a ferro e fogo por chefetes locais, onde os adversários políticos são eleiminados até mesmo pelo chumbo da pistola se for o caso.

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sarney_e_lula_ PS: Ah, vale lembrar que ao afirmar que “Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum” (17/07), o presidente Lula (hoje amigo e aliado do presidente do Senado) também mudou radicalmente de posição, pois até há pouco tempo ele não pensava assim. “Nós sabemos que antigamente se dizia que o Ademar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Pois bem: Ademar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República, perto dos assaltos que se faz”, disse Lula, em 1987, em um evento em Aracaju, em referência ao então presidente José Sarney (v. vídeo).

PS-1: O presidente Lula encaminhou um processo de concessão de uma emissora de rádio para aprovação no Congresso em nome da empresa JR Radiodifusão, que tem como um dos sócios José Renan Calheiros Filho. Como o nome já diz tudo, o dito cujo é rebento do poderoso chefão da “tropa de choque” de Sarney, Renan Calheiros. Sem mais comentários. Mais.

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

A trajetória “política” de um gangster tupiniquim

sarney e lula Os escândalos envolvendo o atual presidente do Senado brasileiro e seu clã é coisa bem antiga e não é novidade alguma pra qualquer pessoa relativamente bem informada sobre a política brasileira dos últimos anos. José Ribamar Sarney se vê às voltas com denúncias de irregularidades desde que chegou à presidência da República (por via indireta, diga-se), em 1985. As acusações durante todo o seu governo iam desde fraude em grandes obras públicas (tipo Ferrovia Norte-Sul) até concessões irregulares a parlamentares amigos de emissoras de rádio e TV (v. aqui a atual situação).

Além disso, Sarney e os filhos enfrentam outras graves denuncias de corrupção desde 1989, mas até o momento sobreviveram ilesos. E como sobreviveram! Tanto é que continuam a mandar e desmandar no Brasil. Todas as investigações contra Sarney ou seus queridos rebentos, desde a CPI da Corrupção, em 1989, até o escândalo da Sudam (que provocou um desvio de R$ 1.700.000.000,00) sempre esbarraram em manobras políticas e, principalmente, em decisões judiciais suspeitas.

E o mais triste de tudo isso é o apoio incondicional que o presidente Lula vem dando a este gangster (v.aqui), que representa todo o atraso deste país, o coronelismo, a oligarquia política retrógada e feudal. Enfim, um dinossauro de rapina que fez e faz do Brasil um imenso balcão de negócios pra si, parentes e aliados políticos.

Eis aqui a trajetória “política” do dito cujo:

1.988 – Relatório da CPI da Corrupção propõe o seu indiciamento por crime de responsabilidade por irregularidades cometida em seu governo. Resultado: a denúncia foi arquivada logo em seguida.

1.989 – Outra CPI da Corrupção, desta vez envolvendo também 4 de seus ministros, tem o mesmo destino da primeira: é arquivada descaradamente. Os senadores recorrem à Justiça, mas tudo ficou com dantes.

1.993 – Durante a CPI do Orçamento, a Construtora Servaz é envolvida num esquema de propinas junto à Comissão de Orçamento. Por coincidência, a tal construtora foi a responsável por amplas e caras reformas em várias propriedades da família Sarney.

2.000 – Roseane Sarney (a filha), então governadora do Maranhão (o quintal da família e o pior IDH do Brasil) e candidata à presidência da República, é envolvida no escândalo da Sudan, de onde foram desviados 1.700.000.000,00 de reais. Misteriosamente, a denúncia foi arquivada pela Justiça. São as forças ocultas...

2.009 – Mais de 600 “atos secretos” foram decretados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários. Entre os beneficiados, constam nomeações de parentes, amigos e afilhados políticos de Sarney.

- Sarney recebe estranho auxílio moradia no valor de 3.800 reais mensais. Tudo bem não fosse um pequeno detalhe: ele mora em Brasília, mas não tinha se dado conta disso.

- Fernando Sarney, o filho, e nora Teresa Cristina Murad Sarney são indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, entre outros. Isso é o que se pode chamar de matrimônio unido e feliz.

- Uma mansão em Brasília (no valor de 4.000.000,00 de reais) não foi declarada à Justiça Eleitoral. Bem, mais é um valor quase insignificante, pois sim. Afinal, para quem já amealhou uma grande fortuna ao logo de sua atividade política, 4 milhões a mais ou 4 milhões a menos não fazem a menor diferença. É só mais uma perseguição da Imprensa tupiniquim.

- Fundação José Sarney é acusada de desviar recursos de patrocínio da Petrobrás para empresas fantasmas. Bem, como o dinheiro é de uma estatal bem rica, tudo bem. Mesmo porque a Petrobrás é uma das empresas que mais faturam no mundo. E tudo não passa de um complô de seus inimigos políticos.

- Mordomo pago pelo Senado prestava serviços na residência de Roseane Sarney desde 2.003. Detalhe: o salário do rapaz era de 12 mil reais, quando o salário mínimo brasileiro não passa dos 500 reais.

- Gravações da Polícia Federal, com autorização da Justiça, revelam a prática do sórdido nepotismo pela família Sarney. E neste caso, até o pobre Deus foi envolvido na negociata (aqui o áudio). É aquela velha história: Deus abençoa e o Zé Povinho paga.

Quer mais, ou isto ainda é pouco?

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Lula, apenas uma triste e sombria imagem do que já foi no passado

lulaSombraAMar Quem te viu, quem te vê!? É o mínimo que posso dizer neste momento do presidente Lula da Silva e o PT (Partido dos Trabalhadores). Daquela imagem do sindicalista combativo da Ditadura Militar, do homem que defendia preceitos éticos na política brasileira e a moralidade pública só resta uma triste e sombria imagem perdido no passado. Uma imagem fascinada pelo poder e suas benesses, onde a arrogância, a vaidade e a falta de escrúpulos políticos beira à indecência. Uma imagem fantasmagórica e de contorno obscuro.

É desolador vê-lo agora a advogar por uma das figuras mais repugnantes do cenário político brasileiro, o senador e ex-presidente da República José Sarney. Sarney além de ter sido um ferrenho defensor e cúmplice da Ditadura Militar, é o homem cuja biografia política é composta apenas por falcatruas. Mantê-lo na presidência do Senado, como defende incondicionalmente Lula, é o mesmo que dar as mãos e acolher pra si o que há de mais sujo em toda História da República brasileira. Pior. É perpetuar no poder uma corja que tomou de assalto este país, em 1964, e dele fez (e faz) um balcão de negócios pessoais. É como dar na cara de muitos brasileiros que acreditaram que o interesse público ficaria acima do interesse privado quando o elegeram para ocupar o suntuoso Palácio da Alvorada.

Enfim, seria interessante que Lula e o PT explicassem publicamente (não com a retórica da governabilidade como estão a fazer) por que deixaram para traz todo um passado ético e agora se aliam ao que há de mais podre, imoral e nocivo no Brasil. Mas creio que isso não será mais possível, mesmo por que esse passado já está morto e enterrado a 7 palmos do chão. E eu não acredito em ressurreição.

***

Alguns dos escândalos mais recentes do Congresso Nacional:

Atos secretos – Os atos secretos foram decretados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários sem qualquer critério técnico. Um levantamento mostra que mais de 600 decisões não foram publicadas no Diário Oficial da República. Entre os muitos beneficiados, constam nomeações de parentes e afilhados de Sarney. Também se descobriu que os tais atos secretos serviram para pagarem o salário (aproximadamente 12 mil reais) de um mordomo da agora governadora Roseana Sarney (filha do dito cujo), reformas luxuosas de casas e cirurgias estéticas da madame.

Passagens aéreas - Deputados e senadores levaram parentes e assessores em viagens pelo Brasil e para o exterior usando a cota de passagens aéreas do Congresso.

Horas extras - Pagamento de 6,2 milhões de reais de horas extras a mais de 3.000 funcionários em janeiro, quando o Congresso Nacional está em recesso parlamentar.

Caso Zoghbi - O ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi, é acusado de cobrar propina para favorecer empresas interessadas em prestar serviços ao Senado. Também foi acusado de usar a ex-babá como “laranja” para receber 2,3 milhões de reais do Banco Cruzeiro do Sul, responsável por operações de empréstimos consignados a funcionários do Senado.

Caso Agaciel - O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, foi acusado de omitir de seu patrimônio uma mansão de 5 milhões reais e de fazer contratos irregulares.

Auxílio moradia - Sarney admitiu que vinha recebendo 3.800 reais de auxílio moradia desde 2008. O benefício não deveria ser concedido, uma vez que Sarney mora em Brasília.

Nepotismo - Diretores burlavam a lei antinepotismo empregando parentes por meio de empresas terceirizadas.

Celular - O senador petista, Tião Viana, cedeu um celular do Senado para a sua filha, que viajou de férias para o México e gastou quase 15 mil reais em ligações.

Funcionária fantasma - A funcionária fantasma Luciana Cardoso, filha do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, admitiu que “trabalhava” em casa porque o “Senado é uma bagunça generalizada”.

Jatinho – O senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) usou parte de sua verba de passagens para fretar jatinhos e viajar alhures.

Fonte: Jornal o Estado de São Paulo.

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

O descarte da dama de ouro

Lula não é de ir ao inferno com ninguém. Ao Contrário, gosta de estar no paraíso. E de preferência sozinho. Foi assim com o seu superministro e articulador político Zé Dirceu (com quem Lula nunca morreu de amores) e com Antônio Palocci (este sim homem de extrema confiança do presidente) , ambos muito bem cotados para a sua sucessão em 2010, mas que foram abatidos em pleno vôo por envolvimento em escândalos. Resultado: eles saíram queimados de todo o imbróglio e o presidente fortalecido.

Outro sério candidato à sucessão de Lula abatido pelofogo amigo” foi o senador Aloízio Mercadante. Como candidato ao governo do estado de São Paulo, na eleição de 2006, se fosse vitorioso poderia tornar-se um dos nomes mais fortes à presidência da República, em 2010. Entretanto, sem qualquer motivação lógica/e ou política foi envolvido no escândalo da compra de um dossiê contra candidatos do PSDB, o que resultou num tiro no . E de forte candidato petista a ganhar a eleição paulista e líder do governo no Senado, transformou-se numa opaca sobra moribunda da política nacional. Obra da causalidade política? Feitiço da oposição? Não acredito também.

Parece-me que a receita deu certo e com Dilma Russeff não será diferente. Com o argumento de que a Casa Civil se transformou num alvo fixo da disputa política, o Palácio do Planalto tratou de colocar a “dama de ourocomo possível carta de descarte, “até que a poeira do escândalo dos cartões corporativos abaixe”. Será este o verdadeiro motivo do descarte? Ou será que a visibilidade e o fortalecimento da ministra incomoda determinadas alas lulistas do PT? É exatamente esta a pergunta que me faço.

Como não acredito em coincidências em política, não desprezo a possibilidade de ser esse mais um capítulo de uma manobra de enfraquecimento de qualquer outro postulante do PT à presidência de República que não seja o próprio Lula. Ou seja, caso não passe a alternativa do terceiro mandato, o plano B seria entregar o governo federal à oposição e apostar no seu fracasso para uma volta triunfal de Lula, em 2014, por mais dois mandatos. Uma cartada perigosa, mas plenamente viável pra quem tem as melhores cartas na mesa e sabe como ninguém fazer o jogo político tupiniquim. E este é o caso de Lula, que se sair do governo como a popularidade que tem hoje será imbatível em 2014. Piração minha? Pode ser. Mas não creio. Então senhores, façam as suas apostas!

Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

“No”: um recado direto para Morales, Correa e Lula

Ao contrário do que muita gente imagina, a vitória do “não” na Venezuela tem mais consequências no campo externo do que interno. Internamente, Hugo Chaves continuará com os seus superpoderes, pois as mudanças pretendidas no referendo, que afetariam apenas 69 dos 350 artigos da Constituição, foram aprovadas pela Assembléia Nacional venezuelana (controlada há muito tempo por partidários chavistas), que deu a ele, em janeiro último, poderes amplos para governar por meio de decretos. Essa lei o autoriza a ditar decretos com força de lei em 11 áreas durante um período de 18 meses, mas poderá facilmente ser renovada pelo Legislativo em qualquer momento.

Com relação aos Estados Unidos, nada muda agora. Os dois países continuarão mantendo as suas relações de interdependência. Ou seja, Hugo Chaves precisa vender aproximadamente 50% de seu petróleo (número que chegou bater a casa dos 80%) para os ianques e os ianques não podem prescindir desse petróleo para tocar os seus carrões beberrões. O que mudará talvez será apenas o comportamento pessoal do “el diablo” Bush, que nesta altura deverá estar saltitando feito um anuro entorpecido pelos labirintos da satânica White House.

no contexto latino-americano, onde Cháves tenta exportar o seu modelo político, a derrota do “sim” representa um balde de água fria em muitas cabeças afoitas. São os casos específicos do Equador e da Bolívia, que deverão interpretar a derrota chavista como um sinal de alerta. Mesmo porque Rafael Correa (Equador) governa com minoria parlamentar, cuja maior diversão é destituir presidentes eleitos, e Evo Morales (Bolívia) tem apenas 1/3 do país sob o seu controle.

No Brasil, a derrota de Hugo Chávez foi um recado direto ao PT que defende mudanças na Constituição para viabilizar um terceiro mandato de Lula. Apesar de o presidente brasileiro se colocar publicamente contrário a esta alternativa, tem se empenhado muito pouco ou quase nada em conter os ânimos de seus correligionários petistas alardeadores da "re-releição". Ao contrário: faz vistas grossas e deixa rolar por toda Terra Brasilis esse imenso balão-de-ensaio. Se ele tinha alguma dúvida, acho que o eleitor venezuelano o esclareceu.