Adivinhais o autor? Corria o ano de 1921.
Apeles Espanca (1897-1927) falecido em desastre de avião e irmão de Florbela Espanca.
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09/06/2011
04/05/2011
Viajar através de artes e ofícios

Faltam muitas vezes motivos de escrita, inspiração ou ideias que nos surjam como aliciantes.
Ainda há pouco, houve na família uma jovem candidata a um concurso de escrita criativa, dinamizado por um escritor da nossa praça e comentávamos semanalmente o facto de serem os desafios mais ou menos aliciantes. Não por se aspirar, a título pessoal, à inovação, mas por dar comigo a pensar que os cronistas em jornais diários devem sentir mais do que ninguém esse dilema: sobre o que escrever hoje? O que deixar na página em branco? E ao saltarmos directamente para a página da crónica diária, facilmente concluímos ter sido mais ou menos apelativa a escolha a do dia.
Tendo acabado de abrir o jornal electrónico recebido semanalmente, os olhos prenderam-se numa lista designada por profissões antigas que, segundo a publicação, em alguns recantos do globo, teimam – ainda bem para nós e para a saúde da respectiva memória colectiva – em resistir. Do conjunto razoável, optei por duas que trazem agradáveis lembranças.
Nos idos anos 70, sendo de último grito e sobretudo em meio urbano o uso de socas – algumas perigosas e inestéticas, com plataformas a fazer inveja à própria Carmen Miranda e a conferir uma altura de fazer inveja a qualquer manequim - percorri com entusiasmo o mercado de Viana do Castelo. Detentora de um permanente fascínio por feiras e mercados – sem qualquer conotação partidária ou algum intuito para lá da mera curiosidade associado a estas pequenas peregrinações – comprei de imediato um par de bonitas socas artesanais. Sem a existência dos inúmeros sacos de plástico que hoje proliferam, transportava-as à vista, tendo ouvido o engraçado comentário, num colorido sotaque do Alto Minho «ó santinha, vai roçar mato?», na altura pensei que as modas urbanas eram injustamente incompreendidas pelas gentes nortenhas.

Quanto à segunda profissão escolhida, a de empalhador, recordo ter decidido há muito tempo recuperar o assento da cadeira de uma antiga mobília de quarto alentejana, daquelas lindíssimas, em fundo colorido e decoradas com alegres ramos de flores, herdada da minha mãe e parece que, na sua infância, prémio de um concurso do jornal «O Século». Por incrível que pareça, na área de residência não se encontrava alguém que conferisse à cadeira o aspecto de origem. Penso que pelo Alentejo ainda existirá a profissão pois, segundo parece, este tipo de mobiliário sobreviveu ao tempo e aos armazéns normalizados que nos tornam, de certo modo, um pouco clones.
Com as imagens, viajei em recordações através destes antigos ofícios que – espera-se – não venham a desaparecer em definitivo.
Imagens: L'Intern@ute Magazine
27/10/2010
Nem só de cantochão vive o Alentejo: divulgação cultural

Dando prova de grande coragem e determinação, três indómitos pesquisadores confirmam na publicação anexa que no Alentejo se dançava, dança e dançará.
O lançamento será no Museu da Música Portuguesa, no Monte Estoril, e teríamos o maior prazer em vos ter como testemunhas desta arrojada afirmação, que contraria o falsa ideia que por aquelas terras apenas se bandeavam alguns cantadores nas deslocações entre tabernas.
Com amizade,
Domingos Morais
Museu Verdades de Faria, Monte Estoril, na próxima sexta-feira às 18h30.
24/10/2010
23/09/2010
07/09/2010
A Casa do Alentejo
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11/05/2010
Torre Bela

Onde se situa ela?
"Torre das Águias, fica em Brotas-Alentejo, cujo santuário, embora pequeno, é muito bonito" Quem diz é o Carlos Caria. Parabéns!
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08/04/2010
Alentejo ou o tempo das cigarras

Quando voltar ao Alentejo as cigarras já terão morrido. Passaram o verão todo a transformar a luz em canto - não sei de destino mais glorioso. Quem lá encontraremos, pela certa, são aquelas mulheres envolvidas na sombra dos seus lutos, como se a terra lhes tivesse morrido e para todo o sempre se quedassem órfãs. Não as veremos apenas em Barrancos ou em Castro Laboreiro, elas estão em toda a parte onde nasce o sol: em Cória ou Catânia, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchats ou Beni Mellal, porque elas são as mães. […]Solitárias ou inumeráveis, aí as tens na tua frente, graves, caladas, quase solenes na sua imobilidade, esquecidas de que foram o primeiro orvalho do homem, a primeira luz. […]
Eugénio de Andrade, Vertentes do olhar (excerto)
31/03/2010
Dias voadores

Escreve-nos a nossa amiga Raquel:
Estou farta de dar volta aos meus sexagenários neurónios e não me recordo do nome da localidade, mas sei que é no Alto Alentejo e a caminho de Belever e em 2005 estive lá e fotografei o edifício por o achar lindo, tenho também uma ideia vaga de que funcionava lá um lar de terceira idade.
Cumprimentos da regular seguidora dos Dias que Voam, talvez porque também os meus voam assustadoramente
Raquel
Cumprimentos da regular seguidora dos Dias que Voam, talvez porque também os meus voam assustadoramente
Raquel
Alguém ajuda?
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17/12/2009
ERRÂNCIA PELOS COMERES DE MÉRTOLA

O correio do Natal de 1997, trouxe-lhe um livro que trazia dedicatória: “Mais uma vez o Alentejo. Já que o gosto é a síntese de todos os sentidos.”
Ao folhear o livro, lembra-se de ter dito de si para si: também o gosto de partilhar solidões…
“Aromas e Sabores”, foi um trabalho coordenado por Nádia Torres e que contou, para o texto e ilustrações, com a participação de alunos, professores e funcionários da Escola C+S de Mértola. Mais não é que um passeio sobre as comidas de Mértola. Aqui apraz-lhe citar Alexandre Pinheiro Torres: “Porque o Alentejo é o único sítio de Portugal onde se sabe tudo o que importa saber.”
Profusamente ilustrado, “Aromas e Sabores” prova, se necessário fosse, que a comida alentejana não é feita só de pão e coentros.
Na apresentação do livro Manuela Barros Ferreira escreve:
“Palavras não matam fome, nem que digam mil comidas. No entanto, as palavras são, para os poetas, pão do espírito, sementes lançadas ao vento, fermentos de mudança. Podem ser doces como mel, amargas como fel, picantes como pimenta. A comida exposta em palavras não é, certamente, um livro de poemas. Não há qualquer prazer espiritual na leitura de um livro de receitas. No entanto, para além dos prazeres adiados (e muito concretos) que encerra, pode conter, como este, tudo aquilo que permite a sobrevivência de uma população ao longo de anos e ao longo do ano.”
Tempo de Natal, este que atravessamos, ocorreu-lhe reproduzir uma receita adequada e traz esta de filhós. Em devido tempo experimentou a receita e achou delicioso aquele toque da aguardente, coisa que a avó não punha nas filhós que fazia e que, apesar de, não deixavam de ser deliciosas:
3 ovos
2 colheres de açúcar de sopa de banha
50 grs. De açúcar
3 laranjas
0,5 dl de aguardente
1 limão
Canela
Farinha
Óleo
Misturam-se os ovos inteiros, o sumo das laranjas, a banha, o açúcar, a raspa da casca do limão e uma pitada de canela. Depois de todos os ingredientes bem incorporados, junta-se farinha em quantidade suficiente para poder tender, sovando bem a massa. Deixa-se descansar algumas horas e estende-se a massa com o rolo, sobra a pedra polvilhada com farinha. Corta-se com o feitio desejado e frita-se em óleo bem quente.”
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22/11/2009
O prometido é "de vidro"

... e hoje não ficou no esquecimento. Estes copos fabricados a partir das garrafas de cerveja Cuca trazem diversas memórias. Em primeiro lugar, um tio oficial que só por uma vez foi em comissão a Angola. Após a experiência conseguiu sair em 67 para França, onde vive desde então. Em casa, as recomendações paternas: "os meninos não têm de contar a estranhos onde vive o tio". Só após 7 longos anos, pôde o meu tio regressar ao Portugal de que tantas saudades tinha... homem que sempre amou a terra, sentia a nostalgia da sua aldeia no Alentejo. Uma madrugada de Abril trouxe-lhe a possibilidade de rever o país de onde sai anualmente com os olhos brilhantes... alguns dos seus camaradas de armas foram os conhecidos "capitães de Abril". Sou suspeita por laços familiares, mas tenho tanto orgulho nele como nos nomes que todos os mais atentos conhecem.
Em segundo lugar, aprendi como eram estes copos feitos em Angola. Enchia-se a garrafa de cerveja - obviamente vazia- de óleo de palma até à altura que se pretendia cortar. Introduzia-se um arame incandescente e saía o gargalo e parte da garrafa excedentária. Por último, o copo já formatado era limado para se poder utilizar sem o risco de cortes.
13/11/2009
A placa

Onde está esta placa comemorativa?
A que obra se refere?
(Adivinha concebida por Pedro F)
O Levy acertou.
E o Pedro referenciou.
Póvoa e Meadas, alto Alentejo.
A placa presta homenagem a um conterrâneo que, com sacrifício, pagou do seu bolso o curso de Engenheiro Electrotécnico na Universidade de Grenoble.
Quis que o seu conhecimento fosse aplicado na sua terra e assim nasceu a Barragem de Póvoa e Meadas (Hidroeléctrica do Alto Alentejo), a primeira barragem com aproveitamento hidroeléctrico em Portugal. Foi inaugurada pelas 14,25 do dia 23 de Fevereiro de 1927 e as povoações de Castelo de Vide, Niza e Póvoa e Meadas, por esta ordem, foram as primeiras povoações portuguesas com energia eléctrica gerada pelo aproveitamento hídrico.
O Levy acertou.
E o Pedro referenciou.
Póvoa e Meadas, alto Alentejo.
A placa presta homenagem a um conterrâneo que, com sacrifício, pagou do seu bolso o curso de Engenheiro Electrotécnico na Universidade de Grenoble.
Quis que o seu conhecimento fosse aplicado na sua terra e assim nasceu a Barragem de Póvoa e Meadas (Hidroeléctrica do Alto Alentejo), a primeira barragem com aproveitamento hidroeléctrico em Portugal. Foi inaugurada pelas 14,25 do dia 23 de Fevereiro de 1927 e as povoações de Castelo de Vide, Niza e Póvoa e Meadas, por esta ordem, foram as primeiras povoações portuguesas com energia eléctrica gerada pelo aproveitamento hídrico.
21/08/2009
Terceira adivinha a voar
25/07/2009
SÍTIOS POR ONDE ELE ANDOU

Serpa, um domingo pela manhã, 39º de temperatura. Mais um pouco e seria brasa.
Lá vai Serpa, lá vai Moura e Pias fica no meio.
Para além do queijo, Serpa exibe um outro ex-libris: a Cervejaria “Lebrinha”, onde se bebe a melhor cerveja do mundo.
Diz a lenda que se pede uma imperial, fica em cima do balcão, viaja-se até Lisboa, e no regresso, a imperial ainda está borbulhante de vida e de força.
O “Lebrinha”, acompanhando os tempos, já colocou na montra, nas paredes, letreiros desenhadas onde se pode ler que ali já se pode fumar. Razões? Um certo perder de numerosa clientela, que gostava da sua ganza, entre dois fininhos, e se estava a despegar da casa.
Uma terra simpática. Quase ao lado de um lindíssimo jardim, o Parque de Jogos Manuel Baião. Franqueamos a entrada e damos, junto ao bar, com um bidão, cortado ao meio, que serve de assador. Ouviu então dizer que é ali, naquele cantinho do parque de jogos, que o melhor da festa acontece. O jogo, em si, importará pouco, o importante são as entremeads, o entrecosto, os coiratos , as febras, o tintol.

Há muitos anos, para aí inícios dos anos 70, foi ao Monte da Caparica ver um jogo de futebol do clube local com o Almada. A um canto do campo encontrava-se uma barraca,uma tábua comprida a servir de balcão, onde fritavam chouriços de sangue, pão caseiro, tudo acompanhado por um tinto de pipa de se ficar parado no tempo. O que ele daria para voltar àqueles chouriços…
Um grande cartaz na rua principal de Serpa, anunciava “Noites de Rua Cheia. Um nome catita para um festival de coros alentejanos onde, entre outros, pontificavam os “Sons da Campina”, “Amigos da Pinguinha”, “Sementes do Alentejo”. A pena que teve de não ter oportunidade de assistir.


Não é alentejano mas gostava de ser. Partilhar solidões, admirar o serem enamorados de si próprios, da sua vida, dos seus vagares, das suas comidas, dos seus cantares, dos seus montes a perder de vista. Nunca falam sem pensar e, apenas, falam aquilo que é necessário falar.
“Um dia Arnold Bocklin, seu filho Carlo e Gottfried Keller estavam na taberna, como habitualmente. As suas libações eram conhecidas desde longa data pelo carácter fechado e taciturno dos convivas: uma vez mais encontravam-se calados. Após um longo momento o jovem Bocklin observou: “Está calor”, e um quarto de hora depois, o velho: “Há falta de ar.” Keller, pelo seu lado, esperou um momento; a seguir levantou-se, proferindo as seguintes palavras: “Não quero beber com gente tão palradora.”
Esta história é contada por Walter Benjamim, que não é alentejano mas que, talvez, gostasse de ser. A história encontrou-a nos seus primeiros dias de andar a viajar pela blogosfera. Não lhe peçam pormenores, mas achou-a uma verdadeira delicia. Recortou e guardou-a.


Ele diz agora, a despedir-se da crónica, que o Alentejo é um lugar de paixão. Mesmo que seja domingo e estejam 39º de temperatura. Mas nada que um fininho no “Lebrinha” não resolva. E, até, pode fumar-se um charuteco.
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