
O Real lá se sagrou campeão, conforme previsto. Em Barcelona, como em Lisboa, espera-se com ansiedade a próxima época. O Barça, como o Sporting e o Benfica (mais o Sporting, por muito que me custe..), teve o campeonato na mão e deixou-o fugir num jogo que não assisti, mas que fui ouvindo, vislumbrando e sentindo pelas ruas de Barcelona. Primeiro, e em antecipação, os adeptos do Barcelona e do Espanhol, misturavam-se pela cidade, entre milhares de turistas e habitantes anónimos. Depois, e enquanto, procurava um local simpático para jantar, as ruas despovoaram-se aos poucos, restando apenas alguns turistas. Ao passar por um restaurante, espreitei pelo vidro e vi na televisão a repetição de um golo do Barcelona. Queria ficar ali, mas não havia mesa e as minhas companheiras de viagem suspiravam por um jantar sem televisão, sem futebol. Fomos andando, e encontrámos um sítio com esplanada. Comemos e conversámos. Segui a conversa, enquanto olhava em redor, tentando analisar as expressões faciais de quem passavam, ao mesmo tempo que ouvia os gritos de golo entoados nos apartamentos de janelas escancaradas. Não sabia o resultado. Quando olhei para o relógio e percebi que o jogo teria acabado, percebi, então, que o Barça não tinha vencido. A cidade estava em silêncio. Sepulcral.
Embora me fosse indiferente o resultado, gosto de futebol. E, afinal, estava ali, e o Figo até tinha ali jogado no seu expoente máximo. Aí reside a grande diferença. Quem não gosta perde algo da vida, pode até parecer pouco. Mas não. Porque quem não gosta de futebol, tem pena de não gostar, e sabe, no seu âmago, que está em perda.