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a construção da memória no mundo contemporâneo

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    Rui Bebiano e Miguel Cardina
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    Adriana Bebiano, Alexandra Silva, Luísa Tiago de Oliveira, Maria Manuela Cruzeiro, Rui Miguel Brás, Sandra Guerreiro Dias, Tiago Barbosa Ribeiro, Tiago Manuel Ribeiro
    [em construção]

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    3030-901 Coimbra
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Permitido Proibir

Publicado por Miguel Cardina em 06-07-2007

ProibidoTemos assistido nos últimos tempos a reiteradas preocupações com uma certa amnésia social relativamente ao nosso passado recente. Estas queixas vieram de novo ao de cima com a vitória de Salazar no concurso televisivo Grandes Portugueses, ocasião que serviu para lastimar publicamente o débil conhecimento que as gerações mais jovens têm do Estado Novo. Uma das razões para esta carência de memória – outras existirão, porventura mais importantes – está no modo como o período tem sido escrito e descrito. Não me refiro ao facto das narrativas que dispomos serem em regra geral «empenhadas», uma vez que o conhecimento do passado se alimenta tanto de boas memórias como de trabalhos historiográficos rigorosos. Refiro-me, isso sim, à quase ausência de obras que consigam revelar, com informalidade e até mesmo humor, os traços marcantes da época, tornando-a assim mais próxima e compreensível para quem dela não teve experiência.

Isto por si só já seria motivo suficiente para saudar Proibido!, de António Costa Santos, texto no qual o autor aborda, com um invejável sentido do humor, a sanha proibitiva do regime salazar-marcelista: da censura aos livros à vigilância no vestuário, da interdição da Coca-Cola à impossibilidade da mulher viajar sem autorização, da necessidade de licença para usar isqueiro até à proibição de andar descalço, da repressão aos beijos públicos até à obstrução do casamento às enfermeiras. Tudo narrado de maneira ligeira e concisa, com explicações pontuais sobre a natureza e o contexto de algumas destas proibições e relatos divertidos sobre esse «tempo caricaturo, mas sem graça» (p.15), no qual o «Direito teve muito poucas áreas de indiferença, metendo o nariz em tudo, sem balança, nem venda» (p.11). O grafismo não é dos piores da Guerra & Paz, ainda que as imagens no interior sejam algo repetitivas e abundantes. A prosa, felizmente, sai ilesa.

António Costa Santos (2007), Proibido!. Lisboa: Guerra & Paz. 193 pp. [ISBN 978-989-8014-59-7]

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