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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Francisco: Eu, a Cidade e o Mundo

Inspirado no meu post anterior, o Francisco publicou um texto verdadeiramente interessante onde problematiza o imaginário da cidade, concretizando a sua tese com o caso paradigmático da Invicta Cidade do Porto (título atribuído pela rainha D. Maria II em louvor à coragem com que defendeu os ideais do liberalismo oitocentista) e a forma como cada um de nós se dela enamorou, tendo em conta a nossa polaridade dominante: a feminina no meu caso, a masculina no dele.
O meu percurso tem-me levado a amar os lugares onde cruzo memória e afectos. Ruas muito específicas da cidade de Portimão que me falam de episódios da minha vida e das pessoas com quem tenho tido o privilégio de privar. O meu imaginário de Lisboa nasce da leitura. Há lugares onde respiro Cesário, Pessoa, Baptista-Bastos. Depois, os anos durante os quais lá estudei. Há lugares onde revisito o cheiro a livros, mas também um gesto, um beijo, um olhar.
Na sua Poética do Espaço, Gaston Bachelard sublinha o poder da repercussão e da ressonância sentimentais na criação de novas realidades que medeiam o sujeito e aquilo que lhe é exterior. Estas novas realidades resultam da transformação a que as coisas se sujeitam pela percepção de cada um de nós. Assim, as coisas passam a ser imagens.
Aquela rua, por exemplo, nunca poderá ser a mesma para cada uma das tantas pessoas por quem me cruzo todas as manhãs. Porque naquela rua, a minha rua, a imagem em que aquela rua se transformou, habitam os meus pensamentos matinais, os odores que testemunhei, os textos que li, as músicas que sei, as histórias como as vi e vivi.
Esta é uma forma poética, intimista e passista de viver os lugares, a cidade, o mundo. Bachelard alerta, porém, que a imaginação nos liberta do passado e se abre para o futuro. Existe, portanto, na imagem, a possibilidade de uma dinâmica interventiva e de uma abertura ao Outro. Uma possibilidade de pragmatismo.
Creio poder articular esta ideia com a imagem de casa explicada pelo filósofo francês. A casa como o nosso primeiro universo, espaço de ensaio do nosso movimento no mundo e ilusão de estabilidade.
Uma visão abrangente não permite que a casa se reduza a um espaço balizado por paredes. Mário Ventura, em Quarto Crescente, coloca o narrador-menino à janela e transforma a casa onde como um projecto estensível ao tempo e ao espaço. Em toda a sua obra, Baptista-Bastos apresenta uma visão cronótopa dos bairros de Lisboa e Lisboa passa a ser metonímia de não só de Portugal como também do mundo inteiro porque Lisboa se confunde com a própria Humanidade.
O meu amigo Francisco inova de forma interessante o modo como se tem vindo a percepcionar poeticamente a Cidade. Num gesto centrípeto, o Francisco concentra o mundo no Porto, no seu Porto, na imagem que tem vindo a construir do Porto. E desse seu centro eleito, em que quase se adivinha uma fusão entre este meu amigo e a sua cidade, se expande, em movimento centrífugo, o exemplum que na Invicta o Francisco conseguiu descobrir.
Se bem leio este meu amigo, o Porto é simultaneamente o Eu e o Mundo; o diagrama da intimidade, da identidade, mas também da alteridade; o ninho da dialéctica interioridade-exterioridade.
Há uma passagem que considero absolutamente fabulosa e que aqui destaco com um vivo convite à leitura do texto inteiro:

Eu habito o Porto como se habitasse o centro do mundo: o Porto é a minha casa, o meu lar, construído no centro do mundo pátrio, que quero partilhar com todos os cidadãos do mundo. E neste desejo - que recusa a imagem turística oficial e a imagem pública do Porto veiculada por forças inimigas e invejosas - a diferença sexual que esbocei dissolve-se: o Porto é a Pátria da Identidade, a Casa do Homem. O Porto é mundo.

Terça-feira, 18 de Maio de 2010

Francisco, o meu amigo filósofo

Estive no Porto. A palavra Porto, como, aliás, cada palavra em si, nunca está isenta de uma impressão digital: movimenta-se no nosso imaginário em consonância com a experiência de vida de cada um de nós. No que a mim diz respeito, os locais redimensionam-se em função de leituras e de afectos. Foi pelas leituras que fui construindo o meu imaginário sobre a Invicta e, assim, o Porto era, para mim, o rosto dos liberais, de Garret, de Agustina ou de Helena Sá e Costa. No entanto, de há uns dois anos para cá, o meu Porto tem vindo a ser consolidado no campo dos afectos virtuais e, por antonomásia, hipérbole ou alegoria, passou a ser, também, sinónimo de Francisco Saraiva de Sousa.
Este meu amigo, autor e co-autor de blogue vários, tem desempenhado uma papel importantíssimo na divulgação do seu tão sui generis pensar Portugal e o Mundo. Para além das suas actividades de teor académico e social, o Francisco socorre-se da blogosfera para problematizar a sociedade actual e, por metonímia, a Humanidade. Um contributo exemplar e muito louvável na construção de um mundo melhor. Generoso, pela partilha espontânea e pela caixa de comentários dinâmica e sempre aberta para a dialéctica e o movimento filosofal. Delicioso, graças às intrusões constantes que translucidam a voz de quem escreve e que dão um toque muito pessoal a cada um dos textos. Ímpar, pela paixão com que pinta a sua cidade.
Portanto, ir ao Porto sem ao menos tentar a possibilidade de um encontro real com o Francisco seria um sacrilégio imperdoável. Hesitei, porém. Pelo receio de o frustrar com a minha limitação intelectual. Pelo receio de nos frustrar com a incapacidade de um diálogo sem teclas de permeio. Mas, porque gosto mesmo do Francisco e porque no seu cantinho acabámos por criar um grupo de amigos que me é particularmente querido - primeiro a Else, o Fernando Dias e o Manuel Rocha, depois juntou-se o Maldonado -, e com algum incentivo destes dois últimos, arrisquei e lancei o convite.
Senti alguma renitência da parte do Francisco. Calculei que pelos mesmos motivos que os meus. Por isso, insisti muito levemente, para o deixar confortável com qualquer decisão que tomasse. Fiquei muito contente quando se decidiu a telefonar e a combinar um encontro num café próximo do local onde desenvolvia as minhas actividades.
O Francisco deixou-me logo muito à vontade e conversámos muito bem sobre os mais diversos assuntos e, um pouquinho também, sobre os nossos amigos virtuais. Atrevi-me a perguntar-lhe sobre a sua vida social e confidenciei-lhe a imagem que dele havia construído.
Foi muito bom tê-lo conhecido pessoalmente, porque essa imagem ficou enormemente engrandecida, graças à componente humana, muito humana, que senti no Francisco. Para além de culto e inteligente, o Francisco é um homem calmo, delicado, atencioso, simpático, sorridente. Enquanto conversa está presente e olha-nos nos olhos. Confessou a sua quase-dependência do computador e a sua aversão pelas gentes que preterem o diálogo em presença, em nome do culto ao telemóvel. Por pensar da mesma forma, rejeitei duas chamadas inoportunas num acto em que o senti vacilar. Falei-lhe de como lhe admiro a produtividade e do quão gosto das suas caixas de comentários. Contextualizou-me algumas das suas intervenções. Em vão tentou acender um cigarro enquanto conversámos, mas as minhas boas energias enguiçaram-lhe o isqueiro.
Gostei do bocadinho com que privei com este meu amigo e sei que ele também gostou. Declara-o publicamente neste texto muito simpático, onde também reitera programaticamente o seu compromisso com o Mundo e a Humanidade.

Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Do 4º jantar de bloguistas e simpatizantes (ou o post dos links)


(Da mão do Paulo)



(E da do Pinguim)


Eu estive lá e gostei.
Um jantar volante propiciou o convívio. Também o facto de termos tido o restaurante só para nós. Organização do Pinguim e dos rapazes do Felizes Juntos.
Talvez porque ande maluca de todo ou porque o pessoal esteja muito in love e mais resguardado ou porque cada coisa tenha o seu tempo e eu me tenha deixado de ser de tempos, achei que o pessoal andava um tanto ó quê reservado, quasi-mortiço e, enfim, não houve pé de dança para ninguém.
Conversa muito boa outdoors e, muito embora tivesse sido alertada para o pouco êxito em campo, a verdade é que havia rapazinhos interessantes sim senhora aqui e acolá e além também.
Divertido, o Ângelo. Singularíssimo, o Hydra. Sorriso bonito, o menino do Comyxtura. Entusiasmada, a Teresa. Uma lufada, o Ophiuchus. Sentiu-se a falta da malta do Oeste, Mr. Rocky Balbino e menino Francisco. Lamentou-se a ausência da Condessa do Credo e Jardins Anexos. Fez-se figas para que Dom Maldonado conseguisse fintar compromissos e fazer uma surpresa de última hora. Uma pinta, o Pinguim. O mesmo charme de sempre, o nosso Zé. Lindo sempre lindo, o meu Paulo do Zé.
Apresentação aprimorada com projecção de um post por blogue e respectiva imagem de apresentação. Para o RG escolheu-se este texto. E, depois, a selecção com que cada um de nós animou a festa.
Eram muitos os quilómetros que me distanciavam dos que, ao acordar, me iriam procurar para o beijo do Dia da Mãe. Meti-me à estrada com os Queen e cheguei a tempo de levar o benjamim ao hospital por causa de umas parvas de umas hemorragias nasais que só pararam com fogo na veia.
Noite boazinha e, para o ano, quero mais. O Maldonado já me prometeu um pas de deux.

As minhas selecções:




(The Real Soul Bossa Nova, pelos Swingle Singers)





(La Linea, de Osvaldo Cavandoli)

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Rabiscos e Garatujas no Brasil

O Evandro é um exagerado e deliciou-me com um texto divertidíssimo que escreveu sobre a sua odisseia de há uns dias e a magnífica descoberta d' "o blog da Denise".

A homonímia tem a sua graça, mas Eu garatujo soa-me muito bem e o subtítulo é de se lhe tirar o chapéu.
É um blogue incipiente criado por quem a vida já trouxe alguma experiência e maturidade.

Aqui ficam as minhas boas-vindas à blogosfera e os votos de uma longa e feliz vida ao blogue do Evandro!

Estou contente!

Vou estar com o meu Paulo do Zé.
Vou voltar a ver o .
Vou conhecer o Pinguim.

(e uma data de gente gira)

Enfim, vou estar.

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Piropo

- Permita-me dizer que é ainda mais bonita ao vivo do que na internet.
Assim me confidenciou a voz mais sexy da blogosfera.

Há quem resista ao charme do Oeste Selvagem?

Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Francisco

Já perdi a conta de quantos blogues seus fui acompanhando e, mesmo que agora assine o Pseudobloguista, para mim continua a ser o fabuloso Uacou, cuja paixão pela informática o torna num admirável, imparável e incansável geek, em particularidades que espelham a sua tendência para as minudências do perfeccionismo.
Não nos recordamos dos pormenores que nos fizeram tropeçar um no outro. Navegávamos por mares comuns, algures entre o Felizes Juntos e A Voz das Retretes. Noutras marés, aportávamos em lugares de programas outros. Filosofia, ciência, estudo. Palermice também. Interesses comuns. Estava predestinado. Por isso, apesar de alguns desencontros que nos fintaram durante o ano que passou, o almoço que tivemos juntos seria uma questão de tempo. E o tempo fez-se hoje.
O Francisco é como o imaginei. Entre blogues e teclas no messenger e sms e emailes e uma foto aqui e outra ali e dois ou três telefonemas e uns quantos smileys e sopros provenientes de amigos comuns, fui compondo a imagem de um dos meus primeiríssimos companheiros da blogosfera.
Encomendou sol para que déssemos dois passos e meio no jardim por onde fomos estendendo os nossos tentáculos de conversa. Doses concentradas e cronometradas com o escoar da ampulheta.
Uma pincelada impressionista a aprimorar em reencontros que sabemos.
Para além de respirar simpatia e um sentido de humor muito peculiar, o Francisco possui a discrição dos que estão seguros da sua verticalidade e rectidão.
O Francisco possui a nobreza das almas grandes que partilham aquilo que conhecem.
O Francisco possui o dom da palavra fluida e o da paciência de saber ouvir.
O Francisco possui um sorriso que eu acho um mimo.

N.B. Derretidinha com este texto. A começar pelo título.


Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Auto-retrato

Desafiou-me o Magnífico Gino para um auto-retrato a postar aqui no RG.
Tempos idos, blogue encerrado, regras perdidas.
Alinho-me nestes trejeitos, pois que sou Deniblog, ou seja, ...

1. Polissíndeto. Apreciadora de anéis e elos e laços e cópulas e copulativas.

2. Assíndeto. Sugestiva. Lacónica. Lapidar.

3. Paradoxo. Em constante contradição. Criadora de labirintos, fazedora de percursos, em constante fuga de possíveis, hipotéticas e eventuais saídas.

4. Sinestesia. Aglomeradora dos sentidos que se conhecem e daqueles que eu invento. Percursora do tacto nas palavras e fiel seguidora do culto do aroma com que se enfeita o Verbo especular e especulativo. Explosiva com o efeito fusão.

5. Onomatopeia. Porque na minha escrita se espelha o mundo.

6. Disfemismo. Crua, nua e assumidamente bruta. Pedra. Pomes.

7. Alegoria, porque sou tantas em mim e tão sucessivamente. Porque sou. Sem dizer que sou. Porque não sou como nem menos nem mais. Sem graus. Sem sufixos. E concilio em mim os campos semânticos possíveis, impossíveis e, ainda, todos aqueles que se queiram criar.

8. Hipérbole, tudo ampliadíssimo, em grande escala e orgasmática quando em intersecções com assíndotas assim-tontas de estirpe elevada. Íssima.

9. Ironia, auto-ironia, mestria em trompe-l'oeil, devota do acto comunicativo e iniciada nos rituais da provocação. Com variantes e variações vertiginosas.

10. Autoficção, história de mim em flocos de estórias múltiplas. No ruído e no silêncio. Em escrita, em áudio, em imagem, em fotografia. Construção abissal em espiral infindável.



Que me aceitem este desafio:


Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Vermelho


De regresso ao meu RG, de encarnado em riste como manda o desafio que me lançaram primeiro o Maldonado, depois o Pinguim: enumerar dez pessoas e/ou situações que merecem cartão vermelho.
Excluo a possibilidade de nomear pessoas porque acredito veementemente que o que está sempre em causa são as ideias e os actos (ou a falta deles).

Ora aqui estão dez que me repugnam até ao tutano:

1. A ignorância, que tolhe a liberdade de qualquer um. Cartão vermelho à acomodação de quem se quer manter ignorante, ignorando o seu estado de ignorância. Cartão vermelho à exploração da ignorância alheia para proveito próprio.

2. O egoísmo que, de mãos dadas com a ignorância, está na origem das maiores atrocidades de que temos memória.

3. O preconceito, que gera a perseguição, a ostracização, a marginalização, a separação e todas as palavras feias terminadas em -ão.

4. A intolerância infundamentada, que invalida a unidade, a igualdade e a fraternidade.

6. A indiferença, que cria ilhas sem oxigenação e lugares putrefácteos.

7. O conformismo, a amnésia, a inércia que têm vindo a tomar conta de grande parte da humanidade lassa e passiva que facilmente deixa de pugnar por ideais que podem mover montanhas.

8. A tourada e todas as tradições que vivem da exploração do sofrimento alheio.

9. A escravidão que a moda pode causar. Depilação púbica aqui incluída.

10. O culto das relações-relâmpago que tem vindo a ridicularizar a expressão do amor e da paixão arrebatadora.


Passo o desafio a dez blogues, com uma mutação à la Denise: porque há que não esquecer o que de bom há por aí, acrescentar 10 pessoas ou situações que merecem luz verde sem margem para dúvidas (os que já fizeram a primeira parte só terão de aditar a segunda)

Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Férias

Quem corre por gosto não cansa. Foi com um esgar trocista que assim se despediu de mim à saída do portão. É verdade que entrei de férias a 25 de Julho, mas não foi por gosto que continuei a percorrer os vinte quilómetros que distanciam a minha casa da escola, mais os outros tantos por parte significativa do barrocal algarvio, de dia, de noite, sem ar condicionado e a prole a reboque. Nem por carolice foi que me demorei nos cinco porta-fólios que do cimo da secretária da esquerda reclamavam correcção. Não sei por que foi. Apenas sei da existência de pessoas que se sujeitariam a uns dois meses de atraso por uma questão de dias. Que, depois do início do processo sob a minha orientação e o meu acompanhamento, seriam avaliadas por outro(a) formador(a) que levaria o seu tempo a adaptar-se à equipa, aos grupos e, provavelmente, a reformular algumas decisões anteriores de acordo com a sua própria metodologia de trabalho. Pessoas que, como que só Deus sabe, reorganizaram as suas vidas para concretizarem um sonho ou uma urgência. Pessoas que, tendo dignificado os prazos alheios, tambêm têm os seus próprios prazos. Pessoas assíduas, atentas, interessadas, esforçadas. Pessoas que, para mim, não são estatísticas das Novas Oportunidades. Nenhum dos cinco porta-fólios foi validado. Mas têm os referenciais explicados e trabalho orientado até ao final do Verão. Não foi por gosto, mas acabou por ser um gosto. Pessoas. É este o ponto fraco de muitos professores. É este, também, o seu ponto forte.

Hoje parei. Entre papelada por arrumar e dois dossiês por organizar e devolver à escola, há tempo para muita coisa.
Amanhã almoço com a Condessa do Credo e Jardins Anexos.

Estou de férias!

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Quixotinha


Madre Teresa, defensora dos desvalidos, salvadora do mundo, Miss Utopia, louca maluca, por aí... Epítetos habituais a que respondo com um sorriso.
Elegante e irrestível, porém, digna de distinção e duas vénias, a visão da minha pessoa como a versão feminina de D. Quixote.

Paródia, ironia, intertexto, desconstrução.
Patética mas nobre, esta cavaleira da triste figura peleja pelos ideais com que norteia a sua demanda.
Por vezes tomba do seu Rocinante. Reergue-se, sacode-se e, mesmo apeada, empunha a lança que, em riste, frequentemente se vira contra ela mesma, moinha de sonhos e de vento.

Assenta-me que nem uma luva.
Obrigada, nussbaum.


***
N.B. Assina esta camarada virtual um blogue de cópia e colagem onde ultimamente tem colocado um conjunto de vídeos e palavras de interesse significativo para a discussão que aqui tem tomado lugar. Deixo um convite para casa alheia. Sou atrevida.

Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Afinidades

De se lhes tirar o chapéu:

«A homofobia é fodida», by Maldonado


«Hemohomofobia», by Bluewater68

«Ninguém pode dar sangue», by Francis

«Contra a homofobia na blogosfera», by Francisco S. de Sousa

Domingo, 2 de Agosto de 2009

Prémios



Em 2008, quando muitos blogues se tornaram ainda mais pitorescos, a Deniblog deixou-se contagiar com a luz dos sóis artesanais do seu Paulo do Zé e quis partilhá-la com quem efectivamente aqui partilhou.
Um ano e alguns meses depois, os meninos mais bonitos da blogosfera estrafegam-nos de mimo e brindam-nos com uma segunda entrega de prémios. O nosso RG é um dos felizes contemplados:
8. rabiscos e garatujas »» pela Deniblog autoficcionada que parou durante algum tempo mas regressou e em força. Uma experiência de leitura e partilha únicas.
A Deniblog agradece e, mantendo o critério da ordenação alfabética, esfusiante se aventura na alegria da multiplicação dos sóis.

***

PRÉMIO ANTES DA REVOLUÇÃO
(Criaturas do tempo pré-blogosfera que a Denise já conhecia antes da sua metamorfose em Deniblog)

A a Z - É o blogue de Nuno Júdice, onde, ao ritmo de um por dia (os intervalos são excepções), uma imagem pretexta o nascimento de um poema. É professor na faculdade onde fiz a licenciatura. Não fui sua aluna, mas assisti a algumas aulas suas. Foi o orientador da tese de mestrado de uma grande amiga minha, sobre o ciclo do animal-noivo na Literatura Tradicional de Transmissão Oral. Aprecio-o como Poeta e como ensaísta. Um dos seus contos figura no corpus seleccionado para a minha tese de doutoramento. O blogue está mudo há quase um ano...
Ana de Amsterdam - Cruzávamo-nos no prédio onde fiquei alojada quando fazia a licenciatura e onde os seus pais ainda hoje moram. Não me lembro dela. Ela lembra-se de mim. O seu blogue continua a ser o blogue-inspiração. Invejo-lhe abertamente a fluidez despudorada com que escreve sobre o que quer que seja. Acre para com tudo e para com todos. Excepção destinada à música, aos livros, aos seus três filhos. Torna-se açúcar. Mascavo. A primeira vez que dela aqui falei foi neste post breve.
Crónicas de Bizâncio - Do Pedro Sena-Lino que conheci, como poeta, num seminário d' A Professora. Demorámo-nos nas veredas da escrita intimista. Ofereceu-nos um exemplar do Biofagia cujo título e laboratório nos explicou pacientemente.
Da Literatura - Onde colabora Eduardo Pitta. Conheci-o no mesmo seminário, pela mão do Paulo que sobre ele dissertou na sua tese de mestrado. Os textos que publica no também seu blogue resultam da sua leitura do mundo. Em registo denotativo.
Felizes Juntos - O blogue dos blogues e o de que mais tenho falado neste meu tasco. Em constante actualização dos seus new looks, mantém a qualidade com que já nos habituou. O Paulo foi meu colega de mestrado. Beautiful e furacão. Com ele aprendi muito mais do que ele algum dia possa supor. Depois, o Zé. Bonito e lago azul. A propósito, alguns posts como «Parabéns, Paulo», «Felizes Juntos: no Sábado...» e «Felizes Juntos: primeiro ano».
Galeria em Construção - Lugar de imagens que são poemas e de poemas que são imagens; a pluralidade dos sentidos em esboço, em estudo, com curvas e cores. Cinza também. Ela sorri mas tem um olhar triste. A Ana Paula, colega e amiga dos feudos do ReitorTirtanoRex, mora em dois textos meus: um e dois.
Manchas - Conheço-o das lides académicas, graças, ainda, à A Professora. Ele já me sorriu e já me esqueceu. Luís Mourão, das literaturas portuguesas contemporâneas, é Prof. Coordenador de um politécnico do Norte. Quotidiano, literatura, sociedade, música, política. Em dose elevada, concentrada em manchas breves.
Manta de Retalhos - Moribundo, à espera de sucessor. Da Tia Adoptada, mulher generosa, sensível e tremeliqueira. Vai ao pormenor e mói mói mói. Brinda-nos com uma taça vinho e uma fatia de queijo. Deixa-me perdida no labirinto dos seus blogues que inaugura e encerra conforme lhe dá na veneta. Sobre a Tia dos desabafos, que me perfilhou na escola do Reitor dos bigodes com migalha de pão embebidos em sopa de peixe, dois textos no RG: este e este.
O Leitor sem Qualidades - No seguimento do blogue O que Cai dos Dias, de João Ventura, meu professor de Francês no ensino Secundário. Reflexões a partir de livros lidos e excelentes pretextos para repensar a teoria literária.
Tulisses - Do menino TUlinho que tem um sorriso traquina e a calma da lua no olhar. Cheio de auto-desafios, promessas cumpridas, incansáveis tentativas literárias, sólidas, convincentes, promissoras. Troca de mimos e autenticidades no texto dedicado ao seu blogue, no seu aniversário, no baobá que lhe ofereci, na valsa que com ele dancei.

***

PRÉMIO FACE A FACE
(Descemos das torres dos nossos pesudónimos, e constatámos que nas noites em que os nossos voos se cruzaram no espaço escuro da blogosfera, acendemos estrelinhas de amizade. Rocky Balbino)

Blog de Espiritismo - Aportaram ao RG. Gostaram. Convidaram-me para parte da equipa. Aceitei. Colaboro tímida e desreguladamente. Com este blogue procura-se desmistificar as ideias absurdas que se tem sobre a Doutrina Espírita, dilucidar confusões, esclarecer dúvidas, explicar algumas coisas à luz do Espiritismo. É um blogue bem disposto escrito por malta nobre. Em Óbidos, conheci o André, o Mário e o Toni. Agora só falta o Francisco. Sobre o impacto que em mim causou o encontro, rabisquei uns versos livres.
A Galinha da Vizinha - da Marta, com quem privei em Óbidos. No blogue partilha as galinhas e outros afazeres artísticos. Também, as fotografias com que capta os seus instantes. Ela é simpática, atenta, autêntica.
A Voz das Retretes (Premium) - Passa por culto, sensível, inteligente, generoso, honesto, simpático, gentil, directo, amigo. Mas é feio, porco, bruto e mau. Fervilha, como eu, quando se mexe, mal, nos outros. Com ele, uma afinidade que creio anterior ao que hoje eu sou. Apresentou-me os KellyStripper. É mestre de uma ironia ímpar com que mantém o seu blogue. Invejável, do primeiro ao último post. O Rocky Balbino é dos mais raros diamantes que encontrei na blogosfera. Assim lho disse aqui.
Antíteses e Transparências - Da Monga que o Paulo me apresentou no mundo virtual e, depois, em carne e osso e uns olhos enormes e luzidios. É carneira e maluca como eu. Mudou de morada e recolhe-se agora num cantinho mais discreto e recatado. Mantém o registo intimista com uma força admirável e uma expressividade ímpar. Leio-a porque gosto. Também porque quero aprender a escrever assim.
Bicho Bravo - Da Kika, que também o Paulo me apresentou, é divertida e irreverente. No seu blogue, intercala prosa poética com crítica de arte e granadas política-sociais. Escreve bem, sem papas na língua.
Bolinas - Do meu Vizinho marafado. É um blogue quase impessoal, não fosse a ininterrupta modalização do discurso. Críticas severas que nem sempre acompanho e um olhar atento e muitíssimo perspicaz sobre o mundo que é feito de pessoas, com especial incidência sobre as políticas e os devaneios do ambiente. Chegou ao RG pela mão do Francisco Saraiva de Sousa e fez-me sorrir com a sua boa disposição e as suas observações assim-tontas. Da blogosfera para o msn e depois de muitas flores no meu jardim não resisti e voei no carro para um rosto a rosto. Ele nem sonha, mas há um antes e um depois de Manuel Rocha na minha vida. Com ele já dancei o corridinho e a ele já dediquei uma toccata. Um dia ousarei cantar assim.
Captação do Segundo - Conheci-o em Tormes, a propósito de Eça de Queirós. Ele é reservado. Eu, uma tagarela. Simpática, acrescenta ele. Soube há pouco tempo que também tem o seu blogue. O Edner Morelli é poeta de além-mar. Li Latência e espero que mais livros seus cheguem a este nosso país à beirinha-mar plantado.
Cum Carago, Ó Celeste! - Mantém o rosa, a música, o entusiasmo, a simpatia, o optimismo. Encontrámo-nos em Óbidos. Trouxe-me morangos, ofereci-lhe palavras. Bebemos ginginha e tagarelámos pela noite fora. A Celeste é muito bonita. Anda mais que o seu blogue. Tenho um telefonema para lhe devolver.
Lendas e Legendas - Sobre filmes e livros e filmes, é escrito a 10 mãos, das quais conheço apenas as da Si. Tem um entusiasmo contagiante e uma meiguice transparente. Mora em terras de sua Majestade. Na sua alma mora a saudade imensa das terras lusas. Com ela almocei num dia de sol e escrevi assim.
O Irrelevante - Que de irrelevante não tem nada. Mostra o quotidiano dos professores e destrói os argumentos de quem ousa acreditar que não temos razão quando erguemos a nossa voz. De raciocínio rápido e uma assertividade atroz, fala com convicção e nem se apercebe que lhe bebo as palavras, com a secreta inveja de não ter uma força assim. Tem paciência para as minhas questões e desenvolve o raciocínio sem pestanejar, quase sem olhar para mim. Pena o silêncio desde Maio último.

***

PRÉMIO A DAMA OCULTA
(Elas e eles cujo rosto e voz conhecerei em qualquer lugar real sem telas de permeio ... ou gostaria de)

A Fisga - É o blogue do Fernando Dias, onde cruza ciência e filosofia na tentativa de nos mostrar como ele interpreta o mundo. Nem sempre concordo com ele, outras vezes, confrontada com a minha ignorância, nem me atrevo a opinar. Leio-o em silêncio e assim vou aprendendo o que consigo aprender com os seus textos.
A Mesa de Luz - Acho piada aos seus short posts. Livros, música, mundo. Arte. Connosco partilha um fabuloso mundo de imagens que encontra aqui e ali.
A Terceira Via - Do Maldonado, o dissidente. Ele fala de cinema e de televisão. De livros e de política. De gajos e de gajas também. Ele não suporta gente fútil e malcriada. Perdemo-nos pelas noites dentro com orgasmos intelectuais viciantes e rimo-nos das ideias que fazemos um do outro. É um gajo muito porreiro que não concebe que eu goste dele. Um dia despir-nos-emos do anonimato e ele levar-me-á à cinemateca de Lisboa. Sem pipocas.
Bitaites - Eu lia-o amiúde mas irrompi nos comentários a propósito do uso inadequado da palavra Espiritismo. O Marco impressionou-me pela prontidão com que acolheu o meu pedido. Admiro-lhe o humor refinado, a rectidão com que se posiciona perante as coisas do mundo, as selecções fotográficas e musicais. Procurei retractar o tom acre com que lhe invadi o blogue. Pela intersecção simpática que encontrámos algures entre o seu ateísmo e o meu pendor para o espiritualismo, creio estar perdoada.
Cybercultura e Democracia Online - o Francisco é um caso singular em toda a blogosfera. Imparável, escreve a uma velocidade vertiginosa. Textos densos, onde o pensamento filosófico problematiza. Sigo com atenção os ses estudos mais sérios. Divirto-me com as derivas futebolísticas. O Francisco académico tem valor acrescido porque transparece homem na sua caixa de comentários, onde o debate é saudável e descontraído. Quando eu regressar ao Porto, levar-me-á a conhecer os telhados e as luzes a cidade.
Gino - Do Magnífico Gino e da Vá Gina, parvoeira do princípio ao fim com um fundo muito sério visível ao olho atento.
Hydrargirum-γδράργυρος - Histórias de vida absolutamente inacreditáveis. Humor. Criatividade. A sua pátria é a língua portuguesa. Hydra-eloquente, como diz o Paulo.
L' Chaise Ethnicraft - Do LN a quem eu rebaptizei de Lótus de nanqui. Mora no mundo da arte. Pictórica, plástica, cinematográfica. Foi amor à primeira vista que despudoramente lhe confessei, com a devida preparação. Sensível e bem escrevente. Perfeito. Ou quase. Não fossem uns pomenroes de natureza púbica e algo mais.
Lava Flow - Do simpático Bruma que mora ali ao lado e de quem me desencontrei algures na multidão do Festival Med. Diz que nós, indianas, somos bonitas, fala de um pouco de tudo, mas do que eu mais gosto é da selecção musical. Anda caladinho, mas será o meu par no próximo jantar do P/FJ.
Levitatis Officina - Da borboleta vaporosa, a bela Fräulein Else que eu admiro à exaustão. Culta, inteligente, gentil, perspicaz, espirituosa, é das pessoas mais completas que até hoje conheci. Gosto tanto dela que não ouso invejá-la. Uma canção no seu aniversário. Os nossos caminhos são próximos e um dia cruzar-se-ão.
Ma Ke Jeto Mosso - Descoberta recente, o Águázul mora na outra ponta do Algarve e encontramo-nos ora aqui, ora ali, ora no tasco do Marco. Política, futebol, cinema, televisão, vozes, mundo. Bem temperado com uma pitada de humor.
Miúda do Deserto - É a Ana dos aviões. Mudou de tasco, mas continua maluca e divertida como sempre. Adora Bollywood e a cultura indiana. A vida que reescreve dava um filme. Daqueles de rir. E o seu coração é grande, como o mundo por onde ela voa.
O Dono da Loja - Do Francis e do Magnífico Gino. De linguagem despudorada colocam o dedo na ferida, entre duas gargalhadas.
O Mundo é um Catso!!! - De registo diarístico, acelerado e muito bem disposto. Coisas da vida e do hospital. Espiritinha, como eu.
O Tapete Vermelho das Imagens - Mantido pela Ana Tarouca d' O Lobo Leitor. Mostra-nos o simpático mundo da ilustração (também) para crianças. Entre feiras e exposições e congressos de Literatura para a Infância, havemos de nos encontrar.
Pseudobloguista - O Francisco é um dos mais antigos moradores desta ilha e temos tido uma sintonia muito boa. Muito bom moço, este meu Uacou, todo ubuntu coiso e tal, dá-nos dicas e ensina-nos truques do mundo da informática. É simpático, divertido, atencioso e confidente. Quando a saudade aperta, aparece de fugida no msn para um alô. Temos uma eternidade para um frente a frente, mas eu sei apressar as coisas.
Sons do Pensamento - É difícil, mas não é impossível. A Gigi mora do outro lado do Atlântico. É simpática e curiosa. Gosta da escrita lusa e uma vontade louca de aprender e melhorar e escrever.
Sítio Peludo - a apologia da pilosidade e da Poesia. O SP é o mágico das palavras. E das pausas.
Whynotnow - Do Pinguim, co-fazedor de convívios da blogosfera. Apaixonado, recto, bem-disposto.De palavra gentil e amiga. Uma lição de amor que sobrevive ao espaço e ao tempo. Conhecermo-nos é apenas uma questão de tempo.
À Margem da Ria - Do meu saudoso Manu que espelha estados de uma alma bilingue. Que pinta e olha o horizonte com uma melancolia sedimentada. Que fotografa a ria e as cores de Aveiro. Que me enche de mimos quando aporta a esta minha ilha.

...
Este é o estado da coisa em 2009.
Muitos os blogues que visito,
cinjo-me aqui às interacções mais assíduas.

Actualização prometida em gala posterior.

N.B. Os títulos dos prémios recuperam apenas títulos dos filmes de Bernardo Bertolucci, Ingmar Bergman e Alfred Hitchcock sem o propósito de qualquer relação com os argumentos e as teses subjacentes.

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Pontos de ordem

Não Miguelito, este texto não é sobre si, nem sobre a Analfabeta. Poderia ser sobre todos nós, mas o que aqui pretendo é esclarecer algumas ideias. Não me demorar com pessoas.
Condimentado com um sarcasmo que visava o perigo da ignorância e da incapacidade crítica, as minhas linhas repescaram algo de repulsivamante putrefacto e de um fedor tal que nem eu, exímia nas palavras, consigo descrever.
Entre o cocó diarreico, o pus de um amarelo quase laranja, o rasto de pensos higiénicos enegrecidos, o azedo espalhado por golfadas esverdeadas e outros fluidos nauseabundos de natureza excrementícia, encontro alguma tralha passível de reciclagem.
Aos interessados, apenas uma recomendação: sentem-se confortavelmente. É que isto vai demorar um bocadinho...


Ponto um – Da suposta ofensa pessoal e da importância de saber ler
A atenção com que releio as linhas que subscrevo neste tasco e o rasto que vou deixando na blogosfera confirma-me que as palavras eventualmente mais contundentes, como “nojo”, “indecente”, “preconceituoso” ou “preconceitualidadismo” (neologismo meu e não erro, Miguelito) recaem sobre um texto e não uma pessoa.
“Ignorância”, “atrevimento” e “pseudointelectualidade”, assim como a expressão “rebanho mal parido” metaforiza o grupo de pessoas que se deixa conduzir cegamente por um qualquer pastor... ou líder. É um grupo onde cabemos todos e, num ou noutro caso, a carapuça servirá a qualquer um de nós. Ponham-me a falar de carros, de futebol, de electricidade, de Empédocles…. A etiqueta assentar-me-á que nem uma luva. No caso em análise não consigo deixar de associar o pensamento homofóbico e qualquer tipo de preconceito (pois que o preconceito ultrapassa a mera opinião) à ignorância do ser pensante.
“Falta de lubrificação” não é ofensivo e “estupidez”, no contexto, sinonimiza iliteracia, ou seja, isso mesmo, analfabetismo: a incapacidade de ler e escrever.
Há ainda uma passagem que se socorre do discurso indirecto livre. É uma estratégia que me permite desconstruir, pelo efeito de ridículo, o argumento alheio em viva voz.
É aí que entra o calão que enfeita o meu registo, sendo que o seu uso cria efeitos muito diferentes consoante o contexto em que se move, seja ele irónico, orgásmico ou puramente ordinário e ofensivo.
Talvez tenha uma escrita caprina. Reconheço. Mas sei para onde vou e da qualidade dos meus benévelos leitores que me têm acompanhado incansavelmente.
Conseguir explicar a quem não quer ver que a minha crítica recaiu sobre texto e ideias e não sobre pessoas é uma tarefa demasiado hercúlea para esta pobre massa cinzenta que reconhece os seus limites e as suas limitações....

Ponto dois – Da homofobia, dos preconceitos e das falsas liberdades
Ora, a verdade é que o que motivou a escrever sobre o assunto resulta da minha mais profunda intolerância a qualquer tipo discriminação. Os textos que vou publicando no RG não me deixam mentir.
Poderia optar por redigir um texto mais geral sem concretizações, mesmo que elas ilustrem o mundo real, como constatou a Tia na caixa da confusão. Ainda verde nalgumas cousas da vida (empírica e virtual), sofro de ímpetos e de, como sugeriu o Marco, muito pouca sensatez. O tempo e a idade encarregar-se-ão de me moderar as cabriolices. Mas houve um pretexto. E, em conformidade com a minha consciência de agora, não houve como o não mencionar como caso exemplificativo. Com o link aportou também uma grosseria a que não estou habituada. Consequências contornáveis mas que aceito porque o direito ao contraditório só veio consolidar os meus argumentos, porque cartuxos sem pólvora só atingem quem se deixa atingir, porque vozes de burro não chegam ao céu. Assim justifico a não moderação dos comentários.
Qualquer pessoa tem direito à sua opinião. Falíveis, como somos, temos, também, as nossas pedrinhas. Aponto o dedo a mim mesma: piercings, tatuagens, minissaias com botas de cano alto, depilação púbica, mesquinhices dessa ordem… faço um esforço em identificar as causas das minhas recusas e atinjo os resíduos de modas e manadas. Estarei a ser injusta, eu sei. Até porque também eu, noutras coisas, me encarneiro sem pestanejar. E fico-me por aí.
Quando a opinião permite a cultura do micróbio do preconceito, a conversa é outra. O preconceito não é defensável com o argumento da liberdade de opinião e expressão, porque o preconceito viola a liberdade de se ser e os mais consagrados direitos do ser humano. O preconceito não é opinião; é uma forma de agressão altamente condenável à qual não se pode condescender qualquer margem de liberdade.
A opinião é uma baba insignificante, tolerável, inócua. Ou não. Há babas que incomodam porque, quando se juntam, se ameaçam rios de leito turbulento. Accionam a urgência da denúncia. Ignorar faz-me sentir cúmplice, pelo silêncio, do que se pode infiltrar, sorrateiro, na camada conduzível da nossa sociedade. E, porque há palavras que são sementes, eu lanço-as ao vento. Podem não germinar. Mas resta a possibilidade, por mais ínfima que seja, de um dia florirem.

Ponto três - Da educação. Do saber pensar. Da responsabilidade de cada um de nós.
Advoga-se a liberdade de expressão sempre que se procura justificar uma qualquer opinião criticada ou criticável.
Do que poucos se consciencializam, porém, é que a liberdade é irmã do conhecimento. Se ao conhecimento total das coisas nos é (ainda) impossível chegar, a verdadeira liberdade é um conceito apenas tangível pelo pensamento.
Uma das mais estimadas armas do despotismo travestido de democracia reside, precisamente, na formatação de mentalidades e (re)programação de condutas.
Estratégia subtil, pois que aos indivíduos é forjado um conjunto de situações que lhes assegura uma auto-confiança inabalável. Atiram-lhes, depois, dados, estatísticas, estudos científicos, nomes sonantes que sustentam uma tese que, por tudo isso, só pode ser inabalável. Arado está o campo para associações perigosas como a que se faz entre a homossexualidade e a pedofilia.
Afinal James Watson é um dótor e até recebe um Nobel, imagine-se! Sim, o mesmo que considerou que, ao se provar a localização da homossexualidade nos genes, as grávidas deveriam ter o direito a abortar, assegura que os negros são menos inteligentes que os brancos. Tudo em nome da ciência pura.
A função do educador é determinante para o combate à massificação da sociedade. Comparável ao moscardo socrático, não se compadece com a justificações da babuja nem encerra um debate porque as opiniões são diferentes e tal e coiso e plim. O educador procura despertar consciências e, por isso e para isso, alerta, pica, incomoda, obriga a uma restrospectiva e a uma introspectiva. Faz compreender que é perigoso aceitar tudo o que nos é ofertado de bandeja com a validação da asae. Mostra a possibilidade da manipulação de opiniões, da fomentação de preconceitos. A História e a Ciência são dois exemplos inegáveis. Aponta para a ignorância que ignoramos e que nos vitimiza silenciosamente.
Relacionar os comentários racistas, homofóbicos, etaístas, sexistas, de intolerância religiosa e por aí adiante com estados de perfeita ignorância, poderá ter sido o abanão inicial de que muito(a)s aluno(a)s e formando(a)s, adolescentes, jovens e adulto(a)s precisaram durante esta minha primeira década de experiência em vários graus de ensino, do básico e superior. Acusá-los de descuido, desleixo e crime perante os maus-tratos à língua portuguesa também. Um educador não se cala. Confronta. Estimula. Espicaça o sentido crítico. Vai para além do programazinho com que os governantes procuram moldar as cabeças.
É que não é só a eles que devemos endereçar as cartas de protesto e reclamação. É a cada um de nós, que vota, que referenda, que decide a vida do vizinho do lado de acordo com as suas convicções mais ou menos iluminadas pelo conhecimento das cousas. O mundo é feito por cada um de nós, que recicla, que fecha a torneira quando se ensaboa, que resiste à tentação de um Magalhães desorientado, que pugna pelo direito à adopção, ao casamento e à dádiva do sangue sem os habituais impedimentos da flatulência mal contida.
De cada um de nós depende a felicidade alheia. A nossa também.

Ponto quatro - Aos meus leitores
Uma palavra de apreço pela firmeza, umas vezes silenciosa, outras exagerada, dos amigos e das amigas que comigo partilham a voz e as ideias que aqui têm lugar.
Cegos os que não querem ver, os que confundem discurso indirecto livre com o dircurso directo, os que confundem anti-homofobia ou homofilia como homossexualidade, e homossexualidade com paneleirice, e ideias com pessoas e que fogem ganindo com o rabo cortado entre as pernas quando confrontados extra-tela, de tal forma que forjam vídeos muito parolos e repetitivos ad nauseam, e trocam barlavento com sotavento para fugirem a um café cara-a-cara, e nem em Almancil ousam dançar o corridinho e ameaçam privar os esfomeados de milho, e ploc... já fede.
Tenho orgulho dos leitores do RG e a eles lanço o convite ao silêncio perante os impropérios que já nem têm por onde se lhes pegue. Argumentos. Ideias. Pessoinhas não.


Ponto cinco - Tiro ao alvo. Nhé nhé
Caso o fel precise de ser exorcizado, mártir me oferendo do cimo deste castelo andante.
Sendo eu a autora deste blogue, rainha, imperatriz e ditadora, o meu umbiguismo reclama que seria de bom tom que as ofensas migelalfabéticas se dirigissem à minha personagem e alimentassem o meu lado masoquista ainda por explorar.
Motivos que gente mentecapta possa considerar:
1. Sou fêa; mais fêa que uma manta de retalhos: dentes postiços por falta de cálcio, um olho à Camões e um buço de estimação de que me orgulho particularmente;
2. Ando sem provimento sexual há mais tempo que as boas maneiras me permitem aqui confessar;
3. A tez morena trai-me as origens de um país onde se fala de Kama e de Sutra;
4. Sou professora (aproveitem que está na moda achincalhar os professores deste país);
5. O último ponto deixo sempre em aberto para que o preencham com o que vos aprouver inventar.

A ilha dos tropos é uma casa de portas abertas.
Quando a coisa começa a cheirar mal, a gente afasta-se e deixa a estrumeira para as varejeiras.


(... é que já me aborrece isto de ter a burra nas couves)

Ai que senisga!!!!!!!!!!!

O trabalho tem-me tomado o tempo, mas impõe-se uma reflexão em voz alta sobre o que o post anterior originou, em articulação com as reacções que se foram espalhando pela blogosfera, a começar por este texto aqui.
Ora, ............. a , ..........................de modo que ..................
Assim, .............. nem sempre .....................
Seria......................? N..........!









(Só me restam os caracteres especiais, os da terra do rei que não foi nu e apenas decifráveis por olhos inteligentes. Vou à vila comprar um alforge dos vulgares, ordinarotes, para que a Analfabeta e o seu vassalo não sejam excluídos das minhas filosofias. Assim ditam as regras da democracia. Até já.)

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Que fofura!

Este texto é absolutamente um nojo: indecente, preconceituoso e fruto de uma ignorância tão atrevida quanto a pseudointelectualidade de quem o escreve.
Estou chocada!

Foi assim que comentei este post a que aportei via Maldonado, a este post eivado do mais puro e inacreditável preconceitualidadismo de rebanho mal parido que se horroriza perante a possibilidade de, efectivamente, os porcos dos homossexuais se atreverem a doar aquele sangue nojentamente contaminado onde já se viu puta que os pariu ainda bem que aquela magnífica comité que nós democraticamente elegemos para nos representar e comandar a vida e nos manusear como bem entender se lembrou em boa hora de salvaguardar a nossa saudinha escolhendo criteriosamente os virginais e puros cus, perdão, vasos sanguíneos heterossexuais baseando-se em estatísiticas impolutamente imparciais, nada nadica tendenciosas, irrepreensivelmente infalíveis e apoiando-se em estudos mui bem elaborados pelos mais brilhantes crânios da academia dos diplomas. Bravo. Cegarei os meus dois olhos e talvez ainda o outro pois que andamos eximiamente bem pastoreados.
Eu poderia fazer contas à vida com a ameaça que tenebrosamente ficou entalada na caixa de comentários, não ousar nunca mais repetir tal graçinha, mudar de identidade e emigrar para um outro blogue qualquer.
Eu poderia arreganhar os dentes perante tanta fealdade pois que quem assim escreve com vírgulas e cedilhas mal enfiadas - seja por falta de lubrificação, seja por pura estupidez - não pode ser gira gira.
Eu poderia rir desbragadamente da confusão que alguém faz entre texto e pessoa e tentar um ensaio a explicar que a função de um agente da educação, professor, educador, consiste em, também, esgrimir contra tudo o que viola os (mais elementares) direitos humanos e a Constituição da República Portuguesa (no caso, o artigo 13º que diz assim: 1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei; 2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual).

Mas não.
À Analfabeta apenas digo isto:









N.B. Estes são uns caracteres especiais: recolhidos dos tecelões do rei que não foi nu, são legíveis apenas por gente inteligente.
Lamento, Analfabeta...

Domingo, 19 de Julho de 2009

Espiritismo n' A Voz do Cidadão

Foram 15 minutos a que podemos aceder online.
A RTP deu-nos voz para um breve esclarecimento sobre o que o Espiritismo é.
À excepção do António Teixeira, conheço os restantes espíritas entrevistados. Entre eles os nossos Mário e Toni de quem eu já falara por aqui.
Quase perfeito. Deslizes imperdoáveis de Moisés Espírito Santo, o sociólogo das religiões que, como o RockyBalbino observou no post anterior, "borrou a pintura".

Sobre o programa, convido-vos a ler estes dois posts do André:

E outros dois meus, um doce outro mais acre:

A RTP deu-nos voz e nós agradecemos.