O VELHO MILITANTE VÊ O MURO RUIR
Há 6 horas
um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
Instigante, o Abencerragem? A Aust. toma-o como tal -- e eu quero fazer-lhe a vontade. Vou aprovetar para mencionar sete blogues que não estão activos, e por esta ou aquela razão me instigaram na bloga.
Na vida do homem, a duração é um instante; a substância, fluente; a sensação, embotada; o composto de todo o corpo, pronto a apodrecer; a alma, um turbilhão; o destino, um enigma; a fama, uma vaga opinião. Em resumo, tudo o que respeita ao corpo, um rio; e a alma, sonho e fumo; a vida, uma guerra, um exílio no estrangeiro; a fama póstuma, o esquecimento. Que pode então guiar-nos? Única e exclusivamente a filosofia. Marco Aurélio
Acho imensa graça a Miguel Sousa Tavares quando ele diz que «ninguém sabe quem é» Gabriela Canavilhas, recém-nomeada ministra da Cultura. Também o Daniel Oliveira, esta noite n'O Eixo do Mal, produziu uma coisa parecida, que não retive. Eu sei quem ela é, há vários anos, e, lucky me, até tenho um disco seu ( e de Ana Ferraz, canções de Alfredo Keil). Mas se não soubesse, confessaria a ignorância própria, em vez de fazer figuras tristes resguardando-me com toda a gente e ninguém.
Normalmente discordo do Saramago. Interessa-me tanto saber o que ele pensa da Bíblia, como da situação no Afeganistão ou as cantigas d'amigo. Alguma coisa.
É em nome do real que os medíocres pretendem abafar o ideal nas almas despertas. Ora o real nada mais é do que um ideal que se realizou. É assim que os realistas se elevam contra os idealistas sendo também idealistas, mas idealistas partidários de um ideal que já cumpriu a sua missão e está então esgotado e morto. José Marinho
Em duas palavras: sapientíssima decisão do Comité Nobel norueguês a de atribuir o Prémio a Barack Obama, não apenas pelo muito que fez em tão pouco tempo, como pelo muito que ainda poderá fazer por um mundo menos absurdo.
Na entrevista a Luís Ricardo Duarte, no JL de hoje, António Lobo Antunes diz algo que todos os verdadeiros escritores sabem: «Não podemos ser complacentes connosco enquanto fazedores de livros. Se não for para ser o melhor, não vale a pena escrever. Se não for para dizer coisas que nunca foram ditas, não vale a pena escrever.» E, mais à frente, outra verdade consabida: «Escrever é muito difícil. E custa muito. Põe-se tempo e saúde, mas ao cabo e ao resto são os livros que são importantes.» 
Como era previsível, a Irlanda deu o sim ao Tratado de Lisboa -- e pela margem assinalável de 67 % dos votos. A manutenção de um comissário para cada estado-membro, além das garantias sobre especificidades religiosas, a que se junta o apertão causado pela crise económica foram decisivos para este resultado expressivo. Óptimas notícias para o europeísmo federalista. Resta agora saber o que fará o inenarrável Vaçlav Klaus, presidente da República Checa, o tal que tem o mau gosto de se autodefinir como dissidente europeu.