Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

EFEMÉRIDEMuhammad Anwar Al Sadat, militar e político egípcio, presidente do seu país de 1970 a 1981, Prémio Nobel da Paz em 1978, nasceu em Al-Minufiyah no dia 25 de Dezembro de 1918. Faleceu no Cairo em 6 de Outubro de 1981.
Nascido numa família egipto-sudanesa pobre, com treze filhos, formou-se na Academia Real Militar do Cairo, diplomando-se em 1938 e sendo afectado ao Serviço de Telecomunicações.
Juntamente com Nasser, foi membro fundador do Movimento dos Oficiais Livres, cuja finalidade era libertar o Egipto do controlo britânico. Comprometido com o nacionalismo egípcio, foi feito prisioneiro pelos britânicos em 1942 e, de novo, em 1946/48 por actos terroristas.
Participou no golpe de 1952, que derrubou o rei Farouk I e levou Nasser ao poder. Sucederia mais tarde a Nasser como Presidente.
Em 1974, após perder militarmente a Guerra do Iom Kippur (1973) com a qual tentara recuperar partes da Península do Sinai, recuperou das mãos de Israel, no acordo de separação de forças, o canal de Suez.
Num esforço para acelerar um acordo no Médio Oriente, visitou Israel em 1977, falando no Knesset em Jerusalém, facto que marcou o primeiro reconhecimento daquele país por um país árabe. Encontrou-se novamente com o primeiro-ministro israelita Begin em Camp David (1978), na presença do então presidente americano Jimmy Carter, e assinou um tratado de paz com Israel no ano seguinte, em Washington. Na sequência deste acordo, recebeu o Prémio Nobel da Paz juntamente com Begin.
Em 6 de Outubro de 1981, foi assassinado durante uma parada militar no Cairo por membros da Jihad Islâmica Egípcia infiltrados no exército e que faziam parte da organização egípcia que se opunha às negociações com Israel. As regras segundo as quais o armamento dos militares em parada devia estar descarregado não foram aplicadas, porque os oficiais que deveriam fazê-lo «estavam numa peregrinação em Meca». Quando da passagem dos aviões de combate “Mirage”, um camião de transporte de tropas, simulando uma avaria, parou em frente da tribuna presidencial e um tenente saiu dirigindo-se na direcção do Presidente. Sadat encontrava-se de pé para receber a sua saudação, quando ele lançou uma granada de fumo - sinal para o ataque. Os conjurados saíram então do camião, lançando granadas com a ajuda de espingardas de assalto. O próprio tenente (Khalid Islambouli) crivou de balas o presidente egípcio, secundado por outros assaltantes, aos gritos de «Morte ao Faraó!». Khalid seria julgado e executado em Abril de 1982.
Durante o tiroteio foram feridas várias personalidades, entre elas o Ministro Irlandês da Defesa, e mortas sete pessoas, entre as quais o Embaixador de Cuba e um bispo ortodoxo.
O Vice-presidente egípcio Hosni Moubarak, ferido numa mão durante o ataque, sucedeu a Sadat. Aos funerais de Sadat assistiram três ex presidentes americanos (Gerald Ford, Jimmy Carter e Richard Nixon). Notadas as ausências do Presidente Americano em exercício (Reagan), por razões de segurança, e da totalidade dos dirigentes árabes e muçulmanos.

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

EFEMÉRIDERicky Martin, de seu verdadeiro nome Enrique Martín Morales, actor e cantor porto-riquenho, nasceu em San Juan no dia 24 de Dezembro de 1971.
Os pais separaram-se quando ele tinha apenas dois anos. Iniciou a sua carreira artística aos 6 anos de idade, começando a trabalhar como modelo infantil, além de actuar em peças de teatro, em comerciais de TV e no coro de uma igreja.
O sucesso chegou em 1984, quando conseguiu entrou para o grupo “Menudo”. Em 1985, com este grupo, fez um show no Estádio do Morumbi, em São Paulo, para 120 mil pessoas (há quem diga 200 mil), até hoje a maior enchente deste estádio, para uma actividade não desportiva.
Em 1989 Ricky decidiu estudar em Nova Iorque e abandonou o grupo. Depois foi para o México, onde trabalhou como actor e cantor numa telenovela, num musical e num filme. Aos 19 anos, em 1991, lançou o seu primeiro CD a solo (sem grande sucesso) e mudou-se de novo para os Estados Unidos.
Em 1993 publicou o segundo álbum (“Me Amaras”) que conseguiu destaque no México, onde iniciou verdadeiramente a sua carreira a solo. O sucesso nos países latinos chegou em 1996, com a música “Maria” do seu terceiro disco “A Medio Vivir”. Esta música foi tema da novela “Salsa e Merengue”, da Rede Globo, e o disco vendeu então mais de 600 mil cópias no Brasil. O êxito fez com que, em 1997, fosse contratado para gravar a canção do filme “Hércules” produzido pela Disney. No ano seguinte, foi convidado para ser o intérprete do tema dos Mundiais de Futebol realizados em França: “La Copa de La Vida”.
Em 1999 o álbum "Livin' la Vida Loca" foi um sucesso mundial, que o levou numa tournée pela Ásia, Europa, EUA e América Latina.
Em 2007 realizou um concerto em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, para cerca de 13000 pessoas. Falou ao público num português fluente, manifestando a sua satisfação por aqui se encontrar e deixando vários apelos de paz para o mundo e união para os povos.
Em 2008 tornou-se pai de dois gémeos (gerados numa barriga de aluguer). Este ano, assumiu-se como bissexual numa entrevista, dizendo que o seu coração tanto poderia pertencer a um homem como a uma mulher.

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

EFEMÉRIDEGiuseppe Tomasi di Lampedusa, aristocrata e escritor italiano, nasceu em Palermo no dia 23 de Dezembro de 1896. Faleceu em Roma, em 23 de Julho de 1957, vítima de doença cancerosa pulmonar. Entre as suas obras salienta-se o romance “O Leopardo” (1956), sobre a decadência da aristocracia siciliana durante o “Risorgimento”.
Quando criança, Tomasi estudou com um tutor (que lhe ministrava disciplinas como Literatura e Inglês), com a mãe (que conversava com ele em Francês) e com a avó, que costumava ler-lhe romances de Emilio Salgari.
No início de 1911, cursou o liceu clássico em Roma e posteriormente em Palermo. Mudou-se definitivamente para Roma em 1915 e matriculou-se na Faculdade de Direito. Entretanto, naquele mesmo ano, foi convocado para o serviço militar, lutando na batalha de Caporetto, onde foi feito prisioneiro pelos austríacos. Esteve preso num campo de detidos de guerra na Hungria, conseguindo evadir-se e indo a pé até Itália. Depois de ser promovido a tenente em 1925, demitiu-se do exército e voltou à Sicília, alternando períodos na ilha com viagens com a mãe, retomando os estudos de Literatura estrangeira.
O Leopardo”, que só foi publicado no ano seguinte ao da sua morte, tinha sido mal recebido pelos editores por «combinar realismo com uma estética decadente». No entanto, tornou-se muito popular junto do público, sendo um sucesso literário. Em 1963 foi imortalizado no cinema com uma produção de Luchino Visconti, protagonizada por Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale, que recebeu a Palma de Oiro do Festival de Cannes desse mesmo ano.
Tomasi, que só começou a escrever nos anos 1950, é autor de outros trabalhos menos conhecidos, sobretudo de novelas (agrupadas no livro “O Professor e a Sereia”) e de alguns ensaios consagrados a autores franceses e ingleses e à literatura destes países de um modo geral.

Terça-feira, Dezembro 22, 2009

EFEMÉRIDEOctávio Tarquínio de Sousa, advogado, jornalista e escritor brasileiro, morreu no Rio de Janeiro em 22 de Dezembro de 1959. Nascera na mesma cidade em 7 de Setembro de 1889.
A sua obra mais importante é a “História dos Fundadores do Império do Brasil” (1957), que inclui as biografias de Diogo António Feijó, Evaristo da Veiga, José Bonifácio, Bernardo Pereira de Vasconcelos e a vida de D. Pedro I.
Escreveu também: “Monólogo das Coisas” (1914), “A Mentalidade da Constituinte” (1931), “Ernesto Psichari, Neto de Renan” (1934), “História de Dois Golpes de Estado” (1939), “História do Brasil 1500-1822” (1944 - em parceria com Sérgio Buarque de Hollanda), “O Pensamento Vivo de José Bonifácio” (1945), “De Várias Províncias” (1952), “Factos e Personagens em Torno de Um Regime” (1957) e “Três Golpes de Estado” (1957).
Ainda estudante, já colaborava em jornais do interior do estado do Rio de Janeiro. Licenciou-se na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, com 18 anos.
Trabalhou na administração dos correios do Rio de Janeiro, como 2.º oficial, até atingir o cargo de Director. Em 1918, foi nomeado procurador do Tribunal de Contas da União. Em 1932, foi eleito “ministro” do mesmo tribunal e, depois, vice-presidente e presidente, reformando-se mais tarde.
Colaborou em vários jornais do Rio de Janeiro, como “O País” e “A Noite”. Desde 1939, foi director da colecção “Documentos Brasileiros” da Livraria José Olympio. Foi crítico literário de “O Jornal” e “Diários Associados”. Dirigiu a “Revista do Brasil” de 1938 a 1943 e a “Revista do Comércio” (1946-1948) com Afonso Arinos de Melo Franco. Colaborou em “O Estado de São Paulo”, “Correio da Manhã” (Rio de Janeiro), “Folha da Manhã" (São Paulo) e “Tribuna da Imprensa” (também do Rio de Janeiro). Em 1934, foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Escritores.
Faleceu com a esposa, a escritora Lúcia Miguel Pereira, num acidente de aviação, há precisamente meio século.

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

EFEMÉRIDE - Padre Himalaya, de seu verdadeiro nome Manuel António Gomes, padre católico, cientista e inventor português, faleceu em Viana do Castelo no dia 21 de Dezembro de 1933. Nascera em Santiago de Cendufe, em 9 de Dezembro de 1868.
Tendo por origem uma família de humildes lavradores, estudou no Seminário Conciliar de Braga, completando com distinção o curso de Teologia em 1890. Foi no seminário que modificou o seu nome de baptismo, acrescentando-lhe Himalaya, devido à alcunha por que era conhecido em virtude da sua elevada estatura. Depois da ordenação inscreveu-se na Universidade de Coimbra. Estudou hidroterapia, o tratamento pelas plantas, as medicinas naturais e a energia solar.
Foi professor de Ciências Naturais, Física, Química e Religião em várias escolas do norte e centro do País. Foi também professor particular da família Van Zeller.
Em França, onde esteve beneficiando de uma bolsa, estudou com o físico Berthelot e outros conhecidos professores, enquanto trabalhava nas suas teorias matemáticas e astronómicas para a construção de um aparelho inovador de concentração da radiação solar. Depois de várias tentativas e aparelhos experimentais, os seus esforços culminaram na construção do "Pirelióforo", que significa “eu trago o fogo do sol”. Com este instrumento conseguiu atingir uma temperatura de aproximadamente 3500 ºC com recurso apenas à radiação solar, o que era suficiente para fundir a maior parte dos metais ou rochas. Este aparelho constituiu a grande atracção da Exposição Universal de St. Louis em 1904, ganhando duas medalhas de ouro e uma de prata. No entanto as forças económicas da época não se mostraram interessadas no aproveitamento da energia solar, estando mais empenhadas na exploração petrolífera. Era a hora do petróleo e dos automóveis Ford.
Passou a interessar-se por explosivos, dados os seus conhecimentos químicos e a abertura no mercado para este tipo de produto. Montou na sua casa de Washington um laboratório e nele fabricava a Pólvora Sem Fumo ou Himalayite, patenteada em Maio de 1907 com a designação “Process of Making Smokeless Powder”. Esta pólvora cloratada foi testada primeiro em pedreiras e posteriormente em vários arsenais do exército norte-americano. A Himalayite resiste a grandes choques, fricções e temperaturas sem perigo de explosão, sendo fabricada com produtos de origem vegetal e mineral, de fácil obtenção e baixo custo.
Em 1908 o padre Himalaya aderiu à Academia de Ciências de Portugal, onde proferiu diversas conferências e participou em vários congressos. Nas suas intervenções manifestava a preocupação com o ordenamento territorial de Portugal, expresso nas suas teses de aproveitamento das energias renováveis, com vista a um desenvolvimento sustentado. Prosseguiu os seus estudos, que incluíam mesmo a possibilidade de fazer chover artificialmente.
Esteve na Argentina entre 1927 e 1932, onde escreveu um livro sobre Cosmologia, os seus inventos e as suas visões inovadoras nas várias áreas científicas. Regressou então a Portugal onde viria a falecer com 65 anos.
O Padre Himalaya, que foi um dos pioneiros mundiais no estudo das energias renováveis e da energia solar em particular, morreu no anonimato, vítima de mielite, porventura provocada por envenenamento resultante das experiências com ervas medicinais que efectuava sobre si próprio.

Domingo, Dezembro 20, 2009

EFEMÉRIDE Carl Edward Sagan, cientista e astrónomo norte-americano, faleceu em Seattle no dia 20 de Dezembro de 1996. Nascera em Nova Iorque, em 9 de Novembro de 1934. Doutorou-se em 1960 na Universidade de Chicago. Dedicou-se não só à pesquisa e divulgação da astronomia, como também ao estudo da chamada exobiologia. Foi considerado por muitos o maior divulgador da ciência que o mundo já conheceu.
Morreu aos 62 anos, de pneumonia, no Centro de Pesquisas do Cancro Fred Hutchinson, depois de uma batalha de dois anos contra uma doença grave e rara na medula óssea (mielodisplasia).
Com uma formação multidisciplinar e um enorme talento para a expressão escrita, Carl Sagan legou-nos um fantástico acervo de obras, dentre as quais figuram clássicos como “Cosmos” (que foi transformado numa premiada série de televisão, apresentada em todo o mundo), “Os Dragões do Éden” (com o qual recebeu o Prémio Pulitzer de Literatura), “O Romance da Ciência”, “Pálido Ponto Azul” e “O Mundo Assombrado pelos Demónios: a Ciência como uma vela no escuro”.
Sem regatear esforços para divulgar a ciência, Carl Sagan escreveu ainda o romance de ficção científica “Contacto” (visando atingir o grande público interessado pelo género), obra que foi adaptada ao cinema após a sua morte. A última obra de Sagan foi publicada postumamente pela esposa e colaboradora Ann Druyan e consiste, fundamentalmente, numa compilação de artigos inéditos, tendo um dos capítulos sido escrito por Sagan quando se encontrava já no hospital.
Fosse pela literatura científica formal ou de divulgação, pela televisão ou pelo cinema, Carl Sagan procurou sempre oferecer ao público - leigo ou especializado - a mais completa e acessível visão da ciência. Foi professor de astronomia e ciências espaciais na Cornell University e professor visitante no Laboratório de Propulsão a Jacto do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Criou também a Sociedade Planetária.
Carl Sagan teve um papel significativo no programa espacial norte-americano desde o seu início. Foi consultor e conselheiro da NASA desde os anos 1950, trabalhou com os astronautas do Projecto Apollo antes das viagens à Lua e chefiou os projectos da Mariner e Viking, pioneiras na exploração do sistema solar, que permitiram obter importantes informações sobre Vénus e Marte. Participou ainda nas missões da Voyager e da sonda Galileu. Foi decisivo na explicação do efeito de estufa em Vénus, na descoberta das altas temperaturas do planeta, na explicação das mudanças sazonais da atmosfera de Marte e na descoberta das moléculas orgânicas em Titã, satélite de Saturno.
Recebeu diversos prémios e homenagens de diversos centros de pesquisas e entidades ligadas à astronomia, inclusive o maior prémio científico das Américas, o Prémio da Academia Nacional de Ciências. Recebeu 22 títulos honoris causa de universidades americanas, medalhas da NASA por “Excepcionais Feitos Científicos”, por “Feitos no Programa Apollo” e duas vezes a “Distinção por Serviços Públicos”. Foi agraciado ainda com o Prémio de Astronáutica John F. Kennedy da Sociedade Astronáutica Norte-Americana; com o Prémio de Beneficência Pública por “distintas contribuições para o bem-estar da humanidade”, com a Medalha Tsiolkovsky da Federação Cosmonáutica Soviética e com o Prémio Emmy, pela série “Cosmos”.

Sábado, Dezembro 19, 2009

EFEMÉRIDERubem Braga, escritor brasileiro, considerado por muitos como o maior cronista do Brasil desde Machado de Assis, faleceu no Rio de Janeiro em 19 de Dezembro de 1990. Nascera em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, no dia 12 de Janeiro de 1913.
Estudou no Colégio Salesiano em Niterói, iniciando-se no jornalismo profissional ainda estudante, com 15 anos, no “Correio do Sul”, jornal da sua terra natal para o qual fazia reportagens. Assinava também crónicas diárias no “Diário da Tarde”. Licenciou-se na Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1932, mas nunca exerceu a profissão. Nesse mesmo ano, cobriu a Revolução Constitucionalista em São Paulo, chegando a ser preso. Transferiu-se para o Recife, dirigindo a página de crónicas policiais no “Diário de Pernambuco”. Nesta cidade, fundou o periódico “Folha do Povo”. Em 1936 publicou o seu primeiro livro de crónicas, “O Conde e o Passarinho”, e fundou em São Paulo a revista “Problemas”.
Rubem Braga fez diversas viagens, tendo sido embaixador do Brasil em Marrocos, nomeado por Jânio Quadros, e correspondente de jornais brasileiros em várias cidades estrangeiras. Após o seu regresso, exerceu o jornalismo em diversas cidades do país, fixando domicílio no Rio de Janeiro, onde escreveu crónicas e críticas literárias para o “Jornal Hoje” da “Rede Globo de Televisão”. A sua vida como jornalista repartiu-se por inúmeros periódicos. Participou igualmente em várias antologias, entre elas a “Antologia dos Poetas Contemporâneos”.
Rubem Braga tinha o dom de imortalizar o quotidiano, conseguindo de maneira inigualável transformar um simples texto jornalístico numa bela crónica. Desde que surgiu para a literatura, na década de 1930, encantou os leitores brasileiros. Retratando com limpidez o complexo quotidiano do país, Rubem Braga dava à crónica brasileira uma nova dimensão, que só os grandes escritores sabem dar: a universalidade. Durante a Segunda Guerra Mundial foi correspondente de guerra (“Diário Carioca”) junto da Força Expedicionária Brasileira em Itália.
Em 1968, juntamente com Fernando Sabino e Otto Lara Resende, fundou a Editora Sabiá, responsável pelo lançamento no Brasil de escritores como Gabriel Garcia Márquez, Pablo Neruda e Jorge Luis Borges.
Na noite de 17 de Dezembro de 1990, reuniu um pequeno grupo de amigos no seu apartamento de Ipanema. Foi um encontro silencioso, mas claramente subentendido por todos. Duas noites depois, sedado num quarto do Hospital Samaritano, Rubem Braga morria, sozinho como desejara e sempre pedira aos seus amigos mais próximos. A causa da morte foi uma paragem respiratória, provocada por um tumor na laringe que ele preferira não fazer operar nem tratar quimicamente.
Deixou uma vasta obra, composta sobretudo por livros de crónicas, que se foram sucessivamente esgotando. Dissera um dia: «O que gosto mesmo é de escrever para ser lido no dia seguinte».

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

EFEMÉRIDEJules Dassin, de seu verdadeiro nome Julius Dassin, realizador e actor norte-americano, nasceu em Middletown, no Connecticut, em 18 de Dezembro de 1911. Faleceu em Atenas no dia 31 de Março de 2008.
Jules Dassin era um dos oito filhos de um casal de emigrantes russos, tendo sido criado no Harlem, em Nova Iorque. Frequentou a Morris High School (Bronx). Aderiu ao Partido Comunista nos anos 1930, deixando-o em 1939 quando da assinatura do pacto germano-soviético.
Jules Dassin considerava que tinha tido três carreiras cinematográficas distintas: uma de aprendizagem, quando filmava “séries B” em Hollywood; outra na Europa onde procurou arduamente oportunidades para filmar e, por fim, uma na Grécia, a da maturidade.
Estudou arte dramática na Europa em meados dos anos 1930. De regresso a Nova Iorque entrou no “Yiddish Theatre”. Em 1940 ingressou como estagiário na RKO, depois de ter feito a montagem de uma peça em Nova Iorque. Foi assistente de Alfred Hitchcock no filme “Jogos Matrimoniais”. A técnica e a direcção de actores de Hitchcock impressionaram-no por muito tempo. Fez vários filmes de sucesso para a MGM, ingressando depois nos estúdios Universal, onde realizou dois filmes que foram um fracasso. Foi então para a Fox.
O comité de actividades antiamericanas, presidido pelo senador McCarthy, incluiu o seu nome na “lista negra dos comunistas” de Hollywood, no fim dos anos 1940. A acusação forçou-o a exilar-se na Europa em 1949. Filmou em Londres e em Paris, ganhando o Prémio de Realização no Festival de Cannes de 1955, com “Du rififi chez les hommes”, em que interpretava igualmente o papel de um perito em cofres-fortes.
Encontrara Melina Mercouri durante o Festival de Cannes de 1954 e com ela se viria a casar em 1966. Pela mesma época descobriu a obra literária de Níkos Kazantzákis. Estes dois factos ligaram-no definitivamente à nação grega, onde se fixou.
Realizou vários filmes de sucesso com Melina, entrando em alguns também como actor. Tiveram de deixar a Grécia no seguimento do golpe de estado dos coronéis, indo para Paris. Foram acusados em 1970 de financiar uma tentativa de derrube da ditadura grega.
Dassin voltou a trabalhar nos Estados Unidos, a primeira vez que o fazia desde que se tinha exilado, realizando sobretudo filmes com temas gregos. Voltou também ao teatro.
Depois da democratização da Grécia, Melina Mercouri foi nomeada Ministra da Cultura. Depois da sua morte, Jules Dassin ficou a presidir a Fundação Melina Mercouri, que continuou a ocupar-se da principal luta da actriz: o regresso à Grécia dos mármores do Partenon. Faleceu aos 96 anos, devido a complicações causadas por uma gripe. Era Cidadão de Honra da Grécia.

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

EFEMÉRIDE Liédson da Silva Muniz, futebolista brasileiro naturalizado português, nasceu em Cairu, Bahia, no dia 17 de Dezembro de 1977. Joga actualmente no Sporting e na Selecção Portuguesa.
Em Agosto de 2009, após o processo de naturalização, Liédson foi convocado para a Selecção, jogando ainda algumas eliminatórias para os Mundiais de 2010.
Liédson começou a jogar no “Poções”, passando depois para o Prudentópolis e posteriormente para o Coritiba. Em 2002, jogou o Campeonato Brasileiro pelo Flamengo e deixou boa impressão, marcando golos por quinze vezes nas 29 partidas disputadas. No início de 2003, assinou contrato com o Corinthians mas, no meio desse ano, transferiu-se para o Sporting Clube de Portugal.
É um atacante veloz, de grande mobilidade, boa impulsão, espontaneidade e exímia finalização. Na temporada 2004/05, foi o melhor marcador do Campeonato Português, com 25 golos em 34 partidas, e o segundo melhor marcador da Taça UEFA, com 9 golos. Na temporada 2005/06, foi o segundo melhor marcador no Campeonato de Portugal, com 15 golos em 31 partidas. Na temporada 2006/07, voltou a ser o melhor marcador do Campeonato, com 15 golos em 28 partidas.
Na época 2006/07, conquistou com o Sporting a Super Taça e a Taça de Portugal, bisando esta última na temporada seguinte, embora não tendo jogado a final por estar lesionado.
Em Outubro de 2008, tornou-se o melhor marcador de sempre da história do Sporting nas competições europeias, marcando o seu 19º golo no jogo da “UEFA Champions League” entre o Shakhtar e Sporting. Em Janeiro de 2009, tornou-se o melhor marcador estrangeiro de sempre do Sporting, ao marcar por três vezes num jogo para a Taça da Liga contra o Paços de Ferreira.
Em Setembro de 2009, Liédson marcou o seu golo nº 100 nos campeonatos de Portugal (em 176 jogos), precisamente no 250º jogo oficial com a camisola do Sporting.
Quando jogava pelo Corinthians, era conhecido por Liedshow. No Sporting é carinhosamente chamado “Levezinho” (63 kg para 1,75 de altura).
Em 2006, publicou um livro com a sua autobiografia intitulado “A Minha História”.

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

EFEMÉRIDE Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, escritor norte-americano de ficção científica que alterou profundamente este género literário, nasceu em Chicago no dia 16 de Dezembro de 1928. Faleceu, vítima de um AVC, em Santa Ana, Califórnia, em 2 de Março de 1982. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de vários dos seus livros ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida em todo o mundo, sendo aclamada tanto pelo público como pela crítica.
Os pais divorciaram-se quando ele tinha apenas quatro anos. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, na qual esteve até 1945. Matriculou-se depois na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, foi alvo de minuciosas investigações por parte do FBI que levaram à sua expulsão da Universidade. Trabalhou então como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica em Berkeley, numa época em que se preparava já a grande vaga hippy e os diversos movimentos dos anos 1960.
Começou a escrever, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista “Planet Stories”. O seu primeiro livro publicado foi “Solar Lottery” (1955), cuja acção decorre no século XXIII. Após o aparecimento de outras obras, conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de “O Homem do Castelo Alto” (1962), romance que recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão tinham vencido a Segunda Guerra Mundial.
Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, em extraterrestres e na percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver.
Entre outros, os filmes “Relatório Minoritário”, “A Nova Lei”, “O Vingador do Futuro”, “Screamers”, “O Pagamento / Pago para Esquecer” e “A Scanner Darkly” são baseados em novelas ou livros de Dick.
Philip tinha uma irmã gémea que morreu algumas semanas depois do seu nascimento. O facto afectou-o para toda a vida, sentindo que lhe faltava um bocado de si mesmo. Muito jovem, sentia vertigens e os médicos diagnosticaram-lhe uma esquizofrenia que seria refutada posteriormente. Aterrorizado pelas coisas que imaginava, descobriu a ficção científica na revista “Stirring Science Stories”, encontrando aí uma saída para exteriorizar as suas angústias. Muitos dos seus livros misturam a pura ficção com acontecimentos autobiográficos.
Para conseguir manter um ritmo de trabalho rápido, tomava muitos medicamentos, que lhe provocavam depressões terríveis. Casou-se e divorciou-se várias vezes. A vida mundana não o atraía e começou a quase não sair de casa. Os assassinatos de Robert Kennedy e de Martin Luther King revoltaram-no e, partir daí, deixou mesmo de votar.
Em 1970 teve problemas com o fisco e a guerra do Vietname tornou-o triste e sombrio. Abriu a sua casa a drogados e a hippies de passagem e começou a drogar-se também, tendo momentos de delírio. Esta experiência levou-o a escrever “Substância morta”, publicado em 1977. Tentou, sem o conseguir, ser internado num hospital psiquiátrico. A sua casa foi assaltada e os seus pertences roubados ou destruídos. Todos os seus medos e paranóias ressurgiram e tão depressa acusava o FBI como o KGB de o quererem matar.
Tentou refazer a sua vida em Vancouver e fez uma tentativa de suicídio com tranquilizantes. Apaixonou-se várias vezes sem ser correspondido. Fundou um último lar, com uma jovem de dezoito anos.
Morreu em 1982, sem saber até que ponto a sua obra se ia tornar quase mítica. Publicou ao todo 36 romances e cinco recolhas de novelas.

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

EFEMÉRIDEPero Vaz de Caminha, escritor português que se notabilizou nas funções de escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, morreu em Calecute, Índia, no dia 15 de Dezembro de 1500. Nascera no Porto em 1450.
Dono de apreciável cultura, foi cavaleiro das casas reais de D. Afonso V, de D. João II e de D. Manuel I.
Teria participado na batalha de Toro em 1475. No ano seguinte, herdou do pai o cargo de Mestre da Balança da Moeda, posição de responsabilidade naquela época. Em 1497 foi escolhido para redigir, na qualidade de Vereador, a “Constituição” da Câmara Municipal do Porto, a ser apresentada às Cortes de Lisboa.
Em 1500, foi nomeado escrivão da feitoria a ser erguida em Calecute, na Índia, razão pela qual se encontrava na nau principal da armada de Pedro Álvares Cabral, em Abril daquele mesmo ano, quando a mesma descobriu o Brasil. Caminha é o autor da “Carta ao Soberano”, datada de 1 de Maio, um dos três únicos testemunhos da descoberta (os outros dois são a “Relação do Piloto Anónimo” e a “Carta do Mestre João Farás”).
A Carta de Pero Vaz de Caminha é considerada a certidão de nascimento do Brasil embora, dado o segredo com que Portugal sempre envolveu os relatos sobre as suas descobertas, só fosse publicada no século XIX, pelo Padre Manuel Aires de Casal, na sua "Corografia Brasílica", Imprensa Régia, Rio de Janeiro, 1817.
Tradicionalmente, aceita-se como verdadeiro que Caminha pereceu em combate durante o ataque muçulmano à feitoria de Calecute, que estava ainda em construção, no final de 1500.

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

EFEMÉRIDEBeatriz Costa, de seu verdadeiro nome Beatriz da Conceição, actriz de teatro e de cinema portuguesa, muito popular, carismática e sedutora de plateias, nasceu na Charneca do Milharado, Mafra, em 14 de Dezembro de 1907. Faleceu em Lisboa no dia 15 de Abril de 1996. Deixou para a posteridade a imagem de uma pessoa calorosa, maliciosa e irreverente - além do corte de cabelo que a tornava inconfundível.
Estreou-se no teatro de revista, aos quinze anos, como corista em “Chá e Torradas” (1923), seguindo depois em tournée para o Alentejo e Algarve. Antes, já tinha sido ajuntadeira e bordadeira, trabalhando em casa. No ano seguinte, actuou pela primeira vez no Teatro Maria Vitória na revista “Rés Vês”, tendo ingressado depois na companhia do Teatro Avenida. Estreou-se no mesmo ano, no Rio de Janeiro, onde foi felicitada pela imprensa e pelos espectadores, nomeadamente nas revistas “Fado Corrido” e “Tiro ao Alvo”.
De regresso a Lisboa (1925) ocupou um lugar de destaque em “Ditosa Pátria”, no Teatro da Trindade. Em Agosto do mesmo ano, a “Companhia do Trindade” seguiu para o Porto, apresentando-se no Teatro Sá da Bandeira.
Em Outubro de 1925, integrou uma Companhia de operetas sediada no Teatro São Luiz. De regresso à revista, esteve nos teatros Éden e Maria Vitória.
Em 1927 estreou-se no cinema, em pequenos papéis. Passou pelo Teatro Apolo e pela Companhia de Eva Stachino. Fez “Pó de Maio”, onde granjeou enorme popularidade.
Na sua segunda digressão pelo Brasil (1929), foi recebida com efusivas manifestações de admiração e carinho, tanto do público como da crítica. Foi então convidada por Procópio Ferreira, conhecido comediante do teatro brasileiro, para ficar a trabalhar no Rio de Janeiro, integrando o elenco da sua Companhia de comédias, mas a proposta não foi aceite.
De volta a Portugal, apareceu no documentário “Memória de uma Actriz” (com base nos artigos que escrevia para “O Século”, a contar episódios da sua carreira).
Em 1930 participou no filme “Lisboa, Crónica Anedótica”, de Leitão de Barros. No fim desse mesmo ano foi convidada pela Paramount, através de um contrato muito vantajoso, para protagonizar o filme “A Minha Noite de Núpcias”.
Foi contratada por Corina Freire para participar em várias revistas, que obtiveram grandes êxitos. Numa ida a Espanha, a convite da Casa da Imprensa de Badajoz, para uma festa no Teatro Lopez Ayola, teve grande sucesso.
Em 1933 a sua imagem imortalizou-se no filme “A Canção de Lisboa”, de Cotinelli Telmo, ao lado de António Silva e Vasco Santana.
Em 1937, juntamente com Vasco Santana, obteve a maioria dos votos dos cinéfilos portugueses, sendo eleitos “príncipes do cinema português”, protagonizando “A Aldeia da Roupa Branca”. Em 1939, aceitou novo convite para se apresentar no Brasil durante uma temporada, que se prolongou por uma década, a que chamou “os melhores anos da sua vida”. Actuou quase sempre no Casino de Urca, no Rio de Janeiro. Casou por essa época, com Edmundo Gregorian (poeta, escritor, escultor), de quem se divorciou dois anos depois.
Em 1949, regressou aos palcos de Lisboa numa revista, cujo título diz tudo sobre o mito que continuava a ser: “Ela aí está!. Aos 41 anos, repetia os êxitos de vinte anos atrás.
Ainda apareceu em revistas de sucesso como “Com Jeito Vai” mas, em 1960, despediu-se dos palcos com “Está Bonita a Brincadeira”.
Foi a partir dos anos 1960 que começou a viajar por todo o mundo, assistindo a festivais de teatro e a outros espectáculos. Conheceu personalidades como Salvador Dali, Pablo Picasso, Sophia Loren, Orson Welles, John Ford, Greta Garbo, Edith Piaf e o Rei Hassan II de Marrocos, entre muitas outras. Sobre Marlene Dietrich, disse um dia: «Foi minha amiga. Ela cozinhava, eu e a Greta Garbo lavávamos a louça».
Depois da Revolução dos Cravos, quando já vivia no Hotel Tivoli, onde habitou durante meio século até morrer, começou a publicar livros sobre a sua espantosa vida. Lendo-os, descobre-se que ela foi o «sol dos anos negros da ditadura», como afirmou a escritora Inês Pedrosa. Beatriz Costa, que aprendera a ler aos 13 anos e sozinha, seguindo a sua ambição de saber, começou a sua alfabetização à mesa do café "A Brasileira", rodeada por figuras como Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro e Vitorino Nemésio.
Após o seu reaparecimento num espectáculo da “Casa da Imprensa”, que decorreu no Coliseu dos Recreios foi sistematicamente solicitada pelos órgãos de comunicação social e espantou-se com as óptimas reacções do público leitor em relação a essa outra faceta da sua vida - escrever.
Em 1977 foi editado um álbum que compilava vários dos seus sucessos musicais e que em 1996 seria reeditado com o título “Grande Marcha de Lisboa”. Apesar das muitas propostas para regressar aos palcos, preferiu ficar longe deles por considerar que o teatro de revista estava muito diferente do que tinha sido no seu tempo.
Muitos foram também os convites para programas de televisão, mas só veio a participar, como membro de júri, no concurso “Prata da Casa” (RTP), que visava lançar jovens no mundo do espectáculo.
Um grupo de jovens chegou a propor a sua candidatura simbólica nas eleições presidenciais de 1985, como meio de comemorar “O Ano Internacional da Juventude” do ano seguinte.
Morreu na manhã de 15 de Abril de 1996, aos 88 anos, com a serenidade que os deuses deviam conceder sempre a quem propaga alegria à sua volta. Está sepultada no cemitério da Malveira, cumprindo o seu último desejo.
Existe na sua região natal um Cineteatro com o seu nome e, na Malveira, o “Museu Popular Beatriz Costa”.
Além da sua prodigiosa actividade teatral, fez sete filmes e escreveu quatro livros. O seu sorriso único era capaz de derreter um “iceberg”. Para ela, a vida era um espectáculo imperdível - «uma brincadeira». «Era, fui e serei sempre uma criança contente», dizia. Os momentos de tristeza eram resolvidos de maneira simples: «Quando quero chorar, penso na minha vida sexual. Quando quero rir, também…».

Domingo, Dezembro 13, 2009


«MENINO DEUS A SORRIR»

1

Menino Deus a sorrir
É sinal da esperança
De vir um dia a sentir
Que o Mundo é da Criança!

2

Menino Deus a sorrir
Lembra como é bela a Terra
E que um dia há-de vir
Só com Paz e sem a Guerra. (a)

Gabriel de Sousa

(a) – Menção Honrosa no 14º Concurso Internacional de Quadras Natalícias – 2009 (Fuseta)

VAMOS CANTAR NATAL
(2009)

1

Vamos cantar cada dia
Um belo hino ao Natal,
P’ra viver com alegria
E esquecer todo o mal.

2

Cantar de modo profundo
Cada dia de Natal,
É tentar mudar o Mundo
E acabar com o Mal.
(a)

Gabriel de Sousa

(a) – Menção Honrosa no 14º Concurso Internacional de Quadras Natalícias – 2009 (Fuseta)

EFEMÉRIDED. Manuel I, 14.º rei de Portugal, morreu em Lisboa no dia 13 de Dezembro de 1521. Nascera em Alcochete, em 31 de Maio de 1469.
Foi cognominado “O Venturoso”, pelos eventos felizes que o levaram ao trono e que ocorreram no seu reinado, sobretudo a descoberta do caminho marítimo para a Índia e a do Brasil. Foi o primeiro rei a assumir o título de “Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia”.
D. Manuel I sucedeu ao seu primo direito D. João II (1495), de quem se tornara uma espécie de “filho adoptivo”, ascendendo ao trono em circunstâncias excepcionais.
Durante a infância e a juventude, assistiu às intrigas e conspirações entre a aristocracia e D. João II, muito cioso do poder. Alguns homens do seu círculo próximo foram mortos ou exilados, incluindo o seu irmão mais velho Diogo, Duque de Viseu, assassinado pelo próprio rei. Portanto, quando em 1493 recebeu uma ordem real para comparecer no paço, D. Manuel I deve ter ficado preocupado… O propósito de D. João II era, no entanto, o de o nomear herdeiro da coroa, depois da morte do seu filho Afonso de Portugal e das tentativas frustradas de legitimar o bastardo Jorge de Lencastre.
Aclamado em 1495, provou ser um sucessor à altura, apoiando os descobrimentos portugueses e o desenvolvimento dos monopólios comerciais. Durante o seu reinado, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia (1498), Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil (1500), D. Francisco de Almeida tornou-se o primeiro vice-rei da Índia (1505) e o almirante D. Afonso de Albuquerque assegurou o controlo das rotas comerciais do Oceano Índico e Golfo Pérsico, conquistando igualmente para Portugal locais importantes como Malaca, Goa e Ormuz.
Foi também no seu reinado que se chegou à Gronelândia e à Terra Nova. O seu reinado decorreu portanto num contexto expansionista, já preparado aliás pelo seu antecessor.
Foi um rei teimoso, voluntarioso, autocrático e era detentor de um programa político coerente, posto em prática até ao seu mais ínfimo pormenor. Isto contribuiu para a constituição do Império Português, fazendo de Portugal um dos países mais ricos e poderosos da Europa. D. Manuel I utilizou a riqueza obtida pelo comércio para construir edifícios monumentais, no que se chamaria muito posteriormente “estilo manuelino”, de que são exemplo o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. Atraiu cientistas para a corte de Lisboa e estabeleceu tratados comerciais e relações diplomáticas com a China e a Pérsia, além de realizar conquistas em Marrocos (Safim, Azamor e Agadir).
A sua completa consagração europeia deu-se com a aparatosa embaixada enviada em 1513 ao papa Leão X, com presentes magníficos como pedrarias, tecidos e jóias. Dos animais raros, destacavam-se um cavalo persa e um elefante, que executava várias habilidades. Outra das inúmeras novidades que encantaram os espíritos curiosos das cortes europeias da época terá sido um rinoceronte trazido das Índias.
Na vida política interna, D. Manuel I seguiu as pisadas de D. João II e tornou-se quase um rei absoluto. As cortes reuniram apenas três vezes durante o seu reinado de mais de vinte e cinco anos e sempre no paço de Lisboa. D. Manuel I dedicou-se à reforma dos tribunais e do sistema fiscal, adaptando-o ao progresso económico que Portugal então vivia.
Era um homem bastante religioso que investiu uma boa parte da fortuna do país na construção de igrejas e mosteiros, bem como patrocinando a evangelização das novas colónias através de missionários católicos.
O seu reinado ficará também lembrado, no entanto, pela perseguição feita a judeus e muçulmanos, particularmente nos anos de 1496 a 1498. Esta política foi tomada para agradar aos reis católicos, cumprindo uma das cláusulas do seu contrato de casamento com a herdeira de Espanha, Isabel de Aragão. Seguiram-se as conversões forçadas dos judeus e, depois, confiou ao seu embaixador em Roma a missão secreta de pedir ao papa, em 1515, a permissão para estabelecer a Inquisição em Portugal.
Na cultura, D. Manuel I procedeu à reforma dos Estudos Gerais, criando novos planos educativos e concedendo bolsas de estudo. Na sua corte surgiu também Gil Vicente, o pai do teatro português.
D. Manuel I encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.

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