(foto minha)
Termina hoje a exposição “Ombro a Ombro – Retratos Políticos”, patente no
MUDE– Museu da Moda e do Design, na Rua Augusta, em Lisboa, desde 5 de Junho último. Reunindo um conjunto considerável de retratos de personalidades políticas de todo o mundo nos século XX e XXI, a exposição permite delinear tendências que atravessam fronteiras e formas de governo bem como mostrar como esses retratos foram usados em cartazes de crítica ou de sátira. Personalidades como Lenine, Richard Nixon, Che Guevara, Iulia Timoshenko ou Arnold Schwarzenegger encontram-se em algum destaque pelo número de obras expostas que os representam
De Mao Zedong podem ver-se três cartazes de propaganda e uma utilização da sua imagem contemporânea por Jianping He no seu “Chinese Fashion – Chinese Culture” de 1999 (ver imagem abaixo). Interessante também um cartaz de Nixon de 1972 sobre as suas acções como presidente, no qual surge destacada uma imagem sua junto de Zhou Enlai, evocando a sua visita à China que abriu caminho ao restabelecimento de relações diplomáticas entre os EUA e a RPC.
O conteúdo da exposição vale mesmo a pena, sobretudo para pessoas que se interessem por história e política do século XX e da actualidade e por apreciadores de cartazes de propaganda – esteticamente acho fantásticos os cartazes soviéticos e da China de Mao. Contudo, nem tudo é inatacável. A disposição das imagens parece estar um pouco aleatória e as legendas das peças apresentam várias falhas, desde informação inexistente acrescentada a caneta, traduções preguiçosas (“Azerbaijian” em vez da grafia portuguesa “Azerbaijão”) e convivência de duas grafias numa mesma legenda (Mao Tse-tung e Mao Zedong surgem associados ao mesmo cartaz).
De mencionar ainda que houve personalidades e países estranhamente esquecidos nesta mostra. De Chiang Kai-shek ou do actual presidente sírio Bashar al-Assad (basta visitar a Síria para ver a profusão de imagens suas em todos os locais) não existem imagens e da nossa vizinha Espanha, só para mencionar um exemplo, há uma notória falta de retratos políticos.
A entrada para a exposição (e museu) é livre por isso é de aproveitar a oportunidade para uma visita de último dia, apesar do que acima mencionei.


Mao por um artista anónimo (1977); Jianping He, “Chinese Fashion – Chinese Culture” (1999)