6.10.09

Taiwanese Food Festival

Para quem estiver por Londres deixo esta sugestão: um festival de gastronomia taiwanesa que decorrerá dia 17 de Outubro na Haverstock School em Chalk Farm. Para mais informações vejam o cartaz abaixo.
Este evento é organizado pela TSAUK (Taiwanese Student Association in the United Kingdom).


5.10.09

Efeitos da História na vida de pessoas comuns


Um dos mais notáveis exemplos de filmes que retratam os efeitos da História na vida de pessoas comuns, The Blue Kite (蓝风筝), provavelmente a obra mais célebre do realizador Tian Zhuangzhuang, é ua dos mais interessantes casos do cinema chinês das últimas décadas, um filme de tal forma bem construído que é difícil não nos sentirmos impressionados – e tocados – por ele. Isto mesmo tendo sido deixado “incompleto” por dificuldades encontradas pelo autor na parte final das filmagens e pós-produção (o filme acabou mesmo por ser proibido na China e o realizador proibido de filmar durante 10 anos).
Narrado por Tietou, um menino que evoca a história da sua família desde o anúncio do casamento dos pais, no dia em que Estaline morreu em 1953, The Blue Kite percorre alguns dos acontecimentos mais relevantes da China nos anos 50 e 60, que vemos reflectidos no dia-a-dia de Tietou e da sua família (uma especial menção para a figura da sua mãe, numa interpretação de notável naturalismo de Lu Liping). Assim, assistimos ao Movimento das Cem Flores e ao Movimento Anti-Direitista que se lhe seguiu (que leva o pai de Tietou para uma zona remota onde acaba por morrer), ao entusiasmo do Grande Salto em Frente, à grande fome que se lhe seguiu (o segundo marido da mãe morre em parte por malnutrição) e à Revolução Cultural (o terceiro marido da mãe é atacado por Guardas Vermelhos na parte final do filme). Apesar do retrato das circunstâncias históricas existir, ele nunca é dissociável da mostra dos indívuos, das suas relações familiares e amorosas, do seu quotidiano (eximiamente tratado no som, em que continuamente ouvimos como ruído de fundo anúncios e canções a serem transmitidos ou simplesmente a cacofonia das crianças do bairro em que se passa quase todo o filme).
Este é um filme sobre pessoas comuns, ultrapassadas pela força destruidora dos acontecimentos. Não há acusações nem julgamentos da parte do autor, apenas o evocar triste das crueldades históricas que marcaram o crescimento do pequeno narrador – com o furor político exterior sempre a irromper – e interromper – a harmonia familiar interna.

3.10.09

Um dia em Londres cheio de... China

Começar o dia a juntar-me a “societies” da faculdade relacionadas coisas da China; ir no último dia e poucas horas antes do fecho à exposição de Zhang Huan, um reputado artista chinês, sobre Zhu Gangqiang, um porco que sobreviveu sozinho mais de um mês após o terramoto de Sichuan e se tornou uma celebridade; passar pela BAFTA e descobrir que perdi um belo ciclo de cinema chinês mas ainda assim conseguir entrar e ouvir uma conferência sobre como filmar e produzir ou co-produzir filmes na China...
É bom estar aqui, tão perto do mundo.

Entrada da exposição de Zhang Huan no White Cube


Cartaz do ciclo à entrada da BAFTA

(fotos minhas)

1.10.09

Ainda sobre os 60 anos da RPC

Cartaz de 1950

Neste dia em que se assinalam 60 anos da proclamação da República Popular da China vale a pena ler/ver estes testemunhos de vários chineses (a viver na RPC ou no estrangeiro) recolhidos pela BBC. São bastante diversos, como diversa é a China – e nessa diversidade reside, creio eu, o seu maior fascínio. E em todos (seja nas vozes mais apoiantes seja nas mais críticas das políticas do governo) se denota uma esperança de que o futuro vai ser melhor.
Como complemento, leia-se este artigo sobre como esta efeméride é vista em Taiwan.

Para ver imagens das comemorações em Pequim, cliquem aqui.

(imagem retirada do site da BBC)

Há 60 Anos

30.9.09

Estilhaços


If only we would open our eyes and take a good look at other peoples and other countries, look at the different races of Western civilization, take a look at other highly developed cultures, we would see that this thing we call filial piety is not at all important to them and that in all their history they have not seen the necessity to emphasize any such thing in their value systems (pp. 232-233)

Family Castastrophe de Wang Wen-hsing causou polémica quando foi publicado em Taiwan nos anos 70. Isto porque este seu denominado “romance modernista” expõe sem concessões uma visão tão crítica como cruel dos problemas inerentes à tradição familiar confucionista, lançando dardos afiados contra a ideia de piedade filial.
O livro parte do desaparecimento do pai do jovem Fan Yeh para contar, entre relatos do passado (introduzidos por números) e do presente (introduzidos por letras), a história da sua família, nomeadamente os seus pais – chegados a Taiwan da China continental após a tomada do poder pelos comunistas –, o seu meio-irmão e, claro, o próprio Fan Yeh, que surge ora como um jovem ansioso por liberdade ora como um filho ingrato e detestável (à medida que o livro se aproxima do fim torna-se menos misterioso porque é que o pai desapareceu).
Family Catastrophe não é apenas um sólido romance sobre a desintregração de uma família, é também um retrato das condições sociais e económicas de uma família chinesa em Taiwan nas décadas de 50 a 70 e, por isso, digno de um interesse extra-literário, por assim dizer.
Uma menção especial para a apropriada capa desta edição: de facto esta é uma obra de estilhaços, não só na sua apresentação formal como na sua temática da fragmentação progressiva de uma família.

Referências:
Wang Wen-hsing, Family Catastrophe, translated from the Chinese by Susan Wan Dolling, Honolulu, University of Hawai’i Press, 1995, 259 pp.

29.9.09

My «studies' home» for the next year

(photo by H.)

28.9.09

Birthday



Google made this special logo to mark the occasion. You can read something about it here.

And Happy Birthday to you, whose name also begins with a C.!

27.9.09

Perfect city for movie freaks

As long as there’s a good movie theatre around I am at home…


... and luckily there are some special film events too... like this Pedro Costa season at Tate Modern where I just discovered one of the best Portuguese films ever made (O Sangue aka Blood)


(photos by H.)

23.9.09

London

Maybe I should let my life open, like a flower; maybe I should fly, like a lonely bird. I shouldn’t be blocked by a tree, and I shouldn’t be scared about losing one tree, instead of seeing a whole forest.
Xiaolu Guo

I underlined this passage some months ago because it said a part of what I felt when I thought about leaving for London for a year. Now that I’m a few hours away of taking the plane I already miss a lot of the things I’m leaving here, even if just temporarily... A year of intense study and great discovery is about to begin for me... I hope it exceeds my expectations!

22.9.09

Taiwan photographic memories - movies

Taipei:

Banana New Paradise, Taichung:

20.9.09

Prisoner of the State


I told myself that no matter what, I refused to become the General Secretary who mobilized the military to crack down on students (p. 29)

Que é um dos livros mais importantes publicados este ano já toda a gente disse e basta frisar o facto de ser a primeira vez que são editadas as memórias pessoais um Secretário Geral do Partido Comunista Chinês. Depois há toda uma visão que interessa conhecer, sem que nunca olvidemos que estamos a ler perspectivas pessoais e reunidas ao longo de vários anos.
Os textos que lemos foram coligidos a partir de gravações audio feitas em segredo na casa de Zhao Ziyang em Pequim e passadas por pessoas da sua canfiança para o exterior da China. Zhao viveu em prisão domiciliária desde 1989 devido à sua posição relativamente aos protestos desse ano que acabaram no massacre de Tiananmen e viria a morrer longe dos olhares públicos.
Quem lemos em Prisoner of the State é um homem que amou o seu país e que durante os seus anos de recluusão forçada reflectiu sobre ele, sobre a sua política e economia, sobre o papel que desempenhou nesses sectores e as pessoas que o rodeavam, e sobre o que, na sua opinião, poderia ter acontecido e deveria acontecer (o capítulo final mostra como se tornou apologista da democracia parlamentar).
Vinte anos após o massacre e a sua purga, quatro anos após a sua morte, a voz de Zhao pode ser finalmente escutada através das suas páginas. E qualquer pessoa minimamente interessada na China deveria lê-las com atenção…

Referências:
Prisoner of the State – The Secret Journal of Zhao Ziyang, translated and edited by Bao Pu, Renee Chiang and Adi Ignatius, London, Simon & Schuster, 2009, 306 pp.

Edições de Prisoner of the State à venda na livraria principal da cadeia Eslite, em Taipé (foto minha)

19.9.09

Em Volta

Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

António Variações, “Estou Além”

Em Volta (2002), de Ivo M. Ferreira, conseguiu tornar-se numa expressão de anseios pessoais meu, isto apercebendo-me também que se trata de uma obra muito pessoal de quem a fez. Acompanhando o percurso de um fotógrafo português que decide partir do Egipto pelo Trópico de Câncer até Macau, perguntando às pessoas que encontra pelo caminho que lhe digam o que é o amor para elas, alimentou a minha ideia de partir por esses (e outros) Orientes, fotografar esses (e outros) rostos, escrever também palavras como aqueles desabafos intimistas, sobre a perdição e o encontro, a solidão e o desejo, o medo e a vontade.
Há filmes assim, em que relegamos o que têm de menos bom para o esquecimento (como o papel insípido dado a essa actriz maior – a maior de todas as nossas – de nome Beatriz Batarda) e concentramo-nos no que tem de fascinante: a naturalidade de três corpos estranhos adormecidos encostados no chão de um quarto de hotel, os testemunhos partilhados de pessoas de sítios diferentes mas estranhamente familiares, a paisagem que segue pelas janelas de um comboio, a ideia de que o que esperávamos pode ser tão bom quanto fugaz, a consciência de que havemos de voltar ao ponto de partida, mas que já voltaremos outros…

18.9.09

Visão histórica

Pormenor de uma legenda num museu de chá em Taiwan (foto minha)

17.9.09

Finding Shangri-La


É a beleza das imagens que atrai em Finding Shangri-La (2009), da taiwanesa Ismene Ting. É ela que fica connosco quando o filme termina, não o argumento de mais um drama familiar e jornada de auto-descoberta ou a forma pacífica como os tibetanos, já com marcas de sinização, são mostrados a viver em Shangri-La – neste caso a designação refere-se ao paraíso turístico com o antigo nome de Zhongdian na província chinesa do Yunan.

Refira-se que a actriz principal, Zhu Zhiying, tem aqui o seu primeiro papel como protagonista e consegue oferecer uma interpretação pungente. Mas, como disse, é a beleza de alguns planos que mais faz valer o visionamento. Planos como estes:

Importância reconhecida

Pormenor de um painel no museu do Forte de San Domingo, em Taiwan (foto minha)

16.9.09

Exposição de Gao Xingjian em Sintra

(foto minha)

As profundidades e perspectivas dão vida a uma paisagem interior tão profunda que o observador se pode perder nela e, por sua vez, encontrar-se. Gao Xingjian, sendo herdeiro da tradição caligráfica chinesa, transcende-a, com um estilo absolutamente original. Com Gao, a sobriedade da tinta da china eclode numa explosão de luz que desvenda as verdades que importam ao homem, mantendo, porém, o enigma inerente à arte.
do catálogo da exposição

Gao Xingjian, nascido na China mas residente em França desde os anos 80, é talvez mais conhecido pela sua faceta literária – de romancista, dramaturgo, ensaísta e poeta – que lhe valeu o Prémio Nobel da Literatura em 2000. Contudo, Gao tem uma carreira paralela, como artista plástico, de que podemos apreciar algumas obras na exposição “Depois do Dilúvio”, patente no Sintra Museu de Arte Moderna Colecção Berardo até ao próximo Domingo.
A exposição ocupa os dois pisos do centro, estando expostos 78 quadros e sendo exibidos dois filmes da autoria de Gao. Pintando somente a tinta da china, quase sempre sobre papel, os quadros de Gao lembram-nos os tons de alguma pintura chinesa tradicional aliados com elementos não-chineses (como a noção de perspectiva) e sugestão poética de sensações e sentimentos. Os tons preto, branco e cinzentos conferem-lhes uma certa melancolia. Quanto aos filmes, aproximam-se de cinema experimental e mantêm uma relação muito forte com os seus trabalhos de pintura.
Esta exposição, que contou com a presença de Gao Xingjian na inauguração, é uma oportunidade rara em Portugal para apreciar o trabalho de um artista contemporâneo que se destaca em várias áreas. Quanto a mim, um dos acontecimentos artísticos do ano em Portugal, a não perder.

Gao Xingjian, La fin du monde (2006)

Rão Kyao & Yanan ao vivo no Cinema São Jorge


Ele é português, ela é chinesa e estiveram juntos no palco do Cinema São Jorge na passada segunda-feira para abrirem com o seu “Porto Interior” a quinzena cultural “Macau / China em Lisboa”. Rão Kyao e Yanan juntaram flauta de bambu, pipa e guzheng num concerto onde revisitaram em conjunto temas tradicionais chineses e portugueses. “Porto Interior” confirmou que os ritmos dos dois países se podem entrelaçar em interpretações que, pela harmonia dos sons, simbolizam a convivência pacífica de povos diferentes num local de características tão únicas como Macau.

ver vídeo

(fotos da minha autoria)

14.9.09

Macau | China em Lisboa


Começam hoje as actividades do programa Macau / China em Lisboa, que pretende trazer à capital portuguesa um conjunto de eventos que assinalam dez anos da transferência de soberania de Macau e trinta anos de restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China.
Estão agendadas exposições, concertos, um ciclo de cinema, um colóquio e o lançamento de um livro. Esta quinzena cultural inicia-se com a projecção de Yellow Earth, de Chen Kaige, no Cinema São Jorge, às 18h, seguindo-se um concerto de Rão Kyao e Yanan.
Mais informações aqui.

13.9.09

London Film Festival 2009


São dezenas de filmes que convidam a passar dias inteiros numa sala de cinema apreciando desde novidades de autores de todo o mundo até clássicos restaurados. O Times BFI London Film Festival decorrerá este ano entre 14 e 29 de Outubro. E, como em todos os bons festivais, há filmes chineses para ver:

City of Life and Death, de Lu Chuan
Feast of Villains, de Pan Jianlin
She, a Chinese, de Xiaolu Guo (na imagem)

Espero conseguir passar por lá...

Ombro a Ombro - Retratos Políticos no MUDE

(foto minha)

Termina hoje a exposição “Ombro a Ombro – Retratos Políticos”, patente no MUDE– Museu da Moda e do Design, na Rua Augusta, em Lisboa, desde 5 de Junho último. Reunindo um conjunto considerável de retratos de personalidades políticas de todo o mundo nos século XX e XXI, a exposição permite delinear tendências que atravessam fronteiras e formas de governo bem como mostrar como esses retratos foram usados em cartazes de crítica ou de sátira. Personalidades como Lenine, Richard Nixon, Che Guevara, Iulia Timoshenko ou Arnold Schwarzenegger encontram-se em algum destaque pelo número de obras expostas que os representam
De Mao Zedong podem ver-se três cartazes de propaganda e uma utilização da sua imagem contemporânea por Jianping He no seu “Chinese Fashion – Chinese Culture” de 1999 (ver imagem abaixo). Interessante também um cartaz de Nixon de 1972 sobre as suas acções como presidente, no qual surge destacada uma imagem sua junto de Zhou Enlai, evocando a sua visita à China que abriu caminho ao restabelecimento de relações diplomáticas entre os EUA e a RPC.
O conteúdo da exposição vale mesmo a pena, sobretudo para pessoas que se interessem por história e política do século XX e da actualidade e por apreciadores de cartazes de propaganda – esteticamente acho fantásticos os cartazes soviéticos e da China de Mao. Contudo, nem tudo é inatacável. A disposição das imagens parece estar um pouco aleatória e as legendas das peças apresentam várias falhas, desde informação inexistente acrescentada a caneta, traduções preguiçosas (“Azerbaijian” em vez da grafia portuguesa “Azerbaijão”) e convivência de duas grafias numa mesma legenda (Mao Tse-tung e Mao Zedong surgem associados ao mesmo cartaz).
De mencionar ainda que houve personalidades e países estranhamente esquecidos nesta mostra. De Chiang Kai-shek ou do actual presidente sírio Bashar al-Assad (basta visitar a Síria para ver a profusão de imagens suas em todos os locais) não existem imagens e da nossa vizinha Espanha, só para mencionar um exemplo, há uma notória falta de retratos políticos.
A entrada para a exposição (e museu) é livre por isso é de aproveitar a oportunidade para uma visita de último dia, apesar do que acima mencionei.

Mao por um artista anónimo (1977); Jianping He, “Chinese Fashion – Chinese Culture” (1999)

11.9.09

Prisão

Foi hoje condenado a prisão perpétua o antigo presidente de Taiwan, Chen Chui-bian, até agora o único líder do Partido Democrata Progressista (DPP) – defensor da identidade taiwanesa e advogando a independência de jure – eleito para o mais alto cargo político de Taiwan. Chen Shui-bian havia sido detido o ano passado sob acusações de corrupção e foi hoje condenado.
A sentença reforça a ideia que em países democráticos não há quem esteja acima da lei mas não estão ausentes vozes que afirmam que Chen está a ser vítima de perseguição política pelo partido agora no poder (Kuomintang) e que o julgamento foi ilegal por ter havido uma troca de juízes a meio do processo.

Ler mais aqui e aqui

10.9.09

Taiwan photographic memories - historical sites


In the photos: National Revolutionary Martyr’s Shrine (Taipei); Grand Hotel (Taipei); Fort Zeelandia (Tainan); Fort San Domingo (Danshui); Natinal Palace Museum (Taipei); Taipei 101 (Taipei); Chiang Kai-shek Memorial Hall (Taipei)

(All photos by H.)

Paradoxos cibernáuticos

The political system is becoming more authoritarian. The harassment of dissidents is getting worse. Liu Xiaobo, who led the Charter 08 pro-democracy petition at the end of last year, has been detained since December 2008. Chinese nationals have been banned from working as journalists for western news organisations. Families of earthquake victims who complain about the schools that collapsed are harassed. But at the same time blogger-driven campaigns – so long as they avoid politically sensitive subjects – sometimes shift government policy. The outcry over a young woman who killed a party official who had tried to rape her led to a court freeing the woman. There have been many cases of bloggers exposing corruption by officials or abuses in police stations which have led to the guilty being punished.
[...]
The desire of China’s 350 million ‘netizens’ for freedom of expression may constrain the party’s authoritarian instincts. This year the government tried to insist that all computers should have ‘Green Dam’ software installed. The official reason was to prevent people viewing pornography. But the software would also allow the government to stop people reading politically sensitive material on the web. There was an outcry from Chinese internet-users, as well as from overseas (some American firms claimed that Green Dam was based on stolen intellectual property). At the end of June the government backed down, saying that the introduction of the software would be postponed. To draw attention away from this embarrassment, the government then restricted Google’s operations in China, on the grounds that they enabled people to access pornography. Many Chinese people think the government was simply trying to help Baidu, Google’s Chinese rival.
The blogosphere is much freer than the written press, although sensitive blogs are likely to be deleted (and blogs containing sensitive words cannot be posted at all). “We can write about 70-80 per cent of what we want to write”, one blogger told me. But they do not know what they can and cannot write about until they try. Sometimes bloggers find that they can be quite outspoken, for example on policy towards North Korea. In general, politically liberal sentiments are suppressed, but nationalism is permitted. Some bloggers make a name for themselves by adopting a nationalist stance.

Excerto de:
Charles Grant, “Liberalism Retreats in China” (Centre for European Reform briefing note), Jullo 2009

9.9.09

Taiwan photographic memories - nature