Seguem dois avisos à piolheira, que não servirão para coisa alguma excepto para serem recordados no futuro por quem dirá, segundo o exemplo do professor Cavaco, que nos preveniu. Nessa altura será tarde, como de costume.
- O The Economist (sim, aquele farol do liberalismo) alerta-nos para os inconvenientes de um pacto suicida liderado pela Alemanha. Trecho: The decision by Standard & Poor’s, one of the big three, to downgrade nine European governments (…) chastised governments for their inadequate response and their misguided obsession with austerity. Lá se vai a teoria de que quem não salta é socialista.
- Bruno Faria Lopes assina outro texto de leitura indispensável, em que descreve a nova fase de Victor Gaspar: uma fase épico-lírica, repleta de sinais e citações de Pessoa, com que o ministro espera compensar-nos por não ter cumprido uma única das metas quantitativas do memorando de entendimento. Trecho: Não há “viragem” alguma. Os investidores compraram a dívida pela mesma razão por que eu tenho dívida do Estado português a vencer em Junho deste ano – porque paga bem e porque paga este ano, que está coberto pelo dinheiro da troika. (…) Monti afirmou ainda que irá “pressionar a Alemanha para perceber que é do seu próprio interesse” ajudar mais a Itália e outros países sobreendividados. Isto é um sinal de viragem: o líder de um país a receber assistência financeira oficiosa, um país fundador da União Europeia e com peso, toma uma posição vertical perante um problema que compromete a eficácia da sua política e o bem-estar de toda a sua população.
É muito triste, isto de vivermos entre fanáticos.

