Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Cavaco diz que as reformas dele não chegarão para pagar despesas.

 

Palavras para quê? É um artista português. Pode-se bater mais fundo? Todos os dias se confirma que sim.



por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Diz Gaspar.

 

Juros das obrigações a dez anos continuam a bater recordes nos mercados secundários.

 

Actividade económica e consumo com queda recorde no mês do Natal.

 

Superintendentes da PSP em revolta.

 

O Economist avisa que a austeridade não é solução.

 

 

Um tipo que agora estuda em Paris também anunciou várias vezes "pontos de viragem" e o "fim da crise". Foi o que se viu. Pena é que o delírio desta gente vá ter como resultado a destruição do país. Mas enfim, vivemos no melhor dos mundos. 



por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

A constitucionalista e deputada independente pelo PS Isabel Moreira, os deputados do Bloco de Esquerda e pelo menos nove deputados do PS, a que se deverão juntar os deputados do PCP e do PEV, vão requerer a verificação sucessiva da constitucionalidade do Orçamento de Estado. A iniciativa conta com a oposição de Seguro. A alguma coisa o homem se há de opor, bolas!

 

Esta é uma excelente notícia, pela substância e pela forma.

 

Qualquer pessoa atenta não duvida que a Constituição da República está a ser violada quotidianamente e que o Orçamento também a desrespeita. Como o Tribunal Constitucional é também o órgão político, muito vulnerável ao ambiente que se vive no País, é provável que decida ignorar as suas funções. Não seria a primeira vez. Parece ter-se instalado um estado de emergência não declarado, em que a lei e o Estado de Direito foram suspensos.

 

Ainda assim, a iniciativa não é meramente simbólica. Ela obriga a um debate e devolve às instituições democráticas a sua função, em crise ou fora dela.

 

Por outro lado, o facto de uma parte do PS, o BE e o PCP se conseguirem juntar para qualquer coisa de útil dá algum sinal de esperança. Quer dizer que os partidos à esquerda do PS aceitam que o ataque sem precedentes ao Estado Social exige todas as convergências necessárias e que a construção de uma oposição democrática à ditadura da mais bárbara das austeridades os obriga a ultrapassar as muitas discordâncias que têm. E quer dizer que há, no PS, mesmo que poucos, quem não aceite a degradante submissão dos socialistas à agenda mais violenta que alguma vez a direita tentou impor ao País. Uma posição que contrasta com a "abstenção violenta" impõe ao PS e a vergonhasa rendição de João Proença.

 

Independentemente do resultado final desta iniciativa, é bom, pelo menos por uma vez, saber que está a acontecer alguma coisa à esquerda. Esperemos que sirva de lição para o que tem de ser feito na oposição. Todos são poucos para resistir a esta gente.

 

Actualização: ao contrário do que é dito, o PCP não se associou à inicativa. É pena. A notícia deixa de ser tão boa.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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por Sérgio Lavos

 

«Serviços de internamento cheios obrigam a pôr doentes nos corredores do Sta. Maria.

 

Uma fonte próxima da principal unidade do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) disse mesmo ao PÚBLICO que “o Hospital de Santa Maria virou um autêntico hospital de campanha” nos serviços de internamento, “porque é o cenário que mais se assemelha à realidade vivida nestes serviços nos últimos tempos”

 

 “Além dos 21 utentes que podem receber em camas no internamento, quase todos os serviços estavam com 10 utentes internados ao longo do corredor numa maca”

 

José Pinto da Costa apontou ainda a crise como outra razão para o excesso de afl uência ao hospital, que levou a que muitas pessoas deixassem de ter um seguro de saúde.» 

 

 

De realçar o falhanço da estratégia do antigo gestor da Medis, Paulo Macedo, para convencer os utentes a recorrerem aos serviços de saúde privados, destruindo assim o SNS. Por causa da crise, e mesmo com um agravamento brutal das taxas cobradas pelos serviços de saúde públicos, não há dinheiro para CUF's ou Hospitais das Luzes. Só os ricos continuam a poder ter esse privilégio. Em tempos de acelerado empobrecimento, as desigualdades sociais crescem ainda mais no país mais desigual da UE.


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por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
por Bruno Sena Martins

É uma injustiça o que estão a fazer ao João Proença. Chamarem-lhe sindicalista. Não se faz.


por Bruno Sena Martins
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por Pedro Vieira

Charles Taylor, antigo senhor da guerra da Libéria, trabalhou para a CIA



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

 

Ao abandonar o navio Costa Concordia antes de pôr a salvo tripulação e passageiros, o comandante Francesco Schettino não se limitou a violar um código de honra sagrado nos mares. Entregou à sua sorte milhares de vidas. É por isso acusado de homicídio involuntário múltiplo. O que leva um adulto que tem à sua guarda milhares de homens, mulheres e crianças a fugir do navio e a esconder-se num rochedo? E garantir ao indignado responsável pela capitania de Livorno que regressaria ao barco sem no entanto o fazer?

 

Confesso que me fascinam as fraquezas do Homem. Só por isso me espanto com as suas grandezas. E entre todas as fraquezas, a que mais me perturba é a cobardia. O que leva um homem a ser um cobarde - até ao rastejante comportamento deste comandante - é fácil de imaginar: o medo. Esse bicho estranho que nos toma conta do corpo e da alma e desfaz num sopro todo um edifício ético que julgávamos sólido. Quem leia relatos das atrocidades cometidas contra civis em cenário de guerra percebe isso mesmo: acossado pelo medo, um homem moralmente são pode transformar-se na mais vil das criaturas.

 

Na verdade, a pergunta é a oposta: de que é feita a nossa coragem? O que nos leva a arriscar a nossa vida (ou até a aceitar a morte certa) pela vida, a liberdade ou a dignidade de outros? Ou apenas por valores que julgamos transcenderem a nossa própria sobrevivência? Pode ser, claro está, a inconsciência, o fanatismo ou até o pouco apego à nossa própria vida. Mas, na maioria das vezes, será a vergonha. E a vergonha é um importantíssimo regulador moral. A insuportável vergonha de sermos vistos como este comandante é agora visto por todo o mundo. Vergonha de como a comunidade nos vê, aqueles de quem gostamos nos veem, nós próprios nos vemos. Vergonha da nossa memória, mesmo depois de mortos, viver para sempre na lama. É por isso que temo seres pouco sociais. Daqueles que dizem não se interessar (e que realmente não se interessam) pela opinião que os outros fazem de si. É por isso que temo os irremediavelmente solitários. É por isso que temo os que se têm em tão baixa estima que nada de heróico esperam de si próprios. É por isso que me assusta o individualismo e o pragmatismo extremo que levam alguém a querer viver sem propósito, um dia de cada vez.

 

Regressando ao Costa Concordia, que também eu abandonei neste texto. Tenho, perante o comandante Schettino, sentimentos contraditórios. Os mesmos que tenho perante a cobardia. Talvez por ser o defeito que mais me repugna num ser humano. Aquele que mais gosto de imaginar longe dos meus atos passados e futuros. E, ao mesmo tempo, um dos mais compreensíveis. Quando o medo vence a vergonha, olho para o cobarde com nojo e compaixão: nojo pela sua cobardia, compaixão pela solidão que carregará na única vida que terá. E até depois dela. Haverá quem, depois de um ato hediondo, não a sinta? Claro. Assim se comportam os sociopatas, diagnosticados ou não. Mas pelo que sabemos do comportamento do homem que se escondeu, acocorado, num rochedo, não parece ser o caso. Schettino já sentia vergonha. Mas, na hora da verdade, o medo foi mais forte. Carregará para sempre o insuportável peso da solidão. Que nunca a vida me ponha de tal forma à prova. Porque poderia descobrir, enojado comigo próprio, que não sou quem julgo ser.

 

Publicado no Expresso Online

 



por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

Esta quarta-feira, às 18h30, na Almedina do Saldanha (Lisboa), apresentarei o livro "Desigualdades em Portugal", coordenado por Renato Miguel do Carmo.



por Daniel Oliveira
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por Pedro Vieira

 

 

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

"Isto dá que pensar! Eu deixei a política ativa há cerca de 8 anos. Porque será que se continua a achar que, estando fora da política ativa, estou na política. Deve haver um fenómeno qualquer, que eu desconheço e não compreendo, para se continuar a laborar neste erro. Mas enfim...como dizia uma pessoa minha amiga, ser mulher em Portugal ainda é difícil...!" Foi isto que Celeste Cardona escreveu no seu facebook, a propósito das críticas à sua nomeação para a EDP, talvez irritada com o incómodo do senhor que lhe fez companhia, Eduardo Catroga.

 

Numa entrevista ao "Expresso", Eduardo Catroga foi claro: "Eu nem sou do PSD". Voltou a insistir, numa entrevista à RTP, que era "independente".

 

Lê-se, numa notícia do Expresso online, que o nome de Maria Celeste Cardona aparece como vogal da Comissão Política Nacional do CDS na página oficial do partido. Das três uma: ou há duas marias celestes cardonas no CDS, ou a girl honorária do partido considera que ser eleita para uma comissão política não é estar na política ativa ou está a mentir. Deixemos de lado a vitimização que só pode dar a volta ao estômago a qualquer verdadeira feminista.

 

Recordava-se, numa notícia do "Público" recente, que, para comemorar mais um aniversário do PSD, o então líder do partido, Marques Mendes, tinha anunciado a adesão de 33 vários novos e notáveis militantes. Entre eles, Eduardo Catroga. Das três uma: ou o anúncio foi falso e Marques Mendes filiou Catroga à revelia, ou Catroga abandonou, entretanto, o partido, ou está a mentir.

 

O problema mais grave já nem é a mentira. O mais grave nem chega a ser o insulto aos partidos de que fazem parte e perante os quais, na hora de receber o prémio, demonstram tão grande ingratidão. O mais grave é esta gente achar que a promiscuidade entre empresas privadas e os partidos políticos se resume à existência de um cartão partidário. E que ela se resolve com a sua entrada na clandestinidade. Ou seja, que a indignação perante as suas nomeações resulta de um ódio geral aos partidos políticos e não lhes diz diretamente respeito.

 

Que fique claro: sou militante de um partido. Levo isso a sério e a ideia de alguma vez o negar parece-me tão absurda, desonesta e sintomática da pouca seriedade com que certas pessoas se envolvem na vida partidária, que tudo isto é incompreensível para a minha cultura política. Sendo militante de um partido, mesmo que sem qualquer responsabilidade de direção (de topo ou intermédia), nunca me passaria pela cabeça dizer que estou fora da vida política ativa. Ainda mais se fosse membro de uma comissão política.

 

Mas o problema é outro: a rede de influências e o tráfico de lugares (seja no Estado, seja nas empresas privadas) não se resume à existência de um cartão partidário. A razão porque as pessoas continuam a achar que Celeste Cardona está na política não tem nada a ver com a sua atividade partidária. Uma pessoa envolver-se na vida da sua comunidade, através da militância num partido, só pode merecer respeito. É porque Celeste Cardona está ligada ao pior da política: aquela que dá aos que nela se envolvem uma carreira que o seu currículo não justifica.

 

O problema não é Eduardo Catroga ter o cartão do PSD. É ter, em nome do PSD, negociado com a troika o memorando que assinámos e ter eito o programa eleitoral do partido (as duas coisas comprometem-no muito mais com o PSD do que o simples pagamento de quotas), onde constava a privatização da parte do Estado da EDP e, no fim, lucrar pessoalmente com isso.

 

O problema, caros Eduardo e Celeste, não é serem ou não militantes ou dirigentes de partidos políticos. É darem tão pouco à política que nem a vossa militância levam a sério. E, no entanto, não se esquecerem de cobrar à política o sucesso das vossas carreiras.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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por Miguel Cardina
A UGT acabou de inventar uma figura de estilo: o proencismo. É quando se diz detestar uma coisa que se acaba por aprovar. Por exemplo: "Dona Lourdes, este seu carapau sabe um bocado a podre mas está que é uma maravilha!". Ou então: "oh corpo disforme e repelente que frémitos anseios me impelem a adorar." E ainda dizem que nos faltam talentos.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

Mário Crespo, uma das vergonhas do jornalismo (?) nacional, é demolido pelo sindicalista Arménio Carlos. Ou como a inteligência e, sobretudo, a razão derrotam por KO a untuosidade bolorenta destas criaturas que apenas existem para servir quem está no poder.

 

Adenda: o primeiro vídeo publicado não era o correcto. Agora sim, o debate entre o "jornalista" e o sindicalista.


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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

7 dias. 56 horas. De trabalho escravo por ano. Mais a possibilidade do empregador escolher quando são as férias do empregado. E uma maior flexibilização dos despedimentos, permitindo na prática que o patrão possa despedir quando muito bem entender. Foi isso que o Governo ofereceu aos patrões, com a conivência activa da UGT. O desplante do Álvaro, deslumbrado por ter ido além da troika, significa na prática um retrocesso de algumas décadas no que diz respeito a direitos dos trabalhadores. O sorriso do empreendedor do pastel de nata é cínico e revoltante. Quem esteve bem foi Costança Cunha e Sá: a CGTP teve razão ao abandonar as negociações com o Governo. Antes isso do que fazer como João Proença, que, apesar de ser contra todas as medidas acordadas - deve ser isto, a tal "abstenção violenta" de que falava Seguro -, emergiu como parceiro deste ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores.

 

À margem: mais um senador do regime a pedir trabalho como na China. Daniel Bessa, antigo ministro de Guterres, "admira a persistência" do Álvaro e a "coragem da UGT". Mas de que buraco sai esta gente? Mais importante, não se poderá exportá-los para uma qualquer instituição parceira em Angola?



por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Os jornais dão conta de mais uma proposta do governo: os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao seu subsídio poderão manter até 50% desta prestação social nos primeiros seis meses de trabalho e até 25% durante os seis meses seguintes. À primeira vista a proposta parece boa. O desempregado regressa ao mercado de trabalho sem reduzir os seus rendimentos, o desemprego reduz-se e, no fim, o Estado até é capaz de poupar. Mas não é.

 

O subsídio de desemprego, que pertence por direito ao trabalhador, já que para o receber descontou enquanto trabalhava, tem duas funções. A primeira é óbvia: socorrer o desempregado num momento de aflição. Deste ponto de vista, sendo a aceitação desta proposta voluntária (isso ainda não é claro nas notícias), estamos perante uma solução aceitável. Mas o subsídio de desemprego tem outro objetivo: impedir que o aumento do desemprego resulte numa redução geral de salários. O Estado, através dos descontos para a segurança social, garante que o trabalhador desempregado não é obrigado a aceitar salários cada vez mais baixos. O trabalhador desconta para, se perde o emprego, não se transformar numa insuportável e imediata pressão para a redução do salário dos que trabalham e dele próprio, no futuro.

 

Ou seja, impede que o desemprego sirva para uma redistribuição dos rendimentos ainda mais injusta entre o trabalho e o capital. Vai contra a mera lógica do mercado? Claro que vai. Mas é essa é uma das funções das leis laborais ou do Estado Social: contrariar a dinâmica intrinsecamente injusta das regras do mercado para a parte mais fraca.

 

O que faz esta proposta? Usa o dinheiro da segurança social para financiar a redução dos salários. Não sendo, a curto prazo e para cada um dos desempregados, negativa, ela é péssima para o conjunto dos trabalhadores. Retira ao subsídio de desemprego a sua função reguladora do mercado. Ajuda a uma pressão geral para a redução salarial. E fá-lo usando os descontos dos próprios trabalhadores. Ou seja, põe os trabalhadores a subsidiar a sua própria desgraça. Faz mais do que isso: convida, através deste subsídio à redução do salário, o empregador a baixar a média salarial que pratica.

 

Quem olhe para o Estado Social como um mero instrumento de caridade e quem acredite que o mercado garante um equilíbrio virtuoso, dificilmente entende este ponto de vista. Quem, pelo contrário, defenda que o Estado Social deve ser um regulador do mercado não pode aceitar esta proposta. É que ela será paga com um empobrecimento geral dos trabalhadores e um aumento da desigualdade na distribuição de rendimentos. Que é, devo recordar, a principal doença deste país.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Hoje, às 21h00, numa RTP1 perto de si.

 

Juro que quando vi o post do Gabriel Silva pensei que fosse uma piada. Mas não, é verdade. Miguel Relvas e o seu séquito de invertebrados irão estar em directo no principal canal público, lambendo cus a empresários amigos do ditador de Luanda, patrocinados pela inenarrável Fátima Campos Ferreira. Está bonito, isto.



por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

 

15 de Fevereiro de 2011: "Ministério do Trabalho nomeou 41 'boys' do PS para cargos de chefia, acusa o CDS."

 

16 de Janeiro de 2012: "Saem boys do PS, entram os de Direita."

 

A Cinderela da Vespa que se transformou em Audi A7 no seu melhor.


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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

O canal Discovery pediu ao cineasta Werner Herzog um documentário sobre a Antártida. Espantado, este aceitou mas avisou: "não vou fazer um documentário sobre pinguins". O aviso fazia sentido. Depois do sucesso de "A Marcha dos Pinguins" e do "Happy Feet", não queria participar na corrida para o filão de mais um documentário delico-doce. Mas, apesar de "Encounters at the End os The World" se concentrar nas estranhas personagens humanas que ali trabalham, Herzog dedica alguns minutos aos pinguins. Entrevista o cientista marinho David Ainley. Ele conta que alguns pinguins, desorientados mas não enlouquecidos, fazem caminhadas intermináveis para o interior do vasto continente. Aí encontrarão morte certa. Mas a perturbação é persistente. Mesmo que um cientista pegue no animal e o devolva à sua colónia, para que ele sobreviva, ele de novo se dirige para as montanhas. As vezes que for necessário. Até encontrar o suicídio mais do que certo. Herzog pergunta: "Mas porquê?" Não há resposta.

 

Esta é a melhor imagem que me vem à cabeça para descrever o comportamento do nosso País e da Europaperante a crise que enfrentamos. Já não há, neste momento, ninguém que, no seu perfeito juízo, não perceba que a austeridade é um erro. E, no entanto, por mais que se insista em contrariar esta "caminhada suicida", nenhuma evidência a trava.

 

O Banco de Portugal apresentou as previsões para o próximo ano. Elas são esclarecedoras sobre os efeitos económicos e financeiros desta opção. Mas nem precisávamos de tanto. A mesma receita, na Grécia, destruiu qualquer otimismo que pudesse existir sobre os efeitos da "ajuda" que lhe foi dada. Agora, a Sandard & Poor's estima que a probabilidade de recessão na zona euro é de 40% e prevê uma contração da economia em 1,5%. Quanto a Portugal, a sua dívida é "lixo" (já me perdi, de tantas vezes que esta novidade nos foi dada). Os que antes viam as agências de rating como meros "mensageiros" tratam-nas agora como opositores políticos da Europa. E concluem:Portugal tem continuar o caminho que foi definido. Como os pinguins de Herzog.

 

Ao contrário dos senhores que agora nos governam, não mudei de opinião sobre estas agências. Não são analistas, são atores de um processo especulativo e de um ataque ao euro e às dívidas soberanas. Já o eram antes e continuam a sê-lo agora. Mas é a Europa, e não S&P, que define as regras do euro e o deixa vulnerável aos especuladores e às agências que os servem. Mas é Portugal, e não a S&P, que teima num caminho sem futuro.

 

O discurso da inevitabilidade é o discurso da irracionalidade política. O poder destas agências, a fragilidade do euro e a opção pela austeridade e emagrecimento do Estado em plena crise não resultam de qualquer cataclismo natural. São as escolhas de políticos - e daqueles que os elegem - que poderiam, se assim o quisessem, inverter a situação.Não sei se enlouquecemos ou estamos desorientados. Sei que a nada nos parece desviar desta caminhada para a morte. Mas porquê? Não tenho uma resposta evidente. Talvez as vésperas da segunda guerra e talvez ali esteja a resposta. Nunca devemos desprezar a irracionalidade humana e a sua extraordinária capacidade autodestrutiva.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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Domingo, 15 de Janeiro de 2012
por Miguel Cardina

 

A Maria João Pires aplicou a expressão certa: "publicidade miserável". Depois do jornal i ter feito aquela capa em que nos convidava a ir trabalhar no dia da greve geral, temos agora o Expresso na mesma linha do "desempoeire-se, faça-se à vida e deixe lá essa coisa da política e dos sindicatos". No meio disto tudo - e talvez porque se trata de oferecer umas Vespas - lembrei-me de uma conhecida gradação do Nanni Moretti, que tomei a liberdade de reformular: até ontem achava que nos fazia falta um jornal de esquerda; hoje já me contentava com um jornal minimamente decente. Ainda para mais sabendo que a grande maioria dos jornalistas é bem melhor do que as chefias que têm de aturar.



por Miguel Cardina
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Sábado, 14 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

(Via Câmara Corporativa.)



por Sérgio Lavos
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por Bruno Sena Martins

 

O Giamatti de Sideways (2004) seria insuperável não fosse o caso de termos que considerar o Giamatti de Barney's Version (A Minha Versão do Amor). Poucas vezes a graça imerecida terá sido tão bem retratada como no abismo que entrevemos entre o terno 'accent' de Miriam (Rosamund Pike) e a sinceridade auto-destrutiva de Barney.

 

Publicado em Avatares de um Desejo



por Bruno Sena Martins
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Estranhamente, as medidas de austeridade do Governo PSD/CDS não estão a merecer a confiança dos "mercados". Terão estes tido conhecimento da venda da EDP e do pacote de boys que ela implicou?

 

Curioso é também ver que a vitória da direita teve como consequência a descida de dois níveis em Espanha. E o Governo de salvação nacional de Itália também levou o mesmo tratamento. Bem, querem lá ver que a crise é mesmo sistémica e a solução não passa pelo diktat de Merkel e Sarkozy (by the wayadieu, rating AAA)?



por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

 

Sabemos que Braga de Macedo foi ministro das Finanças de Cavaco Silva e que é militante do PSD, pelo qual foi deputado. Sabemos que foi nomeado por Passos Coelho para definir a política externa económica deste governo, à qual Paulo Portas não ligou pevide. Sabemos que depois disso foi escolhido, com Eduardo Catroga, Celeste Cardona e Paulo Teixeira Pinto, todos do PSD e do CDS, para o Conselho de Supervisão da EDP. Sabemos que é Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT). Não sabemos, nem em princípio teríamos nada que saber, que tem uma filha, Ana Macedo, que é artista plástica.

 

Ana Macedo fez, em Julho do ano passado (só agora tive acesso a essa informação) uma exposição em Maputo. "Caras e Citações: uma interpretação estética sobre Universidade, Cultura e Desenvolvimento". A exposição teve o apoio do Instituto Camões. E, coisa rara, não foi no seu centro cultural, mas na bonita estação de caminhos-de-ferro (que tive oportunidade de conhecer) . Teve o apoio do Instituto Camões. Continuo a não ter nada para dizer. É excelente que o Instituto Camões apoie e divulgue os artistas plásticos portugueses (deixo de fora deste texto qualquer consideração sobre a qualidade da exposição, que aqui não vem ao caso, até porque só vi as fotos da dita). E o facto da artista ser filha de quem é não a deve prejudicar. Portugal é pequeno e a probabilidade de alguém ser filho de alguém com responsabilidades em alguma área não é pequena.

 

O problema vem depois. Além do Instituto Camões, outra instituição do Estado apoiou o acontecimento. Sim, já adivinharam: o Instituto de Investigação Científica Tropical. O mesmíssimo que o pai da artista plástica dirige. Garante um português que vive em Maputo há quinze anos e que conhece bem a vida cultural da cidade que nunca o IICT patrocinou algum acontecimento cultural em Maputo.

 

Alertado por este post, fui investigar a coisa. Bataram uns telelefonemas e umas buscas na Net. Tudo é feito às claras, como se se tratasse da coisa mais natural do mundo. O apoio do IICT a esta exposição e a esta artista já vem de Lisboa, com uma parceria entre a Faculdade de Letras (no âmbito do seu centenário) e este laboratório do Estado, através do seu projeto "Saber Continuar". Na altura, a artista agradeceu "por esta oportunidade de criar um projeto que se tem revelado propício à partilha de metas comuns de desenvolvimento cultural". Mas mais ainda: outra exposição Ana Macedo, em Março de 2010, agora sobre Jorge Borges de Macedo (pai do presidente e avô da artista - fica tudo em família), contou com o apoio desta instituição pública, mais uma vez no âmbito do tal projeto "Saber Continuar". E parei aqui a investigação, com a certeza que iria encontrar muito mais nesta frutuosa relação familiar com dinheiros públicos.

 

É natural que Braga de Macedo goste da sua filha e a tente ajudar na sua carreira. Assim fazem todos os pais. Não é natural que use os nossos recursos para o fazer. O IICT não lhe pertence nem é uma fundação ou empresa privada.É-me desconfortável falar da vida familiar de qualquer pessoa. Até porque odeio que falem da minha. Mas é quem usa o que é de todos para ajudar os seus que expõe a sua família ao escrutínio público. Faz mal duas vezes: a nós e a quem quer ajudar.

 

Caberá a Braga de Macedo explicar este comportamento eticamente inaceitável. Com que critérios usou dinheiros do Estado (pouco ou quase nada, tanto faz) para apoiar a carreira da sua própria filha? Como explica o mais despudorado dos nepotismo na gestão da coisa pública? E mais não digo, que começo a ficar cansado de tanto desplante.

 

Publicado no Expresso Online

 

Foto roubada ao bolgue ma-schamba



por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Portanto, Passos Coelho afirmar de forma compugida que não houve interferência nas nomeações da EDP e que as das Águas de Portugal tiveram em conta exclusivamento o mérito profissional de Manuel Frexes e Álvaro Castelo Branco vale o que vale: menos que zero. Mas o que chega a ser verdadeiramente estarrecedor é a lata que esta gente tem, fingindo-se ofendida com as acusações de partidarismo. Mentir, tudo bem, que até é de político. Mas depois ainda vir mostrar indignação pela exposição da mentira, é preciso pintar a cara muitas vezes. E, mesmo assim, não chega. Estamos por tudo, deixou de haver limites para a indecência. 

 

(Imagem daqui.)



por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

Vamos aceitar uma premissa inaceitável: que a escola serve para preparar trabalhadores. Inaceitável porque isso transforma os cidadãos em mera mão de obra e as suas crias em máquinas de produção em potência. A escola serve para dar a todos os cidadãos, independentemente da sua origem social e cultural, igualdade de oportunidades. Não apenas no trabalho, mas em todos os domínios da sua vida. A escola serve para transmitir conhecimentos de geração para geração, transmitir valores e incentivar o sentido critico de todos. Pelo menos a escola pública. Pelo menos numa sociedade democrática e livre. Mas aceitemos, por uns minutos, a ideia de que não passamos de produtores de bens e serviços. Mesmo assim, a revisão curricular - nenhum governo se considera no ativo sem fazer uma - preparada por Nuno Crato vai no mau caminho.

 

Vai no mau caminho mas não é surpreendente. Só quem não acompanhou os escritos de Nuno Crato - que, na sua imaginação, pensa que a escola portuguesa está dominada pelas teorias da "Escola Moderna" quando, na realidade, é uma escola tradicional e conservadora - não sabe que, para ele, a escola só serve para ensinar a "escrever e contar". Para isso servia a escola do Estado Novo que, ao contrário do que muitos gostam de pensar, não preparava nem cidadãos preocupados nem trabalhadores competentes. Isto, apesar dos alunos com maiores dificuldades financeiras e culturais estarem, em grande parte, excluídos dos seus níveis mais avançados.

 

Que fique claro: considero o domínio da língua materna, da história, da geografia e da matemática - assim como da história do pensamento (a filosofia) e de uma ou duas línguas estrangeiras - instrumentos fundamentais para, ao longo da vida, pensar, adquirir conhecimentos e aplicá-los a novas realidades. Mas não chega. Assim de repente, recordo-me de pelo menos mais quatro capacidades indispensáveis: o sentido critico, a criatividade, o raciocínio abstrato(para o qual a matemática é importante mas não chega) e a capacidade de argumentação - incluindo a retórica e a qualidade da expressão oral, que, ao contrário do que acontece na cultura anglo-saxónica, é desprezada na nossa escola em detrimento da escrita como tão bem se nota na qualidade média das aulas ministradas. Sem elas, seremos meros executores e burocratas incapazes de continuar a aprender.

 

Sei que um País que andou a empinar linhas de ferro e rios despreza a ideia de que a escola serve para mais do que adquirir conhecimentos. Só que o que é verdade hoje não o é amanhã. Já a capacidade de aprender e criar não se desatualiza. Mais do que conhecimentos, a escola tem de nos dar ferramentas (estas não dispensam conteúdo, como é evidente).

 

Quais são, então, as alterações curriculares do ministro Crato? A primeira:desvalorização da Educação Visual e Tecnológica e redução da carga horária de Educação Musical, que só existe no segundo ciclo. Isto quando não existe mais nenhuma disciplina artística. A ideia de que a criatividade é dispensável no ensino é típica da corrente ideológica em que se engaja o ministro Crato. Mas mesmo do ponto de vista estreito da preparação para o mundo do trabalho é de tal forma vesga que espanta a naturalidade com que é aceite. Quando se sabe que só conseguiremos ser competitivos no exterior se acrescentarmos valor ao que produzimos, que esse valor depende do design ou da inovação tecnológica e que sem criatividade resta-nos o salário baixo para vender barato o que não presta, esta é uma escolha coerente com todas as restantes que este governo tem tomado noutros ministérios: os cidadãos são força bruta, os trabalhadores mão de obra intensiva, os nossos concorrentes são os países pobres com sistemas de ensino subdesenvolvidos. O resultado será o que se imagina: o do passado.

 

O fim da Formação Cívica bate certo com tudo o resto. A escola não forma cidadãos, forma amanuenses. E nada como cidadãos ignorantes dos seus direitos e deveres para continuarem a aceitar tudo de braços cruzados. Deve deixar de ser uma salada de frutas onde tudo cabe? Deve. Mas tem de existir. O fim do estudo acompanhado, que, melhorado onde não é bem utilizado, seria uma excelente forma de não deixar ninguém de fora da progressão escolar e, como aconselhou o Conselho Nacional de Educação, contribuir para que os alunos (sobretudo os que não são acompanhados em casa) ganhem métodos de estudo.

 

Para deixarem a sua marca, os autarcas fazem rotundas e os ministros da educação reformas curriculares. Nuno Crato não quer fugir à regra. E a sua reforma dá um sinal do que ele espera da escola: meninos que saibam ler e escrever e nada mais. Soa bem ao populismo antipedagógico que se instalou no senso comum. É um desastre para o nosso futuro. Como saberá quem conheça os melhores sistemas de ensino da Europa. Ficaremos, também aqui, para trás.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

 

Um tuíte antigo do candidato Pedro Passos Coelho. Para quem tiver conta no Twitter, pode ver o perfil do antigo candidato e confirmar que o tuíte é de 2 de Junho. Aqui.

 

(Daqui)



por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

Primeira informação do Banco de Portugal: este ano a recessão vai ser maior do que se esperava. A contração da economia não tem precedentes. E essa recessão resulta das medidas de austeridade decidas pelo governo e com forte impacto no consumo.

 

Segunda informação do Banco de Portugal: o governo vai ter de tomar mais medidas de austeridade (que Vítor Gaspar nega e ninguém acredita) porque receitas extraordinárias, como a que foi conseguida com os fundos de pensões dos bancos, significam mais despesas futuras para o Estado.

Fecha-se o ciclo perfeito: mais austeridade, mais crise, necessidade de receitas extraordinárias para cumprir o défice quando a economia abranda, mais despesas, mais défice, mais austeridade, mais crise. Ou seja, a receita contra a doença vai piorar a doença. Vamos morrer por causa dela.

 

Tudo aquilo que os críticos do caminho da austeridade para lidar com esta crise disseram confirma-se de forma ainda mais rápida e profunda do que o previsto. Não porque fossem visionários. Apenas porque era evidente. 

 

Pergunta-se: qual é a alternativa? Há muitas e todas passam pela Europa. Se não for por aí, não debatemos alternativas mas inevitabilidades. A primeira: não vamos pagar a nossa dívida. Ponto final. Não é política, é matemática. O que fica para a política é se, havendo incumprimento, saímos dele vivos e capazes de recuperar. O tempo joga contra nós. Hoje já é tarde para exigir uma renegociação. Amanhã será ainda pior. Depois de amanhã pior ainda. Daqui a uns meses será inútil. Nada teremos para renegociar. Em vez de um acordo sério com os credores teremos as suas condições sem mais conversas. E as suas condições serão a nossa morte.

 

O que deputado Pedro Nuno Santos disse há umas semanas, e que tanta indignação causou, é mesmo a única saída. E os que então se mostraram tão melindrados terão de engolir as suas palavras e dar-lhe razão. A nossa única arma é mesmo esta: ou renegociamos a dívida - nas condições e prazos de pagamento e até nos seus montantes - ou não pagamos. É a bomba atómica? Não. Já se transformou em armamento convencional. É apenas isso que está em debate em relação à Grécia: ou há uma renegociação profunda da dívida ou ela não será paga. E a Grécia acabará por sair do euro.

 

É isto que estará em debate em Portugal. Quanto mais cedo assumirmos a inevitabilidade menos estreito será o caminho para a recuperação. Assumindo de uma vez por todas que a austeridade não resulta. Temos duas possibilidades: ou renegociamos já (e poderemos respirar um pouco), usando, se necessário, a ameaça do não pagamento, ou saímos do euro (o que será trágico, mas sempre nos dará novos instrumentos para sair da crise).

 

Está na hora de acabar com esta fantasia que nos está a atirar para a um poço sem fundo. E para nada: no fim, nem pagaremos o que devemos, nem teremos as contas públicas em ordem, nem reergueremos a nossa economia. Tudo o que estamos a fazer é inútil. Que alguém tenha a coragem de dar um murro na mesa e por fim a esta loucura. A troika não deixa? COmo dizia o outro, estou-me a marimbar para a troika. É o nosso futuro e não o deles que está em causa.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Autarcas do PSD e do CDS nomeados para a Águas de Portugal. 

 

A autarquia a que preside Manuel Frexes, o Fundão, tem uma dívida às Águas de Portugal de 8.3 milhões de euros cujo pagamento tem vindo a ser protelado. O que irá acontecer agora a essa dívida?

 

Em seis meses, este Governo deve ter batido todos os recordes mundiais de nomeações partidárias, tanto em cargos públicos como em empresas privadas que farejam o poder. Só boys nos ministérios e institutos, foram mais de 700, entre assessores, assistentes e motoristas. Agora, começa em força a época das nomeações para as grandes empresas. Isto quando uma das recomendações da troika tinha sido assegurar a manutenção da maioria das pessoas em cargos dependentes do poder de um Governo para o outro. Portanto, quando se trata de aumentar os impostos, cortar prestações sociais e ordenados, acabar com o Estado Social, o Governo PSD/CDS vai muito além do memorando. Mas há que garantir o mínimo aos aparelhos dos dois partidos, aos milhares de militantes que penaram durante seis anos fora do poder.

 

Quando pensamos que já batemos no fundo, há sempre algo que nos convence do contrário.


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por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

"Ó Manuel, a CGD nunca deu dinheiro, dava prestígio. Quem ia para administrador tinha status. Agora vocês abandalharam o banco todo! Meteram lá o Vara e o Bandeira [presidente do BPN e vice-presidente da CGD]! Abandalharam aquilo tudo! Meteram lá o aparelho que controla os movimentos de crédito da CGD. A Caixa está ao serviço de interesses!" Eduardo Catroga contou, há mais de um ano, que terão sidos estas as palavras que dirigiu a Manuel Pinho quando se falava do antigo ministro da Economia para dirigir o banco do Estado. O cavaquista Eduardo Catroga foi o autor do programa eleitoral do PSD. Um programa que era mau mas que nem sequer foi cumprido.

 

Paulo Teixeira Pinto é autor da proposta de revisão constitucional do PSD. Uma revisão que era escandalosa mas que nem sequer foi feita. O governo optou por violar diariamente a Constituição existente sem que o Presidente fizesse nada. Paulo Teixeira Pinto queria o fim da justa causa para despedimento subsituido-a para uma vaga "razão atendível". Saiu do BCP por razão atendível. Não precisou dela para entrar na EDP.

 

Celeste Cardona não diz nada há anos. Tornou-se na girl honorária do CDS. Deixa de fazer agora companhia a Nogueira Leite na Caixa Geral de Depósitos, onde chegou sem currículo e com a promessa de uma carreira promissora.

 

Ilídio Pinho foi patrão de Passos Coelho quando este fazia um intervalo no deserto profissional. Não preciso de dizer mais nada.

 

A este grupo juntam-se o antigo governador de Macau e ministro da República nos Açores, Rocha Vieira, e o antigo ministro das Finanças, Braga de Macedo, os dois vindos do tempo de Cavaco Silva.

 

Estas são as pessoas que o governo enfiou na EDP. Foi esta a moeda de troca para vender a parte que era nossa do monopólio energético nacional. Os acionistas escolheram pessoas próximas do poder. Porque é assim, nesta absoluta promiscuidade entre a política e as empresas, que se fazem negócios em Portugal. E depois perguntam: porque não somos competitivos? E sabem como resolver o problema: obrigar os outros a trabalhar meia hora de borla por dia.

 

Apenas uma diferença em relação aos governos anteriores: estes são os homens que, nos últimos anos, nos explicam que o emprego seguro tinha chegado ao fim. Que defendem a meritocracia. Que cospem no papel do Estado (aquele que se faz com transparência e regras claras, não este que vive da troca de favores e de cromos) na economia. Que olham para os portugueses como se eles fossem um meninos mimados habituados a vida fácil. Vivem num País muito especial. Nesse País, não há carreiras, não há mérito, não há a ansiedade do desemprego e da penúria. Há acumulação de mesadas. Seja no público ou no privado, vivem entre a política e os negócios para se pendurarem no trabalho dos outros. São os avençados da Nação. Recebem um rendimento máximo garantido por nos venderem a austeridade que nunca irão conhecer. Liberais de pacotilha, vivem de expedientes enquanto afundam, há décadas, as esperanças de um povo que trabalha.

 

PS - Vi ontem António José Seguro a lamentar a confusão entre a política e os negócios. As suas declarações foram feitas em Braga e ao seu lado estava Mesquita Machado. Podia ter escolhido melhor os figurantes para a sua indignação.

 

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por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
por Sérgio Lavos

Depois de na semana passada a crónica de Pedro Santos Guerreiro sobre a deserção de Alexandre Soares dos Santos ter feito furor nas redes sociais, tendo sido citada por tudo quanto era blogue de direita e percorrido a via sacra do Facebook, só posso esperar que o mesmo aconteça com esta

 

"As nomeações para a EDP são um mimo. Catroga, Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo... isto não é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho. O impudor é tão óbvio nas nomeações políticas que nem se repara que até o antigo patrão de Passos, Ilídio Pinho, foi contratado.

Estava a correr bem de mais... Um grande negócio para o Estado, uma privatização que reforça a EDP, a gestão reconduzida. Mas a carne é fraca. É sempre fraca. Só falta uma proposta na Assembleia Geral da EDP: mudar o nome de Conselho Geral e de Supervisão (CGS) para o de Loja do Governo.

É extraordinário como uma empresa em vias de total privatização se consome na absurda politização. E é surpreendente: a recondução de António Mexia fora uma demonstração de isenção de Passos Coelho: este Governo não gosta de Mexia nem do poder da EDP (basta ler a entrevista de hoje do secretário de Estado da Energia neste jornal) mas quando os chineses perguntaram se o queriam, Passos não se opôs - remeteu a decisão para os accionistas. Ingenuidade do primeiro-ministro? Não, ingenuidade nossa. A troca foi esta lista de famosos da política. Porquê?

Eis porquê: primeiro, os chineses concebem as estruturas de poder ancoradas no Estado, pelo que acharão normal a sofreguidão de emissários políticos; segundo, os chineses trabalham em ciclos longos, pelo que os próximos três anos de mandato são, como na anedota, um "deixa-os poisar" que deixará crer que não os novos donos não vêm controlar. Mas o mais importante é outra coisa: o CGS representa os accionistas da EDP e muitos, aflitos que estão, também querem vender aos chineses. O triângulo amoroso produziu esta aberração.

Para ser isto, o CGS da EDP devia ser extinto. Este órgão, criado para gerir o equilíbrio entre o Estado e privados, tornou-se numa loja de vendedores e vendidos. Paradoxalmente, o Conselho de Administração Executivo seria mais independente se o CGS fosse extinto e funções como as de auditoria e remunerações fossem transferidas.

António Mexia não é desta loja, ser convidado para um novo mandato é uma grande vitória sua, mas ele sai mais fraco: tem um Governo hostil, aceitou nomes na comissão executiva impostos pelos chineses e está apoiado em accionistas que estão de saída (BES, Mello, BCP).

Voltemos às nomeações. Podíamos dizer que não está em causa o mérito pessoal de cada uma destas pessoas, mas está. Porque o mérito que está a ser recompensado não é o técnico ou sentido estratégico, é o da lealdade e trabalho político. É Catroga (ainda assim, o único aceitável) ter suado por Passos como "ministro sombra", é Teixeira Pinto ter feito a proposta de revisão constitucional, é Braga de Macedo ter feito uma estratégia para a internacionalização que foi triturada por Portas.

É curioso, mas Miguel Relvas, tendo a fama de "apparatchik" que tem, está a fazer as coisas bem. Na RTP, manteve a administração de Guilherme Costa, que tem gente essencialmente próxima do PS. Já Passos reincide na fórmula tenebrosa da Caixa Geral de Depósitos, reforçando a dose: dois cavaquistas (Catroga e Rocha Vieira), dois passistas (Braga e Teixeira Pinto) e um CDS (Celeste Cardona, a mulher mais polivalente de Portugal, já foi ministra, banqueira e agora será conselheira na Energia).

Duas linhas para Ilídio Pinho: é um grande empresário, está ligado ao Oriente e não precisa deste cargo para nada. Precisam talvez as suas empresas. E é pouco recomendável ver metido nisto o accionista e membro dos órgãos da Fomentivest, onde trabalhava Passos Coelho. O próprio devia sabê-lo - e não aceitar.

Por esta lógica, ainda veremos Ângelo Correia ou José Luis Arnaut assomarem numa das próximas nomeações (a próxima é já a Portugal Telecom). O problema é que, enquanto isso, milhões de portugueses estão a perder salários, empregos, a pagar mais impostos, mais pelas rendas ou pela saúde. Estas nomeações são uma provocação social. Porque enquanto muitos tratam da sua vida, alguns tratam da sua vidinha.

As nomeações da EDP, como antes as da Caixa, são um mau sinal dentro da EDP e da Caixa, e são um mau sinal do País. Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica. Quem é mesmo o macaquinho do chinês?"

Adenda: Louve-se o Insurgente, o primeiro blogue de direita a destacar este texto. No Blasfémias, no pasa nada. Siga.



por Sérgio Lavos
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por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira

 

 

Com apenas quatro anos de vigência a lei do tabaco vai ser de novo alterada. Imagina-se que uma lei que afecta os negócios de milhares de pessoas com estabelecimentos comerciais a liberdade (sempre limitada, como todas as liberdades) de milhões de cidadãos e a saúde de todos resulte de profundas e cuidados negociações. Dessas negociações nascerão as regras de convivência entre todos nós. Tendo em conta interesses contraditórios. Depois dá-se tempo ao tempo para saber se a lei tem os efeitos pretendidos. Assim deveria ser. Assim não é.

 

Em Portugal legisla-se, muitas das vezes, para ter notícias. E sempre que um governo não tem boas notícias para dar a fúria higienista faz-se sentir. Ela sai da borla e satisfaz muita gente. Assim como os exorbitantes impostos sobre o tabaco, dirigem-se a uma minoria de culpados, viciados e, por isso, pouco reivindicativos consumidores.

 

Não vou aqui perder muito tempo a dizer o óbvio: que a existência de restaurantes sem espaço para fumadores (a esmagadora maioria dos estabelecimentos) e com espaço para os ditos já garantia o que se pretendia - o direito dos não-fumadores a não consumirem o tabaco dos outros. Mais do que isto é, como se tem tornado num hábito de muitos Estados, querer policiar o que os cidadãos fazem com o seu próprio corpo.

 

Fico-me por um tema mais prosaico. Foi dito aos donos de espaços de restauração que se queriam ter espaços para fumadores (e assim garantir essa clientela) teriam de fazer um avultado investimento em exaustão de fumo e separação de espaços. Uns decidiram, com base na nova lei, fazer esse investimento. Gastaram o dinheiro, seguiram as normas, foram fiscalizados e cumpriram a lei. Quatro anos depois, o Estado diz-lhes: podem oferecer o equipamento em que investiram para a sucata porque afinal muda tudo de novo.

 

É difícil, perante um Estado que se comporta assim, pedir aos cidadãos que acreditem nele e levem as leis a sério. Esta forma de legislar para os jornais, como se o País começasse do zero de cada vez que um novo governo chega ao poder, é um convite aos cidadãos: não cumpram as leis, não respeitem a autoridade do Estado. As leis são para durar uns meses, a autoridade do Estado é tão volúvel como a de um adolescente mimado.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
por Miguel Cardina

Este texto do Zé Neves merece ser lido e debatido. São pistas sobre as condições de produção da ciência em Portugal, sobre a precariedade de quem a faz, sobre os desencontros entre docentes e bolseiros e sobre os legados recentes que desenvolveram a investigação ao mesmo tempo que criaram uma nova classe de explorados.



por Miguel Cardina
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por Daniel Oliveira

 

 

Guardo para o Expresso em papel desta semana a minha opinião sobre o caso Jerónimo Martins. A um triplocomendador devemos garantir um estatuto especial. Por agora, queria apenas escrever sobre a reação de alguns jornalistas e comentadores ao caso.

 

Perante a justificada indignação de muita gente, mais por a figura em causa se ter dedicado, no último ano, a repetidas lições de patriotismo a políticos e cidadãos do que por o caso em si, os relações públicas da Jerónimo Martins tiveram a vida facilitada. Dali vieram apenas os primeiros "esclarecimentos". Ainda o caso não era caso e já abundavam notícias contraditórias, explicações de fiscalistas e artigos de opinião que oscilavam entre as acusações a um Estado que teima em ainda cobrar alguns impostos a grandes empresas e o derradeiro e infantil argumento de que "os outros fazem o mesmo". Sempre que está em causa um grande empresário a cena repete-se: a reação em defesa da sua honra é imediata e empenhada.

 

Nada de mal. Todos têm direito ao contraditório (e é dele que nasce o esclarecimento público), mesmo quando a defesa da incoerência de comportamentos parece difícil. O que espanta é que este empenhamento pelo pluralismo na defesa do bom nome de quem é criticado não se alargue a todos os sectores da sociedade e seja sempre muito mais militante quando estão em causa pessoas com um enorme poder económico.

 

Por causa deste caso, estive a rever entrevistas na imprensa e na televisão feitas a Alexandre Soares dos Santos. Como costumo prestar pouca atenção aos conselhos que esta gente dá à Nação - cada um dá atenção a quem quer e, com todo o respeito por merceeiros, não os considero mais habilitados do que qualquer outro cidadão para o debate político -, tinha matéria para rever. Fiquei atónito. Não se pode dizer que tenha lido e ouvido entrevistas. Os jornalistas (quase sempre de economia) pedem conselhos e dizem frases para as quais esperam a aprovação do senhor. É uma amena cavaqueira onde nada de difícil, embaraçoso ou aborrecido é perguntado. Nunca é confrontado com contradições, incoerências ou dificuldades. Nada se pergunta sobre a relação da sua empresa com os produtores nacionais, com os seus trabalhadores ou com o Estado. E havia tantas coisas para perguntar. Não se trata de uma entrevista a um empresário, com interesses próprios, mas a um "velho sábio" que o País deve escutar com todo o respeito.

 

Trata-se de um padrão e não de um tratamento especial ao dono da Jerónimo Martins. Se ouvirmos as entrevistas a banqueiros ou outros grandes empresários acontece o mesmo. O que me leva a perguntar: de onde vem esta bovina subserviência de tantos jornalistas perante o poder económico, que não tem paralelo com qualquer outro poder, sobretudo com o poder político?

 

Explica-se de três formas: dependência, concorrência e imitação.

 

A dependência é a mais simples de explicar e talvez a menos relevante. A comunicação social não depende do poder político. Não é ele que lhes paga as contas. Depende de quem detém os órgãos de comunicação social e de quem neles anuncia. Claro que há notícias más para os empresários. Se não houvesse, dificilmente teríamos alguma pergunta embaraçosa a fazer a este senhor. Mas perante este poder o jornalista pensa duas vezes, vê os dois lados da questão e procura todas as fragilidades da informação que dispõe - coisa que, sendo outros os sujeitos, tantas vezes se esquece de fazer. Isto, claro, se for sério. Se não o for fecha o assunto na gaveta e não pensa mais no assunto.

 

A concorrência tem mais a ver com o poder político. A ideia de que a comunicação social é um contrapoder é absurda. E a de que é um quarto poder é um equívoco. Os media não são um poder autónomo, são um salão onde se cruzam os vários poderes. E o poder político também. Por isso, é com este, que tem a legitimidade representativa que falta aos jornalistas, que os jornalistas concorrem.

 

A imitação vive mais do simbólico. Os jornalistas são uma classe muito particular: a proximidade que têm dos poderes - que os namoram e seduzem - dá-lhes a ilusão de poder. A sua fragilidade profissional (cada vez maior, com a crescente proletarização da profissão) torna-os extraordinariamente fracos. A sua osmose com o poder dominante fá-los repetir o discurso hegemónico de cada momento. E esse discurso é definido pelo poder mais forte de cada momento. E esse poder é, hoje, o económico e financeiro. Sendo de classe média, o jornalista de economia tende a pensar como um rico. Não representando ninguém, o jornalista de política tende a pensar como se fosse eleito.

 

É por tudo isto que devemos ter em atenção três premissas. A primeira: a independência do jornalista não depende de quem é o seu empregador. Nem a empresa privada garante maior autonomia que o Estado nem a coragem de um jornalista depende do seu patrão. Ou tem, ou não tem. A segunda: sendo a comunicação social fundamental para a democracia ela não substitui a democracia. A opinião de um jornalista não é mais descomprometida e livre do que a de qualquer outra pessoa, incluindo os agentes políticos tradicionais. E a opinião publicada (a minha incluída) não é a mesma coisa que a opinião pública. A terceira: os jornalistas não têm como única função fiscalizar o poder político, mas fiscalizar todos os poderes. Incluindo o seu. Quando não o fazem tornam-se inúteis.

 

Publicado no Expresso Online



por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
por Pedro Vieira

rabiscos vieira



por Pedro Vieira
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por Sérgio Lavos

 

Sou só eu a achar uma ofensa que Eduardo Catroga, o ministro-sombra de Passos Coelho que nunca chegou a ministro de facto, seja o novo chairman de uma empresa cuja participação do Estado foi vendida pelo mesmo Passos Coelho? Será esta uma das contrapartidas que a Three Gorges teve de dar para poder comprar a Golden Share da EDP? O imoral tornou-se normal, a sem vergonhice regra? 



por Sérgio Lavos
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