À beira da irrelevância, disse há tempos um sociólogo. Não só irrelevância económica - longe disso -, mas também. Esta é, aliás, apenas uma consequência;
como escreveu António José Saraiva, " Nunca se viu uma crise económica gerar uma crise moral ou espiritual. O contrário é que é verdadeiro. É sempre a falta de " tónus" moral, a falta de espírito de iniciativa, a falta de confiança em si próprio, a falta de entusiasmo que geram o fracasso(...). Na nossa história, aliás, temos o exemplo disto. Nunca a situação económica de Portugal foi tão catastrófica como na época de D. João I. O País estava em guerra de sobrevivência: os fidalgos que possuíam parte da riqueza tinham emigrado em grande número para Castela; o comércio estava interrompido pela guerra. Todavia, nessa época manifestou-se um Fernão Lopes, construiu-se o mosteiro da Batalha, ganhavam-se duas das batalhas mais importantes da nossa história, Aljubarrota e Ceuta, existiu a Corte mais culta que houve em Portugal. Se a teoria da " crise económica que gera a crise moral" fosse verdadeira, Portugal não seria independente desde o século XIV".
Lá longe, aonde o exilaram, morria de saudades pela terra que tanto amava. Casou em cima de um bocado de terra que pediu lhe levassem de Portugal.
disse em 1957 uma Golda Meir conhecedora do que estava - e está - em causa numa guerra de que se vislumbram sinais do fim, apesar dos apelos que, em cadeia, se multiplicam por esse mundo todo, como aquele que ontem mesmo o Papa enviou aos políticos do Oriente Médio, ciente de que ali naquele pedaço de terra se ateou uma fogueira que a todos pode queimar.
Este caso mostra que o amor a que ela aludia é ainda uma miragem

em que Camilo se comprazia debatendo com gente mais ou menos grada do seu tempo, coligidas e comentadas por Alexandre Cabral, injustamente a veia menos realçada do consagrado romancista, pois que dela sairam saborosíssimos pedaços de prosa, sempre apimentados por uma espontaneidade e frontalidade que o faz recorrer aos mais vernáculos termos, numa verve não raras vezes acintosa, paro - porque me lembra a que sustivera três anos antes, 1877, com a autora, também ela estrangeira, de um livro lido há tempos - « A Formosa Lusitânia » -, na que o opõe à autora de « Portugal Visto de Relance », a Princesa Rattazzi.
Uma polémica em que intervieram várias figuras contemporâneas, como o Visconde de Villas Fortes, que expõe, em traços largos, o fundo em que a mesma se irá processar: " Chegou a Lisboa uma dama, que gozava lá fora da fama de literata mais ou menos distinta, porque tinha publicado em francês alguns livrinhos literários. A vinda de semelhante escritora não era, realmente, para causar entusiasmo, muito menos entre os nossos escritores, mas a tal senhora era viúva de um príncipe " razão pela qual " os jornais de Lisboa e os de quase todo o reino começaram a chamar ' raro ' ao talento da princesa e terminaram por levar às nuvens o ' génio ', o estilo, a escola, o gosto e a erudição nunca vista da distinta escritora ".
É aqui que Camilo entra a esgrimir contra a visão de um país retrógado e provinciano que de Portugal a princesa publicita, não a poupando a palavras duras de quem vê no livro acabado de ler uma ofensa de pura calúnia, ao país que entoara tão grandes loas à viajante escritora.

que um burrinho ajudara a aquecer aquele menino que há muito tempo havia nascido em Belém, lá longe, num país desconhecido, mas o menino, esse, conhecia-o ele, pois que todos os anos, em noites frias assim, ficava lá em casa deitado numa caminha de palha que o pai lhe arranjava, pertinho da lareira, onde o frio não entrava. Tinha agora de fazer o mesmo pelo Castanho, o burro que lá no curral, junto ao gado que todos os dias pastoreava, devia estar a tremer de frio; o Castanho tão amigo, que o olhava com aqueles olhos tão meigos...
Levantou-se, e depois de trocar um olhar cúmplice com o menino na caminha de palha, foi buscar uma manta: o Castanho ia ficar quentinho.

de, no Campo de S. Mamede, em Guimarães, se ter desenrolado a Batalha que abriria as portas ao nascimento de uma nova nação, viesse a nascer, provavelmente em Flor da Rosa, arredores do Crato, aquele que, para mim, personifica, logo depois do nosso primeiro Rei, o mais alto grau de amor à Pátria.
Com efeito, se este, Príncipe ainda, começava ali um longo combate que culminou nessa tão sonhada independência, o testemunho, a manutenção desse sonho, dois séculos depois só não cairia em saco roto porque, à frente de outros patriotas surgiu a figura do Condestável.
Mas D. Nuno Álvares Pereira não se limitaria a ilustrar a história pátria com esta sua faceta guerreira e patriota. O alto exemplo que nos legou ficaria para sempre marcado pelo lado humano e caritativo que « Com a paz com Castela firmada a 31 de Outubro de 1411 » o permitiria « dedicar-se com maior intensidade às obras de misericórdia, criando casas de abrigo para doentes viúvas e orfãos. O seu amor ao próximo não conhecia raça ou crença, e assim acolheu nas suas terras, mouros e judeus, construindo Mesquitas e Sinagogas » ( « D. Nuno Álvares Pereira - Um Santo Para o Nosso Tempo »,in Boletim da Fundação D. Manuel II .
que o cimo da escrivaninha do meu irmão se encheu com os livros de Eça de Queiroz editados pela « Livros do Brasil » .
Foi uma surpresa não só para ele, mas para os outros irmãos, que já afilavam o dente ao ver aquela colecção inteirinha à nossa espera.
Mas esperava-me um balde de água fria: Só podes entender estes livros quando tiveres 15 anos, disse o meu pai, quando viu o olhar guloso que lhes deitei.
Deve ter sido por essa altura que comecei a visitar regularmente a escrivaninha do meu irmão

Quando ontem de manhã, estava um lindo amanhecer, os vi, por certo que já levavam um par de horas naquele sachar da terra, a prepará-la para receber as batatas em semente, que chegada é a hora de o fazer, passadas que são, e nisso se põe grande esperança, as grandes geadas, que tudo levam.
Poucos e idosos, que estes homens e mulheres são dos que ainda resistem ao chamado das fábricas, sorvedouro das gentes novas, desgraça das terras que ficam por cultivar, em breve ocupadas por mais daquelas casas que proliferam como cogumelos.
Quando hoje a manhã surgiu cinzenta e com uma cortina de chuva, pensei não os encontrar, à espera que melhor tempo fizesse. Mas não; lá estavam, de enxadas na mão, a terminar o que tinham começado, que o apelo da terra foi mais forte do que os aguaceiros, que fintavam com as serapilheiras pela cabeça...
A esta hora, o sol há muito que acorreu , talvez condoído da sua sorte.

era a zona do País por nós preferida na Primavera.
Não sei já porque razão aquele fim-de-semana iria ser prolongado, mas o certo é que sabíamos ir encontrar aquelas planícies sem fundo, numa ondulação movida pela leve aragem, de um verde semeado de flores de cores que iam do branco ao roxo.Tudo isto debaixo de um céu muito azul.
O destino era Sousel, no Distrito de Portalegre, a partir da qual visitaríamos, conforme planeáramos já, Avis, Estremoz., Arraiolos ( aonde voltaríamos com mais vagar ), Mora,..
De caminho iríamos ver como estava o Mosteiro da Flor da Rosa, de que ouvíramos estar a ser reconstruído, que sabíamos ter estado ligado às Ordens de Malta e Hospitalários, ter ali vivido o pai de D. Nuno Álvares Pereira, tendo o Condestável aí nascido, quando aquele era Prior do Crato, e acabara de ser referido na série de episódios televisivos « Malta Portuguesa ».
Estava ainda em ruínas, e só uns anos mais tarde ( dois? ) ficaríamos na então recém inaugurada Pousada.