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Sábado, 12 de Março de 2011

Gerações e privilégios

A geração massacrada na Primeira Grande Guerra nasceu na Belle Époque.

Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Ser velho é tão confuso como ser novo

Ainda no outro dia estive a parodiar um filme de Hollywood. Pois bem, hoje é a vez de fazer o elogio dum deles, mas dum realizador doutro gabarito, Francis Ford Coppola. O filme em apreço é Peggy Sue casou-se, e 'é' um filme de ficção científica que pouco parece ter a ver com este género. Uma viagem no tempo em ambiente de comédia romântica. Aparentemente acaba em bem, isto é, happy end familiar (ou quase), mas o que tem mais interesse é justamente a novidade do argumento, os volte-faces, a fantasia, a subversão, a fuga à rotina, à previsibilidade e ao estereótipo...

Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Foi um verãozito que lhe deu, coitadito

"Verão mais frio dos últimos 20 anos

O Verão deste ano está a ser o menos quente dos últimos 20 anos e o mais chuvoso deste século, de acordo com informação do INstituto de Meteorologia (IM). As temperaturas médias registadas este Verão em Portugal são as mais baixas dos últimos 20 anos, estando 0,5 graus Celsius abaixo do normal. Se se considerar apenas este século, a diferença das temperaturas médias deste Verão é maior, e corresponde a menos 1,9 graus. O Verão de 2007, que só termina a 21 de Setembro, está a registar uma temperatura média de 20,7 graus, quando a média entre 1971 e 2000 foi de 21,2 graus."
(in Público, 2/VIII/2007, p. 10)

Segunda-feira, 12 de Março de 2007

T.S. Eliot

"And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea."
dedicado à Sofia, à Clara e à Filipa

Domingo, 7 de Janeiro de 2007

Qual o tempo dos peões que hão-de vir?

Noutros tempos, interessei-me pela obra do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre (1900-1987). Apresentei, em trabalho académico, uma leitura crítica da génese e estruturação do luso-tropicalismo, desde Casa-grande & senzala (Rio de Janeiro) até O luso e o trópico (Lisboa, 1961), e analisei a recepção daquela doutrina em Portugal e as apropriações a que foi sujeita pelo Estado Novo. Não obstante aquilo que me separa de Freyre em termos políticos e ideológicos e as reservas que a sua doutrina me merece no plano científico, sempre admirei a sua escrita, perspicácia e imaginação. Tem a capacidade de nos surpreender e desafiar. Obriga-nos a pensar, sobretudo porque o que nos diz ecoa em impressões muito enraizadas e generalizadas.
A propósito do tempo, Freyre volta a discorrer sobre a excepcionalidade ibérica. No livro O Brasileiro entre os outros Hispanos (Rio de Janeiro, 1975), desenvolve o argumento de que os povos ibéricos teriam um sentido próprio de tempo, mais semelhante ao dos povos orientais e diferente do dos norte-europeus. O tempo como vida e não o tempo como dinheiro («time is money»), bem precioso e escasso. O desprezo pelo tempo cronométrico, pela hora exacta dos britânicos seria característica e virtude dos hispanos. Ao tempo dos negócios, contrapunham o tempo do ócio. Esta atitude em relação ao tempo era marcada pelo mito, pela religião, pelo folclore, o que lhe conferia uma enorme capacidade criadora e criativa. O hispano teria assimilado expressões de uma filosofia de espaço-tempo não-europeu.
«Isto é aquilo que vier a ser» – responde o pintor a Dom Quixote, quando este lhe pergunta o que está a pintar. Esta fórmula, segundo Gilberto Freyre, caracterizaria a maneira de estar dos povos ibéricos, a sua capacidade de improvisação, a sua tendência para procurar novas cores e formas de homens e de culturas. "Dando-se tempo ao tempo, sem pressa e sem cálculo" (1975: 7).
Tudo indica que a maioria dos peões que se propõe participar neste blogue partilha de uma concepção de teeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeempo longo. Resta-me uma curiosidade: Trata-se de pensar longamente antes de cada jogada? Ou de viver intensamente fora do tabuleiro?
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Imagem: Salvador Dalí, La Persistencia de la Memoria (1931). Museu de Arte Moderna - Nova Iorque.