. O DIREITO DAS CRIANÇAS - ...
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Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)
Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso)
JUMA MUBARAK
A tradução da palavra árabe “salah” para “oração”, pode induzir em erro, para quem não conhece o verdadeiro sentido do salah. A palavra oração pode indicar as diversas formas de contacto com Deus, uma simples prece por exemplo. O salah é mais do que uma oração, pois inclui as partes verbais e físicas. A Oração no Isslam, é um contacto pessoal entre o crente e Deus. Outras formas de traduzir Salah é: “oração obrigatória” ou “oração islâmica”. Cada país não árabe, denomina o salah na sua linguagem e o mais utilizado em comum por muitos povos é o de “namaz”. Quando o crente está no salah, é como estar no mundo, mas fora dele. O termo “oração” aqui utilizado, referese ao salah.
A primeira preocupação do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), foi de divulgar e insistir para que as pessoas consolidassem a fé (iman). Foi um trabalho difícil e árduo, ao longo de alguns anos. Nem sempre encontrou simpatizantes e foi maltratado por aqueles que ainda insistiam em permanecer idólatras. No entanto, insistia para que as pessoas entendessem e interiorizassem o significado do primeiro pilar, a Chaada (testemunho da fé) – LA ILAHA ILALHA – Não há outra divindade, senão Deus. Quando já se encontrava sustentada esta prioridade - fé em Deus Único - , os muçulmanos receberam do Criador, uma prenda constituída pelas 5 orações diárias. Refere o Cur’ane: “Sou Deus. Não há divindade além de Mim! Adora-Me pois e observa a oração, para celebrar o Meu nome.” – 20:14. De todas as acções, a primeira a respeito da qual será questionada no Dia do Julgamento Final, será a oração. Se for bem sucedida, terá o sucesso e felicidade, de contrário terá o insucesso e desgraça. A pessoa que efectuar as orações, incrementará a sua fé e observará os restantes mandamentos da religião, com mais acuidade, conforme é referido no Cur’ane: “A oração impede os actos de pouca vergonha e injustiça”. 24:45.
Foi durante a noite de Mi’raj, quando o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), foi transportado para o céu e recebeu de Deus, a obrigatoriedade de 50 orações diárias. Com o conselho do Profeta Mussa – Moisés – Que a Paz de Deus esteja com ele, o Profeta pediu a Deus a redução do número das orações, que foram reduzidos para os actuais 5 diários, sendo a recompensa de cada uma delas, equivalente a 10 orações. Nessa ocasião, o Profeta levou 3 ofertas para Deus: 1 - ATAHIATO LILAHI; 2 – WA SALAWATO; 3 - WA TAHIBATO -Toda a adoração efectuada verbalmente, fisicamente e com bens mundanos, é somente para agradar a Deus. E Deus deu as seguintes 3 prendas ao Mensageiro: 1 - ASSALAMO ALEIKA AIHUHANABI; 2 - WA RAHMATULAHI; 3 – WA BARAKATUHU – Que a Paz, a Misericórdia e as bênçãos estejam acima de ti. Pensando no seu Umah (seguidores), disse o Profeta: ASSALAMO ALEINA WAALÁ IBADILAHI SUALIHINA – Que a Paz não só acima de nós, mas também acima de todos os piedosos e que fazem as orações. E o Anjo Jibrail (Gabriel) - que a Paz de Deus esteja com ele, completou: ASH HADU AN LA ILAHA ILALAHU, WA ASH HADU ANÁ MUHAMMAD ABDUHU WA RASSALUHU – Testemunho a unicidade de Deus e que Muhammad é o Seu servo e apóstolo. Esta é uma das preces que os muçulmanos rezam em cada uma das 5 orações diárias.
A oração é obrigatória para todos os muçulmanos (homens e mulheres), após terem atingido a puberdade e que sejam portadores de plenas faculdades mentais. As crianças devem ser ensinadas a partir dos 7 anos, para que ao atingirem os 10 anos estejam aptos a efectuar as orações (Abu Dawood). A oração é o pilar da religião. São as seguintes condições para que a oração seja válida: - Porque a pureza equivale a metade da fé, o crente deve estar limpo, purificado através do banho e da ablução. O versículo 5:6 indica-nos como devemos fazer a ablução. A roupa deve estar lavada, não apresentando vestígios de impurezas. O local onde nos prostramos a Deus, deve estar limpo e seco. Referiu o Profeta: “A oração sem a pureza não é aceite, nem a caridade dada da riqueza adquirida ilicitamente”. – Musslim. O crente deve estar livre de intoxicações (álcool e drogas), proibidas pelo Islão, para não se enganar nas recitações do Cur’ane. “Ó vós que credes! Não vos deis à oração quando estiverdes embriagados, enquanto não souberdes o que estais a dizer…” 4:43.
- As orações devem ser efectuadas no seu tempo exacto. “….. a oração é uma obrigação prescrita aos crentes, para ser cumprida em tempos fixos”.4:103.
- Os crentes devem estar direccionados para Maka. Os muçulmanos de todo o mundo orientam-se para Maka, para efectuarem as suas orações, Antes de ser revelado o versículo 2:144, que refere a obrigatoriedade da orientação em direcção a Maka, os muçulmanos faziam as suas orações virados para Jerusalém.
- O homem deve cobrir o corpo, no mínimo desde o umbigo até ao joelho. A mulher deve tapar o corpo, com excepção das mãos, dos pés e do rosto. Os crentes não devem usar roupas transparentes ou apertadas que mostrem o contorno dos corpos.
Foi referido que as 5 orações eliminam os pecados cometidos desde a oração antecedente. O número das orações diárias e obrigatórias, são cinco, conforme diversos hadices, nomeadamente: Jábir (Radiyalahu an-hu), referiu que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “À semelhança das 5 orações diárias, é como uma ribeira profunda, cuja água para ao pé daquele que nela tome banho cinco vezes por dia.”
Insha Allah (Se Deus quiser), continuarei com este tema no próximo Juma.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
21/01/2011
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)
Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso)
JUMA MUBARAK
Segunda Parte
É responsabilidade dos pais, dar a educação aos filhos. A educação abrange muitos aspectos, entre eles, o comportamento, as boas maneiras, o respeito, a moral e a aprendizagem religiosa e escolar. A educação não pode cingir-se só a parte religiosa, ou só a parte escolar. Deve abranger as duas componentes, importantes para que eles possam piedosas, compreender o mundo, encarar o futuro com optimismo e evitarem a mendicidade. Cada vez mais, nos tempos em que vivemos, as crianças muçulmanas devem ser preparadas para enfrentarem o futuro com mais entusiasmo. Necessitamos de mais médicos, engenheiros, professores, enfermeiros e de técnicos a todos os níveis, para ajudarem a combater a ignorância e a erradicar a pobreza. No Islão, o conhecimento religioso e cientifico são inseparáveis. A primeira revelação do Cur’ane, começa por: “Recita em nome do teu Senhor que criou..” 96. Noutro versículo: “Ó meu Senhor! aumentai-me o ilm (conhecimento). 20:114. E outro: “Podem ser iguais os que sabem e os que não sabem?”. 39:9. Existem muitas exortações do nosso Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), para se estudar e obter conhecimentos: “A procura do ilm (conhecimento) é uma obrigação para todos os muçulmanos, seja homem ou mulher.” – Ibn Mája. “A tinta de um teólogo é mais sagrada do que o sangue de um mártir.” – Tirmizi. Alguns pais acabam por se preocupar só com a educação escolar e as crianças crescem sem obterem qualquer conhecimento religioso. Nas décadas anteriores, nomeadamente no Brasil e na Europa, isolados das suas comunidades, alguns imigrantes muçulmanos deixaram de praticar a religião. As consequências no lar foram desastrosas. Os filhos, com nomes muçulmanos, não sabem nada da religião dos pais.
Refere o Cur’ane: “Ó vós que credes! Afastai-vos vós mesmos e as vossas famílias do fogo, cujo combustível são os homens e as pedras.” 66:6. Quando foi revelado este versículo o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), questionado pelos seus companheiros (Radiyalahu an-huma), de como poderão salvar as suas famílias do fogo do inferno, respondeu: “ordenando-lhes a prática daquilo que é do agrado de Deus”. Os pais devem preocupar-se em transmitir às crianças todos os ensinamentos religiosos, de modo que eles possam distinguir o lícito do ilícito e o bem do mal. Mas para isso, é importante que os pais conheçam ou relembrem, nomeadamente a vida e a obra do Profeta, o exemplo dos seus companheiros e como praticar a religião. Porque não vivemos isolados, neste mundo, é importante dotar a criança de conhecimentos mais amplos, de modo que possa estar apta para dialogar com outras culturas e religiões, como forma de esclarecimento dos fundamentos da religião (dawá).
Abdullah Ibn Umar (Radyialahu an-hu) disse que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: “Todos vós são responsáveis e sereis questionados pelas vossas responsabilidades. O líder religioso (pela sua comunidade), o homem pela sua família, a mulher pela casa, o servidor pelos bens do seu dono, todos vós sereis questionados a respeito das vossas responsabilidades.” Bukhari, livro 62, nº. 116. Os pais são responsáveis pelo sustento dos seus filhos. Todos eles, rapazes e raparigas, devem ser tratados duma forma justa e igual, sem qualquer preferência de uns em relação a outros. Dar preferência a filho em detrimento dos outros, é um uma injustiça e proibido pelo Islão, de acordo com a seguinte passagem: An-Nu’man Bin Bashir (Radiyalahu an-hu) referiu. “Minha mãe pediu ao meu pai para me dar um presente, da sua propriedade. E ele deu-me, depois de alguma hesitação. A minha mãe disse que não ficaria descansada enquanto o facto não fosse testemunhado pelo Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam). Ainda jovem, meu pai pegou-me pela mão e fomos ter com o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) e o meu pai disse-lhe: “A mãe dele, Bint Rawaha, pediu-me para lhe dar um presente”. O Profeta disse: “Tens outros filhos, além deste?”. “Sim respondeu o meu pai”. E o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) replicou: “Não me faça testemunha duma injustiça.” – Bukari – Livro 48, numero 818. Os órfãos também têm os seus direitos. Os familiares mais chegados devem criar condições para que eles sejam alimentados e educados. O pai do Profeta (Salalahu
Aleihi Wassalam), faleceu antes dele nascer. Ficou órfão da mãe, ainda muito pequeno. O seu avô Abdul Mutalib tomou conta dele. Mas infelizmente, por pouco tempo, pois o avô faleceu. Ficou então sob a responsabilidade do tio Abu Talib. Referiu o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam: “Eu e o guardião do órfão, estaremos juntos no paraíso.” – Ahmad e Tirmizi. Também disse: “A melhor casa é aquela em que o órfão é tratado com bondade.” – Ibn Mája.
Um bom dia de Juma na companhia da família.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
13/01/2011
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)
Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso)
JUMA MUBARAK
O nascimento duma criança, seja ela uma menina ou um rapaz, é sempre motivo de alegria para os pais, avós e restantes familiares. Um ou outro pai, quando recebe a notícia de que nasceu uma menina, como primeiro descendente, fica triste, pois preferia um rapaz. São ainda ideias que persistem em muitos países, mesmo nos considerados mais desenvolvidos. No entanto, com o evoluir da tempo, o pai acaba por se afeiçoar à criança, ao ponto de ser a filha querida.
Todos os recém-nascidos são bem vindos e gozam dos mesmos direitos, perante os parentes e a sociedade. A religião Islâmica, contém ensinamentos que abrangem todas as etapas da vida, que se iniciam desde o nascimento. Vamos recordar alguns aspectos referidos no Cur’ane e nos ensinamentos do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam – Que Deus derrame as bênçãos sobre ele), relacionados com os direitos das crianças e a responsabilidade dos pais.
O Profeta Zakariya (Aleihi Salam - Que a Paz de Deus esteja com ele), ansiava ter um filho, apesar de ser velho e a mulher ser estéril. Receava pela degradação da conduta religiosa dos seus parentes que lhe haviam de suceder, levantou as mãos e pediu a Deus um sucessor para continuar com a obra dos Profetas anteriores. Deus ouviu as suas preces conforme refere o Cur’ane: “Foi-lhe dito: Ó Zakariya! Nós trazemos-te
boas novas de um filho, cujo nome é Yahya (João Baptista); nunca demos este nome a ninguém antes dele”. 19:7. É sempre uma alegria, recebermos a notícia do nascimento de um filho e por isso, os familiares e amigos devem felicitar os pais “babados”, compartilhando a alegria, pela vinda de mais um membro da família.
A criança recém-nascida, após o corte umbilical, deve ser lavada e o cordão umbilical enterrado. É a confirmação da preocupação do Islão, no que se refere à higiene.
O Azan e o Iqámah (chamamento para a oração), em voz baixa, devem ser efectuados nos ouvidos direito e esquerdo, respectivamente. Esta é uma tradição do nosso Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) que assim fez, depois do nascimento do seu neto Hassan Ibn Ali (Que Deus esteja satisfeito com ele) - Tirmizi. Qualquer muçulmano o poderá fazer, mas de preferência, deve ser dada a prioridade a uma pessoa piedosa/religiosa. A criança recebe/ouve as primeiras palavras, que enaltecem a grandeza do seu Criador e que chamam as pessoas para a oração e para a felicidade. Após o azan, deve-se fazer uma prece, para que Deus, nosso Criador, proteja a criança e que a encaminhe sempre para o bom caminho e que seja temente a Deus.
É tradição também fazer o Tahnik – esmagar com os dentes um pedaço de tâmara ou fruta doce e colocar na boca da criança. Os companheiros do Profeta, que tinham uma grande admiração e amor por ele, sempre que nascia uma criança, levavam-na para junto dele. O Profeta fazia o Tahnik e depois fazia uma prece para ela. – Bukhari e Muslim. Nota: Outra alternativa é esmagar o pedaço da tâmara ou da fruta, utilizando,
por exemplo duas colheres, ou qualquer outro utensílio.
Cabe aos pais a responsabilidade de dar um bom nome à criança e de lhe ensinar as boas maneiras. Abu Darda (Radiyalahu an-hu – Que Deus fique satisfeito com ele), referiu que Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “No dia do julgamento final, sereis chamados por vossos nomes e dos vossos pais. Por isso escolhei bons nomes para vós.” – Abu Daud. Segundo Abdullah Ibn Umar (Radiyalahu an-hu), o Profeta
(Salalahu Aleihi Wassalam) referiu: “Perante Deus, o melhor nome é Abdullah (Servo de Deus) e Abdul Rahman (Servo do Beneficente).” – Muslim. Também referiu o Profeta: “Denominem-se com os nomes dos Profetas.” Também disse: “Denominemse com o meu nome.” O nome pode ser outro qualquer, desde que tenha um bom significado. O Profeta alterava o nome das crianças, sempre que o nome tivesse um mau significado – Tirmizi e Muslim O Aquiqah em termos religiosos, refere-se ao animal que é sacrificado no sétimo dia após o nascimento da criança. Existem várias narrativas que se referem ao aquiqah, pelo que deve ser efectuado pelos pais da criança. É um acto de gratidão demonstrado pelos pais, pela bênção concedida por Deus. Disse o Profeta: “A criança fica penhorada em relação ao aquiqah, por isso sacrificai, da parte dele, no sétimo dia
(carneiro/s), rapem o cabelo e lhe dê um bom nome.” – Relato de Ummi Kurz (Radiyalahu an–há) – Tirmizi e Nassai. As condições dos animais para o aquiqah, são idênticas aos do Curbani (sacrifício do dia de Idul Adha). A carne do Aquiqah pode ser distribuída, preparada ou não, pelos familiares e amigos. Mas o melhor é dividir a carne em três partes – uma para os necessitados, outra para os amigos e vizinhos e outra para consumo próprio. O aquiqah pode ser adiado, se não for possível fazer no sétimo dia, mas não convém atrasar muito. Se os pais não tiverem possibilidades financeiras, não devem recorrer a empréstimos, ficando esta responsabilidade suprida. Ao sétimo dia, deve-se rapar o cabelo da criança. Para quem tenha possibilidades financeiras, é sunat (tradição) oferecer aos pobres, ouro, prata ou dinheiro, equivalente ao peso do cabelo. Este acto, acima de tudo, permite uma ajuda aos necessitados, pela felicidade da chegada de mais um membro da família. Todas as ocasiões são propícias para a partilha.
Outra obrigação dos pais, é de providenciarem a circuncisão do rapaz (Al-Khitán). Segundo Tirmizi, o Profeta considerou a circuncisão, o sunah (tradição) de todos os Profetas. O primeiro a cumprir com esta tradição foi o Profeta Ibrahim (Aleihi Salam) – Abraão (Que a Paz de Deus esteja com ele). A circuncisão deve ser efectuada o mais cedo possível, pois o Profeta assim fez aos seus netos, no sétimo dia, após os nascimentos. Está provado cientificamente, de que a circuncisão protege os homens contra diversas doenças. (ver o meu Juma Mubarak de 3/6/2010). A responsabilidade dos pais, não termina por aqui. Insha Allah (Se Deus quiser), na próxima semana completarei o tema.
Façam o favor de ter um bom dia de Juma
Cumprimentos
Abdul Rehman
06/01/2011
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)
Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso)
JUMA MUBARAK
Hannah (Ana), irmã da mulher do Profeta Zakariyah (Zakarias), e da descendência dos Profetas Moisés e Aarão, que a Paz de Deus esteja com eles, ansiava por um filho. Mas os anos foram passando, mas ela nunca perdia a esperança. Pedia sempre a Deus para que lhe desse um descendente, prometendo que o colocaria ao serviço de Deus. Assim foi, Deus concedeu-lhe uma gravidez, e agradeceu por esta misericórdia. Durante a gravidez, seu marido faleceu. Chorou amargamente porque o pai não ia ver a criança que muito desejavam. Entretanto Hannah deu a luz uma menina e nas suas orações disse a Deus: “Ó meu Senhor, eu dei a luz uma menina e dei-lhe o nome de Mariam (Maria ) e ponho-a, bem como a sua descendência, sob Tua protecção, contra o Satanás, o amaldiçoado.” – Cur’ane 3:36. Esperavam todos um rapaz, pois a uma criança fêmea não podia ser dedicada ao serviço do templo. Mas Hanna não ficou desapontada, e Zakariyah a consolou, pois Deus sabe o que faz. Depois de realizar um sorteio com os anciães do templo, para saber qual deles iria tomar conta da recém-nascida (3:44), calhau a responsabilidade a Zakariyah. Todos tiveram a percepção de que Deus a escolheu para um destino especial.
Para que ninguém tivesse acesso a ela, com excepção do seu tutor, foi construída uma sala separada para albergar a Mariam. Zakariyah a visitava frequentemente e a encontrava abastecida de frutas frescas. Em resposta à admiração dele, ela respondeu de que os alimentos provinham de Deus e Ele providencia o alimento a quem deseja (3:37). Zakariyah compreendeu que Deus a tinha elevado, de uma forma honrosa, acima de outras mulheres e dos restantes filhos de Israel. Assim, Mariam tornou-se uma devota de Deus, glorificando-O de dia e de noite. Segundo a narrativa de Abu Musa Al-Ashari (Radiyalahu an-hu), Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam), disse: “Muitos homens tinham atingido a perfeição, mas de todas as mulheres, nenhuma excepto Mariam, a filha de Imran e a Asiya, a esposa do Faroó.” Livro 57 – Hadice 113. – Nota: No contexto, refere-se aos Profetas/homens e Asiya por ter recolhido o Profeta Mussa (Moisés), ainda bebé.
Certa vez, quando Maria estava orando sozinha no seu compartimento apareceu Jibrail (Aleihi Salam) – Gabriel (Que a Paz de Deus esteja com ele), sob a forma de um homem perfeito. Ela ficou assustada, com medo, pensado que ele ia cometer algo de mal. E rezou: “Eu procuro refúgio contra ti no Beneficente, se és temente a Deus.” – isto como forma de lhe lembrar de Deus, pois sabia se fosse uma pessoa piedosa iria abster-se de praticar algo errado . Assim, o anjo Gabriel, retomou a forma de anjo e disse-lhe: “Eu sou apenas um enviado do teu Senhor, para dar-te um filho, sem mácula”. Surpreendida, Maria respondeu: “Como poderei ter um filho, se nenhum mortal me tocou e nunca deixei de ser casta?”. Ele disse: “Assim será. O teu Senhor disse: “É fácil para Mim”. E assim faremos dele uma revelação para a humanidade…” – Cur’ane, Sura Mariam.
A visita do anjo causou nela muita ansiedade e com o passar dos meses, ela interrogava-se de como poderia dar a luz uma criança, sem ter um marido?. Ela era de uma família nobre, seu pai foi uma pessoa respeitada. As pessoas irão denegrir a sua reputação. A notícia espalhou-se entre os filhos de Israel, acusando-a de ter cometido adultério, porventura com Yussuf (José), já que estava prometida a ele. Mais tarde, ela sentiu a criança a mexer. Deixou o templo e retirou-se para Bayat Al-Lahm – Belém. Quando sentiu as dores de parto, encostou-se a uma palmeira e deu à luz um menino. Sentindo-se preocupada, exclamou: “Pudesse eu morrer antes disto e desaparecer.” De repente ela ouviu uma voz, dizendo: “Não te atormentes! O teu Senhor colocou um ribeiro a teus pés; sacode o tronco da palmeira e sobre ti farás cair tâmaras maduras. Portanto come, bebe e consola-te. E se encontrares com algum mortal, diz-lhes: “Eu fiz um voto de silêncio ao Beneficente…..”. Consolada, regressou à cidade com a criança recém-nascida, Issa–Jesus (que a Paz de Deus esteja com ele). Sentiu novamente o receio das críticas do povo, mas não podia defender-se porque prometeu ao Misericordioso que não ia falar com nenhum ser humano. Despertou a curiosidade em todos, por ela estar de volta com uma criança e repreenderam-na: “Ó Mariam, eis que fizeste algo de extraordinário. Ó irmã de Aarão, o teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma adúltera.” Ela colocou os dedos nos lábios dela e apontou para o filho. Admirados perguntaram: “Como é que podemos falar com um recém-nascido?”. Para espanto de todos, a criança começou a falar claramente: “Sou o servo de Deus, que me concedeu o Livro e me designou Profeta. Fez-me abençoado onde quer que eu esteja e encomendou-me a oração e a esmola, enquanto eu viver….” Factos revelados no Cur’ane Sura Mariam.
Ainda acerca deste incidente, Yussuf (José) ficou muito surpreendido e perguntou a Mariam se uma árvore poderia nascer sem uma semente. Sim, respondeu ela, a primeira árvore que Deus criou pela primeira vez. Perguntou outra vez se é possível uma mulher ter um filho sem um parceiro masculino. Sim, disse ela, Deus criou Adão sem qualquer interferência da mulher e do homem.
Este nascimento milagroso foi um sinal para a humanidade, do poder do Criador. Deus primeiro criou Adão, pai de toda a humanidade, sem mãe e sem pai. Ele criou Hawwa (Eva) através de um ser masculino, sem a interferência de um ser feminino. Criou Jesus duma mulher, sem interferência de um homem. Criou cada um de nós, através de um pai e duma mãe. Assim, completou 4 tipos de criação, o que prova o Seu Poder e a Sua autoridade.
Refere o Cu’ane: “Diz: “Cremos em Deus e no que nos foi revelado e no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacob e às (doze) tribos e no que foi dado a Moisés, a Jesus e aos Profetas pelo seu Senhor. Não fazemos distinção nenhuma entre eles e submetemo-nos à vontade d’Ele”. 3.84.
Fonte: Cur’ane e Ibn Khatir.
Um bom dia de Juma,
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
A consideração do uso do Nome divino nos livros que constituem o Pentateuco (Génesis-Deuteronómio) está na origem da chamada «hipótese documentária», que atribui a formação do Pentateuco à colação de tipo redactorial de quatro documentos: um documento Javista (J), um outro, Eloísta (E), um terceiro, Sacerdotal (P de Priest, em alemão) e, finalmente, o documento Deuteronomista (D)[1]. Efectivamente, os dois primeiros documentos aludem ao uso do Nome divino pelo autor sagrado: Javista, porque utiliza sobretudo o tetragrama Yhwh (na origem do nome Javé); Eloísta, por utilizar o nome Elohim (Deus). No entanto, recentemente, essa atribuição coloca cada vez mais problemas, tendo mesmo sido abandonada na última edição do Pentateuco da Traduction Œcuménique de la Bible (TOB).
O Nome divino e a «hipótese documentária»
O primeiro a postular a existência de «fontes» distintas no Pentateuco foi o teólogo e pastor alemão Henning B. Witter (1653-1715): ao estudar os dois textos da criação, observou que o autor do primeiro texto (Gn 1,1-2,4a) utiliza o nome Elohim («Deus») e o do segundo (Gn 2,4b-3,22), Yahweh-Elohim (trad. port.: «Senhor Deus»). Porém, foi Jean Astruc (1684-1766), médico de Luís XV, quem primeiro elaborou uma «hipótese documentária», no seu livro Conjectures sur les mémoires originaux dont il paraoit que Moyse s’est servi pour composer le livre de la Genèse (1753), fundada no uso do nome divino: a «Memória A» que usava o nome Elohim e a «Memória B», o nome Yahweh. Johann G. Eichhorn (1752-1827), professor na Universidade de Göttingen, aderiu à hipótese de Astruc e, no seu livro Einleitung in das Alte Testament (Introdução ao Antigo Testamento; 1780-1783), deu um nome a essas fontes: a «Memória A» foi chamada de Eloísta e a «Memória B», Javista.
Em 1798, Karl D. Ilgen (1763-1834) observou que os textos «eloístas» não eram de todo homogéneos, e que haveria de considerar dois documentos distintos: um Eloísta antigo (= E1) e um Eloísta recente (= E2). Porém, o abandono da «hipótese documentária», durante meio século, não permitiu aprofundar essa ideia de Ilgen. Esse estudo seria levado a cabo por Hermann Hupfeld (1786-1866) que, em 1853, demonstrou que o simples uso do nome divino Elohim não bastava para caracterizar os textos eloístas, pois entre E1 e E2 existiam importantes diferenças de vocabulário, estilo e conteúdo. A «nova hipótese documentária», que agora se desenhava, passava a ser composta de quatro documentos: o Eloísta antigo (posteriormente chamado «Sacerdotal» e situado no pós-exílio); o Eloísta recente, em estado fragmentário (porque, dada a proximidade temática com o documento javista, foi preterido em relação a este último); o Javista, um documento paralelo ao Eloísta recente; e o Deuteronomista, «descoberto» em 1805 por De Wette[2].
A partir dos anos 1970, a «hipótese documentaria» foi de novo posta em causa, e precisamente em relação aos «documentos» relacionados com o Nome divino: o Eloísta e o Javista. A existência de um documento eloísta (fragmentário) deixa, simplesmente, de fazer sentido (C. Westermann). Efectivamente, o uso dos nomes divinos Elohim e Yahweh não seria assim tão decisivo para caracterizar os textos bíblicos como pertencendo a um documento ou outro (E. Blum). E, finalmente, os textos ditos «javistas» são tão díspares que, a manter esta caracterização, haveria que conceber também vários documentos javistas (K. Schmid). Deste modo, a distinção que permanece – para além do documento deuteronomista – seria a de «textos sacerdotais» (P) e «textos não sacerdotais» (n-P; D. M. Carr). Mas, se o uso do Nome divino deixa de fazer sentido para caracterizar a existência de «fontes» no Pentateuco, terá alguma outra função na Tora?
O Nome divino como indício de datação dos textos
Nos últimos anos, o exegeta belga Albert de Pury tem sugerido que o primeiro documento do Pentateuco terá sido, provavelmente, o chamado «documento sacerdotal» (= Pg, de «Priest Grundschrift»), acrescido posteriormente com textos «não sacerdotais» antigos (= pré-P), novos textos sacerdotais (= Ps) e de outras correntes do Judaísmo (= pós-P)[3].
Nesse documento sacerdotal primitivo, que J. Wellhausen designava por Quartor (isto é, o «livro das Quatro Alianças»), curiosamente, o(s) autor(es) apresenta(m) uma revelação progressiva de Deus à humanidade: nos textos relativos às origens do mundo, o nome divino utilizado é Elohim (ou seja, «Deus»); posteriormente, nas narrativas patriarcais, Deus apresenta-se como El Shadday (o «Deus Poderoso»; cf. Gn 17,1); enfim, Deus dá-se a conhecer a Moisés e aos filhos de Israel como Yahweh (cf. Ex 6,3), o Deus de Israel e de Judá. Contudo, não se pense que esta perspectiva seja politeísta: não, para o(s) autor(es) sacerdotal(ais) trata-se de uma única divindade – o Deus «criador do céu e da terra» – e estas diversas etapas fazem parte de uma única história, que culmina na revelação de Deus a uma nação particular (os Israelitas).
Assim, com o escrito sacerdotal, encontramo-nos no limiar do uso do Nome divino nos textos que compõem o Pentateuco. Os textos não sacerdotais antigos (pré-P) utilizavam apenas o nome Yahweh, o deus nacional de Israel e de Judá. Porém, isso não quer dizer que provenham todos de uma única fonte ou tenham sido escritos por um mesmo autor (o «Javista» de J. van Seters, de M. Rose ou de C. Levin). Pelo contrário, estes textos provêm de origens diferentes (A. Alt) e constituem o que poderíamos chamar de «tradições» independentes, pré-sacerdotais (na linha de R. Rendtorff e E. Blum).
Depois, durante a época persa, num ambiente cada vez mais universalista (e no confronto com Ahoura-Mazda, a divindade persa), tornou-se problemático defender posturas particularistas ou nacionalistas. Neste ambiente, o uso do nome divino Yahweh, apresentado como um Deus único, transcendente e universal, é cada vez mais qualificado: Yahweh-Elohim, isto é, «Javé, (o) Deus… de Israel/de toda a terra», como encontramos nos livros de Esdras-Nehemias, mas também em Génesis 2-3 (um texto que os exegetas começam a ver como midrash de Gn 1).
E, no final da época persa e início da época helenista, o nome divino Yahweh deixa completamente de ser utilizado, passando a usar-se o nome ha-Elohim («o Deus»), como encontramos em Qohelet ou Jonas, mas também em Gn 20-22; 39-43; e Ex 1,8-22, ou Elyon («o Altíssimo»), como em Ben Sira ou Gn 14.
[1] Na hipótese clássica (de J. Wellhausen), a primeira acção redactorial ter-se-ia dado por altura do reinado de Manassés, unindo os dois primeiros documentos: o Javista (que começou a ser elaborado no séc. IX) e o Eloísta (séc. VIII). Esta redacção era chamada Jeovista (= Rje). No reinado de Josias foi elaborado o Deuteronómio (o livro «descoberto» no Templo de Jerusalém) e, durante o exílio, uma redacção de tipo deuteronomista (= Rd) associa D e JE (acrescentos deuteronomistas em JE e jeovistas em D). Finalmente, no início da época persa é escrito o documento sacerdotal, na origem da última actividade redactorial (= Rp) – entre 450 e 400 a.C. –, que combina P com JED para formar o Pentateuco actual.
[2] A ordem cronológica dos quatro documentos (E1E2JD) foi, entretanto, alterada, devido aos estudos de Karl H. Graf (1815-1869), Abraham Kuenen (1828-1891) e Theodor Nöldeke (1836-1930) acerca do escrito sacerdotal, situando-o no período pós-exílico, e considerando também E2 como posterior a J, que passou a ser o documento mais antigo. É essa ordem (JEDP) que aparece na síntese de J. Wellhausen.
[3] A. de Pury, «Pg as Absolute Beginning», in T. Römer-K. Schmid (eds.), Les Dernières Rédactions du Pentateuque, de L’Hexateuque et de L’Ennéateuque, Lovaina, Peeters, 2007, pp. 99-128.
Porfírio Pinto
Investigador da linha em Ciência das Religiões
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus) Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso).
JUMA MUBARAK
A tradução literal da palavra árabe “Mahr” para “Dote”, não corresponde à verdadeira essência da tradição Islâmica. O dote, na acepção da palavra, não faz parte do Islão.
O dote foi “transportado” para o Brasil, pelos Portugueses, após os descobrimentos. Famílias ricas, donas de grandes herdades, procuravam casar os filhos entre eles, de modo a garantirem o fortalecimento das fortunas. Os moços sem recursos, dificilmente conseguiam penetrar na teia, bem emaranhada pelos progenitores. A moça levava um dote, em bens ou em dinheiro, para engrossar a fortuna do noivo e da respectiva
família. Na Europa aconteceu um pouco por todos os países, até ao final do século 19. Nos países africanos, a sul do Sahara, nomeadamente nos Zulus e em Moçambique, existe o “lobolo”, uma tradição bem antiga que ainda perdura. O noivo presenteia os pais da noiva, com diversos bens e dinheiro (entre os camponeses, inclui gado bovino ou caprino). Estes presentes, são para compensar todas as despesas suportadas com
o crescimento, saúde e educação da noiva, já que vai render os seus trabalhos para a família do marido.
Na Índia, no meio Hindú, continua ainda a tradição centenária do dote, que consiste em bens e dinheiro dados pela família da noiva, para ela atrair um bom marido, sem o qual, não consegue arranjar um companheiro. Os referidos bens, passam para a propriedade da família do noivo. É uma desgraça para uma família, quando se anuncia o nascimento duma filha. Uma filha, para alguns hindus, significa um pesado fardo. Os
pais encontrarão grandes dificuldades em casar as filhas, já que a tradição requer que elas vão para a casa dos maridos com dinheiro e bens avultados que os pais dificilmente conseguirão amealhar durante o crescimento delas, agravada com a situação de penúria em que vivem, sem condições financeiras para as alimentar e educar. Por isso, muitos pais abandonam as filhas, aumentando assim as redes de prostituição infantil. Com as tecnologias das ecografias, os abortos são uma constante.
Algumas referencias, no Islão, acerca das virtudes de cuidarmos as nossas filhas: 1)- Abu Said Al-Kudri (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Se alguém cuidar de 3 filhas, tratando-as bem, dando-lhes educação, casá-las, ele irá para o paraíso”. – Abudawud – Livro 41, nº. 5128. Nota: outra passagem também refere o mesmo só para uma filha. 2)- Aisha (Radiyalahu anha), esposa do Profeta, referiu: “Uma senhora, acompanhada de duas filhas, veio ter comigo para me solicitar algo como esmola. Não encontrei nada, a não ser uma tâmara que lhe dei. A mãe dividiu a tâmara e deu às duas filhas e depois foi embora. Quando o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalamo) chegou, informei-lhe acerca deste acontecimento. Ele me disse: “Quem é responsável (e é posto à prova) pelas filhas e as trata generosamente, então elas irão actuar a favor dela/dele, como um escudo protector contra o fogo do inferno”. Bukhari – Livro 73, nº.24.
No início da era islâmica, o casamento era uma cerimónia simples, que não pesava para os noivos, nem para os respectivos pais. Infelizmente, nos tempos actuais, o casamento torna-se uma grande preocupação, pois requer um investimento avultado. Algumas famílias muçulmanas da Índia, do Paquistão e do Bangladesh, assumem algumas tradições hindus, contrárias aos nossos ensinamentos religiosos. O melhor casamento é aquele que é menos oneroso financeiramente para as famílias do noivo e da noiva.
O verdadeiro Mahr, faz parte do contrato do casamento Islâmico. Refere o Cur’ane: “E concedei às mulheres (com quem casardes) os seus dotes, como presente…” 4:4. O mesmo se aplica quando o casamento é feito com as mulheres cristãs ou judias. Cur’ane 5:5. É um presente do noivo dado á noiva, na altura do casamento e que esta vai utilizar para o seu próprio proveito. O mahr dado pelo noivo, em bens ou em dinheiro, torna-se propriedade exclusivo da noiva e não pode ser devolvido em caso de divórcio. É um símbolo de aceitação de que o futuro marido assume a responsabilidade de suportar todas as despesas com o lar. Apesar da lei Islâmica instituir que cabe ao homem a responsabilidade pelo sustento da família, no entanto, é permitido que a mulher possa trabalhar e ter os seus próprios rendimentos.
Não foi fixada uma quantia certa para o mahr. O valor está directamente relacionado com o estatuto económico do noivo. A mulher deve ponderar seriamente no que se refere ao valor do mahr, de modo a não criar dificuldades ao noivo. Se o noivo tem plenas posses financeiras, não há mal nenhum em dotar à esposa de uma soma avultada. Sobre este assunto, há uma passagem ocorrida com o segundo Califa Umar al-Khatab (Radiyalahu an-hu), quando estava a dar um sermão, no qual pediu às pessoas para refrearem nos avultados mahrs, lembrando que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) recomendou não se dar mais de 400 dhirams. Imediatamente, uma mulher levantou-se e desafiou-o, citando o versículo 4:20 do Cur’ane: “Se desejardes trocar uma esposa por outra, a quem tenhais dado uma soma de dinheiro (um quintar- 1.200 onças de ouro), não tireis nada do dote…” O Califa Umar disse depois: “A mulher está certa e o Umar está errado. Quem puder, pode dar o que quiser dar”. No caso do noivo não ter posses, pode pedir emprestado ao pai ou à família, mas deverá pagar o empréstimo, num prazo estipulado.
Sem o dote, o casamento é incompleto, segundo a jurisprudência Islâmica. Sahl Bin Sad (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse:“Casem, mesmo com o mahr igual a um anel de ferro. Muslim – Livro 62 – Hadice 80. Outra passagem referido por Anas Bin Malik, de que Abdur Rahman Bin Auf casou com uma mulher e lhe deu ouro equivalente ao peso duma pedra tâmara, como mahr. Quando o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) percebeu os sinais de alegria, transparecidos no rosto dele, perguntou-lhe os motivos e ele disse: “Casei com uma mulher e dei a ela, como mahr, ouro equivalente ao peso duma tâmara pedra”.
Existem muitas passagens em que os noivos não tinham nada para dar e comprometiam-se a ensinar algo às esposas, como por exemplo, ensinar-lhes os versículos de Cur’ane.
Um bom dia de Juma.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
16/12/2010
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu Bismilahir Rahmani Rahim
JUMA MUBARAK
Segue a 6ª. parte relativa ao Haj (Peregrinação à Makka – quinto pilar da religião).
Abdurrahman Bin Yamur Ad-Dail (Radiyalahu an-hu – Que Deus esteja satisfeito com ele), referiu que ouviu do Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) dizer: “O Haj é Arafah, O Haj é Arafaf”. Relato de Baihaque. Ainda referiu o Profeta: O melhor dia, é o dia de Arafah.
O dia de Arafah é o dia 9 de Dhul-Hijja. Arafah está situado a cerca de 9 Kms de Miná, onde se encontra uma pequena montanha conhecida por “Jabalar-Rahmah – A montanha da misericórdia”, onde o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) proferiu a sua última mensagem para a humanidade.
Segundo o Relato de Musslim, o melhor dia para Allah Subhana Wataala , é o dia de Arafah. É o dia em que Deus, o Misericordioso, livra uma grande parte das criaturas do inferno.
Nesse dia, os muçulmanos que se encontram a cumprir o Haj, ouvem falar línguas que nunca tinham ouvido falar, porque o Isslam é uma religião universal. Vemos irmãos e irmãs da mesma fé, de todas as cores e nacionalidades, trajando o mesmo tipo de vestuário (os homens embrulhados em panos brancos) e todos movidos pela mesma causa que é de obter o perdão de Deus, nosso Criador e Sustentador. Faz-nos pensar
o dia da Ressurreição, em que todos seremos levantados das nossas sepulturas e reunidos para a derradeira prestação de contas.
Nesse dia em Arafah, o Haji (peregrino) deverá estar o mais tempo possível de pé, com as mãos levantadas fazendo duás (preces), com muita humildade e sinceridade, pedindo a Deus que lhe perdoe e que o encaminhe para o caminho daqueles que ganharam a Sua satisfação. Deve também aproveitar o tempo fazendo o Zikre (recordando e louvando a Deus) e lendo o Alcorão. Os muçulmanos que não foram fazer a peregrinação, devem também incrementar as suas referidas acções religiosas e fazendo orações facultativas.
Depois do pôr do sol, os Hajis (peregrinos) deixam Arafah e seguem para Muzdalifa, situada a cerca de 5 Kms a leste de Arafaf , a fim de passarem a noite. Deus, nosso Senhor e Guia, refere no Cur’ane: “Quando regressardes de Arafah, invocai Deus junto do Macharil Haram (em Muzdalifa). Recordai-vos Dele de forma como Ele vos orientou....” Cap. 2 Vers. 198.
Os Muçulmanos têm dois dias festivos. O Idul Fitre, depois de terminado o mês de Ramadan e o Idul Adhá, no dia 10 de Dhul Hiija, em comemoração do final do período de Haj, em que todos os que não participaram nos rituais do Haj, celebram o dia, fazendo a oração e o Curbani (sacrifício).
Abu Huraira (Radyiallahu an-hu) narra que o Profeta (Sallalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quem tem capacidade financeira para fazer o curbani (sacrifício), mesmo assim não o faz, esse que fique longe e não se aproxime do nosso idegáh (local da oração de Ide).
Nas noites anteriores aos dias de Ide, devem ser aproveitadas para fazermos o máximo de ibádates possíveis (adoração a Deus), pois Abu Umamah (Radiyallahu anhu) referiu que o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Quem permanecer de pé nas duas noites que antecedem aos dias de Ide, na esperança de obter recompensa, o seu coração não morrerá no dia em que todos os corações estarão mortos.
Deve ser recitado o Takbir, após cada oração farz, começando no dia 9 de Dhul-Hajja, na hora de Al Fajr, até ao dia 13 do mesmo mês, depois da oração de Assr.
ALLAHU AKBAR, ALLAHU AKBAR; LÁILAHA IL-LALLÁHU-WALLÁHU AKBAR.
ALLÁHU AKBAR WALIL-LÁHIL-HAMD.
Deus é o Maior. Deus é o Maior. Não há outra divindade excepto Deus. Deus é o Maior, Deus é o Maior e todos os louvores pertencem só a Deus.
Se tiver saúde e oportunidade, jejue no dia de Arafah. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) referiu; “o jejum feito no dia de Arafaf com o objectivo de obter recompensa de Deus, expia os pecados praticados no ano transacto e posterior”. Relato de Muslim.
Dar prendas no dia de Ide, aumenta ainda mais as nossas amizades. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Ofereçam prendas uns aos outros, porque a prenda remove o rancor do peito”. – Relato de Tirmizi.
Aicha (R.T.A.) disse que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) aceitava prendas e em troca também dava prendas. - Relato de Al-Bukhari.
As prendas não devem ser dadas só nos dias de Ide, mas sim em várias ocasiões especiais. Há quanto tempo que não dá uma prenda à sua mulher/marido? Seu pai/filho? Seu amigo?
Nos dias de Ide, devemos dar prendas, em especial às nossas crianças, de modo que não fiquem constrangidas ao verem as outras crianças a receberem prendas na altura do natal. Assim compreenderão os motivos porque temos prendas nos nossos dias de festa. A orientação de dar prendas, surgiu há mais de 1.400 anos..... No entanto, deveremos ter em conta, a utilidade das prendas a oferecer.
Façam o favor de passar o dia de Ide na companhia da família e dos amigos. Visitem as sepulturas dos vossos falecidos, eles estão sempre à espera das vossas preces.
Um dia de Arafah com muitos benefícios espirituais e votos de um Eidul-Adhá muito feliz e que Deus vos abençoe.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
11/11/2010
Abdul.manga@gmail.com
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)
Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus o Beneficente e Misericordioso)
JUMA MUBARAK.
Segue a 5ª. parte relativa ao Haj (Peregrinação à Makka – quinto pilar da religião).
“Faça Salah (oração) para o teu Senhor e faça Curbani (Sacrifício)”. Cur’ane - Cap. 108 Vers.2
O Sacrifício – Curbani, é um dos rituais do Haj. Ibrahim (Aleihi Salam) – Abraão (Que a Paz de Deus esteja com ele) já muito velho, apesar de ser um grande Profeta, continuava a ser um ser humano e desejava ter um filho para dar continuidade à sua obra. Através de Hajra, a mulher africana e depois de muitos pedidos ao seu Senhor, Ele concedeu-lhe um filho chamado Issmail (Esmael) (que a Paz de Deus esteja com ele) - (nome que significa Deus escutou).
Allah, nosso Senhor e Criador, quis testar Ibrahim (Aleihi Salam). Ele era muito idoso e o filho ainda muito pequeno. Recebeu ordens para deixar o filho com a mãe no deserto. Ele cumpriu com as ordens do seu Senhor, conforme foi relatado na mensagem referente à Agua de Zam-Zam. Depois do filho crescer, Deus quis novamente testa-lo. Através de um sonho, Deus lhe ordenou que deveria sacrificar o seu próprio filho. Ibrahim (Aleihi Salam), servo de Deus, logo se prontificou para cumprir com a ordem.
Allah diz no Cur’ane: “E saibam que as vossas riquezas e os vossos filhos são um teste.” Cap.64, Vers.115.
E Ibrahim (Aleihi Salam), resolveu partilhar a ordem recebida com o seu filho Issmail (Aleihi Salam), que já demonstrava dedicação às ordens divinas, pelo que não hesitou em afirmar “Se Allah quiser, encontrar-me-ás de entre os pacientes.” Cap.37
Vers.102.
Deste modo Ibrahim levou o seu filho para o sacrificar. Durante o percurso apareceu o chaitane (diabo) que lhe persuadiu de não cumprir com a ordem de Deus, lembrandolhe que só depois de muito velho é que conseguiu ter um filho. Ibrahim (Aleihi Salam), atirou para o cheitane, 7 pedrinhas, que se afundou na terra. Esta tentativa do cheitane, para desviar a tenção do Profeta Ibrahim (Aleihi Salam), aconteceu por três
vezes e por três vezes Ibrahim (Que a Paz de Deus esteja com ele), o repeliu.
Depois em Miná, a poucos quilómetros de Makka, quando se preparava para sacrificar o seu filho, Deus enviou um carneiro que foi sacrificado. Por isso, para manter viva a tradição de Ibrahim (Aleihi Salam), foi instituído que todo o muçulmano, após a oração do Idul Adhá (festa religiosa em comemoração do final da peregrinação a Makka), deve sacrificar um carneiro, uma vaca, um camelo, etc.. E a carne deve ser distribuída em 3 partes iguais. Uma para seu consumo próprio, uma parte para os pobres e outra parte para os amigos e vizinhos, de modo que todos possam passar o dia de festa, convivendo em harmonia.
O sacrifício – curbani faz parte de um dos rituais do Haj. Existem outros rituais, nomeadamente; a) – Fazer Tawáf –circundar a Casa de Deus; b)- percorrer os montes Safa e Marwa, lembrando o tormento que a mulher de Ibrahim passou para salvar o filho Issmail dos tormentos da sede; c)- atirar as pedrinhas (Ramyi) nos três locais onde Ibrahim foi tentado.
O Curbani é obrigatório para todo o muçulmano, adulto, financeiramente capaz. O sacrifício dos animais, só deverá ser feito após a oração do Idul Adhá. Jundub Bin Sufyan Al Bajali referiu: “no tempo do Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), oferecemos alguns animais como sacrifício. Depois de terminada a oração de Idul Adhá, verificou-se que alguns companheiros abateram os animais antes da oração, pelo que o Profeta disse: “Quem sacrificou os animais antes da oração, deverá fazer novos sacrifícios e quem ainda não o fez, o deverá fazer, invocando o nome de Deus”. – Bukari. Livro 67-hadice 408.
Certa vez os Sahabas - companheiros do Profeta (Radiyalahu an-huma), quiseram saber o significado do Curbani (Sacrifício) e o Profeta (Salalahu Aleihi Wassam) respondeu: “É Sunnat (tradição) do vosso pai Ibrahim.” Então eles perguntaram: “Que recompensa obteremos pelo sacrifício?. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Por cada pêlo do animal, tereis uma recompensa.” Relato de Ibn Majah.
O Curbani pode ser feito em Portugal, pelo que podem contactar com o talho que habitualmente vos fornece a carne. Em alternativa, podem também mandar fazer o Curbani nas vossas terras de origem. Outra alternativa é entregar a totalidade do produto do curbani aos necessitados ou às escolas frequentadas pelos alunos carenciados.
Façam o favor de serem felizes, cumprindo com as vossas obrigações perante o nosso Criador. Não se esqueçam de também contribuírem para a felicidade das pessoas que vos rodeiam.
Cumprimentos,
Abdul Rehman
04/11/2010
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)
Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus o Beneficente e Misericordioso)
JUMA MUBARAK
Segue a 4ª. parte relativa ao Haj (Peregrinação à Makka – quinto pilar da religião).
Os peregrinos que se dirigem a Maka, com a intenção de fazerem o Haj (ou o Umra – pequena peregrinação), antes de entrarem nas zonas delimitadas da cidade sagrada, chamadas de Micát, devem vir já com o Ehram trajado. Duma maneira geral os peregrinos chegam de avião através do aeroporto de Jeddah, a cerca de 70 Kms de Maka. Antes da aeronave atingir a cidade, o peregrino já deve estar em estado de Ehram. Uns já vêm com o Ehram vestido dos aeroportos de origem, outros preferem colocá-lo dentro do avião.
Háram, significa sagrado. Outra palavra muito semelhante é Harám, que significa o oposto, isto é proibido. Quem não domina a língua Árabe, terá dificuldades em pronunciá-las com correcção, pelo que é preferível referir os referidos nomes na sua linguagem materna. De Háram (sagrado), deriva EHRAM, que significa entrar no estado de sagrado. Nesta situação, está proibido ao peregrino de usar roupas cosidas, calçados que tapem a parte superior e cobrir a cabeça (não aplicável às senhoras). Não é permitido; cortar as unhas; ter relações intimas com a esposa/marido; perseguir, ferir ou matar animais selvagens; usar perfume; sabonetes perfumados e alimentos com fortes aromas.
Para usar o Ehram, é obrigatória a intenção. “As acções só são julgadas segundo o niyat (intenção) e cada pessoa só terá aquilo de acordo com o seu niyat”. Referiu o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam), segundo o relato de Bhukari. O peregrino deverá cortar as unhas, retirar os pelos (axilas e púbicas) e tomar banho (ghússl). Se não for possível o banho, então deverá fazer o wudhú (ablução). Fazer a oração de Sunattul-Ehram de dois ciclos e a seguir fazer o niyat (intenção) e pronunciar: “Labbaika, Allahumma labbaika. Labbaika lá charika laka, labbaik. Innal ham’da anni’imata laka wal mulk, lá charika lak”. - “Eis-me aqui, meu Senhor!, Eis-me aqui. Aqui estou, ó Tu que não tens nenhum parceiro, eis-me aqui. Na verdade, a Ti pertencem o louvor e o favor, assim como o reino. Tu não tens nenhum parceiro”.
O Ehram para os homens é constituído por 2 peças de pano branco largas, sem costura, com dimensões de 2,5 m x 1,5 m. Uma peça destinada à cobertura da parte superior do corpo (Ridá) e outra para a parte inferior, da cintura para baixo (Izár). Quando nascemos, cobrem-nos com uma pano branco. Quando nos forem enterrar, seremos embrulhados também com um pano branco.
O Ehram das senhoras é constituído pelas suas roupas habituais, bem como as peças habituais, nomeadamente as meias. As jóias são permitidas, mas desaconselhadas.
Na era da ignorância, antes do advento do Isslam, os peregrinos ao aproximarem-se da Caaba, despiam-se, ficando sem qualquer peça de roupa, para circundar a Casa de Deus. Consideravam que as roupas com as quais cometeram pecados eram impuras para o efeito. O Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) considerou aquela prática incorrecta, pelo que instituiu o uso das duas peças de tecido.
Durante a peregrinação, todos estão vestidos de igual. Não se distingue o pobre do rico. Em Miná, Arafát e em Muzdalifa, estarão milhões de peregrinos, todos de branco. Imagine-se o dia do julgamento final, em que todos serão levantados das suas sepultaras e reunidos perante o Senhor da criação. É a maior concentração de crentes naqueles pequenos vales, onde se ouve falar línguas de todo o planeta.
Recomenda-se a leitura do livro “Umra – Haj – Ziyárat, do Sheik Aminuddin Mohammad (Moçambique), uma obra essencial para conhecer todos os pormenores do haj e do Umra.
Façam o favor de ter um bom dia de Juma.
Cumprimentos,
Abdul Rehman
28/10/2010.
Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus)Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus o Beneficente eMisericordioso)
JUMA MUBARAK
Segue a 3ª. parte relativa ao Haj (Peregrinação à Makka).
O poço donde provém a água de zam-zam, está situado no Massjid Al Harám –Mesquita de Makka. Até aos nossos dias, a água do poço continua com um caudal necessário para abastecer todos os Hajis (peregrinos), visitantes e residentes e nuncase verificou qualquer falta de água. È um verdadeiro milagre naquela zona do deserto.
Ibrahim - Abraão (Aleihi Salam – Que a Paz de Deus esteja com ele), cumprindo com as ordens de Deus, nosso Guia e Senhor, levou a sua esposa Hajra e o seu filho recém-nascido Issmail (Aleihi Salam – Que a Paz de Deus esteja com eles) e deixouos perto do Al-Baitul Atiq (A casa antiga). Com eles ficaram algumas tâmaras e água. Naqueles tempos Makka, era um autentico deserto, sem condições de sobrevivência.
Hajra perguntou ao marido, o motivo porque lhes deixava naquele local onde não havia ninguém. O Profeta (Aleihi Salam) não lhe respondeu, apesar da pergunta ter sido feita várias vezes. Então Hajra (Que Deus esteja satisfeita com ela) perguntou se foi Deus que lhe deu orientações para o facto. E aí o marido respondeu-lhe afirmativamente. Ela, confiante, disse que neste caso, o nosso Senhor nunca os abandonará. Ibrahim (Aleihi Salam), retirou-se e mais ao longe, no pico da montanha, fez a seguinte prece: “Ó Senhor nosso! Eu fiz habitar parte da minha descendência num vale inculto, perto da Tua Casa Sagrada, Senhor Nosso, para que cumpram a oração; fazei, portanto, com que os corações de algumas pessoas se inclinem para eles, com fervor e sustenta-os com os frutos para que Te agradeçam.” Cap. 14, Vers.37
Mãe e filho beberam e comeram até que a provisão se esgotou e começaram a sentir sede. A mãe, aflita, deixou o filho e subiu o monte Safa para ver se alguém a acudia e a seguir correu para o monte Marwa, mas não via ninguém. De Safa para Marwa, e assim sucessivamente, fez o percurso sete vezes e foi então que ela ouviu uma voz. Segundo o relato de Abdallah Ibn Abáss (Radiyalahu an-hu) ela disse em voz alta: “Ó quem quer que sejas, fizeste-me ouvir a tua voz, também me podes ajudar?”.
No local, estava um anjo que estava a ajudar o “pequeno” Issmail que com o seu pézinho esperneava e remexia o chão. Daí começou a brotar água. Então Hajra com as suas mãos começou a abrir uma cavidade e com as suas mãos encheu o odre. Ibn Abass (Radyialahu an-hu) narra que o Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Que Allah tenha misericórdia da mãe de Issmail. Se ela não tivesse controlado
o caudal, aquela teria sido uma fonte de agua que escorreria como um rio !”.
Muito mais tarde, o poço de agua de zam zam foi destruído pelas guerras e não havia dele qualquer vestígio. Por volta do ano 500 D.C., Abdul Muttalib, uma personagem respeitada, era o responsável pela assistência aos peregrinos que se deslocavam a Maka. A agua, um bem precioso, era transportada de outros locais distantes, o que dificultava a tarefa daquele que viria a ser o avô do nosso Profeta Muhammad (Salalahu Aleihi Wassalam). Graças a sonhos que teve, Abdul Muttalib conseguiu descobrir o local onde se encontrava originalmente o poço e com a ajuda do filho
Háriss, escavou e retirou todos detritos, fazendo assim renascer o lençol de agua que até hoje perdura e que é utilizada por milhões de peregrinos.
Um dos rituais do Haj (Peregrinação), depois de fazer o Tawaf (circundar sete vezes a casa sagrada), é percorrer os montes Safa e Marwa, também sete vezes, fazendo Zikr (recordando a Deus) e reflectindo sobre o percurso que Hajra fez, aflita, com sede e debaixo de um sol escaldante, à procura de água para o seu filho. Nos tempos actuais, este ritual é efectuado dentro de um pavilhão com as melhores condições
climatéricas!
Os peregrinos quando regressam às suas terras de origem, têm sempre a preocupação de levaram garrafas de água de zam zam. Oferecem aos familiares e amigos, pequenas porções de agua que são bebidas, em pé, virando-se para quibla (Makka), mencionando o nome de Deus, dizendo: “Bissmillahir Rahmanir Rahim” - “Em nome Deus, o Beneficente, o Misericordioso.” E fazendo a seguinte prece: Ó Allah! eu peço-Te o Ilm (Conhecimento) benéfico, a abundância na provisão e a cura de todas as doenças.”. Ibn Abbáss (Radiyalahu an-hu), referiu: “Apresentei ao profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) a água de zam-zam para beber e ele bebeu de pé.” (Bukhari). Khalil Mujáhid At-Tábil (Radiyalahu an-hu), referiu que a água de zam-zam serve a intenção pela qual for bebida e a pessoa beneficia do objectivo pela qual foi bebida.”
Façam o favor de ter um bom dia de Juma.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
21/10/2010
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