Ao que o Diário Económico apurou, o facto de não poder usar as escutas, impediu o partido de avançar com três diligências que podiam trazer factos novos: o pedido de uma alegada carta enviada por Isaltino Morais, autarca de Oeiras, a Zeinal Bava questionando-o sobre o interesse do Taguspark na TVI; a suspeição levantada pelo facto de existirem alegadamente 144 chamadas feitas por Armando Vara em apenas 15 dias com a estação como tema; e ainda o requerimento a São Bento do registo de entradas e videograma que permitia provar se Granadeiro esteve em S. Bento a 23 de Junho.
*
O PSD adensou, e agravou, a posição dos magistrados de Aveiro, a qual afirma ter existido crime de atentado contra o Estado de direito envolvendo Primeiro-Ministro, PT, BCP, BES e Taguspark, pelo menos. Na sequência da extracção das certidões, as suspeitas de envolvimento aumentaram, passando a incluir o Procurador-Geral, o Presidente do Supremo e, agora, o Presidente da Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI, todos acusados, com maior ou menor desplante, de serem cúmplices no encobrimento das provas e na defesa de Sócrates. Como esta posição é mantida após meses de audições e interrogatórios, o PSD está a validar a tese de Aveiro, sendo que Aveiro legitima a tese do PSD.
Para além de ficarmos a saber que o Pacheco está aborrecido por não ter apanhado Granadeiro no Isto Só Vídeo, e que Zeinal Bava é uma triste e corrupta figura que o insigne Isaltino Morais põe no seu lugar por carta, espero ardentemente pelo momento em que o grupo parlamentar do PSD suspeite de Cavaco por estar em silêncio perante as evidências que o deputado-espião espalha aos quatro ventos. De resto, tanto encontro semanal, e a sós, tinha de ter alguma explicação.
44%, diz esta sondagem. Os rangelistas rangem os dentes e Louçã teme pela louça. Resta só apresentar a moção de censura. Walk the talk.
Parece que os noruegueses estavam cheios de razão, afinal.
Portugueses dizem ao mundo para se beber mais café
Isto merecia uma comissão de inquérito
Último estádio do capitalismo: ecologia

«Casas do Espírito Santo» de Carlos Lobão (coordenação)
Carlos Lobão é o grande entusiasta das edições do Clube de Filatelia O Ilhéu da Escola Secundária Manuel de Arriaga na Horta. Este livro sobre o Espírito Santo é resultado desse labor. São 120 páginas com muitas fotografias e um título feliz – «Casas do Espírito Santo». Na verdade as casas do Espírito Santo em Santa Maria e São Miguel chamam-se teatros, na Graciosa e na Terceira são impérios, em São Jorge, Pico e Faial são ermidas ou capela e nas Flores e Corvo são casas. Muitos impérios têm anexos (local onde se preparam as sopas além de espaço onde se guardam as varas, os lampiões, os estandartes, as bandeiras e os utensílios de cozinha) que ganham nomes diferentes de Ilha para Ilha: casa das sopas (São Jorge), talho (Flores), copa (Faial), despensa (Terceira) e copeira (Santa Maria e Flores). Página a página cada fotografia com as suas cores e as suas mensagens («Deus é Caridade, União e Caridade») ou as suas abreviaturas (DES – Divino Espírito Santo) vai comovendo o leitor. Todas são especiais e diferentes entre si (há umas que até são amovíveis) mas o Império dos Outeiros na Agualva apresenta uma pauta musical gigante nas suas paredes. Convite óbvio a que das paredes saltem as notas para serem cantadas na alegria convocada dum encontro feliz. Em Santa Maria o Império do Santo Espírito tem a particularidade de o azulejo referir «Triato de Nossa Senhora da Piedade construído em 2002 pela Junta de Freguesia do Santo Espírito». Esta aliteração prova a ingénua diferença entre língua e linguagem, entre cânone e prática. Para fechar com chave de ouro fica a quadra da contracapa do livro: «Império é casa serena / Onde se entra por bem / Em tamanho a mais pequena / E a maior que o mundo tem».
(Edição: Clube de Filatelia «O Ilhéu» Escola Secundária Manuel de Arriaga – Horta)
Só para dizer uma coisa sobre o Saldanha Sanches. Era um homem muito difícil. Como algumas pessoas da sua geração, que é a minha, embora ele fosse mais velho do que eu, são muito difíceis de meter em caixinhas. Era muito engraçado a dificuldade de pôr títulos. O fiscalista Saldanha Sanches. Não lhe passava pela cabeça ser classificado, na hora da morte, como fiscalista. O revolucionário desiludido Saldanha Sanches. E esse aspecto, esta dificuldade de meter aquele homem numa caixinha qualquer, que corresponde às caixinhas com que nós somos todos metidos, todos os dias, pela comunicação social, mostra, de facto, que aquela biografia, como algumas biografias daquela geração, são, de facto, muito difíceis de meter em caixinhas.
*
Lobo Xavier tinha decidido fazer uma referência a Saldanha Sanches, dizendo algumas palavras de homenagem. Seguiu-se o Pacheco, que relembrou ser seu amigo há muitos anos, mas escusando-se a dizer mais naquela ocasião. E António Costa teceu-lhe rasgados elogios, realçando a exigência e a coerência com que foi seu mandatário da candidatura à Câmara de Lisboa. Estava a desenvolver o fascinante tópico da sua independência com exemplos concretos, pessoais, quando foi interrompido a mata-cavalos para despejo do auto-panegírico supra. A morte de Saldanha Sanches, de repente, era só mais uma ocasião para o Pacheco falar de si e do seu complexo de superioridade. A mensagem fica como um pleonasmo tautológico: também eu não me deixo enfiar em caixinhas, também eu venci a comunicação social, também eu sou da tal geração, eu posso, eu quero, eu sou, eu.
Malhar no Pacheco devia ser obrigação cívica explanada num capítulo inteiro do manual de cidadania contemporânea ainda por escrever. Não por lhe querermos mal – físico ou psicológico, e bem pelo contrário – mas por ele nos fazer mal. Esta super-estrela da política-espectáculo, que ganha fortunas a mentir à descarada, e sem nunca se retractar, ainda conseguiu envenenar um partido ao ponto de ser mentor de uma estratégia política asinina e degradante. Como se fosse pouco, é ao Pacheco que deverá ser creditada, seja em que percentagem for, a exclusão do futuro líder social-democrata das listas de deputados. Finalmente, deixam-no andar pelo Parlamento a emporcalhar a instituição, criando uma situação de infâmia generalizada que atinge indivíduos, empresas, PS e Governo. Será este o seu principal legado à cultura e sociedade portuguesas? É que tudo o resto ficou ofuscado pelo que fez, e não fez, desde que Ferreira Leite tomou conta do asilo da Lapa.
E nem as Escrituras escapam. Ir buscar uma passagem bíblica para fazer ameaças oblíquas cujo contexto, subtexto e pretexto são as escutas a que teve acesso na Comissão de Inquérito, é soberba só possível àqueles que já se elevaram misticamente ao deboche sagrado. Daí as crises de acédia, pois tudo o que sobe acaba por descer.
De facto, somos obrigados a concordar: os biógrafos do Pacheco nem sequer perderão um minuto a tentar enfiá-lo em caixinhas, vai logo directo para um saco de plástico preto.
__
A Ana, em boa hora, republicou a carta de Maria José Morgado para Saldanha Sanches. É uma despedida que será causa de muitos encontros pelos anos afora.
Como se o marxismo, a ter algo de positivo ou de útil, coisa que os povos ingratamente se recusaram a saborear indefinidamente, pudesse justificar boutades das do género trambiqueiro e agressivo do bom-camarada Jerónimo!
Deixem lá o marxismo, que o PC também há muito se deixou dessas bizarrias. O que é apenas ridículo é a associação que ele faz entre o materialismo histórico e factos avulsos da História. Faz parte da tradição do PCP a confusão entre oligarquias e poder popular…ou vagamente democrático!
Lembro apenas o Tratado de Brest-Litovsk entre Hitler e Stalin, ou a recusa de apoio aos republicanos em Espanha, abandonados à sua sorte. Curioso que o PCP se tenha esquecido de condenar a invasão da Hungria, ou da Checoslováquia, pelas tropas do Pacto de Varsóvia. Tudo claro a favor da Liberdade e das Independências Nacionais desses povos…
E quanto à soberania dos povos, será o PCP que deve pronunciar-se sobre o assunto? Haja pudor e respeito pelos milhões de mortos das várias repressões comunistas sobre todos os povos! Em especial sobre as suas próprias populações!
__

(poema – autógrafo para Manuel Emílio Porto)
O motor duma traineira
Que fundeou na baía
Trabalhou a noite inteira
Mas só o poeta o ouvia
O motor duma traineira
Que fundeou na baía
Trabalha a noite inteira
Numa faina de alegria
E faz à sua maneira
Sumário dum novo dia
Como se uma feiticeira
Desenhasse a profecia
Duma vida verdadeira
Longe da monotonia
O motor duma traineira
Vem acordar o poema
Numa mesa de madeira
O poeta tem um dilema
Há a palavra pioneira
Que desenha no cinema
O fogo de uma lareira
Criando um novo sistema
O poeta escuta a traineira
Que dá a força ao poema
O motor duma traineira
Que fundeou na baía
Trabalhou a noite inteira
Mas só o poeta o ouvia
Olhando para a forma como Inglaterra conseguiu formar um Governo de coligação em poucos dias, apesar das declarações em contrário dos protagonistas da actual aliança antes das eleições, é impossível evitar um sentimento de inveja e de pesar. Por cá, andou a vender-se ao eleitorado a necessidade de acabar com a maioria do PS para finalmente se resolverem os problemas, garantiam. A tese era elementar: sem maioria, o PS seria obrigado a aceitar um sem-número de exigências e propostas dos restantes partidos.
Infelizmente, nenhum partido quis sequer assumir um qualquer tipo de cooperação parlamentar. Trataram Sócrates com asco, preferiram o calculismo partidário mais bronco. Os meses até à aprovação do Orçamento foram passados em coligações negativas, despesismo e ameaça de novas eleições. Foi para esta disfunção política que o eleitorado votou nesses partidos?
Quando se diz que Portugal tem graves lacunas no plano da educação, consumo de informação e vivência cívica, está no mesmo acto a dizer-se que há partidos que exploram a menoridade social e intelectual de largas fatias da população para a intoxicar com demagogia e populismo. Se qualquer exercício do Poder gera um anti-poder, e tal é vital para a democracia, o mero boicote da governação não serve os nossos interesses. Uma oposição sectária é tão aberrante como a tirania.
Lição que os ingleses acabam de nos dar.
Que se passa com a vossa programação que não respeita os horários programados?
Ok, esqueçam a pergunta anterior e passemos ao que interessa. Quem foi o mentiroso que escreveu isto?
UFC LIVE EVENTS
São os combates propriamente ditos, transmitidos apenas dias depois de serem efectuados. São três horas do melhor Vale Tudo do mundo.
Estreia em finais de Maio. Horário a definir.
Encontrem esse gajo e digam-lhe que estamos em finais de Maio. Outra vez.
Horas e horas e horas e dias e semanas e meses de fotografias que nos permitem visitar o passado, talvez o futuro. Aqui. Por baixo da caixa de pesquisa, selecciona Arquivo Fotográfico ou confirma que só essa opção está seleccionada. E parte em viagem.
__
Sugestão: usar a vista de rua dos mapas Google para descobrir o que se perdeu e o que persiste.
Recomendo este sentido e instrutivo desabafo do Luís Naves. Termina assim:
Sou um simples zé-ninguém.

Príncipe Real – António Costa bem pode dizer «o jardim não foi destruído»
Foi inaugurado no passado dia 22-5-2010 o cemitério do Príncipe Real que outro nome não merece o jardim morto depois de uma falsa requalificação. Mais ainda do que o Vereador dos Espaços Verdes, o presidente António Costa bem se esforçou em repetir uma ladainha – «o jardim não foi destruído» – mas quanto mais repete a frase mais se torna óbvio que ela não altera a realidade: o jardim, criado por volta de 1870 cujo nome é uma homenagem a D. Pedro V, já não existe. O que existe no seu lugar é uma área devastada por uma febre de destruição (um arboricídio), por uma sanha de ódio às árvores em geral, por uma pressa em facturar exemplares novos a todo o custo mesmo contra o parecer da Autoridade Nacional de Florestas. Mas não só. Primeiro os da CML cortaram as árvores, depois apresentaram um cartaz com fotografias que não eram destas árvores nem podiam ser. Só algumas (poucas) estavam mesmo doentes mas foram todas abatidas as da cercadura do lado da Escola Politécnica e as do lado da Rua de O Século. Mas não contentes com o arboricídio criminoso ainda se propuseram mudar o pavimento substituindo o empedrado e o asfalto por um saibro que já provou não servir no antigo jardim de São Pedro de Alcântara, hoje simples miradouro. E parece que estão felizes com o facto de o saibro voar para dentro das chávenas dos cafés dos pobres que aqui são obrigados a viver além de sujar a nossa roupa e os vidros dos nossos automóveis. Bem pode António Costa repetir que «o jardim não foi destruído» que a realidade ali está para o desmentir – o jardim de 1870 morreu e é hoje apenas um cemitério de árvores mortas. E os da CML esqueceram-se da capela mortuária.
Carlos Queiroz, desde 11 de Julho de 2008, tem seguido à risca a meticulosa estratégia de baixar as expectativas à volta da Selecção, depois dos sonhos grandiloquentes de Scolari. O apuramento para o Mundial foi particularmente brilhante nesse propósito. Cabo Verde é só mais um passo da sofrida caminhada.
Mas vai valer a pena. Quando subirmos ao relvado para o 1º jogo na África do Sul, a multidão presente no estádio soltará um bramido de espanto por nos ver com chuteiras; sendo já voz corrente, por essa altura, que em Portugal joga-se à bola de chanatas. A Costa do Marfim levará 115 minutos a recompor-se da surpresa, tempo suficiente para marcar o golinho da vitória.
Apesar de perderem eleições contra uma figura alvo dos maiores ataques pessoais em toda a História da democracia, e de não ganharem nas sondagens apesar de já irem no quinto líder em cinco anos, aqueles que fazem da política uma actividade tribal belicosa continuam a repetir as mesmas fórmulas. O problema não é ideológico, pois, mas cognitivo. Não entendem o que se passa, e a frustração acumulada cristaliza, e a seguir dissolve, os já parcos recursos intelectuais. A política que aí vem, que inevitavelmente virá se continuarmos a vencer os desafios da civilização, não terá nada a ver com esta cegueira estéril e perversa.
Veja-se o que se passou, na semana passada, com as declarações de um responsável governativo espanhol acerca das obras públicas e o TGV. De imediato, responsáveis políticos portugueses do maior partido da oposição, e arraia-miúda respectiva, assumiram que Espanha já não iria continuar com o TGV para Portugal. Foram desmentidos ao fim do dia, contudo, mesmo assim, e logo no debate da moção de censura, Miguel Macedo repetiu a ideia do dia anterior como se não soubesse que era falsa. Levou como resposta do Primeiro-Ministro o pedido para apresentar a fonte da sua informação, acabando o episódio em ridículo para os sociais-democratas. É preciso serem muitos estúpidos para emprenharem pela comunicação social desta maneira, mas é preciso atingir um pináculo de estupidez para se prestarem a estes números no Parlamento.
Continue reading ‘Pináculos da estupidez’
O objecto da comissão ao caso PT/TVI não é apurar se Sócrates cometeu um crime mas se Sócrates conhecia a operação política conspirativa na compra da TVI no ano passado, em véspera de eleições.
*
Como é que o Lomba dá como provada a existência de uma operação política conspirativa na compra da TVI no ano passado, em véspera de eleições? Espero que seja uma certeza obtida só com o recurso à leitura de jornais seleccionados. Se eu estiver errado, e as suas certezas acerca da honra de terceiros não tiverem a espessura de uma folha de jornal, espero que este senhor seja ouvido na Comissão de Inquérito Parlamentar para apresentar a fonte das suas informações, os nomes dos envolvidos e os factos que concretizam a denúncia.
E quanto mais cedo, melhor. Senão, o Lomba ainda corre o risco de ficar demasiado passado.

Uma releitura de «A Capital» de Eça de Queiroz
Integrado nas actividades da Livraria Fabula Urbis (Rua Augusto Rosa 27 – Lisboa) estou envolvido num clube de leitores cuja primeira tarefa foi a leitura comentada de «A Capital» de Eça de Queiroz. Dois aspectos me tocaram em especial.
Primeiro as duas frases que Artur, o jovem candidato a jornalista e dramaturgo, vindo lá de Oliveira de Azeméis, preparou para (julgava ele) impressionar o Melchior no jornal «O Século». Eis as duas definições:
Lisboa é a estação central da inteligência.
A Província é a penitenciária do espírito».
Depois a maneira como Eça de Queiroz descreve a saudade que Artur começa a sentir no momento em que recebe onze mil réis do Rei Bamba, curiosa a alcunha do homem que lhe leva coisas ao «prego». Assim: «Então, quando sentiu o dinheiro na algibeira, Artur teve subitamente uma vaga saudade enternecida de Lisboa, da vida que deixava. A cidade, coberta dum bom sol, com os seus cartazes nas esquinas, as lojas dos livreiros abertas, as carruagens rolando, parecia-lhe ser o único lugar possível para uma existência inteligente: se não conseguira chamar a atenção da senhora de vestido de xadrez na véspera, poderia ser mais feliz outras vezes! Nunca o Melchior lhe parecera tão afectuoso; e achava, de repente, nas fisionomias que passavam um vago tom inesperado de simpatia.
Comovido disse: Ao menos, pela última vez, jantemos juntos, Melchior».
Recomendo a experiência aos nossos leitores, o livro aguenta-se bem e vale a pena.
Os nossos amigos Miguel Abrantes, José Albergaria, Eduardo Pitta, Ana Paula Fitas e Osvaldo Castro são de uma generosidade transbordante.
Sorte a nossa.
Teresa Venda e Maria Rosário Carneiro, deputadas do PS, têm ideias atrevidas para a reformulação do nosso calendário laboral.
Concordas? Não tocavas nos feriados nem nas pontes? Ou ias ainda mais longe?



Intervenções cirúrgicas