Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

iParque@Coimbra

Um Artigo Sobre o Ensino Superior no Blogue da Universidade de Aveiro



“É um homem simples no fundo: não tem ambições – excepto saber” (Eça de Queiroz, 1845-1900).

Na minha fraca literacia informática, navegando na Net num barco a remos enquanto especialistas o fazem em lanchas rápidas, só por estes dias me deparei com a seguinte notícia:

“No âmbito do Laboratório de Avaliação da Qualidade Educativa (LAQUE), estrutura funcional do Centro de Investigação Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade Aveiro, foi criado, em Março de 2007, o presente blogue onde são colocadas notícias da imprensa da área da Avaliação Educativa. Esta recolha tem como principal finalidade avaliar o impacte, nos mass media, das questões da avaliação educativa”.

Com essa intenção, transcreveu aquele blogue um artigo de opinião, publicado  em “O Primeiro de Janeiro” (21/06/2007), que abaixo se reproduz  porque, infelizmente, em vários aspectos, está longe de ter perdido a actualidade  no que respeita ao actual estado do sistema educativo neste dealbar do século XXI:

"O Ensino Superior dos Primórdios do Século Passado aos Nossos Dias

'O verdadeiro progresso democrático não é baixar a elite ao nível do povo, mas elevar o povo ao nível da elite' (Gustave Le Bon).

Para uma análise do que se passa no actual ensino superior nacional é mister caracterizar a sua evolução em três períodos distintos:

1.º - Até 1911 (data da criação da Universidade Clássica de Lisboa e da Universidade do Porto) coexistiam escolas superiores, v.g., Escolas Médico-Cirúrgicas e Curso Superior de Letras, com a única universidade de então, a de Coimbra.

2.º - A partir de 1911, a par das duas universidades referidas acima, existiam , segundo o Decreto n.º 36.507/47, de 17 de Setembro, duas escolas superiores militares – Escola  do Exército e  Escola Naval – e três civis: Instituto Superior de Estudos Ultramarinos, Instituto Nacional de Educação Física  e curso de Arquitectura de Lisboa, os três últimos cursos, com assento na Universidade Técnica de Lisboa (criada em 1930), respectivamente, em 61, 75 e 79.  Neste último ano é integrado, também, o curso de Arquitectura  na Universidade do Porto.

3.º Nos anos sequentes ao 25 de Abril, assistiu-se a um verdadeiro boom com a criação em catadupa de universidades e instituições de ensino politécnico estatais e privadas.

Em 1979, é instituído o ensino politécnico que deu azo à transformação, por exemplo, dos cursos médios dos Institutos Industriais em Institutos Superiores de Engenharia e das Escolas do Magistério Primário e de Enfermagem , respectivamente, em Escolas Superiores de Educação e de Enfermagem. Este subsistema binário do ensino superior (sendo o outro o ensino universitário) tinha como destino inicial a instalação em cidades carecidas de ensino universitário. Mas logo se instalou, de armas e bagagens, em Lisboa, Porto e Coimbra, caindo, assim, por terra esta louvável intenção, como outra não menos importante para o desenvolvimento dessas regiões: ser o ensino politécnico um ensino de curta duração e de carácter profissionalizante.

Simultaneamente, em cascata, surge o ensino superior privado (em forças a partir da década de 80, pela mão do então ministro da Educação Roberto Carneiro). Através de umas tantas dessas instituições universitárias ( vg., Moderna, Independente e Internacional) tem ele agora andado nas bocas do mundo, nas páginas dos jornais e nos ecrãs da televisão, nem sempre pelas melhores razões.  Em abono da verdade, nada disto se passou sem a responsabilidade dos diferentes partidos políticos tutelares da pasta da Educação, embora tenham sido alertados para este statu quo de que eram previsíveis os funestos efeitos.

A título de exemplo, em tempos, escrevia um professor da Universidade Católica, de seu nome Sérgio Rebelo, com cáustica ironia: “Onde antes havia uma pastelaria ou uma pequena mercearia, hoje tende a haver uma universidade ou uma escola superior, onde ontem se compravam pastéis de nata e garrafas de groselha, hoje conseguem-se licenciaturas e mestrados e encomendam-se doutoramentos” (Revista “Exame”, 4 de Novembro de 1996).

Este incontrolado crescimento do ensino superior privado necessita de uma terapia de choque para que possa sobreviver com alguma dignidade a um estado comatoso provocado pela escassez de candidatos à sua frequência. Nunca de um unguento, destinado ao tratamento de uma simples borbulha, espalhado numa carne em adiantado estado de gangrena!

Mas pior do que isso foi procurar a cura na permissão do respectivo ingresso a maiores de 23 anos, “independentemente das habilitações académicas”, com o argumento de Mariano Gago de se tratar de “um passo para a democratização do sistema de acesso ao ensino superior”! E, desta forma, se chama democratização a uma forma de desrespeito pelo esforço daqueles que cumpriram um percurso académico culminado com  o exigente 12.º ano do ensino secundário ou daqueles que em esforço pessoal se tornaram em verdadeiros autodidactas capazes de satisfazerem a seriedade do antigo exame ad hoc.

Falemos Claro! Em primeiro lugar, esta candidatura (que tenho como verdadeiro salto de canguru na ultrapassagem de normativos curriculares) atenta contra o desenvolvimento científico, social e económico do País que deve assentar numa séria formação académica dos seus cidadãos do ensino básico ao ensino universitário. Em segundo lugar, é uma maneira de lançar fornadas de “licenciados” para um mercado de trabalho mais carenciado da força de uma mão-de-obra com know-how do que, na circunstância, de um simples diploma de ensino superior que pouco deverá acrescentar em termos de competência profissional e, muito menos, de cultura geral. Em terceiro lugar, tem – isso sim – como finalidade combater o decréscimo crescente de alunos de posse do 12.º ano que demandam o ensino superior, assistindo-se, desta forma, ao primado d quantidade em detrimento da qualidade de uma clientela que satisfaz, com sacrifício das magras bolsas, o rendoso negócio de umas tantas escolas privadas.

Por tudo isto, não me parece ser o caminho a seguir no acesso ao ensino superior. Poderá ser o mais expedito para os alunos, o mais rendoso para as instituições privadas e o mais credor de dividendos para os políticos. Mas é, em contrapartida, o menos sério e o mais penalizante para com uma sociedade maltratada pelo facto “de uma minoria intelectual, que constitui o capital de orgulho de cada nação, se ver obrigada a cruzar os braços com inércia desdenhosa ou a deixá-los cair desoladamente sob pena de ser esterilmente derrotada” (Manuel Laranjeira, o jornal portuense “O Norte”, 1908). Ontem como hoje !

Rui Baptista

Ex-docente da Universidade do Porto. 

Escreve no “JANEIRO” quinzenalmente às quintas-feiras."

Post Scriptum: : Anteriormente a 25 de Abril/74, foi anunciada a integração universitária do Instituto Nacional de Educação Física conforme se documenta:” Quando este número já se encontrava em fase adiantada de impressão, chegou-nos a notícia de que o INEF havia sido integrado na Universidade Novas de Lisboa! Assim se concretiza uma das mais antigas e legítimas aspirações da Escola. Assim se abre um novo caminho à instituição” (Boletim do INEF, 2.ª série, n.º 2, Abril – Junho de 1973).

Passatempo conjunto "De Rerum Natura" / "Sorumbático"

O DRN, em mais um passatempo conjunto com o Sorumbático, oferece um exemplar desta obra ao melhor comentário que venha a ser feito até às 24 h do próximo dia 20 de Janeiro ao post intitulado «A Cidade dos Vampiros», que se pode ler [aqui].

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Fibonacci:O papel da Matemática em nossas vidas!

Difícil de acreditar? Com apenas 13 anos, o nova-iorquino Aidan Dwyer desbancou os mais renomados cientistas, de todo o mundo, que dedicam seus dias a pesquisas a respeito de métodos mais eficientes de captação de energia solar.

Veja a matéria no link abaixo:

Veja também meu video no Youtube "Porque devo aprender a Matemática?"

O VALOR DO ENSINO EXPERIMENTAL


Minha apresentação no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho do livro "O Valor do Ensino Experimental", publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos: aqui.

A CIDADE DOS VAMPIROS


Minha crónica na última revista "C" (no desenho, traje dos estudantes de Coimbra no século XVI, segundo autores holandeses):

Coimbra mereceu honras de artigo recente no New York Times. Um jornalista norte-americano passou por Coimbra e escreveu uma curiosa crónica. Ficou sobretudo impressionado com o pitoresco dos estudantes de capa e batina, cuja aparência ele, neste tempo da Saga do Crepúsculo, não hesitou em designar de “vampiresca”. Com uma pitada de humor, acrescentou que nenhum deles lhe tentou sugar o sangue...

Tivesse, porém, o visitante vindo a Coimbra num século anterior, essa comparação não lhe teria ocorrido, até porque o Drácula de Bram Stoker só remonta a 1897. O austríaco Heinrich Friedrich Link, que visitou Coimbra em 1798, comparou o traje dos escolares ao dos padres. De facto, o hábito talar tem uma origem eclesiástica, devido à ancestral ligação entre a universidade e a igreja. Link afirmou que “as ruas estão permanentemente cheias dessas pessoas vestidas de negro que oferecem um aspecto triste e fradesco”. Não admira, por isso, que o Marquês de Pombal tenha, embora debalde, querido banir com o traje antigo e que, no início da República, a capa e a batina quase tenham sido proibidas.

No século XIX, o uniforme dos estudantes de Coimbra foi comparado com as vestes dos antigos alquimistas. Em 1842, o príncipe polaco Feliz Lichnowsky falou dos “estudantes, com um traje negro, em parte eclesiástico, em parte da idade média, como se fossem discípulos de Fausto ou de Paracelso”. E, na mesma linha, em 1866, o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen comentou, após uma visita a Coimbra, que“o traje é pitoresco, lembra Fausto e Teofrasto”.

Estudei em Coimbra pouco após o luto académico de 1969, pelo que não usei capa e batina. Apesar de me parecer um vestuário um pouco quente para o Verão, nada tenho contra o seu uso por quem goste. Todos os visitantes estrangeiros que tenho guiado na Lusa Atenas me têm perguntado pela origem e significado do traje, pelo que não desprezo o valor turístico para a cidade dessa indumentária temporalmente exótica. Já, quanto ao resto do país, acho algo ridícula a imitação que escolas recentes têm feito das tradições coimbrãs, inventando trajes que nunca poderiam ter existido nessas instituições.

Não estranho, pois, a boa recordação que o traje de Coimbra deixa nos modernos visitantes. Mas há um passo da peça do New York Times que me chamou mais a atenção. O jornalista situa a cidade indiferentemente em dois lugares do tempo separados de três séculos e meio: “Igrejas antigas, praças pitorescas e a falta quase total de lojas internacionais podem fazer situar tanto a Alta como a Baixa na década de 1950 - ou na de 1590.” Tal significa afinal que viu, do ponto de vista arquitectónico, urbanístico e comercial, uma cidade parada no tempo. É um pouco injusto, convenhamos. O visitante podia ter referido, por exemplo, o Parque Verde, com o Pavilhão Centro de Portugal, ou o Pólo II da Universidade, com a sede da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Mas é, convenhamos também, um pouco justo, já que à beira do Mondego, e pese embora o muito activo Departamento de Arquitectura, são raros os edifícios de traça contemporânea. Os vultos “vampirescos” dos estudantes seriam ainda mais impressionantes se, aumentando o anacronismo, os cenários fossem fachadas dos dias de hoje...

O CENTENÁRIO DO TITANIC


Minha crónica publicada no "Sol" de sexta-feira passada (antes, portanto, do naufrágio do Costa Concordia nem Itália:

No próximo dia 14 de Abril, um navio de cruzeiro, com mail de mil passageiros a bordo, em trânsito de Southampton para Nova Iorque, parará nas águas gélidas do Atlântico Norte na posição de coordenadas 41° 43′ 55″ N, 49° 56′ 45″ W, onde, exactamente há cem anos, o RMS Titanic naufragou devido à colisão com um grande icebergue. Rezar-se-á uma oração pelas 1517 vítimas do acidente.

O Titanic Memorial Cruise recriará a viagem do que era, na época, o maior navio do mundo. As indumentárias da tripulação serão as da época, assim como as refeições e as músicas pela orquestra de bordo. Só o navio – o Balmoral – não será da época. Não haverá desta vez uma colisão como aquela que originou a inesperada tragédia. Algumas das razões da segurança das actuais viagens marítimas remontam ao inquérito efectuado logo após o acidente. De facto, essa investigação identificou factores que podiam ter evitado o desastre ou, pelo menos, minimizado os seus efeitos. Por exemplo, os passageiros de 3.ª classe morreram em percentagem maior que os das outras classes, porque, albergados nos níveis inferiores, não tinham acesso fácil aos botes salva-vidas, no nível superior. Aprende-se com os erros: As leis que presidem à construção naval melhoraram, os procedimentos de segurança foram reforçados (com a obrigatoriedade de salva-vidas para todas as pessoas a bordo) e até patrulhas de detecção e destruição de icebergs foram instituídas.

Uma das tecnologias que os navios modernos utilizam surgiu precisamente em virtude do desastre. Trata-se do sonar, o uso de ultra-sons para detecção de obstáculos graças ao fenómeno do eco. Já se sabia no século XIX que os morcegos tinham uma propriedade estranha: viam com os ouvidos! Mas só com as notícias do Titanic o meteorologista inglês Lewis Richardson se lembrou de criar um invento baseado no princípio que a evolução desenvolveu nos morcegos. O sonar haveria de ser aperfeiçoado durante a Primeira Grande Guerra para detecção de submarinos pelo físico francês Paul Langevin (o mesmo que teve em 1911 uma relação escandalosa com Madame Curie).

O desastre do Titanic continua a desencadear o uso de novas tecnologias. Foi assim que o oceanógrafo norte-americano Robert Ballard detectou em 1985 o sítio do naufrágio para a seguir efectuar uma campanha arqueológica, que permitiu resgatar objectos que têm andado pelo mundo em exposições. E é assim que, em Abril próximo, a recente tecnologia do cinema a três dimensões vai permitir estrear uma nova versão de um dos mais famosos filmes de sempre, o Titanic, de James Cameron, com Leonardo di Caprio e Kate Winslet nos principais papéis. Àqueles que não arranjaram lugares no Titanic Memorial Cruise resta-lhes a consolação de viverem a experiência multimédia no cinema.

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

I Colóquio de História da Alimentação na Antiguidade


Informação chegada ao De Rerum Natura.

Numa colaboração entre o Mestrado em Alimentação – Fontes, Cultura e Sociedade da Faculdade de Letras de Universidade de Coimbra, a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra e a Associação Cultural Thíasos, realiza-se no dia próximo dia 20 de Janeiro, a partir das 9h, no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o I Colóquio de História da Alimentação Antiguidade.

Os temas da Alimentação, da produção alimentar e da gastronomia entraram, nos tempos recentes, entre os tópicos de discussão e de reflexão do homem comum, granjeando uma popularidade sem precedentes nos meios de comunicação e de entretenimento actuais.

Também o estudo da História da Alimentação, em particular no domínio da História da Antiguidade, constitui um ramo de investigação relativamente recente nas universidades portuguesas. A sua pertinência para um mais completo conhecimento do Homem – numa visão que se deseja polifónica, multidisciplinar, na medida do possível, abrangente – explica a atenção progressiva que tem suscitado, no nosso país e no estrangeiro, entre especialistas de áreas complementares e, tantas vezes, de fronteiras difíceis de limitar, como são os Estudos Clássicos, a História da Antiguidade e a Arqueologia.

É actualmente missão reconhecida da ciência universitária participar no diálogo coma sociedade civil e com os agentes culturais, no que estes apresentam como produtos ou tendências de cultura inovadores.

Porisso, entendeu-se ser oportuno contribuir para o conhecimento esclarecido, rigoroso e informado do património material e imaterial da humanidade que é a Alimentação, valorizando a dimensão formativa e pedagógica basilar do Ensino Público Universitário, e assim trazer para o presente aspectos do homem antigo menos divulgados e menos valorizadas até agora pela investigação académica.

A realização do presente colóquio visa, pois, dar a conhecer as mais antigas raízes do nosso património alimentar, fundadas nas grandes culturas antigas do Mediterrâneo de que o homem ocidental é herdeiro, criando um espaço aberto ao debate, sempre enriquecedor, dentro da comunidade académica (entre alunos, docentes e especialistas convidados) e, em particular, entre esta e a comunidade civil em geral, oferecendo-se uma oportunidade de reflexão e de conhecimento sobre a Alimentação na Antiguidade enquanto realidade indelevelmente modeladora do que somos hoje.

Rousseau segundo Barzun: o Bom Selvagem como abstracção

Não dominando, com destreza de especialista, a obra de Jean-Jacques Rousseau, tenho tido curiosidade e oportunidade de conhecer diversas leituras que dela se fazem. Até ao presente, nenhuma me pareceu tão clara e precisa como a que saiu da pena de Jacques Barzun. Em quatro páginas e meia, este professor e historiador da aventura humana, que recentemente foi lembrado neste blogue, apresenta o filósofo, esclarece o seu pensamento, desfaz equívocos. Fiquemo-nos por dois desses equívocos, que, aliás se interligam: o Bom Selvagem, objecto deste post, e a Recusa de Educação em «Emílio»,objecto de post seguinte.
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Sigamos, então, as palavras de Barzun.
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“Nos escritos académicos, bem como nos textos jornalísticos, o nome de Rousseau e o adjectivo «rousseauniano» são utilizados para caracterizar opiniões que ele jamais defendeu (…). Para que conste: Rousseau não inventou nem idolatrou o «bom selvagem», não exortou ao «regresso à natureza», não afirmou que o homem, tendo nascido livre e vivendo acorrentado, deve libertar-se das suas correntes (…)”


Depois de ter publicado em 1749 um ensaio que foi premiado pela Academia de Dijon – O discurso sobre os efeitos morais das Artes e das Letras – Rousseau, “então com 43 anos (…) escreveu outro opúsculo,Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens. É aqui que começam os mitos sobre as suas ideias: Voltaire que se sentira irritado com o primeiro ensaio, sentiu-se ultrajado com o segundo, declarando que Rousseau pretendia que «caminhássemos sobre os quatro membros» como os animais e nos comportássemos como selvagens, que o autor via como criaturas perfeitas. Destas interpretações, plausíveis mas inexactas, surgiram os lugares-comuns do Bom Selvagem e do Regresso à Natureza.”
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Neste ponto, Barzun relembra que se trata de lugares-comuns porque acompanham o nosso pensamento desde a Antiguidade, estando longe de serem invenções de Rousseau: são, isso sim, “abstracções” que “reaparecem sempre que a sociedade se torna demasiado complexa e se autocensura pela sua artificialidade”.
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Retomemos a linha de pensamento deste autor: “De facto, Rousseau insurgiu-se contra as características da alta civilização, mas não pregou um regresso ao estado natural. Considerava o selvagem sob muitos aspectos, pouco apelativo – carecendo de moralidade, agindo por instinto, sem pensamento e em determinada fase sem linguagem, e apenas preocupado com a mera subsistência. Aquilo que é preferível, sempre que a sociedade e a propriedade se estabelecem e a desigualdade de talentos se revela, é que as capacidades individuais sejam recompensadas a favor da comunidade (…) a partir do momento em que o estatuto social e a riqueza já não correspondem ao mérito, a disparidade converte-se em injustiça e conduz à instabilidade.”
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“Tomados em conjunto, estes dois primeiros ensaios constituem uma crítica negativa ao estado de coisas corrente.” 

Referência completa:
Barzun, J. (2003). Da Alvorada à Decadência: De 1500 à Actualidade - 500 Anos de Vida Cultural do Ocidente». Lisboa: Gradiva.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

"Todos têm direito à educação"

Ontem, numa entrevista de telejornal, perguntaram a uma professora universitária dum departamento de economia, ao que soube muito conceituado, em que é que aconselhava os portugueses a investir. 
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Em casa própria, não; em educação, seguramente. Explicou com algum detalhe: a tendência é do Estado recuar nesta matéria, pelo terão de ser as famílias a garantir a educação dos seus filhos.
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E disse isto com muita segurança, sem uma nota de apreensão, sem mudar o tom de voz, sem deixar de sorrir.
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Foi sobretudo a forma do discurso que me levou a escrever este pequeno apontamento, para lembrar (será preciso?) que o direito à educação, com destaque para a educação escolar, constitui um passo civilizacional, que só foi possível darmos na Modernidade. Portugal deu esse passo mais tarde do que muitos países ocidentais, mas deu-o.
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"Todos têm direito à educação": é o que está consagrado na Constituição da República Portuguesa (Artigos 73.º e 74.º), e na Lei de Bases do Sistema Educativo, nas suas versões de 1986 e de 2005 (Artigos 2.º e 3.º). E já estava consagrado na Lei n.º 5/73, de 25 de Julho, mais conhecida por Lei Veiga Simão (Base II).
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O que se explica em todos estes documentos fundamentais é que, por questões de princípio, a sociedade assume a educação formal, para que nenhuma criança e/ou jovem fique privado de tal bem.
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Se por alguma razão a sociedade deixar de o poder assegurar, deve ser com um grande,um imenso, pesar que nos devemos referir a esse retrocesso, sobretudo se estivermos conscientes do que isso significa para cada um, para a própria sociedade e para a humanidade.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

“Para que serve a literatura” – 2

Em texto anterior reproduzi algumas perguntas formuladas por Antoine Compagnon (na imagem abaixo) que, no presente, se nos impõem em torno da “relevância ou significância” da literatura na vida e, mais especificamente, do seu lugar na escola, “onde os textos documentais invadem o seu espaço, quando não o devoram” (página 20).

Num pequeno, muito pequeno livro, que se pode “ler numa viagem de comboio ou a uma mesa de café” (nota dos coordenadores de edição), este professor de Literatura Francesa Moderna e Contemporânea, entendendo que se deve pensar sobre o assunto, avança várias respostas que me parecem de grande interesse a quem tem responsabilidades educativas.

Inspirando-se em Zola, afirma que “a literatura constitui um exercício de pensamento e experiência de escrita”, que “corresponde a um p
rojecto de conhecimento do homem e do mundo” (página 24).

“Lemos porque, mesmo se ler não é imprescindível para se viver, a vida se torna mais livre, mais clara, mais vasta para aqueles que lêem do que para aqueles que não lêem" 
(página 24). "Com a literatura (…) o exemplo substitui a experiência, para inspirar máximas gerais ou, pelo menos, uma conduta em conformidade com tais máximas” (página 31).
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“Ela liberta o indivíduo da sujeição às autoridades, pensavam os filósofos. A literatura é de oposição: ela tem o poder de contestar a submissão ao poder. Enquanto contra-poder, ela revela toda a extensão do seu poder quando é perseguida” (página 32).
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“A literatura, enquanto instrumento de justiça e de tolerância, e a leitura, enquanto experiência de autonomia, contribuem para a liberdade e para a responsabilidade do individuo, valores esses, das Luzes, que presidiram à fundação da escola republicana” (página 31). A “literatura, simultaneamente sintoma e solução do mal-estar na civilização, dota o homem moderno de uma visão que vai além das restrições da vida diária" (página 33).
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O poeta e o romancista dão-nos a conhecer o que estava em nós, mas que ignorávamos por nos faltarem as palavras” (…) “dispõe do poder (…) de desvendar uma verdade não transcendente, mas latente, presente em potência escondida fora da consciência, imanente, singular e até então inexprimível” (página 35-36).
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Por tudo isto e muito mais, Compagnon defende que “urge fazer novamente o elogio da literatura, protegê.-la da depreciação, na escola e no mundo” (… ) Enquanto fonte de inspiração, a literatura ajuda o desenvolvimento da nossa personalidade ou à nossa ‘educação sentimental’ (…) Ela permite aceder a uma experiência sensível e a um conhecimento moral (…). Já que o próprio da literatura é a análise das relações sempre particulares que unem as crenças, as emoções, a imaginação e a acção, ela contém um saber insubstituível, circunstanciado e não resumível acerca da natureza humana, um saber das singularidades” (página 31).
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"A literatura deve, desde logo, ser lida e estudada pelo facto de proporcionar um meio – alguns dirão mesmo o único – de preservar e de transmitir a experiência dos outros, os que estão afastados de nós no espaço e no tempo, ou que divergem de nós pelas condições de vida.”
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Em suma, remato eu, “a literatura é um exercício de pensamento; a leitura, uma experiência dos possíveis” (…) ela resiste à estupidez não com a violência, mas antes de forma subtil e obstinada" (página 49 e 48).

Referência completa:
- Compagnon, A (2010). Para que serve a literatura? Porto: Deriva Editores.

SORRIA!

A alegria evita mil males e prolonga a vida (William Shakespeare)

Alves Redol - Horizonte Revelado

Informação chegada ao De Rerum Natura.


Alves Redol será relembrado e a sua obra discutida no  Congresso Internacional Alves Redol - Horizonte Revelado, 


que terá lugar de 19 a 21 deste mês de Janeiro


na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e no Museu do Neo-Realismo, que fica em Vila Franca de Xira.

Serão oradores , entre outros, os investigadores Maria Alzira Seixo, Helena Carvalhão Buesco, Isabel Pires de Lima, Manuel Gusmão, Carlos Reis, Paula Morão.

"Para que serve a literatura?"

Nas últimas décadas, a selecção dos conteúdos curriculares tem sido substancialmente subjugada a critérios de utilidade. Isto nos mais diversos sectores da educação formal. E sempre por referência aos alunos.

O que se afigura imediatamente aplicável no seu quotidiano vivencial imediato (social, laboral, pessoal...) é incluído no currículo; o que se afigura de aplicação remota ou não aplicável nesse quotidiano afasta-se do currículo.

Assim se foi arredando a área de saberes que designamos por Humanidades: a Filosofia, as Línguas e Literaturas Clássicas, a História, a Literatura...
 
Se essa área (ainda) marca alguma presença nos currículos é com sacrifício da sua essência: amputada, adaptada, convocada só e quando se lhe vê proveito para resolver problema do dia-a-dia.

Trata-se duma lógica que não interessa a muita gente. Não interessa, por exemplo, a Antoine Compagnon, professor de Letras do Collège de France, que procura, em particular, o sentido da Literatura.

Na sua lição inaugural como catedrático, pronunciada em 2005, este literato que estudou engenharia, formula várias perguntas “críticas e políticas” que nos podem guiar na mesma procura, a saber: “Que valores pode a literatura criar e transmitir no mundo actual? Que lugar deve ser o seu no espaço público? Será benéfica para a vida? Por que defender a sua presença na escola?”

Pelo interesse das respostas que avança, dar-lhe-ei atenção em próximo texto.

Referência completa:
- Compagnon, A (2010). Para que serve a literatura? Porto: Deriva Editores.

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

JACQUES BARZUN FEZ 104 ANOS!

Post de António Mouzinho:

O historiador Jacques Barzun, nascido a 30 de Novembro de 1907, fez há pouco mais de um mês 104 anos. Francês, foi para os E.U.A. em 1920, vindo a naturalizar-se e aí fazendo a sua intensa vida de pensador, historiador e professor, sempre com enfoque no espírito humano.

Quem tenha a curiosidade de o ver entrevistado a 12 de Setembro de 2010 (com quase 103 anos…), pode usar a ligação aqui.

Há mais registos na internet; este passa por ser a conversa pública mais recente, pelo que pode satisfazer uma curiosidade: como é que conversa?

Encerrou o milénio, em 2000, com o livrinho From Dawn to Decadence — 1500 to the Present; 500 Years of Western Cultural Life. Na minha edição tem quase 900 páginas: New York: Perennial, 2001.

Foi-me oferecido por um amável e atento genro canadiano; há uma edição portuguesa de 2003, na Gradiva, igualmente gorda: «Da Alvorada à Decadência—De 1500 à Actualidade; 500 Anos de Vida Cultural do Ocidente».

Dele diz Gertrude Himmelfarb: «From Dawn to Decadence é uma memória pessoal, espirituosa, erudita, arrojada e, acima de tudo, sábia, do passado meio milénio. A leitura faz-se até ao fim com interesse redobrado, voltando-se então atrás repetidas vezes, para saborear novamente passagens favoritas da obra.»

Deixou para trás homens da «Nova» História. Não foi campeão de nenhuma das modalidades desportivas mais esotéricas praticadas por colegas com paixões estatísticas, analíticas, annalíticas, psicanalíticas, sociológicas, antropológicas, marxistas (e, seguramente, mais três ou quatro). Utilizou, no entanto, tudo aquilo que julgou pertinente numa História narrativa, de estrutura «tradicional». Neste momento, está igualmente a deixar para trás os colegas Pós-modernos. O tempo passa; os colegas vão-se gastando… os movimentos idem.
Assim sendo, arrisca-se a estrear o Pós-pós-modernismo; de raiz tradicional.

Estamos, por conseguinte, de parabéns.

Ao historiador, veementemente, vida e saúde!

António Mouzinho

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

VIDEO: Aquecimento Esclarecido



Aquecimento Esclarecido já foi apresentado em Almada, Lisboa, Coimbra e Porto! Disponível para apresentações em escolas, sempre seguido de um debate com um especialista em alterações climáticas. Pedidos de informações por email.

A Investigação Científica e os Cérebros de Galinha



“O melhor conselho que já ouvi para um jovem cientista foi-me dado por um dos meus mentores: ‘Jovem, tome cuidado, não vá você encontrar o que procura’” (Ralph Gerard, “O Homem e a Ciência do Homem”).

Um comentário do leitor Joaquim Manuel Ildefonso Dias leva-me a dirigir-lhes estas palavras iniciais: cá estamos nós,novamente, a dialogar com enorme prazer meu pela forma como expõe os seus argumentos,as sua dúvidas, as suas inquietações. Argumentos e dúvidas que inquietam quem não vive de certezas inamovíveis, qual rochedo de Gibraltar, ou anda ao sabor de opiniões alheias.

Em comentário ao meu post “Quem tem medo de uma Ordem dos Professores?” (10/01/2012) , coloca este leitor em confronto duas atitudes profissionais de dois matemáticos e investigadores portugueses com perspectivas diferentes: emigrar ou ficar no país, referindo-se, respectivamente, à professora Irene Fonseca e aoProfessor José Sebastião e Silva. No que se refere aquela escalpeliza ela as diferenças entre a investigação científica que se pratica nos Estados Unidos e em Portugal,numa entrevista por si dada a um jornal nacional, em início deste mês, aquando de passagem pelo seu país para passar as festividades natalícias.

Nela, apresenta, esta investigadora a trabalhar no outro lado do Atlântico, um rol de razões para não voltar a Portugal, de que destaco: 1. Tempo para investigar; 2. O facto da administração Obama que, apesar da crise económica do país, ter aumentado o orçamento para a ciência; 3. Apesar dos cortes orçamentais feitos na terra do “tio Sam” ter a National Foundation sido poupada.

Pelo contrário,Portugal, por muito que custe dizer e mais em aceitar, em vez de apoiar os seus cientistas, um capital com juros garantidos, ainda que à la longue, mais se preocupa com as suas clientelas partidárias atribuindo lugares de destaque (ou até sinecuras chorudas), ainda que sem generalizações abusivas, a verdadeiros “cérebros de galinha”. Repare-se que as bolsas atribuídas a quem se dedica à investigação são escassas e mal remuneradas,quase diria, com um certo exagero, dando, tão-só, para o pão do dia-a-dia esem garantia de continuidade. Depois, e julgo que foi Otto Glória, treinador do Benfica na década de 50, quedisse que “sem ovos não se fazem omoletas”. Ou seja, sem laboratórios devidamente equipados e pessoal bem pago é muito difícil fazer obra de jeito. A propósito, li algures, em idos tempos, que uma boa biblioteca exige ao lado uma boa cozinha porque nem só do espírito vive o homem, hoje, despojado do dualismo cartesiano.

Compreendo e concordo com as objecções que são feitas pelo leitor acerca desta questão que se coaduna, todavia, com a actual filosofia, espelhada em textos legais, da Comunidade Europeia de livre circulação de pessoas e bens e, mais do que isso,para utilizar um lugar-comum, na aldeia global em que o mundo se tornou e na visão materialista da sua gente para quem o ter se sobrepõe ao ser, - outro lugar-comum.

De tudo isto, relevo, transcrevendo-o, o final do comentário deste leitor:

“O Professor José Sebastião e Silva, -o maior matemático português, mundialmente conhecido – também teve convites para leccionar nas melhores Universidades do Mundo, inclusivamente dos EUA, e a resposta dele foi:“Tenho de ficar. Não posso deixar estes rapazes e raparigas ao abandono, sozinhos naquilo que comecei …”. Referia-se à remodelação do ensino da Matemática, então em curso.

Por isso, os argumentos que os Sr(s) “cérebros” invocam deveriam ser para regressar de imediato, e não o contrário, não é assim, Professor Rui Baptista?

Pois é, mas, como nos ensinou o vate, “mudam-se os tempos,mudam-se as vontades”. O humanismo do Professor José Sebastião e Silva, por este leitor enaltecido, e nunca será demasiado enaltecê-lo, dá o retrato de uma ilustre plêiade (que infelizmente se contam pelos dedos) de homens deste torrão natal que, ainda hoje, não se ajoelham aos pés do trono em vassalagem ao rei Midas.Felizmente que eles ainda os há neste país, por vezes, tão ingrato para quem não devia e tão grato para quem o não merece.

Sinais dos tempos e de uma sociedade que corre o risco de ser vítima da decadência romana sem ter conhecido sequer o apogeu de uma cultura grega. Depois a utopia, como li algures, é um sonho por realizar. Enfrentemos, pois, a realidade nua e crua sem perder o dever de nos manifestarmos porque, como escreveu Miguel Torga, “o homem quando perde a capacidade de se indignar perde a própria razão de ser”!

Química das coisas boas: castanhas assadas

O odor das castanhas assadas e o fumo que sai dos assadores nas ruas não deixa ninguém indiferente. No entanto, só há relativamente pouco tempo alguém se lembrou de analisar o cheiro das castanhas assadas.1

As castanhas são um fruto muito rico em hidratos de carbono, especialmente amido e sacarose, tendo, comparativamente, poucas proteínas e gorduras. Nestas últimas são significativas as quantidades dos ácidos linoleico e alfa-linolénico, os quais contribuem para a prevenção de doenças cardiovasculares. São também relevantes as quantidades dos aminoácidos livres, asparagina, e ácidos glutâmico e aspártico e, ainda, do ácido gama-aminobutírico, um neurotransmissor importante.2

No processo de assar as castanhas, o aquecimento acelera as reacções de Maillard entre aminoácidos e açúcares, além de desidratar e polimerizar ligeiramente estes últimos, originando a cor amarela dourada tão agradável à vista e o sabor delicioso. O calor provoca também a formação e libertação de compostos voláteis de odor característico. Embora não seja possível atribuir o cheiro das castanhas assadas a um composto ou grupo de compostos em particular,1 o odor é inconfundível.

A análise química1 revela que para o cheiro das castanhas assadas contribuem os compostos: gama-butirolactona, gama-terpineno, furfural, hexanal, benzaldeído e 4-metil-2-pentanona, entre outros em menor quantidade. Uma mistura muito complexa que é um prazer reencontrar todos anos em cada magusto.

1 Volatile compound analysis of SPME headspace and extract samples from roasted Italian chestnuts (Castanea sativa Mill.) using GC-MS, Krist S, Unterweger H, Bandion F, Buchbauer G, Eur Food Res Tech, 219 (2004) 470-473.

2 Uma revisão da composição nutricional e vantagens para a saúde das castanhas pode ser encontrada na referência: Composition of European chestnut (Castanea sativa Mill.) and association with health effects: fresh and processed products. De Vasconcelos MC, Bennett RN, Rosa EA, Ferreira-Cardoso JV, J Sci Food Agric. 90 (2010) 1578-89.