Não compreendo um caralho furado dos factos invocados, mas percepciono que o que se tenta significar corrobora os meus instintos políticos (e, especificamente, de política economicaóóóóóóóóóóóó-fiananceira), pelo que é uma cena relativamente à qual o eixo João Galamba, João Pinto e Castro e Pedro Lains podia coiso:
Nice paper in Vox decomposing the rise in debt-GDP ratios for troubled European economies. I’d make special note of this observation:
Projections suggest that some European countries had an unsound fiscal stance (in terms of debt-to-GDP ratio evolution) well before the 2008–09 financial crisis (Greece, Portugal, the UK); on the contrary, others had a sound fiscal stance (Spain, Ireland, Italy).
To understand what this means, you need to know that the combined GDP of Greece and Portugal is a bit over $500 billion (the UK isn’t in crisis), while the combined GDP of Spain, Ireland, and Italy is more than $3.5 trillion. So the economies now in trouble were, overwhelmingly as measured by economic importance, following sound fiscal policies before the crisis.
Yet the whole European response has been based on the assumption that fiscal profligacy was the villain.
O paul krugmanzinho, aqui.
Aguardemos serenamente:

"De epá.. a 4 de Janeiro de 2012 às 13:02 (aqui)
tens de ter noção que os teus postes funcionam como pontos de encontro onde nós, ensaístas, trocamos ideias de altissima qualidade politico-literaria-etc. e tal. se escreves bué postes por dia ao invés de escreves, va lá, um poste por semana, a nossa troca de ideias deixa de ser regular. e os efeitos podem ser bue complicados para a humanidade geral e em particular para o caralho."
E agora vejam esta fotografia recente do habitual local:

Não faz lembrar aqueles meus, como o Averkamp, ou o Brueghal?; reparem nesta famosíssima cena?:

Muito bom, dia a todos. Venho, por este meio, incorrer em um post. A literatura. Domino com parodiante eficácia vários, para não dizer inúmeros, assuntos, com a excepção do sistema de transportes públicos da área metropolitana de Lisboa, do qual sou uma espécie de cruzamento de Luís de Freitas Lobo com Claude Lévi-Strauss-Kahn. Para vos dar um exemplo, acabam de coincidir, temporalmente e em mim e com razão, dois telefonemas, cada um com a sua dúvida, provenientes de duas pessoas que nunca se conheceram, mas que, ajudadas pelo bom-senso que o relacionamento próximo comigo lhes proporcionou, acharam por bem tentar furar a minha apartada rotina literária, para que assim, num golpe de zorro, se lhes solucionasse os conundrums de circulação pessoal em que se deixaram afundar o país. O alguém número um queria desenvolver a problemática da deslocação Príncipe Real - Infante Santo, o que, no caso em concreto, implicou uma introdução ao próprio conceito de transporte público, à empresa pública CARRIS, aos veículos com motor de combustão interna com mais de dois lugares, à justificação filosófica das paragens de autocarros, etc etc etc, e, bem como, arranjar uma solução para ao busílis bilhético em que também estaria afogado o dito alguém; é com extremo orgulho na minha extremada modéstia que afirmo pensar que resolvi e articulei todas estes problemas numa solução coerente e inescapável ao sucesso. O alguém número dois apresentou-me um quadro genérico mais vago: que se encontrava, e passo a citar, "aqui", e queria ir, e passo a citar, "almoçar"; só um shakespereano conhecimento da alma humana como o que eu apresento mesmo sem perceber duas de cada três palavras do Shake (é como eu agora lhe chamo, ao deitar) me permitiu depreender - e pelo que se constatou, correctamente - que o "aqui" era a Baixa e o "almoçar" era na casa respectiva, e que na matriz motivacional que ao momento nutria o universo do meu alienado interlocutor habitava, de facto, um problema horário, pelo que, e utilizando apenas 1% das delongas que o comum comentador necessitaria para o envolvimento e dissolução da mesma tarefa, debitei de cabeça todos os horários dos diversos veículos indispensáveis à instrução eficiente do meu ouvinte.
(nomeadamente, para o Pedro Lérias)
NOT LONG AGO the prestige of science was nastily contested by American politics, as conservatism’s war on evolution, environmental science, and other forms of empirical research threatened to confound the American sense of reality. It was George W. Bush against Francis Bacon. Against this obscurantism—which has long held sway over significant portions of the American electorate—it was necessary to offer a ferocious defense of the premises, and the blessings, of scientific inquiry. Unfortunately, the defense of science became corrupted in certain quarters into a defense of scientism, which is the expansion of scientific methods and concepts into realms of human life in which they do not belong. Or rather, it is the view that there is no realm of human life in which they do not belong. Rosenberg arrives with “the correct answers to most of the persistent questions,” and “given what we know from the sciences, the answers are all pretty obvious.” (I have cited most of them above.) This is because “there is only one way to acquire knowledge, and science’s way is it.” And not just science in general, but physics in particular. “All the processes in the universe, from atomic to bodily to mental, are purely physical processes involving fermions and bosons interacting with one another.” And: “Scientism starts with the idea that the physical facts fix all the facts, including the biological ones. These in turn have to fix the human facts—the facts about us, our psychology, and our morality.” All that remains is to choose the wine.
IN THIS WAY science is transformed into a superstition. For there can be no scientific answer to the question of what is the position of science in life. It is not a scientific question. It is a philosophical question. The idea that physical facts fix all the facts is not an idea proven, or even posited, by physics. Rosenberg does not translate non-scientific facts into scientific facts; he denies that non-scientific facts exist at all. But in what way is, say, The Jewish Bride a scientific fact? It is certainly composed of fermions and bosons, but such knowledge, however true and fundamental, casts no light upon the power of the painting, or the reasons for its appeal. The description of everything in terms of fermions and bosons cannot account for the differences, in meaning and in effect, between particular combinations of fermions and bosons. But Rosenberg’s complacence survives such an objection, since he holds also that “the meanings we think are carried by our thoughts, our words, and our actions are just sand castles we build in the air.” This leads him to a boorish attack on the humanities, which are “nothing we have to take seriously, except as symptoms.” What they symptomize is “the search for motives and meanings in thoughts about things,” which has all been retired by neuroscience; and also our sad need for narrative. (Never mind his bedtime story about the adventures of the hominid in the savanna.) The humanities are “fun,” he avers, but they “are a scientific dead end.” And so they are, which is a big part of their claim upon our reverence. It does not help that Rosenberg cannot spell the well-known name of the ancient Latin poem that he admires; or that he regards F.R. Leavis as the inventor of the New Criticism and “the progenitor of preposterous twentieth-century literary theory”; or that he gives “the Humanities’ greatest hits” as The Odyssey, Hamlet, War and Peace, Middlemarch, and Sophie’s Choice. I thought that the argument for imagination and interpretation as instruments of human knowledge was settled long ago—when Vico read the ancients, or when Mill read Coleridge, or when Dilthey read Schleiermacher; but here we are, still wrestling with the distinction between explanation and understanding, still enduring the old crap about the hegemony of the natural sciences.
THIS SHABBY BOOK is riddled with other notions that typify our time. Rosenberg maintains that atheism entails materialism, as if the integrity of the non-material realms of life can be secured only by the existence of a deity. Reason does not move him, no doubt because of the threat it poses to the physicalist tyranny. He asserts, as would anyone who does not live in Congo, that “most people are nice most of the time,” because “we were selected for niceness,” which is all we need for ethics. He calls this “nice nihilism,” since it promotes moral values without moral beliefs. As for “Hitlers, Stalins, Mao Zedongs, Pol Pots, and Osama bin Ladens”—the people who are not nice most of the time—“biology has the answer”: there are always variations in inherited traits. But the variations cannot be the answer, because they are the question. Moreover, most people are both good and bad, neither devils nor angels. Rosenberg is untroubled by such complications. He is untroubled by everything under the sun. The man’s peace of mind is indecent. “We know the truth,” he declares sacerdotally in his preface. “Some of the tone of much that follows may sound a little smug. I fear I have to plead guilty to this charge ...” Once upon a time science was the enemy of smugness.
PS: No coiso aqui coiso em baixo, falo do "Gaf" com um link para as magníficas escoadas basálticas indianas de há 70 milhões, as quais, sabe-se lá porquê, não foram a causa da extinção dos dinossauros. Queria, como era imaterial, redireccionar suas senhorias para esta localidade.
(e como falar dos Western Ghats sem lembrar as Deccan Traps? O Stephen Jay Gould tem um bom texto sobre isso, e o Richard Fortey também. São tudo pessoas que. Este foi o ano da minha vida em que, de longe, menos li. Não vou dizer que não me soube, porque soube; as inevitabilidades têm sabor, muito embora as pessoas tendam a misturar-lhe chocolates, adoçantes e outros carnavais; há aqui um possível paralelo, mas não vamos por aí, ai não, vamos por um outro lado: tal como as Deccan Traps em relação à extinção K-T, a razão de ter lido muito menos (e muito mais merda, merda) não teve a ver com o facto, embora seja especulativamente inevitável pensar que para ele tenha contribuído (ou dele tenha derivado, agora estou confuso). São tudo cenas de dificil. É como a Primeira Guerra Mundial, que é a única que é "grande", como uma vez explicou o Gaf, ao entrar em contacto com a minha ignorância. Amanhã, algures neste espaço, falo da Primeira Grande Guerra e das dívidas soberanas, com o descontraído conhecimento de causa habitual, e só não articulo tudo isso com as Deccan Traps porque não calhou.)

Sempre foi uma realidade que me paralisou. Era usual pensar nela quando a minha vida entroncava no absurdo discurso que, diletantemente, dos jornais à taberna, manifesta a sua indignação pelo "excesso" de dinheiro que os jogadores de futebol ganham (e quem diz "ganham" diz "alferem"). O salário dos jogadores de futebol tem vindo progressivamente a aproximar-se dos volumes de massa monetária que geram, apesar de, eu próprio como pessoa humana, ainda permanecer muito longe de estar convencido de que já se atingiu o justo equilibrio entre o dinheiro que este modelo organizativo consome antes de o fazer saltar para dentro dos bolsos de quem o pratica (a política de distribuição do dinheiro gerado por um desporto pelos seus diversos praticantes é uma outra discussão, e é provável que não seja menos interessante). Achando, portanto, que caminhámos nos últimos 30 anos ao longo da justa direcção, a minha defesa deste movimento perante aqueles que se escandalizam com o facto de o Cristiano Ronaldo ganhar perto de mil euros por hora esbarrava quase sempre no exemplo do desporto universitário americano, um modelo supostamente exemplar na forma como retem os valores essenciais da competição desportiva, os articula com os saberes do intelecto e a formação académica, e, por fim, acautela o futuro da grande maioria que não consegue fazer do seu amor ao desporto um meio de vida para o resto da vida. Ora, a mim nunca me pareceu nada disso; aliás, a minha alergia à organização do desporto americano é antiga e total, e a Capela Sistina dessa profunda aversão localiza-se, precisamente, no desporto universitário. O texto é longo, e, portanto, não adequado a pessoas que não gostam de ler, como a edite estrela e assim; para ajudar este tipo de pessoas, passo a exacerbar este bocadito:
The hypocrisy that permeates big-money college sports takes your breath away. College football and men’s basketball have become such huge commercial enterprises that together they generate more than $6 billion in annual revenue, more than the National Basketball Association. A top college coach can make as much or more than a professional coach; Ohio State just agreed to pay Urban Meyer $24 million over six years. Powerful conferences like the S.E.C. and the Pac 12 have signed lucrative TV deals, while the Big 10 and the University of Texas have created their own sports networks. Companies like Coors and Chick-fil-A eagerly toss millions in marketing dollars at college sports. Last year, Turner Broadcasting and CBS signed a 14-year, $10.8 billion deal for the television rights to the N.C.A.A.’s men’s basketball national championship tournament (a k a “March Madness”). And what does the labor force that makes it possible for coaches to earn millions, and causes marketers to spend billions, get? Nothing. The workers are supposed to be content with a scholarship that does not even cover the full cost of attending college. Any student athlete who accepts an unapproved, free hamburger from a coach, or even a fan, is in violation of N.C.A.A. rules.
This glaring, and increasingly untenable, discrepancy between what football and basketball players get and what everyone else in their food chain reaps has led to two things. First, it has bred a deep cynicism among the athletes themselves. Players aren’t stupid. They look around and see jerseys with their names on them being sold in the bookstores. They see 100,000 people in the stands on a Saturday afternoon. During the season, they can end up putting in 50-hour weeks at their sports, and they learn early on not to take any course that might require real effort or interfere with the primary reason they are on campus: to play football or basketball. The N.C.A.A. can piously define them as students first, but the players know better. They know they are making money for the athletic department. The N.C.A.A.’s often-stated contention that it is protecting the players from “excessive commercialism” is ludicrous; the only thing it’s protecting is everyone else’s revenue stream. (The N.C.A.A. itself takes in nearly $800 million a year, mostly from its March Madness TV contracts.) “Athletes in football and basketball feel unfairly treated,” Leigh Steinberg, a prominent sports agent, says. “The dominant attitude among players is that there is no moral or ethical reason not to take money, because the system is ripping them off.”
Reinhold Gerstetter, a graphic designer who worked for Germany’s Federal Printing Office at the time, sat in on the preliminary discussions at the European Central Bank. In order not to snub any individual country, “none of the countries should be recognizable” in the designs, he told the German news site Spiegel Online last week. “Everything completely neutral,” he said.
“These imbeciles replaced national identity with nothing,” Mr. Prieur said. “What they should have done was choose some European geniuses,” he said, suggesting Leonardo da Vinci or Mozart — both of whom lived before the founding of what would be considered their modern European nations of origin, Italy and Austria.
Foi um ano macabro, que acabou por correr bem, como está analiticamente provado através da própria existência deste assinalavelmente post. Quem se mantém em corrente com a matriz principal da minha personalidade, sabe-me agricultor da concórdia e marasmo burgueses por entre as diversas sensibilidades em que se constitui o universo bloguístico nacional e internacional. É verdade que a minha aproximação ao super-herói Carlos Vidal não correu da forma esperada por todos aqueles que, mas, de uma forma geral, não foi preciso chamar de qualquer dos corpos policiais, a quem aproveitamos para desejar os mesmos sucessos do ano que agora finalmente. É um ano fácil de resumir, pelo que deixo essa tarefa a vocês. Queria, sobretudo, agradecer a todos os comentadores o facto de terem musicado com irrepetível qualidade o funeral desta inconsequência: sem vocês, comentadores, os comentários não teriam sido possíveis; a todos, com a excepção da silvia, do o mais peor, do Vincent Poursan e do Papa Nicolau (aos quais agradeço especificamente), um muito agradecido.
Estamos, como será possível concluir após interpretação exegética cuidada do calendário Pirelli, no quadrante natalício do ano, altura em que, por definição divina, estamos obrigados a distinguir os nossos familiares e amigos pelo valor monetário das prendas que lhes decidimos oferecer. A minha proposta para as pessoas que se mantêm atentas a este espaço de grande efectividade cultural é inteiramente inovadora: proponho uma visita à Loja de História Natural. É não só a melhor loja de Lisboa, como, provavelmente, a única loja de Lisboa; e desde 11 de Dezembro que é bastante seguro visitá-la, dado ter sido esse o último dia da Feira Internacional de Minerais, Gemadas e Fósseis, um evento que me causa vómitos, e que decorreu no Museu Nacional de História Natural e Ciência. Aproveita-se para acusar esta última instituição de negligência e estupidez, dado ter conseguido viver bastante mais de um ano com a loja do Pedro Lérias à porta e ainda não lhe ter proposto a translação daquela pequena maravilha para os seus aposentos: é que era para beneficio evidente de todos, mas muito mais para o Museu Nacional de História Natural e Ciência. É-me impossivel fornecer ideias natalícias, dada a profusa profusão de coisas que apetece comprar para dar (ou, em vez disso, ficar antes com elas, um risco evidente), mas, sei lá, vejam isto.
Hoje não ponho uma fotografia de cortar a respiração.
dada a minha incessante (excelente comentário de alguém sobre esta palavra e respectivo abuso, estou a fazer esta correcção de um smartphone, por isso não garanto nada, só amor) simpatia, quem quer que tenha lido os filósofos do scottish enlightenment e, por consequência, aparente suficiente espírito inquisitivo sobre a realidade, não pode receber com surpresa a informação sobre as inúmeras unidades de convite que sofri de inúmeras unidades de cidadania participativa para fazer passear a sufocante alegria - que, como o atlas que serve de suporte à cristaleira de porcelana chinesa vidrada aqui da sala, carrego desde a fecundação sem pecado da minha mãe - pelas passereles não só da vida, mas, muito concretamente, no festival de música Vodafone Mexeromero, o qual o mesmo, como haveis com certeza constatado, dado serdes uma pessoa na posse de leituras, se realizou aqui há dias na avenida da liberdade e que teve como cabeça de cartaz uma banda chamada "ponte pedonal sobre a avenida da liberdade", um projecto alternativo que se inspira em ritmos e sons alternativos e que tem feito uma carreira alternativa interessante nos meus alternativos da música alternativa; um dos convites, inclusivamente, fez-se sentir após o fim do próprio festival, o que de facto só demonstra a minha popularidade ao nível do âmbito das merdas. Mas não foram só os comprimidos que ditaram a minha escandalosa ausência por via da impossibilidade de me embebedar até ao escândalo; passo a numerar mais duas dúzias de razões ou assim, que não tenho paciência de as contar:
Hoje comecei a tomar uns comprimidos novos, que os outros não resultaram, e vir aqui, segundo o boato, fará parte da terapia, que é inclusivamente "inovadora"; vamos ser se eu não descompenso de maneira também inovadora. Meio cá meio lá relativamente à situação da actualidade real, não pude, como seria expectável, desaperceber-me da actividade do 5 Dias, que em tempos elegi (sem utilizar espécime alguma de figura de estilo) como de longe o melhor blogue do Continente e Açores, e que agora proponho propôr para Património Transcendental da Humanidade. Em democrática (sem querer ofender!) oposição ao 5 Dias, este blogue manifesta-se, como sempre, ao lado das forças de segurança: PSP, GNR e SIS; e do Ministro da tutela Miguel Macedo (que desde já saúdo com um forte aperto nos colhões), do primeiro-ministro Vitor Gaspar, da Assembleia da República eleita, e, por fim, do Presidente da República o Professor Doutor (numa universidade no estrangeiro) Anibal António Cavaco e Silva. Aproveito os numéricos testemunhos de cidadãos indefesos que referiram que agentes à paisana infiltrados entre os manifestantes usaram conhecidas técnicas de provocação de desacatos para que assim se justificasse o uso desproporcional da força, para, também eu, denunciar a infiltração de inúmeros cidadãos fardados no meio das forças policiais, que, utilizando de conhecidas técnicas para provocar o pacifismo - não ofender, não cuspir, não atirar garrafas com mijo ou pedras, não empurrar, não agredir, não partir, e, em pelo menos num caso, quase espalhando incenso pelas escadarias da Assembleia (o Bruno Carvalho diz que um gajo "quase foi atropelado" por um fura-greves) - levaram a que, recordo-o bem, inúmeras manifestações do passado tivessem terminado sem uma única carga policial, o que, na concepção deste tratante (atenção, não sei o que significa esta palavra) que vos escreve, é um imperdoável desperdicio de recursos humanos. Cá estaremos anonimamente, para o que der e vier.
Para nos distrair da complexa situação emocional em que caímos após a lesão do Cristiano Rinaudo, veio ao mundo uma estratosférica anedota: as histórias do Simão a que a Sofia Bragança Buchholdz sujeitou o 31 da Armada vão ser editadas em livro. Não tenho aqui acesso ao histórico da minha obra, pelo que estou impossibilitado de vos soprar ao ouvido alguns exemplos do pathos que envolve cada uma das pequenas narrativas que, desde a idade do bronze, nos têm visitado com a regularidade sísmica. Sim, porque cada uma daquelas histórias é um tremor. Se bem me lembro a narratividade típica decorre mais ou menos assim: ao Simão petece um gelado; a Tia diz que não, que é Inverno, que os gelados só se comem no Verão, quando está calor; ao que o Simão responde que precisamente por no Inverno estar muito frio, o gelo forma-se com mais facilidade, pelo que faz todo o sentido comer gelados nesta altura. A questão que se me coloca é a sequinte: se o Simão existe, a Tia expôr a profunda falta de interesse do sobrinho pode ser considerado um crime contra os Direitos do Homem (o Simão, ao ouvir a expressão "direitos do homem", era homem para logo atirar para a sua tia: "Eu quando for grande vou fazer uns "Direitos das Mulheres"); se o Simão não existe, e tudo aquilo emane da imaginação da Sofia Bragança Buchholdz, não era caso para o 31 da Armada, uma reconhecida associação de pessoas boas que fazem merdas de bem, começar a pensar em institucionalizar a sua blogger? Por falar em transferências de calor e de livros para miúdos feitos por pessoas que não são trasados mentais: parece que se comemora uma cena qualquer do Rómulo de Carvalho; aproveita-se a desconhecida efeméride para publicitar que as suas História dos Balões, História dos Isótopos e História do Telefone (esta última magnífica) estão disponiveis na livraria Pó dos Livros.
Têm três dias para ouvir este inacreditável testemunho: Victor. (isto começa com notícias da actualidade, mas vocês, com o mesmo jeitinho que vos trouxe a este espaço de cultura, literatura e outra fungaria, conseguem avançar rapidamente para o sumo do caroço). Solicita-se ao Pedro Lérias a identificação do ser vivo a seguir exposto ao nitrato de prata (ai, calma, isto já não é em nitrato de prata), dado eu neste momento estar a.
Numa altura em que menos pessoas vão ter dinheiro para possuir e alimentar um carro, (para um decapitado) faz imenso sentido eliminar transportes públicos. Admito que seja imprescindível diminuir-se a frequência, estreitar horários, aumentar tarifas, degradar a qualidade geral do serviço e (ou "ou") mexer nas condições de trabalho dos seus funcionários, mas rasurar por completo ligações no interior de áreas metropolitanas parece-me estúpido.
Uma coisa é desinvestir na qualidade e projectos de expansão das redes existentes, outra completamente oposta é propositamente (e com máscara de cálculo) des-estruturar a relação entre os eixos de comunicação que existem há décadas. Não duvido da necessidade de racionalizar (sem aspas, como se vê por aí com uma ironia que não partilho) o nosso sistema de transportes públicos, mas fazer desaparecer conexões que permitem que a área metropolitana de Lisboa funcione com um mínimo de organicidade (?) não será propriamente racionalizar, mas antes abdicar de (racionalizar).
Os transportes públicos são um mecanismo de redistribuição de qualidade de vida; por exemplo: uma faixa BUS (as de Lisboa são especiais, dado serem mais "faixas-camel-trophy BUS") permite que os enlatados sub-humanos dos autocarros beneficiem de um eixo rodoviário mais livre de trânsito que o utilizado pela burguesia instalada no seu automóvel particular, pelo que o que se está a fazer é a tranferir velocidade de circulação do transporte particular para o transporte público, de certa forma compensando a via sacra odorífica que quem anda de autocarro é obrigado a suportar.
Ora, quando este mítico "grupo de trabalho" que o nosso Governo nomeou opta pela Solução Final relativamente a algumas alternativas de ligação entre aglomerados populacionais e respectivas zonas de trabalho, o que está realmente a fazer é a diminuir drasticamente a liberdade de as pessoas racionalizarem as suas condições de vida perante a realidade dos tempos que se avizinham.
Note-se que o Governo e o seu caralhoso "grupo de trabalho" estão a racionalizar o sistema de transportes públicos quando ainda não se atingiu (nem de perto nem de longe nem de mesmo muito muito muito muito longe) o pico de informação sobre o que as pessoas pretendem fazer com os seus orçamentos diminuídos, pelo que isto nada mais é que um mentecapto e brutal exercício de cartomância que não só desperdiça millhões de euros que se pediu ao estrangeiro para investir em infra-estruturas rodo-ferro-fluvo-viárias durante a década passada, como, o que é pior, dá a indicação a todos os prejudicados que não vale de nada planear, programar ou estudar antecipadamente o que quer que seja das nossas vidas.
Em Portugal continua a não se querer ser sério; ser uma pessoa séria, ou um governo sério, é comprar tempo para estudar um assunto em profundidade, e não apenas para adiar a responsabilidade de imaginar e implementar uma solução. Andámos dez ou vinte ou sei lá quantos anos a adiar, e agora queremos ter a matéria toda estudada com um "grupo de trabalho" que esteve três meses a "estudar". Queixo-me de quê?, não fiz eu também os meus "estudos" assim?
pró béléléu
paparra de dinheiro
é o que tá embananando tudo
é uma pândega
acabei de dizer, outra vez?
não dão água para ele
são bilhões e bilhões, né?, meu bem?
nós vamo entrar, é joia
não sem quem é que inventou que acumular reservas é uma politica cambiau, uai
só que aí, meu lindo
que dava dinheiro prá burro
uma fantástica senhora, à disposição na Meditação na Pastelaria.
Durante muitalgum tempo, o meu toque de telemóvel foi o Where did our love go, da suprema envaginada Diana Ross. Depois de algumuitas vergonhas no autocarro, enveredei por um interminável carrossel de melodias menos ILGA, como por exemplo. Como as coisas estão (que não estarão daquela outra maneira), vem isto no propósito de me vos nos apetecer informar, na sequência de em simpatia me o terem feito a mim próprio, que os The Drums, propagantogonistas do mais fantástico arrazoado de clichês adolescentópop de que tomeirei conhecimento, terem produzido uma super-versão dessa, advérbio, mesma canção. Não se me chocava nada assim de fronte pela fronha adentro desde de que os Radiohead puseram em um pedestal uma certa e determinadíssma composição dos The Smiths (que, em no enfim de contas, não passou de uma banda tipo Supergrass), sinal cadente de que a minha eventual mente necessitaria de ajuda de uma troika especializada nestas merdas, o que me sucedeu a acontecer. Se isto não é uma cena assim dessas, não sei o que serão cenas dessas assim.
Posso citar o Richard Williams ("All New Zealand did was win, which was presumably all they wanted to do in order to end their famous 24-year drought. They had hosted the tournament beautifully but when it came to the showdown they derived disproportionate benefit from home advantage, including a few free gifts from a referee who spent the first half infuriating even neutrals by giving virtually every decision to the men in black."), mas a opinião é universal como a crise: a França foi melhor, e foi roubada.

Peço imensa desculpa por tudo...
...eu queria era falar sobre rugby
pois que a final de sonho, All Blacks - Le Bleus, é já no Domingo. Os franceses, bestiais bestas pretas dos neo-zelandeses, têm por hábito fazer um jogo de sonho em cada Mundial, e ainda não fizeram nenhum de jeito, quanto mais de sonho. É estar acordado.
Ainda antes de comentar o novo evangelho que o Yannick vai legar à Bíblia, parece-me oportunista debitar uma filosofice sobre a crise e assim. Espremendo tudo até ao bitaite, pode dizer-se que existe quem considere que a crise portuguesa é uma consequência inevitável da arquitectura do Euro e da Europa, e existe quem realce que ninguém nos obrigou a responder aos problemas de crescimento que a Europa e o Euro nos provocou com a aquisição de dívida até ao tutano (não se deixem impressionar pela "complexidade" da explicação de esquerda, quando comparada com a "simplicidade" da de direita; nós sabemos que as pessoas de esquerda são sempre buéda mais "complexas" que nós, e este facto é assim, simples).
Não obstante, a minha dificuldade em compreender os argumentos de qualquer um dos lados deriva, resumidamente, da facilidade instintiva com que concordo com qualquer um deles, o que tem como consequência lógica a seguinte bufa, a seguinte ociosidade dialética: devo eu discordar de ambos?, ou concordar com os dois? Esteticamente ficaria muito melhor discordar dos dois, mas sou uma pessoa, principalmente quando em heteronomia, extremamente corajosa, pelo que tentarei o benefício simultâneo das duas teses para a minha teoria final: a de que o problema que a Europa e o mundo Capitalista ocidental atravessam é uma consequência infeliz de felizmente vivermos todos em democracia.
Dizem-nos uns que nos últimos 15 anos gastámos todos os anos em média mais 10% do que aquilo que produzimos, e eu acredito. E podíamos ter gasto menos? Podíamos; mas, nessa eventualidade, teria o Guterres, o filho da puta do Durão e o José Sócrates ganho as respectivas eleições? Dizem-nos os outros que o Euro nasceu sem a sustentação politico-institucional suficiente para ludibriar a nível supra-nacional os problemas que inevitavelmente brotariam de uma união monetária de economias muito díspares. E poderia ter sido feito de outra forma? Podia; mas, nessa eventualidade, seria possivel a algum dos líderes dos países da Europa rica ganhar as respectivas eleições?
É por esta altura que a minha vulgar historieta ganha a força interior de um verdadeiro indignado, pois o que parecem ser dois mundos interpretativos diametralmente opostos confluem, neste ponto, para me irritar com o mesmo argumento: segundo os coléricos adeptos de qualquer uma destas narrativas (uma palavra que, ao que constato com felicidade, agora não se pode utilizar) faltou aos políticos que protagonizaram a construção europeia pós queda do Muro de Berlin um objecto situado invariavemente entre a "coragem" e a "visão".
E lamenta-se a ausência desta "coragem" e desta "visão" porque, principalmente, se considera uma coisa verdadeiramente fantástica, e que o Medina Carreira com certeza partilharia: que os líderes europeus que construiram a Europa dos restos da II Guerra Mundial até à derrocada do Comunismo europeu apresentaram sempre doses industriais e hoje irrepetíveis dessa "coragem" e dessa "visão", pois só assumindo esta última hipótese é que se poderia exigir o mesmo aos governantes contemporâneos.
A refutação desta estapafúrdia tese, em que se imagina uma Idade de Ouro dos governantes dos países da Europa Ocidental, é mais chata que difícil. No essencial, interessa-me tentar fazer notar a suas excelências que a "coragem" e a "visão" dos schumans, adenauers, monnets e restante gajaria que a acompanhou e sucedeu teve, num primeiro momento, o auxílo de estarem a ser exercitadas sobre uma população inteiramente refém e anestesiada pela morte e pela fome, proliferou nas asas de um crescimento económico que ainda hoje nos parece milagroso (para nao dizer incompreensível), e subsistiu à tona de água pelo grotesco contraste que lhe oferecia a visão do bloco comunista, sendo que a tudo isto acresce o leitinho concentrado da harmonia militar americana.
Isto, em resumo, significa que a "coragem" e a "visão" que hoje pedimos aos governantes que elegemos - quando lhes exigimos ou um controlo férreo dos déficts ou um inaudito arrojo na integração política europeia - não passam de gnomos que desenterramos para lubrificar sonhos cujo preço de realização nenhum de nós - individual e, principalmente, colectivamente - esteve, está ou estará disposto a pagar.
No passado as circuntâncias da história obrigaram os europeus a ignorar, aceitar ou concorrer com a "coragem" e a "visão" de duas dúzias de carolas; mas hoje, porque os caminhos possíveis já não se encontram esmagados e orientados por linhas de força independentes da vontade colectiva e inamovíveis da realidade particular [podem copiar] que a todos unam, o futuro aparenta estar disponível a assumir a forma do que cada um individualmente deseja. Nestas condições, [atenção, três negações a caminho] não somos hoje conduzidos por líderes "corajosos" e com "visão" não porque eles não existam por aí aos magotes, mas porque, conscientemente, consideramos que um personagem desses seria hoje um personagem inevitavelmente ridículo - e eu diria também que temos extrema razão neste aspecto.
O problema da Europa e do Euro e do Capitalismo e o caralho não pede, portanto, "dirigentes à altura dos desafios" (outra frase que se ouve muito, umas vezes para significar um dirigente alemão que abra os cordões à bolsa, outras um governante de um país periférico que voluntariamente destrua a vida de milhões de pessoas em 6 meses); pede sociedades criticamente funcionais, que se saibam extrair das diferenças e contradições com uma ideia que lhes seja particular e especificamente válida. Sucedendo isto, os gajos "à altura dos desafios" com "coragem" e "visão" noturna aparecerão naturalmente e em inusitado número.
Eu no próximo post digo, em três linhas, como isso se faz. Agora preciso de ir ali não dormir para a cama.
PS: dos comentários à composição que está por de em baixo de esta:

"[Steve] Jobs, however, stated that he had a rare, far less aggressive type known as islet cell neuroendocrine tumor. Jobs resisted his doctors' recommendations for evidence-based medical intervention for nine months, instead consuming a special alternative medicine diet to thwart the disease.." - aqui.
Agora eu, num momento especial, volto a utilizar este espaço e pergunto: este filho da puta fez os iphones e os ipads e mais a cona da mana dele com "tecnologia alternativa"?, baseada em "ciencia alternativa"? Não, caralho, não! Mas para utilizar "medicina alternativa" com a própria saúde já achou razoável.


