12 mil euros não lhe chegam para as despesas do mês!

os outros

Os outros. Os outros vivem mais do que os cortes orçamentais sustentam. Seria até preciso suspender a democracia para obrigá-los a pagar o direito de ser velho e estar muito doente.
os outros vivem acima das suas possibilidades. Na sua pequenês invejosa, vão ao ponto de dizer que não devíamos acumular o salário milionário com a pensão milionária que merecemos.
Nós, especiais, vivemos ao nível da nossa competência. gerimos-lhes as vidas como quem gere a sua própria empresa. E ainda se queixam.

Franchising...

Negócio de futuro, altamente empreendedor e made in Portugal: franchising de hemodiálise.

O mundo dos negócios e as deslocalizações

Diz que houve uma que grande loja que mudou para a Holanda porque era melhor para os negócios e que outra grande loja ficou porque era melhor para os negócios. Por mais que me esforce nunca hei-de compreender o mundo dos negócios.

A austeridade é só gargantas

Portugal é um país pequenino. Na China, a operação “three gorges” deslocou 1,4 milhões para fora da sua residência. Enquanto que por cá apenas deslocou quatro pessoas de direita para um tacho dourado.
Caso para dizer que a austeridade é só gargantas...

O discurso irregular sobre as contas dos partidos

As notícias sobre irregularidades nas contas dos partidos são recorrentes. E têm atingido, ao longo dos tempos, todos os partidos. Uma qualquer busca na internet poderá ajudar os mais esquecidos, como eu, a por-se a par desse historial.
Sobre estas irregularidades andou sempre à solta muita demagogia que fazia equivaler a menor das irregularidades à maior das trafulhices. Sobre isto não basta o comentário ligeiro e teremos de entrar no detalhe de que tipo de irregularidades se trata e porque foram cometidas. E se quisermos aprofundar a democracia será preciso um debate sobre financiamento dos partidos e regras de controlo das suas contas onde é preciso bem mais do que um discurso irregular de denúncia.
Por tudo isso, tenho dificuldade em entender a quantidade de ligações que amigos/as meus/minhas do Bloco de Esquerda fizeram a estas notícias tirando daí uma lição de superioridade moral face aos outros partidos. Julgo que a memória selectiva não cai bem. Até porque, se alguma vez voltar a haver irregularidades nas contas do Bloco de Esquerda, que irão então dizer? Que afinal os partidos são todos iguais ou aí já haverá algum espaço para nuances?

Letargia/liturgia da vida fácil

Viver com a liturgia da vida fácil

Ligou o aparelho à hora certa. Não porque fosse obrigatório mas porque sentia que o era. O aparelho teimava em não o surpreender seguindo a mesma liturgia/letargia: continuava a jurar a pés juntos que tinha vivido acima das suas possibilidades e agora tinha de pagar por isso, que ia empobrecer merecidamente e tinha de ser mesmo assim.
Sabia que afinal o aparelho lhe gritava: a culpa é tua! Aceitaste o crédito fácil, quiseste ter casa, quiseste ter férias, quiseste ter educação, saúde, quiseste ter tudo.
Pouco depois, sempre sem espaço para qualquer surpresa, chegava a vez dos incitamentos entusiasmados: devia ir embora lá para fora onde ainda se vivia com muito; devia ir para o campo onde se vivia com pouco mas feliz; devia seguir os exemplos gloriosos que exibiam criatividade: o empreendedor e o poupadinho. Claro que sabia que era impossível ao mesmo tempo ser empreendedor e poupadinho, empobrecer e enriquecer, ir para fora e ir para o interior. Sabia que isso afinal era o aparelho que lhe continuava a gritar: a culpa é tua! Não és suficientemente dinâmico para conseguires sair, nem para conseguires ficar bem, para conseguires inovar, para conseguires investir, para conseguires poupar. Para conseguires.

Quebrar a letargia da vida fácil

A mensagem do aparelho fazia caminho a cada dia. Fácil mesmo seria aceitar a sua mensagem da vida fácil. E facilitar-se-ia tanto a vida ao aparelho ao interiorizar-se a culpa…
A vida fácil do aparelho era o futuro de um país em que imigrasse quem pudesse chatear porque queria mais qualquer coisa da sua vida do que seria permitido e ficasse quem aceitasse ser pobre.
A vida fácil do aparelho era o futuro de um país em que o trabalho não tivesse direitos, em que o salário fosse tão baixo que não se consumisse quase nada por causa da balança comercial.
A vida fácil do aparelho era que essa balança fosse a receita da anorexia da maioria.
A vida fácil do aparelho era o futuro de um país pobre e com uma indústria massiva de caridade.
A vida fácil do aparelho era uma retórica antiga da pobreza decente abrindo porta, aberta ou veladamente, para a emigração.
A vida fácil do aparelho era o futuro de um mundo em que o aparelho seria a voz única que nos embalaria na sua letargia fácil. E até quando o desligássemos haveria de ser o eco da sua voz que continuaríamos a ouvir.
E, contudo, sentia algo que impelia a sair da vida letargia. Talvez a secreta esperança de derrubar a ditadura dessa difícil vida fácil.

Rijo

“O que não mata enrijece?” O filósofo Christopher Hitchens morreu. Uma notícia mais do que esperada já que fez da luta contra o cancro um tema de reflexão pública. Nas vésperas de morrer deixou uma reflexão sobre a dor e sobre a denegação contida na frase que se tornou senso comum: “o que não mata enrijece”. Pretendia “estar completamente consciente e acordado, para “fazer” a morte num sentido activo e não passivo” e desiludiu quem espera que deixasse cair o seu ateísmo em face da morte.

Terminou este texto escrevendo: “até agora, decidi aguentar o que quer que seja que a minha doença me atire e permanecer combativo até enquanto tomo conta do meu inevitável declínio. Repito, isto não é mais do que o que uma pessoa saudável tem de fazer em câmara lenta. É o nosso destino comum. Em qualquer caso, contudo, podem-se dispensar as máximas fáceis de que não estão à altura da sua facturação aparente.”

Acabou teimosamente a enunciar um programa filosófico. Foi lúcido e rijo até ao fim.

Democracia Corinthiana

com o devido atraso e a devida vénia

Desamarras - Rostos do Rendimento Social de Inserção no Porto



Para que serve o Rendimento Social de Inserção?
Financia a preguiça ou é uma medida socialmente útil e indispensável?
Que problemas e questões se levantam na vida de quem dele beneficia?
Estas são algumas das suas vozes.

Realização e produção de João Carlos Louçã, Nuno Moniz, Ricardo Sá Ferreira, com a colaboração de esquerda.net.

Projeção e debate:
Setúbal, dia 15 dezembro às 21h30 na Prima Folia, com Isabel Guerra.
Lisboa, dia 21 dezembro às 21h30 na Ler Devagar/Lx Factory, com Renato Miguel do Carmo.

Ruptura no Bloco: Ruptura fora do Bloco

Pronto, admito que já tinha o trocadilho pronto à espera de sair a notícia e que esta entrada é mesmo só para fazer o trocadilho....

O meu Sonho: Enriquecer com a Cultura

Afinal é possível fazer-se uma vida da cultura. Os sonhos concretizam-se, basta que acreditemos o suficiente. Já o dizia a Emilinha do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Ser-se acusado (e condenado) de ser responsável por irregularidades financeiras de 3,2 milhões de Euros na Companhia Nacional de Bailado não é impeditivo de se ser nomeado administrador do Teatro Nacional D. Maria II. E quem julga o contrário não passa de gentalha que nunca ouviu a Pedra Filosofal nem sabe quem é o Saci.

Radicais liberais junto a gangues de bancos perigosos

Ou se calhar percebi mal...

o bordel tributário da madeira

Entrevista de Ricardo Alexandre a João Pedro Martins, autor do livro «Suite 605: A história secreta de centenas de empresas que cabem numa sala de 100 m2».

Os preguiçosos

Tínhamo-nos já habituado a que as elites alemãs fizessem passar a ideia de que os portugueses, tal como os gregos, são calões. Mas, agora, um governante chinês tratou de alargar o estereótipo. Para ele, todos os europeus são mandriões, não querem trabalhar e vivem de papo para o ar na praia.

Alguns sentir-se-ão vingados ao ver os alemães assim enxovalhados e colocados ao nível tuga da indolência, procurando tirar a desforra possível face a Merkel e amigos. Aos olhos dos outros, somos todos preguiçosos.

Mas pode ler-se também aqui o que se revela e desvela sobre os preconceitos nacionalistas das preguiças alheias que justificam que, a bem da nação, haja cada vez menos direitos; sobre esta economia da baixa tendencial dos direitos dos trabalhadores; sobre a capacidade de penetração desse discurso da preguiça servido pronto a utilizar para que explorados/as o usem contra explorados/as (os desempregados não querem é trabalhar, os funcionários públicos têm um emprego mas não trabalham nada e por aí adiante); sobre a ideologia da preguiça como pecado capital contra o capital.

A crise acentua o discurso da exploração produtivista e moralista como se não houvesse alternativa.

Já no século XIX, Paul Lafargue procurava desmitificar a ideologia do trabalho defendendo “o direito à preguiça”. Numa sociedade que produz mais riqueza e bens de consumo que qualquer outra antes, continuamos longe do apelo que Lafargue repesca na frase de Lessing: “preguicemos em todas as coisas, excepto em amar e beber, excepto em preguiçar”.

Pois, no século XXI, estamos no patamar em que temos de voltar a lutar contra a ideia de isso do trabalhador ter direitos é uma coisa de preguiçosos.