Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Até já

Serei obrigado a interromper por uns dias as publicações regulares neste espaço. Regressarei assim que me seja possível. Até breve.

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Produções ®Aventar apresenta



O Aventar estreou-se na organização de um concurso de blogs assumindo "o objectivo de promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa". A primeira volta decorrerá até ao próximo dia 21, passando à fase seguinte, que se inicia logo a seguir, os cinco mais votados em cada categoria. Poderão participar clicando aqui.
O país do Burro foi escolhido para a categoria “Actualidade política (individuais)”, a segunda na ordem listada. Agradeço e retribuo a amabilidade.

O sindicato da troika

Menos segurança, menos estabilidade, menos protecção no emprego e no desemprego, mais dias de trabalho sem aumento proporcional de remuneração. Afinal, a meia hora adicional de trabalho diária foi uma manobra para agora Pedro Passos Coelho aparecer a fazer o V da vitória de braço dado com aquele que tinha andado num périplo pelo país com José Sócrates a apresentar o anterior retrocesso em matéria de legislação laboral. João Proença alega ter sido o acordo possível e, qual membro do Governo, diz que será positivo para o crescimento económico e para o emprego.

O traidor, exactamente como o seu novo colega e chefe, conta com a passividade dos sindicalizados na UGT para prestar estes serviços ao patronato que não representa: a UGT não pagará esta traição com uma debandada dos seus sindicalizados, da mesma forma que estas traições têm um impacto reduzido nos resultados eleitorais dos partidos seus autores. Quando sairmos à rua, gritaremos pelo que não queremos perder, contra este passo rumo à semi-escravatura, contra o Governo, mas também contra a UGT.

Será importante perceber o que é que João Proença e Passos Coelho assinaram. Destaco três aspectos: uma cláusula de inadaptação sem alterações tecnológicas que é um cheque em branco à arbitrariedade; uma penalização de índole moralista de dois dias de salário para quem falte no dia antes ou no dia depois de um feriado ou fim-de-semana que é, simultaneamente, a legitimação inconstitucional do roubo da remuneração de um dia trabalhado e a limitação da acção sindical pelo custo que torna proibitivas as greves nos dias referidos; e, finalmente, para mim um dos aspectos mais sintomáticos de todo este processo, as entidades empregadoras deixarão de ser obrigadas a fornecer à Autoridade para as Condições de Trabalho os horários de trabalho dos seus trabalhadores, o que, em termos práticos, resulta em milhares de horas de trabalho suplementar não pagas, um abuso contra o qual a fiscalização nada poderá fazer. Só faltou acordarem sobre o levantamento da obrigatoriedade a quem viva do seu trabalho de ter que comer todos os dias, mas este efeito está implícito no fomento da redução generalizada de salários que é transversal a todo o documento. A democracia estrebucha assim.

O Pedro pôs um mercado a funcionar

Há um grupo socio-profissional que parece ter acolhido bem a sugestão de emigrar do Govern. Cerca de 500 profissionais de saúde portugueses estão dispostos a rumar a França e mudar de vida, de acordo com as candidaturas recebidas pela Arrime (associação para a procura e instalação de médicos europeus). Esta associação de recrutamento está em Lisboa até quinta-feira à procura de médicos e técnicos de saúde que queiram um posto de trabalho em França. Temos médicos a menos e, como toda a gente, estes têm falta de pachorra para aturar isto. Também a eles o Governo andou a piorar-lhes as condições de trabalho. Não costuma ser assim, mas, como atesta o exemplo, o mercado às vezes funciona. E nem sempre é bom que funcione tão bem.

Silêncios cúmplices


No filtro dos média nacionais, ao serviço da causa da paz, não passa a notícia, mas a verdade é que na Roménia protesta-se. E protesta-se contra quê? Contra o que haveria de ser. Contra aquilo que estes silêncios tentam proteger. Contra a santa austeridade, contra o terrorismo de Estado e contra os atentados à democracia, claro. Ler aqui. Na Hungria, o cenário é o mesmo. Ver aqui.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Mesmo a calhar

A antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o advogado e ex-professor universitário João Pedroso vão ser julgados por prevaricação nas Varas Criminais de Lisboa. Em causa está o facto de a ex-governante, actual presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), ter, no exercício das suas funções, estado envolvida na contratação do irmão de Paulo Pedroso para o “beneficiar patrimonialmente”, provocando desta forma um “prejuízo para o erário público”, alega o Ministério Público. O crime é punido com pena de prisão entre dois e oito anos. A notícia é dada quando o Governo, entre outras atrocidades, se prepara para liberalizar os despedimentos criando a figura da inadaptação sem alterações tecnológicas, por mera avaliação da entidade empregadora. E, como é sabido, em Portugal os patrões têm habilitações médias inferiores à média dos trabalhadores. Não é difícil de imaginar a avalanche de arbitrariedades que será gerada com esta tipologia de patrão com plenos poderes na mão. Para além do mais, e voltando à notícia, toda a gente sabe que isto está cheio de Cândidas.

Conforme rezava o guião

“Será lógico que comecemos agora a ouvir o lixo a dizer mal do lixo que até aqui foi um deus que tinha sempre razão. O lixo vai desesperadamente tentar varrer para evitar ser varrido. E seria muito mais útil que, em vez de alinhar em jogos florais que nada nos beneficiam, o nosso lixo doméstico aproveitasse esta deixa para reivinindicar outro caminho para Portugal que não a imposta - e mais do que obedientemente aceite - austeridade que nos destrói a cada dia que passa.” Escrevi-o no passado Sábado, logo a seguir a um responsável da S&P ter justificado o novo downgrade do rating de Portugal com a austeridade e a falta de estratégia das lideranças europeias. E cá está. Passos Coelho diz que a S&P usou o corte para fazer política. Os cortes anteriores foram usados para fazerem o quê? Para imporem uma agenda política de austeridade. A austeridade que usam para enriquecer uma minoria empobrecendo a maioria e que, precisamente por esse motivo, não querem abandonar.

Meias tintas

O constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia considera que o corte unilateral de direitos dos trabalhadores como o salário ou as férias “é inconstitucional”, para a seguir dizer que defende que em “tempos de crise” deve haver alguma flexibilidade. Onde é que na Constituição da República Portuguesa vêm estes “tempos de crise” que flexibilizam o "in" das inconstitucionalidades? Não disse: não está lá. Uma coisa é apreciar a constitucionalidade de uma lei, outra, bem distinta, é ter vontade ou achar conveniente que ela seja constitucional. Perguntaram-lhe sobre a constitucionalidade. Respondeu sobre ambas.

Estes camaradas

Um blogue de referência, o 31 da Armada, critica um jornal de referência, o Público, pelas contas feitas quanto à comparabilidade entre as nomeações de Passos Coelho e as de José Sócrates nos primeiros sete meses de governação. Nenhuma das duas referências - e uma delas até teve direito a réplica da outra - alude ao facto de as leis orgânicas dos ministérios, reduzidos pela demagogia para mostrar poupança à populaça, terem sido publicadas muito recentemente e delas dependerem as nomeações. Talvez não seja importante para as brasas, respectivamente, da douta vassalagem e da venda de notícias-choque, mas aqui fica este detalhe de referência com pretensões assumidamente descontaminantes.


Recentrando a questão: Sócrates fez muitas nomeações, Passos fez muitas nomeações e, apesar de nada se ter alterado quanto à instrumentalização da Administração Pública pelas clientelas partidárias, há quem - e logo estas duas referências - se entretenha a fomentar o debate estéril em torno da disputa entre quem nomeou mais e quem nomeou menos, para que continuemos cada vez mais na mesma. Ambos nomearam muito, demasiado, e nenhum é melhor porque o outro foi - ou é - pior. Muito obrigado pela preferência.

Gostei de ler: "Reformar as reformas"

«A opinião de que as reformas no nosso país se têm de realizar, dir-se-ia necessariamente, contra as “corporações” dos sectores visados é, sem a menor dúvida, uma das mais arreigadas entre nós. Por isso, qualquer novo governante que a si mesmo se atribuiu “intuitos reformistas” – obsessão comum a muitos deles, sobretudo na área da Educação (porque será?…) – e que quer que os mesmos lhe sejam reconhecidos e creditados, tem que começar por “pôr na ordem” a “corporação” que lhe coube em sorte. Sócrates foi muito provavelmente o político que, entre nós, no regime democrático, levou tal desiderato mais a peito, tendo em MLR o braço eleito da sua “vontade reformista”.
Esta ideia é politicamente tão correcta, atractiva e útil que qualquer governo que se preze tem que ter umas “corporações” à mão para se justificar ou salvaguardar em quaisquer circunstâncias (“tínhamos boas soluções, os poderes corporativos é que não nos deixaram…”).
De resto, essa opinião já conquistou o seu lugar e expandiu-se nas iluminadas meninges dos comentadores da nossa praça. Também eles procuram logo precaver-se e municiar-se com o seu “conflito corporativo” para lhes poupar o trabalho de procurarem outras explicações para os problemas que assolam a pátria. “O país é ingovernável e chegou a este ponto por causa dos bloqueios corporativos”, e pronto, está tudo dito e esclarecido. Atacar toda e qualquer “corporação” – e para a docente há sempre aquela “atenção especial”… – tornou-se o lema predilecto dos aspirantes a “salvadores da pátria”.
Explicar a todos esses visionários que essa concepção reformista mais não reflecte do que uma tradição política autoritária e paternalista e a ausência de uma cultura de co-responsabilização, onde se prefere impor no lugar de dialogar e negociar, onde se opta por decretar em vez de pensar e planear, onde se gosta mais de improvisar do que de ensaiar e experimentar, onde se privilegia a medida de curto prazo e se desiste perante o projecto estratégico e de fôlego estruturante, onde se acha que é melhor dividir para poder reinar, explicar isto a essa gente, a toda a gente, é tarefa tão difícil quanto necessária.
Governar um país em “petit comité”, ouvindo primeiro os correligionários, consultando sempre os mesmos “especialistas de gabinete”, privilegiando os representantes institucionais ou tutelares, considerando os actores no terreno uma “força de bloqueio”; tomar as reformas como um fim em si mesmas, um ponto de chegada voluntarístico, e não como um ponto de partida: tais são os eixos em torno dos quais se move o círculo vicioso da nossa governação.
Olhando para trás e observando o “cemitério de reformas” que são alguns dos nossos ministérios – mormente o da Educação -, teremos que nos interrogar se tantos falhanços acumulados não se ficarão a dever, sobretudo, ao facto de não se ter sabido ou querido conquistar os respectivos funcionários para essas reformas, de se ter partido da ideia feita de que eles são o principal obstáculo a remover, de que eles são o preço a pagar por elas. E o que dizer então do preço que o país pagou por essas reformas frustradas?…» – Paulo Guinote, no A Educação do meu Umbigo.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

A laranja será mesmo redonda!?



Foi Secretário de Estado no governo de Durão Barroso e um dos responsáveis pela administração da sociedade que controlava o BPN e não avisou o Banco de Portugal quando encontrou fraudes. Não haveria ninguém com um curriculum mais indicado do que Franquelim Alves para ser nomeado como o novo gestor do COMPETE, o programa de incentivos às empresas que dispõe de 5.500 milhões de euros, mais 1.000 milhões do que o que o país vai pagar pelo buraco do BPN. Para quem não queria acreditar, e apesar dos esforços para manterem os portugueses informados, como o da imagem junta, vai-se confirmando todos os dias: a laranja é mesmo redonda.

Orelhas de Burro

Kurt Vile - "Baby's arms"

Mais terrorismo de Estado

É mais um esforço legislativo de promoção da descida generalizada de salários. De acordo com a proposta do Governo, que será discutida na segunda-feira com os parceiros sociais, “os desempregados que aceitem uma oferta de trabalho cuja remuneração seja inferior à da sua prestação de subsídio de desemprego” terão direito a “50% do subsídio de desemprego durante os primeiros seis meses (...) ou a 25% do subsídio de desemprego durante os seis meses seguintes”. Para além da pressão exercida pela escassez de oferta de empregos, os empresários vão contar com um incentivo estatal - pago pelos malandros - para convencerem os novos contratados a abandonarem a sua zona de conforto e a aceitarem uma remuneração inferior a colegas que desenvolvam exactamente a mesma função mas que tenham sido contratados anteriormente. Numa fase seguinte, chegará a vez destes serem confrontados com a tremenda injustiça de ganharem mais do que os novos e com a redução das indemnizações por despedimento a que têm direito, alcançando-se, então, a harmonização salarial que trará de volta a justiça e a paz. Estes neoliberais são incomparavelmente melhores do que os comunistas que, à excepção dos membros mais ilustres do partido,, condenavam toda a gente a um salário tão igual como ínfimo. Estes capitalistas têm os seus comités Catroga, é bem verdade, mas pelo menos não comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Para ver com olhos de ver


Eis uma excelente reportagem sobre um grupo populacional que tem estado na mira da loucura furiosa da demagogia que faz da estigmatização da pobreza extrema uma das suas estratégias para desviar os olhares das fortunas que se fazem na penumbra. Ainda há muita gente convencida de que a resolução dos problemas do país passa por retirar a estes rostos as poucas migalhas que lhes conferem o mínimo dos mínimos de dignidade e de sobrevivência, direitos fundamentais que a nossa sociedade tem o dever de assegurar. Há mais de 1 em cada 5 portugueses em situação de pobreza. Destes, muitos trabalham. Outros, como se vê no filme, estão numa situação de tal forma extremada que ninguém os aceita para trabalhar. Se a política serve para alguma coisa, o RSI é um dos instrumentos para combater este que, sim, é um grande problema. Um problema que deve inquietar-nos a todos e que de forma alguma se resolve com esmolas ou com falsos moralismos.

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Temos que varrer o lixo, dizem as agências de rating

A título de justificação pela razia de ontem, o chefe da divisão europeia da Standard & Poor's para a dívida soberana, Moritz Kraemer, afirmou hoje que a resposta dos líderes europeus à crise da dívida soberana "não está à altura" dos riscos. Merkel é lixo, Sarkozy é lixo e mais lixo ainda é quem aceita obedecer cegamente ao que o lixo se lembre de mandar. Nós já sabíamos que eram todos lixo. Agora, também sabemos que as agências de rating sabem o mesmo: é tudo lixo. Um lixo que, ao transferir soberania - que continua sem retirar - para estas associações de benfeitores, se pôs a jeito para passar por este vexame.

Será lógico que comecemos agora a ouvir o lixo a dizer mal do lixo que até aqui foi um deus que tinha sempre razão. O lixo vai desesperadamente tentar varrer para evitar ser varrido. E seria muito mais útil que, em vez de alinhar em jogos florais que nada nos beneficiam, o nosso lixo doméstico aproveitasse esta deixa para reivinindicar outro caminho para Portugal que não a imposta - e mais do que obedientemente aceite - austeridade que nos destrói a cada dia que passa.

Quem manda aqui

A Justiça nada faz para travar o passo à economia do abuso. Aproveitando esta suspensão do nosso Estado de direito, a Nanium, ex-Qimonda, vai retirar, este ano, cinco dias de férias a pelo menos 250 trabalhadores. A empresa justifica a medida com a necessidade de se adaptar ao aumento em meia hora/dia de trabalho no sector privado, apesar desta ser ainda apenas uma intenção do Governo e não haver suporte legal. Aqui está mais um exemplo de como o ordenamento jurídico português deu lugar à lei do mais forte. Mandam agora os fora-da-lei. Isto não vai terminar bem.

Os mercados nunca se enganavam

Já lá vai o tempo em que apenas os países da periferia eram desclassificados pelas agências de rating. Os países do centro, mormente a Alemanha e a França, insistiram na receita austeritária e em confiar ao mercado poderes da esfera estritamente pública, permitindo à especulação plena liberdade para inflacionar os juros que lhes engordam a riqueza. Como tal, não será surpresa nenhuma que a Standard & Poor’s tenha feito uma autêntica razia nas notações de 9 países da zona euro, abrindo caminho a novos filões mais a Norte. A bomba que permitiu a imposição da agenda política de desmantelamento do Estado social em países alegadamente preguiçosos e indisciplinados rebenta-lhes agora nas mãos.
O destaque vai inteirinho para a perda do triplo AAA da França, que põe Sarkozy em maus lençóis em vésperas de eleições, marcadas para daqui a três meses, porque é daqui que pode surgir uma inflexão no descalabro europeu caso os franceses percebam que também a França vai com toda a certeza perder se reconduzirem no poder o Presidente responsável pelas (não) decisões políticas que estão a fazer a França resvalar para a gula dos mercados.
Portugal alcançou o seu triplo lixo. Parece que os mercados não têm medo das avalanches de e-mails que dizem “eles vão ver com quem se meteram”. A estratégia de Passos Coelho da figurinha do bom aluno que se ajoelha sempre que lhe parece que vai agradar decididamente apenas convence quem quer deixar-se convencer.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Aulas práticas sobre voto útil: justiça fiscal


A maioria PSD/CDS chumbou hoje as propostas do Bloco de Esquerda e PCP que pretendiam impor uma tributação a empresas que deslocalizem os seus capitais para países com regimes fiscais mais favoráveis, um esquema utilizado por 19 das 20 empresas do PSI-20 que resulta numa injustiça fiscal que sobrecarrega os rendimentos do trabalho e encolhe receitas tão necessárias para financiar serviços públicos. O PS, como é óbvio, absteve-se. Os politiqueiros preferem entreter-se com assuntos da moda, como a nomeação de boys, tão do seu agrado quando são poder e se invertem os papeis, até porque o cidadão comum tem memória curta e, quando chega o dia de votar, não costuma valorizar temas tão pouco importantes como o da justiça na economia e o de quem defende os interesses de quem: “os políticos são todos iguais”, nem que não sejam, como é bom verificar novamente que não são.

Ainda melhor


Em vez da meia hora diária de trabalho adicional, que corresponderia a um acréscimo no tempo de trabalho de 6,25 por cento, um roubo por não ter correspondência equivalente em remuneração, os patrões reclamam agora o direito a poder reduzir salários em 20 por cento. É cada vez mais claro que a resolução dos problemas de competitividade do país passam pelo aproveitamento da imaginação destes amigos do alheio. Competitividade hoje confunde-se com exploração. E não são bem bem bem a mesma coisa.

E é para quem quer

O mesmo Estado, leia-se, o mesmo Governo, que, como vimos ontem, não tem qualquer preocupação em tornar acessível a todos o instrumento de comunicação institucional com os seus cidadãos, como manda a Constituição da República Portuguesa, obriga aqueles que exclui com tal negligência grosseira a uma complicada sucessão de tramitações burocráticas que culmina no pagamento de 50 euros pela renovação de atestados de incapacidade obrigatórios para poderem usufruir dos poucos benefícios que lhes são concedidos, mesmo que no atestado anterior se leia que a incapacidade de que são portadores é permanente e irreversível. Esta não é a marca Portugal que querem vender ao mundo: envergonha-nos como país. Ler e ouvir aqui.