Mostrar mensagens com a etiqueta mitomanias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mitomanias. Mostrar todas as mensagens

Sexta-feira, 4 de Março de 2011

Desfazendo mitos: o de Kadhafi «resistente» e o de «guerra civil»

«Robert Fisk: The historical narrative that lies beneath the Gaddafi rebellion» (The Independent)

Sábado, 5 de Junho de 2010

Dez mandamentos do emigrante semibárbaro (2)

2 – Não adorarás imagens esculpidas, só ídolos de futebol. Em carne e osso. De preferência portugueses. Até à milésima geração.

Manuel da Silva Ramos,
Três vidas ao espelho, P. D. Quixote, 2010, p. 206.

Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Recapitulando, e enquanto persistem as cinzas do vulcão que não me deixam voltar para o lar, doce lar:

«Santo António é nosso, reclama o Presidente da República»

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Abaixo o abandalhamento dos super-heróis!

Soube-se hoje que uma famosa empresa de entretenimento para crianças adquiriu os direitos sobre um portefólio muito especial, o dos super-heróis da Marvel.

Eu, que pensava que este Olimpo se reduzia a um lote especial duns 20 fantásticos, fiquei a saber que afinal o Olimpo Marvel tinha espaço para 5 mil cromos. 5 mil?!

Isto quer dizer que praticamente qualquer um de nós pode ser super-herói... Não é capaz de ser demais?

E, depois, este detalhe: o que é que a Disney vai fazer com este cardápio interminável, digno duma daquelas enciclopédias que ocupam meia biblioteca? Um jardim de estatuetas, como o Joe Berardo fez algures no Bombarral? E demorará quantos dias a percorrer?

Que exagero, abandalharam o heroísmo. Mesmo que fosse de papel, merecia outra sorte.

Sábado, 15 de Agosto de 2009

Conversa de chacha, versão hi-tech

A verborreia na era tecnológica: últimos resultados (versão original aqui).

É tão chacha que a própria palavra do linguajar lusófono já foi canibalizada.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

No tempo em que as pin-ups eram bem generosas

Após as revelações discretas de Verão passado, confirma-se que a Vénus mais antiga de sempre é 'alemã'!
Tem 35 mil anos mas mantém a silhueta original. Destrona assim a Vénus de Willendorf, com c.28 mil anos, e descoberta na Áustria em 1908.
Chama-se Vénus de Hohle Fels, pois foi recuperada na gruta homónima e, tirando as formas dominantes, nada parece ter mudado quanto ao gosto pelas representações sexuadas. Passa a ser a representação mais antiga de arte figurativa de que se tem conhecimento. Estas figuras, esculpidas em pequenas estatuetas, estariam associadas a crenças de fertilidade e/ou a rituais xamânicos. Um estudo científico detalhado vem hoje publicado na revista Nature e é da autoria do arqueólogo Nicholas J. Conard, da Universidade de Tubinga (Alemanha). Video com depoimento do autor aqui.

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

A Gazeta da Semana apresenta: crónicas do antigamente


cartoon de GoRRo (c) 2009

Como a imagem é das antigas, para uma melhor visualização é favor clicar na dita cuja.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Lugares fora do tempo


Imerso na bruma salazarenta, o edil de Santa Comba Dão voltou à carga, desta feita para inaugurar a «requalificação» da Praça António de Oliveira Salazar em pleno 25 de Abril. Ou seja, uma praça atada ao nome dum dos ditadores mais lapa de sempre vai ser objecto de festividades no dia dedicado à Liberdade em Portugal. Só o dito cujo acha que isto não é uma provocação gratuita, pretextando que o «Botas» é filho dilecto da terra e que já atingimos a «maturidade política».
Em 2007, deu-lhe a morbidez dum Museu Salazar. Não satisfeito com o delírio, queria ainda que a conservação dos tarecos do «Manholas» fosse à mama do Estado central.
Das duas uma: ou o exmo. edil é um oportunista procurando surfar um ensimesmado eleitorado de direita conservadora e reaccionária; ou está completamente obcecado com fantasmas.
No coração do outrora Cavaquistão, a direita continua colada ao pior de si mesma: má consciência face ao legado ditatorial; complacência (senão apoio) aos caciques, da paróquia à nação; apego aos localismos doentios; populismo cultural; falta de criatividade e de pluralismo; e, por fim, um duvidoso gosto kitsch, que liga alegremente tiranete com porco e tuna, como quem liga tremoços com trufa.
Já as aldeias-berço de Mussolini e Franco se haviam prendido a um saudosismo mórbido e fedorento (só recentemente Ferrol se livrou deste karma). Parece um fado geográfico. E histórico: diz agora que o cromo «faz parte da história»: nesse caso, revolucione-se a toponímia, há mais tiranos na caderneta. No fundo, no fundo, está tudo na imaginação dos homens. Ou melhor, na falta dela.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

A passerelle do centralismo

O novo Museu dos Coches tornou-se no caso do ano na Cultura, por 2 razões interligadas: a ausência duma política cultural com visão e o laxismo na gestão do erário público.
No sector museológico português, os museus que deviam estar no topo das prioridades são os de Arte Antiga, do Chiado/arte contemporânea e de Arqueologia. São estes que, pelo seu valor patrimonial/ cultural e as graves carências que têm, mereciam ser o alvo prioritário duma política cultural pública. O 1.º precisa de alargamento e mais recursos (ou mesmo, dum museu de raiz); o 2.º espera há anos por uma expansão para o espaço ocupado pela PSP; o 3.º deveria ser expandido nos Jerónimos, onde está há 100 anos (ou ter direito a um museu de raiz). Isto mesmo é dito por vários peritos em museologia (daí a petição lançada para se repensar este processo), inclusivé pelo actual dir. do Instituto de Museus e Conservação ("Bairrão Oleiro acha que não há outro museu que justifique um edifício de raiz, mas há outros que precisam de uma ampliação, como o Museu do Chiado, o Museu de Arqueologia e o da Música"). A isto, João Neto (pres. da Associação Portuguesa de Museologia e subscritor dessa petição) aditou o seguinte: "Aquilo de que necessitamos é de um espaço destinado a grandes e boas exposições temporárias temáticas, feitas pelos museus portugueses, num trabalho de coordenação, e que possam ser exportadas da mesma maneira que nós importamos grandes exposições". Para nada disto servirá o novo museu: não foi pensado para o efeito, nem a sua direcção está interessada, como assumiu Silvana Bessone.
Entretanto, foi lançada uma contra-petição, assaz corporativa (iniciativa da Ordem dos Arquitectos e inicialmente subscrita quase só por arquitectos), em desagravo da proposta do novo Museu dos Coches. Há aqui um grande equívoco: ninguém questionou a validade dessa obra arquitectónica (2.ª versão, sem silo automóvel) do arq.º brasileiro Paulo Mendes da Rocha (dadas as suas credenciais, a maqueta e as avaliações entretanto surgidas, e pese não ter havido concurso público internacional). Já descabida é a ideia de que tal obra será "se calhar, sobretudo, um projecto urbano numa área da cidade que está expectante e degradada". Mas qual área "expectante e degradada"?! Aquela zona é a coqueluche do turismo cultural no país! É a passerelle do poder central desde os tempos da expansão ultramarina, e, sobretudo, desde que o Estado Novo a adoptou para a sua estetização da política e exaltação imperial. Foi nos idos de 1940, e, entretanto, até o regime democrático quis deixar lá a sua marca: foi o CCB de Cavaco Silva e do tempo das vacas gordas, em que as «derrapagens» nas obras públicas se tornaram moda. Foi ainda com Cavaco Silva e Santana Lopes como responsável pela pasta da Cultura que surgiu a ideia dum novo Museu dos Coches... Cavaco Silva, agora PR, nada diz sobre o assunto, apesar da audiência com os autores da 1.ª petição...
Entretanto, dois dos promotores da 1.ª petição, com provas dadas na política cultural, lançaram uma ideia de compromisso que deveria ser reflectida pelos decisores políticos: o arqueólogo Luís Raposo (director do Museu Nacional de Arqueologia) e Raquel Henriques da Silva (historiadora de arte e ex-dir. IPM) propõem a reformulação funcional dos 2 edifícios do projecto de Mendes da Rocha: o principal poderia ser adaptado a um Museu da Viagem (evocativo da "diáspora portuguesa em toda a sua extensão temporal"); o 2.º edifício, mais pequeno, seria afecto ao Museu dos Coches para "ampliação dos espaços expositivos", mas mantendo-se "o conjunto mais emblemático" no antigo Picadeiro Real. Ademais, sugerem um levantamento do parque museológico e monumental da zona de Belém, com vista a um "plano integrado de valorização de cada peça e do seu conjunto" (p.e., para potenciar circuitos integrados, via "percursos pedonais, bilheteiras comuns, navette de ligação gratuita" para portadores de ingressos nos museus ou monumentos). Instam ainda à "reabertura do Museu de Arte Popular no seu lugar próprio"; à inserção do Museu Nacional de Etnologia na "rede"; à extensão do da Marinha a poente e para a Cordoaria Nacional; e à ampliação do de Arqueologia nos Jerónimos (vd. aqui).
Haja sensatez para reflectir nos argumentos dos críticos. O interesse público sairia a ganhar. A tradição sobranceira do poder, porém, não dá muita esperança. Como se viu com mais este caso, o poder central gosta de se exibir, e quanto mais espampanante e expedita for a solução, melhor. É a lei não escrita do umbiguismo do poder, do fausto, que por cá tem uma larga tradição...
PS: 5 prós e contras das 2 posições podem ser vistos aqui; cartoon de GoRRo (c) 2007-9.

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

O pistoleiro do Texas teve direito a um sapatinho na prenda

Aforismos de hoje para a eternidade, por dá cá aquela palha! Enfim, o mais importante é que o cromo está de abalada e que aqui fica um excelente cartoon de despedida, «Queen Elizabeth & King George». A sr.ª do retrato é que é capaz de demorar um pouquito mais a sair de cena (os paleontólogos hoje fazem maravilhas), mas isso é problema exclusivo dos britânicos. A sua autora, Ann Telnaes, é editora de cartoons no Washington Post, tendo sido a segunda mulher a ganhar um Pullitzer nesta área, em 2001. Então, boas festas a todos os nossos leitores e amigos, e cuidado com a fava do bolo-rei...

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

O galo de Barcelos e outras histórias...

Sendo o galo de Barcelos um dos ícones da portugalidade, é curioso como tão pouco se sabe sobre a sua criação, enquanto peça artesanal e enquanto símbolo. Sim, porque isto de criações, mesmo na vertente mais longue durée da cultura popular tradicional, tem uma origem, por muito longínqua ou vaga que ela possa ser.
Não, não estou a referir-me à lenda sobre o galo de Barcelos, mas sim à fixação desta figura do artesanato popular como ícone da portugalidade. Foi o salazarismo que o consagrou (naquele formato padronizado a preto e encarnado, com um coração inscrustado a pontilhado e base azul desmaiado, repetido ad nauseum), anexando-o ao seu programa de nacionalização e domesticação de aspectos «castiços» do folclore português. Na euforia nacionalista dos «magriços» de 1966, o galo de Barcelos foi vestido de cavaleiro medieval, calçado com chuteiras e de bola nos pés, como relembra Ana Santos. Em pleno PREC, os anarquistas desmontaram o ícone no seu cartaz «Ruim por ruim... vota em mim!...», figurando um exemplar atazanado. Há quem se lhe refira como um falso emblema nacional, mas a renovação do artesanto local por artistas populares como Rosa Ramalho, irmãos Baraça, Mistério e Júlia Côta, entre outros, permitiu que ele não ficasse refém dum estereótipo nacionalista, embora o comércio prossiga na sua uniformidade cansativa e, agora, transfronteiriça (o made in China tem sido o quebra-cabeças dos de Barcelos).
Há uns anos atrás, deparei-me com um artigo que falava da invenção deste ícone na I República. Infelizmente, não consigo localizar esse texto, mas não é de surpreender a datação, pois esse foi um período de redescoberta e reinvenção dum país com base nalgumas das suas tradições, costumes, gentes, monumentos e paisagens, fosse numa perspectiva mais de esquerda ou de direita. A título de exemplo, veja-se o Guia de Portugal, lançado por Raúl Brandão.
Vem este arrazoado a pretexto do último programa televisivo Câmara Clara, onde falaram dois peritos em museologia, Joaquim Pais de Brito e Raquel Henriques da Silva.
O tema era museologia e, a dada altura, saltou-se para o Museu de Olaria, onde está patente, até 2010, a mostra antológica «Rosa Ramalho: a colecção», dedicada à famosa artista popular barcelense.
O Museu da Olaria tem um grupo de amigos, a Amimuola, a exemplo dos Amigos do Museu do Trajo, de S. Brás de Alportel, e doutros. Este tipo de associações são um fenómeno novo, pois antes era exclusivo dalguns museus nacionais, como o MNAA ou a Cinemateca. São uma boa ideia, pois ajudam a promover estes museus locais e, desse modo, o próprio desenvolivmento local.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Demasiado humano

O badalado documentário de Kusturica sobre Maradona teve ante-estreia em Portugal no passado sábado, quase a fechar o DocLisboa.
O realizador sérvio avisa no filme que vamos ver 3 Maradonas, o profe da bola, o cidadão anti-Bush e o homem de família. Faltou aditar um 4.º Maradona: o Maradona-Kusturica. De facto, no início teme-se o pior: uma ego-trip do cineasta, como se fosse um documentário sobre uma relação e não sobre uma pessoa. Aos poucos, o realizador-entrevistador vai dando mais espaço ao protagonista, mas ainda assim exagerando na sua presença (não só física, também 'espiritual', através de constantes comentários off e on e de excertos de filmes seus inscrutados no documentário, à guisa de paralelo com a vida de Maradona).
Esta atitude vai a contracorrente da filmografia kusturicana, centrada nas personagens, em muitas personagens, e toda ela ficcional. Tal contraste contraproducente acaba por penalizar este filme. Nota-se que Emir, como lhe chama Maradona, não está à-vontade no documentário, e que quis imitar um mestre do género, Michael Moore. Erro óbvio: Moore é assumidamente provocador e não faz Biografias (nesse particular, limita-se a dar a voz às histórias que as pessoas lhe querem contar). Por outro lado, descuidou a pesquisa, cuja lacuna mais evidente é a falta de referências à passagem de Maradona por Nápoles, afinal uma das partes mais importantes da sua vida e carreira. Uma visita recente de El Pibe a Nápoles é o único registo, e, ainda assim, focando-se na recepção alucinada de tiffosi e simpatizantes.
Dito isto, o documentário tem vários motivos de interesse, sobretudo na ligação entre futebol e política. Desde logo, permite rever alguns dos melhores golos da história do futebol à luz do enquadramento dado pelo entrevistado. Aqui, destaca-se a vitória da selecção argentina sobre a Inglaterra no Mundial de 1986, apresentada como a desforra simbólica dos mais fracos sobre os poderosos, os imperialistas. O mote está dado. A mensagem de Maradona é muito política, vem de ter vivido entre os pobres, mas também de ter visto as injustiças no mundo, entre nações. É curioso verificar, porém, que a Guerra das Malvinas a que alude deveu-se ao delírio nacionalista duma sanguinária ditadura militar, por muito compreensível que fosse a reivindicação desse território por parte da Argentina e por muito brutal que tenha sido a resposta inglesa.
El Pibe condensa um certo imaginário latino-americano de esquerda e anti-imperalista, e admite-o abertamente, o que é raro entre os futebolistas de hoje. Fã de Che Guevera e Fidel, de quem fez tatuagens no corpo, diz que este último é o único político decente que conheceu, pela defesa firme que faz do seu povo. O Maradona cívico surge ainda ao lado de Chavez e Morales, numa grande manifestação anti-Guerra do Iraque. E na chamada de atenção para o marco de viragem que foram os motins no Mar de Plata, contra os acordos ALCA. O ataque cerrado contra a política belicista e unilateralista do consulado Bush aproxima-o de Kusturica, lixado com a política ocidental quanto à questão do Kosovo, apesar de se assumir como pró-ocidental (no contexto duma Sérvia belicosa e eslavófila, mas também abalroada por uma geopolítica implacável).
Já o Maradona íntimo foi mais difícil de abordar. A sua viciação na cocaína e as recaídas implicaram o seu alheamento parental e marital, algo apresentado como uma mágoa e frustração irreversível. O que é dito e mostrado a este respeito evidencia como os ídolos também são feitos da mesma massa do comum dos mortais. Neste aspecto, a parte relativa à Igreja Maradoniana é, sobretudo, um pretexto para parodiar os excessos das mitomanias, das idolatrias.
No fim, vem um dos melhores momentos do filme, Manu Chao cantando a Maradona a vida deste ("Si yo fuera Maradona"), e, também, cantando para nós todos - "La vida es una tómbola"... No fim, fica um homem cujo dom para a arte da bola, e cujo temperamento e personalidade, o tornaram uma fonte de sonhos para muitos outros. Capaz de os fazer sonhar, capaz de os tirar da normalidade rotineira e alienante do dia-a-dia dos nossos tempos.
Ao fim de 3 atribulados anos, Kusturica conseguiu acabar o documentário sobre um dos seus ídolos. Ao fim de muitos mais conseguiu Maradona realizar um sonho antigo: o de ser seleccionador nacional da Argentina, notícia hoje dada pelos media. Boa sorte para ele, desde que não vença Portugal (se lá chegarmos, claro).

Sábado, 23 de Agosto de 2008

Reconhecimentos devidos

Aqui fica uma lembrança da honesta participação olímpica portuguesa, em jeito de reconhecimento e como recusa do chorrilho de críticas despropositadas com que os trauliteiros tugas investem regularmente o espaço público (e nada mais tenho a acrescentar, o essencial vem no post do André Belo, links incluídos).
E, já agora, Gustavo Lima, não desistas de dar corda a esse talento de andar no mar alto sem ter que pagar bilhete da Transtejo.

Fonte: A Bola (vá lá, ainda há jornais desportivos indígenas que, de vez em quando, não destacam só o futebolês). Pois, porque o Record insistiu em manter como manchete o inenarrável folhetim xaroposo à volta dos futebolistas da Liga nativa...

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Como é que se pode dar uma queca a pensar no Papa?

É fácil, basta ser-se católico convicto e, ainda assim, usar-se o preservativo. Ou, na versão ortodoxa light, achar que se pode fazer uma interrupção na operação antes do fogo-de-artifício. E por aí fora...
O título glosa um dos gagues da comédia teatral «Coçar onde é preciso», de José Pedro Gomes, ontem transmitida pela RTP1.
Não tive a oportunidade de ver a peça em 2005, quando correu os palcos do país, mas ela mantém toda a frescura. O texto ajuda, pois é 'intemporal': tudo gira em torno do que é ser "portuga". Desde as burocracias na Loja do Cidadão, passando pelos mirones, as tabuletas, o amor e a velhice.
A mim, fez-me lembrar alguns momentos desse inesquecível «O que diz Molero», também interpretado por José Pedro Gomes, além do António Feio.
Foram 90 minutos de deleite por um grande one man show. Tomara que regresse com outra peça assim.
PS: aqui fica mais informação numa reportagem de 2005.

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Como o povo amava os seus reis....

...amava-os tanto que até fizeram uma revolta republicana, há precisamente 117 anos. Assaltaram o antigo edifício da Câmara Municipal do Porto ao som da Portuguesa, subiram à sua varanda e saudaram a população que entretanto aí se tinha juntado. De seguida, foram suavemente reprimidos: alguém lhes terá feito saber, de forma civilizada como é apanágio das monarquias liberais (tradução: com canhoada, prisões e fecho de centros republicanos), que nestas reinava a ordem perfeita, com breves acidentes de percurso devidos à insanidade de uns quantos lunáticos, mas sempre no bom caminho - raramente duvidando e nunca se enganando.
Como esta intentona não saiu vitoriosa, os malandros voltaram a reincidir, em 1908 e em 1910. Tiveram o desplante de se insurgir, entre outras coisas, contra um decreto do ditador João Franco (colocado no poder pelo mimoso D. Carlos I) que lhe conferia poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar (sem processo judicial) qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo ou de mera insubmissão ao regime e ao governo. E não é que, da última vez, conseguiram vencer, co'a breca? Pior, desfizeram-se dos monarcas, que tanto carinho e rebuçados dispensavam ao povoléu, parece impossível. Pobres e mal agradecidos, é o que é.
Mais informações sobre este dia venturoso nos blogues Largo da Memória e Ponte Europa, e no site República e Laicidade.
Na imagem, reprodução de gravura da revista Ilustração (retirada do blogue Ante & Post).
PS: afinal, parece que já não há fanfarra do Exército nas novas festas monárquicas (vd. aqui). Salvem-se as peles e as lantejoulas, ao menos isso...
PS-II: o PR, esse não muda de rumo e foi inaugurar uma estátua do D. Carlos I-homem-dos-oceanos/da-pintura/benfeitor-incompreendido, lá para os lados da linha, com as tias e tios da marina. Aproveitem o Aníbal, enfiem-lhe um escafandro e enviem-no para o alto mar, que ele tem sempre o rumo certo.