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Domingo, 18 de Abril de 2010

Revisitações

Depois de anos a fio submergida pela água e lodo, vale a pena ver como está agora o convento de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, em condições expositivas condignas e com um lifting todo modernaço! Deixo-vos com uma imagem de reconstituição do que terá sido esse espaço nos seus alvores (fico sempre maravilhado pela capacidade dos arqueólogos em produzirem estes resultados a partir de amostras, no caso de ruínas e peças). As restantes imagens estão no tal site da Academia de Saberes de Aveiro. Boa visita virtual!

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

E como a maré é bíblica

A notícia que nos claustros da Sé Velha de Coimbra vai surgir um pequeno jardim bíblico. O projecto será feito em colaboração com a Universidade.
E o livro A Bíblia contada pelos sabores, editado pela Assírio & Alvim. Com um interessante prefácio de José Tolentino Mendonça, as receitas são apresentadas por Albano Lourenço, Chef na Quinta das Lágrimas (mesmo perto do jardim bíblico).
Só duas receitas, para não nos cair nenhum meteorito em cima:
Cabra em vinho e mel (Antigo Testamento)
1, 2 kg de cabra; 5 folhas de louro; 3 cebolas; 1 cabeça de alho; sal q.b.; 2 litros de vinho tinto; 4 colheres de sopa de mel; azeite q.b.; salsa q.b.
Corte a cabra em pedaços e marine os restantes ingredientes durante pelo menos 2 horas. Leve a lume brando até cozinhar completamente, o que pode levar algumas horas. Sirva com caldo.
Figos com queijo e azeite (Antigo Testamento)
500 g de figos frescos; 360 g de queijo de cabra; 240 g de melão; azeite q.b.; grãos de mostarda q.b.; 12 folhas, ramos de levístico
Corte os figos em gomos. Corte fatias de melão muito finas e disponha-as em forma de rosas. Corte o queijo de cabra em rodelas. Salteie a mostarda em grão sem gordura, numa frigideira quente. Componha o prato e decore com levístico.

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Boémia lusa, saudades de Bocage...

A pedido de várias famílias, cá vai, então, um guia boémio-cultural luso. Ficou para o pós-Quaresma, por respeito devoto.
Há muita coisa, desde os anos 80 que o país mudou muito nesta área (felizmente, pois). De modo que proponho uma selecção de links para o desopilanço. Links daqueles bons, que dão roteiros (de restaurantes, casas de dança, de fado..) ou espaços de referência em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Évora, Almada, Maia, e o mais que aí vier (aqui, o critério foi ter agenda on line).
E um bonus track, especialmente para a nossa peão Sofia, o sítio do fumador.
Fica tudo guardadinho na nova secção de links da coluna da direita, a seguir às listas de blogues e sites, com o sugestivo nome de «Roteiro boémio-cultural».
Atenção que não tem tudo, a começar por aqueles cafés icónicos, como o Nicola, A Brasileira do Chiado, o Majestic, o Café Santa Cruz, o Viana... Nem aqui constam bares de culto mas que não têm programação própria. É só um guia.
Agora já não há desculpas para não se sair de casa! Bocage, a ti brindamos!
*
Fabula Urbis [liv.ª-galeria, Lisboa]
Galeria Zé dos Bois [Lisboa]
Grémio Lisbonense [Lisboa]
Guia da noite
guia de bares e cafés da noite de Coimbra [alunos da U. Lusíada]
guia de restaurantes de Lisboa [alunos da U. Lusíada]
Guia do Lazer [jornal Público]
Hot Clube de Portugal [Lisboa]
Incrível Club [Almada]
le cool - ed. Lisboa
Livraria Trama [Lisboa]
locais de dança [Grupo Movimentus]
Lux [Lisboa]
Maus Hábitos - espaço de intervenção cultural [Porto]
Music Box [Lisboa]
OndaJazz [Lisboa]
opozine [cartaz portuense e nortenho]
Passos Manuel [Porto]
RedeCultural
roteiro de fado em Lisboa [Museu do Fado]
Santiago Alquimista [Lisboa]
Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul [Lisboa]
Sociedade Harmonia Eborense [Évora]
Speakeasy [Lisboa]
Sítio do Fumador
Tertúlia Castelense [Maia]
Time Out Lisboa [agenda cultural]
velha-a-branca estaleiro cultural [Braga]

Nb: na imagem,
reprodução de quadro de Laurinda Garradas, 2005 (in blogue Nesta hora). A propósito ou não, quem gosta de aniz tem aqui uma sugestão apropriada. Que é como quem diz:
«ELMANO, vate SADINO,
Nas musas sempre feliz
Só bebia um licor fino
Um cálice de bom ANIS».
À vossa saúde!

Terça-feira, 12 de Junho de 2007

atmosferas

Há cidades incriveis e há maneiras incriveis de representar as cidades. Uma cidade é o espaço, mas também é o tempo. São indestrinçaveis. Ao estar em Barcelona, lembrei-me vezes sem conta do filme Lost in translation (2003) de Sofia Coppola. Não que Barcelona tenha algo que ver com Tóquio, nem que me tivesse sentido em perda, ou que me fosse difícil entender o "outro". Rigorosamente nada disso. Também não senti a leveza das imagens do filme de Sofia Coppola, nem parti para o aeroporto ao som dos The Jesus and Mary Chain. Porque é que, então, os associei? Esta dúvida persistiu uns dias, pois não estava a fazer sentido. Até que hoje, no combóio para Coimbra, entre o embalar da velocidade do Alfa, a leitura que interrompi, e o olhar lá para fora pela janela, fez clique. O primeiro clique foi o óbvio: o facto de eu ir num combóio e ter olhado pela janela, qual Scarlett Johanson (com um ar, todavia, menos melancólico e muito menos estiloso). O segundo clique é que já me convenceu. A forma como as sensações se sobrepõem à narração, ou melhor, como as sensações criam a narração. Sofia Coppola é magistral no modo como representa essas sensações e da forma como as cria. Toda a atmosfera do seu filme (e dos outros também) é intrinsecamente sensorial. As suas imagens autorais possuem essa marca da sensorialidade, e também da sensualidade, embora não seja isso que me interesse neste momento. O clique fez com que me apercebesse que o importante ali era o facto de as sensações terem um poder dominante sobre tudo o resto. O Palau de la música e as casas do Gaudi, no seu expoente modernista, são isso mesmo: quem olha para ele(a)s derrete-se em sensações várias. Ou seja, as formas da arquitectura modernista de uma cidade burguesa que é Barcelona, provocam no espectador (aquele que olha embasbacado) momentos de sensorialidade extrema perante o objecto impossível. (Há uma impossíbilidade intuída na arquitectura modernista, uma vez que aquilo que criaram não parece, de facto, possível. O Palau é exemplo disso)