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Domingo, 4 de Outubro de 2009
A Beira revisitada - Centum Cellas
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João Miguel Almeida
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Sábado, 3 de Outubro de 2009
A Beira revisitada - Belmonte
A minha ideia de Belmonte estava muito associada ao criptojudaísmo, tema que me interessa como de uma maneira geral todos os ligados a questões de identidade e resistência. Não associava a terra aos descobrimentos, o que é quase um paradoxo, dado Belmonte se situar no interior. Penso não me afastar da verdade ao imaginar que a maior parte dos seus habitantes durante a Idade Média ou a Idade Moderna nunca viu o mar. Não foi o caso de Pedro Álvares Cabral, filho do alcaide-mor de Belmonte, donde saiu aos onze anos para ir viver no Seixal e depois
Belmonte deve ser a terra portuguesa com mais museus por metro quadrado. São quatro: um dedicado aos Descobrimentos, o museu judaico, o Ecomuseu do Zêzere e o Museu do Azeite. Já em fim de viagem pela Beira, limitei-me a visitar o Castelo, a Igreja de Santiago, com um espaço reservado ao panteão dos Cabrais, e o museu judaico, que vi como uma espécie de verso e reverso da nossa História. Pedro Álvares Cabral é o Portugal oficial. O criptojudaísmo representa um Portugal clandestino. Entre um e outro sempre houve passagens subterrâneas que nem sempre se descobrem.
Este site é um postal em movimento de Belmonte. Resta acrescentar que o lugar não é só feito de lendas, misticismo e museus, mas também de património vivo, magníficas paisagens e o restaurante, perto do Castelo, em que almocei melhor e mais barato durante o meu périplo pela Beira.
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João Miguel Almeida
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
A Beira revisitada - Guarda
A Guarda pareceu-me uma cidade pacata, o avesso da sua imagem mais forte criada por uma cantiga de amigo atribuída a D. Sancho I, e que muitos conhecem dos compêndios de literatura, na qual a cidade surge como lugar inquietante, lugar de perigo e perdição:
Ai eu coitada! Como vivo
en gran cuidado por meu amigo
que ei alongado! Muito me tarda
o meu amigo na Guarda!
Ai eu coitada! Como vivo
en gran desejo por meu amigo
que tarda e non vejo! Muito me tarda
o meu amigo na Guarda!
en gran desejo por meu amigo
que tarda e non vejo! Muito me tarda
o meu amigo na Guarda!
O que atrasou o amigo na Guarda – mau tempo, percalços, outra mulher, um salteador? Nesse tempo as pessoas acreditavam na intervenção sinistra de demónios, como o da gárgula que se vê na foto. Aprendi recentemente que a imagem terrível do diabo apareceu mais tarde e em regiões mais setentrionais. Descartes é que colocou a hipótese de um génio maligno que o enganava acerca de quase tudo. O diabo que deambulava em Portugal na Idade Média tinha poucos poderes, era mesmo um pouco ridículo. O povo ria-se dele. Se foi a mão de um destes diabos que atrasou o amigo na Guarda, não o impediu de chegar ao destino.
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João Miguel Almeida
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
A Beira revisitada - Castelo de Mendo
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João Miguel Almeida
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Sábado, 5 de Setembro de 2009
A Beira revisitada - Almeida
Apesar do nome da povoação fortificada ser o mesmo de um dos meus apelidos, não tenho qualquer origem familiar conhecida em Almeida. Soube recentemente que o nome é de origem árabe, embora as opiniões divirjam sobre que origem é esta, em concreto. Para uns vem de Al Mêda, que significa mesa e portanto não é alheia à função de trincar e moer. Para outros vem de Talmeyda, palavra designando campo ou lugar de corrida de cavalos.Quem quiser saber mais sobre Almeida, pode consultar o site oficial, aqui. A 13 de Agosto passado integrou a candidatura das Fortificações Abaluartadas da Raia Luso-Espanhola a Património Mundial da UNESCO.
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João Miguel Almeida
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
A Beira revisitada - Trancoso
Ao observar a feira de S. Bartolomeu senti o choque de uma evidência: não podemos viajar no espaço sem viajar no tempo. A feira de que me lembrava da minha infância na década de 70 era uma balbúrdia multiforme, repleta de cores, cheiros e ruídos que impregnava toda a povoação. Pessoas e animais circulavam por todo o lado e em toda a parte se vendiam cintos e sacholas, chocalhos e enxadas, botas e ancinhos, regadores e cartuxos, cabritos e queijos, capotes e t-shirts, além de um imenso etc. Agora a feira de S. Bartolomeu decorre num recinto fechado, no qual se paga para entrar a partir das 19 horas. À porta vêem-se seguranças com músculos que só podem ter sido treinados em ginásios. Lá dentro, numas tendas brancas com o tecto em cone, que também se podem encontrar em Monte Gordo, vendem-se artefactos africanos e outras coisas giras. Nos stands que expõem diversos produtos, os jovens vendedores a quem escasseiam os clientes no início da tarde, matam o tédio a pesquisar a internet usando computadores portáteis wireless. Os equipamentos agrícolas mais em destaque são pequenos tractores e outra maquinaria reluzente. No recanto que faz parede com o jardim estava montado um palco onde ensaiavam os «santos e pecadores», que iam actuar nessa noite.
Foi pena o castelo estar vedado ao público para obras. Será um monumento a redescobrir noutra ocasião.
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João Miguel Almeida
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19:00
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
A Beira revisitada - Barroco da Pena
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João Miguel Almeida
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